Fotos com a mamãe na roça Capítulo 2

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Os nomes, personagens, lugares, acontecimentos e situações descritos são produto da ficção.Qualquer semelhança ou coincidência com pessoas reais, vivas ou falecidas, ou com acontecimentos reais é mera coincidência e não intencional.
As opiniões, comportamentos e ações dos personagens fazem parte exclusivamente da ficção enão representam necessariamente as opiniões, valores ou experiências da autoraIt looks like you sent an empty message — there's no Spanish text for me to translate.

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CAPÍTULO 2



O barulho destruiu o momento. Uma porta batendo, a da entrada, aquela que sempre emperra e precisa ser empurrada com força pra fechar. Meu corpo congelou na hora, com a calcinha da minha mãe ainda entre os dedos e a ereção dura sob os shorts, visível como uma marca. Soltei tudo de uma vez, como se queimasse, e recuei um passo até bater no espelho do banheiro. O vidro tremeu contra a parede e senti o coração explodir no peito com uma violência que me deixou tonto.


RenataCaralho, esqueci a porra do cartão da aposentadoria!


A voz dela atravessou a casa como uma bala, seca e irritante, seguida dos seus passos apressados pelo corredor. Ela não tinha saído de casa, tinha esquecido algo, algo que a fez voltar. Fiquei paralisado no banheiro, com a porta entreaberta, vendo a sombra dela se aproximando pelo corredor. A calcinha estava no chão, aos meus pés, molhada e amassada contra os azulejos brancos. Chutei ela pra debaixo da cadeira num movimento só, empurrando pro canto mais escuro, enquanto meu pau continuava ali, duro, teimoso, imposside esconder sob essas calças de flanela fina.


Eu: Estou no banheiro.


As palavras saíram estranhas, cortadas, com uma voz que não reconheci como minha. Me apoiei contra a parede com as mãos nas costas, como se pudesse esconder algo com essa postura desajeitada. Ouvi seus passos pararem do outro lado da porta, um segundo de silêncio, e depois o rangido da porta do quarto se abrindo.


Renata: Se você tá no banheiro, fica aí que eu só preciso pegar uma coisa no armário! Meu Deus, como é que eu não consigo fazer uma coisa direito...


Eu a ouvi remexer numa gaveta, puxando meias e camisetas velhas, murmurando pra si mesma com aquele tom de irritação que ela tem quando o dia tá demais. Apertei os dentes e olhei pro chão, tentando fazer o sangue voltar de onde veio, daquele lugar escuro e quente onde a culpa e o desejo se misturavam até me machucar. O cheiro da calcinha dela ainda tava nas minhas mãos, grudado nos dedos como uma marca invisível, e eu as limpei na calça com um gesto nervoso que não serviu pra nada.


Renata: O ensopado tá no fogo? Você deixou como eu te disse?


Ela apareceu na porta do quarto com a carteirinha na mão e uma jaqueta velha pendurada no ombro. Me olhou de cima, rápido, como quem confere que o filho não morreu nos cinco minutos que passou fora de casa. O cabelo dela ainda estava molhado do banho, com mechas grudadas na nuca, e o rosto vermelho pelo calor da água. A blusa nova marcava debaixo da jaqueta, os peitos ainda mornos e relaxados depois dochuveiro, sem a rigidez do suor.


Eu: Não, não esquentei.


Renata: Então coloca logo ou não vamos ter nada pra jantar e não deixa queimar, pelo amor de Deus.


Ela se aproximou da cozinha e abriu a panela, conferindo o ensopado com uma colher. Ela se inclinou sobre o fogão, e eu, da porta do banheiro que continuava entreaberta, vi suas costas largas cobertas pelo tecido fino da blusa, vi como a linha do sutiã se marcava por baixo do tecido.


RenataVou voltar tarde, não precisa ficar acordado me esperando. Mantém a casa limpa.


Ela deu um gole direto da colher no ensopado, secou a boca com as costas da mão e saiu. Dessa vez de verdade. Ouvi a porta principal abrir e fechar, o baque seco da tranca, e depois seus passos se afastando pelo caminho do vilarejo, rápidos, largos, com a determinação de uma mulher que já está atrasada. Fiquei escutando até que os passos desapareceram por completo, até que o silêncio voltou pra casa como um cobertor pesado.


Me apoiei no batente da porta do banheiro e fechei os olhos. A ereção tinha ido embora, mas o calor continuava ali, debaixo da pele, na garganta, nas mãos que cheiravam a ela. A roupa da minha mãe ainda estava jogada na cadeira do banheiro, e a calcinha dela estava escondida embaixo, como um segredinho. Fiquei olhando pra aquela cadeira por um tempo, com o coração batendo devagar, com a cabeça vazia de tudo, exceto de uma pergunta que se repetia como um eco: e agora? Porque alguma coisa tinha mudado naquele banheiro, alguma coisa que não dava mais pra desfazer, e o domingo continuava sendo domingo, e a casa continuava sendo minha.


Me tranquei no meu quarto. Tranquei a porta com chave, algo que nunca faço, e me sentei na beira da cama com as mãos nos joelhos, respirando fundo. O cheiro dela ainda estava nos meus dedos, na roupa, no ar da casa inteira. Me olhei pelo espelho do armário e vi meu rosto ardendo, os olhos vidrados, os lábios apertados. Levantei o short e vi a mamancha escura no tecido interno onde a ereção tinha marcado contra o algodão.


Tirei a roupa de cima. Fiquei só de cueca, deitado de barriga pra cima na cama, com o teto branco e as rachaduras do quarto girando sobre mim. Fechei os olhos e ela apareceu. Não a Renata da manhã com a blusa suada, mas a de baixo do chuveiro, a que imaginei minutos atrás: seu corpo grande e mole sob o jato de água, os peitos pingando, as mãos deslizando pelas coxas grossas até se perderem entre as pernas, molhada e quente e cheirando a tudo o que aquela calcinha no chão do banheiro tinha guardado. Peguei o pau com a mão e senti que explodia de calor, duro, inchado, com a glande arroxeada e babando um pouco pela ponta. Acariciai devagar no começo, fechando os olhos, e a imagem dela ficou mais nítida: seus peitos pesados caindo pros lados quando ela se agachava na horta, sua voz falha dizendo só o meu nome. Apertei mais forte, mais rápido, com a respiração cortada, e finalmente senti o orgasmo chegar com uma descarga que saiu grossa e quente na minha mão.


Depois eu me levantei, me limpei com uma camiseta velha e fui pra cozinha. O ensopado tava na panela em cima do fogo que mal mantinha brasa. Dei umas mexidas com a colher, aumentei um pouco a chama, e sentei numa cadeira pra vigiar. O som do ensopado borbulhando debaixo da tampa era monótono, reconfortante, tipo uma música sem palavras. Apoiei a cabeça na mesa, com o queixo sobre os braços cruzados. Os olhos começaram a se fechar. Tentei resistir, mas o corpo já não me obedecia. A mão escorregou na mesa e a cabeça caiu de lado. Dormi assim, com a cabeça sobre os braços, escutando o fogo crepitar debaixo da panela.


Não sei quanto tempo passou. O que sei é que acordei com uma mão me agarrando o ombro, me sacudindo, e uma voz que me chegava de muito longe ou muito perto, não sei.


Renata: Carlos! Minha nossa, Carlos, acorda!


Abri os olhos. A cozinha estava às escuras, com apenas a luz amarela e fraca do fogo que quase tinha morrido de vez embaixo da panela. Minha mãe estava de pé ao lado da mesa, inclinada sobre mim, com a jaqueta ainda vestida e o cabelo completamente seco e bagunçado, como se tivesse caminhado o caminho todo sem tocar nele. Tinha os olhos vermelhos deo cansaço e a boca apertada numa linha fina de irritação. Cheirava a noite, a campo, a suor fresco de dia longo. Ela me olhava de cima com aquela expressão dela que mistura irritação e ternura, a de quando eu faço algo que a decepciona mas não o suficiente pra ela ficar puta de verdade.


Renata:O que você tá fazendo dormindo na cozinha? O ensopado tá frio! Não te falei pra manter quente? Pra que eu te falo as coisas se depois você não faz?


Ela se afastou de mim e foi direto pra panela, levantando a tampa com um gesto brusco. Enfiou a colher lá dentro, mexeu, e a cara dela ficou séria quando sentiu a temperatura do conteúdo. Jogou a colher contra a tábua com um baque seco. Tirou a jaqueta e deixou pendurada na cadeira, e por baixo da blusa dava pra ver o suor do caminho, o decote úmido onde a pele brilhava. Ela me olhou por cima do ombro, e aí o olhar dela desceu.


Ela desceu para o meu colo, onde eu não tinha tido tempo de reagir. Os shorts de flanela fina não escondiam nada, e a ereção, que não tinha ido embora de vez com o sono, se marcava como um caroço duro e evidente sob o tecido, apontando para cima com aquela insistência absurda do corpo que não entende de contexto. Minha mãe ficou parada um segundo, com os olhos fixos naquele ponto, e senti o sangue bater na minha cara como um martelo. Baixei as mãos de repente, cruzando-as sobre o colo, me cobrindo com uma falta de jeito que só fez a manobra parecer mais suspeita.


Renata:Bom... já era. Não importa. Não tô com vontade de esquentar nada agora. Amanhã será.


Ela desviou o olhar para a panela, para a parede, para qualquer lugar que não fosse eu. Serviu um copo de água da torneira e bebeu de pé, apoiada na bancada, de costas para mim. O silêncio da cozinha era espesso, pesado, cheio de tudo o que a gente não tinha dito e do que ela acabara de ver e fingia não ter visto.


Renata: Amanhã eu acordo cedo e esquento de novo. Vai dormir, já são duas da manhã e não é hora de ficar dormindo na cozinha.


Ela não me olhou quando disse isso. Ficou de pé, apoiada na bancada, com o copo entre as mãos e os olhos fixos na janela escura do quintal onde ficavam as galinhas.


Fiquei sentado na cadeira da cozinha, com as mãos cruzadas sobre a mesa e os olhos fixos nas costas da minha mãe. Ela não tinha me mandado de volta pra cama, então interpretei isso como uma espécie de permissão tácita pra ficar, mesmo que o silêncio entre a gente fosse daqueles que pesam, que grudam na pele. Ela continuava apoiada na bancada, olhando pela janela, e de repente soltou um suspiro longo, profundo, daqueles que saem lá do fundo da barriga e te deixam vazio.


Renata: O dia todo. O dia todo, porra. Eu levanto às seis, chego na pensão, limpo quartos que parecem um cativeiro, cozinho pros hóspedes, aguento as broncas da Dona Marta porque o sofá do segundo andar tem uma mancha ou por qualquer bobagem que ela inventa, volto pra casa pra trabalhar na horta debaixo de um sol de matar, volto pra pensão pro turno da tarde, e agora chego às duas da manhã e não tem nem um prato de comida quente que seja meu. Nem um.


Ela bateu com a palma da mão aberta na bancada, um golpe seco que ecoou na cozinha vazia. Ela se virou e me olhou com os olhos brilhando de algo que não era raiva, mas sim cansaço puro, o tipo de cansaço que te consome por dentro até te deixar só o osso. A luz do fogo morto iluminava o rosto dela por baixo, marcando as olheiras e as rugas da testa, e por um segundo ela pareceu mais velha do que era, como se a vida estivesse envelhecendo ela dia após dia sem permissão.


Renata:E ainda por cima o dinheiro que entra não dá pra nada. Nada. Nem pra consertar o teto que tá caindo aos pedaços, nem pra sua faculdade e você poder ter uma chance fora dessa cidade de merda... Mas é, fazer o quê, né? Aqui estamos. Na merda. Sem mais.


Ela serviu outro copo d'água e bebeu de um gole só, com a cabeça jogada pra trás, o pescoço exposto, a nuca brilhando sob a luz fraca. Quando terminou, deixou o copo na pia com um baque e passou as mãos pelo rosto, esfregando os olhos como se quisesse arrancar o cansaço de dentro.


Eu: Mãe... eu já sei que você não quer falar sobre isso, mas...


Renata: Disso não, Carlos. Já te disse que não.


Eu:Só tô dizendo que se a Lídia já fez e deu certo pra ela... se o cara paga o que ela diz... podia ser um jeito da gente sair desse buraco. Você não precisa fazer nada que não quiser. Só... perguntar.


Eu respondi com uma calma que não sentia. A voz saiu plana, razoável, como se eu estivesse falando do tempo. Mas embaixo da mesa meus dedos se apertavam contra a madeira até as unhas ficarem brancas. Ela me olhou com aquela expressão que eu não sei decifrar, aquela que mistura dor e surpresa, como se eu tivesse dado um tapa com uma mão e um abraço com a outra.


Renata: Você tá falando do quê? Tá falando sério que eu vou posar pra um desconhecido?


EuNão falei isso. Falei perguntar. Perguntar não é fazer nada. É só... ouvir o que o cara propõe, e depois decidir.


O silêncio voltou, mas dessa vez era diferente. Já não era o silêncio de antes, o da raiva contida. Era outro tipo de silêncio, um em que ela realmente pensava, em que algo se mexia por trás dos seus olhos escuros enquanto pesava as opções com essa cabeça prática que ela tem pra tudo que não seja a própria vida. Sentou-se na cadeira da frente, cruzando os braços sobre o peito, e me encarou fixamente por um tempo que me pareceu uma eternidade.


Renata: Se o cara fala coisas que eu não gosto, eu levanto e vou embora. Se ele quer tocar, eu vou embora. Se ele me olha estranho, eu vou embora. Tamo junto?


Ele assentiu com a cabeça, devagar, como quem assina um contrato que sabe que pode se arrepender de ter assinado. Baixou o olhar para a mesa e ficou ali, em silêncio, com os braços cruzados e os ombros caídos, como se o simples fato de ter aceitado perguntar tivesse tirado um quilo de força dela. Eu a olhei do meu lado da mesa, vendo como a luz do fogo morto se apagava aos poucos na cozinha, e senti algo estranho no peito, algo que não era alívio nem era culpa, mas uma mistura dos dois que me deixou sem palavras.


Renata: Amanhã de manhã eu pergunto pra Lídia. Mas não se iluda, Carlos. Com certeza o cara quer algo que eu não tô disposta a dar.


EuIsso mesmo que eu quis dizer, mamãe


Ela se levantou da cadeira e caminhou até o corredor sem me olhar. Seus passos foram se apagando na escuridão, e depois ouvi a porta do quarto dela se fechar devagar, sem batida, sem pressa, como se não tivesse forças nem pra isso. Fiquei sozinho na cozinha, olhando a panela fria sobre o fogo morto, com a casa inteira envolta num silêncio que cheirava a ela e a tudo o que ainda estava por vir.



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— Elena (KaRelatos) :3

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