Para quem leu o primeiro conto, já conhece de sobra minha fixação desde moleque com botas de couro, o som seco dos saltos batendo no chão e aquela imagem quase hipnótica de umas pernas dominando os pedais no fundo. Me chamo Fede, hoje tenho 39 anos, mas essa história começou há catorze anos, quando eu tinha 25. Durante anos, aquela fantasia viveu trancada na minha cabeça. Era um segredo pesado, daqueles que você guarda com culpa porque acha que ninguém no mundo real vai entender, e muito menos uma gostosa. Eu tinha me resignado a me contentar com a imaginação. Até aquela noite. A Agus eu conheci num sábado de inverno no aniversário de um amigo em comum. Ela tinha acabado de fazer 24. O lugar estava lotado, mas quando ela cruzou a porta, o resto das pessoas simplesmente sumiu. Ela é meio baixinha, mas tem uma presença que te esmaga. Tinha o cabelo claro caindo sobre os ombros, uns olhos azuis de uma clareza quase fria que te desafiavam quando olhavam, e uma boca grande, com aqueles lábios carnudos que roubam sua atenção cada vez que ela fala. Mas o que te tirava o fôlego era o corpo dela: a academia esculpiu umas pernas hiper firmes, duras, e uma figura com umas curvas e umas tetas enormes que marcavam presença sem precisar mostrar demais. Ela tava vestida com um casaco preto, leggings apertadas que colavam na musculatura das coxas e umas botas de couro preto de cano alto, com um salto agulha brutal. Foi aí que minha mente se desconectou do resto do mundo. O som dos passos dela (toc, toc, toc) se impunha por cima do estrondo da música. Cada vez que ela dava um passo, eu via o couro esticando contra a panturrilha definida, o brilho sutil da pele do calçado pegando as luzes do lugar e a elegância letal com que ela pisava. Senti um impacto físico instantâneo: um nó seco na garganta, a respiração ficando curta e aquela descarga de calor violenta que desce direto pro baixo-ventre. Meu coração acelerou como se teriam me pego numa falta. Nos apresentaram e a gente se deu bem na hora. Mas a Agus não é nenhuma santinha nem daquelas que se encolhem; ela tem aquela segurança das gostosas que sabem exatamente o efeito que causam. Ela segura seu olhar fixo enquanto ri, fala de perto e te envolve sem esforço. Num momento da conversa, enquanto estávamos apoiados no balcão, ela se ajeitou de lado e cruzou aquelas pernas firmes. O roçar do couro da bota se esfregando nele mesmo produziu um som mínimo, áspero, perfeito. Meu olhar foi sozinho, instintivo, derrotado. Não consegui disfarçar. Fiquei viajando uns segundos eternos olhando a ponta do salto agulha suspensa no ar. Quando levantei a vista, tremendo por dentro e esperando a rejeição ou o desconforto, me deparei com os olhos azuis dela cravados nos meus. Ela tinha um meio sorriso desenhado naqueles lábios carnudos. Ela tinha percebido. E longe de se assustar, vi como o ego e o desejo acendiam o olhar dela. Ela começou a brincar com aquilo de um jeito descarado. Se aproximava pra falar no meu ouvido pra eu sentir o perfume dela, mas ao mesmo tempo esticava a perna "sem querer", roçando a bota de couro frio e rígido contra o tecido da minha calça jeans. O contraste entre a firmeza da perna de atleta dela e a dureza do couro tava me enlouquecendo. Eu sentia uma mistura de submissão e tesão puro; sabia que tava completamente à mercê dela e ela curtia cada segundo do poder que tinha sobre mim. Naquela mesma noite a gente foi junto pro meu apartamento. A viagem no carro já era um tormento de antecipação: ela ia no banco do passageiro, com as pernas cruzadas, e cada vez que o salto agulha roçava o carpete ou o couro da bota estalava com os movimentos dela, meu estômago dava um nó. Quando entramos, mal tranquei a porta, a tensão tomou conta. Eu a levei contra a parede, mas a Agus me segurou o impulso na hora. Ela colou o corpo no meu e eu senti a firmeza das pernas duras dela apertando minhas coxas. Eu agarrou minha nuca com força, cravando aqueles olhos azuis bem de perto, e me deu um beijo feroz com aquela boca carnuda que me deixou sem fôlego. Dava pra ver de longe que saber que era desejada daquele jeito a excitava num nível extremo. A gente foi se despindo aos tapas na escuridão do quarto, mas quando fui me abaixar pra tirar o calçado dela, ela segurou minha mão. —Não — falou no meu ouvido, com a voz ofegante e um sorriso de canto—. Essas não se tiram. Meu coração começou a bater na garganta. Ver ela em cima dos lençóis, completamente nua, exibindo aquele corpo impecável com os peitos firmes e as pernas torneadas, mas mantendo aquelas botas de couro preto de cano alto até o joelho, era uma imagem que passava de qualquer fantasia que eu já tivesse tido. Me ajoelhei na cama, completamente à mercê dela. Comecei a subir as mãos pelo couro frio e liso da bota. Sentir o formato das panturrilhas duras contidas pelo material fazia meus dedos tremerem. Subi pelo cano até chegar na pele quente das coxas bem trabalhadas. A Agus jogou a cabeça pra trás, soltando um gemido grave enquanto abria as pernas e deixava o salto agulha se cravar sutilmente no colchão, me dando o ângulo perfeito. Sentir o contraste do couro rígido e o salto agulha roçando minhas costas e pernas enquanto eu me afundava nela foi uma experiência quase religiosa. O cheiro de couro, o rangido do couro a cada investida e o peso das pernas firmes dela me envolvendo a cintura me levaram ao limite em minutos. Ela se agarrava nos lençóis, dominando o ritmo com a força do quadril, me encarando com aquele olhar azul cheio de safadeza cada vez que o prazer transbordava. Quando terminamos, exaustos e suados, ela não tirou as botas na hora. Ficou deitada do meu lado, apoiando uma das pernas vestidas de couro pesado sobre as minhas. Ali, enquanto recuperávamos o fôlego na penumbra, percebi que não tinha volta. atrás. Com os dias e a confiança, quando me animei a colocar em palavras tudo o que sentia, ela me confessou que, para ela, calçar aquele sapato era vestir uma armadura de poder, e que me ver me transformar a deixava completamente louca. Naquela noite fria, não só conheci a mulher da minha vida; conheci a única pessoa capaz de pegar minha maior obsessão e transformá-la no fogo de todos os nossos dias.
0 comentários - O dia que mudou tudo: como conheci a Agus