A rotina se estabeleceu com rapidez voraz. Todo entardecer, Delia cruzava o corredor com o consolador na bolsa — agora mais por ritual do que por necessidade — e se transformava no brinquedo sexual de Isaiah. Mas as regras eram claras: ele não era dela, e nunca seria. As outras mulheres continuavam chegando. Em algumas noites, Delia chegava e precisava esperar no corredor, ouvindo os gemidos que já conhecia muito bem, até a porta se abrir e uma figura satisfeita sair com passos cambaleantes. Em outras, encontrava vestígios: uma peça de roupa esquecida, um perfume diferente impregnado nos lençóis, um copo de vinho pela metade na mesa de cabeceira. Mas numa noite de abril, tudo mudou. Delia chegou cedo, cedo demais, e a porta do 4B estava entreaberta. Do corredor, ela pôde ver Isaiah sentado na beira da cama, nu, com uma loira de pernas infinitas ajoelhada entre suas coxas. O que fez Delia parar, congelada na soleira, não foi a cena em si — ela já tinha visto demais — mas a tatuagem. No quadril da loira, bem onde o osso formava uma curva perfeita, brilhava um coração preto do tamanho de uma moeda. E embaixo, em letras minúsculas mas perfeitamente legíveis: *qos*. A mulher notou sua presença na porta. Em vez de se surpreender ou se envergonhar, virou a cabeça e sorriu. Um sorriso de cumplicidade, de superioridade, de posse. Depois voltou à sua tarefa, e Isaiah jogou a cabeça para trás com um gemido que Delia reconheceu como *seu*.
Délia fugiu antes que pudessem vê-la. No seu apartamento, com as mãos tremendo sobre o teclado do laptop, digitou as três letras no buscador. Os resultados a atingiram como um tapa: *Queen of Spades*. Rainha de Espadas. Um símbolo que mulheres brancas usavam para declarar sua preferência exclusiva por homens negros, sua submissão voluntária, seu desejo de serem possuídas pela superioridade negra. Não era só uma tatuagem; era uma marca, uma identidade, uma promessa. A loira não era só mais uma conquista. Era parte de algo. Tinha um lugar no mundo de Isaiah que Délia não conseguia alcançar. O ciúme a queimou com um fogo que ela não sentia nem nos piores momentos da sua vida antiga. Não, ela não ficaria para trás. Se aquela foxy podia se marcar para ele, Délia faria melhor. Seria mais que uma rainha de espadas; seria a posse definitiva dele, sua puta declarada, sua escrava voluntária com a marca a fogo na pele. O estúdio de tatuagem do bairro industrial a recebeu com o zumbido agudo das agulhas trabalhando em carne alheia. O artista, um cara de barba longa e óculos escuros, avaliou o pedido sem julgar. — Onde exatamente? — perguntou, tirando os stencils. — Aqui — Délia apontou para o peito esquerdo, bem em cima do coração —, aqui — virou-se, apontando para a bunda direita —, e aqui — abriu levemente as pernas, indicando o monte de Vênus, bem em cima da buceta depilada. O artista assentiu, profissional. — Os desenhos? — Um coração preto com *qos* no peito — disse, tirando o sutiã diante do espelho —. O mesmo coração na bunda. Um ás de espadas com coroa real aqui — tocou o quadril —. E sobre a minha buceta, em letras góticas: *slut*. A sessão durou quatro horas. A dor foi intensa, quase religiosa. Quando a agulha perfurou seu peito, Délia pensou na boca de Isaiah chupando ali. Quando marcou sua bunda, imaginou as mãos dele agarrando com força. Quando o ás de espadas tomou forma no seu quadril, sentiu a posse simbólica selando na pele. E quando a A palavra *slut* —vadia —ficou gravada permanentemente sobre sua buceta, um centímetro acima do clitóris, e ela chegou ao limite do orgasmo sem se tocar, lágrimas escorrendo pelo rosto num misto de êxtase e dor. —Pronto —anunciou o artista, limpando a tinta excedente—. Você precisa de duas semanas de cicatrização antes de... Delia não ouviu o resto. Vestiu-se com cuidado, o látex roçando contra as novas marcas com uma sensação de fogo vivo, e saiu correndo do estúdio. Isaiah abriu a porta com seu habitual descaso, provavelmente esperando mais uma conquista de uma noite. Quando viu Delia, ofegante, com os olhos brilhando de loucura e determinação, algo mudou no rosto dele. Uma curiosidade, uma antecipação. —Preciso que você veja uma coisa —disse Delia, sem cumprimentar. Entrou no apartamento e começou a se despir ali mesmo, na entrada. O vestido de látex caiu no chão com um barulho úmido. Tirou o sutiã, revelando o coração negro perfeitamente centrado sobre o peito esquerdo, as letras *qos* elegantes logo abaixo, a pele ao redor avermelhada mas radiante. Isaiah deu um passo à frente, os olhos escurecendo. —Vira —ordenou, a voz mais grave que o normal. Delia obedeceu, mostrando o coração idêntico na nádega direita, depois o quadril onde o ás de espadas com coroa real brilhava com tinta fresca. —Porra —suspirou Isaiah, e já estava visivelmente endurecendo sob a calça. —Tem mais —disse Delia, e puxou a calcinha de renda até os tornozelos. Abriu as pernas, exibindo a buceta depilada, e ali, bem acima dos lábios úmidos, em letras góticas pretas e grossas, a palavra *SLUT*. Isaiah grunhiu. Um som animal, primitivo, que Delia nunca tinha ouvido dele. Em duas passadas a alcançou, levantou-a do chão e a empurrou contra a parede mais próxima com tanta força que um quadro caiu e se estilhaçou. —Você sabe o que fez? —rosnou contra o pescoço dela, enquanto abria a calça com uma mão e guiava o pau em sua direção com a outra. a outra. —Te liguei —ofegou Delia—. Sou sua. Só sua. Sua puta, sua rainha de espadas, sua... A penetração a cortou. Isaiah a tomou sem preparação, sem lubrificação além da que ela já trazia de antecipação, e a fez gritar. Mas era o grito certo, o da posse final.
— Olha isto — ordenou Isaiah, e a girou para que pudessem se ver no espelho do hall. Lá estavam eles: ele, uma montanha de músculos negros, e ela, uma bonequinha branca marcada com símbolos de submissão, a perna esquerda enrolada na cintura dele, o corpo aberto e penetrado, as tatuagens brilhando como placas de trânsito eróticas. — Agora você é oficialmente minha putinha — grunhiu Isaiah, metendo com uma força que fazia os peitos dela quicarem —. Minha propriedade. Meu brinquedo marcado. — Sim — chorou Delia, chegando ao orgasmo na velocidade de um tiro —. Sim, sim, sou sua, só sua... Isaiah a carregou assim, ainda conectados, até o quarto dele. Naquela noite não houve outras mulheres. Naquela noite, e nas que se seguiram, Delia foi a única. Porque agora ela carregava a marca permanente, a declaração escrita na carne de que sua transformação estava completa: do homem que foi, para a putinha que ele fez dela. E cada vez que Isaiah se enterrava nela, os olhos dele buscavam as tatuagens, e ele gemia com uma satisfação que nenhuma outra tinha conseguido despertar.
Délia fugiu antes que pudessem vê-la. No seu apartamento, com as mãos tremendo sobre o teclado do laptop, digitou as três letras no buscador. Os resultados a atingiram como um tapa: *Queen of Spades*. Rainha de Espadas. Um símbolo que mulheres brancas usavam para declarar sua preferência exclusiva por homens negros, sua submissão voluntária, seu desejo de serem possuídas pela superioridade negra. Não era só uma tatuagem; era uma marca, uma identidade, uma promessa. A loira não era só mais uma conquista. Era parte de algo. Tinha um lugar no mundo de Isaiah que Délia não conseguia alcançar. O ciúme a queimou com um fogo que ela não sentia nem nos piores momentos da sua vida antiga. Não, ela não ficaria para trás. Se aquela foxy podia se marcar para ele, Délia faria melhor. Seria mais que uma rainha de espadas; seria a posse definitiva dele, sua puta declarada, sua escrava voluntária com a marca a fogo na pele. O estúdio de tatuagem do bairro industrial a recebeu com o zumbido agudo das agulhas trabalhando em carne alheia. O artista, um cara de barba longa e óculos escuros, avaliou o pedido sem julgar. — Onde exatamente? — perguntou, tirando os stencils. — Aqui — Délia apontou para o peito esquerdo, bem em cima do coração —, aqui — virou-se, apontando para a bunda direita —, e aqui — abriu levemente as pernas, indicando o monte de Vênus, bem em cima da buceta depilada. O artista assentiu, profissional. — Os desenhos? — Um coração preto com *qos* no peito — disse, tirando o sutiã diante do espelho —. O mesmo coração na bunda. Um ás de espadas com coroa real aqui — tocou o quadril —. E sobre a minha buceta, em letras góticas: *slut*. A sessão durou quatro horas. A dor foi intensa, quase religiosa. Quando a agulha perfurou seu peito, Délia pensou na boca de Isaiah chupando ali. Quando marcou sua bunda, imaginou as mãos dele agarrando com força. Quando o ás de espadas tomou forma no seu quadril, sentiu a posse simbólica selando na pele. E quando a A palavra *slut* —vadia —ficou gravada permanentemente sobre sua buceta, um centímetro acima do clitóris, e ela chegou ao limite do orgasmo sem se tocar, lágrimas escorrendo pelo rosto num misto de êxtase e dor. —Pronto —anunciou o artista, limpando a tinta excedente—. Você precisa de duas semanas de cicatrização antes de... Delia não ouviu o resto. Vestiu-se com cuidado, o látex roçando contra as novas marcas com uma sensação de fogo vivo, e saiu correndo do estúdio. Isaiah abriu a porta com seu habitual descaso, provavelmente esperando mais uma conquista de uma noite. Quando viu Delia, ofegante, com os olhos brilhando de loucura e determinação, algo mudou no rosto dele. Uma curiosidade, uma antecipação. —Preciso que você veja uma coisa —disse Delia, sem cumprimentar. Entrou no apartamento e começou a se despir ali mesmo, na entrada. O vestido de látex caiu no chão com um barulho úmido. Tirou o sutiã, revelando o coração negro perfeitamente centrado sobre o peito esquerdo, as letras *qos* elegantes logo abaixo, a pele ao redor avermelhada mas radiante. Isaiah deu um passo à frente, os olhos escurecendo. —Vira —ordenou, a voz mais grave que o normal. Delia obedeceu, mostrando o coração idêntico na nádega direita, depois o quadril onde o ás de espadas com coroa real brilhava com tinta fresca. —Porra —suspirou Isaiah, e já estava visivelmente endurecendo sob a calça. —Tem mais —disse Delia, e puxou a calcinha de renda até os tornozelos. Abriu as pernas, exibindo a buceta depilada, e ali, bem acima dos lábios úmidos, em letras góticas pretas e grossas, a palavra *SLUT*. Isaiah grunhiu. Um som animal, primitivo, que Delia nunca tinha ouvido dele. Em duas passadas a alcançou, levantou-a do chão e a empurrou contra a parede mais próxima com tanta força que um quadro caiu e se estilhaçou. —Você sabe o que fez? —rosnou contra o pescoço dela, enquanto abria a calça com uma mão e guiava o pau em sua direção com a outra. a outra. —Te liguei —ofegou Delia—. Sou sua. Só sua. Sua puta, sua rainha de espadas, sua... A penetração a cortou. Isaiah a tomou sem preparação, sem lubrificação além da que ela já trazia de antecipação, e a fez gritar. Mas era o grito certo, o da posse final.
— Olha isto — ordenou Isaiah, e a girou para que pudessem se ver no espelho do hall. Lá estavam eles: ele, uma montanha de músculos negros, e ela, uma bonequinha branca marcada com símbolos de submissão, a perna esquerda enrolada na cintura dele, o corpo aberto e penetrado, as tatuagens brilhando como placas de trânsito eróticas. — Agora você é oficialmente minha putinha — grunhiu Isaiah, metendo com uma força que fazia os peitos dela quicarem —. Minha propriedade. Meu brinquedo marcado. — Sim — chorou Delia, chegando ao orgasmo na velocidade de um tiro —. Sim, sim, sou sua, só sua... Isaiah a carregou assim, ainda conectados, até o quarto dele. Naquela noite não houve outras mulheres. Naquela noite, e nas que se seguiram, Delia foi a única. Porque agora ela carregava a marca permanente, a declaração escrita na carne de que sua transformação estava completa: do homem que foi, para a putinha que ele fez dela. E cada vez que Isaiah se enterrava nela, os olhos dele buscavam as tatuagens, e ele gemia com uma satisfação que nenhuma outra tinha conseguido despertar.
0 comentários - O novo vizinho 5