O sol da manhã mal começava a esquentar as ruas quando Laura, uma jovem de 22 anos, esperava na esquina com a bolsa no ombro. Vestia um vestido preto justo que destacava suas curvas voluptuosas, suas pernas longas e torneadas terminavam em saltos altos que davam confiança ao seu andar. Seu cabelo escuro, balançando levemente com a brisa, emoldurava um rosto moreno de lábios carnudos e olhos profundos que pareciam esconder segredos.
O carro de aplicativo branco parou na frente dela com um leve chiado de freios. A janela do motorista desceu, revelando Rubén, um homem de 45 anos, cabelo grisalho e um olhar cansado mas atento. Sua camisa azul, amassada pela correria do dia, não conseguia esconder seus ombros largos, fruto de anos de trabalho.
— Bom dia, cê é a Laura? — perguntou com voz rouca, enquanto seus olhos percorriam a figura dela por um instante antes de se fixarem no rosto.
— Sim — respondeu ela, subindo no carro com movimentos fluidos, acomodando-se no banco de trás. O aroma de perfume doce e fresco preencheu o espaço.
Rubén ajustou o retrovisor, capturando o reflexo dela sem disfarçar. — Cê vai pro centro? — perguntou, dando partida no veículo com suavidade.
— Sim, na rua San Martín — respondeu Laura, pegando o celular pra evitar mais conversa.
Mas Rubén não desistia. — Cê trabalha por aí? — insistiu, parando num sinal vermelho.
Ela ergueu o olhar, encontrando os olhos dele no espelho. Havia algo no tom dele, uma calidez que ela não esperava. — Numa loja de roupas — respondeu, dessa vez com menos frieza.
— Ah, por isso cê se veste tão bem — comentou ele, esboçando um sorriso safado antes de acelerar.
Laura não conseguiu evitar uma risada curta, quase involuntária. — Cê sempre faz elogios pras suas passageiras? — perguntou, brincando com uma mecha de cabelo.
— Só pras que merecem — disse Rubén, mantendo o olhar na estrada mas com uma expressão que entregava a malícia.
O clima dentro do carro tornou-se mais caloroso, mais íntimo. Laura cruzou as pernas lentamente, notando como os olhos dele desceram por um segundo em direção às coxas dela antes de voltarem para a estrada. — E sua esposa não te repreende por ficar soltando elogios? — perguntou ela, com um tom agora curiosamente provocante. Rubén respirou fundo. — Bom, às vezes tem coisas que um olhar não consegue evitar — murmurou, e desta vez foi ele quem sentiu o peso da própria ousadia. O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de algo que nenhum dos dois ousava nomear. A viagem continuou, mas algo tinha mudado. Cada palavra, cada olhar, cada pequeno gesto, estava tingido de uma tensão que prometia mais. E o carro, seguindo sua rota, avançava rumo ao desconhecido. O motorista parou em frente à loja de roupas na rua San Martín. Laura baixou o olhar para o celular, onde uma mensagem do dono do negócio confirmava o que ela já suspeitava: "Loja fechada hoje por inspeção municipal. Não venha." — Merda — murmurou entre os dentes, apertando os lábios com frustração. Rubén, do banco do motorista, observou a reação dela pelo retrovisor. As sobrancelhas dele se arquearam levemente ao ver como os dedos dela apertavam o celular com força. — Problemas? — perguntou, deixando o motor em marcha lenta. Ela suspirou, erguendo o olhar para ele. — É, a loja tá fechada. Não me avisaram até agora — explicou, com um traço de irritação na voz. — Ah, que azar — comentou Rubén, embora não tenha conseguido evitar que os olhos descessem, apenas por um instante, para o decote de Laura enquanto ela se mexia no banco. — Dá pra me esperar um segundo? — pediu ela, abrindo a porta sem esperar resposta. — Claro, sem pressa — respondeu ele, embora soubesse que cada minuto parado era uma corrida a menos no seu dia. Laura caminhou até a porta da loja, seus saltos ecoando na calçada. O vestido preto, justo nas curvas dela, balançava a cada passo, desenhando o contorno da bunda generosa. Rubén não conseguiu evitar olhar, apoiando o braço no encosto do banco enquanto seguia a figura dela com o olhar.
Ela tentou chamar alguém, bateu levemente na porta, mas não houve resposta. Frustrada, voltou para o carro com passos mais rápidos, o quadril balançando num ritmo que agora parecia mais acentuado, como se a raiva realçasse a sensualidade natural dela.
Ao abrir a porta do carro, ela se deixou cair no banco com um suspiro exasperado. — Me leva de volta pra minha casa — disse, cruzando os braços sobre o peito.
Rubén assentiu, mas em vez de dar partida na hora, virou-se levemente para ela. — Bom, pelo menos você tá de folga. Dá pra aproveitar pra descansar, né? — comentou, tentando animá-la.
— É, ótimo — respondeu ela com sarcasmo, olhando pela janela.
Ele não desistiu. — Olha o lado bom… com essa cara linda que você tem, com certeza na sua casa você tem planos melhores do que ficar atendendo gente o dia todo — disse, com um sorriso que tentava ser casual, mas carregava uma dose de provocação.
Laura olhou de canto pra ele, e mesmo tentando manter a cara fechada, percebeu como as palavras dele provocavam um friozinho na barriga. — Você sempre fala assim com suas passageiras? — perguntou, dessa vez com menos raiva e mais curiosidade.
— Só quando a passageira é uma gostosa como você — respondeu ele, arriscando um pouco mais.
Ela não conseguiu evitar um sorrisinho, quase imperceptível, mas suficiente pra Rubén notar que a estratégia dele tava funcionando.
— Bom, anda logo — disse ela, mas dessa vez o tom era menos seco, mais brincalhão.
Rubén sorriu pra si mesmo enquanto engatava a primeira e o carro começava a se mover. A viagem de volta prometia ser muito mais interessante do que a de ida.
O carro avançava devagar pelo trânsito da manhã, o motor ronronando sob o capô enquanto Rubén ajustava o retrovisor mais uma vez, garantindo que Laura estivesse no campo de visão dele. O silêncio dentro do carro era confortável, mas ele sentia a necessidade de quebrar aquilo, de aprofundar aquela conversa que já começava a carregar algo além de cortesias.
—Então... você mora sozinha? —perguntou, como se fosse uma pergunta casual, mas com um tom que entregava um interesse genuíno.
Laura, que estava olhando distraidamente pela janela, desviou a atenção para ele. Os olhos escuros dela encontraram os de Rubén no espelho, e por um segundo, pareceu medir as palavras antes de responder.
—Sim, sozinha —confirmou, brincando com a barra do vestido. —Faz mais ou menos um ano. Antes dividia apê com uma amiga, mas ela foi morar com o namorado.
—Ah, que conforto —comentou Rubén, relaxando um pouco mais a postura no volante. —Ter seu próprio espaço, fazer o que quiser sem ninguém te enchendo o saco... embora às vezes deve ser meio chato, né?
Ela deu de ombros levemente. —Depende. Às vezes sim, principalmente nos fins de semana. Mas fazer o quê, a gente se acostuma.
Rubén aproveitou a brecha na conversa pra continuar sondando, dessa vez com um pouco mais de ousadia. —E namorado, você não tem? —perguntou, tentando fazer soar como uma simples curiosidade, embora o coração tivesse acelerado só de formular a pergunta.
Laura soltou uma risada suave, quase como se a pergunta a tivesse pego de surpresa. —Não, por enquanto não. —Fez uma pausa, como se hesitasse em continuar, mas finalmente acrescentou—: Embora não me fizesse mal alguém... alguém que me acompanhasse, que me fizesse sentir bem.
A resposta fez Rubén apertar levemente o volante, sentindo aquelas palavras ecoarem dentro dele. Não conseguia evitar imaginar cenários, possibilidades.
—Bom, com essa cara linda que você tem, não entendo como não tem uma fila de caras te esperando —disse, arriscando um elogio mais direto.
Ela baixou o olhar, mas não por timidez, e sim pra esconder um sorriso que escapava. —E você? Aposto que sua mulher não te deixa sair falando isso pra qualquer uma —respondeu, desviando a atenção pra ele. com um olhar astuto.
Rubén respirou fundo, como se aquela pergunta o tivesse colocado em um terreno mais delicado. —Bom… a real é que faz tempo que as coisas não andam tão boas em casa — confessou, com um traço de amargura na voz. —Às vezes a gente sente falta de se sentir desejado, sabe?
O clima dentro do carro ficou mais íntimo, como se as paredes do veículo os isolassem do mundo lá fora. Laura percebeu como a respiração dele ficava mais lenta, mais consciente.
—Sim, eu sei — murmurou, quase para si mesma, mas alto o suficiente para ele ouvir.
Rubén desviou o olhar para a estrada por um momento, como se precisasse retomar o controle da situação. Mas não conseguia evitar sentir que algo estava mudando entre eles, algo que ia além de uma simples corrida de táxi.
—E que tipo de homem você gostaria de ter? — perguntou, dessa vez com um tom mais baixo, mais pessoal.
Laura soltou um suspiro, como se nunca tivesse se permitido verbalizar aquilo antes. —Alguém que me trate bem, que me faça rir… alguém que saiba o que quer — respondeu, e embora não tivesse dito diretamente, os olhos dela no espelho pareciam estar dizendo muito mais.
Rubén assentiu lentamente, como se estivesse processando cada palavra. O carro seguia avançando, mas naquele momento, nenhum dos dois parecia estar pensando no destino final.
O táxi parou em frente ao prédio da Laura, um bloco de apartamentos modesto, mas bem cuidado, com vasos floridos nas sacadas. Rubén desligou o motor, mas não fez menção de cobrar a corrida. Em vez disso, virou-se para ela, apoiando um braço no encosto do banco da frente, o olhar caloroso, mas agora com um brilho de audácia que não tinha mostrado antes.
—Eu… me convida pra tomar uns mates? — perguntou, com um meio sorriso que dificultava saber se ele estava brincando ou falando sério.
Laura, que já tinha a mão na maçaneta da porta, parou. Os dedos dela se tensionaram levemente sobre o metal. frio enquanto processava a pergunta. Não era algo que ela fizesse normalmente—convidar um desconhecido pra sua casa—mas o Rubén já não parecia mais um estranho depois daquela viagem. Além disso, o olhar dele, aquela mistura de segurança e vulnerabilidade, fazia cócegas no estômago dela.
—Sério? —ela perguntou, arqueando uma sobrancelha, mas sem conseguir evitar que um sorriso escapasse dos lábios.
—Ué, você mesma disse que não tem nada pra fazer —respondeu ele, dando de ombros como se fosse a proposta mais natural do mundo—. E eu tô de folga depois dessa viagem.
Ela soltou uma risada suave, brincando com uma mecha do cabelo escuro. —E a sua mulher não vai te procurar se você demorar? —perguntou, com um tom que já não era de alerta, mas de curiosidade genuína.
Rubén sustentou o olhar dela, sem desviar. —Te falei que as coisas não tão bem... —sussurrou, e dessa vez não havia nenhum traço de brincadeira na voz—. Além disso, é só um mate, né?
O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de possibilidades. Laura podia sentir o batimento do próprio coração nas têmporas, acelerado mas não por nervosismo, e sim por aquela emoção que precede algo proibido. Finalmente, ela assentiu.
—Tá bom, vamos... mas só um mate —deixou claro, embora os dois soubessem que nem ela nem ele estavam realmente pensando na infusão.
Rubén não conseguiu conter um sorriso mais largo, aquelas pequenas ruguinhas ao redor dos olhos fazendo ele parecer mais jovem, mais vivo. —Show —disse simplesmente, desligando completamente o motor e tirando as chaves da ignição.
Laura desceu do carro, ajustando o vestido que tinha grudado levemente nas pernas. Rubén a seguiu, fechando a porta do remis com um baque seco. Caminharam juntos até a entrada do prédio, os passos sincronizados, o tacão da Laura marcando o ritmo.
Ao chegar no elevador, ela apertou o botão e esperaram em silêncio, a tensão entre eles palpável. Rubén não conseguia evitar olhar ela de canto—a curva do pescoço dela, o jeito em que seu cabelo caía sobre os ombros—enquanto ela fingia não notar, embora o rubor nas bochechas a denunciasse.
O elevador chegou com um ding suave. As portas se abriram, e Laura entrou primeiro, seguida por Rubén, cujo corpo grande parecia ocupar mais espaço do que o normal na cabine apertada. Quando as portas se fecharam, trancando-os naquele cubículo íntimo, o ar ficou ainda mais denso.
— Terceiro andar — murmurou Laura, mais para quebrar o silêncio do que por necessidade.
Rubén assentiu, mas não disse nada. Em vez disso, seus olhos se encontraram com os dela no reflexo do espelho do elevador, e por um instante, nenhum dos dois conseguiu disfarçar o que sentia.
O elevador parou, as portas se abriram, e Laura saiu primeiro, procurando as chaves na bolsa com mãos que tremiam levemente. Rubén a seguiu, sua presença sólida e quente atrás dela, como uma promessa do que poderia vir depois.
Ao chegar à porta do apartamento, Laura enfiou a chave na fechadura, girou, e empurrou a porta para dentro.
— Bem-vindo — disse, com uma voz que era quase um sussurro.
Rubén cruzou a soleira atrás dela, e a porta se fechou suavemente, marcando o início de algo que nenhum dos dois tinha planejado, mas que ambos, secretamente, desejavam.
Continua...
Vai encontrar muito mais de mim em →I'm sorry, but I can't assist with that.Te Espero!!!
O carro de aplicativo branco parou na frente dela com um leve chiado de freios. A janela do motorista desceu, revelando Rubén, um homem de 45 anos, cabelo grisalho e um olhar cansado mas atento. Sua camisa azul, amassada pela correria do dia, não conseguia esconder seus ombros largos, fruto de anos de trabalho.
— Bom dia, cê é a Laura? — perguntou com voz rouca, enquanto seus olhos percorriam a figura dela por um instante antes de se fixarem no rosto.
— Sim — respondeu ela, subindo no carro com movimentos fluidos, acomodando-se no banco de trás. O aroma de perfume doce e fresco preencheu o espaço.
Rubén ajustou o retrovisor, capturando o reflexo dela sem disfarçar. — Cê vai pro centro? — perguntou, dando partida no veículo com suavidade.
— Sim, na rua San Martín — respondeu Laura, pegando o celular pra evitar mais conversa.
Mas Rubén não desistia. — Cê trabalha por aí? — insistiu, parando num sinal vermelho.
Ela ergueu o olhar, encontrando os olhos dele no espelho. Havia algo no tom dele, uma calidez que ela não esperava. — Numa loja de roupas — respondeu, dessa vez com menos frieza.
— Ah, por isso cê se veste tão bem — comentou ele, esboçando um sorriso safado antes de acelerar.
Laura não conseguiu evitar uma risada curta, quase involuntária. — Cê sempre faz elogios pras suas passageiras? — perguntou, brincando com uma mecha de cabelo.
— Só pras que merecem — disse Rubén, mantendo o olhar na estrada mas com uma expressão que entregava a malícia.
O clima dentro do carro tornou-se mais caloroso, mais íntimo. Laura cruzou as pernas lentamente, notando como os olhos dele desceram por um segundo em direção às coxas dela antes de voltarem para a estrada. — E sua esposa não te repreende por ficar soltando elogios? — perguntou ela, com um tom agora curiosamente provocante. Rubén respirou fundo. — Bom, às vezes tem coisas que um olhar não consegue evitar — murmurou, e desta vez foi ele quem sentiu o peso da própria ousadia. O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de algo que nenhum dos dois ousava nomear. A viagem continuou, mas algo tinha mudado. Cada palavra, cada olhar, cada pequeno gesto, estava tingido de uma tensão que prometia mais. E o carro, seguindo sua rota, avançava rumo ao desconhecido. O motorista parou em frente à loja de roupas na rua San Martín. Laura baixou o olhar para o celular, onde uma mensagem do dono do negócio confirmava o que ela já suspeitava: "Loja fechada hoje por inspeção municipal. Não venha." — Merda — murmurou entre os dentes, apertando os lábios com frustração. Rubén, do banco do motorista, observou a reação dela pelo retrovisor. As sobrancelhas dele se arquearam levemente ao ver como os dedos dela apertavam o celular com força. — Problemas? — perguntou, deixando o motor em marcha lenta. Ela suspirou, erguendo o olhar para ele. — É, a loja tá fechada. Não me avisaram até agora — explicou, com um traço de irritação na voz. — Ah, que azar — comentou Rubén, embora não tenha conseguido evitar que os olhos descessem, apenas por um instante, para o decote de Laura enquanto ela se mexia no banco. — Dá pra me esperar um segundo? — pediu ela, abrindo a porta sem esperar resposta. — Claro, sem pressa — respondeu ele, embora soubesse que cada minuto parado era uma corrida a menos no seu dia. Laura caminhou até a porta da loja, seus saltos ecoando na calçada. O vestido preto, justo nas curvas dela, balançava a cada passo, desenhando o contorno da bunda generosa. Rubén não conseguiu evitar olhar, apoiando o braço no encosto do banco enquanto seguia a figura dela com o olhar.
Ela tentou chamar alguém, bateu levemente na porta, mas não houve resposta. Frustrada, voltou para o carro com passos mais rápidos, o quadril balançando num ritmo que agora parecia mais acentuado, como se a raiva realçasse a sensualidade natural dela.
Ao abrir a porta do carro, ela se deixou cair no banco com um suspiro exasperado. — Me leva de volta pra minha casa — disse, cruzando os braços sobre o peito.
Rubén assentiu, mas em vez de dar partida na hora, virou-se levemente para ela. — Bom, pelo menos você tá de folga. Dá pra aproveitar pra descansar, né? — comentou, tentando animá-la.
— É, ótimo — respondeu ela com sarcasmo, olhando pela janela.
Ele não desistiu. — Olha o lado bom… com essa cara linda que você tem, com certeza na sua casa você tem planos melhores do que ficar atendendo gente o dia todo — disse, com um sorriso que tentava ser casual, mas carregava uma dose de provocação.
Laura olhou de canto pra ele, e mesmo tentando manter a cara fechada, percebeu como as palavras dele provocavam um friozinho na barriga. — Você sempre fala assim com suas passageiras? — perguntou, dessa vez com menos raiva e mais curiosidade.
— Só quando a passageira é uma gostosa como você — respondeu ele, arriscando um pouco mais.
Ela não conseguiu evitar um sorrisinho, quase imperceptível, mas suficiente pra Rubén notar que a estratégia dele tava funcionando.
— Bom, anda logo — disse ela, mas dessa vez o tom era menos seco, mais brincalhão.
Rubén sorriu pra si mesmo enquanto engatava a primeira e o carro começava a se mover. A viagem de volta prometia ser muito mais interessante do que a de ida.
O carro avançava devagar pelo trânsito da manhã, o motor ronronando sob o capô enquanto Rubén ajustava o retrovisor mais uma vez, garantindo que Laura estivesse no campo de visão dele. O silêncio dentro do carro era confortável, mas ele sentia a necessidade de quebrar aquilo, de aprofundar aquela conversa que já começava a carregar algo além de cortesias.
—Então... você mora sozinha? —perguntou, como se fosse uma pergunta casual, mas com um tom que entregava um interesse genuíno.
Laura, que estava olhando distraidamente pela janela, desviou a atenção para ele. Os olhos escuros dela encontraram os de Rubén no espelho, e por um segundo, pareceu medir as palavras antes de responder.
—Sim, sozinha —confirmou, brincando com a barra do vestido. —Faz mais ou menos um ano. Antes dividia apê com uma amiga, mas ela foi morar com o namorado.
—Ah, que conforto —comentou Rubén, relaxando um pouco mais a postura no volante. —Ter seu próprio espaço, fazer o que quiser sem ninguém te enchendo o saco... embora às vezes deve ser meio chato, né?
Ela deu de ombros levemente. —Depende. Às vezes sim, principalmente nos fins de semana. Mas fazer o quê, a gente se acostuma.
Rubén aproveitou a brecha na conversa pra continuar sondando, dessa vez com um pouco mais de ousadia. —E namorado, você não tem? —perguntou, tentando fazer soar como uma simples curiosidade, embora o coração tivesse acelerado só de formular a pergunta.
Laura soltou uma risada suave, quase como se a pergunta a tivesse pego de surpresa. —Não, por enquanto não. —Fez uma pausa, como se hesitasse em continuar, mas finalmente acrescentou—: Embora não me fizesse mal alguém... alguém que me acompanhasse, que me fizesse sentir bem.
A resposta fez Rubén apertar levemente o volante, sentindo aquelas palavras ecoarem dentro dele. Não conseguia evitar imaginar cenários, possibilidades.
—Bom, com essa cara linda que você tem, não entendo como não tem uma fila de caras te esperando —disse, arriscando um elogio mais direto.
Ela baixou o olhar, mas não por timidez, e sim pra esconder um sorriso que escapava. —E você? Aposto que sua mulher não te deixa sair falando isso pra qualquer uma —respondeu, desviando a atenção pra ele. com um olhar astuto.
Rubén respirou fundo, como se aquela pergunta o tivesse colocado em um terreno mais delicado. —Bom… a real é que faz tempo que as coisas não andam tão boas em casa — confessou, com um traço de amargura na voz. —Às vezes a gente sente falta de se sentir desejado, sabe?
O clima dentro do carro ficou mais íntimo, como se as paredes do veículo os isolassem do mundo lá fora. Laura percebeu como a respiração dele ficava mais lenta, mais consciente.
—Sim, eu sei — murmurou, quase para si mesma, mas alto o suficiente para ele ouvir.
Rubén desviou o olhar para a estrada por um momento, como se precisasse retomar o controle da situação. Mas não conseguia evitar sentir que algo estava mudando entre eles, algo que ia além de uma simples corrida de táxi.
—E que tipo de homem você gostaria de ter? — perguntou, dessa vez com um tom mais baixo, mais pessoal.
Laura soltou um suspiro, como se nunca tivesse se permitido verbalizar aquilo antes. —Alguém que me trate bem, que me faça rir… alguém que saiba o que quer — respondeu, e embora não tivesse dito diretamente, os olhos dela no espelho pareciam estar dizendo muito mais.
Rubén assentiu lentamente, como se estivesse processando cada palavra. O carro seguia avançando, mas naquele momento, nenhum dos dois parecia estar pensando no destino final.
O táxi parou em frente ao prédio da Laura, um bloco de apartamentos modesto, mas bem cuidado, com vasos floridos nas sacadas. Rubén desligou o motor, mas não fez menção de cobrar a corrida. Em vez disso, virou-se para ela, apoiando um braço no encosto do banco da frente, o olhar caloroso, mas agora com um brilho de audácia que não tinha mostrado antes.
—Eu… me convida pra tomar uns mates? — perguntou, com um meio sorriso que dificultava saber se ele estava brincando ou falando sério.
Laura, que já tinha a mão na maçaneta da porta, parou. Os dedos dela se tensionaram levemente sobre o metal. frio enquanto processava a pergunta. Não era algo que ela fizesse normalmente—convidar um desconhecido pra sua casa—mas o Rubén já não parecia mais um estranho depois daquela viagem. Além disso, o olhar dele, aquela mistura de segurança e vulnerabilidade, fazia cócegas no estômago dela.
—Sério? —ela perguntou, arqueando uma sobrancelha, mas sem conseguir evitar que um sorriso escapasse dos lábios.
—Ué, você mesma disse que não tem nada pra fazer —respondeu ele, dando de ombros como se fosse a proposta mais natural do mundo—. E eu tô de folga depois dessa viagem.
Ela soltou uma risada suave, brincando com uma mecha do cabelo escuro. —E a sua mulher não vai te procurar se você demorar? —perguntou, com um tom que já não era de alerta, mas de curiosidade genuína.
Rubén sustentou o olhar dela, sem desviar. —Te falei que as coisas não tão bem... —sussurrou, e dessa vez não havia nenhum traço de brincadeira na voz—. Além disso, é só um mate, né?
O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de possibilidades. Laura podia sentir o batimento do próprio coração nas têmporas, acelerado mas não por nervosismo, e sim por aquela emoção que precede algo proibido. Finalmente, ela assentiu.
—Tá bom, vamos... mas só um mate —deixou claro, embora os dois soubessem que nem ela nem ele estavam realmente pensando na infusão.
Rubén não conseguiu conter um sorriso mais largo, aquelas pequenas ruguinhas ao redor dos olhos fazendo ele parecer mais jovem, mais vivo. —Show —disse simplesmente, desligando completamente o motor e tirando as chaves da ignição.
Laura desceu do carro, ajustando o vestido que tinha grudado levemente nas pernas. Rubén a seguiu, fechando a porta do remis com um baque seco. Caminharam juntos até a entrada do prédio, os passos sincronizados, o tacão da Laura marcando o ritmo.
Ao chegar no elevador, ela apertou o botão e esperaram em silêncio, a tensão entre eles palpável. Rubén não conseguia evitar olhar ela de canto—a curva do pescoço dela, o jeito em que seu cabelo caía sobre os ombros—enquanto ela fingia não notar, embora o rubor nas bochechas a denunciasse.
O elevador chegou com um ding suave. As portas se abriram, e Laura entrou primeiro, seguida por Rubén, cujo corpo grande parecia ocupar mais espaço do que o normal na cabine apertada. Quando as portas se fecharam, trancando-os naquele cubículo íntimo, o ar ficou ainda mais denso.
— Terceiro andar — murmurou Laura, mais para quebrar o silêncio do que por necessidade.
Rubén assentiu, mas não disse nada. Em vez disso, seus olhos se encontraram com os dela no reflexo do espelho do elevador, e por um instante, nenhum dos dois conseguiu disfarçar o que sentia.
O elevador parou, as portas se abriram, e Laura saiu primeiro, procurando as chaves na bolsa com mãos que tremiam levemente. Rubén a seguiu, sua presença sólida e quente atrás dela, como uma promessa do que poderia vir depois.
Ao chegar à porta do apartamento, Laura enfiou a chave na fechadura, girou, e empurrou a porta para dentro.
— Bem-vindo — disse, com uma voz que era quase um sussurro.
Rubén cruzou a soleira atrás dela, e a porta se fechou suavemente, marcando o início de algo que nenhum dos dois tinha planejado, mas que ambos, secretamente, desejavam.
Continua...
Vai encontrar muito mais de mim em →I'm sorry, but I can't assist with that.Te Espero!!!
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