Me chamo Carlos, e há onze meses, três semanas e quatro dias eu venho olhando pra Diana da terceira fileira da igreja, sempre no mesmo banco, sempre com a mesma gravata azul que ela nunca notou.
Diana é a filha do pastor Bernal. E quando eu digo "filha do pastor" não tô falando de uma garota rebelde que foge pela janela. Tô falando da princesa. A intocável. A que chega às nove em ponto com o vestido até o joelho, a que canta no coral com uma voz que faz os velhos do culto fecharem os olhos, a que nunca teve namorado porque o papai decide quem chega perto e quem não.
E o papai não me deu o aval.
Eu sei porque tentei. Quatro meses atrás levei um café pra ela depois do culto, um café com porra, com o nome dela escrito no copo com caneta preta, e ela sorriu, disse "valeu, que fofo", e continuou andando até o carro do pai dela. Nem número, nem chat, nem nada. Um "que fofo" e tchau.
Mas o que ninguém sabe — nem ela, nem o pastor, nem o coral inteiro — é que eu estudei ela. Não como um stalker, mas como um cientista. Um homem que ama com método.
Sei que a Diana usa dois tipos de batom: o rosa pálido pro culto da manhã e o vermelho suave pros ensaios do coral às quartas. Sei que ela morde o lábio inferior quando o sermão passa dos quarenta minutos. Sei que na bolsa sempre leva um livro de poesia que nunca lê em público, mas que sublinha escondido, porque uma vez ele caiu no chão e eu peguei antes dela, e consegui ver a página 47 marcada com um coração desenhado à mão.
Esse coração me deu uma ideia. E essa ideia virou um plano.
O primeiro passo foi deixar de ser invisível. Homens invisíveis não agradam às filhas de pastor, porque o pai delas nem os registra. Então eu entrei no grupo de jovens. Não no de louvor — lá já tinha gente demais querendo aparecer — mas no de logística. O que monta as cadeiras, o que carrega as caixas de bíblias, o que fica até a meia-noite arrumando tudo quando todo mundo já foi embora.
E funcionou. O pastor Bernal começou a me notar. "Carlos, que rapaz bom, sempre tão prestativo." Me dava tapinhas nas costas. Me oferecia água. Me pedia favores. Em três semanas eu passei de desconhecido a ser o jovem de confiança do irmão Bernal.
Diana também começou a me olhar. Não com desejo ainda, mas com curiosidade. "Você sempre fica até tão tarde?", ela me perguntou uma noite, quando as luzes do salão já estavam quase todas apagadas e eu carregava a última caixa.
—Alguém tem que fazer isso — eu disse, e não acrescentei mais nada. Porque o segredo com as filhas de pastor é que elas estão fartas de homens que falam. O pai dela fala o tempo todo. O coral fala. Os pretendentes falam. Eu ia ser o silêncio.
Ela ficou um segundo a mais do que o necessário. Eu notei.
O segundo passo foi o livro. Comprei um exemplar usado da mesma coletânea de poemas que ela sublinhava — um poeta colombiano, desses que escrevem sobre corpos e ausências — e esperei. Numa quarta-feira de ensaio, enquanto ela cantava, deixei minha cópia esquecida numa cadeira do corredor. Com a página 47 dobrada. Com um coração desenhado a caneta azul.
Não falei nada. Ela encontrou sozinha.
Naquela noite recebi a primeira mensagem da Diana em onze meses: "Esse livro é seu?"
— É — respondi, depois de esperar vinte minutos, pra não deixar transparecer a fissura.
"A página 47 é a minha favorita."
— Eu sei.
"Como você sabe?
E aí eu soltei a primeira bomba, a que eu tinha guardado desde o dia que peguei o livro dele do chão:
—Porque o 47 é o número que vira tudo de cabeça pra baixo. Igual a você.
Ele demorou uma hora pra responder. Uma hora inteira em que eu roí as unhas e amaldiçoei minha própria ousadia. E aí chegou:
"Ninguém nunca me disse isso."
Naquele momento eu soube que tava dentro.
Os dias seguintes foram um jogo lento. Diana começou a ficar depois do coral. Começou a se sentar perto de mim quando o pastor não estava olhando. Começou a me mandar versículos que não tinham nada a ver com nada e que na verdade eram desculpas pra me mandar mensagem.
"Salmos 45:11 diz que o rei deseja a tua formosura."
— E que rei te deseja? — perguntei uma noite pelo chat, à uma da manhã, sabendo que o pai dela já dormia e que ela estava na cama com a luz apagada e o celular iluminando a cara dela.
"Não sei. Ainda não apareceu."
— Talvez ele esteja há onze meses te olhando da terceira fileira.
Não respondeu. Mas no dia seguinte, no culto, em vez de se sentar no seu lugar de sempre com as irmãs do coral, sentou-se na segunda fileira. Bem na minha frente. E quando o pastor Bernal olhou pra trás, pra sua filha, ele a viu... e me viu. Atrás. Perto. Com a gravata azul que ela já tinha começado a notar.
Naquele domingo, o irmão Bernal me convidou pra almoçar na casa dele. "Pra você conhecer a família, garoto." Diana abriu a porta com um vestido florido e o batom rosa pálido e as mãos um pouco trêmulas, e quando ela me passou o prato de arroz na mesa, seus dedos roçaram os meus e os dois ficamos parados um segundo a mais, com o pai falando da reconstrução do templo e a mãe servindo suco de maracujá, e nenhum dos dois adultos notando o que estava rolando entre os guardanapos.
A coisa ficou perigosa. Boa.
Comecei a escrever pra ela coisas que não se dizem antes do casamento, mas com cuidado, sem assustar. Falei que pensava nela quando tomava banho, e que era um pecado menor, mas pecado mesmo assim. Falei que o pescoço dela me distraía nos sermões. Falei que quando ela cantava o solo do coral, eu fechava os olhos não por Deus, mas por ela.
"Carlos, e se meu pai perceber?"
—Que ele perceba —respondi—. Que perceba tudo, menos a última coisa.
"E o que é a última coisa?
E aí eu deixei ela no vácuo. Três dias. Sem responder. Vendo ela na igreja, cumprimentando com a cabeça, servindo água pra ela no jantar dos jovens, e ela me olhando com uma mistura de raiva e tesão que me deixava o coração na boca.
No quarto dia ela me mandou mensagem primeiro: "Me responde."
—A última coisa é o que eu quero te fazer quando ninguém estiver vendo —eu disse.
E pela primeira vez em onze meses, Diana, a filha do pastor, a princesa intocável, a que nunca responde mensagem depois das dez, me mandou às duas e meia da manhã uma única mensagem que me deixou sem dormir:
"Vem.
O plano do "vem" teve que esperar duas semanas, porque o pastor não deixa a filha sair sozinha, e muito menos à noite, e muito menos com um rapaz, e muito menos com um rapaz que não é oficialmente nada. Então montei a operação com a precisão de um general.
Primeiro, um pretexto perfeito: a campanha de arrecadação para as crianças de rua. "Irmão Bernal, precisamos montar as caixas numa sexta à noite, no salão dos fundos, e talvez a gente vá até tarde." O pastor, encantado. "A Diana pode ajudar, rapaz, ela é muito organizada." A Diana, ao ouvir isso, quase deixou o prato cair.
Segundo, a logística: caixas de verdade. Bíblias de verdade. Trabalho real pra fazer. Nada de "ficaram sozinhos por acaso". Tudo planejado, tudo limpo, tudo com testemunhas que vão dormir.
Porque na sexta, às nove e meia da noite, quando as últimas irmãs se despediram com suas bolsas e suas rezas, o salão dos fundos ficou só com duas pessoas, doze caixas de papelão, uma mesa dobrável e uma lâmpada daquelas que dão uma luz amarela, morna, de igreja velha.
Diana fechou a porta. Não deixou entreaberta, como sempre. Fechou.
Em cima do templo tinha um quartinho: o quarto dos pregadores. Uma cama de casal com cobertas de flanela, um guarda-roupa, umas cadeiras de reserva, um ventilador de torre que fazia barulho e uns outros trecos que não lembro. Diana tinha a chave porque o pai dela mandava ela limpar. Ninguém subia nunca.
Subimos aqueles treze degraus e ela trancou. O clique soou como um tiro no silêncio.
Não teve preâmbulo.
Eu a empurrei contra a porta e enfiei a língua até a garganta dela, e ela respondeu do mesmo jeito, com aquela carinha de menina boa, agarrando meu rabo com as duas mãos. Abaixei o zíper da saia e a saia caiu. Abri a blusa e os botões voaram. Arranquei o sutiã de um puxão só e chupei os peitos dela como se estivesse com fome, e ela jogou a cabeça pra trás contra a madeira e gemeu longo, sem tapar a boca.
—Ninguém nos ouve — eu disse.
—Ninguém. Ninguém, continua.
Abaixei a calcinha até os tornozelos e empurrei ela pelos quadris em direção à cama. Joguei ela de bruços sobre as cobertas e abri as pernas dela com o joelho. Ela agarrou o cobertor com as duas mãos e afundou o rosto no travesseiro.
—Assim — ela disse —. Assim, sim.
Me agachei e passei a língua de baixo pra cima, devagar. Depois não foi mais devagar. Comi com a boca toda, a língua dura, o nariz enterrado, e ela começou a se esfregar na minha cara sem nenhuma vergonha, me procurando, se movendo como se a cama fosse dela.
—Aí, aí, não para, não para...
Ela gozou com as costas arqueadas e um gemido que saiu lá do fundo da barriga. E eu pensava, com a boca ainda grudada nela: essa é a mesma mulher que distribui panfleto aos domingos.
Ele só conseguiu respirar. Se virou, se ajoelhou na minha frente e me olhou com uma cara que eu nunca tinha visto. Puxou meu short pra baixo, com vontade, e tirou ele.
Ficou um segundo olhando, pegando com a mão, apertando.
— Tá bem grande — disse, e sorriu de canto.
— É.
— É um elogio.
E botou na boca.
Devagar no começo, só a ponta, a língua dando voltas, me olhando nos olhos enquanto fazia. Eu fiquei sem ar. Diana desceu mais, enfiou até o fundo e ficou ali, com o nariz colado na barriga, aguentando, e depois subiu soltando saliva por todo o meu pau.
—Ai, filho da puta —eu disse.
Ela riu com a boca cheia e continuou. Agora sério: a cabeça subindo e descendo, a mão apertando a base, a outra me agarrando a coxa, a saliva escorrendo pelo queixo e descendo pelo pescoço. Chupava com vontade, com barulho, sem elegância. Eu coloquei uma mão no cabelo dela e puxei.
—Você tá me matando. Parece experiente.
Levantou o rosto, ofegante, com a boca brilhando e o cabelo grudado na bochecha.
—Então aguenta, só tô deixando sair quem eu sou, sua puta pessoal
—E se eu gozar?
—Você goza.
E ela desceu de novo, mais rápido, mais safada, uma mão trabalhando meu saco enquanto a boca apertava meu pau, e senti que eu ia gozar.
—Já, já...
—Não —disse ela, e não saiu. Ficou ali, engolindo, aguentando até eu gozar tudo com um gemido rouco e as duas mãos enterradas no cabelo dela.
Ela se endireitou, passou as costas da mão na boca e me olhou.
—Viu? —disse—. Bem comportadinha.
—Agora deita — eu disse.
—De novo?
—De novo.
Joguei ela de costas, abri as pernas dela até o limite e entrei de uma vez só, inteiro, até o fundo. Diana gritou com todas as forças.
—Sim, sim, assim, mais forte.
Eu bati mais forte. Segurei ela pelos quadris e meti sem dó, e a cama rangeu e o ventilador mal abafava o som dos nossos corpos se chocando, um bate-bate molhado que enchia o quartinho inteiro. Ela soltava palavras soltas, incoerentes, coisas que não dizia no templo.
—Que rola, que gostoso, filho da puta, não me deixa...
Puxei o cabelo dela, com a outra mão dei tapas na bunda até deixar vermelha, e ela gemeu mais agudo.
—Você gosta.
—Adoro. Adoro. Sou sua puta.
Coloquei os joelhos no peito dela e entrei de novo mais fundo, e ela se agarrou nas grades da cabeceira.
—Olha pra mim —disse—. Olha pra mim, não fecha os olhos.
Olhei pra ela. E lá estava: a filha do pastor, a mais comportada da congregação, nua e suada sobre as cobertas dos pregadores, com as tetas balançando a cada estocada e a boca aberta sem nenhum decoro. Passou uma mão pela barriga e se tocou enquanto eu entrava, e em segundos o corpo todo dela ficou tenso.
—Já, já, já, já...
Ela veio se apertando contra mim, e eu aguentei mais algumas estocadas da bunda dela contra minha pelve antes de sair e terminar na carinha linda dela, aquela carinha linda que qualquer cavalheiro que sempre se aproxima dela adoraria proteger, ofegante, com a língua colada no meu pau. Ficamos assim um tempo, sem falar, sentindo o coração um do outro.
Quem diria? Diana, a doce, impecável, perfeita e pura filhinha de papai, coberta do meu sêmen. É uma loucura a satisfação que eu tive naquele momento, quase gozei de novo quando vi que ela engoliu meu esperma. Se ao menos a mãe dela visse, talvez perguntasse onde ela aprendeu a fazer isso.
Lá embaixo, na rua, ouviu-se a caminhonete do pai dela estacionando.
—A gente vai ser pego — eu disse.
—A gente vai ser pego — ela disse, sem se mexer —. Mas ainda não.
Ela se espreguiçou como uma puta, com as pernas abertas e o rosto brilhante cheio de porra, e sorriu.
Ela acariciou minha nuca. Afastou meu cabelo da testa.
—Vai dar pra perceber —disse ela, rindo baixinho—. Quando eu sair, vai dar pra perceber na minha cara.
—Vai dar pra perceber tudo —respondi—. E você vai ter que mentir pro seu pai.
—Não —disse ela, e me olhou com uma seriedade que eu não conhecia nela—. Vou contar a verdade pra ele.
—Que verdade?
—Que o garoto da terceira fila não tá mais na terceira fila.
Ela se vestiu devagar, sem pressa, e eu ficava olhando ela se vestir e pensando que era melhor ver ela se vestindo do que ver ela pelada, porque se vestir era ver ela voltar a ser a Diana, a do vestido de flores e batom rosinha, a filha do pastor, a princesa... mas com uma diferença que só eu ia saber.
Guardamos as caixas. Ajeitamos as cadeiras. Apagamos todo rastro. Desliguei o abajur amarelo. E quando abri a porta pra gente sair, ela segurou minha mão um segundo antes da rua nos ver.
—E agora o quê? —ela perguntou.
—Agora, domingo —eu disse—. Você vai sentar na sua fileira. E eu vou sentar na minha. E seu pai vai pregar. E quando terminar, você vai vir me cumprimentar na frente de todo mundo, como se nada tivesse acontecido.
—Como se nada tivesse acontecido?
—Como se nada tivesse acontecido. Até que a porta se feche de novo.
Ela sorriu. Aquele sorriso dela. E soltou minha mão bem antes da luz da rua nos alcançar, e nós dois caminhamos em direção ao carro do pastor que já a esperava, um ao lado do outro, a um metro de distância, como dois desconhecidos.
Como dois que já não eram nada desconhecidos.
No domingo seguinte, o pastor Bernal pregou sobre pureza. Falou sobre esperar, sobre se guardar, sobre não se apressar. Diana e eu nos olhamos das nossas fileiras, ela na frente, eu atrás, e os dois mordemos um sorriso.
O irmão Bernal não sabia de nada.
Diana sabia de tudo.
E eu, Carlos, o garoto da terceira fileira, já não estava mais na terceira fileira. Estava na vida da Diana, e na cama dela eu ia estar todas as vezes que a porta se fechasse. Pena pra ela que tem uma irmãzinha tão gostosa.
Diana é a filha do pastor Bernal. E quando eu digo "filha do pastor" não tô falando de uma garota rebelde que foge pela janela. Tô falando da princesa. A intocável. A que chega às nove em ponto com o vestido até o joelho, a que canta no coral com uma voz que faz os velhos do culto fecharem os olhos, a que nunca teve namorado porque o papai decide quem chega perto e quem não. E o papai não me deu o aval.
Eu sei porque tentei. Quatro meses atrás levei um café pra ela depois do culto, um café com porra, com o nome dela escrito no copo com caneta preta, e ela sorriu, disse "valeu, que fofo", e continuou andando até o carro do pai dela. Nem número, nem chat, nem nada. Um "que fofo" e tchau.
Mas o que ninguém sabe — nem ela, nem o pastor, nem o coral inteiro — é que eu estudei ela. Não como um stalker, mas como um cientista. Um homem que ama com método.
Sei que a Diana usa dois tipos de batom: o rosa pálido pro culto da manhã e o vermelho suave pros ensaios do coral às quartas. Sei que ela morde o lábio inferior quando o sermão passa dos quarenta minutos. Sei que na bolsa sempre leva um livro de poesia que nunca lê em público, mas que sublinha escondido, porque uma vez ele caiu no chão e eu peguei antes dela, e consegui ver a página 47 marcada com um coração desenhado à mão.Esse coração me deu uma ideia. E essa ideia virou um plano.
O primeiro passo foi deixar de ser invisível. Homens invisíveis não agradam às filhas de pastor, porque o pai delas nem os registra. Então eu entrei no grupo de jovens. Não no de louvor — lá já tinha gente demais querendo aparecer — mas no de logística. O que monta as cadeiras, o que carrega as caixas de bíblias, o que fica até a meia-noite arrumando tudo quando todo mundo já foi embora.E funcionou. O pastor Bernal começou a me notar. "Carlos, que rapaz bom, sempre tão prestativo." Me dava tapinhas nas costas. Me oferecia água. Me pedia favores. Em três semanas eu passei de desconhecido a ser o jovem de confiança do irmão Bernal.
Diana também começou a me olhar. Não com desejo ainda, mas com curiosidade. "Você sempre fica até tão tarde?", ela me perguntou uma noite, quando as luzes do salão já estavam quase todas apagadas e eu carregava a última caixa.—Alguém tem que fazer isso — eu disse, e não acrescentei mais nada. Porque o segredo com as filhas de pastor é que elas estão fartas de homens que falam. O pai dela fala o tempo todo. O coral fala. Os pretendentes falam. Eu ia ser o silêncio.
Ela ficou um segundo a mais do que o necessário. Eu notei.
O segundo passo foi o livro. Comprei um exemplar usado da mesma coletânea de poemas que ela sublinhava — um poeta colombiano, desses que escrevem sobre corpos e ausências — e esperei. Numa quarta-feira de ensaio, enquanto ela cantava, deixei minha cópia esquecida numa cadeira do corredor. Com a página 47 dobrada. Com um coração desenhado a caneta azul.Não falei nada. Ela encontrou sozinha.
Naquela noite recebi a primeira mensagem da Diana em onze meses: "Esse livro é seu?"
— É — respondi, depois de esperar vinte minutos, pra não deixar transparecer a fissura.
"A página 47 é a minha favorita."
— Eu sei.
"Como você sabe?
E aí eu soltei a primeira bomba, a que eu tinha guardado desde o dia que peguei o livro dele do chão:—Porque o 47 é o número que vira tudo de cabeça pra baixo. Igual a você.
Ele demorou uma hora pra responder. Uma hora inteira em que eu roí as unhas e amaldiçoei minha própria ousadia. E aí chegou:
"Ninguém nunca me disse isso."
Naquele momento eu soube que tava dentro.
Os dias seguintes foram um jogo lento. Diana começou a ficar depois do coral. Começou a se sentar perto de mim quando o pastor não estava olhando. Começou a me mandar versículos que não tinham nada a ver com nada e que na verdade eram desculpas pra me mandar mensagem."Salmos 45:11 diz que o rei deseja a tua formosura."
— E que rei te deseja? — perguntei uma noite pelo chat, à uma da manhã, sabendo que o pai dela já dormia e que ela estava na cama com a luz apagada e o celular iluminando a cara dela.
"Não sei. Ainda não apareceu."
— Talvez ele esteja há onze meses te olhando da terceira fileira.
Não respondeu. Mas no dia seguinte, no culto, em vez de se sentar no seu lugar de sempre com as irmãs do coral, sentou-se na segunda fileira. Bem na minha frente. E quando o pastor Bernal olhou pra trás, pra sua filha, ele a viu... e me viu. Atrás. Perto. Com a gravata azul que ela já tinha começado a notar.Naquele domingo, o irmão Bernal me convidou pra almoçar na casa dele. "Pra você conhecer a família, garoto." Diana abriu a porta com um vestido florido e o batom rosa pálido e as mãos um pouco trêmulas, e quando ela me passou o prato de arroz na mesa, seus dedos roçaram os meus e os dois ficamos parados um segundo a mais, com o pai falando da reconstrução do templo e a mãe servindo suco de maracujá, e nenhum dos dois adultos notando o que estava rolando entre os guardanapos.
A coisa ficou perigosa. Boa.Comecei a escrever pra ela coisas que não se dizem antes do casamento, mas com cuidado, sem assustar. Falei que pensava nela quando tomava banho, e que era um pecado menor, mas pecado mesmo assim. Falei que o pescoço dela me distraía nos sermões. Falei que quando ela cantava o solo do coral, eu fechava os olhos não por Deus, mas por ela.
"Carlos, e se meu pai perceber?"
—Que ele perceba —respondi—. Que perceba tudo, menos a última coisa.
"E o que é a última coisa?
E aí eu deixei ela no vácuo. Três dias. Sem responder. Vendo ela na igreja, cumprimentando com a cabeça, servindo água pra ela no jantar dos jovens, e ela me olhando com uma mistura de raiva e tesão que me deixava o coração na boca.No quarto dia ela me mandou mensagem primeiro: "Me responde."
—A última coisa é o que eu quero te fazer quando ninguém estiver vendo —eu disse.
E pela primeira vez em onze meses, Diana, a filha do pastor, a princesa intocável, a que nunca responde mensagem depois das dez, me mandou às duas e meia da manhã uma única mensagem que me deixou sem dormir:
"Vem.
O plano do "vem" teve que esperar duas semanas, porque o pastor não deixa a filha sair sozinha, e muito menos à noite, e muito menos com um rapaz, e muito menos com um rapaz que não é oficialmente nada. Então montei a operação com a precisão de um general.Primeiro, um pretexto perfeito: a campanha de arrecadação para as crianças de rua. "Irmão Bernal, precisamos montar as caixas numa sexta à noite, no salão dos fundos, e talvez a gente vá até tarde." O pastor, encantado. "A Diana pode ajudar, rapaz, ela é muito organizada." A Diana, ao ouvir isso, quase deixou o prato cair.
Segundo, a logística: caixas de verdade. Bíblias de verdade. Trabalho real pra fazer. Nada de "ficaram sozinhos por acaso". Tudo planejado, tudo limpo, tudo com testemunhas que vão dormir.
Porque na sexta, às nove e meia da noite, quando as últimas irmãs se despediram com suas bolsas e suas rezas, o salão dos fundos ficou só com duas pessoas, doze caixas de papelão, uma mesa dobrável e uma lâmpada daquelas que dão uma luz amarela, morna, de igreja velha.
Diana fechou a porta. Não deixou entreaberta, como sempre. Fechou. Em cima do templo tinha um quartinho: o quarto dos pregadores. Uma cama de casal com cobertas de flanela, um guarda-roupa, umas cadeiras de reserva, um ventilador de torre que fazia barulho e uns outros trecos que não lembro. Diana tinha a chave porque o pai dela mandava ela limpar. Ninguém subia nunca.
Subimos aqueles treze degraus e ela trancou. O clique soou como um tiro no silêncio.
Não teve preâmbulo.

Eu a empurrei contra a porta e enfiei a língua até a garganta dela, e ela respondeu do mesmo jeito, com aquela carinha de menina boa, agarrando meu rabo com as duas mãos. Abaixei o zíper da saia e a saia caiu. Abri a blusa e os botões voaram. Arranquei o sutiã de um puxão só e chupei os peitos dela como se estivesse com fome, e ela jogou a cabeça pra trás contra a madeira e gemeu longo, sem tapar a boca.—Ninguém nos ouve — eu disse.
—Ninguém. Ninguém, continua.
Abaixei a calcinha até os tornozelos e empurrei ela pelos quadris em direção à cama. Joguei ela de bruços sobre as cobertas e abri as pernas dela com o joelho. Ela agarrou o cobertor com as duas mãos e afundou o rosto no travesseiro.
—Assim — ela disse —. Assim, sim.
Me agachei e passei a língua de baixo pra cima, devagar. Depois não foi mais devagar. Comi com a boca toda, a língua dura, o nariz enterrado, e ela começou a se esfregar na minha cara sem nenhuma vergonha, me procurando, se movendo como se a cama fosse dela.—Aí, aí, não para, não para...
Ela gozou com as costas arqueadas e um gemido que saiu lá do fundo da barriga. E eu pensava, com a boca ainda grudada nela: essa é a mesma mulher que distribui panfleto aos domingos.
Ele só conseguiu respirar. Se virou, se ajoelhou na minha frente e me olhou com uma cara que eu nunca tinha visto. Puxou meu short pra baixo, com vontade, e tirou ele. Ficou um segundo olhando, pegando com a mão, apertando.
— Tá bem grande — disse, e sorriu de canto.
— É.
— É um elogio.
E botou na boca.
Devagar no começo, só a ponta, a língua dando voltas, me olhando nos olhos enquanto fazia. Eu fiquei sem ar. Diana desceu mais, enfiou até o fundo e ficou ali, com o nariz colado na barriga, aguentando, e depois subiu soltando saliva por todo o meu pau.—Ai, filho da puta —eu disse.
Ela riu com a boca cheia e continuou. Agora sério: a cabeça subindo e descendo, a mão apertando a base, a outra me agarrando a coxa, a saliva escorrendo pelo queixo e descendo pelo pescoço. Chupava com vontade, com barulho, sem elegância. Eu coloquei uma mão no cabelo dela e puxei.
—Você tá me matando. Parece experiente.
Levantou o rosto, ofegante, com a boca brilhando e o cabelo grudado na bochecha.
—Então aguenta, só tô deixando sair quem eu sou, sua puta pessoal
—E se eu gozar?
—Você goza.

E ela desceu de novo, mais rápido, mais safada, uma mão trabalhando meu saco enquanto a boca apertava meu pau, e senti que eu ia gozar.—Já, já...
—Não —disse ela, e não saiu. Ficou ali, engolindo, aguentando até eu gozar tudo com um gemido rouco e as duas mãos enterradas no cabelo dela.
Ela se endireitou, passou as costas da mão na boca e me olhou.
—Viu? —disse—. Bem comportadinha.
—Agora deita — eu disse.—De novo?
—De novo.
Joguei ela de costas, abri as pernas dela até o limite e entrei de uma vez só, inteiro, até o fundo. Diana gritou com todas as forças.
—Sim, sim, assim, mais forte.Eu bati mais forte. Segurei ela pelos quadris e meti sem dó, e a cama rangeu e o ventilador mal abafava o som dos nossos corpos se chocando, um bate-bate molhado que enchia o quartinho inteiro. Ela soltava palavras soltas, incoerentes, coisas que não dizia no templo.
—Que rola, que gostoso, filho da puta, não me deixa...
Puxei o cabelo dela, com a outra mão dei tapas na bunda até deixar vermelha, e ela gemeu mais agudo.—Você gosta.
—Adoro. Adoro. Sou sua puta.
Coloquei os joelhos no peito dela e entrei de novo mais fundo, e ela se agarrou nas grades da cabeceira.
—Olha pra mim —disse—. Olha pra mim, não fecha os olhos.
Olhei pra ela. E lá estava: a filha do pastor, a mais comportada da congregação, nua e suada sobre as cobertas dos pregadores, com as tetas balançando a cada estocada e a boca aberta sem nenhum decoro. Passou uma mão pela barriga e se tocou enquanto eu entrava, e em segundos o corpo todo dela ficou tenso.
—Já, já, já, já...Ela veio se apertando contra mim, e eu aguentei mais algumas estocadas da bunda dela contra minha pelve antes de sair e terminar na carinha linda dela, aquela carinha linda que qualquer cavalheiro que sempre se aproxima dela adoraria proteger, ofegante, com a língua colada no meu pau. Ficamos assim um tempo, sem falar, sentindo o coração um do outro.
Quem diria? Diana, a doce, impecável, perfeita e pura filhinha de papai, coberta do meu sêmen. É uma loucura a satisfação que eu tive naquele momento, quase gozei de novo quando vi que ela engoliu meu esperma. Se ao menos a mãe dela visse, talvez perguntasse onde ela aprendeu a fazer isso.
Lá embaixo, na rua, ouviu-se a caminhonete do pai dela estacionando.—A gente vai ser pego — eu disse.
—A gente vai ser pego — ela disse, sem se mexer —. Mas ainda não.
Ela se espreguiçou como uma puta, com as pernas abertas e o rosto brilhante cheio de porra, e sorriu.
Ela acariciou minha nuca. Afastou meu cabelo da testa.—Vai dar pra perceber —disse ela, rindo baixinho—. Quando eu sair, vai dar pra perceber na minha cara.
—Vai dar pra perceber tudo —respondi—. E você vai ter que mentir pro seu pai.
—Não —disse ela, e me olhou com uma seriedade que eu não conhecia nela—. Vou contar a verdade pra ele.
—Que verdade?
—Que o garoto da terceira fila não tá mais na terceira fila.
Ela se vestiu devagar, sem pressa, e eu ficava olhando ela se vestir e pensando que era melhor ver ela se vestindo do que ver ela pelada, porque se vestir era ver ela voltar a ser a Diana, a do vestido de flores e batom rosinha, a filha do pastor, a princesa... mas com uma diferença que só eu ia saber.
Guardamos as caixas. Ajeitamos as cadeiras. Apagamos todo rastro. Desliguei o abajur amarelo. E quando abri a porta pra gente sair, ela segurou minha mão um segundo antes da rua nos ver.
—E agora o quê? —ela perguntou.—Agora, domingo —eu disse—. Você vai sentar na sua fileira. E eu vou sentar na minha. E seu pai vai pregar. E quando terminar, você vai vir me cumprimentar na frente de todo mundo, como se nada tivesse acontecido.
—Como se nada tivesse acontecido?
—Como se nada tivesse acontecido. Até que a porta se feche de novo.
Ela sorriu. Aquele sorriso dela. E soltou minha mão bem antes da luz da rua nos alcançar, e nós dois caminhamos em direção ao carro do pastor que já a esperava, um ao lado do outro, a um metro de distância, como dois desconhecidos.
Como dois que já não eram nada desconhecidos.
No domingo seguinte, o pastor Bernal pregou sobre pureza. Falou sobre esperar, sobre se guardar, sobre não se apressar. Diana e eu nos olhamos das nossas fileiras, ela na frente, eu atrás, e os dois mordemos um sorriso.O irmão Bernal não sabia de nada.
Diana sabia de tudo.
E eu, Carlos, o garoto da terceira fileira, já não estava mais na terceira fileira. Estava na vida da Diana, e na cama dela eu ia estar todas as vezes que a porta se fechasse. Pena pra ela que tem uma irmãzinha tão gostosa.
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