Capítulo Sete: O Segredo Que Deixa de Ser

O grupo de amigos, enquanto isso, continuava igual. O Chino, a Vale, os rolês, os churrascos. Ninguém suspeitava de nada. Até que num sábado, numa balada do centro, a Vale, que era meio bruxa, sentou do lado deles num momento em que os três estavam juntos.
—Eu —disse ela, com o olhar fixo neles—. Tá acontecendo alguma coisa entre vocês três?
—Como? —perguntou Mateo, fingindo.
—Se tá acontecendo alguma coisa. Tô achando vocês estranhos. O Lucas olha pra Sofi mais do que antes. A Sofi ri diferente. E você, Mateo, se faz de otário mas tá o tempo todo ligado nos dois.
Sofía ficou vermelha. Lucas riu. Mateo levantou as mãos.
—Nada. O de sempre.
—Mentira. Tem alguma coisa acontecendo.
—E se tiver alguma coisa acontecendo, e daí? —perguntou Sofía.
—Ah, então tá acontecendo alguma coisa. —A Vale cravou os olhos nela—. Me conta.
—Depois.
—Quando?
—Quando a gente estiver sozinha.
A Vale foi embora, com um sorriso cúmplice, prometendo que não ia esquecer. E Sofía, quando voltou pra mesa, sentou entre Mateo e Lucas, e os três se olharam. Sem dizer nada. Com um sorriso.
Naquela noite, ao voltar pra casa, Mateo falou:
—Vai acabar se sabendo.
—Pois é —disse Lucas.
—Te incomoda?
—Não. E você?
—Não. E você, Sofi?
Sofía pensou um segundo.
—Não. Mas quero que se saiba direito. Não que saiam por aí falando coisas. Que saibam que a gente tá bem, que é uma coisa nossa, que não é uma bagunça.
—Tá bom —disse Mateo—. Quando se souber, se sabe. E se perguntarem, a gente responde.
—A gente responde —disse Lucas.
E assim ficou. A Vale ia perguntar, em algum momento. E eles iam responder. Com a mesma calma com que tinham montado tudo.

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