A partir daí, tudo virou um jogo silencioso, lento, desses que a gente curte mais pela espera do que pelo desfecho. Os rolês do grupo viraram um ritual. Sofia começava a escolher a roupa pensando no Lucas: um vestido com decote profundo pro aniversário da Vale, uma saia plissada que subia quando ela se agachava no churrasco do Chino, uma blusa branca com os botões estrategicamente abertos pro rolê na balada.
Lucas começou a sentar sempre na frente dela. E começou a olhar sem disfarce, com aquela segurança de cara que não tem medo de ser pego. De vez em quando soltava um comentário de passagem:
— Tá gostosa hoje.
— Valeu. Você também.
E nada mais. Mas o clima ficava pesado. Sofia morria por dentro, mas não dava o passo. Tinha dificuldade. Era do tipo que precisa que o outro empurre um pouco, que faça metade do caminho. Mateo, do jeito dele, deixava. Sabia que se apressasse, ela recuava. Tinha que amadurecer sozinha.
Uma noite, numa balada do centro, a coisa chegou a um ponto novo. Sofia tinha tomado uns drinks e estava mais solta. Dançava com o Mateo, mas de vez em quando virava e encontrava os olhos do Lucas lá do bar. Numa dessas, ele se aproximou e falou no ouvido dela, abafando a música:
— Dança comigo?
Sofia olhou pro Mateo, que levantou as mãos como quem diz "faz o que quiser".
Dançaram. Pouco. Uma música. Mas nesses três minutos, Lucas colocou a mão na cintura dela, de leve, sem apertar. Ela sentiu o calor daquela mão através do tecido fino do vestido. Quando a música acabou, ele não se afastou de imediato. Ficou ali, perto, olhando pra ela.
— Sabe que você me deixa louco? — disse ele, sem rodeios.
— Eu?
— Você. Desde aquela foto. E antes também. Mas agora tá pior.
Sofia riu, nervosa.
— E o que você vai fazer?
— Não sei. Depende de você. E do Mateo.
— O Mateo tá de acordo — disse ela, e se surpreendeu de ter falado tão direto.
Lucas arregalou os olhos.
— De acordo com o quê?
— Com... sei lá. Com o jogo. Naquela noite, no carro, Mateo olhou de soslaio pra ela.
—O que ele te disse?
—Que tá louco por mim.
—E você?
—Falei que você tava de acordo.
—Com o quê?
—Sei lá, Mateo. Com isso. Com rolar alguma coisa.
Mateo riu e apertou a mão dela.
—Beleza. Então tá. Agora só falta acontecer.
Lucas começou a sentar sempre na frente dela. E começou a olhar sem disfarce, com aquela segurança de cara que não tem medo de ser pego. De vez em quando soltava um comentário de passagem:
— Tá gostosa hoje.
— Valeu. Você também.
E nada mais. Mas o clima ficava pesado. Sofia morria por dentro, mas não dava o passo. Tinha dificuldade. Era do tipo que precisa que o outro empurre um pouco, que faça metade do caminho. Mateo, do jeito dele, deixava. Sabia que se apressasse, ela recuava. Tinha que amadurecer sozinha.
Uma noite, numa balada do centro, a coisa chegou a um ponto novo. Sofia tinha tomado uns drinks e estava mais solta. Dançava com o Mateo, mas de vez em quando virava e encontrava os olhos do Lucas lá do bar. Numa dessas, ele se aproximou e falou no ouvido dela, abafando a música:
— Dança comigo?
Sofia olhou pro Mateo, que levantou as mãos como quem diz "faz o que quiser".
Dançaram. Pouco. Uma música. Mas nesses três minutos, Lucas colocou a mão na cintura dela, de leve, sem apertar. Ela sentiu o calor daquela mão através do tecido fino do vestido. Quando a música acabou, ele não se afastou de imediato. Ficou ali, perto, olhando pra ela.
— Sabe que você me deixa louco? — disse ele, sem rodeios.
— Eu?
— Você. Desde aquela foto. E antes também. Mas agora tá pior.
Sofia riu, nervosa.
— E o que você vai fazer?
— Não sei. Depende de você. E do Mateo.
— O Mateo tá de acordo — disse ela, e se surpreendeu de ter falado tão direto.
Lucas arregalou os olhos.
— De acordo com o quê?
— Com... sei lá. Com o jogo. Naquela noite, no carro, Mateo olhou de soslaio pra ela.
—O que ele te disse?
—Que tá louco por mim.
—E você?
—Falei que você tava de acordo.
—Com o quê?
—Sei lá, Mateo. Com isso. Com rolar alguma coisa.
Mateo riu e apertou a mão dela.
—Beleza. Então tá. Agora só falta acontecer.
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