A porta da casa dos Hale se abriu sem que ninguém batesse. Eram três. O mais alto entrou primeiro. Quase dois metros, ombros largos, pele escura brilhando sob a luz amarelada do corredor. Usava o uniforme cinza do Corpo de Reparação: calça cargo, botas pesadas e uma jaqueta aberta que deixava o peito à mostra. Na mão direita segurava um dispositivo preto do tamanho de um celular. Atrás dele vinham os outros dois. Um mais jovem, sorriso fácil. O terceiro, mais baixo e robusto, com uma cicatriz que lhe cruzava a sobrancelha. Ethan estava de pé no centro da sala, entre a mãe e o irmão menor. Vestia a camiseta branca de sempre e a calça de moletom que usava para dormir. As mãos tremiam. A mãe de Ethan deu um passo à frente. —Por favor… ele acabou de fazer aniversário… ainda é— O homem alto nem olhou para ela. Ativou o dispositivo. Um bipe curto. —Número de registro familiar: Hale-447. Tributo masculino confirmado. Idade: dezenove anos e três meses. Sem mulheres disponíveis no lar. Prosseguimos. O irmão menor cobriu a boca com as mãos. A mãe começou a chorar em silêncio. O homem alto se aproximou de Ethan até ficar a menos de um metro. Olhou-o de cima a baixo com uma calma quase entediada. Depois baixou os olhos para a virilha do garoto. —Tira a roupa. Ethan não se moveu. O segundo homem, o do sorriso, soltou uma risada baixa. —Vamos, não nos faça perder tempo. Ou você faz sozinho ou a gente faz. E se a gente fizer, dói mais. Ethan tirou a camiseta com dedos desajeitados. Depois a calça. Ficou de cueca cinza. O homem alto apontou com o queixo. —Tudo. Quando a cueca caiu no chão, o silêncio ficou denso. Ethan não era pequeno para a idade dele. Mas ao lado do que estava por vir, parecia ridículo. O homem da cicatriz soltou um assobio. —Olha isso. Parece um dedo mindinho. Com isso você achava que ia satisfazer alguém algum dia, moleque? Ethan cerrou os dentes. As orelhas ficaram vermelhas. O homem alto se agachou um Segundo, ele pegou o pau mole do Ethan entre o polegar e o indicador e o levantou como se estivesse examinando uma peça defeituosa. —SPH de manual —disse em voz alta, para que toda a família ouvisse—. Pau de menino branco. Inútil. É por isso que estamos aqui. Para consertar o que a natureza não lhes deu. Soltou-o com um gesto de desprezo. Ethan deu um sobressalto. —Vira de costas. Mãos no encosto do sofá. Pernas abertas. Ethan obedeceu. A mãe soluçava mais alto. O irmão mais novo tinha se escondido parcialmente atrás dela, mas não tirava os olhos. O homem alto tirou um tubinho de lubrificante do bolso do casaco. Nem se deu ao trabalho de aquecer. Aplicou uma quantidade generosa entre as nádegas do Ethan e enfiou dois dedos de uma vez. Ethan gritou. Foi um som agudo, surpreso, que se quebrou no meio. —Relaxa —ordenou o homem—. Quanto mais você resistir, mais vai se rasgar. E não queremos que o tributo fique inútil na primeira noite. Os dedos se moveram com precisão mecânica. Entravam e saíam, abrindo. Quando tirou a mão, Ethan tremia da cabeça aos pés. O homem alto desabotoou as calças. O que saiu de lá fez a mãe do Ethan soltar um gemido de puro horror. Era grosso, escuro, com veias marcadas e uma cabeça larga que já brilhava. Ethan o viu pelo canto do olho e sua respiração acelerou até virar hiperventilação. —Por favor… não… não cabe… —Claro que cabe —respondeu o homem com calma absoluta—. Só precisa empurrar. Posicionou-se atrás dele. Apoiou a cabeça do pau contra o buraco ainda semicerrado. Uma mão segurou sua cintura. A outra afastou uma nádega. Empurrou. Ethan gritou de verdade dessa vez. Um berro longo, dilacerado, que fez o irmão mais novo tapar os ouvidos. A mãe caiu de joelhos. O homem não parou. Continuou empurrando centímetro por centímetro, com uma paciência brutal, até que os quadris bateram contra o cu do Ethan. Ficou enfiado até a base, respirando fundo. —Aí está… todo dentro. Você já é um tributo de verdade. Começou a se mover. As estocadas foram lentas no início, profundas, tirando quase tudo pra voltar a entrar de uma vez só. Cada estocada arrancava um som diferente do Ethan: gemidos, soluços, súplicas entrecortadas. O sofá rangia. Carne batia em carne com um som molhado e obsceno. O segundo homem tinha se aproximado da frente. Tirou o pau —quase tão horrível quanto o do primeiro— e colocou na cara do Ethan. —Abre a boca. Se morder, eu quebro seus dentes. Ethan abriu. O pau encheu a boca dele de imediato, empurrando até a garganta. Ele engasgou. Lágrimas escorriam pela cara dele enquanto o fodia pelos dois lados. O terceiro tinha ficado só olhando, se masturbando com calma, curtindo o espetáculo. Da janela entreaberta do corredor, Claire via tudo. Estava de pé no escuro da própria casa, espiando de leve, sem se atrever a respirar. Via como o corpo do Ethan se sacudia entre os dois homens. Via a expressão de dor pura na cara dele quando o de trás acelerava. Via como a saliva e as lágrimas caíam do queixo dele enquanto usavam a boca dele. O manifesto continuava tocando ao fundo nas duas casas, como uma canção de ninar distorcida: «…ensinando que são muito grandes, de fato maiores que qualquer pessoa, mas sem sentir vergonha…» O homem de trás grunhiu. As estocadas ficaram irregulares, mais profundas. Enterrou até o fundo e ficou parado, gozando dentro do Ethan com um gemido grave. Quando se retirou, um fio grosso de porra branca escorreu pela parte interna da coxa do garoto. Não deram tempo pra ele se recuperar. O segundo homem o virou, empurrou de costas no sofá e levantou as pernas dele. Entrou de uma vez só no buraco já aberto e cheio. Ethan soltou um gemido rouco, quase sem voz. Foderam ele assim por mais dez minutos. Quando o segundo terminou, também gozou dentro. O terceiro foi o último. Colocou ele de joelhos no chão, segurou o cabelo dele e acompanhou sua boca até gozar na língua dele. Ethan engoliu porque não lhe deixou outra opção. Quando terminaram, Ethan estava encolhido no chão da sala, tremendo, com o sêmen escorrendo do cu e do canto dos lábios. A coleira preta já estava fechada ao redor do seu pescoço. O LED vermelho piscava suavemente. O homem alto abriu as calças, olhou o dispositivo e se aproximou. —Tributo Hale-447 marcado e usado. Registro completo. Virou-se para a mãe, que continuava de joelhos. —Os benefícios deste mês serão creditados em quarenta e oito horas. Comida extra e aumento de vinte por cento na alocação. Parabéns. Depois olhou para o corredor, como se pudesse sentir a presença de Claire do outro lado da parede. —Próximo domicílio: unidade 12-B. Tributo feminino. Dezenove anos. Aniversário recente. Sorriu pela primeira vez em toda a noite. —Vamos. Os três homens saem da casa dos Hale sem olhar para trás. O som de suas botas se aproximava pelo corredor. Claire recuou da janela. O relógio digital marcava 23:47. O tempo tinha acabado.
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