Nunca pensei que me aconteceria 7 Minha mãe foi abrir a porta, enquanto eu continuava paralisado, pensando no que tinha na bochecha e, mais importante ainda, por que tinha aquilo. Obviamente eu desconfiava do que era. Pelo cheiro e pela textura, porra, óbvio, mas será que minha mãe... — Bom dia, disse Helena, a vizinha do lado... uma senhora de uns 55 anos, obesa e que usa óculos bem grossos. Daquelas típicas que são bem beatas. Sei disso porque a conheço há anos e ela vive querendo corrigir todo mundo quando fazem algo impudico, como ela chama andar de shorts, saia curta ou calça jeans apertada. Ou suponho que qualquer coisa que ela não pode usar e só quer encher o saco dos outros. Bom dia, respondeu minha mãe, o que a senhora deseja? Embora tentasse soar educada, sei bem que minha mãe odeia receber visitas tão cedo e sem avisar. Ela gosta, assim como eu, de ficar tranquila em casa, e ainda fica mais irritada por Helena ser essa visita. No passado, já tinham tido uma discussão porque minha mãe me criou sozinha e, como Helena acha que isso é viver em pecado, bem... digamos que a ideia de ter um parceiro, pelo menos formal, não está nos planos da mamãe. Suponho que é compromisso demais e o trabalho dela não permite. E, honestamente, eu também não gosto da ideia dela ficar com mais ninguém... merda... — Está tudo bem? Perguntou Helena, tentando olhar para dentro de casa como se quisesse encontrar evidência de algo para criticar. — Sim, respondeu minha mãe, estranhando. Por que pergunta, vizinha? Precisa de algo? — Ah, não, disse Helena. É que ontem achei ter ouvido uns barulhos bem altos vindo daqui e imaginei que algo tivesse acontecido, e queria garantir que você e seu filho estivessem bem. Sabe, que não tivessem sofrido algum acidente ou algo assim. Merda... sério? Ela ouviu o que aconteceu ontem à noite? Isso significa que metade da vizinhança também ouviu? Que vergonha... que todos os vizinhos saibam o tipo de festa que rola aqui em casa toda noite. Senti que eu corava. O rubor subia pelas minhas bochechas a toda velocidade. O que eu diria se me perguntassem algo? Fingir que nada? Falar sem vergonha. Ah, desculpa, é que minha mãe usa as noites pra descabelar meu amigo e assim ele não precisar ir pras putas? — ah, não, vizinha, é que à noite eu tô cuidando de um amigo do meu filho que sofreu uma lesão e eu tenho que verificar se a fratura dele não piora, mas você sabe como os meninos são bagunceiros e por qualquer coisa gritam como se estivessem apanhando — tá segura? Disse Helena encarando minha mãe. Porque me pareceu ouvir gritos seus também — sério? Respondeu minha mãe. Não que eu me lembre. Eu sou mais de gritar durante o dia, na verdade, disse soltando uma risada. Porque meu filho me tira do sério às vezes — claro, é o preço do pecado, disse Helena com ares de superioridade moral que me irritam. Se você não tivesse se divorciado, isso não aconteceria. Quando você se afasta de Deus, há consequências, continuou — bom, vizinha, tem muitas maneiras de tocar o céu sem precisar de Deus. Me pergunta se você já conseguiu? Disse minha mãe com um sorriso que mal conseguia segurar — só quero garantir que vocês estão bem, só isso, respondeu Helena, se te incomodei, não foi minha intenção — pois estamos bem, vizinha, mas obrigada por perguntar, se eu precisar de algo, te aviso. Disse minha mãe sem deixar Helena responder, batendo a porta com força — puta que pariu, velha intrometida, que importa o que eu faço ou deixo de fazer? Nem se fosse me ajudar com algo de verdade, né? Disse minha mãe virando pra me olhar como se fosse a coisa mais normal do mundo. Então ela se aproximou de mim e tocou minha bochecha — que que você tem aí, amor? Me disse tirando o resto de porra que ainda tinha na minha bochecha. E aquela senhora, quem é? Perguntou Fernando — não é ninguém, não liga pra ela, disse minha mãe. É só uma senhora que se acha a bússola moral de todos os vizinhos.. tá vendo o que você provoca com seus gritos noturnos? Por isso você deve cuidar bem dessa parte ou vai vir mais gente perguntar. Eu? Disse Fernando entre surpreso e divertido. Se eu notei que era você que gritou, disse ele se soltando pra rir depois. Bom, disse minha mãe, é normal, né? Você gritou como se tivesse caído a perna e eu me assustei ao ver aquilo. E fez sentido, né? Disse Fernando. Não, não, disse minha mãe, já senti muita coisa no meu trabalho, acredita em mim, não é qualquer "coisinha" que me faz gritar de susto. Então, deixando Fernando com a palavra na boca e olhando pra ele de um jeito safado, foi preparar o café da manhã. Fernando ficou fazendo uma careta, como se aquilo tivesse sido um desafio lançado pela minha mãe. Então fui pra cozinha pegar um copo d'água gelada, por causa do calor. E foi aí que, enquanto minha mãe preparava o café, eu perguntei tentando soar meio ingênuo: Mãe, ela é tão feia assim mesmo? Que coisa, love? O ferimento, Fernando, falei. Ah, isso, disse minha mãe, bom, não é bem um ferimento, é uma fissura que se não cuidar pode virar uma fratura maior. Quer ver como ela tá? Eh... Não, mãe, não precisa, falei. Não, já era, disse minha mãe, já vou falar pra ele te mostrar como ela tá, soltando uma risada. Depois do café, minha mãe me olhou de um jeito estranho. Oi, Fer, disse minha mãe... tudo bem se hoje os primeiros exercícios de reabilitação a gente fizer aqui? Aqui? Disse Fernando surpreso. Sim, disse minha mãe. É que alguém tá com curiosidade de ver como você tá, disse ela me olhando com um sorriso. Acho que por causa do que aconteceu ontem à noite. Eu engoli seco. Olha, não me entendam mal, eu perguntei pra minha mãe só por causa do grito que o Fernando soltou. Como algo casual, não pra ver nada dele. Caralho! Só queria parecer interessado no trabalho da minha mãe e agora quem sabe o que vou ver. Não falo mais uma palavra, nem pergunto nada do que ela faz. Claro, disse Fernando, se meu mano quer ver e não se assusta, quem sou eu pra negar o gosto, disse ele. Claro, continuou minha mãe. Assim, se algum dia você... você precisa, ele pode te dar reabilitação... Os três ficamos em silêncio por um momento até minha mãe falar de novo, se dirigindo a mim. Mas pra isso falta muito coração, não é fácil. Você tem que estudar medicina e uma especialidade, não é tão fácil quanto você pensa. Fer, você pode tirar a calça? Fernando fez isso sem pensar duas vezes, até parecia que ele tava curtindo meu constrangimento. Quando ele abaixou a calça do pijama, notei que ele não tava de cueca, então o pau dele saltou pra fora num estado de meia ereção que me fez ficar ainda mais vermelha. Mãe! Eu falo. Ah, não faz escândalo, coração, todo mundo tem a mesma coisa, disse minha mãe. Bom, uns maiores que outros, mas é a mesma coisa. Além disso, a gente não vai focar nisso, e sim na perna dele, tá vendo? Tentei fazer isso, me concentrar mais na perna do que naquilo que balançava bem do lado... e sim, a verdade é que a parte de cima da perna do Fernando tava roxa, com um inchaço grande. Como você consegue andar com isso?..... merda, já sei, já sei, a péssima escolha de palavras que eu pude usar naquela situação. Mas eu juro que tava falando do inchaço da perna, não daquela coisa que aos poucos ia ficando mais ereta. Bom, então a verdade, não consigo fazer muito, mano, ele me disse. Dói depois de alguns minutos andando e eu tenho que parar, mas dói menos do que antes, isso sim. Não mente, disse minha mãe. Como não vai doer? Se o osso tá quase saindo por nada? Isso te acontece por ser tão destemido. Querida, ela disse se virando pra mim. Você quer tocar? Hein? Eu respondi..... merda, eu realmente soo tão idiota assim? Se você quer tocar pra sentir o inchaço. Ah... sim, mãe, claro. O que mais eu podia dizer? Claro que eu não podia recusar, embora vendo o sorriso do meu amigo, acho que no final teria sido melhor. Olha, disse minha mãe, passa sua mão por aqui, ela disse colocando a mão na perna do meu amigo. E pressiona, com a ponta dos dedos, sem fazer muita força. Suspirei, enquanto por dentro a vergonha não me deixava tranquilo. Mas sem outras opções, eu fiz. Pressionei o mais leve que pude e, de fato, senti um certo inchaço e também como meu amigo se contorcia levemente, e então notei algo mais... Bem na minha munheca esquerda, acho que por causa do movimento que meu amigo fez, o pau dele ficou bem na frente da minha munheca e me tocava, como se quisesse se enfiar na minha mão. Rapidamente tirei, o que minha mãe notou na hora. O que foi, love? Não me diga que você se assustou? Mãe... eu disse, apontando pro meu amigo. O quê? O que aconteceu?......ah...... kkkkk kkkkk kkkkk kkkkk kkkkk minha mãe começou a rir sem controle ao ver o pau ereto do meu amigo. Ai, coração, ela me disse. É normal. Bom, não tão normal, mas acontece que, por causa das terminações nervosas, pode haver algum tipo de reação involuntária nas revisões. Além disso, você devia ficar feliz pelo Fer. Ter essa resposta fisiológica é a melhor notícia. Tem acidentes menores que fazem o cara não conseguir ficar de pau duro por meses! Mãe! Eu gritei. Como você pode falar assim? Assim como? Ela me olhou estranha. Se é exatamente o que acontece... só te falo assim pra você entender, ou quer que eu te entupa de termos médicos que você provavelmente não vai entender direito? Prefiro que você não me fale nada, respondi. Já, mano, não é pra tanto. Além disso, a culpa é sua por fazer uma revisão tão boa. Tanto o Fernando quanto minha mãe caíram na risada, enquanto eu não conseguia me sentir mais humilhado naquele momento. Bom, disse minha mãe, agora vem a parte difícil. O quê? Eu falo, já sem saber se com raiva ou resignação. Bom, continua minha mãe. Depois de revisar o trauma, o paciente tem que fazer exercícios de alongamento pra que o membro possa, aos poucos, voltar à mobilidade normal. Mas, por causa da ereção, isso pode causar mais dor e fazer com que ele não faça os exercícios do jeito certo. Ah... claro, eu disse, e então? Não faz mais ou o que acontece nesse caso? Sério, às vezes quero dizer uma coisa e da minha boca sai uma frase completamente diferente, não sei porque Nesse caso, disse minha mãe, tem que drenar a área. Como? Eu disse num tom.... merda, foi pergunta de quem não entendeu, sério. Bom, deixando o Fer se masturbar, pra isso nos hospitais deixam o paciente sozinho.. e se ele não conseguir por causa da dor, aí mandam alguém pra ajudar na manobra. Eu só queria esmagar minha cabeça na parede.. não sabia o que dizer com medo de soar como outra coisa. Fiquei petrificado até que finalmente falei. Bom, eu disse, então tem que deixar ele sozinho, né? Sim, disse minha mãe, e em uns minutos a gente volta e vê se dá pra continuar ou se precisa fazer algo mais. Não sei se você quer me ajudar depois. Não, mãe, acho que já aprendi o suficiente, falei com a pouca dignidade que me restava. Ah, disse minha mãe, então quer dizer que se for necessário, eu tenho que fazer uma masturbação no seu amigo?. Bom, hein?. Nesse momento engoli seco, me deu pânico. Não, não quero isso, já basta ouvir eles toda noite, mas saber que vão fazer algo? Ou pior ainda, eu fazer?.... Parte 8?
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