Minha Sogra Gostosa | Capítulo II

Minha Sogra Gostosa | Capítulo II



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A segunda-feira sempre tinha o mesmo ritmo.

Chegar cedo, café forte, revisar e-mails, abrir os arquivos que tinham se acumulado durante o fim de semana. Nada dramático, mas o suficiente para a manhã desaparecer rápido.

Meu escritório ficava no sétimo andar de um prédio cinza no centro da cidade. Uma empresa de engenharia que se dedicava principalmente a projetos de infraestrutura urbana: cálculos, orçamentos, relatórios técnicos.

Trabalho preciso.

Metódico.

Horas na frente de documentos que exigiam concentração constante.

Aquela segunda-feira não era diferente.

Tinha três pastas abertas sobre a mesa e uma planilha na tela do computador. Revisava números, ajustava colunas, comparava orçamentos de materiais.

Cifras.

Decimais.

Porcentagens.

Tudo perfeitamente organizado.

E mesmo assim, minha mente não estava completamente ali.

Não era distração escancarada. Não era que eu tivesse parado de trabalhar. Simplesmente havia momentos em que a concentração afrouxava por alguns segundos.

Aí aparecia a mesma cena.

A piscina.

María saindo da água.

Fechei um dos arquivos e me recostei um pouco na cadeira.

Mal tinham passado dois dias desde que voltamos da viagem. No entanto, a rotina já tinha retomado o controle sobre tudo.

Lisa tinha saído cedo para o escritório dela. Eu também. Tomamos café da manhã rápido, quase sem falar, cada um pensando nas suas pendências do dia.

Normalidade.

Era isso que deveria sobrar do passeio.

Uma lembrança agradável.

Nada mais.

Abri de novo a planilha.

Tentei me concentrar nos números.

Mas depois de vários minutos lendo a mesma linha sem processá-la de verdade, soltei um suspiro curto e esfreguei os olhos.

Precisava esvaziar a cabeça.

Levantei da cadeira e caminhei até a janela do escritório.

Do sétimo andar a cidade parecia organizada. Trânsito constante, prédios alinhados, gente se movendo com pressa entre semáforos. Um mundo funcional. Previsível. Apoiei uma mão no vidro e respirei fundo. E então, inevitavelmente, a lembrança voltou. O maiô florido. O tecido molhado marcando os quadris dela quando saiu da piscina. Não era uma imagem exagerada. Não havia nada explícito nela. Só o formato do corpo. Voluptuoso. Essa era a palavra que tinha vindo à minha mente naquele dia. Voluptuoso. María sempre teve esse tipo de figura. Mas nunca a tinha visto tão claramente como na praia. As reuniões de família não davam esse tipo de perspectiva. Vestidos soltos. Blusas amplas. Posturas sentadas ao redor de uma mesa. A roupa do dia a dia esconde muita coisa. O maiô, por outro lado, não deixava muita margem para a imaginação. Quadris largos. Pernas grossas. Uma cintura que ainda mantinha uma curva marcada. Não era o corpo de uma mulher jovem. Mas tinha presença. Peso. Algo sólido. Me surpreendi reconstruindo mentalmente a cena com mais detalhe do que o necessário. A água escorrendo pelas pernas dela. O movimento dos quadris quando caminhou até a cadeira para pegar a toalha. Apoiei a testa contra o vidro e fechei os olhos por um momento. Era absurdo. Mas minha mente continuou avançando. Sem pedir licença. Comparação. O cérebro sempre compara. É uma reação quase automática. Lisa. María. Dois corpos completamente diferentes. Lisa era magra. Sempre foi. Quadris discretos. Pernas longas. Uma figura mais reta, mais leve. Elegante, até. Seu corpo tinha a estética da juventude: linhas finas, proporções suaves. María era o contrário. Curvas acentuadas. Quadris largos. Coxas fortes. Um busto mais cheio. Glúteos maiores. Onde Lisa tinha linhas… María tinha volume. Onde Lisa tinha leveza… María tinha peso. E de forma desconfortavelmente evidente, a palavra apareceu na minha cabeça. Carne. Mais carne. Mais corpo. Mais lugar pra agarrar. Franzi o sobrancelha imediatamente. Esse pensamento me incomodou mais do que as imagens anteriores. Porque não era só observação. Era avaliação. Comparação direta. Abri os olhos e me afastei da janela. Isso estava tomando uma direção desnecessária. Voltei para a escrivaninha e me sentei de frente para o computador outra vez. Respirei fundo. Trabalho. Era isso que eu tinha que fazer. Abri novamente o arquivo de orçamento. Colunas. Números. Cálculos estruturais. Durante vários minutos consegui me concentrar de verdade. Minha mente voltou ao terreno que conhecia melhor: lógica, proporções, dados concretos. Ali não tinha espaço para distrações. Até que o celular vibrou sobre a escrivaninha. A tela mostrou o nome de Lisa. Atendi. —Oi. A voz dela soou clara do outro lado da linha. —Oi, amor, você tá ocupado? —Um pouco, mas fala. Ouvi o som de teclados de fundo no escritório dela. Lisa trabalhava como contadora numa firma média. O ambiente de trabalho dela sempre soava igual: telefones, teclados, conversas baixas. —Meu pai tá organizando uma coisa pro sábado —ela disse. —Uma coisa? —Um churrasco. Me ajeitei na cadeira. —Na casa dele? —Isso. Ouvi como ela passava uma folha de papel do outro lado da linha. —Ele disse que faz tempo que a gente não junta a família pra algo assim. —Quantas pessoas? —Só nós —respondeu. Assenti mesmo sabendo que ela não podia me ver. —Parece bom. —Pensei o mesmo. Teve um pequeno silêncio antes de ela acrescentar: —Além disso, a mamãe tava animada. Essa palavra ativou algo imediato na minha mente. Mamãe. Maria. A imagem da piscina apareceu de novo com uma clareza desnecessária. Apoiei o cotovelo na escrivaninha. —Que horas seria? —À tarde. Lá pelas três ou quatro. Olhei a agenda aberta do lado do teclado. —Não tenho nada nesse dia. —Então a gente vai? —Claro. Lisa pareceu satisfeita com a resposta. —Perfeito. Eu levo uma salada ou algo assim. —Sua mãe igual vai cozinhar meio mundo —eu disse. Ouvi a risada suave dela. —Isso é inevitável. Houve outro pequeno silêncio. Depois o tom dela mudou ligeiramente. Mais leve. —Ei… a viagem foi boa, né? A pergunta apareceu sem aviso. Me recostei um pouco na cadeira. —Sim. —Eu gostei —continuou ela—. Estava precisando sair. —Com certeza. E era verdade. A viagem tinha sido boa. Pra gente. Pra família. Pra tudo. Exceto por um pequeno detalhe que só existia dentro da minha cabeça. Lisa voltou a falar. —Bom, te deixo trabalhar. —Sim. —A gente se vê à noite, love. —Até mais. A ligação terminou. O silêncio do escritório voltou. Olhei o celular por alguns segundos antes de voltar pra tela do computador. Churrasco no sábado. Na casa do Rodrigo e da María. A ideia deveria ter sido completamente normal. Mais uma reunião de família. Carne. Cerveja. Conversas longas. No entanto, enquanto abria de novo o arquivo que estava revisando… Notei algo curioso. A palavra que minha mente tinha retido de toda a conversa não era churrasco. Nem sábado. Nem família. Era outra. María. Fechei a planilha por um momento e passei uma mão pelo rosto. Isso era ridículo. Era só um pensamento passageiro. Nada mais. Abri o arquivo de novo. Coluna de custos. Materiais. Cálculo de cargas. Me obriguei a me concentrar nisso. O tipo de coisa que fazia sentido. O tipo de coisa que não deixava espaço pra comparações absurdas. E aos poucos, o barulho do escritório voltou a encher minha cabeça. Teclados. Vozes distantes. O zumbido constante do ar-condicionado. Trabalho. Era só isso. Ou pelo menos… era o que eu tentava me convencer. **>>>>>>>** Naquela noite cheguei em casa um pouco depois das sete. O trânsito do centro estava pesado como sempre naquela hora. Filas de carros, semáforos intermináveis, motos deslizando entre as faixas como se as regras não existissem. Quando entrei na garagem Senti o cansaço típico do primeiro dia de semana. Não era exaustão física; era mais mental. Horas de números, decisões técnicas, ligações com clientes. Subi as escadas e abri a porta de casa. O cheiro de comida me recebeu de imediato. Lisa estava na cozinha, de costas, mexendo algo numa frigideira. —Oi —falei. Ela virou a cabeça só o suficiente pra me ver e sorriu. —Você chegou. Deixei a maleta sobre a mesa da sala de jantar. —O que você tá preparando? —Algo rápido. Frango com legumes. Cheguei por trás e apoiei uma mão na cintura dela. O corpo dela se inclinou de leve na minha direção. —Dia pesado? —perguntou. —Normal. Ela apagou o fogo e se virou pra me olhar. —O meu também. Não parecia particularmente exausta. Só… cansada da rotina. O jantar foi tranquilo. Falamos um pouco do trabalho, de algumas pendências da casa, do churrasco de sábado. Nada especialmente importante. A televisão estava ligada na sala, mas nenhum dos dois prestava muita atenção. Depois de recolher os pratos, Lisa se jogou no sofá. —Não quero pensar em números até amanhã —disse, fechando os olhos por alguns segundos. Sentei ao lado dela. —Apoio essa decisão. Houve um silêncio confortável. O tipo de silêncio que só existe entre pessoas que estão juntas há tempo. Lisa virou a cabeça na minha direção. —Vem. Não falou com tom sedutor. Foi mais… natural. Como um convite simples. Subimos pro quarto sem pressa. A casa estava em paz, iluminada só pelas lâmpadas suaves do corredor. Quando entramos no quarto, Lisa sentou na beira da cama e tirou os sapatos. —Hoje não tenho energia pra nada complicado —disse. —Ninguém pediu complicações. Ela se deitou pra trás com um sorrisinho cansado. —Bom. Me aproximei. O beijo que compartilhamos foi lento. Sem pressa. As mãos se moveram com familiaridade, percorrendo espaços que conheciam de memória. Não havia ansiedade, nem necessidade de provar nada.

Era um encontro íntimo simples. Quase doméstico.

Foi desabotoando cada um dos botões da minha camisa, enquanto eu tirava a calça.

Ela já estava na camisola.

Me ajudou a tirar a camisa.

Me inclinei para ela para nos fundirmos num beijo pausado, onde explorávamos nossas bocas com nossas línguas sem pressa.

Percorri suas pernas com minhas mãos. Passei pelas coxas até chegar na calcinha. Acariciei sua buceta por cima. O toque era suave. Estava molhada.

Deu um suspiro dentro da minha boca.

Fui descendo a calcinha, pelas coxas.

Lentamente.

Percorri suas pernas com ela. E uma vez tirada, ela abriu as pernas.

Tirei a minha e me acomodei entre suas pernas.

Não teve muito preâmbulo. Penetrei devagar, até chegar no fundo.

—Ahh…

Comecei as penetrações lentamente. Devagar, mas sem pausa.

Paramos de nos beijar para nos concentrar mais no prazer.

—Ahh… Ahh… Ahh

Lisa gemia perto do meu pescoço enquanto compassava seus quadris contra mim.

O ritmo entre nós era pausado, como se ambos estivéssemos mais interessados na proximidade do que na intensidade.

Durante vários momentos consegui me concentrar completamente nela.

Na sua pele. Na sua respiração. No peso do seu corpo contra o meu.

Mas como tinha acontecido dias antes…

Minha mente voltou a se desviar. Uma imagem apareceu sem aviso.

María caminhando pela praia. O vestido se movendo com o vento. A curva ampla dos seus quadris sob o tecido.

Tentei afastar o pensamento. Não tinha lugar nenhum naquele momento. Mas o contraste apareceu de imediato.

Lisa. Magra. Leve.

María. Mais cheia. Mais ampla.

Uma presença física diferente.

Não melhor.

Não pior.

Só… diferente.

E enquanto continuava com as penetrações, meu cérebro, inevitavelmente, voltou a fazer o que tinha feito no escritório.

Comparar.

Mais corpo. Mais peso. Mais carne sob as mãos. Franzi a testa sem perceber. Lisa levantou o olhar. —Tudo bem? —Sim. Abracei-a mais forte. Rolamos na cama e ela ficou por cima. Colocou os seios na minha boca. Beijei. Chupei. Ela se ajeitou, pegou minha ereção e foi se penetrando sozinha, até ficar completamente dentro. —Mmmm… ahh… Começou a rebolar as cadeiras de frente pra trás, aumentando o ritmo aos poucos. Seus suspiros foram virando gemidos, conforme aumentava o ritmo. Eu não parava de beijar seus seios, e chupá-los. Enquanto com minhas mãos apertava suas nádegas. —Ahhh, Ahh… Assim, amor… assim… De repente voltou a imagem da minha sogra. Sua bunda, grande. Seu corpo. Isso me deu um plus de excitação. Nosso ritmo aumentou consideravelmente. —Ahhh Ahhh Ahhh Os gemidos de Lisa se intensificaram, e aumentaram de volume. Estávamos perto. Deixei seus seios. E me concentrei em meter fundo. O colchão fazia muito barulho, a cama se movia. Me deixei levar pelos pensamentos sobre María. Em como seria penetrá-la assim. Não aguentei mais e gozei. Lisa sentiu, e em meio a gritos gozou também. Senti suas contrações vaginais. O clímax terminou. Descansamos um pouco. Nossa respiração foi se acalmando. Quando terminou, Lisa se ajeitou ao meu lado com um suspiro suave. —Isso sim me fazia falta. Passei uma mão pelo seu braço. —A mim também. Não demorou pra pegar no sono. Eu permaneci acordado mais alguns minutos, olhando o teto na penumbra. A mesma sensação incômoda voltou a aparecer. Não era culpa exatamente. Era mais bem… curiosidade persistente. Uma imagem que não terminava de ir embora. Apaguei o abajur e fechei os olhos. Eventualmente o sono chegou. **>>>>>>>** Os dias seguintes passaram rápido. Terça, quarta e quinta foram praticamente idênticos. Trabalho. Trânsito. Jantares rápidos em casa. Nós dois estávamos particularmente ocupados essa semana. Lisa tinha fechamento de mês no sua firma contábil, o que significava horas extras e ligações constantes com clientes. No escritório também não havia muito descanso. Um projeto novo tinha entrado na fase de cálculo estrutural e toda a equipe estava ajustando os tempos para cumprir o cronograma. Chegávamos em casa cansados. Algumas noites mal falávamos antes de dormir. A intimidade que tivemos na segunda-feira não se repetiu no resto da semana. Não por falta de interesse. Simplesmente… por falta de energia. Era uma dinâmica que conhecíamos bem. A vida adulta tem temporadas assim. Entre uma coisa e outra, o churrasco de sábado começou a se aproximar. Lisa mencionou várias vezes durante a semana. Uma noite enquanto jantávamos. Outra enquanto mexia em algo no celular. Foi em uma dessas conversas quando mencionou algo novo. —Ah, por falar nisso —disse enquanto dobrava um guardanapo—. O Arnold não vai no churrasco. Levantei o olhar. —Ocupado de novo? —É. Tem algo na universidade. Não me surpreendeu muito. Arnold levava uma vida bem independente. Seus horários com a faculdade de artes visuais eram imprevisíveis. —Então vamos ser poucos —comentei. Lisa assentiu. —Os mesmos do passeio. Isso significava algo bem simples. Rodrigo. María. Lisa. E eu. Quatro pessoas. Um churrasco tranquilo. Nada mais. **>>>>>>>**     Na sexta-feira à tarde decidi sair um pouco do escritório. Precisava esvaziar a cabeça. A semana tinha sido longa e os números começavam a se misturar na tela depois de tantas horas. Desci até o pequeno café que ficava na esquina do prédio. Era um lugar simples, frequentado quase exclusivamente por gente dos escritórios próximos. Pedi um café preto e me sentei perto da janela. O barulho do lugar era constante mas baixo: conversas curtas, xícaras batendo nos pratos, a máquina de espresso funcionando sem parar. Tomei o primeiro gole e senti como o calor do café ajudava a esvaziar a cabeça. Às vezes, bastavam dez minutos longe da mesa pra resetar a mente. Olhei a rua. Pessoas andando rápido. Carros avançando devagar entre os semáforos. Todo mundo parecia ter pressa de chegar a algum lugar. Pensei no dia seguinte. O churrasco. Rodrigo na frente da churrasqueira. Lisa ajudando na cozinha. Conversas longas ao redor da mesa do quintal. Mais uma reunião de família. Nada fora do comum. E mesmo assim… uma pequena expectativa apareceu na minha mente. A imagem de María voltou, como se o pensamento estivesse esperando aquele momento de calma pra reaparecer. Lembrei dela na praia. O jeito que ela andava na areia. As curvas amplas do corpo dela sob o vestido leve. Balancei a cabeça de leve. Era ridículo. Terminei o café em silêncio. Quando me levantei pra pagar, dois colegas do escritório entravam no lugar. — Fugindo do trabalho? — perguntou um deles com um sorriso. — Cinco minutos de ar — respondi. — Exatamente o que todo mundo precisa. Trocamos mais algumas palavras sobre o projeto em que estávamos trabalhando. Nada importante. Coisas de escritório. Depois saí de novo pra rua e caminhei de volta pro prédio. O elevador subiu devagar até o sétimo andar. Quando as portas se abriram, o som familiar de teclados e telefones voltou a encher o ambiente. Minha mesa me esperava exatamente como eu tinha deixado. Arquivos abertos. Números. Cálculos pendentes. Me sentei, ajeitei a cadeira e voltei pra planilha. Trabalho. Era isso que eu tinha na frente. E durante vários minutos consegui me concentrar completamente nisso. Mas em algum lugar discreto da minha mente, o pensamento continuava ali. O sábado. Amanhã. O churrasco. E a certeza silenciosa de que eu veria María de novo. **>>>>>>>** No sábado à tarde saímos de casa pouco depois das quatro. Lisa levava uma salada grande numa recipiente de vidro que ela tinha preparado durante a manhã. Eu carregava uma bolsa com bebidas que o Rodrigo tinha pedido no dia anterior.

O trânsito estava tranquilo naquela hora.

Durante o trajeto a Lisa falava de coisas pequenas: uma colega nova no escritório dela, um cliente complicado que ela tinha tido durante a semana, a possibilidade de tirar alguns dias de folga mais pra frente no ano.

Eu escutava. Respondia quando era pra responder.

Mas parte da minha mente estava em outro lugar.

A casa dos pais dela aparecia várias vezes na minha cabeça enquanto eu dirigia. O quintal. A churrasqueira. E, de forma inevitável, a figura da María se movendo pela cozinha como tantas outras vezes.

Balancei levemente a cabeça e me concentrei de novo no semáforo que mudava na nossa frente.

—No que você tá pensando? —perguntou a Lisa.

—Na carne —respondi com um sorrisinho—. Seu pai sempre exagera nas quantidades.

Ela riu.

—Isso é verdade.

Quinze minutos depois estacionamos na frente da casa. O Rodrigo abriu a porta antes de a gente tocar a campainha.

—Chegaram!

Nos recebeu com aquela energia bonachona que ele sempre tinha quando tinha comida no meio.

—Entrem, entrem.

A Lisa o abraçou primeiro.

—Oi, pai.

—Olha tudo o que vocês trouxeram —disse ele olhando as bolsas.

Entramos.

O cheiro de carvão já estava no ar.

Da cozinha apareceu a María com um avental por cima de um vestido simples de verão.

Sorriu ao nos ver.

—Até que enfim.

A Lisa caminhou até ela e a abraçou.

—Oi, mãe.

O cumprimento foi longo, natural.

Quando a Lisa se afastou, a María veio até mim com a mesma familiaridade de sempre.

—Oi, Nelson.

O abraço foi breve, mas suficiente pra que o corpo dela ficasse perto do meu por um segundo. Senti o calor da pele dela através do tecido do vestido.

Um detalhe mínimo. Mas eu notei.

—Oi, María.

O perfume dela era suave, meio floral. Percebi quando ela se afastou.

Tentei não pensar muito nisso.

A tarde começou a tomar forma rapidamente. Rodrigo acendeu a churrasqueira no quintal enquanto colocava música de uma caixinha de som sobre a mesa. Clássicos antigos em espanhol, músicas que pareciam tocar sempre nas reuniões deles. Lisa ajudava a mãe na cozinha cortando algumas coisas para as saladas. Eu fiquei com o Rodrigo perto da churrasqueira. —Isso precisa de paciência —disse ele enquanto acomodava os pedaços de carne na grelha. —Você sempre diz isso. —Porque sempre é verdade. As cervejas começaram a circular. O clima ficou relaxado. Rodrigo contava histórias, Lisa zoava alguns exageros do pai, María ia e voltava entre a cozinha e o quintal com pratos, copos e coisinhas que pareciam surgir do nada. A casa tinha aquela atmosfera conhecida de reuniões de família. Risadas. Conversas sobrepostas. O cheiro da carne assando lentamente. Tentei manter minha atenção em tudo isso. Mas toda vez que María cruzava o quintal ou se inclinava sobre a mesa pra ajeitar alguma coisa… Meu olhar a seguia. Não de forma evidente. Era mais uma atenção periférica. O jeito que o vestido se ajustava às cadeiras dela quando caminhava. A maneira como ela prendia o cabelo com uma mão quando o calor da churrasqueira chegava até a mesa. Pequenos detalhes. Movimentos cotidianos. Nada extraordinário. E mesmo assim, minha mente parecia registrar tudo. Tomei outro gole de cerveja. —Quer mais? —perguntou Rodrigo levantando a garrafa. —Sim. **>>>>>>>** Um tempo depois senti necessidade de ir ao banheiro. A gente tinha bebido bastante cerveja e o calor da tarde também não ajudava. Entrei na casa enquanto os outros continuavam conversando no quintal. O interior estava tranquilo. O banheiro do corredor estava meio aberto. Entrei e fechei a porta atrás de mim. Era um espaço pequeno, organizado como sempre. Pia, espelho, uma prateleira com alguns produtos. Nada fora do normal. Lavei minhas mãos depois e, quase por inércia, levantei o olhar para o espelho.

Foi então que notei algo na beirada da prateleira, perto da pia.

Uma peça de roupa dobrada de qualquer jeito.

A princípio não registrei exatamente o que era. Depois minha mente identificou.

Uma calcinha.

De renda.

Não era minúscula nem chamativa como uma peça feita pra se exibir. Era mais um modelo clássico, de tecido macio com renda nas bordas.

Mas mesmo assim…

Tinha algo nela que era inesperadamente íntimo.

Fiquei parado um momento. A lógica dizia que eu devia ignorar. Sair do banheiro. Voltar pro quintal.

Mas minha mão se moveu antes que eu terminasse de pensar nisso.

Peguei.

O tecido era leve. Macio entre os dedos. Senti uma pequena descarga de adrenalina percorrer meu corpo.

Era absurdo. Completamente desnecessário. E mesmo assim… não soltei. Aproximei um pouco mais.

A renda era delicada, quase transparente em algumas partes. Um detalhe simples, mas suficiente pra sugerir mais do que mostrava.

Naquele momento minha mente completou o resto sem esforço.

Maria usando essa peça. Debaixo do vestido. Se movendo pela casa como tinha feito a tarde toda.

Engoli seco.

Sem pensar muito… aproximei o tecido um pouco mais.

O cheiro era leve. Um perfume suave misturado com algo mais quente, mais pessoal.

Não era forte.

Mas estava ali.

Senti o pulso acelerar.

Esse simples gesto, insignificante visto de fora, provocou uma reação imediata no meu corpo. Mais intensa do que eu esperava.

A imagem apareceu sozinha na minha mente.

Maria andando pela casa com essa mesma peça por baixo da roupa. A curva dos quadris. O peso do corpo dela se movendo com naturalidade pelo quintal.

Soltei o ar devagar.

Isso estava cruzando uma linha. Eu sabia perfeitamente.

Dobrei a calcinha de novo exatamente como tinha encontrado e deixei sobre a prateleira.

Me olhei outra vez no espelho.

A A expressão no meu rosto estava mais tensa do que alguns minutos antes. Abri a torneira e lavei as mãos de novo. Água fria. Respirei fundo. Depois saí do banheiro. **>>>>>>>** O quintal ainda estava cheio de vozes quando voltei. Rodrigo estava virando os últimos cortes de carne. Lisa e María conversavam perto da mesa enquanto arrumavam os pratos. Tudo continuava exatamente igual. Como se nada tivesse acontecido. E na real… nada tinha acontecido. Só um momento breve num banheiro. Um objeto esquecido. Um impulso. Caminhei até a mesa e peguei outra cerveja. —Onde você se meteu? —perguntou Lisa. —Banheiro. —A carne já tá quase pronta. Assenti. Tentei me concentrar na conversa. No Rodrigo explicando de novo a técnica dele pra conseguir o ponto perfeito da churrasqueira. Mas agora era diferente. Alguma coisa tinha mudado. A simples imagem de María se movendo pelo quintal agora tinha outra camada de significado. Cada vez que eu a via passar na minha frente, minha mente lembrava da peça de renda que eu tinha acabado de segurar entre as mãos. Cada movimento dos quadris dela ficava mais evidente. Mais presente. Tomei um longo gole de cerveja. Tinha que disfarçar. Nada do que estava acontecendo na minha cabeça podia transparecer. Lisa sentou do meu lado na mesa. Rodrigo começou a servir a carne nos pratos. María trouxe as saladas da cozinha. Tudo era normal. Risadas. Conversas. Música baixa de fundo. Mas enquanto a tarde avançava lentamente para a noite… Notei algo com absoluta clareza. O desejo que tinha começado como uma curiosidade na praia agora era diferente. Mais concreto. Mais presente. E o mais inquietante de tudo era que ninguém ao redor parecia notar absolutamente nada.>>>>><<<<<


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