Sussurro da Transgressão. CAP 4

O som da maçaneta da porta girando quebrou o silêncio elétrico do quarto com uma crueldade abrupta. Damián tirou a mão de entre as nádegas de Sofía com uma rapidez impressionante, movendo-se para o outro lado da cama como se fosse um puto que tivesse sido pego espiando um pintassilgo. Sofía, por sua vez, sentiu um arrepio percorrer suas costas, uma mistura de pânico e adrenalina pura que se agarrou aos seus músculos. Seu cu, ainda molhado pela saliva e pela invasão súbita do dedo de Damián, se contraiu violentamente ao perder o contato, um anel de carne pulsante que pedia atenção que já não podia receber.

Com movimentos bruscos mas controlados, Sofía ajeitou a calcinha fio-dental de renda, certificando-se de que cobria seu segredo, e baixou a saia jeans sobre as coxas. O roçar do tecido áspero contra sua pele sensível e, principalmente, contra a área recém-usada, provocou um arrepio que ela teve que morder o lábio para não soltar. Ela se virou no colchão, procurando uma posição que parecesse casual, e acabou sentada na borda, com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas de cada lado do quadril. Tentou controlar a respiração, que saía curta e rápida, e notou como o calor subia da sua buceta para as bochechas, tingindo-as de um vermelho carmim que não conseguia disfarçar completamente.

A porta se abriu por completo e Lucas apareceu na moldura, olhando para o relógio de pulso com uma expressão de confusão.

—Faltavam dez segundos —murmurou Lucas, entrando no quarto com passo hesitante. Seus olhos escanearam o ambiente com desconfiança, como se esperasse encontrar uma armadilha—. Voltei mais cedo. Não queria deixar vocês dois sozinhos por muito tempo.

O clima no quarto era denso, quase pegajoso, carregado com o cheiro de sexo e suor que os três podiam sentir, mas que só dois reconheciam por completo. Lucas parou de repente ao ver Sofía. Ela estava sentada, rígida demais, com as costas retas e os ombros tensos. O rosto dela tava vermelho, um rubor intenso que descia pelo pescoço e sumia debaixo do tecido da camiseta curta. Lucas não perdeu esse detalhe; franziu a testa, percebendo a mudança na postura dela, o jeito que ela apertava os lábios como se tivesse segurando algo.

— O que foi? — perguntou Lucas, a voz tremendo de leve —. Por que você tá assim, Sofia? Cê tá... estranha.

Sofia sentiu o coração batendo forte contra as costelas. A sensação de dilatação no cu dela era impossível de ignorar; sentia o buraco aberto, molhado, pulsando no ritmo do coração, um lembrete físico e sujo do que tinha acabado de rolar. Cada vez que respirava, o movimento dos quadris dela no colchão lembrava a presença do Damião dentro dela. Precisava de uma desculpa, qualquer coisa que explicasse aquele rubor sem entregar a penetração anal que tinha acabado de sofrer.

Antes que ela conseguisse falar alguma coisa, Damião interveio. Tinha se encostado na parede, de braços cruzados e um sorriso relaxado, quase debochado, nos lábios. Passava uma confiança total, de um homem que tem o controle da narrativa.

— Fica tranquilo, Lucas — disse Damião, com um tom de voz suave, quase condescendente —. Não rolou nada de ruim. Só aproveitei os segundos que fiquei fora pra trocar uma ideia com ela.

Lucas virou a cabeça pra ele, os olhos semicerrados.

— Trocar ideia? Cê ficou fora só vinte segundos.

— Vinte segundos é tempo pra caralho se você sabe usar — rebateu Damião, se desgrudando da parede e se aproximando da cama. Parou do lado da Sofia, mas não tocou nela; só ficou ali, dominando o espaço com a presença —. Perguntei se ela tava gostando do jogo. Queria saber se ela tava se divertindo tanto quanto a gente.

Sofia concordou com a cabeça, forçando um sorriso que esperava que parecesse natural.

— É, é... intenso — conseguiu falar, embora a voz tenha saído um pouco mais fina que o normal.

Damião continuou, tecendo a mentira com uma habilidade que impressionou Sofia, mesmo no estado de choque dela.

— E como ela ganhou a primeira rodada, adivinhando quem estava tocando nela, achei que merecia um prêmio — disse Damián, olhando Lucas nos olhos, desafiando ele a duvidar —. Nada grave. Só um incentivo pequeno.

— Que tipo de incentivo? — perguntou Lucas, embora a tensão nos ombros dele começasse a aliviar um pouco.

— Um beijo — respondeu Damián, com um sorriso safado —. Um beijo no canto da boca. Quase na boca. Um prêmio por ser tão boa jogadora.

A explicação entrou na mente de Lucas como água em terra sedenta. Era inocente, plausível. Um beijo quase na boca explicava perfeitamente o rubor nas bochechas de Sofia, o nervosismo nas mãos dela, o jeito que ela evitava contato visual direto. Lucas soltou o ar que estava segurando sem perceber. A ideia de que Damián tivesse tocado Sofia de forma mais íntima, de tê-la marcado como fez, nem passou pela cabeça ingênua dele. Ele só via o jogo de superfície, o flerte superficial que ele mesmo tinha proposto.

— Ah — disse Lucas, balançando a cabeça devagar —. Bom, acho que faz parte do jogo. Mas... toma cuidado, sabe? Não quero que as coisas saiam do controle.

Damián deu de ombros, indiferente.

— Tudo sob controle, parceiro. Só estamos brincando.

Sofia sentiu uma onda de alívio misturada com uma excitação vergonhosa. A mentira de Damián tinha salvado ela, mas também a prendeu numa cumplicidade mais profunda. O segredo do cu dilatado dela, da saliva de Damián lubrificando por dentro, era agora um tesouro que só eles dois compartilhavam. Enquanto Lucas relaxava, achando que o "prêmio" tinha sido só um roçar de lábios, Sofia sentia como o músculo do esfínter dela continuava aberto, uma boquinha faminta entre as nádegas que ninguém mais via, mas que definia toda a realidade dela naquele momento.

O clima no quarto mudou, passando do pânico para uma calma. Tensa. Lucas se aproximou da cama, encarando Sofia com um interesse renovado, talvez com ciúmes do "prêmio" que o Damião tinha dado pra ela.

— E aí? — perguntou Lucas, limpando a garganta. — A gente continua?

Sofia ouviu ele. Lucas estava ali, o namorado dela, o parceiro oficial, parecendo tão inofensivo e tão alheio à putaria suja que tinha acabado de rolar no colchão. Ela sentiu uma pontada de culpa, mas foi rapidamente abafada pela umidade persistente no meio das pernas dela. O corpo dela tinha respondido à dominação do Damião com uma ferocidade que o Lucas nunca tinha conseguido despertar.

— É, a gente pode continuar — falou Sofia, tentando deixar a voz firme. — Mais uma rodada.

CONTINUA

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