O novo vizinho 5

A rotina se instalou com uma voracidade danada. Todo fim de tarde, Delia atravessava o corredor com o consolador na bolsa —agora mais por ritual do que por necessidade— e virava o brinquedo sexual de Isaiah. Mas as regras eram claras: ele não era dela, e nunca seria. As outras mulheres continuavam chegando. Umas noites, Delia chegava e tinha que esperar no corredor, ouvindo os gemidos que já conhecia bem demais, até a porta se abrir e uma figura satisfeita sair cambaleando. Outras vezes, encontrava vestígios: uma peça de roupa esquecida, um perfume diferente impregnado nos lençóis, um copo de vinho pela metade na mesa de cabeceira. Mas numa noite de abril, tudo mudou. Delia chegou cedo, cedo demais, e a porta do 4B estava entreaberta. Do corredor, ela conseguiu ver Isaiah sentado na beira da cama, pelado, com uma loira de pernas intermináveis ajoelhada entre as coxas dele. O que fez Delia parar, congelada na entrada, não foi a cena em si —ela já tinha visto um monte— mas a tatuagem. Na cadera da loira, bem onde o osso fazia uma curva perfeita, brilhava um coração preto do tamanho de uma moeda. E embaixo, em letras miúdas mas perfeitamente legíveis: *qos*. A mulher notou a presença dela na porta. Em vez de se surpreender ou ficar sem graça, virou a cabeça e sorriu. Um sorriso de cumplicidade, de superioridade, de posse. Depois voltou ao que estava fazendo, e Isaiah jogou a cabeça para trás com um gemido que Delia reconheceu como *dela*.O novo vizinho 5Delia fugiu antes que pudessem vê-la. No apartamento dela, com as mãos tremendo sobre o teclado do notebook, ela digitou as três letras no buscador. Os resultados bateram nela feito um tapa: *Queen of Spades*. Rainha de Espadas. Um símbolo que as mulheres brancas usavam pra declarar a preferência exclusiva por homens negros, a submissão voluntária delas, o desejo de serem possuídas pela superioridade negra. Não era só uma tatuagem; era uma marca, uma identidade, uma promessa. A loira não era só mais uma conquista. Era parte de algo. Tinha um lugar no mundo do Isaiah que a Delia não conseguia alcançar. O ciúme queimou ela com um fogo que ela não sentia nem nos piores momentos da vida antiga. Não, ela não ia ficar pra trás. Se aquela foxy podia se marcar pra ele, a Delia ia fazer melhor. Ia ser mais que uma rainha de espadas; ia ser a possessão definitiva dele, a puta declarada dele, a escrava voluntária dele com a marca a fogo na pele. O estúdio de tatuagem do bairro industrial recebeu ela com o zumbido agudo das agulhas trabalhando em carne alheia. O tatuador, um cara de barba comprida e óculos escuros, avaliou o pedido dela sem julgar. — Onde exatamente? — perguntou, puxando os stencils. — Aqui — a Delia apontou pro peito esquerdo, bem em cima do coração —, aqui — virou, apontando pra bunda direita dela —, e aqui — abriu as pernas de leve, indicando a monte de Vênus, bem em cima da buceta depilada dela. O tatuador assentiu, profissional. — Os desenhos? — Um coração preto com *qos* no peito — disse, tirando o sutiã na frente do espelho —. O mesmo coração na bunda. Um ás de espadas com coroa real aqui — tocou a cintura dela —. E em cima da minha buceta, em letras góticas: *slut*. A sessão durou quatro horas. A dor foi intensa, quase religiosa. Quando a agulha perfurou o peito dela, a Delia pensou na boca do Isaiah chupando ali. Quando marcou a bunda dela, imaginou as mãos dele agarrando com força. Quando o ás de espadas tomou forma na cintura dela, sentiu a posse simbólica selando na pele dela. E quando a A palavra *slut* —vadia —ficou gravada permanentemente sobre a buceta dela, um centímetro acima do clitóris, ela chegou ao limite do orgasmo sem se tocar, as lágrimas escorrendo pelo rosto de êxtase e dor misturados. —Pronto —anunciou o artista, limpando a tinta que sobrou—. Você precisa de duas semanas de cicatrização antes de... A Delia não ouviu o resto. Ela se vestiu com cuidado, o látex roçando contra as novas marcas com uma sensação de fogo vivo, e saiu correndo do estúdio. O Isaiah abriu a porta com aquele jeito despreocupado dele, provavelmente esperando outra conquista de uma noite. Quando viu a Delia, ofegante, com os olhos brilhando de loucura e determinação, algo mudou no rosto dele. Uma curiosidade, uma antecipação. —Preciso que você veja uma coisa —disse a Delia, sem cumprimentar. Entrou no apartamento e começou a se despir ali mesmo, na entrada. O vestido de látex caiu no chão com um barulho molhado. Tirou o sutiã, revelando o coração negro perfeitamente centrado no peito esquerdo, as letras *qos* elegantes embaixo, a pele ao redor vermelha mas radiante. O Isaiah deu um passo à frente, os olhos escurecendo. —Vira —ordenou, a voz mais grave que o normal. A Delia obedeceu, mostrando o coração idêntico na bunda direita, depois o quadril onde o ás de espadas com coroa real brilhava com tinta fresca. —Porra —suspirou o Isaiah, e já estava endurecendo visivelmente debaixo da calça. —Tem mais —disse a Delia, e puxou a calcinha de renda até os tornozelos. Abriu as pernas, exibindo a buceta depilada, e ali, bem em cima dos lábios molhados, em letras góticas pretas e grossas, a palavra *SLUT*. O Isaiah grunhiu. Um som animal, primitivo, que a Delia nunca tinha ouvido dele. Em duas passadas ele a alcançou, levantou ela do chão, e a empurrou contra a parede mais próxima com tanta força que um quadro caiu e se estilhaçou. —Você sabe o que fez? —rosnou contra o pescoço dela, enquanto desabotoava a calça com uma mão e guiava o pau dele em direção a ela com a outra. —Eu te liguei —gemeu Delia—. Sou sua. Só sua. Sua putinha, sua rainha de espadas, sua... A penetração a interrompeu. Isaiah a tomou sem preparação, sem lubrificação além da que ela já trazia de antecipação, e a fez gritar. Mas era o grito certo, o da posse final.vadia
novo post— Olha só isso —ordenou Isaiah, e girou ela pra que pudessem se ver no espelho do hall. Lá estavam eles: ele, uma montanha de músculos negros, e ela, uma bonequinha branca marcada com símbolos de submissão, a perna esquerda enrolada na cintura dele, o corpo aberto e penetrado, as tatuagens brilhando como placas eróticas. — Agora você é oficialmente minha putinha — rosnou Isaiah, metendo nela com tanta força que os peitos dela balançavam. — Minha propriedade. Meu brinquedo marcado. — Sim — chorou Delia, gozando na velocidade de um tiro —. Sim, sim, sou sua, só sua... Isaiah carregou ela assim, ainda conectados, até o quarto dele. Naquela noite não teve outras mulheres. Naquela noite, e nas que vieram depois, Delia foi a única. Porque agora ela carregava a marca permanente, a declaração escrita na carne de que a transformação dela estava completa: do homem que ele foi, pra putinha que ele fez dela. E toda vez que Isaiah enterrava nela, os olhos dele buscavam as tatuagens, e ele gemia com uma satisfação que nenhuma outra tinha conseguido despertar.

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