Capítulo Onze: A Confissão pra Vale

Passou uma semana. Os sábados continuaram, as mensagens continuaram, tudo continuou. E Sofía, que já não aguentava mais guardar tudo pra si, decidiu contar pra alguém. Pra Vale. Sua amiga de anos, a única do grupo com quem tinha essa confiança de falar de tudo. Convidou ela pra jantar no seu apê, numa sexta, com a desculpa de "faz tempo que a gente não se vê só as duas". Mateo, nessa noite, ficou na casa do Lucas vendo o jogo. Tudo encaixado. A Vale chegou às nove, com uma garrafa de vinho e um sorriso. Se sentaram, comeram, falaram de bobagem primeiro: o trabalho, a família, os rolês do grupo. Até que a Vale, que era curiosa e bem direta, foi logo perguntando. — Eu, faz um tempo que te acho estranha. — Estranha? — Estranha. Felicíssima, mas estranha. E o Mateo e o Lucas também tão diferentes. O que tá acontecendo? Sofía riu. Serviu mais vinho. E começou. — Bom. Vou te contar uma coisa. Mas promete que não vai falar pra ninguém. — Juro pela minha mãe. Sofía respirou fundo. E contou. Tudo. Desde o começo: o olhar do Lucas no bar, o vestido vermelho, a foto que o Mateo mandou do celular dele, o vídeo, os áudios, a primeira vez no sofá, a segunda vez na cama, a dupla penetração. Tudo. Com todos os detalhes. A Vale escutava com a boca cada vez mais aberta. Em um momento, deixou a taça de vinho na mesa e se sentou de lado na cadeira, pra escutar melhor. Em outro, levou a mão à boca. Em outro, riu às gargalhadas. — Para, para — disse, num momento —. Você tá me dizendo que transou com o Lucas, com o seu namorado olhando? — Sim. — E que depois ele também te comeu? — Sim. — E que depois os dois te comeram ao mesmo tempo? — Sim. — Os dois ao mesmo tempo? Um na frente e um atrás? — Sim. A Vale ficou em silêncio um segundo. — Puta que pariu, Sofi. — Eu sei. — E como foi? — O quê? — A dupla. Conta a dupla. E Sofía contou. Detalhe por detalhe. Como ela tinha ficado, como eles tinham entrado, como foi sentir os dois. A Vale escutava cada vez mais concentrada, com as bochechas coradas. —E não doeu? —No começo um pouco. Depois não. Depois foi... não sei, foi outra coisa. Foi como estar completa. A Vale riu. —Completa. —Sim. Completa. —E o Mateo? —O que tem o Mateo? —Como ele lida com isso? —Bem. Super bem. Ele começou tudo isso, na real. Ele me mandou a primeira foto. —Sério? —Sim. E depois me empurrou. Me disse "até onde você quiser". A Vale ficou pensando. —E você não fica com vergonha? —Vergonha de quê? —De ficar com dois. De ficar com o amigo do seu namorado. —No começo sim. Agora não. Agora é natural. —Natural? —Sim. Já não me imagino sem isso. A Vale tomou um gole longo de vinho. —Estou impressionada. Sério. —Você gosta? —Adoro. Adoro demais. Mas ao mesmo tempo, sei lá, me dá... não sei como dizer. —Calor? A Vale riu. —Calor, sim. Muito calor. —Agora? —Agora mesmo. Desde que você começou a contar, estou... bom, estou incomodada. —Incomodada? —Sentada. Estou incomodada sentada. —A Vale se mexeu na cadeira—. Estou com a calcinha toda molhada, Sofi. Te falo assim. Sofía riu às gargalhadas. —Sério? —Sério. Desde que você me contou da dupla penetração. Não tô mentindo. Tive que apertar as pernas umas três vezes. —Bom, mas isso é normal. —Normal? Sofi, faz anos que isso não me acontece com um relato! —Então é porque você gosta. —E sim, eu gosto. Gosto pra caralho. E agora tô aqui, com a calcinha molhada, e não posso tirar porque você tá aqui. Sofía riu mais. —Tira. —Sério? —Tira. Até porque, já somos grandinhas. A Vale se levantou, tirou a calcinha ali mesmo, colocou no encosto da cadeira, e se sentou de novo. As duas riram. —Pronto —disse a Vale—. Agora continua contando. —O que você quer saber? —Tudo. Me conta o que você sente quando tá com os dois. Me conta como eles te olham. Me conta como eles te falam. Me conta o que eles sussurram no seu ouvido. E Sofía continuou contando. Mais uma hora. A Vale, já sem calcinha, escutava com as pernas cruzadas e as bochechas coradas. Em um momento, se serviu mais vinho e perguntou:
—E eles dois? Estão bem entre eles?
—Sim. Se dão bem. São amigos. E depois disso, mais amigos ainda.
—E nunca se tocaram entre eles?
—Um pouco. Alguma vez.
—E você gosta de vê-los?
—Adoro.
—Uf.
Às duas da manhã, a Vale foi embora. Se despediram com um abraço longo.
—Obrigada por me contar —disse a Vale, na porta—. Sério.
—Obrigada por escutar.
—Você me deixou louca.
—Já sei.
—E me deixou molhada, já te disse.
—Vai dormir e faz alguma coisa com isso.
A Vale riu e foi embora.
Eram quase duas da manhã. Sofía já estava na cama, com Mateo dormindo ao lado, quando sentiu o celular vibrar. Era a Vale.eu
Tá acordada?Sofía olhou a mensagem, riu sozinha e respondeu.Sim. O que foi?
Nada. Só que cheguei e não conseguia dormir
Pelo que a gente conversou?
Óbvio. Sofi, você me deixou mal
Ruim?
Tá. Tesão. Como você quiser chamarSofía riu baixinho, pra não acordar o Mateo.Me conta
Não, me conta mais. Fiquei a noite toda pensando no que você me contou
E aí?
E quando eu cheguei, tirei a roupa, entrei na cama e fiquei pensando
Pensando?
Sofi, não se faz de sonsa
Me conta
Comecei a me tocarSofía sentou na cama. Mateo ainda dormia ao lado.Sério?
Sim. Sério.
Pensando no quê?
Em duas coisas
Me conta as duas
Primeiro eu me imaginei no seu lugar. Com dois caras. Com um na frente e um atrás. Como você me contou. Eu imaginei a sensação, o peso, os dois ao mesmo tempo. E com isso eu fiquei muito excitada
E a segunda?
A segunda foi depois. Eu imaginei você. Comida por dois paus grandes. Bem comida. E aí eu não aguentei maisSofía mordeu o lábio.Você gozou?
Sim. Forte. Muito forte. Fazia muito tempo que não me acontecia. Foi uma coisa... sei lá. Foi como um orgasmo daqueles que te deixam acabada
A puta da mãe da Vale
Já sei
E agora, como você está?
Agora eu tô jogada. Sem ar. Com as pernas ainda tremendo
Que bom
E você, o que tá fazendo acordada?
Mateo dormindo. Eu olhando pro teto. Pensando
Pensando em quê?
Em você. Em que você me contou que se tocou pensando em mim
Pensando no que você me contou, na real
E sim. Mas eu estava no meio
E sim. Você estava. Com dois caras
E aí, o que você imaginou?
Tudo. Te imaginei transando com eles. E imaginei que você estava aí, na minha frente, e eu te olhava
Uf
E aí eu imaginei que você olhava pra mim, enquanto eles te comiam
E eu o que fazia?
Nada. Você me olhava. E isso era o suficienteSofía ficou um tempo sem responder. Depois escreveu.Vale
Qué
Agora eu também estou molhada
Kkkkk
Sério
Que bom, Sofi. Que bom
Todas nós estamos ficando loucas?
Pode ser. Ou vai ver isso sempre esteve aí e você despertou
E você, o que vai fazer?
Agora? Nada. Já gozei uma vez. Capaz que eu goze de novo
Manda ver
Você também?
Sim. Vou me tocar
Pensando no quê?
Em você. No que você me contou. No fato de que você gozou pensando em mim
Uf, Sofi
Boa sorte
Boa sorte pra vocêSofía deixou o celular de lado, tirou a calcinha e se tocou devagar, com a mão colada na buceta, com Mateo dormindo ao lado. Pensou na Vale, na cara que ela deve ter feito, nas pernas tremendo. E gozou em alguns minutos, com a respiração contida pra não acordar o Mateo.
Quando terminou, pegou o celular de novo.Vale
Aqui
Já era
Você gozou?
Sim
Eu também
Que loucura
Que loucura, néFicaram um tempo em silêncio virtual, cada uma jogada na sua cama. Depois a Vale escreveu de novo.eu
Qué
Você tem fotos?
Fotos de quê?
Deles. Dos caras. De... você já sabeSofía riu.Tenho um par. Guardadas
Manda pra mim
Agora?
Agora. MeteSofía procurou na galeria. Tinha fotos que Mateo tinha mandado pra ela, e outras que Lucas tinha mandado. Uma do Mateo na cama, com o pau duro, recém-acordado. Uma do Lucas depois da academia, com o torso de fora e uma toalha. E uma terceira que ela mesma tinha tirado, no banheiro, com os dois celulares no espelho, com as duas picas nas telas. Ela mandou primeiro.Olha issoA Vale demorou alguns segundos.PARÁ
O quê?
Esses dois são eles?
Sim
Sofi, vocês têm uns paus lindos
Já sei
Foi assim que te comeram?
Assim
Não acredito
Você gosta?
Eu amo elas. A do Lucas é mais grossa, né?
Sim
E a do Mateo é mais longa
Sim
UfDepois a Sofia mandou as outras duas. A do Mateo na cama, a do Lucas com a toalha. A Vale respondeu com uma rajada.PARÁ
PARÁ PARÁ PARÁ
Sofi
Isso é demais
Tô molhada de novo
PostaSofía riu sozinha na cama.Manda você. Como você tá
Eu? Tô pelada
Manda uma foto pra mimA Vale demorou um minuto. Depois chegou uma foto da cama dela, com o lençol branco, e uma mancha visível entre as pernas. Uma mancha molhada, comprida, que dava pra notar no tecido.Isso é o que eu deixeiSofía abriu os olhos.Beleza, você molhou a cama
Já sei. Olha a bagunça que eu fiz
É um charco
Já sei, sua idiota. Por sua culpa
Que bom
E agora eu tenho a buceta toda grudada
Manda uma foto de como você tá agoraA Vale mandou outra. Dessa vez com as pernas abertas, a buceta de fora, os dedos ainda molhados. Sofía ficou olhando um bom tempo.Você tá gostosa
Valeu. Manda pra mimSofía tirou uma foto no espelho do banheiro, pelada, com os peitos de fora e a buceta mal escondida pela sombra. Ela mandou.Sofi, aí, usa a palavra: buceta que você tem
Valeu
e aí, bora se gravar?
Vídeos?
Sim. Curtos. Um cada uma. E a gente manda um pro outroSofía pensou por um segundo.Manda verEla colocou o celular no encosto do sofá, apontando pra cama, e deu play. Se tocou devagar, olhando pra câmera. Em um minuto e meio já estava quase lá. Cortou o vídeo e mandou. A Vale respondeu na hora.A puta da mãe Sofi
Gostou?
Muito. Agora te mando o meuDemorou alguns minutos. Depois chegou um vídeo da Vale na cama, com as pernas abertas, se tocando com dois dedos, gemendo baixinho. Dava pra ver que ela estava perto, que estava se apressando. No vídeo dava pra ouvir ela dizendo "Sofi" uma vez, baixinho, quase pra si mesma. Sofía olhou duas vezes.Vale
Qué
Você disse meu nome
Sim?
Sim. No vídeo. Você disse Sofi
Ah
E isso?
E... não sei. Acabou escapando
Gostei
Que bom
Vai, continuamosAs duas começaram a se tocar de novo, dessa vez se escrevendo enquanto faziam. De vez em quando mandavam um áudio curto, com um gemido, com um "ai", com um "não aguento mais". A Vale escreveu, entre suspiros:Pensa em mim
Tô pensando em você
Pensa que eu tô aí
Tá aí
E os dois estão te comendo
Sim
E eu te olho
Sim
E eu me toco te olhando
Uf
Mete Sofi, mete
Vou gozar
Eu também
Manda ver
Manda verElas gozaram quase ao mesmo tempo, sem se ver, cada uma na sua cama, a centenas de metros de distância, com o celular na mão. Sofía gozou com a respiração presa, e depois de alguns segundos mandou:ProntoA Vale demorou alguns minutos pra responder.Pronto
Tudo bem?
Tudo bem. Deitada
Eu também
Sofi
Qué
Obrigado por ter me contado tudo
Valeu por ouvir. E por isso
Vamos continuar fazendo isso?
Se quiser, sim
Quero
Bom
Boa noite
Boa noite, ValeSofía deixou o celular na mesa de cabeceira, se virou e abraçou Mateo. Ele, dormindo, passou o braço pela cintura dela sem acordar. Sofía fechou os olhos. E dormiu pensando na Vale, no que ela tinha contado, no que tinha mandado e no que tinha dito. Porque agora também tinha alguém do lado de fora, olhando. E isso, longe de incomodar, a deixava excitada.

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