Prazer passivo sob mim

Sob a Seda

Mateo fechou a porta do seu apartamento e girou a tranca três vezes. Aquele som metálico era o verdadeiro início do seu fim de semana, o limite exato entre o homem que o mundo conhecia e o que ele realmente era quando ficava sozinho. Para o seu círculo, Mateo era um cara metódico, atraente e sociável. Ele curtia a companhia das mulheres, sair para jantar e construir laços afetivos com elas. No entanto, na sua vida havia um ponto de ruptura definitivo: o seu divórcio três anos atrás. Ele foi casado com Mariana durante quatro anos. Embora a amasse, o sexo conjugal virou uma rotina morna onde ele simplesmente cumpria um papel. O colapso aconteceu na tarde em que Mariana voltou cedo para casa e o encontrou na cama principal com Carlos, seu próprio primo de primeiro grau. Mateo estava vestindo um conjunto de renda preta da esposa, de costas, entregue por completo enquanto o primo o penetrava com fúria. O escândalo não veio a público. Mariana, para evitar a vergonha familiar e proteger a esposa e os filhos de Carlos, decidiu não contar para ninguém. Mas a vingança dela foi fria e calculada. Ela exigiu o divórcio imediato e fechou um acordo sinistro com o primo: ordenou que ele continuasse procurando Mateo e o tomasse à força se fosse necessário, usando-o à vontade para humilhá-lo. Além disso, como parte do castigo implacável, obrigou Carlos a fornecer a Mateo, de forma discreta e sem o consentimento inicial dele, doses contínuas de hormônios misturados nas bebidas dele para forçar uma feminização progressiva no seu corpo. O que nem Mariana nem Carlos previram foi a virada retorcida da mente de Mateo: o que começou como uma humilhação imposta se tornou o seu maior vício e o catalisador da sua verdadeira natureza. A marca do castigo e o encontro com Carlos Os hormônios já tinham começado a fazer o seu trabalho de forma sutil no corpo de Mateo: a pele dele ficou extremamente macia, a A gordura dos seus quadris tinha arredondado levemente e os pelos do corpo quase tinham desaparecido. Longe de sentir horror, Mateo descobriu um prazer perverso nessa transformação física forçada. Carlos costumava chegar sem avisar, usando a chave que ainda guardava. Numa terça-feira à noite, Carlos entrou no apartamento. Mateo já o esperava na penumbra do quarto, vestindo uma liga de renda e um body transparente que deixava à mostra as mudanças na sua figura. Carlos não falava; a relação entre eles era pura dominação e rancor transformado em desejo carnal. Carlos o pegou pelos cabelos com violência, jogando-o sobre a cama de bruços. Segurou os braços dele contra as costas com uma mão só e, sem maiores preâmbulos nem delicadeza, o penetrou de uma vez. A dor inicial se transformou em um segundo numa onda de eletricidade que percorreu a espinha de Mateo. —É isso que você gosta, não é? Ser a foxy da família — sussurrava Carlos no ouvido dele com a voz ofegante, metendo com força bruta enquanto apertava os quadris macios. Mateo não respondia com palavras, só com gemidos abafados no travesseiro. Sentir o peso de um homem forte, o cheiro de suor e a penetração profunda e sem piedade lhe provocava uma submissão absoluta. Carlos o usava até se saciar, curtindo o poder que tinha sobre ele, enquanto Mateo gozava sem nem se tocar, entregue por completo ao papel de ser tomado e moldado pelo castigo. O encontro com Valeria Conforme o tratamento hormonal avançava e seu corpo ganhava formas mais suaves, Mateo começou a procurar por conta própria outros encontros para explorar essa nova corporalidade que sua ex-mulher pretendia usar para destruí-lo. Foi assim que conheceu Valeria. Valeria era uma mulher trans imponente, alta, de curvas marcadas e uma presença dominante que o fascinou desde o primeiro momento. Se com Carlos o sexo era cru e punitivo, com Valeria se tornava uma arte de sedução e controle refinado. Quando Valéria chegou ao apartamento naquela noite, Mateo a recebeu vestindo uma camisola de seda vermelha folgada que deixava entrever suas coxas e seu peito mais macio. Valéria sorriu com cumplicidade; ela notava perfeitamente os efeitos dos hormônios na pele e nas formas de Mateo. — Você está cada vez mais gostosa — murmurou Valéria, passando as unhas pelas costas dele. Valéria o levou até o sofá e o colocou de joelhos, segurando-o pela cintura. Com paciência e uma firmeza inquestionável, o preparou antes de penetrá-lo lentamente. Mateo fechou os olhos e soltou um longo suspiro quando sentiu Valéria preenchê-lo por completo. A cadência de Valéria era constante, profunda e rítmica. Cada investida batia exatamente no seu ponto de maior sensibilidade, fazendo as rendas da camisola se agitarem com o movimento dos seus quadris. Naquele papel passivo, sentindo-se feminino, penetrado e dominado por uma mulher transexual deslumbrante, Mateo experimentava uma libertação total. Já não havia mais vestígio da culpa do passado nem da chantagem inicial: o castigo da ex-esposa tinha se transformado na porta de entrada para sua máxima realização sexual. A aceitação do novo ser O plano de vingança de Mariana tinha falhado no seu objetivo principal: em vez de destruí-lo ou envergonhá-lo, tinha o libertado da pesada máscara da masculinidade tradicional que ele carregava há anos. Mateo ainda gostava de mulheres para compartilhar a vida, conversar e sair, mas na intimidade não havia mais volta. Ele aceitou que seu prazer supremo residia na submissão, em usar lingerie, em deixar que os hormônios continuassem moldando sua pele e em ser penetrado por homens ou por mulheres transexuais. Numa sexta-feira à noite, após se despedir de Valéria, Mateo se olhou no espelho do banheiro. Observou as curvas suaves da sua cintura, a textura fina da sua pele e a lingerie de renda que vestia. Dobrou com cuidado o conjunto e o colocou na gaveta de cima do seu armário, à vista de todo mundo. O segredo já não era um castigo; era a sua verdadeira identidade.

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