Férias com minha mulher no Brasil: como tudo começou (Part

Quarta noite em Búzios. Depois do que María disse na praia, Rafael ficou convidado pra jantar. Isso é o que aconteceu depois do jantar, contado como eu vivi. Se você chegou aqui sem ler as partes anteriores, os links estão no final. Jantamos os três. Foi estranho como foi fácil: Rafael era bom de conversa, não se apressava, e tinha a delicadeza de falar com a gente, nunca só com ela. Mas quando olhava pra ela, olhava mesmo. María tinha começado o jantar sentada toda certinha, e na sobremesa já estava inclinada pra ele, brincando com o pé da taça, rindo com a cabeça pra trás. Num momento Rafael foi ao banheiro e ficamos sozinhos. —Me diz o que você tá pensando —ela pediu, séria de repente. —Que se você quiser convidar ele pra subir, eu quero que você convide. Ela respirou fundo. Tava com as bochechas que nem na noite do baile. —E você? Você vai ficar onde? —Onde você quiser. —Perto —disse na hora—. Te quero perto. Quero te ver enquanto rola. Quando Rafael voltou, María não enrolou. Disse que a gente tinha uma garrafa de vinho no quarto e um terraço com vista pro mar, e que a gente gostaria que ele subisse. Ele olhou pra mim. Assenti, igual à outra noite, só que dessa vez os dois sabíamos que não era por causa de uma música. No elevador ninguém falou nada. María ia no meio, com a mão na minha, e eu conseguia sentir o pulso dela no pulso. Entre o segundo e o terceiro andar ela apertou meus dedos e virou de leve a cabeça pra mim, sem olhar pro Rafael. —Não sei se consigo —disse, tão baixo que foi quase só ar. —Montevidéu tá aí se você quiser —respondi igualmente baixo—. Você decide até onde. Ela assentiu uma vez só e não soltou minha mão até as portas abrirem. Servi o vinho no terraço. O ar refrescava, mas nenhum de nós queria entrar. Rafael se apoiou na mureta olhando o mar e eu sentei na poltrona de vime, a uns dois metros, com a taça na mão. Não era a cadeira que eu tinha contado pra ela, mas era o mais parecido que a gente ia ter. María deixou a colocou na mesa e se aproximou de Rafael. Apoiou a mão no peito dele, ficou na ponta dos pés e parou a um centímetro da boca dele. Ficou ali, respirando, e vi que a mão dela tremia sobre a camisa. Ele não se mexeu; deixou ela decidir. Ela respirou fundo e só depois fechou a distância. Ele a agarrou firme pela cintura e colou-a ao corpo dele.

Vê-los me deu um choque no estômago, uma vertigem muito mais forte que a da pista, uma mistura de posse e excitação pura. No meio do beijo, María abriu os olhos e me procurou por cima do ombro dele. Foi o mesmo gesto da dança: os olhos dela fixos nos meus, me mostrando como se entregava. Sustentei o olhar e, ao ver que eu ficava ali curtindo, ela fechou os olhos e se soltou.

Ela abaixou as alças do vestido, revelando os seios na frente dele. Ele inclinou a cabeça para chupar os mamilos enquanto ela gemia com a cabeça jogada para trás. María agarrou a nuca dele e o empurrou suavemente para dentro do quarto, guiando-o.

Segui os dois e fiquei de pé a um metro da beira da cama. María se deitou de costas e tirou a calcinha. Fez um gesto com a mão para Rafael para que se metesse entre as pernas dela. Ele se ajeitou, segurando os pulsos dela contra o colchão na altura do quadril, e começou a falar em português entre dentes, com a voz baixa e grave. Baixou a cabeça, abriu-a de par em par e começou a chupá-la devagar, usando os dedos com ritmo constante. María se arqueava na cama, cravando o olhar em mim enquanto gozava na boca dele.

Ainda respirando ofegante, ela girou sobre o colchão e ficou de quatro. Olhou para Rafael por cima do ombro e depois olhou para mim. Ele ajeitou a camisinha e a penetrou de uma só vez.

Ver minha mulher gemendo enquanto era fodida do meu lado me queimava por dentro, mas era um prazer insuportável. Ela levantou uma mão na minha direção. Me aproximei da cabeceira, segurei o rosto dela e a beijei na boca enquanto sentia o ritmo cego e pesado com que ele a fodia por trás.

Ficaram assim mais de uma hora, girando na cama, trocando de posição entre gemidos e roçadas, até que ele acabou abafando um grito contra as costas dela.

Um tempo depois, Rafael se vestiu em silêncio. María se sentou na beira da cama, enrolada no lençol, descabelada. Coloquei a calça e o acompanhei até a porta.

—Valeu —disse ele no corredor, ajeitando a camisa.
—A gente se vê por aí —respondi, apertando sua mão.

Fechei com a tranca. Ninguém tinha dito "Montevidéu".

O quarto ficou num silêncio novo. María me olhou da beira da cama, com os olhos brilhando, como quem espera um veredicto.

—Nunca pensei que ia fazer isso de verdade —disse ela. Não soava como arrependimento. Soava como espanto.

Sentei ao lado e tirei o cabelo do rosto dela.

—Você tá bem? —perguntamos os dois ao mesmo tempo, e rimos, e com o riso se soltou tudo o que ainda faltava soltar.

—Tô bem —disse ela—. Tô mais que bem. E você? Me fala a verdade.
—Nunca te amei tanto quanto há um tempo atrás.

Os olhos dela se encheram de lágrimas, das boas, e ela me beijou com uma urgência que eu não conhecia nela.

O beijo tinha gosto de vinho, de sal e do rastro doce que Rafael tinha deixado na pele dela. Mas acima de tudo tinha gosto de nós, daquele lugar fechado e imbatível que a gente tinha protegido apesar de ter aberto a porta.

Caímos de lado sobre o colchão revirado. María se colou ao meu peito, escondendo o rosto no meu pescoço, apoiando uma perna por cima da minha como se precisasse comprovar que a cama continuava sendo nossa. A envolvi com força, sentindo a batida do coração dela ainda acelerado contra minha costela.

—Num momento me deu medo —murmurou contra minha pele, com a voz fininha, quase num sussurro—. Não medo dele. Medo de olhar pro lado da cama e você não estar. De ter cruzado uma linha e você ter ido embora.

Acariciei as costas nuas dela, devagar, sentindo cada vértebra sob meus dedos. —Estava ali, María. Não ia a lugar nenhum. Ela se ajeitou só o suficiente para me olhar de perto. A luz da varanda batia de perfil e destacava as maçãs do rosto vermelhas e os lábios inchados. —Quando ele agarrou meus pulsos contra o colchão... como você naquela noite, lembra? Mas não era você, e foi isso que me partiu ao meio —disse, colando a boca na minha orelha—. Falava em português entre dentes e me apertava firme. Mas a única coisa que me fazia queimar por dentro era saber que seus olhos estavam fixos em mim. Quando você se aproximou para beijar minha boca enquanto ele me comia por trás, senti que me quebrava em mil pedaços. Nunca na minha vida gozei assim. Senti o sangue ferver de novo nas têmporas. Me inclinei sobre ela e falei no ouvido, devolvendo cada detalhe. —Te ver aberta pra ele, María... te ver tremer enquanto ele te chupava e ver como você procurava ele com o corpo mas me procurava com os olhos... me deixou completamente louco. Me ver refletido nos seus olhos enquanto outro te comia era o prazer mais intenso que vivi na minha vida. Você não tem ideia do quão gostosa e poderosa você estava. Ela soltou um longo suspiro, entrecortado, e me apertou contra o corpo com os braços e as pernas. Nos beijamos de novo, mas dessa vez foi um beijo lento, profundo, carregado de um amor pesado e denso que nos deixou completamente vazios, limpos de toda vertigem. Não fizemos amor; não precisava. Nos ajeitamos de lado, cruzando os dedos das mãos sobre o colchão. A cortina da varanda tremulava suavemente com a brisa da noite, deixando entrar o cheiro de sal do Atlântico e o murmúrio constante das ondas quebrando contra a costa. Já quase dormindo, com a cabeça no meu peito, María falou uma última vez. —Rafael fica até domingo. —Aham. —Nós também. Não respondi. Sorri no escuro, e ela, sem me ver, soube que eu sorria. Nos restavam três noites. --- Até aqui a quarta noite. Faltam três, e uma delas é a que ainda Tô com dificuldade pra escrever. Se você gostou, me deixa pontos e comentários, que é o que faz a série continuar aparecendo e me dá vontade de sentar pra escrever a próxima. E te pergunto: a palavra "Montevidéu" deveria ter aparecido essa noite, ou fizemos bem em não usar? Continuo tentando escrever relatos sob encomenda, com a sua fantasia e os seus personagens. Se te interessar, me manda uma mensagem privada. Parte 1: https://m.poringa.net/posts/relatos/6438969/Vacaciones-con-mi-mujer-en-Brasil-como-empezo-todo-Parte-1.html (link) Parte 2: https://m.poringa.net/posts/relatos/6440313/Vacaciones-con-mi-mujer-en-Brasil-como-empezo-todo-Parte-2.html (link) Parte 4: https://m.poringa.net/posts/relatos/6443885/Vacaciones-con-mi-mujer-en-Brasil-como-empezo-todo-Parte-4.html (link) Parte 5 (final): https://m.poringa.net/posts/relatos/6448146/Vacaciones-con-mi-mujer-en-Brasil-como-empezo-todo-5-Final.html (link)

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