Salvador estava vivendo os momentos mais intensos do seu casamento.
Já tinham passado alguns dias desde que a mulher dele voltou a se prestar à fantasia dele, usando o pai dela como meio pra excitá-lo. Tinha sido uma noite maravilhosa. O sexo que eles tiveram foi tão incrível que, toda vez que ele lembrava, ficava muito excitado de novo.
Mas isso era só a ponta do iceberg, pois, ao contrário do que ele imaginou na época, Sofía agora não se comportava como fez depois do aniversário, quando parecia que tentava esquecer tudo o que tinham feito. Aos olhos de qualquer pessoa de fora da família, provavelmente passaria despercebido, mas Salvador não conseguia deixar de notar pequenas, mas drásticas mudanças na sua mulher. Agora ela estava mais sorridente e um tanto desinibida. Até de vez em quando ela metia o pai dela em qualquer conversa trivial, e Salvador queria acreditar que ela buscava estimulá-lo ao mencioná-lo. Além disso, sua preciosa esposa fazia coisas que antes pareciam impossíveis, como andar pela casa usando só roupa íntima; e não é que ela se exibisse tentando provocá-lo, mas fazia isso naturalmente, quando estavam sozinhos e era muito tarde, ou de manhã. Em outros tempos ela nunca teria saído do quarto sem se vestir, a menos que fosse uma emergência, então para Salvador vê-la mostrar seu corpo daquela forma tão despreocupada era todo um espetáculo.
Ela também tinha começado a se mostrar mais safada. Desde a noite em que fantasiaram com o pai dela, não era raro que fosse ela quem tomasse a iniciativa quando ficavam íntimos. Antes, Salvador precisava se aproximar e praticamente convencê-la pra transar; agora, ela o abraçava de repente, o beijava de surpresa e o chamava pra cama quando a pequena Alejandrita dormia.
Era uma mulher diferente. Talvez a mudança não fosse tão exagerada quanto Salvador gostava de imaginar em suas fantasias mais loucas, mas isso não significava que ele não valorizasse.
Assim se passaram os dias desde aquela noite sensual juntos, repetindo os encontros sexuais quase diariamente, com ela demonstrando um gosto incomum por sexo, e com ele curtindo o que parecia um esboço de uma nova vida cheia de prazer.
No entanto, Salvador ainda estava longe de imaginar o quanto sua vida mudaria nos próximos meses.
Um dia, depois do trabalho, Salvador chegou ao seu apartamento e, ao abrir a porta, se deparou com uma surpresa.
—Pai? —disse surpreso ao ver o pai sentado no sofá da sala, segurando a filhinha no colo.
—Oi, filho —disse o vovô, levantando-se para dar um meio abraço fraternal com um braço, já que com o outro continuava carregando a pequena Janita.
Salvador acariciou a bochecha da sua pequena, e quando estava prestes a perguntar a razão da visita dela, Sofía apareceu pela porta da cozinha, com uma xícara de café em cada mão. Estava vestida com leggings de lycra cinza, saltos altos pretos e uma blusa nova que ele nunca tinha visto, era preta de renda, sem mangas, bem decotada. Salvador se animou só de olhar pra ela, e ela dedicou a ele um dos seus sorrisos radiantes.

—Ah. Oi, amor —disse a bela mulher, e, sem largar as xícaras em lugar nenhum, se aproximou para dar um beijo de boas-vindas nos lábios dele. Ao fazer isso, seus peitos portentosos se apertaram por um instante contra o peito de Salvador, excitando-o como sempre que sentia o contato com aquelas duas tetas sensuais de mãe.
Salvador viu como seu pai, atrás de Sofía, aproveitava para dar uma olhada de cima a baixo no corpo sinuoso da sua esposa. Foi muito rápido; se houvesse outras pessoas, com certeza não teriam notado, mas ele sim percebeu, o que lhe causou uma excitação difícil de controlar.
—Seu pai acabou de chegar — disse Sofía. Ela deixou uma xícara de café na mesa de centro e se sentou no sofá. — Que bom que finalmente vocês podem se ver.
—Até que enfim? —Salvador sentou-se e olhou para a esposa, estranhando.
—Sim. Seu pai veio te ver outro dia, e também na semana passada, mas sempre tinha que ir embora antes de você chegar — disse Sofía, pegando Salvador de surpresa.
Ele não sabia disso. Ela não tinha contado até aquele momento que o pai dela tinha estado na casa. Ele olhou nos olhos dela e pensou que naquele rostinho safado escondia algo mais, algo que fez ele tremer.
Salvador tinha tido muito trabalho ultimamente, então estava voltando pra casa em horários irregulares, às vezes muito tarde. No entanto, era muito estranho que sua mulher não tivesse comentado antes sobre as visitas do pai dela.
—Sério? —perguntou, olhando para o seu pai —Por que você não me ligou?
O pai dele de repente ficou meio nervoso, desviando por um instante o olhar do filho. Deu de ombros antes de responder.
—Você já sabe que não gosto de conversa por telefone, prefiro falar cara a cara — disse, meio arredio. Salvador sabia que ele era meio antiquado, mas isso não explicava o desconforto repentino.
—Do que você queria falar? — Salvador pegou Janita dos braços do pai dela quando ela começou a chorar.
—Não precisa de motivo nenhum. Preciso de uma razão pra vir ver meu filho, minha neta… e minha nora?
—Não, claro que não.
O pai dela recuperou a compostura depois daquele lapso estranho de nervosismo e voltou ao seu habitual semblante sério.
Antes que pudessem dizer qualquer outra coisa, o choro da bebê ficou mais forte. Sofía se levantou para pegá-la.
—Vou levá-la pra dormir —anunciou com carinho—. Vamos deixar os homens conversar sobre as coisas deles um pouco. Já volto.

Enquanto a via partir, Salvador lembrou do que Sofía tinha contado dias atrás, sobre a vez que o pai dela chegou em casa procurando ele e ela amamentou a pequena Janita na frente dele… Não conseguiu evitar o crescente tesão que o invadiu. Até pensou em parar Sofía e dizer pra ela dar a buceta pra menina ali, na frente deles, e ver a reação do pai dele. Mas mordeu a língua e se conteve. Mesmo assim, observou que o pai dele também prestava atenção nos movimentos da esposa, embora claro, fazia de forma disfarçada, tentando que ele não percebesse.
Quando ficaram sozinhos, Pastor mudou de assunto e começou a conversar sobre trivialidades, de como estavam as coisas no país e do seu trabalho. Salvador pensou que seu velho simplesmente tinha se sentido sozinho naqueles últimos dias, e por isso o procurava. Desde seu aniversário não tinham se visto de novo, e antes disso mal se falavam.
A verdade é que Salvador não prestava muita atenção no que o pai estava contando. Olhava pra ele fingindo o contrário, mas só conseguia pensar na esposa. A presença do pai na casa fazia ele lembrar daquela noite mágica quando Sofia montou nele, motivada pelo suposto desejo que o velho sentia por ela.
—Sério —disse o pai dele de repente. Dava pra ver que ele tava puto — ¡¿Quem é que se desfaz de uma Ferrari, pelo amor de Deus?! Velha e judiada, ainda é uma joia. Tem gente com dinheiro demais e bom senso de menos, filho.
Pastor trabalhava num ferro-velho e estava falando de um carro que tinham trazido naquele mesmo dia. Salvador olhou pra ele sem saber exatamente o que dizer. Seu pai era fissurado em carros caros, embora nunca fosse conseguir comprar um.
—Com certeza o dono arrumou outro melhor, né? — disse Salvador, finalmente. Já fazia um bom tempo que estavam conversando e já era meio tarde. Ele estava cansado.
—Melhor que “sua” Ferrari? —perguntou o pai dele, olhando incrédulo—. Que carro pode ser melhor que uma obra de arte dessas? Não tem nenhum, nem mesmo outra Ferrari. —Depois olhou para o chão, deu um pequeno gole na cerveja e voltou a falar—: É como se você se separasse da Sofia. Você nunca vai encontrar uma mulher melhor na sua vida.
A frase pegou Salvador tão de surpresa que, por alguns instantes, ele nem soube o que dizer. Olhou para o pai, que tinha baixado o olhar, provavelmente envergonhado. Ele parecia nervoso de novo.
—Hahaha. Acho que você tem razão —disse Salvador depois de um momento, tentando fazer tudo parecer uma simples brincadeira—. Não há ninguém melhor que a Sofía.
—Eu o quê? —A voz da esposa fez Salvador dar um pulo. Ele não tinha percebido que a esposa havia voltado, e pela reação do pai, ele também não.
Ela vinha sozinha, o decote exuberante à mostra, qualquer homem que se preze não conseguiria evitar olhar. Era uma deusa, sem dúvida, suas pernas lindas eram uma ode ao fitness.
—O que foi? —perguntou sua esposa com cara de inocência, embora Salvador imaginasse que ela sabia muito bem o que provocava ao se vestir assim—. Do que vocês estavam falando?
—Nada importante —disse Salvador, quando finalmente se recuperou. Sofía se sentou na frente deles, com uma perna cruzada sobre a outra. A vista era maravilhosa, e Salvador entendeu que sua mulher fazia aquilo de propósito —. Meu pai acabou de me dizer que você é como uma Ferrari.

Notou que ao seu lado seu pai estremecia, surpreso por ele ter decidido contar isso à Sofía.
—Sério? —perguntou a mulher dele. Era evidente que ela não entendia muito bem a que ele se referia —. Em que sentido?
—Ele diz que sou muito sortudo. Que tenho uma mulher de luxo, e que nunca poderia encontrar outra mulher melhor que você.
Assim como ele, isso pegou Sofia de surpresa, que até ficou um pouco corada, causando uma pontada de ciúmes em Salvador, e também um pouco de tesão.
—Nossa, isso é muito gentil da sua parte, sogro —disse Sofía, sorrindo, lisonjeada com o comentário.
O pai dela não disse nada, mas Salvador percebeu como ele cravava os olhos nas pernas de Sofía. Era o olhar de um cara que desejava uma mulher. Soube que sua esposa também notou, pois começou a se remexer no sofá, nervosa. Apesar das leves mudanças que havia nela, ainda continuava sendo a mesma mulher tímida que não gostava de ser o centro das atenções, e menos ainda recebendo aquele tipo de atenção.
—Mas… por que me compararam com uma Ferrari? — perguntou Sofía, tentando se acalmar de novo.
Salvador comentou com ela sobre o que eles estavam falando, do carro que tinham levado pro desmanche, e que o pai dele achava uma loucura. Ela escutou com atenção e depois olhou pro Pastor e perguntou com verdadeiro interesse.
—E o que vão fazer com o carro?
—O mesmo de sempre —respondeu o pai dela—. Vamos tirar as peças que estiverem em melhor estado, e o resto vai pra prensa pra virar cubos de aço enferrujado que são vendidos por quilo.
—Nossa —respondeu Sofía —. Que bom que não sou um carro. E que tenho um homem que sempre estará disposto a cuidar de mim.
Pastor sorriu. As palavras de Sofía foram ditas com um tom de sensualidade que provocaram uma pontada de ciúmes em Salvador, talvez porque ela não estava olhando para ele quando disse aquilo. Seu pai e sua esposa sempre se deram muito bem, e nunca até agora ele havia sentido essa inquietação estranha. Talvez fosse por causa do jogo que ele e Sofía fizeram naquela noite; agora seu cérebro suspeitava de forma inconsciente que poderia haver algo mais entre eles do que uma boa relação, o que ativava seus ciúmes, e também sua excitação.
Eu não tinha certeza. A única coisa que sabia com certeza era que seu corpo tremia vendo seu pai devorar com os olhos sua esposa, e ela sorrindo pra ele como antes só sorria pra ele.
Os três continuaram conversando por um bom tempo, até que finalmente o pai deles anunciou que era hora de ir embora. Agradeceu pela noite e depois se despediu. Deu um longo abraço cheio de amor fraternal em Salvador, e outro em Sofía, embora Salvador tivesse certeza de que pela mente do seu pai passavam outros impulsos, mais obscenos, ao abraçá-la. Não o culpava, sua esposa era uma gostosa, a fantasia de qualquer homem.

Salvador o acompanhou até o térreo do prédio. Seu velho era um bom homem. Tinha assumido a responsabilidade por ele quando a mãe os abandonou e, apesar de todos os problemas que enfrentava no trabalho, sempre arrumava tempo para ele. Por isso, ele se orgulhava de agora poder, de alguma forma, retribuir, mesmo que às vezes fosse complicado.
Salvador subiu de novo para o seu apartamento, onde Sofia já tinha apagado as luzes da sala. Notou que a única luz no apartamento era a que vazava pela porta entreaberta do quarto. Sabia que naquele lugar estava a mulher mais gostosa e desejável do prédio, da quadra, da cidade… Uma Sofia renovada que, tinha certeza, havia adorado exibir seu corpo delicioso para o pai. Será que ela teria gostado de ouvir que o pai a considerava uma Ferrari, uma mulher de altíssimo nível?
Quando ele entrou no quarto, se deparou com uma vista espetacular. Sua esposa estava deitada de bruços, apoiada nos cotovelos, com seu corpo esguio e sinuoso esticado na cama. Ela olhava o celular.
Sentiu vontade de pular em cima dela e fazer amor como um possesso...
—Demorou muito —disse Sofia, tirando-o de seu devaneio —. Comecei a achar que você tinha ido com seu pai tomar uma cerveja.
—Amanhã tenho trabalho — respondeu Salvador com naturalidade. Sabia que a esposa estava brincando. Depois adotou um tom mais insinuante —. Mesmo que quisesse, não poderia sair pra beber.
—E pra beijar sua esposa? Pra isso você tem tempo? Ou você tem que acordar muito cedo? — Ele adorava o sorriso safado que agora se desenhava no rosto de Sofía quando ela flertava com ele. Era algo que antes ele quase nunca via.
—Sempre tenho tempo pra isso —disse Salvador, subindo na cama devagar. Abraçou a esposa e a beijou enquanto girava com ela nos braços pra que Sofia ficasse por cima dele.
Eles se beijaram por vários minutos, roçando os lábios e as línguas de um jeito sensual, como se, em vez de tantos anos de casados, fossem um casal na primeira noite juntos.
—Você notou como seu pai me devorava com os olhos? — perguntou Sofia de repente —. Foi assim que ele me olhou todos esses dias que veio te buscar…, até com mais força, como se quisesse me dizer que me desejava.
Salvador sentiu aquele fetiche insano começar a surgir dentro do peito. No começo, quando descobriu seu fetiche de cuck, tinha se feito um monte de perguntas, tentando descobrir a razão por trás de todas as reações que seu corpo tinha; mas, a essa altura, já entendia que não adiantava nada ficar se perguntando, só tinha que aceitar… e curtir.
—Por que você não me disse que eu tinha estado vindo? — perguntou, com verdadeira curiosidade —. Eu poderia ter tentado chegar mais cedo em casa.
Sofía desviou o olhar antes de responder a ele.
—Se eu tivesse te contado, você teria vindo atrapalhar nosso tempo a sós — disse ela. Salvador arregalou os olhos, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Sofía não conseguiu segurar uma gargalhada que deixou claro pro marido que ela estava brincando.
No entanto, mesmo sabendo que ela não falava sério, a mente de Salvador viajou para o mundo da fantasia, onde de repente se desenharam um monte de imagens do seu pai e Sofia a sós, fazendo coisas indecentes que se supunha que sua esposa só deveria fazer com ele.
—Você tá imaginando isso. Eu sei — disse Sofía com um gesto sério que gerou um pouco de medo em Salvador —. Sério, você tem esse fetiche, né? Apesar de tudo, ainda me custa acreditar, mas se você é capaz de me imaginar com seu pai, então…
—Desculpa —disse Salvador, pois não lhe veio nada melhor para dizer.
—Relaxa, não precisa se desculpar —disse Sofía, dando outro beijo na boca dele—. Admito que comecei a aceitar um pouco do seu jeito… e o que a gente fez até agora foi divertido como fantasia, não posso negar.
Salvador ficou surpreso. Ele não achava que chegaria a ouvir essas palavras saírem da boca da sua esposa. Ela olhou para ele com olhos ternos e o canto dos lábios levantado num sorriso tímido.
—Além disso…, graças a tudo isso eu percebi o quão gostosa eu sou — ela disse.
—O que você quer dizer?
—Antes, quando eu andava na rua, os olhares me incomodavam, me deixavam desconfortável —respondeu Sofía —. Agora, enquanto as pessoas me veem, especialmente os homens, só penso se você ficaria excitado se eu te contasse…, penso que talvez a gente pudesse fazer amor como na outra noite, quando falamos sobre seu pai, ou no seu aniversário, quando você fantasiou com o senhor Porfirio… e eu.
Salvador se arrepiou ao ouvi-la. Graças ao fórum de cornos que costumava visitar, ele soube que estava vivendo uma das fases pelas quais todo homem com esse fetiche tem que passar alguma vez: a aceitação da esposa.
Uma vez que a esposa passava de ignorar o fetiche do marido a pensar nele quando topava com outros homens, dava pra dizer que a relação estava avançando. Ele tinha lido isso muitas vezes de homens que contavam suas experiências no fórum. De repente, as esposas começavam a falar sobre encontros casuais com o cara da loja, ou sobre como algum sujeito na rua olhava pra elas com tesão. Era aí que as fantasias começavam a ganhar mais vida, onde ela se tornava ainda mais participativa no jogo. E Salvador soube, ao ver e ouvir sua esposa, que estavam chegando nesse ponto.
—Sabe, eu acho que se eu realmente fosse uma Ferrari… — disse Sofía, olhando nos olhos dele de forma travessa —, com certeza você seria o dono que gosta de deixar os amigos experimentar o carro dele.
Ouvir ela dizer isso só deixou Salvador ainda mais excitado. Aquele jeito indireto de falar do fetiche dela era algo novo e empolgante.
Sofía percebeu o entusiasmo que estava sentindo, pois seu pênis ficou duro e começou a roçar contra o corpo da sua esposa. Voltaram a se beijar. Salvador percorreu com as mãos as curvas perfeitas da sua nova mulher. Agora ele gostava muito mais de tocá-la. Já não sentia culpa, já não sentia que estava com alguém que não o conhecia. A ideia de Sofía se excitar junto com ele e seu fetiche transbordava seu tesão. Sua pele era tão macia, e seu corpo tinha um formato tão perfeito. Qualquer um ficaria louco ao ter uma mulher dessas na cama. Pensou em como um homem ficaria excitado só fazendo o que ele estava fazendo, beijando Sofía, acariciando-a com carinho e paixão contida. Sua excitação disparou, e de repente deixou escapar um monte das suas fantasias mais obscenas. Imaginou ela fazendo isso com outro homem. Seu pai, seus amigos, o senhor Porfirio… Todos e cada um deles aproveitaram na sua imaginação o corpo da sua esposa, e ele só conseguia ficar mais e mais excitado.
—Mmm… Parece que você tá ficando excitado de verdade —disse Sofía, mordendo o lábio num meio sorriso—. Tá pensando em alguma safadeza?
Salvador ficou meio nervoso. Estava realmente excitado, mas temia confessar a Sofía o que estava imaginando. Apesar disso, precisava fazer amor com sua esposa, e de alguma forma pressentia que ela também precisava que ele fizesse. A questão era se ela estava tão acesa naquela noite por causa das carícias dele ou pela visita do pai dela.
—Aposto que você está me imaginando com outro homem — disse Sofia, sem nenhum sinal de estar incomodada. Salvador gostava cada vez mais dessa nova faceta safada de Sofia. Era como um sonho realizado vê-la agir tão provocante e travessa.
—Sim —respondeu Salvador, quase suspirando. Voltou a acariciar as costas, as pernas e a bunda da esposa. De repente, Sofía, sem desviar os olhos dos dele, começou a descer lentamente sobre o corpo dele, até que seu rosto ficou de frente para a virilha de Salvador, que mal podia acreditar no que estava acontecendo.
—Você vai…? — perguntou Salvador, animado só de pensar que a esposa poderia estar disposta a lhe dar um novo boquete.
Sofía não respondeu à pergunta; em vez disso, apenas olhou para ele com os olhos semicerrados.
—Você acha que seu pai realmente só vinha te buscar esses dias? — ela perguntou de repente com um gesto de curiosidade.
—O que você quer dizer? —Salvador sentiu o coração sair pela boca.
—Quero dizer que é estranho ele ter vindo tantos dias seguidos, em vez de só te ligar —disse Sofía.
—É óbvio que eu vim te ver — disparou Salvador de repente, olhando nos olhos dela.
—Você acha? —disse Sofía. Pelo jeito que falou, era óbvio que não estava surpresa com o que ele tinha dito. Será que ela estava falando sério ou só brincando?—. Mas é seu pai…
—É um homem —disse Salvador, tentando parecer tranquilo, embora na real mal conseguisse segurar a excitação—. Te garanto que qualquer um de nós faria muita loucura pra ficar a sós com você.
Sofía sorriu docemente para ele, agradecendo o elogio. Mas logo depois adotou uma expressão mais séria.
—Você realmente acha que seu pai veio só pra me ver? — disse ela, ainda incrédula — Não seria mais simples se ele saísse com alguma mulher?
Salvador olhou nos olhos da esposa. A pergunta era séria, o que mostrava que Sofía não entendia totalmente os homens. Acariciou a bochecha da mulher, fascinado por essa mistura de beleza sensual e ternura inocente.
—Uma mulher tão gostosa como você pode acabar com o juízo de qualquer um, meu amor. E como você, não conheço mais ninguém. Não é que eu esteja procurando qualquer mina. Eu queria te ver, você
—Não sei —disse Sofía, mais desconfortável —. Eu acho que seu pai só queria nos visitar, ver o filho dele, a neta dele.
—Quer que a gente confirme? — ele perguntou quando uma ideia maluca passou pela sua cabeça.
—Do que você tá falando?
—É que acabei de ter uma ideia que nos permitiria saber com certeza se meu pai te vê com olhos de desejo ou não — disse Salvador.
Sofía olhava para ele sem entender.
A ideia que acabara de ocorrer a Salvador podia ser absurda, mas era tão excitante que ele simplesmente não podia deixar passar. Explicou à mulher o que tinha pensado, e o rosto de Sofía foi mudando conforme ouvia. Raiva, surpresa e, por fim, intriga foi o que se desenhou em seus gestos.
—Tem certeza? —perguntou sua esposa, cheia de dúvidas, quando Salvador terminou de contar sua ideia—. E se acontecer… alguma coisa?
—Relaxa, não vai acontecer nada — disse ele, embora a verdade fosse que ele desejava exatamente o contrário.
—Não... —Antes que Sofía pudesse terminar a frase, a pequena Alejandra começou a chorar a plenos pulmões, e ela, uma mãe preocupada até o osso, teve que se levantar da cama para atendê-la.
Ele a observou pegar o bebê, sorrir para ela e amamentá-la com carinho para que voltasse a dormir. Enquanto a observava, Salvador só pensava na sorte que tinha tido de poder se casar com uma mulher assim, pois ela não era apenas uma mulher gostosa, mas também era atenciosa, meiga, maravilhosa…
Por um momento ele se amaldiçoou por desejar tanto compartilhar o tesouro que tinha como esposa. Que tipo de homem teria esses desejos? Embora ainda parecesse distante que suas fantasias mais obscenas pudessem se realizar de verdade, aos poucos ele começava a ter mais esperanças de que fosse acontecer, e isso lhe causava excitação.
Olhou para a esposa durante vários minutos. Ela era linda, percebia que merecia o melhor homem na cama, um que pudesse satisfazê-la, deixá-la completamente realizada ao fazer amor com ela. E algo lhe dizia que ele não era esse homem. Sua virilidade não era tão grande, e sabia que, assim que Sofia provasse algo melhor, poderia ficar viciada nisso. E caramba! isso, ao contrário do que provocaria em qualquer outro homem, só servia para excitá-lo como um louco.
Finalmente, a mulher dele deixou a filha dormindo no berço. No entanto, quando voltou pra cama, já não parecia tão excitada como antes. Salvador entendeu que ia ficar na vontade de receber sexo oral dela de novo. Ela olhou pra ele. Tinha perdido o brilho safado dos olhos, mas não parecia irritada. Sofía vestiu o pijama, deu um beijo carinhoso na boca dele e se deitou na cama, virando de costas, como sempre fazia quando já queria dormir.
Então Salvador fez o mesmo, vestiu o pijama e voltou pra cama. Apagou a luz e se ajeitou olhando pro teto.
—Tá bom —disse de repente Sofia.
—O quê? —perguntou Salvador, sem entender.
—Você pode contar pro seu pai aquela ideia que você teve — respondeu ela, sem se virar. Falava de costas pra ele na penumbra do quarto.
—Tem certeza? —perguntou Salvador, emocionado. Será que estava sonhando? Mal conseguia acreditar no que ouvia.
—Sim —disse Sofía com segurança —. Eu também quero saber se seu pai me vê… como você diz.
—E se ele…? — começou a perguntar Salvador.
—Não sei —interrompeu Sofia—. Acho que, se tudo o que você diz for verdade, vou ter que tomar mais cuidado com a forma que me visto e me comporto com seu pai.
Salvador ficou meio decepcionado ao ouvi-la. Essa não era a resposta que ele queria.
—Tá bom —disse Salvador—. Amanhã eu ligo pra ele.
Sofía não disse mais nada. Ficou imóvel, de costas para ele, talvez dormindo, talvez pensando no que ia acontecer. Salvador teve bastante dificuldade para pegar no sono. Sua mente se encheu de fantasias libidinosas da sua esposa e do seu pai. Naquele momento não se importava se estava errado. Sentia-se bem pensando nisso; excitava-o de um jeito muito gostoso, e não queria abrir mão daquela sensação tão prazerosa.
De manhã, Salvador foi trabalhar cedo, como todos os dias. Foi um dia complicado no escritório. Distraído por tudo o que estava acontecendo na casa dele, não conseguia dar conta das suas responsabilidades como sempre.
Quando terminou, já bem tarde, pegou o celular e discou o número do pai. Como o velho dizia, não gostava de falar por telefone, mas uma vez que o escutasse, tinha certeza de que seria incapaz de desligar na cara dele.
—Alô? —perguntou o pai dele com a voz rouca. Parecia irritado, talvez estressado com alguma coisa.
—Pai, como vão as coisas? —cumprimentou-o Salvador, tentando disfarçar o nervosismo. Agora que o momento havia chegado, sentiu certas dúvidas e remorsos; no entanto, o fetiche foi mais forte e ele se manteve firme.
—Tudo bem. Fala — disse o pai dele. Parecia distraído. Com certeza ainda estava no trabalho.
—Desculpa te chamar assim, mas preciso te pedir um favor — disse Salvador. Tinha passado a manhã inteira pensando em como pedir isso a ela.
—Aconteceu alguma coisa? — perguntou Pastor, dessa vez mais atento.
—Não, não está acontecendo nada comigo, tá tudo bem — disse Salvador da forma mais despreocupada que conseguiu. — É só que eu tô com um probleminha e queria te pedir uma ajuda.
—Claro, do que se trata?
—Então, é o seguinte, no próximo fim de semana eu vou ter que sair da cidade por uns negócios do trabalho — mentiu Salvador —. A Sofía vai ficar sozinha com a Janita. — Salvador esperou um instante. O pai ficou em silêncio. Imaginou-o expectante do outro lado da linha —. Bom, não seria a primeira vez que elas ficam sozinhas, mas o problema é que ela tá tomando uns remédios que dão um sono muito… pesado.
—Ela tá doente? —pergunta o pai dela, preocupado.
—Não, nada disso. São só pra aquela alergia que ela tem nessa época do ano. —Salvador tinha toda a história planejada—. O caso é que essas pílulas fazem ela dormir feito uma pedra a noite toda —disse meio nervoso, pois era aí que tava o busílis da questão—. E você já sabe que a Janita, como qualquer bebê, tem um sono imprevisível, costuma acordar com fome ou com a fralda suja. Esses dias eu tô cuidando das necessidades dela, porque a Sofía não acorda com nada. —Salvador fez outra pausa. O pai dele já devia tá sacando aonde ele queria chegar com o favor que ia pedir.
—Aham… —disse o velho dela, mas teve que limpar a garganta para continuar— E… o que eu posso fazer… pra ajudar?
—Então, eu queria te pedir pra ficar com elas na sexta à noite; atento pra cuidar da Alejandrita caso ela acorde. Não seria nada demais, só dar leite ou trocar a fralda. —disse Salvador.
O pai dele não respondeu de imediato, e os nervos de Salvador só aumentaram. Ele supunha que o velho estava pouco menos que consternado com o pedido, pelo fato de que ele poderia passar a noite a sós com Sofía. Sentiu náuseas de tesão ao tentar imaginar o que seu pai devia estar pensando naquele momento.
—Se isso te complica, posso chamar outra pessoa — disse Salvador diante do silêncio prolongado do pai.
—Não! Claro que não —exclamou Pastor imediatamente—. Eu vou cuidar delas, não se preocupe. Mas agora tenho que voltar ao trabalho, ainda estou aqui resolvendo algumas coisas.
—Perfeito. Valeu, pai. Te ligo depois —Salvador encerrou a chamada e guardou o celular. Quando colocou no bolso da calça, pôde sentir o quão dura estava a cock, que pulsava presa embaixo da cueca. Suspirou para se acalmar um pouco. Sabia bem o que estava arriscando, e Sofia devia estar ciente disso também. Pedir pro pai passar uma noite na casa, só com ela, podia acabar em qualquer coisa, porque, mesmo que Sofia duvidasse, Salvador tinha plena consciência do que ela podia provocar nos ânimos de qualquer homem. Mas é que era tão emocionante só de pensar no que poderia acontecer.
A verdade é que ele tinha certeza de que o pai ficava excitado com a nora, principalmente agora, que ela tinha, de alguma forma, liberado sua incrível beleza pro mundo. Sem dúvida, o dia do aniversário dela tinha marcado um antes e depois em como todos, e não só ele, viam Sofia.
Salvador tinha a esperança de que Sofia, ao perceber o que provocava no próprio sogro, se desse conta e finalmente aceitasse o quão gostosa e desejável ela era. Talvez assim conseguisse convencê-la de uma vez por todas a levar a relação deles um passo além; embora também não tivesse muitas esperanças a respeito. No entanto, pelo menos tinha certeza de que a experiência serviria para ele alimentar suas fantasias obscenas.
Claro, ele não precisava sair da cidade. Isso tinha sido mentira, e junto com a também falsa medicação da esposa, tinham servido de isca pra captar o interesse do pai dele. Na mente dele, Salvador esperava que algo acontecesse entre eles, qualquer coisa, algo que o deixasse mais excitado e aumentasse seu fetiche de corno a novos níveis.
Ele se perguntou o que seu pai estaria disposto a fazer se vendo sozinho no apartamento, altas horas da noite, tudo em silêncio, e com sua lindíssima nora drogada numa cama.
A caminho do prédio dela, passou na frente da academia onde Sofia treinava, e levou um susto quando viu dois homens saindo do lugar, pois conhecia os dois perfeitamente.
—Renato? Leonardo? —perguntou quando cruzou com eles. Seus amigos levantaram o olhar e se viraram com evidente surpresa; de repente nervosos, como notou Salvador.
—Chava, e aí? —Renato acordou primeiro, chegando perto dele e cumprimentando com um aperto de mão.
—Não sabia que vocês tinham se matriculado na academia —disse Salvador, surpreso. Ele estava surpreso de vê-los no mesmo lugar onde Sofia ia, mas se segurou para não dizer nada.
—Claro, a gente só tá indo há uma semana, mas tá muito bom —disse Renato, já mais animado—. Já sinto o corpo mais leve. Tava precisando me exercitar.
—Além disso, tem umas minas gostosas por aqui. Isso te dá mais energia pra treinar, kkk — intrometeu-se Leonardo. Ele era o solteiro, então sempre soltava esse tipo de comentário. Renato, por outro lado, na sua condição de casado, era mais reservado; pelo menos, era assim quando estava sóbrio, pois, quando bebia, se soltava tanto quanto o amigo — Tem uma mina que tá acabando com a gente, mano.
Renato olhou para Leonardo com olhos assassinos por um momento, gesto que não passou despercebido por Salvador. De repente, aquele tesão que ele vinha sentindo desde a conversa com o pai acendeu como uma fogueira na praia. «Será que estão falando da Sofía? Será que se inscreveram na academia só pra poder vê-la?»
Não podia ter certeza. Talvez fosse o seu crescente tesão que o fazia pensar essas coisas, mas que outra razão poderia haver? Ao pensar nisso, Salvador sentiu uma estranha mistura de ciúmes e excitação. Não gostou que Renato e Leonardo fizessem isso pelas suas costas, mas, ao mesmo tempo, sua imaginação voltou a se encher de fantasias obscenas da sua esposa sendo desejada por aqueles dois que se diziam seus amigos.
—Por que vocês vêm nesse? — perguntou, se esforçando pra soar despreocupado e não deixar transparecer suas suspeitas.
Seus dois amigos se olharam antes de responder. Estava claro que não esperavam essa pergunta, e que isso complicava a resposta deles.
—Fica perto do trabalho —disse Renato depois de um instante, dando de ombros—. A gente pensou que era uma boa ideia vir depois do trabalho, pra tirar o estresse.
—Tô vendo —Era verdade. Os dois trabalhavam na mesma empresa não muito longe dali. No entanto, tinha certeza de que estavam ali para ver a Sofía. Embora sua esposa tivesse um horário flexível, ia quando dava na telha, bem podia ser à tarde ou de manhã, então supôs que, para eles, trombar com ela ali era mais uma questão de sorte—. Acho que a Sofía também vem treinar aqui —disse tranquilamente, tentando observar a reação deles, ver se se entregavam. E foi o que aconteceu.
—Sério? —perguntou Renato, mexendo as mãos, nervoso—. Pois a gente não sabia.
Dessa vez foi Leonardo quem olhou estranho para o companheiro. No entanto, concordou com ele.
—Não foi com a gente que ela topou — disse. Dava pra ver que ele estava mais tranquilo. Claro, ele sempre foi o mais cara de pau.
—Bom, então eu tenho que ir pra casa — disse Salvador. Ele já tinha percebido que estavam mentindo pra ele —. Minha esposa me espera — pontuou, sabendo que a inveja ia fazer estrago nos amigos. Se eles soubessem o quanto ele gostaria de poder compartilhar ela com eles.
—Claro, claro —disse Renato—. Outro dia a gente se vê. A gente devia sair pra tomar alguma coisa logo.
—Claro —respondeu Salvador. Depois apertou a mão dos dois e seguiu para casa —. A gente se vê.
Quando finalmente chegou ao prédio, não topou com o velho Porfirio e, no seu estado alterado, desejou não encontrar Sofia em casa para poder imaginá-la amamentando Janita diante dos olhos pervertidos do velho porteiro. No elevador, sacudiu a cabeça, tentando tirar todas aquelas ideias mórbidas da cabeça.
Ele entrou no apartamento dela e encontrou a Sofía sentada no sofá, assistindo a uma novela antiga na televisão.
—Oi, amor —disse Sofía assim que percebeu a presença dele, afastando-o daqueles pensamentos tão nocivos.
—Oi, gostosa —respondeu Salvador, exibindo um sorriso deslumbrante. Ele sabia que aquele apelido tinha começado a ter outro efeito sobre ela—. E a Janita?
—Tá dormindo. Minha mãe levou ela pra cima e pra baixo, então ela se cansou muito. Apagou no caminho de volta. —. E aí, como foi seu dia?
Salvador suspirou e tirou o paletó do terno. Depois afrouxou a gravata e se jogou ao lado dela no sofá.
—Exaustivo —disse ela—. Os vendedores não param de fazer merda com a papelada. E o gerente quer que eu revise tudo.
—Bom, esse é o seu trabalho como chefe — disse Sofía, passando um dedo pelo rosto dele com carinho.
—Não sou o chefe —respondeu Salvador—. Sou o segundo no comando.
—Algum dia você vai ser o primeiro —Sofía se aproximou e lhe deu um beijo carinhoso nos lábios, e depois outro, e depois outro, cada um mais intenso que o anterior. Salvador adorava essa nova faceta amorosa que havia despertado nela.
Quando se separaram, Sofía ficou olhando pra ele com um sorriso safado. A novela tava rolando na TV, mas ela só tinha olhos pra ele. Ao perceber o bom humor dela, Salvador sacou que era o melhor momento pra contar sobre a conversa com o pai.
—Falei com meu pai — disse sem rodeios, porque não adiantava ficar enrolando. Ao ouvir isso, Sofía desviou o olhar, incomodada, mas não disse nada —. Ele aceitou vir passar a noite aqui no fim de semana.
Sofía se ajeitou no sofá e levou alguns segundos para dizer algo.

—Tem certeza de que quer fazer isso? — perguntou finalmente. Dava pra ver que ela estava nervosa e era evidente que estava cheia de dúvidas —. Tipo… e se acontecer alguma coisa? E se o seu pai tentar…?
—Não vai tentar nada —disse Salvador—. Ele nunca te desrespeitaria.
—E se ela descobrir que é tudo mentira? Que você não viajou, que eu na verdade não tô tomando nada e que eu só tô dormindo ou fingindo que tô dormindo.
—Ele não vai descobrir a menos que você conte — respondeu Salvador. A verdade é que ele também estava nervoso e não totalmente convencido, mas as expectativas secretas que tinha eram morbosas demais para ignorar —. Você mesma disse ontem que queria descobrir se meu pai te via como mulher ou não.
—Já sei, mas…
—Quer que eu ligue e cancele? — perguntou Salvador, decepcionado, mas sincero. Se a esposa não queria fazer, ele não ia obrigá-la.
Sofía ficou em silêncio de novo, dessa vez por vários minutos. Salvador a observou, esperando. Dava pra notar a luta interna que rolava dentro dela; ela mordia o lábio, olhava pra TV, pro teto, e de novo pro marido, só pra levar uma mão ao rosto e desviar o olhar pra qualquer outro canto, sem conseguir tomar uma decisão. Salvador tinha consciência de que estava pedindo demais.
—Não, não chama ele, a gente vai fazer —disse Sofia por fim—. Eu acho que… Quero ter certeza. —Os nervos dela eram evidentes—. Se o seu pai realmente me vê com outros olhos, eu preciso saber. Assim vou saber como devo me comportar com ele pra evitar mal-entendidos.
—Tá bom. Eu também acho que é o melhor — disse Salvador —. Vou alugar um quarto num hotel aqui perto, só pro caso de você precisar que eu volte com urgência. Você me liga e eu venho voando.
O plano era absurdo, claro, e tinha um monte de falhas como essa. Ele estaria longe. Se o pai dela tentasse alguma coisa com Sofía, ele não poderia ajudá-la. Mas quanto mais pensava, mais se excitava com a ideia de que Sofía estivesse escondendo algo, e que na verdade estivesse esperando que o sogro tentasse alguma coisa com ela.
—Claro, e enquanto eu tô aqui, aposto que você vai bater uma punheta imaginando coisas que não acontecem na realidade — disse Sofía. Salvador olhou pra ela, pensando que tava brava, mas não era nada disso; a cara dela denunciava um toque de preocupação, mas era mais curiosidade mesmo —. Você vai fazer isso, né?
—É o mais provável —respondeu Salvador. Não precisava mentir, pelo menos nisso a relação deles tinha avançado.
Sofía olhou pra ele com desconfiança, incrédula, como se ele estivesse zoando.
—Então, enquanto sua esposa se arrisca sozinha e indefesa diante dos supostos desejos obscenos do seu pai, você vai ficar se masturbando imaginando o que ele pode estar fazendo comigo? — Sofía disse isso num tom pausado, mas firme, como as elucubrações de um detetive de teatro.
—Me declaro culpado —disse Salvador, exagerando o tom da mesma forma. Os dois sorriram diante da estupidez do jeito que falavam e voltaram a se beijar.
De repente, veio à mente de Salvador o encontro com seus amigos do lado de fora da academia.
—Ei, você sabia que o Leonardo e o Renato estão indo na mesma academia que você? — perguntou para a Sofía, como se tentasse mudar de assunto.
—Sim —respondeu ela com naturalidade—. Esbarrei neles umas duas vezes essa semana. No primeiro dia me pediram pra mostrar o lugar e ensinar como tudo funcionava. São uns lerdo, vivem perguntando tudo.
—Por que você não me disse? — perguntou Salvador, meio irritado ao confirmar que seus amigos realmente tinham mentido para ele.
—Não achei importante —disse Sofia—. Eles estão se exercitando. Bom para eles.
—Você tem falado muito com eles ultimamente?
—Bom, a gente divide a academia —disse Sofía, como se não fosse grande coisa—. E somos amigos, claro que a gente conversa quando se encontra. A gente se junta e malha junto.
Salvador sentiu uma pontada de ciúmes que percorreu toda a sua coluna vertebral.
—Na verdade, é curioso — disse Sofía, parando de ver TV pra se virar e olhar pra ele.
—O quê?
—Desde a sua festa de aniversário, já esbarrei com eles algumas vezes antes de entrarem na academia. Não sei por quê, mas eles ficaram bem mais amigáveis do que antes — disse Sofía, como se estranhasse não ter percebido isso antes —. Até me perguntaram sobre a academia. Acho que o que eu falei ajudou eles a se decidirem a entrar.
Outro ataque de ciúmes quase o deixou louco. Ele já não tinha mais dúvida alguma de que aqueles dois queriam passar um tempo com sua esposa gostosa.
Salvador olhou para a sua esposa. Ela parecia não perceber nada daquilo. Certamente pensava que tudo era coincidência, ou que realmente seus amigos só queriam se exercitar. Às vezes ela podia ser muito ingênua, mas era por esse tipo de coisa que ele a amava tanto.
Ele a pegou pela cintura e a puxou para si, beijando-a com muita paixão. Cada vez que pensava nela com outro homem, mais ele a adorava e mais vontade tinha de transar com ela. Ele estava se tornando viciado na fantasia de corno, mas não se importava, desde que continuasse sentindo aquele tesão intenso.
—Te amo —disse Salvador, quando pararam de se beijar.
—Eu também te amo —respondeu Sofia com ternura—. Eu faria qualquer coisa por você.
Salvador ficou extremamente excitado ao ouvir aquilo. Quase parecia um convite, como se ela estivesse dizendo que ele podia pedir pra ela dar pra outro cara e ela daria.
—Por enquanto, só quero te fazer o amor —disse Salvador, enquanto começava a se despir, vendo Sofia fazer o mesmo.
Fizeram amor com intensidade. Sofia se deixou levar pela luxúria de Salvador e o beijou apaixonadamente enquanto arranhava as costas dele com força e apertava sua buceta para senti-lo mais presente em seu interior. Salvador deu rédea solta a todo o tesão que os acontecimentos daquela tarde tinham provocado nele, pensando na noite de sexta e em todas as punhetas que seus amigos deviam estar batendo em homenagem a Sofia, sua doce Sofia.
Quando terminaram, ela ficou deitada no sofá, ofegante. Enquanto a observava, Salvador só conseguiu pensar no prazer que aquela mulher poderia despertar em outros homens. É que ela era tão gostosa e sensual… O que seus amigos, seu pai, não dariam para vê-la assim nua, entregue a satisfazer o cara que quisesse pegá-la.
Não resistiu ao tesão que o dominou.
—Nora —disse ele, aproximando-se dela, ainda de pau duro, apesar de ter gozado um minuto antes.
Sofía olhou para ele com os olhos vidrados de prazer e umedeceu os lábios.
—Sogro? —ela disse timidamente.
E Salvador a penetrou de novo.
FIM CAPÍTULO 4.
Já tinham passado alguns dias desde que a mulher dele voltou a se prestar à fantasia dele, usando o pai dela como meio pra excitá-lo. Tinha sido uma noite maravilhosa. O sexo que eles tiveram foi tão incrível que, toda vez que ele lembrava, ficava muito excitado de novo.
Mas isso era só a ponta do iceberg, pois, ao contrário do que ele imaginou na época, Sofía agora não se comportava como fez depois do aniversário, quando parecia que tentava esquecer tudo o que tinham feito. Aos olhos de qualquer pessoa de fora da família, provavelmente passaria despercebido, mas Salvador não conseguia deixar de notar pequenas, mas drásticas mudanças na sua mulher. Agora ela estava mais sorridente e um tanto desinibida. Até de vez em quando ela metia o pai dela em qualquer conversa trivial, e Salvador queria acreditar que ela buscava estimulá-lo ao mencioná-lo. Além disso, sua preciosa esposa fazia coisas que antes pareciam impossíveis, como andar pela casa usando só roupa íntima; e não é que ela se exibisse tentando provocá-lo, mas fazia isso naturalmente, quando estavam sozinhos e era muito tarde, ou de manhã. Em outros tempos ela nunca teria saído do quarto sem se vestir, a menos que fosse uma emergência, então para Salvador vê-la mostrar seu corpo daquela forma tão despreocupada era todo um espetáculo.
Ela também tinha começado a se mostrar mais safada. Desde a noite em que fantasiaram com o pai dela, não era raro que fosse ela quem tomasse a iniciativa quando ficavam íntimos. Antes, Salvador precisava se aproximar e praticamente convencê-la pra transar; agora, ela o abraçava de repente, o beijava de surpresa e o chamava pra cama quando a pequena Alejandrita dormia.
Era uma mulher diferente. Talvez a mudança não fosse tão exagerada quanto Salvador gostava de imaginar em suas fantasias mais loucas, mas isso não significava que ele não valorizasse.
Assim se passaram os dias desde aquela noite sensual juntos, repetindo os encontros sexuais quase diariamente, com ela demonstrando um gosto incomum por sexo, e com ele curtindo o que parecia um esboço de uma nova vida cheia de prazer.
No entanto, Salvador ainda estava longe de imaginar o quanto sua vida mudaria nos próximos meses.
Um dia, depois do trabalho, Salvador chegou ao seu apartamento e, ao abrir a porta, se deparou com uma surpresa.
—Pai? —disse surpreso ao ver o pai sentado no sofá da sala, segurando a filhinha no colo.
—Oi, filho —disse o vovô, levantando-se para dar um meio abraço fraternal com um braço, já que com o outro continuava carregando a pequena Janita.
Salvador acariciou a bochecha da sua pequena, e quando estava prestes a perguntar a razão da visita dela, Sofía apareceu pela porta da cozinha, com uma xícara de café em cada mão. Estava vestida com leggings de lycra cinza, saltos altos pretos e uma blusa nova que ele nunca tinha visto, era preta de renda, sem mangas, bem decotada. Salvador se animou só de olhar pra ela, e ela dedicou a ele um dos seus sorrisos radiantes.

—Ah. Oi, amor —disse a bela mulher, e, sem largar as xícaras em lugar nenhum, se aproximou para dar um beijo de boas-vindas nos lábios dele. Ao fazer isso, seus peitos portentosos se apertaram por um instante contra o peito de Salvador, excitando-o como sempre que sentia o contato com aquelas duas tetas sensuais de mãe.
Salvador viu como seu pai, atrás de Sofía, aproveitava para dar uma olhada de cima a baixo no corpo sinuoso da sua esposa. Foi muito rápido; se houvesse outras pessoas, com certeza não teriam notado, mas ele sim percebeu, o que lhe causou uma excitação difícil de controlar.
—Seu pai acabou de chegar — disse Sofía. Ela deixou uma xícara de café na mesa de centro e se sentou no sofá. — Que bom que finalmente vocês podem se ver.
—Até que enfim? —Salvador sentou-se e olhou para a esposa, estranhando.
—Sim. Seu pai veio te ver outro dia, e também na semana passada, mas sempre tinha que ir embora antes de você chegar — disse Sofía, pegando Salvador de surpresa.
Ele não sabia disso. Ela não tinha contado até aquele momento que o pai dela tinha estado na casa. Ele olhou nos olhos dela e pensou que naquele rostinho safado escondia algo mais, algo que fez ele tremer.
Salvador tinha tido muito trabalho ultimamente, então estava voltando pra casa em horários irregulares, às vezes muito tarde. No entanto, era muito estranho que sua mulher não tivesse comentado antes sobre as visitas do pai dela.
—Sério? —perguntou, olhando para o seu pai —Por que você não me ligou?
O pai dele de repente ficou meio nervoso, desviando por um instante o olhar do filho. Deu de ombros antes de responder.
—Você já sabe que não gosto de conversa por telefone, prefiro falar cara a cara — disse, meio arredio. Salvador sabia que ele era meio antiquado, mas isso não explicava o desconforto repentino.
—Do que você queria falar? — Salvador pegou Janita dos braços do pai dela quando ela começou a chorar.
—Não precisa de motivo nenhum. Preciso de uma razão pra vir ver meu filho, minha neta… e minha nora?
—Não, claro que não.
O pai dela recuperou a compostura depois daquele lapso estranho de nervosismo e voltou ao seu habitual semblante sério.
Antes que pudessem dizer qualquer outra coisa, o choro da bebê ficou mais forte. Sofía se levantou para pegá-la.
—Vou levá-la pra dormir —anunciou com carinho—. Vamos deixar os homens conversar sobre as coisas deles um pouco. Já volto.

Enquanto a via partir, Salvador lembrou do que Sofía tinha contado dias atrás, sobre a vez que o pai dela chegou em casa procurando ele e ela amamentou a pequena Janita na frente dele… Não conseguiu evitar o crescente tesão que o invadiu. Até pensou em parar Sofía e dizer pra ela dar a buceta pra menina ali, na frente deles, e ver a reação do pai dele. Mas mordeu a língua e se conteve. Mesmo assim, observou que o pai dele também prestava atenção nos movimentos da esposa, embora claro, fazia de forma disfarçada, tentando que ele não percebesse.
Quando ficaram sozinhos, Pastor mudou de assunto e começou a conversar sobre trivialidades, de como estavam as coisas no país e do seu trabalho. Salvador pensou que seu velho simplesmente tinha se sentido sozinho naqueles últimos dias, e por isso o procurava. Desde seu aniversário não tinham se visto de novo, e antes disso mal se falavam.
A verdade é que Salvador não prestava muita atenção no que o pai estava contando. Olhava pra ele fingindo o contrário, mas só conseguia pensar na esposa. A presença do pai na casa fazia ele lembrar daquela noite mágica quando Sofia montou nele, motivada pelo suposto desejo que o velho sentia por ela.
—Sério —disse o pai dele de repente. Dava pra ver que ele tava puto — ¡¿Quem é que se desfaz de uma Ferrari, pelo amor de Deus?! Velha e judiada, ainda é uma joia. Tem gente com dinheiro demais e bom senso de menos, filho.
Pastor trabalhava num ferro-velho e estava falando de um carro que tinham trazido naquele mesmo dia. Salvador olhou pra ele sem saber exatamente o que dizer. Seu pai era fissurado em carros caros, embora nunca fosse conseguir comprar um.
—Com certeza o dono arrumou outro melhor, né? — disse Salvador, finalmente. Já fazia um bom tempo que estavam conversando e já era meio tarde. Ele estava cansado.
—Melhor que “sua” Ferrari? —perguntou o pai dele, olhando incrédulo—. Que carro pode ser melhor que uma obra de arte dessas? Não tem nenhum, nem mesmo outra Ferrari. —Depois olhou para o chão, deu um pequeno gole na cerveja e voltou a falar—: É como se você se separasse da Sofia. Você nunca vai encontrar uma mulher melhor na sua vida.
A frase pegou Salvador tão de surpresa que, por alguns instantes, ele nem soube o que dizer. Olhou para o pai, que tinha baixado o olhar, provavelmente envergonhado. Ele parecia nervoso de novo.
—Hahaha. Acho que você tem razão —disse Salvador depois de um momento, tentando fazer tudo parecer uma simples brincadeira—. Não há ninguém melhor que a Sofía.
—Eu o quê? —A voz da esposa fez Salvador dar um pulo. Ele não tinha percebido que a esposa havia voltado, e pela reação do pai, ele também não.
Ela vinha sozinha, o decote exuberante à mostra, qualquer homem que se preze não conseguiria evitar olhar. Era uma deusa, sem dúvida, suas pernas lindas eram uma ode ao fitness.
—O que foi? —perguntou sua esposa com cara de inocência, embora Salvador imaginasse que ela sabia muito bem o que provocava ao se vestir assim—. Do que vocês estavam falando?
—Nada importante —disse Salvador, quando finalmente se recuperou. Sofía se sentou na frente deles, com uma perna cruzada sobre a outra. A vista era maravilhosa, e Salvador entendeu que sua mulher fazia aquilo de propósito —. Meu pai acabou de me dizer que você é como uma Ferrari.

Notou que ao seu lado seu pai estremecia, surpreso por ele ter decidido contar isso à Sofía.
—Sério? —perguntou a mulher dele. Era evidente que ela não entendia muito bem a que ele se referia —. Em que sentido?
—Ele diz que sou muito sortudo. Que tenho uma mulher de luxo, e que nunca poderia encontrar outra mulher melhor que você.
Assim como ele, isso pegou Sofia de surpresa, que até ficou um pouco corada, causando uma pontada de ciúmes em Salvador, e também um pouco de tesão.
—Nossa, isso é muito gentil da sua parte, sogro —disse Sofía, sorrindo, lisonjeada com o comentário.
O pai dela não disse nada, mas Salvador percebeu como ele cravava os olhos nas pernas de Sofía. Era o olhar de um cara que desejava uma mulher. Soube que sua esposa também notou, pois começou a se remexer no sofá, nervosa. Apesar das leves mudanças que havia nela, ainda continuava sendo a mesma mulher tímida que não gostava de ser o centro das atenções, e menos ainda recebendo aquele tipo de atenção.
—Mas… por que me compararam com uma Ferrari? — perguntou Sofía, tentando se acalmar de novo.
Salvador comentou com ela sobre o que eles estavam falando, do carro que tinham levado pro desmanche, e que o pai dele achava uma loucura. Ela escutou com atenção e depois olhou pro Pastor e perguntou com verdadeiro interesse.
—E o que vão fazer com o carro?
—O mesmo de sempre —respondeu o pai dela—. Vamos tirar as peças que estiverem em melhor estado, e o resto vai pra prensa pra virar cubos de aço enferrujado que são vendidos por quilo.
—Nossa —respondeu Sofía —. Que bom que não sou um carro. E que tenho um homem que sempre estará disposto a cuidar de mim.
Pastor sorriu. As palavras de Sofía foram ditas com um tom de sensualidade que provocaram uma pontada de ciúmes em Salvador, talvez porque ela não estava olhando para ele quando disse aquilo. Seu pai e sua esposa sempre se deram muito bem, e nunca até agora ele havia sentido essa inquietação estranha. Talvez fosse por causa do jogo que ele e Sofía fizeram naquela noite; agora seu cérebro suspeitava de forma inconsciente que poderia haver algo mais entre eles do que uma boa relação, o que ativava seus ciúmes, e também sua excitação.
Eu não tinha certeza. A única coisa que sabia com certeza era que seu corpo tremia vendo seu pai devorar com os olhos sua esposa, e ela sorrindo pra ele como antes só sorria pra ele.
Os três continuaram conversando por um bom tempo, até que finalmente o pai deles anunciou que era hora de ir embora. Agradeceu pela noite e depois se despediu. Deu um longo abraço cheio de amor fraternal em Salvador, e outro em Sofía, embora Salvador tivesse certeza de que pela mente do seu pai passavam outros impulsos, mais obscenos, ao abraçá-la. Não o culpava, sua esposa era uma gostosa, a fantasia de qualquer homem.

Salvador o acompanhou até o térreo do prédio. Seu velho era um bom homem. Tinha assumido a responsabilidade por ele quando a mãe os abandonou e, apesar de todos os problemas que enfrentava no trabalho, sempre arrumava tempo para ele. Por isso, ele se orgulhava de agora poder, de alguma forma, retribuir, mesmo que às vezes fosse complicado.
Salvador subiu de novo para o seu apartamento, onde Sofia já tinha apagado as luzes da sala. Notou que a única luz no apartamento era a que vazava pela porta entreaberta do quarto. Sabia que naquele lugar estava a mulher mais gostosa e desejável do prédio, da quadra, da cidade… Uma Sofia renovada que, tinha certeza, havia adorado exibir seu corpo delicioso para o pai. Será que ela teria gostado de ouvir que o pai a considerava uma Ferrari, uma mulher de altíssimo nível?
Quando ele entrou no quarto, se deparou com uma vista espetacular. Sua esposa estava deitada de bruços, apoiada nos cotovelos, com seu corpo esguio e sinuoso esticado na cama. Ela olhava o celular.
Sentiu vontade de pular em cima dela e fazer amor como um possesso...
—Demorou muito —disse Sofia, tirando-o de seu devaneio —. Comecei a achar que você tinha ido com seu pai tomar uma cerveja.
—Amanhã tenho trabalho — respondeu Salvador com naturalidade. Sabia que a esposa estava brincando. Depois adotou um tom mais insinuante —. Mesmo que quisesse, não poderia sair pra beber.
—E pra beijar sua esposa? Pra isso você tem tempo? Ou você tem que acordar muito cedo? — Ele adorava o sorriso safado que agora se desenhava no rosto de Sofía quando ela flertava com ele. Era algo que antes ele quase nunca via.
—Sempre tenho tempo pra isso —disse Salvador, subindo na cama devagar. Abraçou a esposa e a beijou enquanto girava com ela nos braços pra que Sofia ficasse por cima dele.
Eles se beijaram por vários minutos, roçando os lábios e as línguas de um jeito sensual, como se, em vez de tantos anos de casados, fossem um casal na primeira noite juntos.
—Você notou como seu pai me devorava com os olhos? — perguntou Sofia de repente —. Foi assim que ele me olhou todos esses dias que veio te buscar…, até com mais força, como se quisesse me dizer que me desejava.
Salvador sentiu aquele fetiche insano começar a surgir dentro do peito. No começo, quando descobriu seu fetiche de cuck, tinha se feito um monte de perguntas, tentando descobrir a razão por trás de todas as reações que seu corpo tinha; mas, a essa altura, já entendia que não adiantava nada ficar se perguntando, só tinha que aceitar… e curtir.
—Por que você não me disse que eu tinha estado vindo? — perguntou, com verdadeira curiosidade —. Eu poderia ter tentado chegar mais cedo em casa.
Sofía desviou o olhar antes de responder a ele.
—Se eu tivesse te contado, você teria vindo atrapalhar nosso tempo a sós — disse ela. Salvador arregalou os olhos, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Sofía não conseguiu segurar uma gargalhada que deixou claro pro marido que ela estava brincando.
No entanto, mesmo sabendo que ela não falava sério, a mente de Salvador viajou para o mundo da fantasia, onde de repente se desenharam um monte de imagens do seu pai e Sofia a sós, fazendo coisas indecentes que se supunha que sua esposa só deveria fazer com ele.
—Você tá imaginando isso. Eu sei — disse Sofía com um gesto sério que gerou um pouco de medo em Salvador —. Sério, você tem esse fetiche, né? Apesar de tudo, ainda me custa acreditar, mas se você é capaz de me imaginar com seu pai, então…
—Desculpa —disse Salvador, pois não lhe veio nada melhor para dizer.
—Relaxa, não precisa se desculpar —disse Sofía, dando outro beijo na boca dele—. Admito que comecei a aceitar um pouco do seu jeito… e o que a gente fez até agora foi divertido como fantasia, não posso negar.
Salvador ficou surpreso. Ele não achava que chegaria a ouvir essas palavras saírem da boca da sua esposa. Ela olhou para ele com olhos ternos e o canto dos lábios levantado num sorriso tímido.
—Além disso…, graças a tudo isso eu percebi o quão gostosa eu sou — ela disse.
—O que você quer dizer?
—Antes, quando eu andava na rua, os olhares me incomodavam, me deixavam desconfortável —respondeu Sofía —. Agora, enquanto as pessoas me veem, especialmente os homens, só penso se você ficaria excitado se eu te contasse…, penso que talvez a gente pudesse fazer amor como na outra noite, quando falamos sobre seu pai, ou no seu aniversário, quando você fantasiou com o senhor Porfirio… e eu.
Salvador se arrepiou ao ouvi-la. Graças ao fórum de cornos que costumava visitar, ele soube que estava vivendo uma das fases pelas quais todo homem com esse fetiche tem que passar alguma vez: a aceitação da esposa.
Uma vez que a esposa passava de ignorar o fetiche do marido a pensar nele quando topava com outros homens, dava pra dizer que a relação estava avançando. Ele tinha lido isso muitas vezes de homens que contavam suas experiências no fórum. De repente, as esposas começavam a falar sobre encontros casuais com o cara da loja, ou sobre como algum sujeito na rua olhava pra elas com tesão. Era aí que as fantasias começavam a ganhar mais vida, onde ela se tornava ainda mais participativa no jogo. E Salvador soube, ao ver e ouvir sua esposa, que estavam chegando nesse ponto.
—Sabe, eu acho que se eu realmente fosse uma Ferrari… — disse Sofía, olhando nos olhos dele de forma travessa —, com certeza você seria o dono que gosta de deixar os amigos experimentar o carro dele.
Ouvir ela dizer isso só deixou Salvador ainda mais excitado. Aquele jeito indireto de falar do fetiche dela era algo novo e empolgante.
Sofía percebeu o entusiasmo que estava sentindo, pois seu pênis ficou duro e começou a roçar contra o corpo da sua esposa. Voltaram a se beijar. Salvador percorreu com as mãos as curvas perfeitas da sua nova mulher. Agora ele gostava muito mais de tocá-la. Já não sentia culpa, já não sentia que estava com alguém que não o conhecia. A ideia de Sofía se excitar junto com ele e seu fetiche transbordava seu tesão. Sua pele era tão macia, e seu corpo tinha um formato tão perfeito. Qualquer um ficaria louco ao ter uma mulher dessas na cama. Pensou em como um homem ficaria excitado só fazendo o que ele estava fazendo, beijando Sofía, acariciando-a com carinho e paixão contida. Sua excitação disparou, e de repente deixou escapar um monte das suas fantasias mais obscenas. Imaginou ela fazendo isso com outro homem. Seu pai, seus amigos, o senhor Porfirio… Todos e cada um deles aproveitaram na sua imaginação o corpo da sua esposa, e ele só conseguia ficar mais e mais excitado.
—Mmm… Parece que você tá ficando excitado de verdade —disse Sofía, mordendo o lábio num meio sorriso—. Tá pensando em alguma safadeza?
Salvador ficou meio nervoso. Estava realmente excitado, mas temia confessar a Sofía o que estava imaginando. Apesar disso, precisava fazer amor com sua esposa, e de alguma forma pressentia que ela também precisava que ele fizesse. A questão era se ela estava tão acesa naquela noite por causa das carícias dele ou pela visita do pai dela.
—Aposto que você está me imaginando com outro homem — disse Sofia, sem nenhum sinal de estar incomodada. Salvador gostava cada vez mais dessa nova faceta safada de Sofia. Era como um sonho realizado vê-la agir tão provocante e travessa.
—Sim —respondeu Salvador, quase suspirando. Voltou a acariciar as costas, as pernas e a bunda da esposa. De repente, Sofía, sem desviar os olhos dos dele, começou a descer lentamente sobre o corpo dele, até que seu rosto ficou de frente para a virilha de Salvador, que mal podia acreditar no que estava acontecendo.
—Você vai…? — perguntou Salvador, animado só de pensar que a esposa poderia estar disposta a lhe dar um novo boquete.
Sofía não respondeu à pergunta; em vez disso, apenas olhou para ele com os olhos semicerrados.
—Você acha que seu pai realmente só vinha te buscar esses dias? — ela perguntou de repente com um gesto de curiosidade.
—O que você quer dizer? —Salvador sentiu o coração sair pela boca.
—Quero dizer que é estranho ele ter vindo tantos dias seguidos, em vez de só te ligar —disse Sofía.
—É óbvio que eu vim te ver — disparou Salvador de repente, olhando nos olhos dela.
—Você acha? —disse Sofía. Pelo jeito que falou, era óbvio que não estava surpresa com o que ele tinha dito. Será que ela estava falando sério ou só brincando?—. Mas é seu pai…
—É um homem —disse Salvador, tentando parecer tranquilo, embora na real mal conseguisse segurar a excitação—. Te garanto que qualquer um de nós faria muita loucura pra ficar a sós com você.
Sofía sorriu docemente para ele, agradecendo o elogio. Mas logo depois adotou uma expressão mais séria.
—Você realmente acha que seu pai veio só pra me ver? — disse ela, ainda incrédula — Não seria mais simples se ele saísse com alguma mulher?
Salvador olhou nos olhos da esposa. A pergunta era séria, o que mostrava que Sofía não entendia totalmente os homens. Acariciou a bochecha da mulher, fascinado por essa mistura de beleza sensual e ternura inocente.
—Uma mulher tão gostosa como você pode acabar com o juízo de qualquer um, meu amor. E como você, não conheço mais ninguém. Não é que eu esteja procurando qualquer mina. Eu queria te ver, você
—Não sei —disse Sofía, mais desconfortável —. Eu acho que seu pai só queria nos visitar, ver o filho dele, a neta dele.
—Quer que a gente confirme? — ele perguntou quando uma ideia maluca passou pela sua cabeça.
—Do que você tá falando?
—É que acabei de ter uma ideia que nos permitiria saber com certeza se meu pai te vê com olhos de desejo ou não — disse Salvador.
Sofía olhava para ele sem entender.
A ideia que acabara de ocorrer a Salvador podia ser absurda, mas era tão excitante que ele simplesmente não podia deixar passar. Explicou à mulher o que tinha pensado, e o rosto de Sofía foi mudando conforme ouvia. Raiva, surpresa e, por fim, intriga foi o que se desenhou em seus gestos.
—Tem certeza? —perguntou sua esposa, cheia de dúvidas, quando Salvador terminou de contar sua ideia—. E se acontecer… alguma coisa?
—Relaxa, não vai acontecer nada — disse ele, embora a verdade fosse que ele desejava exatamente o contrário.
—Não... —Antes que Sofía pudesse terminar a frase, a pequena Alejandra começou a chorar a plenos pulmões, e ela, uma mãe preocupada até o osso, teve que se levantar da cama para atendê-la.
Ele a observou pegar o bebê, sorrir para ela e amamentá-la com carinho para que voltasse a dormir. Enquanto a observava, Salvador só pensava na sorte que tinha tido de poder se casar com uma mulher assim, pois ela não era apenas uma mulher gostosa, mas também era atenciosa, meiga, maravilhosa…
Por um momento ele se amaldiçoou por desejar tanto compartilhar o tesouro que tinha como esposa. Que tipo de homem teria esses desejos? Embora ainda parecesse distante que suas fantasias mais obscenas pudessem se realizar de verdade, aos poucos ele começava a ter mais esperanças de que fosse acontecer, e isso lhe causava excitação.
Olhou para a esposa durante vários minutos. Ela era linda, percebia que merecia o melhor homem na cama, um que pudesse satisfazê-la, deixá-la completamente realizada ao fazer amor com ela. E algo lhe dizia que ele não era esse homem. Sua virilidade não era tão grande, e sabia que, assim que Sofia provasse algo melhor, poderia ficar viciada nisso. E caramba! isso, ao contrário do que provocaria em qualquer outro homem, só servia para excitá-lo como um louco.
Finalmente, a mulher dele deixou a filha dormindo no berço. No entanto, quando voltou pra cama, já não parecia tão excitada como antes. Salvador entendeu que ia ficar na vontade de receber sexo oral dela de novo. Ela olhou pra ele. Tinha perdido o brilho safado dos olhos, mas não parecia irritada. Sofía vestiu o pijama, deu um beijo carinhoso na boca dele e se deitou na cama, virando de costas, como sempre fazia quando já queria dormir.
Então Salvador fez o mesmo, vestiu o pijama e voltou pra cama. Apagou a luz e se ajeitou olhando pro teto.
—Tá bom —disse de repente Sofia.
—O quê? —perguntou Salvador, sem entender.
—Você pode contar pro seu pai aquela ideia que você teve — respondeu ela, sem se virar. Falava de costas pra ele na penumbra do quarto.
—Tem certeza? —perguntou Salvador, emocionado. Será que estava sonhando? Mal conseguia acreditar no que ouvia.
—Sim —disse Sofía com segurança —. Eu também quero saber se seu pai me vê… como você diz.
—E se ele…? — começou a perguntar Salvador.
—Não sei —interrompeu Sofia—. Acho que, se tudo o que você diz for verdade, vou ter que tomar mais cuidado com a forma que me visto e me comporto com seu pai.
Salvador ficou meio decepcionado ao ouvi-la. Essa não era a resposta que ele queria.
—Tá bom —disse Salvador—. Amanhã eu ligo pra ele.
Sofía não disse mais nada. Ficou imóvel, de costas para ele, talvez dormindo, talvez pensando no que ia acontecer. Salvador teve bastante dificuldade para pegar no sono. Sua mente se encheu de fantasias libidinosas da sua esposa e do seu pai. Naquele momento não se importava se estava errado. Sentia-se bem pensando nisso; excitava-o de um jeito muito gostoso, e não queria abrir mão daquela sensação tão prazerosa.
De manhã, Salvador foi trabalhar cedo, como todos os dias. Foi um dia complicado no escritório. Distraído por tudo o que estava acontecendo na casa dele, não conseguia dar conta das suas responsabilidades como sempre.
Quando terminou, já bem tarde, pegou o celular e discou o número do pai. Como o velho dizia, não gostava de falar por telefone, mas uma vez que o escutasse, tinha certeza de que seria incapaz de desligar na cara dele.
—Alô? —perguntou o pai dele com a voz rouca. Parecia irritado, talvez estressado com alguma coisa.
—Pai, como vão as coisas? —cumprimentou-o Salvador, tentando disfarçar o nervosismo. Agora que o momento havia chegado, sentiu certas dúvidas e remorsos; no entanto, o fetiche foi mais forte e ele se manteve firme.
—Tudo bem. Fala — disse o pai dele. Parecia distraído. Com certeza ainda estava no trabalho.
—Desculpa te chamar assim, mas preciso te pedir um favor — disse Salvador. Tinha passado a manhã inteira pensando em como pedir isso a ela.
—Aconteceu alguma coisa? — perguntou Pastor, dessa vez mais atento.
—Não, não está acontecendo nada comigo, tá tudo bem — disse Salvador da forma mais despreocupada que conseguiu. — É só que eu tô com um probleminha e queria te pedir uma ajuda.
—Claro, do que se trata?
—Então, é o seguinte, no próximo fim de semana eu vou ter que sair da cidade por uns negócios do trabalho — mentiu Salvador —. A Sofía vai ficar sozinha com a Janita. — Salvador esperou um instante. O pai ficou em silêncio. Imaginou-o expectante do outro lado da linha —. Bom, não seria a primeira vez que elas ficam sozinhas, mas o problema é que ela tá tomando uns remédios que dão um sono muito… pesado.
—Ela tá doente? —pergunta o pai dela, preocupado.
—Não, nada disso. São só pra aquela alergia que ela tem nessa época do ano. —Salvador tinha toda a história planejada—. O caso é que essas pílulas fazem ela dormir feito uma pedra a noite toda —disse meio nervoso, pois era aí que tava o busílis da questão—. E você já sabe que a Janita, como qualquer bebê, tem um sono imprevisível, costuma acordar com fome ou com a fralda suja. Esses dias eu tô cuidando das necessidades dela, porque a Sofía não acorda com nada. —Salvador fez outra pausa. O pai dele já devia tá sacando aonde ele queria chegar com o favor que ia pedir.
—Aham… —disse o velho dela, mas teve que limpar a garganta para continuar— E… o que eu posso fazer… pra ajudar?
—Então, eu queria te pedir pra ficar com elas na sexta à noite; atento pra cuidar da Alejandrita caso ela acorde. Não seria nada demais, só dar leite ou trocar a fralda. —disse Salvador.
O pai dele não respondeu de imediato, e os nervos de Salvador só aumentaram. Ele supunha que o velho estava pouco menos que consternado com o pedido, pelo fato de que ele poderia passar a noite a sós com Sofía. Sentiu náuseas de tesão ao tentar imaginar o que seu pai devia estar pensando naquele momento.
—Se isso te complica, posso chamar outra pessoa — disse Salvador diante do silêncio prolongado do pai.
—Não! Claro que não —exclamou Pastor imediatamente—. Eu vou cuidar delas, não se preocupe. Mas agora tenho que voltar ao trabalho, ainda estou aqui resolvendo algumas coisas.
—Perfeito. Valeu, pai. Te ligo depois —Salvador encerrou a chamada e guardou o celular. Quando colocou no bolso da calça, pôde sentir o quão dura estava a cock, que pulsava presa embaixo da cueca. Suspirou para se acalmar um pouco. Sabia bem o que estava arriscando, e Sofia devia estar ciente disso também. Pedir pro pai passar uma noite na casa, só com ela, podia acabar em qualquer coisa, porque, mesmo que Sofia duvidasse, Salvador tinha plena consciência do que ela podia provocar nos ânimos de qualquer homem. Mas é que era tão emocionante só de pensar no que poderia acontecer.
A verdade é que ele tinha certeza de que o pai ficava excitado com a nora, principalmente agora, que ela tinha, de alguma forma, liberado sua incrível beleza pro mundo. Sem dúvida, o dia do aniversário dela tinha marcado um antes e depois em como todos, e não só ele, viam Sofia.
Salvador tinha a esperança de que Sofia, ao perceber o que provocava no próprio sogro, se desse conta e finalmente aceitasse o quão gostosa e desejável ela era. Talvez assim conseguisse convencê-la de uma vez por todas a levar a relação deles um passo além; embora também não tivesse muitas esperanças a respeito. No entanto, pelo menos tinha certeza de que a experiência serviria para ele alimentar suas fantasias obscenas.
Claro, ele não precisava sair da cidade. Isso tinha sido mentira, e junto com a também falsa medicação da esposa, tinham servido de isca pra captar o interesse do pai dele. Na mente dele, Salvador esperava que algo acontecesse entre eles, qualquer coisa, algo que o deixasse mais excitado e aumentasse seu fetiche de corno a novos níveis.
Ele se perguntou o que seu pai estaria disposto a fazer se vendo sozinho no apartamento, altas horas da noite, tudo em silêncio, e com sua lindíssima nora drogada numa cama.
A caminho do prédio dela, passou na frente da academia onde Sofia treinava, e levou um susto quando viu dois homens saindo do lugar, pois conhecia os dois perfeitamente.
—Renato? Leonardo? —perguntou quando cruzou com eles. Seus amigos levantaram o olhar e se viraram com evidente surpresa; de repente nervosos, como notou Salvador.
—Chava, e aí? —Renato acordou primeiro, chegando perto dele e cumprimentando com um aperto de mão.
—Não sabia que vocês tinham se matriculado na academia —disse Salvador, surpreso. Ele estava surpreso de vê-los no mesmo lugar onde Sofia ia, mas se segurou para não dizer nada.
—Claro, a gente só tá indo há uma semana, mas tá muito bom —disse Renato, já mais animado—. Já sinto o corpo mais leve. Tava precisando me exercitar.
—Além disso, tem umas minas gostosas por aqui. Isso te dá mais energia pra treinar, kkk — intrometeu-se Leonardo. Ele era o solteiro, então sempre soltava esse tipo de comentário. Renato, por outro lado, na sua condição de casado, era mais reservado; pelo menos, era assim quando estava sóbrio, pois, quando bebia, se soltava tanto quanto o amigo — Tem uma mina que tá acabando com a gente, mano.
Renato olhou para Leonardo com olhos assassinos por um momento, gesto que não passou despercebido por Salvador. De repente, aquele tesão que ele vinha sentindo desde a conversa com o pai acendeu como uma fogueira na praia. «Será que estão falando da Sofía? Será que se inscreveram na academia só pra poder vê-la?»
Não podia ter certeza. Talvez fosse o seu crescente tesão que o fazia pensar essas coisas, mas que outra razão poderia haver? Ao pensar nisso, Salvador sentiu uma estranha mistura de ciúmes e excitação. Não gostou que Renato e Leonardo fizessem isso pelas suas costas, mas, ao mesmo tempo, sua imaginação voltou a se encher de fantasias obscenas da sua esposa sendo desejada por aqueles dois que se diziam seus amigos.
—Por que vocês vêm nesse? — perguntou, se esforçando pra soar despreocupado e não deixar transparecer suas suspeitas.
Seus dois amigos se olharam antes de responder. Estava claro que não esperavam essa pergunta, e que isso complicava a resposta deles.
—Fica perto do trabalho —disse Renato depois de um instante, dando de ombros—. A gente pensou que era uma boa ideia vir depois do trabalho, pra tirar o estresse.
—Tô vendo —Era verdade. Os dois trabalhavam na mesma empresa não muito longe dali. No entanto, tinha certeza de que estavam ali para ver a Sofía. Embora sua esposa tivesse um horário flexível, ia quando dava na telha, bem podia ser à tarde ou de manhã, então supôs que, para eles, trombar com ela ali era mais uma questão de sorte—. Acho que a Sofía também vem treinar aqui —disse tranquilamente, tentando observar a reação deles, ver se se entregavam. E foi o que aconteceu.
—Sério? —perguntou Renato, mexendo as mãos, nervoso—. Pois a gente não sabia.
Dessa vez foi Leonardo quem olhou estranho para o companheiro. No entanto, concordou com ele.
—Não foi com a gente que ela topou — disse. Dava pra ver que ele estava mais tranquilo. Claro, ele sempre foi o mais cara de pau.
—Bom, então eu tenho que ir pra casa — disse Salvador. Ele já tinha percebido que estavam mentindo pra ele —. Minha esposa me espera — pontuou, sabendo que a inveja ia fazer estrago nos amigos. Se eles soubessem o quanto ele gostaria de poder compartilhar ela com eles.
—Claro, claro —disse Renato—. Outro dia a gente se vê. A gente devia sair pra tomar alguma coisa logo.
—Claro —respondeu Salvador. Depois apertou a mão dos dois e seguiu para casa —. A gente se vê.
Quando finalmente chegou ao prédio, não topou com o velho Porfirio e, no seu estado alterado, desejou não encontrar Sofia em casa para poder imaginá-la amamentando Janita diante dos olhos pervertidos do velho porteiro. No elevador, sacudiu a cabeça, tentando tirar todas aquelas ideias mórbidas da cabeça.
Ele entrou no apartamento dela e encontrou a Sofía sentada no sofá, assistindo a uma novela antiga na televisão.
—Oi, amor —disse Sofía assim que percebeu a presença dele, afastando-o daqueles pensamentos tão nocivos.
—Oi, gostosa —respondeu Salvador, exibindo um sorriso deslumbrante. Ele sabia que aquele apelido tinha começado a ter outro efeito sobre ela—. E a Janita?
—Tá dormindo. Minha mãe levou ela pra cima e pra baixo, então ela se cansou muito. Apagou no caminho de volta. —. E aí, como foi seu dia?
Salvador suspirou e tirou o paletó do terno. Depois afrouxou a gravata e se jogou ao lado dela no sofá.
—Exaustivo —disse ela—. Os vendedores não param de fazer merda com a papelada. E o gerente quer que eu revise tudo.
—Bom, esse é o seu trabalho como chefe — disse Sofía, passando um dedo pelo rosto dele com carinho.
—Não sou o chefe —respondeu Salvador—. Sou o segundo no comando.
—Algum dia você vai ser o primeiro —Sofía se aproximou e lhe deu um beijo carinhoso nos lábios, e depois outro, e depois outro, cada um mais intenso que o anterior. Salvador adorava essa nova faceta amorosa que havia despertado nela.
Quando se separaram, Sofía ficou olhando pra ele com um sorriso safado. A novela tava rolando na TV, mas ela só tinha olhos pra ele. Ao perceber o bom humor dela, Salvador sacou que era o melhor momento pra contar sobre a conversa com o pai.
—Falei com meu pai — disse sem rodeios, porque não adiantava ficar enrolando. Ao ouvir isso, Sofía desviou o olhar, incomodada, mas não disse nada —. Ele aceitou vir passar a noite aqui no fim de semana.
Sofía se ajeitou no sofá e levou alguns segundos para dizer algo.

—Tem certeza de que quer fazer isso? — perguntou finalmente. Dava pra ver que ela estava nervosa e era evidente que estava cheia de dúvidas —. Tipo… e se acontecer alguma coisa? E se o seu pai tentar…?
—Não vai tentar nada —disse Salvador—. Ele nunca te desrespeitaria.
—E se ela descobrir que é tudo mentira? Que você não viajou, que eu na verdade não tô tomando nada e que eu só tô dormindo ou fingindo que tô dormindo.
—Ele não vai descobrir a menos que você conte — respondeu Salvador. A verdade é que ele também estava nervoso e não totalmente convencido, mas as expectativas secretas que tinha eram morbosas demais para ignorar —. Você mesma disse ontem que queria descobrir se meu pai te via como mulher ou não.
—Já sei, mas…
—Quer que eu ligue e cancele? — perguntou Salvador, decepcionado, mas sincero. Se a esposa não queria fazer, ele não ia obrigá-la.
Sofía ficou em silêncio de novo, dessa vez por vários minutos. Salvador a observou, esperando. Dava pra notar a luta interna que rolava dentro dela; ela mordia o lábio, olhava pra TV, pro teto, e de novo pro marido, só pra levar uma mão ao rosto e desviar o olhar pra qualquer outro canto, sem conseguir tomar uma decisão. Salvador tinha consciência de que estava pedindo demais.
—Não, não chama ele, a gente vai fazer —disse Sofia por fim—. Eu acho que… Quero ter certeza. —Os nervos dela eram evidentes—. Se o seu pai realmente me vê com outros olhos, eu preciso saber. Assim vou saber como devo me comportar com ele pra evitar mal-entendidos.
—Tá bom. Eu também acho que é o melhor — disse Salvador —. Vou alugar um quarto num hotel aqui perto, só pro caso de você precisar que eu volte com urgência. Você me liga e eu venho voando.
O plano era absurdo, claro, e tinha um monte de falhas como essa. Ele estaria longe. Se o pai dela tentasse alguma coisa com Sofía, ele não poderia ajudá-la. Mas quanto mais pensava, mais se excitava com a ideia de que Sofía estivesse escondendo algo, e que na verdade estivesse esperando que o sogro tentasse alguma coisa com ela.
—Claro, e enquanto eu tô aqui, aposto que você vai bater uma punheta imaginando coisas que não acontecem na realidade — disse Sofía. Salvador olhou pra ela, pensando que tava brava, mas não era nada disso; a cara dela denunciava um toque de preocupação, mas era mais curiosidade mesmo —. Você vai fazer isso, né?
—É o mais provável —respondeu Salvador. Não precisava mentir, pelo menos nisso a relação deles tinha avançado.
Sofía olhou pra ele com desconfiança, incrédula, como se ele estivesse zoando.
—Então, enquanto sua esposa se arrisca sozinha e indefesa diante dos supostos desejos obscenos do seu pai, você vai ficar se masturbando imaginando o que ele pode estar fazendo comigo? — Sofía disse isso num tom pausado, mas firme, como as elucubrações de um detetive de teatro.
—Me declaro culpado —disse Salvador, exagerando o tom da mesma forma. Os dois sorriram diante da estupidez do jeito que falavam e voltaram a se beijar.
De repente, veio à mente de Salvador o encontro com seus amigos do lado de fora da academia.
—Ei, você sabia que o Leonardo e o Renato estão indo na mesma academia que você? — perguntou para a Sofía, como se tentasse mudar de assunto.
—Sim —respondeu ela com naturalidade—. Esbarrei neles umas duas vezes essa semana. No primeiro dia me pediram pra mostrar o lugar e ensinar como tudo funcionava. São uns lerdo, vivem perguntando tudo.
—Por que você não me disse? — perguntou Salvador, meio irritado ao confirmar que seus amigos realmente tinham mentido para ele.
—Não achei importante —disse Sofia—. Eles estão se exercitando. Bom para eles.
—Você tem falado muito com eles ultimamente?
—Bom, a gente divide a academia —disse Sofía, como se não fosse grande coisa—. E somos amigos, claro que a gente conversa quando se encontra. A gente se junta e malha junto.
Salvador sentiu uma pontada de ciúmes que percorreu toda a sua coluna vertebral.
—Na verdade, é curioso — disse Sofía, parando de ver TV pra se virar e olhar pra ele.
—O quê?
—Desde a sua festa de aniversário, já esbarrei com eles algumas vezes antes de entrarem na academia. Não sei por quê, mas eles ficaram bem mais amigáveis do que antes — disse Sofía, como se estranhasse não ter percebido isso antes —. Até me perguntaram sobre a academia. Acho que o que eu falei ajudou eles a se decidirem a entrar.
Outro ataque de ciúmes quase o deixou louco. Ele já não tinha mais dúvida alguma de que aqueles dois queriam passar um tempo com sua esposa gostosa.
Salvador olhou para a sua esposa. Ela parecia não perceber nada daquilo. Certamente pensava que tudo era coincidência, ou que realmente seus amigos só queriam se exercitar. Às vezes ela podia ser muito ingênua, mas era por esse tipo de coisa que ele a amava tanto.
Ele a pegou pela cintura e a puxou para si, beijando-a com muita paixão. Cada vez que pensava nela com outro homem, mais ele a adorava e mais vontade tinha de transar com ela. Ele estava se tornando viciado na fantasia de corno, mas não se importava, desde que continuasse sentindo aquele tesão intenso.
—Te amo —disse Salvador, quando pararam de se beijar.
—Eu também te amo —respondeu Sofia com ternura—. Eu faria qualquer coisa por você.
Salvador ficou extremamente excitado ao ouvir aquilo. Quase parecia um convite, como se ela estivesse dizendo que ele podia pedir pra ela dar pra outro cara e ela daria.
—Por enquanto, só quero te fazer o amor —disse Salvador, enquanto começava a se despir, vendo Sofia fazer o mesmo.
Fizeram amor com intensidade. Sofia se deixou levar pela luxúria de Salvador e o beijou apaixonadamente enquanto arranhava as costas dele com força e apertava sua buceta para senti-lo mais presente em seu interior. Salvador deu rédea solta a todo o tesão que os acontecimentos daquela tarde tinham provocado nele, pensando na noite de sexta e em todas as punhetas que seus amigos deviam estar batendo em homenagem a Sofia, sua doce Sofia.
Quando terminaram, ela ficou deitada no sofá, ofegante. Enquanto a observava, Salvador só conseguiu pensar no prazer que aquela mulher poderia despertar em outros homens. É que ela era tão gostosa e sensual… O que seus amigos, seu pai, não dariam para vê-la assim nua, entregue a satisfazer o cara que quisesse pegá-la.
Não resistiu ao tesão que o dominou.
—Nora —disse ele, aproximando-se dela, ainda de pau duro, apesar de ter gozado um minuto antes.
Sofía olhou para ele com os olhos vidrados de prazer e umedeceu os lábios.
—Sogro? —ela disse timidamente.
E Salvador a penetrou de novo.
FIM CAPÍTULO 4.
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