Amor Proibido Pt. 9

Capítulo 9. Pensamentos e prazer.

A luz da segunda-feira entrava de fininho pelas persianas meio abaixadas do quarto principal da casa de Aracely. Não era a luz crua do meio-dia, mas uma luz filtrada, amarelada, pó de ouro suspenso no ar que cheirava a limpo, a sabão de lavanda e a algo mais profundo, mais animal, que ainda grudava nos lençóis de algodão fiado. Humberto abriu os olhos devagar. O cérebro dele trabalhava feito máquina de escrever, disparando lembranças como projéteis de alta velocidade contra a parede da sua realidade imediata.Aconteceu? Ou foi um sonho molhado bom demais pra ser real?

Se apoiou nos cotovelos. O travesseiro sob sua cabeça ainda conservava o afundamento do seu crânio, a depressão da sua própria presença. Virou a cabeça para o outro lado da cama de casal, ampla, de madeira de mogno com cabeceira estofada em veludo cinza. Estava vazia. Os lençóis estavam perfeitamente esticados, sem o caos da noite anterior, sem os nós que os corpos entrelaçados deixam no êxtase. Mas o cheiro... o cheiro era inegável. Um rastro sutil, quase imperceptível para um olfato não treinado, mas para ele era um estandarte tremulando. Cheirava a ela. Ao seu perfume caro, de notas amadeiradas e florais, misturado com o cheiro metálico e salgado da sua própria pele, com esse sabor agridoce que só tem a boca de uma mulher depois de ter provado a intimidade de outra.
Beto passou a mão pelo rosto, sentindo a barba incipiente que arranhava a palma. Estava de calça de pijama, mas a camisa branca com que costumava dormir estava amassada no chão, junto aos seus sapatos. Lembrou do peso da mãe sobre ele. Lembrou da forma como Aracely, sua mãe, a mulher que o viu nascer, tinha olhado para ele. Lembrou do som úmido, rítmico, o estalo suave dos lábios dela contra sua glande, a forma como ela tinha segurado a base com uma mão firme, quente, enquanto sua boca se abria e fechava com uma devoção quase religiosa. Não tinha sido um ato rápido. Tinha sido uma exploração. Uma reafirmação.
Ele se levantou. Suas pernas pareciam pesadas, mas seu sangue fervia nas veias, uma corrente de adrenalina e testosterona que ainda não tinha se dissipado. Andou descalço pelo corredor. O chão de madeira de pinho, envernizado e polido até parecer espelho, transmitia o frio da manhã através das plantas dos pés, um contraste elétrico que o mantinha alerta. As paredes da casa eram de um branco creme, pintadas anos atrás, com rachaduras finas como teias de aranha perto do teto, rachaduras que ele costumava observar quando criança e agora observava como um homem que procura defeitos na perfeição. O ar cheirava a café recém-feito, aquele aroma torrado, amargo, que era a batida do coração da casa.
Desceu as escadas. O som dos seus passos era silencioso, mas podia sentir a vibração da madeira sob seus pés, a estrutura da casa respondendo ao seu peso. Entrou na cozinha.
A cena que se apresentou diante dos seus olhos o deixou imóvel no umbral, com o coração batendo num ritmo irregular contra as costelas.
Aracely estava de costas para ele, em frente à bancada de mármore branco, que brilhava sob as luzes halógenas do teto. Usava um vestido de uma peça só, de tecido macio, cor azul-céu, que mal chegava à metade das coxas. O tecido colava à sua pele úmida, delineando cada curva com uma precisão quase topográfica. E ali, bem onde o tecido terminava e a pele começava, visível pelo movimento dos quadris enquanto mexia algo numa frigideira, estava a calcinha de renda preta.
Não era uma calcinha qualquer. Era de renda fina, com um design de flores minimalistas, quase transparente nas bordas. O preto da renda contrastava violentamente com o tom bronzeado da pele das nádegas dela, criando uma linha de sombra profunda que Humberto sentiu que olhava diretamente nos olhos dele. Podia ver a textura da renda, os pequenos nós do tecido, a forma como a luz do sol incidente se infiltrava pelas frestas da trama, iluminando a pele por baixo. Era uma visão de uma crueza exquisita.

Aracely cantarolava uma canção. Era uma melodia antiga, dos anos cinquenta, uma balada suave que ela costumava cantar quando limpava a casa ou quando lia na poltrona. Sua voz era um fio fino, vibrante, que preenchia a cozinha, misturando-se com o som do que estava cozinhando — ovos mexidos, provavelmente, ou talvez linguiça — e o aroma suave do café na cafeteira elétrica.
O concreto fez barulho. Ele deslizou na direção dela, seus pés descalços deslizando sobre o chão frio sem emitir o menor rangido. Colocou-se atrás dela, a poucos centímetros das costas. Podia sentir o calor que emanava do corpo dela, uma onda térmica palpável que arrepiou a pele do peito e dos braços. Podia senti-la mais forte agora. O perfume se intensificava, misturando-se com o cheiro de óleo quente e ovos.

Ela não se virou. Sabia que ele estava ali. Sempre soubera, mesmo quando ele era pequeno, mesmo quando tinha ido para a faculdade. Tinha aquela intuição maternal, mas também havia algo mais agora. Uma consciência da masculinidade que ele projetava sobre ela, uma gravidade que tinha mudado a dinâmica do quarto.
—Bom dia, mamãe —disse Beto. Sua voz saiu rouca, mais grave do que o normal, carregada de uma intenção que ele não tinha certeza se ela havia captado por completo.
Aracely parou o movimento da colher na frigideira. Não se virou imediatamente. Seus ombros, nus sob o decote do vestido, tensionaram-se levemente, uma micro-reação que Humberto notou na hora. Depois, lentamente, virou a cabeça para o lado, olhando-o pelo canto do olho. Seus olhos, da cor de mel escuro, brilhavam com uma mistura de surpresa e prazer preguiçoso.
—Bom dia, querido —respondeu ela, com um sorriso lento, lento, que curvou seus lábios pintados de um vermelho intenso. Não havia vergonha em seu rosto, apenas uma calma absoluta, a calma de quem sabe que o segredo compartilhado é um laço mais forte que qualquer vínculo de sangue.
Beto, deu um passo à frente, até que o peito dele roçou as costas dela. O tecido do vestido de Aracely era macio, fresco, mas por baixo dele ele podia sentir a firmeza dos músculos dela, o calor do corpo dela. Ela deixou a colher sobre a bancada e apoiou as mãos na superfície fria do mármore, arqueando levemente as costas, oferecendo-lhe a curva da coluna.
—Cheirinho —murmurou ele, apoiando o queixo no ombro dela, inspirando profundamente. O cheiro de cebola frita, de manteiga, se misturava com o aroma inconfundível da buceta dela, ainda residual da noite anterior. Aracely fechou os olhos por um segundo. — Você também cheira a você. A homem. A suor e a... tesão.
Humberto sorriu contra o pescoço dela. Seus lábios roçaram a pele sensível da nuca dela, provocando um arrepio visível que percorreu as costas de Aracely. Lentamente, suas mãos desceram dos ombros dela, deslizando pelo tecido do vestido, sentindo a suavidade do tecido sob seus dedos, até chegarem aos quadris. Agarrou-os com firmeza, os dedos afundando na carne macia mas firme de suas coxas.
—Como você está? —perguntou ele, sem olhá-la, mas se concentrando na sensação dos seus dedos sobre a pele dela, na forma como o corpo dela respondia ao seu toque, tensionando-se levemente sob suas mãos. Aracely se deixou cair levemente para trás, apoiando seu peso nele, permitindo que ele a segurasse. —Bem —sussurrou. Sua voz tremia levemente, uma vibração elétrica que Humberto podia sentir contra seu peito. —Estive pensando sobre ontem. —Sobre o quê? —perguntou ele, enquanto suas mãos começavam a massagear suavemente seus quadris, subindo e descendo com um ritmo lento, hipnótico. —Sobre como você se sentiu —disse Aracely, virando finalmente a cabeça para olhá-lo de frente, embora seus corpos continuassem unidos pelo contato. Seus olhos estavam escurecidos, as pupilas dilatadas. —Porque eu senti seu calor na minha boca. Senti seu pulso na minha garganta. Foi... foi como se eu estivesse te alimentando, Humberto. Não com comida. Com algo mais antigo.
Humberto sentiu um impulso violento de pegá-la, de pressioná-la contra a bancada, de provar de novo essa boca. Mas conteve o impulso, alimentando a tensão. Sabia que a paciência fazia parte do jogo agora.
—E você sentiu? — perguntou ele, direto, sem rodeios. Sua mão esquerda subiu desde o quadril dela, deslizando o tecido do vestido para cima, até a cintura, até que seus dedos encontraram o tecido da renda preta.
Aracely engoliu saliva. —Sinto muito o tempo todo. Quando me mexo. Quando respiro. É como uma marca.
Humberto apertou o rendado entre os dedos, sentindo a textura áspera da linha contra a ponta dos dedos. Puxou levemente para baixo, expondo mais pele, mais curva. Aracely deixou escapar um gemido baixo, quase inaudível, mas que ressoou na pequena cozinha como um trovão.
—Mamãe —disse ele, usando o título como um carinho, como uma posse.
—Filho —respondeu ela, e a diferença na voz dela era abissal. Já não era a mãe que o repreende ou o consola. Era a mulher que o desejava.

Se beijaram. Não foi um beijo suave. Foi um beijo faminto, profundo, com a língua explorando a boca um do outro como se fossem territórios a conquistar. O gosto dela era doce, com um toque salgado, e o som dos lábios se chocando, das línguas se roçando, se misturava ao som da linguiça crepitando na frigideira. Humberto colocou as mãos nos seios dela, apertando-os através do tecido do vestido, sentindo a firmeza das glândulas, o calor do sangue que fluía sob a pele.

Aracely respondeu às carícias empurrando a bunda contra ele, buscando aquela pressão, buscando aquele pau duro que sabia que estava ali, presente, vibrante.
Sentiu. Sentiu claramente entre as nádegas, a cabeça dura do pau pressionando contra sua base, entre os glúteos. Moveu-se levemente, esfregando-se contra ele, criando uma fricção deliciosa, uma promessa do que viria depois.
—O café da manhã —murmurou ela contra a boca dele, se afastando só o suficiente pra falar, embora os olhos dela continuassem fixos nos dele, profundos, escuros.
—O café da manhã pode esperar —respondeu Humberto, mordendo de leve o lóbulo da orelha dela, sentindo ela se arrepiar.
Terminaram de tomar café da manhã em pé, apoiados um no outro, comendo ovos frios direto da frigideira com garfo, seus quadris se tocando de leve a cada gole. Falavam, sim, mas não tanto sobre o café da manhã. Falavam da noite anterior.

—Gostou? —perguntou Aracely enquanto ele limpava um pouco de molho de tomate do canto do lábio dela com o polegar.

—Amei —respondeu ele, sem olhá-la, concentrado no rastro do dedo sobre a pele dela. —Me senti... conectado. Como se tivesse renascido.

—Eu também —sussurrou ela. —Me senti viva. Não como a mãe do Humberto. Como a mulher.

Sentaram-se finalmente à mesa, uma mesa de madeira maciça, desgastada pelos anos, com veios escuros que lembravam rios secos. O café fumegava em suas xícaras de cerâmica branca. A luz do sol entrava mais forte agora, iluminando a poeira que flutuava no ar, criando um efeito de névoa dourada.
Humberto tomava goles de café, mas seus olhos estavam nela. Via como o tecido do vestido se movia a cada respiração dela, como a renda preta da roupa íntima aparecia por baixo, uma bandeira de rendição, uma promessa de obscenidade contida. Era uma contradição linda: a mãe recatada, a esposa devota, e por baixo, a mulher faminta, a renda preta, o cheiro de sexo.
—Você é muito bonito quando se concentra —comentou Aracely, sorrindo enquanto servia mais café na jarra.
—E você é muito perigosa quando veste esse vestido —respondeu ele, levantando uma sobrancelha.
Aracelyse riu, um som claro, puro, que encheu a cozinha. —É só um vestido, Humberto.
—Não pra mim — disse ele, sério de repente. — É um aviso.
Ela se sentou na frente dele. — Um aviso de quê?
— De que você não é mais só minha mãe. Você é uma mulher. E eu sou um homem. E isso muda as regras.
Aracely assentiu lentamente, compreendendo. —Sim. Ele faz.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi denso, carregado de significados não ditos. Cheirava a café, a ovos, a perfume, a sexo. Ouvia-se o tique-taque do relógio de parede no corredor, um som metálico, preciso, marcando o tempo que corria para todos, exceto para os dois.
De repente, o som da porta de entrada se abrindo rompeu a bolha. —Mãe! Beto! —a voz de Ana ecoou na entrada, fresca, vibrante, cheia de energia matinal. —Cheguei! Pedro me deixou aqui porque tem que ir trabalhar cedo.
Humberto e Aracely se olharam. Foi um instante rápido, um cruzar de olhares que continha anos de segredos, de culpas, de prazer. Aracely recuperou sua postura maternal, endireitando as costas, alisando o vestido com uma mão. Humberto se levantou, pegando a jarra de café para se servir mais, escondendo um sorriso.
Ana entrou na cozinha. Era uma mulher jovem, cheia de vida, com o cabelo castanho preso num rabo de cavalo alto que deixava o pescoço à mostra. Estava usando uma calça jeans justa e uma blusa branca de manga curta. Cheirava a perfume floral, diferente do da mãe dela, mais jovem, mais doce. Carregava uma sacola de papel numa das mãos, provavelmente com algo de comer.
—Oi, mamãe — disse Ana, bocejando. — Oi, Humberto. Tá cheirando gostoso aqui dentro. O que você tá cozinhando?
— Só ovos e café — respondeu Aracely com uma voz normal, maternal, perfeita. — Senta aí, filha. Tava justo terminando.
Ela jogou a bolsa na mesa e se sentou. —Valeu. Tô morrendo de fome. Pedro também esqueceu de tomar café da manhã. É uma história longa, mas basicamente, o trânsito na rodovia tava um inferno e ele teve que fazer uma ligação importante.
—Como você tá, Ana? —perguntou Humberto, se servindo de mais café. A voz dele era tranquila, normal. Mas por baixo da superfície, os nervos dele estavam à flor da pele. Cada vez que ela se sentava, cada vez que se mexia, ele podia sentir a energia da mãe dela no ar, uma tensão invisível que conectava os três.
—Bem, bem. Estressada, mas bem. E você? Pronto pra escola?
—Já estou pronto — respondeu ele. — Provas finais chegando.
— Claro, sempre estudando — disse Ana, se servindo de ovos. — Você sempre foi o brilhante. Eu sou a que casou jovem e tem que sustentar o Pedro.
Aracely serviu Ana e depois a si mesma. — Não fala isso, filha. Você tem um bom trabalho. E o Pedro te ama muito.
— Sim, claro — disse Ana, mordendo um pedaço de pão torrado. Olhou pra mãe com um sorriso. — Como você tá, mãe? Você tá... fresca hoje.
Aracely sorriu, mexendo no cabelo. —Só dormi bem.
—Isso é bom —disse Ana, sem dar mais importância.
O som da colher contra a xícara de cerâmica era metálico, seco. O cheiro de pão torrado se misturava com o aroma residual do sexo matinal. Era uma cena doméstica, normal, comum. E, no entanto, para Humberto, era a cena mais erótica do mundo.
—Beto —disse Ana, interrompendo sua observação. —Você tá bem? Tá muito quieto.
Humberto piscou, recuperando a consciência. —O quê? Não, tô bem. Só... pensando.
Aracely olhou pra ele. Seus olhos eram profundos, tranquilos. —Deixa eu ajudar, filho. Eu já li alguns contratos. Posso te dar minha opinião.
—Valeu, mãe —disse Humberto, sentindo uma onda de gratificação pura.
As risadas das duas mulheres encheram a cozinha. Humberto as observava, sentindo uma mistura de amor e posse. Eram dele. Sua mãe, sua irmã. Mas ele era o homem da casa agora. O que tinha pegado o que era seu.
—Ei, mãe —disse Ana, de repente, com um tom mais sério. —Certeza que você tá bem? Ultimamente você parece... diferente. Mais... relaxada.
Aracely deu de ombros, mas seus olhos se cravaram em Humberto. —Só tô curtindo a vida, filha. É importante.
—Claro —disse Ana, sem se convencer de todo, mas deixando o assunto de lado. —Ei, Humberto, quer vir ver a casa da praia nesse fim de semana? Pedro e eu queremos ver se precisa fazer reparos antes da alta temporada.
—Vou pensar —respondeu Humberto. —Vai ser ótimo.
O café da manhã continuou. Falaram de coisas triviais. Do clima, dos amigos em comum, de um programa de TV que a Ana gostava. Mas por baixo da superfície, a água fervia. Humberto podia sentir o olhar da mãe sobre ele quando ela achava que ele não estava olhando. Podia sentir a tensão no corpo dela, o jeito que ela se movia, o jeito que o vestido se ajustava aos quadris dela.
Quando terminaram, Ana se levantou para ajudar a limpar a mesa. Humberto ficou sentado, observando. Aracely se aproximou dele, como se fosse pegar algo, e se inclinou. O vestido subiu um pouco, expondo mais da calcinha preta. O cheiro do corpo dela se intensificou, um aroma de umidade, de calor, de mulher. Ana foi embora.
Aracely estava lá, de costas, lavando a louça. A água corria pelas mãos dela, brilhante. O vestido azul-céu colava no corpo, molhando-se levemente com a umidade. E por baixo, a renda preta. Era uma visão perfeita. Uma obra de arte.
Ele sorriu para si mesmo. O jogo tinha começado. E ele estava pronto para jogar.
O som dos corpos se chocando era suave, molhado. O cheiro de sexo se intensificou, misturando-se com o cheiro de suor, de perfume, de vida.
—Filho—sussurrou ela, arqueando as costas.
—Mamãe—respondeu ele, se movendo dentro dela.
E assim continuaram, num loop de prazer e dor, de amor e posse, de mãe e filho, de homem e mulher. Até que o cansaço os venceu, e ficaram abraçados, respirando no mesmo ritmo, unidos por um segredo que agora era deles, e de mais ninguém.

1 comentários - Amor Proibido Pt. 9