
Capítulo 10.
Discórdia FamiliarIt looks like you sent an empty message — there's no Spanish text for me to translate.
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Nem a Katia nem eu estávamos no nosso melhor momento com a nossa mãe. A última vez que pisei nessa casa, acabei saindo no meio de uma discussão. E a Katia… bom, ela morava aqui até pouco tempo. Entendo que a Patricia não morra de amores pela ideia de conviver com uma vagabunda que não trabalha, e que expulsá-la do ninho tenha sido o empurrãozinho pra ela se dignar a procurar trampo. Mas isso não fez com que elas se dessem melhor. Só conseguiu evitar que elas se matassem. Esse jantar, supostamente, era uma tentativa diplomática. Um cessar-fogo com milanesas no meio.
Quando Katia abriu a porta, uma sensação inesperada me invadiu: paz.
Uma paz suspeita.
A gente entrou, e foi tipo mergulhar numa nuvem morna de incenso e silêncio zen. A luz flutuava suave, filtrada por luminárias de papel que pareciam flutuar como luas tranquilas. As cortinas eram novas, vaporosas, daquelas que se mexem com uma brisa que nem existe. Tinha tantas plantas que por um momento senti que a gente tava entrando num viveiro boutique. Algumas pendiam de prateleiras flutuantes, outras se erguiam sobre estruturas de bambu que pareciam construídas pra canalizar a aura do ficus na direção de Saturno.
—Esse lugar sempre foi assim? —perguntei, embora a resposta fosse óbvia.
—Não! —exclamou Katia, visivelmente decepcionada—. Isso aqui antes tinha vida. Cadê as calcinhas jogadas no sofá? E o pacote de chips pela metade? Isso parece um museu hippie, Abel. Falta algo que diga “aqui mora uma pessoa”. Falta… bagunça.
Dei alguns passos, com cuidado pra não esbarrar em nenhum vaso sagrado nem pisar sem querer num campo energético invisível. Confesso que, apesar de não curtir a estética de templo ayurvédico, o apê tinha melhorado pra caralho. Nada parecia fora do lugar. Tudo estava no seu devido lugar. Como se alguém tivesse feito feng-shui com esquadro e nível.
Eu falei pra Katia.
Ela não gostou nada.
—Claro que você ia gostar. Você adora essas casas que parecem showroom. É frio, Abel. Frio e... arrumado demais.
Tive que me segurar pra não responder "obrigada". Porque pra mim isso é um elogio. Mas mordi a língua, não queria arrumar confusão. A gente ainda nem tinha jantado.
Então ela apareceu. Patrícia. Nossa mãe.
Ela estava usando um vestido longo e solto, coberto de flores grandes em tons terrosos, como se tivesse sido escolhido numa tarde consultando os astros. Estava descalça, como sempre. Sua figura era magra, firme, como esculpida por uma rotina de yoga e meditação guiada. Usava uma faixa de cabelo tecida que prendia seu cabelo liso, castanho, com umas mechas loiras estrategicamente penteadas para trás, como se tivesse acabado de sair de uma aula de respiração consciente com tigelas tibetanas ao fundo. Brincos enormes, redondos, pendurados e balançando com seu andar lento e seguro, marcando o compasso da sua presença.
—Katia! —disse, envolvendo-a num abraço suave—. Que delícia ter você de volta em casa.
Fiquei observando. E sim, tive que admitir que o entusiasmo era sincero. Patricia estava realmente feliz em vê-la. Não havia falsidade. Pelo menos não ali.
Então ela se virou pra mim.
Ele me dedicou um sorriso. Não era hostil, mas também não era caloroso. Foi um sorriso bem calibrado. Diplomático.
—Abel. Que bom te ver. Como você tá?
Com ela, essa pergunta não soava casual. Soava clínica. Como se ela quisesse checar minha pressão arterial com os olhos, detectar ansiedade reprimida na minha postura, ou identificar alguma emoção encruada pronta pra brotar como uma brotoeja emocional.
—Tudo em ordem — menti, me aproximando o suficiente para dar um beijo no rosto dela, com o carinho na medida certa pra cumprir o protocolo, sem exagerar nas demonstrações que pudessem ficar pairando no ar.
—Que bom — disse ela. Mas seu olhar sugeria que tinha detectado pelo menos cinco sintomas de alguma coisa.
Katia já tinha se soltado, passeando o olhar pela sala como se percorresse uma exposição de arte sensorial. Ela se agachou para cheirar um incenso que queimava sobre uma base de pedra entalhada.
— Isso é palo santo? — perguntou, com uma voz quase reverencial.
—Um blend —respondeu Patricia, encantada—. Palo santo, lavanda e cúrcuma. Ideal pra harmonizar o ambiente quando tem visita.
—E funciona com homens céticos e estruturados? — provocou Katia, me olhando de rabo de olho com um sorrisinho malicioso.
Patricia virou-se para mim, sorriso sutil, afiado como um diagnóstico.
—Sempre dá pra tentar.
Eu também sorri. Por fora. Por dentro, rezava para que Katia não desenvolvesse uma fascinação repentina por esses incensos fedorentos. Não quero que minha casa fique com cheiro de lavanda mística e tempero indiano.
Trouxe a Katia com a esperança —não tão secreta— de que, com um pouco de sorte, essa visita pudesse terminar com ela deixando a escova de dentes dela de novo nesse banheiro. E o caos dela. E as meias dela. E os gritos matinais dela em loop. Tudo isso que ela nem registra, mas que fura tua paciência como uma furadeira que não faz barulho, mas vibra igual.
A harmonia dos outros, descobri, não me cai tão bem quanto eu pensava. Me gera uma mistura estranha: nostalgia pelo que perdi e uma inveja leve, tipo quando você vê alguém dormindo tranquilo no banco do ônibus enquanto você não consegue parar de pensar na conta do gás.
A mesa estava posta como se a Patrícia tivesse ensaiado essa cena durante semanas. Louça branca sem uma única manchinha, sousplats de fibras naturais em perfeita simetria, guardanapos dobrados com um nível de precisão que beirava o cirúrgico. No centro, como uma aparição quase profana, uma travessa fumegante com milanesas crocantes e batatas fritas douradas quebrava todo aquele equilíbrio zen. De um lado, resignada, uma salada minimalista de rúcula e broto de soja parecia estar ali por protocolo, como aqueles primos que a gente não quer tirar foto junto, mas que aparecem no álbum de família mesmo assim.
—Fiz seu prato favorito, Katia — disse Patricia, com um sorriso que, para surpresa de todos, parecia genuíno.
—Ai, Pato, você é o máximo! —exclamou Katia, avançando sobre um bife à milanesa como quem recupera algo perdido—. Abel, você tem que aprender a fazer assim. Depois pede pra mamãe te passar a receita dela.
Patricia riu com delicadeza.
—Não tem nenhum segredo. É só fazer com amor. Estar em paz consigo mesma. As energias negativas são percebidas em tudo o que a gente faz.
Eu sorri enquanto me servia de batata frita sem culpa e com estratégia. E aí soltei, com meu melhor tom de veneno cordial:
—Me surpreende que você, com todo esse cuidado que tem consigo, faça um prato onde tudo é frito.
—Bom, por uma vez não tem problema — disse ela, suave, como quem dá uma bênção —. Vocês já sabem que isso é uma exceção. Um permitido. Só porque vocês vieram. Amanhã, só fruta e iogurte. Está tudo calculado.
Assenti, forçando um sorriso. Essas frases sempre me incomodam. Não pela comida em si, mas pelo que revelam. Pra mim, a comida ainda é um dos últimos prazeres sem filtro. Daqueles que não pedem licença. Que não precisam ser compensados com penitência no dia seguinte.
Minha mãe se serviu da salada como quem cumpre um código ético. Não olhou para as batatas nem uma única vez. Mas eu sei que ela adora. Sei que sentiu falta delas até antes de colocar a saladeira na mesa.
E aí eu senti algo parecido com vitória. Pequena. Mas vitória, afinal.
A putaria já estava a meu favor.
—E o Abel ainda continua tão obsessivo com limpeza? — perguntou Patricia, mexendo os brotos da salada como se fosse um ritual.
—Pior —respondeu Katia, com a boca cheia—. Agora nem me deixa pendurar uma toalha torta. Ela me manda fotos com circulinhos vermelhos, como se fosse um relatório de danos.
—Isso não é obsessão — eu disse, cortando a milanesa com mais força do que precisava —. É higiene.
—Também pode ser uma forma de controle — disse Patricia com voz calma, sem levantar os olhos da tigela —. A necessidade de organizar o externo pra não encarar o caos interno.
—Ou uma forma de sobrevivência —retruquei—. Em pessoas criadas por mães superprotetoras ou excessivamente críticas, como algumas que eu conheço.
Vi como a veia do pescoço dele ficava um pouco mais marcada. Não demais. Só o suficiente pra saber que o comentário tinha acertado o alvo. E admito que isso me deu um certo prazer. Eu vinha acumulando.
—Depende de como se interpreta a harmonia —continuou ela, sem se abalar —. Para algumas pessoas, o controle é uma fonte de calma. Para outras, é sufocante.
Claro, pensei. De novo a ideia de que o problema está em como “eu” percebo as coisas. Como se a harmonia que me ensinaram quando criança tivesse vindo com instruções militares e não com afeto.
—Você pode parar de fazer isso? — eu disse, olhando fixo pra ela.
—Fazer o quê?
—Me psicanalisar sem que eu peça. Já tive o bastante disso na minha vida. Passo.
Patrícia apoiou o garfo com uma delicadeza estudada, quase teatral.
—Não estamos em terapia, Abel. Só fiz algumas observações, como uma mãe que se preocupa com os filhos. Às vezes tem coisas tão óbvias… que é difícil não enxergar. Mas se te incomoda, me desculpo.
O silêncio que veio depois não foi desconfortável. Foi cirúrgico. Como um lençol frio que cai sobre você no meio de uma conversa que ninguém mais quer continuar.
Katia mordeu uma batata frita com violência cerimonial. O crocante encheu o ar como se quisesse abafar tudo o que a gente não tinha coragem de dizer.
—Bom —falei, aproveitando a pausa—. Já que a gente tá nas observações... A Katia me contou que o tablet que eu emprestei pra ela, quem quebrou foi você.
Não foi elegante. Nem oportuno. Mas era isso ou continuar engolindo o nó que vinha apertando meu pescoço desde que a gente entrou. E não era por causa das batatas nem da milanesa. Era outra coisa. Algo que pedia pra sair.
Katia, como se tivesse acabado de aterrissar numa conversa em norueguês, enfiou meia milanesa na boca e tomou um gole de refrigerante sem olhar pra gente. A atenção dela estava posta, de repente, numa mancha invisível da parede.
Patricia arqueou uma sobrancelha, com aquele ar clínico que não precisa de diagnóstico.
—Foi um acidente. Um movimento errado. Uma trapalhada mínima.
—Claro —respondi—. Mas você deixou a Katia assumir. Entendo que você tem um jacaré no bolso, e que não vai gastar um centavo em algo que não é seu. Então te proponho um acordo: você para de me fazer radiografias emocionais no meio do jantar… e eu não te cobro o tablet quebrado.
Ela apertou os lábios, sem se dignar a responder. Tomou um gole lento do seu suco de limão, com aquela calma que se disfarça de superioridade.
E continuou comendo. Como se nada tivesse acontecido.
Foi um golpe baixo, eu sei. Mas tinha algo naquela compostura dela que me fervia o sangue. Eu precisava recuperar terreno.
Katia me olhou de canto. Deu um sorriso curto, quase cúmplice, e voltou a se concentrar no prato. Como se a única verdade que valia a pena naquela noite inteira estivesse empanada e frita.
O barulho das batatas fritas baixou alguns decibéis. Algo no ar tinha mudado. Uma alteração sutil. Como se alguém tivesse movido um enfeite de lugar… e de repente, todo o feng shui tivesse ido pro caralho.
Patricia apertou os lábios, sem responder sobre o tablet. Tomou outro gole do suco, como se assim pudesse engolir o orgulho sem que ninguém percebesse.
Sabia que ela não ia deixar passar. Minha mãe tem esse costume: quando sente que está perdendo terreno com alguém, precisa ganhar em outra frente. Não faz por maldade, faz por instinto. Se não consegue te dominar, pelo menos vai te alfinetar. E se não funciona discutir com um filho, vai fazer com o outro.
—Igual —disse ela, ajeitando a tiara com um gesto lento—, tem coisas que também ficam muito difíceis. E não tô falando de você, Abel.
Parei, garfo na mão. Já sabia o que vinha.
—Ah, não?
—Não —disse ela, com um sorriso conciliador que não enganava ninguém —. Estou falando de certas pessoas que têm hábitos… complicados. Tipo deixar toalhas molhadas em cima da cama. Ou pacotes de bolacha abertos dentro do armário. Ou calcinha no encosto das cadeiras. Só pra citar alguns exemplos.
Katia piscou. Mastigou devagar. Engoliu com dificuldade.
—Isso foi só uma vez — disse ela, baixinho.
—Várias —respondeu Patricia, sem mudar o tom —. E não falo com má intenção. Só… bom, já falamos sobre isso na época. Não é fácil conviver com você, Katu. Você mesma já disse uma vez: você não percebe o seu próprio caos.
Katia baixou o olhar. Estava vermelha. Mas não de vergonha, e sim daquela mistura estranha entre desconforto e raiva contida.
—Eu achei que estavam me convidando pra jantar, não pra uma auditoria — disse ela, ainda sem levantar a voz.
Decidi intervir antes que isso escalasse.
—Conviver nunca é fácil — eu disse, limpando a boca com o guardanapo —. Nem mesmo quando as duas pessoas têm regras parecidas. Sempre tem atritos. Costumes que batem de frente. Tempos diferentes.
Patricia negou com suavidade.
—Tem pessoas que, por natureza, são difíceis. E não falo isso como ataque. É que você não pode juntar uma caótica que bagunça tudo com um obsessivo que precisa controlar tudo. O que se gera é ruído. E com ruído não tem harmonia.
Essa palavra. "Harmonia". Quicou na mesa como uma pedrinha num vidro frouxo.
Katia não disse nada. Mas deixou o garfo sobre o prato, como se já não tivesse fome. Eu também não disse nada. Só olhei de rabo de olho. E quando levantei o olhar, vi que Katia também estava me olhando.
E os dois —sem dizer nada— entendemos a mesma coisa.
Patricia tinha cruzado uma linha.
Ela, enquanto isso, continuava comendo rúcula como se não tivesse detonado uma bomba entre um prato e outro. Como se a análise dela fosse só mais um comentário qualquer.
Eu engoli seco. Mas não por causa da comida.
Sinto porque, pela primeira vez na noite toda, me deu vontade de pegar uma batata frita e enfiar na testa dela.
O silêncio que se seguiu foi denso, como se a salada de rúcula tivesse tomado conta da energia na mesa.
Katia foi a primeira a reagir.
—Igual… você também não é tão fácil de conviver, Pato.
Patrícia olhou para ela com surpresa. Não com incômodo, ainda. Surpresa.
—Ah, não?
—Não sei se você sabia —interrompi eu, enfiando o garfo numa batata frita —, mas a casa sempre tem cheiro de patchouli. Pra disfarçar o cheiro de maconha.
Patricia apertou os olhos, não ofendida, mas calibrando se valia a pena responder.
—E os iogurtes —continuou Katia, como se fosse um relatório criminalístico—. Você compra iogurtes que depois não come. Ficam lá até vencer. Às vezes eles falavam comigo lá do fundo da geladeira.
—Juro que um deles tinha tanto mofo que achei que ia ganhar vida — acrescentei.
—E os biscoitinhos —disse Katia, já embalada —. Você come escondido e depois deixa o pacote aberto em qualquer canto. Quem comeu as bolachas que estavam em cima da estante? As formigas fizeram a festa com aquilo.
Patricia apertou os lábios. Não se defendia. Mas também não recuava. A gente tinha ela encurralada.
—Ah, e a análise constante —eu disse, me ajeitando na cadeira—. Uma coisa é ser psicóloga, outra coisa é ficar sempre psicanalisando todo mundo como se você vivesse numa supervisão eterna. Alguns de nós queremos comer em paz, não ser interpretados.
—E a música! —disse Katia, levantando uma mão—. Essa música de meditação às duas da tarde, numa quarta-feira. Quem precisa ouvir flauta tibetana nesse horário? Tô tentando ver desenho!
—E a parte financeira — arrematei eu —. Custa menos o FMI dar um crédito pra Argentina do que conseguir que você ponha dinheiro sem ter que te convencer por horas. Você até fez a gente pagar as milanesas que a gente tá comendo.
Patricia tomou um gole longo do seu suco de limão. Deixou-o na mesa com uma calma que era quase uma ameaça.
—Terminaram?
Katia e eu nos olhamos.
—Por enquanto —disse minha irmã.
A gente não sabia se tinha ganhado. Mas pelo menos a gente tinha empatado. E naquela casa cheia de feng shui, aromas penetrantes e emoções comprimidas, um empate já parece uma revolução.
—E vocês, como é que se dão? —perguntou Patricia, enquanto espetava uma folha de rúcula com precisão cirúrgica—. Como é a convivência entre os dois irmãozinhos? Hein? Já dormem no mesmo quarto? Fazem conchinha?
O comentário veio embalado em sarcasmo, mas nos atingiu com a força de uma verdade incômoda. Katia parou de cortar sua milanesa. Eu fiquei com o garfo suspenso no meio do caminho, como se tivesse esquecido o trajeto.
—Na frente do Abel você também anda pelada? —continuou Patrícia, com um tom quase pedagógico, como se estivesse fazendo uma exposição clínica —. Essa menina é alérgica a roupa. Você já deve conhecer as tetas dela de cor.
Ele me olhou. Eu abaixei o olhar. Não disse nada. Katia também não.
—E o cronograma rígido do Abel? —ela acrescentou—. Café da manhã, almoço, lanche e jantar… tudo em horário rigoroso. Como você se vira com isso, Katia? Logo você, que adora comer salsicha às duas da madrugada.
O tilintar dos talheres batendo nos pratos foi a única coisa que soou. Ninguém comia. Mexíamos na comida como se estivéssemos procurando uma passagem secreta no purê de batata.
—Podem me criticar o quanto quiserem —disse Patricia, ajeitando o vestido, como se sacudisse o desconforto de cima —. Mas com vocês também não dá pra conviver. Morar sozinha foi a melhor coisa que me aconteceu na…
Não chegou a terminar.
Katia se levantou de repente. Seus olhos brilhavam, mas não era de raiva. Era outra coisa. Tristeza. Vergonha. Ou uma mistura estranha que se parecia muito com dor. Saiu sem dizer uma palavra. Fechou a porta com um baque que soou mais como um encerramento emocional do que como um gesto de raiva.
Eu fiquei parado. Segurando a faca.
Minha mãe não me olhou. Continuou comendo. Com calma. Com uma serenidade de mentira, tão evidente que até o feng shui parecia estar desconfortável. Pensei em me levantar, em dizer algo. Mas não disse nada. Só senti que tínhamos cruzado um limite. Um que já não tinha volta.
Vou ter que adicionar essa cena familiar à lista de fracassos da minha vida.
* * *
A tela da TV brilhava na minha frente com aquele clarão azulado lavado que os programas de culinária têm quando ninguém tá assistindo. Eu não tava prestando atenção. Não conseguia. Tava com o corpo jogado no sofá, uma perna esticada, a outra pendurada, e a cabeça ainda remoendo os restos da discussão.
O celular tocou. Vibração seca, insistente, que parecia ter mais urgência do que merecia.
Quando desbloqueei, a primeira coisa que vi foi uma foto. Ela. Nua, dos peitos pra baixo. Iluminação fraca, pele dourada pela luz morna de um abajur. O fundo desfocado. O suficiente pra sugerir cama bagunçada. Ela abria a buceta com os dedos, tava claramente molhada.
Respondi com um“Uau”automático. Sem emojis. Sem reticências. Nem mesmo um coração.
Levou menos de um minuto.
—Que pouco expressivo, eu. Aconteceu alguma coisa? —escreveu.
Fiquei olhando pra tela por alguns segundos. Pensei em mentir. Em dizer que tava cansado, que tinha tido um dia longo. Mas não tive energia.
—Briguei com alguém — falei —. Tô de mau humor. Não quero descontar em você.
—Eu sei como levantar seu astral — disse ela, com um emoji piscando o olho.
Passaram três, quatro segundos. E chegaram mais fotos.
Várias.
Uma agachada, com as pernas mal entreabertas. Outra deitada de lado, focada de baixo. E mais outra, de costas, com a cabeça virada pra câmera. Todas com aquele estilo que ela tem: iluminação caprichada, olhar sugerido mas nunca direto. Como se não posasse pra mim, mas pra uma versão ideal de mim.
Apoiei o celular no meu peito e fechei os olhos. Não podia dizer que ela não era gostosa. Não podia dizer que não me dava tesão. Mas alguma coisa na minha cabeça continuava travada. Como uma porta que não encaixava direito no batente. Quis agradecer pra ela. Tinha que fazer isso.
—Valeu. Sério.
Foi só isso.
As imagens continuavam ali, brilhando contra o meu peito. Mas o calor que elas traziam não era suficiente pra derreter o nó que eu tinha aqui dentro.
O celular vibrou de novo. Achei que fossem mais fotos, mas não. Era texto.
—Aliás, Cristian… a Katia me falou de você
Senti um formigamento na nuca. Daqueles que não são prazer nem susto, mas que te avisam que vem confusão. Me endireitei no sofá.
—Ah, é? —digitei— E o que ele te disse?
—Você é um cara simpático, divertido… engraçado… tranquilo.
A pausa que eu fiz antes de ler a próxima linha foi digna de final de capítulo. Porque aquelas palavras não eram um elogio: eram um espelho distorcido.Simpático.DivertidoIt looks like your message came through empty—there's no Spanish text to translate. Could you paste the text you'd like translated into Brazilian Portuguese?RelaxadoIsso não era uma descrição, era um teste de Rorschach lido ao contrário. Isso não era eu.
—Nada a ver com o Abel, o irmão da Katia —continuou ela—. Imagino que você também conhece ele. Ele trabalha no mesmo escritório que você, né?
Aí eu fiquei parado. Como se me mexer pudesse disparar um alarme.
Meu coração batia no ritmo de uma máquina de lavar desbalanceada. Não dava pra corrigir. Se eu dissesse "eu sou o Abel", acabava a brincadeirinha. Mas se eu negasse que me conhecia, também ficava estranho. Não é um escritório tão grande assim. A Katia já deve ter contado isso pra ela. Eu tinha que manter a farsa viva. Mesmo que fosse com arame e saliva.
Respirei fundo. Respondi.
—Sim, eu o conheço. Trabalhamos na mesma área.
E mandei.
Três segundos de silêncio, em que não tirei os olhos da tela. Ela reagiu com um emoji de foguinho.Por dentro, eu já estava procurando um jeito de não me cruzar comigo mesmo na copiadora.
—eu… você conhece bem o Abel? —perguntei, tateando o terreno como quem pisa em gelo fino.
Marcela demorou pra responder. Ou pelo menos foi o que pareceu pra mim, que estava suando com o celular na mão como se fosse um polígrafo portátil.
—Não pessoalmente. Mas a Katia me falou bastante dele
Engoli seco.
—E o que ele te disse?
—O típico. Ele é um cara responsável, que trabalha muito… mas também muito estruturado. Parece que vive com um pau no cu, sabe?
Sorri. Sim, já tinha ouvido isso antes, meus colegas de trabalho costumam dizer isso de mim quando acham que não estou ouvindo. Até tive o prazer de dizer isso pra mim mesmo no espelho algumas vezes. A última foi quando minha namorada me deixou.
—E o que você acha, Cristian? Você curte o Abel?
—A verdade… é. Ele é estruturado, sim. Mas também é responsável. Trabalhador. Não enche o saco de ninguém. Nunca falta ao trabalho.
Não sabia o que mais dizer pra ela, não queria ficar parecendo um puxa-saco. Aí veio a facada de volta.
—"Responsável e trabalhador" —escreveu— é o que o povo diz quando não quer admitir que alguém é um chato de galocha. Cara que acorda, faz o que tem que fazer e dorme sem ter vivido porra nenhuma. Ou não é?
Tive que rir. Baixinho. Mesmo que doesse no orgulho.
—Bom, tem um pouco disso —respondi, continuando no personagem—. No escritório é igual. Ela tem horários fixos pra tudo. Se alguém usa a caneca dela sem permissão, ela fica puta. Uma vez ela anotou numa folha quais pessoas usavam errado o grampeador, porque as folhas ficavam mal grampeadas.
Sim, eu entendo que dessa vez eu exagerei um pouco. É que… vocês não têm ideia da quantidade de tempo que se perde quando as folhas, que deveriam estar grampeadas, caem no chão. E eu sabia exatamente quem são os que ainda não sabem usar esse aparelho tão simples. É uma porra de um grampeador, não um reator nuclear.
—¡¿Qué?! —respondeu, com vários emojis chorando de rir—. Você não pode estar falando isso sério.
—Juro pra você. Ele deu o título de "Usuários ineficientes de grampeador". Deixou em cima da mesa de reuniões. Com nomes sublinhados.
Marcela demorou alguns segundos. Depois, outra mensagem:
—HAHAHAHA pobre de você… eu te compadeço por ter que aguentar um cara assim todos os dias.
Suspirei. Não sabia se ficava feliz pela empatia ou preocupada com o quanto ela gostava dessa versão editada de mim. "Cristian", esse ser espontâneo e relaxado que não se irrita com migalhas na mesa nem alinha os potes de tempero em ordem alfabética.
“Cristian”, pelo visto, é mais divertido que eu.
Marcela escreveu:
—Além de toda desarrumada… tem que admitir que a Katia é muito gostosa. Esses quadris não são normais.
Me encostei no encosto da poltrona e sorri. Dessa vez eu não precisava fingir tanto.
—É, gostosa. Ela tem algo... explosivo —eu disse—. Tipo, você não sabe se ela vai te abraçar ou te jogar contra a parede. E as duas opções soam bem.
Marcela respondeu com vários emojis: fogo, diabinha, língua. Depois acrescentou:
—E por que você não come ela?
Senti o pulso na têmpora. Fiquei um segundo com os dedos pairando sobre o teclado. Ele tá pedindo pra eu comer a minha própria irmã… embora, bom, ela não sabe que é minha irmã. A puta mãe. Todo esse joguinho de "Cristian" já tá me quebrando a cabeça.
—Não sei —escrevi—. É colega de trabalho. Meio que não dá, né.
Demorou um pouco mais para responder. Quase como se tivesse feito uma pausa pra rir.
—Não seja cagão, Cristian.
Aperte os dentes. Isso é verdade. Cristian não é cagão. É um cara gente boa que fala na cara. É o que manda mensagens pra Marcela dizendo: “safada, vou encher sua buceta de porra”.
—A Katia tá procurando alguém pra passar o tempo — insistiu —. Mas ela é tímida. Principalmente com os caras. Se você chegar nela, com certeza ela vai dizer sim.
Fiquei olhando pro celular. Marcela tinha esse jeito de falar que te fazia pensar que tudo era fácil. Que as pessoas não eram pessoas, mas portas abertas. Sem história. Sem consequências.
Mas a Katia não era isso.
Não respondi. Só deixei o celular de lado, sem bloquear, com a tela acesa. Como se o brilho branco pudesse me distrair do calor que eu sentia subindo pelo pescoço.
Milagrosamente, Katia apareceu vestida. O milagre não é ela aparecer, porque não é a Virgem Maria. Ver ela vestida já até fica estranho pra mim. Tava com uma camiseta larga, que marcava um pouco os mamilos, e um short que marcava um generoso "cameltoe", algo que ela parecia ignorar. Se jogou no sofá, bem do meu lado.
—Tá conversando com a Marcela?
—Sim —respondi, sem muita vontade de disfarçar.
Sem pedir licença, ela tirou o celular da minha mão. Os dedos dela eram ágeis e o descaramento, total. Começou a deslizar com o polegar pra cima, lendo a conversa inteira.
—Fotos lindas —disse, quase como se estivesse comentando uma receita de cozinha—. Buceta linda, né? —Uma pergunta que não esperava resposta. Depois franziu um pouco a testa, até que abriu bem os olhos e olhou pra mim.
—Opa… então eu tômuito boaIt looks like you sent just a question mark — there's no Spanish text for me to translate.
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Fiquei vermelho como se a lâmpada do teto tivesse mudado pro modo infravermelho.
—Não ia colocar “ela tem uma beleza profunda” —tentei explicar—. Tive que dizer algo crível… pra manter o personagem.
Katia soltou uma risada curta e aguda, tipo uma chicotada simpática.
—Relaxa, relaxa, eu entendo. Mas vou te falar… você foi tímido. Suas respostas ficaram muito mornas. Você devia ter exagerado mais. Sei lá, devia ter dito: "Naquela puta eu quero deixar os peitos banhados de porra". A Marcela ia gostar. Ela adora que falem sacanagem com ela.
Antes que eu pudesse me defender, chegou uma nova mensagem. O celular vibrou entre os dedos dela. Katia leu em voz alta, com aquele tom debochado que ela só usa quando tá prestes a provocar:
“Tenho alguns vídeos pra você, mais que interessantes… mas quero algo em troca. Quero que você convide a Katia pra transar e me mande um vídeo do encontro. Um vídeo em troca de outro. Posso me contentar com algumas fotos, se a Katia não se animar tanto assim; mas… prefiro vídeo. Tá fechado?”
O silêncio foi como uma onda que parou bem antes de quebrar. Ficamos nos olhando. Ela com um meio sorriso torto. Eu com a garganta seca. O celular continuava ali, tremendo mais um pouco, como se esperasse que a gente tomasse uma decisão.
—E agora? — perguntou Katia, levantando só uma sobrancelha.
—Isso está indo longe demais — eu disse, assim que consegui recuperar a voz.
Katia deu de ombros como se tivesse acabado de ler uma previsão do horóscopo que não era o dela.
—A Marcela faz isso com a melhor das intenções. Ela sabe o quanto eu sou tímida com homens. É o jeito dela de me ajudar a... você sabe. Conseguir uma transa.
Passei a mão pelo rosto. O celular continuava quente entre a gente, como se soubesse que o fogo não estava nem perto de apagar.
Eu escrevi:
“Me parece demais envolver a Katia nisso. O jogo é entre nós”
Nem cinco segundos depois, o celular da Katia vibrou. Ela olhou e assentiu com um sorriso safado.
—Marcela? —perguntei.
—Ahã. Ela disse que tá me fazendo o maior gancho com aquele colega de trabalho tão gostoso que eu apresentei pra ela: o Cristian. E quer que eu não me faça de difícil. Tá certa de que eu vou me dar bem, porque “esse cara tem uma pica enorme. Pra engolir inteira”.
Esfreguei a nuca. Nunca tinham se referido ao meu pau com esses termos. Devo admitir que inflou um pouquinho meu ego. Eu estava prestes a responder alguma coisa quando meu celular vibrou de novo.
“Já estou arrumando tudo pro seu encontro com a Katia. Tenho certeza de que ela vai dizer sim. E pra você se motivar…”
O arquivo levou menos de um segundo pra carregar. Katia se inclinou sobre meu ombro e a gente viu a tela ao mesmo tempo.
Não foi preciso que ela dissesse nada.
Foi como se alguém tivesse aberto uma dimensão paralela através do vidro do celular. A luz mudou. O ar mudou. Algoirradiavaa partir dessa imagem, como se não estivéssemos vendo uma simples foto, mas o fragmento de um segredo ancestral, exquisito, hipnótico.
Ali estava aquela mulher tão gostosa, aberta de pernas, nos mostrando sua buceta com total descaramento. E o melhor, o que fez a gente ficar sem ar, era aquele dildo que ela tinha enfiado no cu. Sim, meio dildo penetrando o rabo dela. E não era dos pequenos não, devia ter mais ou menos o tamanho do meu pau.
A gente não disse nada. Mas não conseguia parar de olhar. Era como se alguém tivesse aberto um portal brilhante e silencioso na tela. Algo tão inesperado, tãoperfeitamenteexecutado, que nos deixou sem palavras.
Sabíamos exatamente o que estávamos vendo. Era obsceno, mas bonito. Grosseiro, mas hipnótico. Não parecia uma simples imagem: parecia umaofertaIt looks like you sent an empty message — there's no Spanish text for me to translate.
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Katia se virou para mim.
—Tem que fazer alguma coisa. —Ela estava com os olhos arregalados, uma mistura de cobiça, fascinação e safadeza—. Definitivamente quero esse vídeo. Quero ver como a Marcela enfia esse dildo no cu. Quero ver como a buceta dela fica molhada… quero ver ela bem puta.
Eu fiquei quieto. Não podia negar. Eu também queria ver. Mas… tirar fotos… ou vídeos? Com a Katia? Não era que me desse medo. Bom, sim… dá medo sim. É minha irmã. É lógico que esse tipo de situação não me agrade, mesmo que seja "de brincadeira". Mas o problema maior era outro: esse tipo de decisão não se desfaz. E a gente já tinha cruzado linhas demais.
* * *
Passaram-se dois dias. Dois dias em que Katia transformou seu objetivo em uma missão de alto nível: me convencer a fazeressas fotosIt looks like you sent an empty message — there's no Spanish text to translate.
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Não era por mim, ele dizia. Era poro vídeoIt looks like you sent an empty message — there's no Spanish text for me to translate.
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Ovídeo, com maiúscula. Aquele do qual a gente não falava diretamente, mas que pairava no ar como um perfume caro demais. Ela queria. Precisava. E eu… bom, não era tão fácil assim dizer não. Mas também não me saía dizer sim.
A primeira tentativa foi uma emboscada.
Eu estava no chuveiro, com os olhos fechados e a água caindo na minha nuca, quando ouvi a porta do banheiro se abrir.
—Não se assusta —disse Katia.
Quando abri os olhos, ele já estava dentro. Completamente nua. O celular no alto, como se fosse uma turista prestes a fotografar uma paisagem exótica.
—Só uma foto. Rápido. Nem vai dar pra notar.
Dez minutos depois, Katia estava na mesa da sala de jantar, apontando o secador de cabelo para o celular como se fosse uma arma de raios. A bateria descansava de lado, enrolada em papel-toalha, como um órgão separado do corpo. Ela continuava pelada e as gotinhas de água já estavam caindo no chão.
—Você devia ter calculado melhor os riscos — eu disse, encostado no batente da porta, com uma xícara de café na mão.
—Pode ser. Umidade não é bom pra eletrônica —murmurou sem olhar pra mim, séria, sem parar de anotar—. E se você não vai ajudar, pelo menos me traz uma toalha. Tô molhada e com frio.
—Molhada em que sentido?
Ela riu, virando só o rosto, com um brilho nos olhos.
—Será que Abel e Cristian estão se pegando?
—Hmm… já tô trazendo a toalha.
A segunda tentativa foi ainda mais ousada.
Era tarde. Muito tarde. Eu estava na minha cama, no escuro, sem roupa, com o celular numa mão e... bom, usando a outra. As fotos da Marcela continuavam ali, como uma provocação persistente. E meu pau tinha levantado em homenagem a elas. O silêncio do apartamento só era quebrado pelo som leve do ventilador e pela minha própria respiração, cada vez mais descompassada.
Então eu ouvi a porta do quarto se abrir.
—Não para —sussurrou Katia, já dentro—. Só vim te ajudar.
Não tive tempo de me cobrir. Ela já tinha entrado na cama. Também nua.
Antes que eu pudesse dizer uma palavra, ela se ajeitou com o rosto colado no meu pau e pegou o celular. Apontou pra baixo, sorriu com todos os dentes e apertou o botão.
Clique.
—Pronto —disse ela, satisfeita —. Acho que dessa vez eu mandei bem. Foi espontâneo, real. Arte pura.
No dia seguinte, enquanto secava o cabelo no banheiro, soltou a notícia:
—Temos um pequeno inconveniente técnico.
—O que aconteceu?
—Esqueci de ligar o flash. Na foto não dá pra ver nada. Literalmente. É uma sombra preta com um par de dentes flutuando no ar.
Fiquei em silêncio por um segundo.
—E se você editar um pouco? Aumentar o brilho?
—Já tentei. A única coisa que consegui foi parecer um fantasma em cima de uma mancha. Então é: segunda tentativa fracassada.
Ela se enrolou na toalha e saiu, andando como se nada tivesse acontecido. Mas antes de chegar na cozinha, ela se virou.
—Parece que você tá empolgado com a ideia de a foto dar certo
—Bom —falei, encostado no batente da porta—. Levando em conta que não tive nem tempo de pensar, e que a foto já tinha sido tirada... não teria sido tão ruim se tivesse funcionado.
Katia levantou uma sobrancelha, sorrindo.
—Nossa, Abel. Que atitude tão cristã a sua.
—Muito engraçadinha.
—Só digo que… seassimvocê reage sem saber que tem câmera, fico curioso pra saber como você reagiria com o tripé armado.
—Me recuso a discutir isso com alguém que parece uma toalha com pernas.
Ela me jogou uma pantufa sem parar de rir, e sumiu pelo corredor.
Eu fiquei ali, pensando se essa guerra absurda de fotos ia acabar algum dia… ou se, aos poucos, a gente já estava ganhando ela, os dois.
* * *
No dia seguinte, no escritório, eu estava concentrado numa planilha, alinhando células como um monge em meditação, quando Katia apareceu atrás de mim e sussurrou:
—Preciso de ajuda com um probleminha.
Essas palavras, na voz dela, eram a antesala do apocalipse. Umprobleminhapodia ser desde ter misturado dois tipos de macarrão no mesmo pacote até incendiado acidentalmente a sala de reunião com um incenso de palo santo e chia.
Eu a segui com resignação. Ela caminhava na minha frente com um passo tranquilo, quase coreografado, como se não estivesse levando a cabo uma missão de sabotagem. Chegamos ao banheiro do escritório. Era unissex, com cabines completamente fechadas, o que te dava a falsa ilusão de privacidade.
Não tinha ninguém. Só o zumbido distante do ar-condicionado.
—O que foi? —perguntei.
— Entra — disse ela, apontando com a cabeça para um dos cubíbooties.
Relutei. Avancei.
Ao entrar, eu o vi.
Um coração pintado com batom vermelho na parede de cerâmica branca. Dentro, com letra de cartão-postal, dizia:Katia e Cristian. Fiquei um segundo olhando aquilo, incrédulo.
—Meu Deus —murmurei, já tirando umas toalhas de papel do dispenser—. Que tipo de joguinho é esse, Katia? Aqui não tem nenhum Cristian e a única Katia é você. Quanto você acha que eles vão demorar pra perceber quem pintou isso?
Entrei no cubículo, suspirando com resignação, e comecei a esfregar com força. O batom resistia. Como tudo na vida quando se trata da Katia.
Foi então que eu ouvi ocliqueda tranca. Me virei.
Katia estava lá dentro. Com um sorriso que misturava cumplicidade e ameaça.
—Muito bem — disse ele —. Você está sequestrado. Não vamos sair daqui até termos algo decente pra mandar pra Marcela.
Fiquei paralisado, como um cervo iluminado pelos faróis de um caminhão vindo na minha direção. Um caminhão com dois grandes reboques.
—Tá louca?
—Um pouco. Mas também sou persistente. Você sabe. Me conhece como se eu fosse sua irmã.
Ela se encostou na porta como se estivesse no próprio camarim. Eu estava com as toalhas de papel na mão, o coração meio apagado, e nenhuma rota de fuga digna.
—Vamos, Abel. Você viu as mesmas fotos que eu. Marcela com um puta dum dildo na bunda. Vai me dizer que você não se acabaria de punhetar com um vídeo dela tomando no cu com um dildo?
—Talvez… —eu disse, sem olhar pra ela—. Mas a verdade é que eu não conheço tanto a Marcela. Ela me intriga, claro, mas não é a mesma coisa. Acho que pra você dá mais tesão porque você conhece ela… e porque, admite, ficaram coisas pendentes entre vocês.
—O quê? Não, nada a ver —ela corou na hora, como se a lembrança tivesse lhe dado um tapa na cara—. Só rolou… uns amassos. Não eraisso.
—Ah, é? —levantei uma sobrancelha—. E eu sou o gerente deste escritório.
—Tô falando sério, Abel. Foi uma dessas coisas que acontecem. Uma noite. A gente tava meio passada do vinho. Você sabe como é.
—Sim, claro —falei, me apoiando na parede oposta, de braços cruzados—. Duas amigas que se pegam um pouquinho com vinho e travesseiros perfumados. Coisa de meninas.
—Não foi com travesseiros! —ela me olhou, indignada, mas deixou escapar um sorriso—. Por que você sempre tira sarro?
—Porque você adora negar o óbvio. Você fica toda vermelha quando eu falo da Marcela, mas depois se oferece como atriz coadjuvante numa foto pornô comigo… só pra ganhar um vídeo dela.
Katia bufou. Virou de costas e apoiou a testa na porta.
—Não é por ela. É porque o que ela faz é bom. Ela tem… sei lá, um talento. Dá pra ver que ela curte. Fico curioso, só isso.
—Ahã.
—Juro que não é porque eu gosto! —insistiu, sem se virar—. Além disso, não ficou nada pendente entre a gente.
—Não, claro. Só se pegaram um pouco, riram, e depois foram dormir como se nada tivesse acontecido.
—Exato!
—Não te acredito. Mas também não vou insistir nisso… se você parar de insistir com… Ei! O que você tá fazendo?
Katia me empurrou, caí sentado na tampa do vaso sanitário. Sem me dar tempo pra nada, ela se ajoelhou na minha frente e abriu meu zíper. Pegou meu pau, como se não houvesse nenhum vínculo familiar entre a gente, e tirou pra fora. Estava mole, parecia confusa a coitada, como se estivesse se perguntando por que alguém quer acordá-la tão cedo.
Sem dizer nada, Katia abriu a camisa, não estava de sutiã. Seus peitos ficaram à vista, como dois grandes balões.
—Katia…
—Shhh… não fala —ela disse enquanto me entregava o celular dela—. A não ser que você queira que sua voz saia no vídeo. Do momento em que eu começar, até eu terminar… não diga nada. Só filma. Tô nervosa, é a primeira vez que faço isso, então não me interrompe. Tá claro?
—Para… isso é uma loucura…
Fez o gesto de "Shhh" com os dedos e apertou o botãozinho de "gravar" na tela do celular. Depois sorriu, como se estivesse apresentando um programa de culinária.
Posicionei meu pau entre os peitos dela, e ela apertou eles em volta. Isso me tranquilizou. Por um momento achei que ela ia fazer algo mais pesado. E mesmo que isso da sua irmã te fazer uma punheta com os peitos não seja a coisa mais normal do mundo, podia servir pra convencer a Marcela de que aconteceu algo mais.
Surpreendentemente, meu pau ficou duro muito rápido. As tetas da Katia, além de macias, são quentinhas… e pelo tamanho delas, seguram meu membro perfeitamente. Ela fez a pressão certa. Mantive o celular apontado pra cara dela, tentando fazer tudo parecer perfeito. Aí percebi que perfeição demais era algo que o Abel faria, e não o Cristian. Por isso comecei a mexer um pouco a mão, criando uma bagunça de propósito.
Katia sorriu para a câmera, mas desta vez fez isso com uma cumplicidade pecaminosa com Marcela. E aí aconteceu o que eu achava que não ia acontecer. Ela colocou a glande na boca. Começou a lamber como se fosse um pirulito. Desta vez o celular tremeu na minha mão sem que eu precisasse fingir. Fiquei quase pedindo para ela parar, mas não queria que minha voz aparecesse no vídeo.
Minha irmã parecia muito concentrada no que fazia. Engolia devagar, e aos poucos ia entrando mais na boca dela. Não consegui detê-la.
Sim, eu sei… podia ter pausado o vídeo e pronto. Era simples. Só precisava apertar o botão vermelho da tela. Se não fiz, foi porque notei que a Katia não parecia se incomodar em ter que fazer isso. Estava decidida. Se eu a impedisse, só teríamos uma discussão de cinco minutos e ela ia insistir em continuar de qualquer jeito. Então… simplesmente deixei ela fazer.
Ela continuou chupando, lambendo e engolindo. Fazia isso com o mesmo profissionalismo com que chupava a buceta da Stella. Como se fosse parte do seu trabalho. A mim, o pau latejava cada vez mais, porque… tem que admitir, Katia tem um talento natural pra isso. Não é à toa que Stella não hesitou em contratá-la. Sabe como usar a língua. Me surpreende que esteja chupando tão bem, sendo essa a sua primeira experiência com um pau de verdade. Será que praticou com o dildo? Provavelmente sim.
Porque não se engole um pau ereto até o fundo da garganta sem ter praticado antes. Eu podia sentir como ela lutava pra enfiar mais pra dentro da boca, a saliva estava enchendo todo o meu pau. Já era uma bagunça total. Parecia um vídeo pornô profissional. Ela mexia a cabeça que nem uma louca e eu tinha que resistir ao impulso de me mexer. Não queria que isso ficasse ainda mais explícito.
Comecei a fazer sinais pra Katia com a mão livre, por trás do celular, pra ela não aparecer na câmera. Pedi pra ela parar. Quis explicar que com isso já tínhamos material mais que suficiente. Não precisava continuar, lembra que somos irmãos, porra…
Mas é a Katia. E com a Katia, o normal é muito estranho. Ela não só continuou chupando, como começou a fazer com mais intensidade. Mais atriz pornô profissional. Engoliu e deixou a saliva escorrer, como acontece naqueles vídeos da internet que eu nunca assisto… bom, às vezes sim. Mas eu faço na minha casa, não no trabalho, como certa loira que eu conheço.
E lá estava eu, filmando o vídeo mais explicitamente pornô da minha vida… com a minha própria irmã. Katia, que não conhece limites, continuou chupando sem parar até que aconteceu o inevitável.
O esperma jorrou com tanta força que ela teve que tirar o pau da boca, pra não engasgar. Cada jato caiu na cara dela ou nos peitos. Mas dessa vez não foi como da outra vez, ela não ficou parada enquanto a chuva de porra banhava ela. Voltou a chupar, deixando entrar na boca o máximo de esperma que conseguia. Depois abriu a boca, pra mostrar pra câmera, e engoliu…
Ela sorriu como se tivesse ganhado um torneio de engolir porra.
—Katia! Cadê você? —A voz de Stella me deixou paralisado—. Faz meia hora que estou te procurando. Me disseram que você entrou no banheiro… você está bem?
Pausei o vídeo e olhei para a minha irmã pensando em que desculpa a gente poderia inventar. Meu cérebro trabalhava a toda velocidade. Será que eu poderia dizer que estava ajudando ela com a roupa? Ou que a Katia estava chorando porque brigamos com a nossa mãe?
Não precisei de nenhuma dessas desculpas, porque a maluca da minha irmã simplesmente abriu a porta do box.
Stella ficou paralisada, olhando a cena parada bem na nossa frente. Meu pau ereto, transbordando de porra e vigor masculino. Os peitos e a cara da Katia cobertos com muita porra.
—Não pensa nada estranho — disse Katia, como se o que estava acontecendo não fosse estranho por si só —. Só estou ajudando o Abel com uma gatinha que ele curte… quero que ele aprenda a se soltar um pouco.
—E foi por isso que você deixou encher a cara de porra?
Aí eu me dei conta de que Stella não viu todo o processo. Não viu a Katia engolindo meu pau. Pra ela foi só uma gozada na cara, e prefiro que fique assim.
—Katia topou me ajudar… eu disse que não, que já encontraria outra pra gravar o vídeo; mas…
—Encurralei —disse Katia, com um sorriso enorme. Pelo menos ela entendeu isso, que eu queria encontrar um jeito de não ficar como um degenerado que pede pra irmã deixar gozar na cara dela.
—Você é completamente louca, gata —disse Stella, com um sorriso enorme—. E eu amo isso. Foi por isso que te contratei. Pelas suas loucuras lindas… eu lembro dos vídeos do pendrive… e das fotos… uf, eu fico louca.
Stella se aproximou de Katia e, por instinto, apertei o botão de "gravar". Sua chefe a beijou na boca. Começou a limpar todo o esperma da cara dela, com a língua. E, claro, também se dedicou a dar umas boas chupadas nas tetas. Até apagar delas qualquer vestígio de esperma.
Então, como se estivesse possuída por um impulso demoníaco, ela se aproximou de mim e perguntou:
—Tá gravando? — Ela disse com um sorriso safado, entendia que ela queria.
Não falei nada, mas assenti com a cabeça. Isso foi o suficiente.
Stella se ajoelhou e, sem mais palavras, deu uma boa lambida em toda a glande. Eu não podia acreditar que agora teria um vídeo dessa loira gostosa lambendo porra diretamente do meu p
1 comentários - Usei a buceta da minha irmã!