Capítulo Quatorze: Bem-vindo ao Clube

No sábado, Sofía acordou antes que Mateo e começou a arrumar a casa como se fosse receber gente importante. Trocou os lençóis, colocou toalhas limpas no banheiro, tirou a garrafa boa do armário e deixou respirar. E no meio de tudo isso, num momento em que se agachou pra pegar um par de chinelos do chão, percebeu uma coisa: ela era a que organizava. Ela era a que tinha armado tudo. Lucas tinha sido o primeiro, a Vale tinha sido a segunda, e nas duas vezes a ideia tinha saído da cabeça dela.
Mateo apareceu na cozinha de cueca, com a cara de sono, e a encontrou mexendo na despensa.
—E aí, o que te deu?
—Nada.
—Você tá arrumando.
—Tô.
—Você nunca arruma.
Sofía se virou com um pacote de macarrão na mão.
—Tô nervosa.
Mateo riu e a abraçou por trás.
—Você tá nervosa? Você é a que começou tudo isso.
—Por isso. Antes eu era a que se deixava levar. Agora sou a que arma.
—E você gosta.
Sofía ficou um segundo calada, com as costas contra o peito dele.
—Gosto. E me dá um pouco de medo de gostar tanto.
Mateo deu um beijo no ombro dela.
—Bom. Medo e tudo, o sábado continua de pé?
—Continua.
—E a Vale?
—Já tá chegando. Falei oito.
—E o Lucas?
—Nove. —Sofía se afastou e olhou pra ele—. E não falamos nada pra ele sobre a Vale. Quero ver a cara dele.
Mateo levantou as sobrancelhas.
—Você é má.
—Sou curiosa.
Vale chegou às oito com o cabelo molhado e uma sacola do mercado. Trouxe gelo, limões e duas garrafas de cerveja artesanal que sabia que o Mateo gostava, e quando Sofía abriu a porta as duas se abraçaram como se não se vissem há meses, embora tivessem se visto cinco dias atrás.
—E o Lucas? —perguntou Vale, tirando as sandálias.
—Nove.
—Sabe de alguma coisa?
—Nada.
Vale riu e foi direto pra cozinha, como se morasse ali. Abriu a geladeira, acomodou o gelo, tirou os limões da mão de Sofía e começou a cortar.
—Eu —disse, enquanto cortava—. Como é o Lucas?
—Você já conhece ele.
—Conheço, conheço. Conheço ele das resenhas. Do churrasco, do rolê. —Vale levantou a cabeça—. Não conheço ele como você conhece. Sofia se apoiou na bancada. —Ele é direto. Fala o que pensa. Não fica de mistério. —Tipo eu? —Tipo você. Vale riu. —E ele vai se incomodar que eu esteja aqui? —Não sei. —Sofia deu de ombros—. Ele vai cair de paraquedas. Isso sim. —E se ele ficar puto? —Não vai ficar puto. —Sofia pegou um pedaço de limão da tábua e comeu—. Lucas nunca fica puto. Mas capaz que ele fica meio bolado. É o único que não sabia de nada. —Ah. —Vale continuou cortando—. Ou seja, hoje eu sou a que se junta na festa dos outros. —Não. Hoje você é a que já tá dentro e chega o que faltava. Vale levantou o olhar e sustentou o dele por um segundo longo. —Valeu —disse ela. —Por quê? —Por falar assim. Lucas chegou às nove e cinco, com duas pizzas e uma caixa de cerveja, e entrou falando desde a porta. —e aí, que cheiro é esse, vocês fizeram algo gostoso ou tão de rolê sem mim? —Deixou as coisas na mesa, tirou a jaqueta e cumprimentou Mateo com um abraço daqueles que os amigos dão, com tapinha nas costas—. Tudo certo, mano? —Tudo certo. —E a Sofi? Lucas se virou e aí ele a viu. Vale estava sentada no sofá individual, com uma cerveja na mão, as pernas cruzadas, o cabelo ainda molhado, e uma camiseta curta que deixava a cintura de fora. Ela olhou pra ele e sorriu sem dizer nada. Lucas ficou parado, com uma mão ainda na jaqueta que estava prestes a pendurar. —Perae. —Oi, Lucas —disse Vale. —Perae. —Lucas olhou pra Sofia, depois pro Mateo, depois de novo pra Vale—. O que ela tá fazendo aqui? —O mesmo que você fazia —disse Sofia. Lucas abriu a boca. Fechou. Depois riu, com uma risada curta, incrédula, e passou a mão pela barba. —Tá de sacanagem? —Não. —Desde quando? —Desde a sexta passada —disse Vale, tranquila, com a cerveja na mão—. Cinco dias. E você, desde quando? Lucas ficou um segundo. —Faz meses. —Ah. —Vale tomou um gole—. Então você é o original. —E você é a nova.
—Sou a que já está dentro. E você é o que falta.
Lucas ficou parado no meio da sala, olhando pra ela, e depois riu de novo, mais longo, e sentou no outro canto do sofá.
—Mateo, a use the word: pussy da sua mãe. Você podia ter me avisado.
—A Sofi queria ver a sua cara.
—E?
—E já vi —disse Sofia, sentando no meio—. Valeu a pena.
Comeram pizza os quatro, com a TV de fundo e a garrafa boa aberta, e no começo tinha um pouco de tensão. Lucas olhava pra Vale de canto de olho, e Vale olhava pro Lucas, e os dois se mediam. Não era desconforto. Era reconhecimento: duas pessoas que tinham chegado ao mesmo lugar pelo mesmo caminho e que estavam descobrindo o quanto eram parecidas.
Num momento, Lucas se levantou pra buscar gelo. Vale se levantou também, disse que ia ao banheiro, e na verdade foi pra cozinha.
Sofia, do sofá, ouviu as vozes baixarem o volume.
—Te incomoda que eu esteja aqui? —perguntou Vale.
—Não. Me surpreende. Só isso.
—Só isso?
—Só isso. —Silêncio de um segundo—. eu.
—O quê.
—Como foi? Digo, a primeira vez.
—Olhei. Depois ele me comeu. Depois os dois me olharam e... —Vale riu—. Depois aconteceu tudo o que você imagina que aconteceu.
—A slut da sua mãe.
—E com você como foi?
—Com a Sofi. No sofá. Com o Mateo olhando do chão.
—Do chão?
—Sentado no chão, tipo no cinema.
Vale riu baixinho.
—Esses dois são de loucos.
—É. —Silêncio—. eu, Vale.
—O quê.
—Não pensa que você é a segunda.
—Não penso.
—Bom. —Lucas baixou a voz—. Porque eu também não sou o primeiro. O primeiro foi ela.
Sofia, da sala, sentiu o barulho de um beijo curto. Depois outro. Depois o barulho da porta da geladeira fechando sem que ninguém tivesse pegado nada.
Quando voltaram pra mesa, Lucas estava com o cabelo um pouco bagunçado e Vale com a camiseta um pouco torta, e os dois tinham o mesmo sorriso de merda. Sofia olhou pra eles e se levantou.
—Bom —disse—. Acabou a pizza.
Apagou a luz grande, deixou a lâmpada do canto e colocou música baixa. E dessa vez não teve preâmbulo, nem beijos no sofá, nem joguinhos aos poucos. Ela se sentou no chão, com as costas apoiadas na base do sofá, como tinha se sentado na sexta anterior: seu lugar, o que tinha sido do Mateo. Apontou o sofá para os outros três.
—Vocês três. Aí. E façam o que quiserem.
Mateo se sentou no meio. Vale e Lucas, de um lado e do outro. E começaram os três juntos, sem ordem, com as mãos por todo lado. Vale tirou a camiseta do Mateo. Lucas abaixou as alças do sutiã da Vale. Mateo desabotoou o sutiã da Vale e pegou uma teta com a boca. Vale abaixou o jeans do Lucas e enfiou a mão dentro da cueca. E Sofia, do chão, com as pernas esticadas e uma cerveja na mão, olhava tudo com uma calma que não tinha nada a ver com a Sofia tímida do primeiro bar.
Deixou eles fazerem por um bom tempo. Deixou eles se beijarem, tirarem a roupa, se tocarem. Viu a Vale com a mão na rola do Lucas e o Lucas com a mão na buceta da Vale, e o Mateo beijando o pescoço dela enquanto apertava as tetas. Viu o Lucas e o Mateo se olharem por cima do ombro da Vale e sorrirem como dois bobões.
Num momento, Vale se separou e falou com a Sofia do sofá:
—E aí, você não vem?
—Ainda não.
—E até quando?
—Até eu querer.
Lucas riu.
—Tá se achando.
—Tá certo ela se achar —disse Mateo—. É ela que comanda tudo.
Vale se levantou do sofá e caminhou até o chão, nua, com as tetas grandes balançando, e se agachou na frente da Sofia.
—Vem —disse, e estendeu a mão—. Senta ali.
Apontou para a poltrona individual. Sofia levantou a cabeça e olhou para ela.
—Essa é sua.
—Era. Agora é sua. —Vale a levantou pela mão—. Eu já olhei o que tinha que olhar. Agora é sua vez de mandar.
Sofia se sentou na poltrona individual, com as pernas cruzadas, e dali a cena se via diferente: os três no sofá, a três metros, enfileirados, olhando para ela esperando a ordem. Vale ficou em pé Ao lado do sofá, apoiada no braço da poltrona. —E você, o que gosta mais? —perguntou Vale no ouvido dela—. Olhar ou ser olhada? Sofia levantou a cabeça e sustentou o olhar. —As duas. —Ah, então você é igual a ele. —Vale apontou com a cabeça para Mateo—. E igual a mim. —Então estamos todos iguais. —Sofia colocou a mão no quadril dela—. E isso é bom. Levantou-se, beijou-a, e dali em diante não se desgrudaram mais. Foram os quatro para o quarto. Na cama grande, Sofia voltou a assumir o comando. Não porque os outros disputassem, mas porque os três cediam. Sentou-se contra a cabeceira e começou a distribuir. —Mateo, você com a Vale. De frente. Lucas, você olha um pouco. E depois é sua vez. Lucas sentou-se de lado, na beirada da cama, e obedeceu. Mateo se colocou por cima da Vale, de frente, e entrou devagar, olhando na cara dela. Vale agarrou as costas dele, cravou as unhas, e Sofia deitou ao lado dela para falar no ouvido. —Viu como é gostoso quando te metem devagar? —Sofi... —Responde. —Sim. —E quando te metem rápido? —Também. —Bom. Agora olha o Lucas. Tá ali, esperando, com o pau duro. Te olhando. Vale virou o rosto. Lucas estava olhando mesmo, de boca aberta, se masturbando devagar. E isso a deixou pior ainda. Sofia percebeu. —Você gosta que ele te olhe? —Sim. —E gostaria de ter os dois? Vale gemeu, sem responder. Sofia insistiu. —Responde. —Não sei. —Como assim não sei? —Que não sei se aguento dois, sua burra. —Vale fechou os olhos—. Na sexta eu te disse que não me animava. E agora, com os dois aqui, me olhando... não sei. —Vontade você tem? —Vontade eu tenho. —Então dá. —Sofia deu um beijo na boca dela—. E se não rolar, a gente para. Mas se rolar, você vai lembrar pro resto da vida. Mateo gozou primeiro, na barriga da Vale, e se jogou de lado. E aí Lucas não esperou mais: subiu em cima da Vale e entrou nele também, enquanto ela ainda tinha a barriga molhada com a porra do Mateo. Vale gritou baixinho. —Ai. —Tudo bem? —perguntou Lucas, freando.
—Tudo bem. Continua. Continua.
E Lucas continuou. Pegou ela mais forte que Mateo, mais rápido, com as duas mãos nos quadris. Vale se agarrava nos lençóis e olhava pra Sofia, procurando ela, como se precisasse de permissão pra cada gemido. Sofia sustentava o olhar dela e acariciava o cabelo dela.
—Olha pra ele —dizia—. Olha na cara dele. Deixa ele saber que você gosta.
—Ela gosta —disse Lucas, entre dentes.
—Tá vendo que ela gosta? —perguntou Sofia pra Vale.
—Tô.
—E o que mais você quer?
Vale fechou os olhos por um segundo. Depois abriu e disse, baixinho, como se estivesse confessando pra si mesma:
—Quero provar a outra coisa.
—Que coisa?
—A dos dois.
Sofia ficou parada por um segundo. Depois sentou na cama e começou a organizar.
—Mateo, você senta aí, encostado no encosto. Vale, você em cima dele, de costas. Lucas, você atrás. —Ela colocou a mão no peito de Lucas e freou ele—. E devagarinho. Deixa ela se acostumar. Se ela falar pra parar, para.
—Beleza —disse Lucas.
Mateo, que tinha gozado dez minutos antes, bateu uma punheta algumas vezes olhando pra elas e já estava pronto de novo.
—Tenho trinta e dois, não oitenta —disse ele, quando Vale olhou surpresa.
Se ajeitaram. Mateo sentou encostado no encosto com as pernas abertas. Vale sentou em cima dele, de costas, e desceu devagar até o pau de Mateo entrar inteiro. Ficou ali por um segundo, apoiada no peito dele, respirando. Depois se inclinou pra frente, apoiou as mãos nos joelhos de Mateo, e ficou assim, com a bunda empinada e as costas de fora, dando espaço pra Lucas.
—Assim tá bom —disse Sofia—. Assim você dá espaço.
Lucas se posicionou atrás, de joelhos. Passou um dedo molhado no cu dela. Depois dois. Vale apertou os dentes.
—Tá bom? —perguntou Lucas.
—Tá. Põe.
Lucas apoiou a ponta e empurrou devagar. Vale se agarrou nos joelhos de Mateo e ficou quieta. Lucas entrou até o fundo e parou.
—Tudo bem?
—Sim. Espera.
Ficaram os três parados, conectados, respirando. Sofia se ajoelhou do lado da cama, na altura do rosto da Vale, e levantou o queixo dela.
—Respira. Devagarzinho. E quando quiser, se mexe.
Vale respirou. Contou até três. E se mexeu.
E aí a cabeça dela explodiu. Os dois se moveram com ela, coordenados, um entrando enquanto o outro saía, devagar, sem pressa, e Vale começou a gemer com uma voz que Sofía nunca tinha escutado dela. Mateo agarrava as tetas dela por trás. Lucas segurava os quadris dela e guiava. E ela, no meio, se apoiou nas mãos sobre a cama, do lado dos quadris do Mateo, e ficou de quatro sobre ele, com os dois dentro, arqueada, tremendo.
—Ai, assim. Assim. Não para. Não para.
—Tá gostando? —Lucas perguntou no ouvido dela.
—Sim. Adoro. Adoro.
—Tá vendo que você conseguia? —Sofía disse.
—Sofi.
—Tá vendo que você conseguia, sua puta?
Vale riu entre gemidos.
—Sim.
E aí Sofía soltou a frase, com a boca colada no ouvido da Vale, com a mão no rosto dela:
—Tá vendo que você aguenta duas pirocas pra você? Com certeza com três também, sua puta. Eu imagino, eu penso, e já gozo toda.
Vale gritou. Gritou de verdade, com os dois dentro, e Sofía sentiu como o corpo dela inteiro se apertou. Mateo e Lucas continuaram, mais forte, mais no ritmo, até que Vale gozou com um gemido longo que se cortou no meio. Ficou tremendo, com o rosto contra o travesseiro, e os dois a seguraram até ela parar de tremer.
Depois eles gozaram. Lucas tirou primeiro, bateu uma e gozou nas costas baixas dela, na covinha dos rins. Mateo esperou mais um pouco, tirou de baixo e gozou pra cima, sobre as tetas da Vale, que caíam bem em cima do peito dele. Vale ficou ali, de quatro sobre ele, com as costas meladas de um e as tetas do outro, e ria sem conseguir parar.
Sofía se aproximou e olhou. E depois fez o que já sabia fazer: enfiou os dedos, levantou um pouco das duas porras misturadas, e levou na boca da Vale. Vale chupou olhando pra ela.
—Tá gostoso —disse.
—Tá vendo?
—Sim.
—Agora é a sua vez —disse Sofía, e se virou para os caras. E ela também ficou de quatro, do lado da Vale. As duas bundas juntas de novo, a loira magrinha e a morena de quadril largo, as duas molhadas, as duas abertas. Mateo e Lucas se olharam e riram como dois caras. —E camisinha? —perguntou Lucas. —Sem camisinha —disse Mateo—. Como na sexta. —E o Chinês? —O Chinês vê quando chegar. —E agora? —perguntou Lucas. —Agora, revezamento —disse Sofía—. E depois a gente vê. Transaram até acabar a força. Lucas com Sofía, Mateo com Vale, depois ao contrário, depois os dois com Sofía ao mesmo tempo, um na frente e um atrás, e Sofía descobrindo na própria pele aquilo que tinha falado pra Vale cinco minutos antes. Quando terminou, com os dois dentro, gozou de boca aberta e sem fazer barulho, e depois se jogou de lado, exausta. Ninguém falou por um tempo. Os quatro jogados na cama grande, suados, com a janela aberta e o frescor entrando. Depois Lucas, que estava de barriga pra cima olhando o teto, soltou a pergunta: —eu. E agora, o que eu sou? —O que você quer ser? —disse Sofía. —Não sei. —Lucas riu—. Hoje cheguei pensando que era o cara que ia entrar na parada de vocês dois, e me deparo com uma gostosa sentada na poltrona como se fosse o trono. —É o trono —disse Vale, do outro lado. —Eu já sei que é o trono, sua idiota. É por isso que tô falando. Mateo riu do canto dele. —Os sábados agora são dos quatro —disse—. Antes eram só do Lucas, agora são de todo mundo. As sextas são da Vale. E as terças, se rolar, são de quem estiver. —Você tá montando uma agenda —disse Lucas. —Tô montando um clube. —E eu entrei num clube sem me avisarem. —Bem-vindo —disse Vale. Lucas ficou calado um segundo. Depois se virou e olhou pra ela. —Valeu. E os quatro riram, e naquela risada alguma coisa se ajeitou de vez. Não era um experimento. Era um grupo. Sofía, num momento, olhando o teto, falou em voz alta. —eu. Preciso confessar uma coisa pra vocês. Pra você, Lucas, porque pra esses dois eu já contei. —O quê? —perguntou Lucas.
—Uma fantasia. —Sofía se virou, apoiada no cotovelo—. Eu gostaria que três caras me comessem. Os três em cima de mim, eu no meio. E que você, Vale, olhasse da poltrona, com a taça, como eu olhei. E depois, quando eu não aguentar mais, me virar e ver você com os três.
Lucas se sentou na cama.
—Três?
—Três.
—Mateo, eu e... —Lucas contou nos dedos—. Falta um.
—Falta um —disse Sofía.
—O Chino.
—O Chino disse que não.
—O Chino disse "desde que não me metam no meio, tudo bem" —disse Lucas, e pegou o celular da mesa de cabeceira—. E agora a gente tá metendo ele, né?
—A gente tá metendo ele —disse Mateo.
—Então o Chino que se aguente. —Lucas abriu o chat—. Escrevo pra ele?
—Escreve.
Lucas escreveu e mandou. Depois colocou o celular no viva-voz, pra todo mundo escutar.e aí, Chino. Você tá a fim do sábado que vem?Demorou dois minutos. O Chino, como sempre, respondendo rápido a qualquer hora.Sim, por quê?
Você vem na casa do Mateo? Tem pizza.
E sim. Tô levando alguma coisa?Lucas olhou para os outros três. Vale levantou a mão. —Fala pra ele trazer vinho.Traz vinho.
E o que mais?Mateo riu e tirou o celular do Lucas.Nada mais. Vem cá.O Chinês demorou mais um pouco. Depois:Uh. Essas três palavras me dão medo.
Vem e pronto, escreveu Mateo.Pronto.Lucas desligou o celular e jogou sobre a mesa de cabeceira.
—Pronto —disse—. Sábado que vem somos cinco.
Sofía se jogou de costas no travesseiro, com um sorriso que não conseguia esconder. Vale se espreguiçou e pegou a mão dela. Mateo colocou a mão na barriga dela. Lucas se deitou do outro lado e deu um beijo no ombro dela.
—Eu, Sofi —disse Vale, baixinho, com o rosto contra o travesseiro—. Você se imagina a parada de sábado e goza de verdade?
—Todas as noites desde que te conheci —disse Sofía.
—E com os três?
—Com os três eu morro.
As duas riram, baixinho. E depois dormiram os quatro, grudados, na cama chaqueña, com o ventilador girando e a janela aberta.
Lá fora, no chat, o Chino escreveu uma última mensagem que ninguém leu até a manhã seguinte:aí. Alguém pode me explicar por que pediram vinho e nada mais?

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