A fantasia do casamento

A atmosfera na casa dos pais da Valery era sufocante, um eco constante de pratos quebrados e recriminações que transformavam o lar dela num campo de batalha. Trancada no quarto, a tela do computador era a única janela dela pro abismo. Os dedos dela, trêmulos de ansiedade, escreviam no vidro líquido:

> *"Não aguento mais um grito. Meu pai quebrou outro vaso e minha mãe passou o dia trancada chorando. Preciso sumir."*

A resposta não demorou a chegar da conta criptografada que ela dividia com o casal dono da grande propriedade do outro lado da cidade. Eles não escreviam como amigos, mas como arquitetos de um destino.

> **Pai do Bethoven:** "Você foi escolhida pela sua disposição, Valery. Observamos seu cansaço e é exatamente o que ele precisa. Bethoven atingiu uma maturidade imponente. É uma fera de pelo branco e força pura que já não cabe mais dentro dos muros da nossa casa. Ele é o centro do nosso mundo e você, com sua juventude e esses atributos que tanto elogiamos, será a parceira ideal dele. Venha, e deixe a civilização ser só uma lembrança."

> **Mãe do Bethoven:** "Imagina, garota. Sem as amarras da sua escola, sem o controle dos seus pais que tanto te sufoca. Bethoven te espera no jardim, sob a lua. Ele não conhece a linguagem, só a entrega. Na intimidade, não vão ter palavras, só o peso do corpo branco dele te cobrindo, te forçando a ir pro chão, a deixar seu peito se render à gravidade enquanto ele te marca como dele. Cê tá pronta pra perder sua dignidade humana e virar a parceira de cruza dele?"

Valery olhou pra porta do quarto dela. Os gritos no corredor aumentaram. A ideia de fugir não causava medo nela, mas uma paz animal estranha. A descrição dos pais do Bethoven, longe de ofender, acendia nela uma curiosidade obscura. Ela queria ser a que acalmasse aquela fera, a que trocasse as brigas de família pelo silêncio. pesado de um jardim noturno. > **Valery:** "To cheia de ser humana. To cheia dos segredos e dessa casa podre. Me fala o que fazer. Vou embora essa noite quando todo mundo dormir. Não vou pegar minhas coisas, não vou procurar saída. Só quero que ele me reivindique." > À meia-noite, Valery pulou o muro dos fundos. Não levava nada além da roupa do corpo. A cidade era uma rede de luzes alheias que já não pertenciam a ela. Caminhou quilômetros até chegar à mansão do casal, um lugar onde a arquitetura parecia feita pra esconder o que rolava lá dentro. Ao chegar no portão, o casal já esperava por ela na penumbra. Não teve cumprimentos. A mãe, com um sorriso frio, fez um gesto pra pequena estrutura de madeira que se erguia no fundo do terreno, junto ao mato denso do jardim. "Lá dentro tá a salvação pra sua vida antiga", disse o pai, apontando pra entrada do barraco. "Mas lembra: a partir de agora, tudo que você conhece morre. Não vai ter mais roupa, não vai ter mais linguagem, e sua dieta vai ser a mesma que a dele. Beethoven te espera. Se você entrar, não vai mais conseguir ficar de pé." Valery não hesitou. Seus passos, ainda humanos, a levaram até o umbral escuro onde, do fundo do barraco, um par de olhos brilhantes e um bafo quente e animal a receberam. Ao entrar, o cheiro de terra, almíscar e pelo denso a envolveu, e pela primeira vez em anos, o silêncio absoluto fez ela sentir que, finalmente, tinha deixado de existir pro mundo lá fora. A atmosfera no barraco era uma mistura pesada de almíscar, calor do corpo e uma tensão que vibrava nas paredes de madeira. Depois da porta, o mundo que Valery tinha deixado pra trás parecia um pesadelo esquecido. Ali, na penumbra, a ordem dos pais de Beethoven se materializava. O peso de Beethoven sobre as costas dela era uma realidade esmagadora. No começo, a confusão manteve ele parado, um gigante de pelo branco e força contida que não sabia como reivindicar o que tava sendo entregue a ele. Foi então, quando os pais dela intervieram, se movendo nas sombras como maestros de uma orquestra perversa. As vozes deles, mais que incentivo, eram ordens que ditavam o ritmo da entrega. Bethoven se aproximou. A umidade que Valery exalava não era só produto do desejo físico, mas uma resposta biológica a tudo que tinham compartilhado nas redes, uma conexão que finalmente se consumava na escuridão. Quando sentiu a língua úmida e firme de Bethoven percorrendo sua anatomia, o espanto se transformou numa onda de prazer que fez ela arquear as costas, buscando instintivamente um apoio que só ele podia dar. Os pais, presentes mas invisíveis na penumbra, incentivavam a cena com uma frieza excitada. "Vamos ver se você gosta mais do seu novo marido", sussurravam, e o som das próprias mãos deles se movendo sobre os corpos enquanto observavam, enchia o casebre com um eco de luxúria voyeurista. Valery, de quatro, sentiu as mãos do pai de Bethoven guiando o filho, ajudando ele a encontrar o caminho. O primeiro contato foi elétrico, uma fricção que soltou uma fera urgência em Bethoven. Ao encontrar a entrada, os movimentos dele ficaram frenéticos, rítmicos, selvagens. O que começou como uma surpresa física virou uma invasão absoluta. Bethoven preenchia ela por completo; cada centímetro da anatomia dela parecia se esticar pra acolher aquele volume que desafiava a resistência dela. Ao virar a cabeça, Valery viu os pais. A mãe, de olhos fechados, se entregava ao próprio prazer enquanto observava a cena; o pai, cuja presença era uma sombra intimidadora, contemplava a cena com uma intensidade que quase igualava a da besta. Mas tudo se desvaneceu quando Bethoven, num desfile de instinto puro, forçou a anatomia dela ao limite, enfiando não só o pau, mas o peso das bolas dele, dilatando ela até um ponto que ela nunca tinha achado possível. A sensação de ser inundada por dentro, o calor da jato após jato de porra, provocou nela um êxtase novo, uma plenitude que a deixou vazia de pensamentos e cheia de uma vitalidade animal. Quando ele finalmente parou, o silêncio só era quebrado pela respiração ofegante dos dois. Ainda unidos, Valery passou uma mão trêmua por baixo, sentindo o tamanho daquele órgão que ainda habitava nela, quente e firme. Ela se acariciou até alcançar um orgasmo que sacudiu sua alma, uma sensação rara, de garanhão e profunda, que não se parecia com nada humano. Quando Beethoven finalmente se retirou, o rastro de porra escorrendo pelas pernas dela sobre a terra da cabana foi sua marca de propriedade. Valery se tocou, sentindo seu corpo alterado, dilatado e vibrante. Olhou para seu parceiro, aquele ser de pelo branco que agora se lambia calmamente, e entendeu que a antiga Valery havia morrido na soleira. Não havia mais volta; só restavam a cabana, a dieta, a entrega e a vida de quatro que mal começava. O sol mal conseguia se infiltrar entre as tábuas da cabana. Para Valery, o conceito de "dia" tinha deixado de ser uma sequência de horas produtivas para se tornar uma série de necessidades biológicas ditadas por sua nova condição. ### A Rotina do Instinto O amanhecer começava com o som da porta se abrindo. Não era um convite para sair, mas a entrega de seu sustento: uma tigela de metal, idêntica à de Beethoven, cheia de uma mistura de grãos, carne crua e suplementos que o casal preparava religiosamente. Ela já não usava talheres; o contato direto com a comida, o cheiro de sangue e terra, tinha se tornado sua única realidade. No começo, o nojo revirava seu estômago, mas com os meses, seu metabolismo se adaptou. A carne crua lhe dava uma energia vibrante, um calor interno que a mantinha ativa mesmo nas noites mais frias, quando dividia a cama de masturbação com ele. Depois da alimentação, Beethoven costumava se levantar, esticando sua musculatura quadrúpede com uma elegância animal que ela imitava por instinto. Ela já não ficava mais de pé. Seus joelhos, agora calejados e escurecidos pela terra do jardim, tinham virado seu principal apoio. Sua coluna tinha se flexibilizado, adotando uma curva constante que permitia que ela se deslocasse com uma velocidade que a antiga Valery nunca teria imaginado. ### A Marca do Lar Foi depois de uma semana em que ela tentou se aproximar demais da cerca externa, olhando com olhos vazios para a rua, que o casal decidiu cortar qualquer possibilidade de fuga. O pai de Bethoven entrou no casebre. Não falou, só trouxe consigo uma coleira de couro grosso, reforçada com rebites de metal frio, e uma corrente de aço pesado. Sem delicadeza, prendeu no pescoço dela, forçando-a a abaixar a cabeça enquanto ajustava a fivela. A sensação do metal contra a pele foi o último lembrete de sua humanidade, uma humilhação que se transformou rapidamente em resignação. A outra ponta da corrente foi ancorada no poste central do casebre. — Se quiser sair, vai ser nos termos dele — sentenciou ele —. Você não é mais uma visitante, Valery. É parte da coleção. ### A Transformação Física A mudança física, acelerada pela corrente e pela vida de quatro, ficou inegável. * **O Torso:** Os peitos dela, sem nenhum apoio e sempre na posição horizontal, tinham se distendido notavelmente. A gravidade tinha alongado eles, fazendo-os balançar a cada movimento que ela fazia para seguir Bethoven. A pele, antes macia e cuidada, agora parecia curtida pela exposição ao ar e à sujeira do jardim. * **A Musculatura:** Os ombros dela tinham se alargado, desenvolvendo uma potência que permitia sustentar o peso com facilidade por horas. As mãos, que já não precisavam manipular objetos, tinham desenvolvido uma força de agarre nas palmas, adaptando-se ao chão. * **A Adaptação:** O rosto dela tinha mudado; ao não usar a linguagem, a mandíbula relaxava, muitas vezes com a boca levemente entreaberta. Os olhos dela, sem a luz artificial das telas, ganharam uma agudeza felina, capaz de seguir os movimentos do Bethoven na escuridão total do barraco. Quando a tarde caía, Bethoven voltava. Deitava do lado dela, ocupando o espaço que a corrente permitia. Valery se aninhava no pelo branco dele, sentindo o calor do corpo. Já não sentia mais vontade de falar, nem de lembrar quem era antes daquele quintal. A corrente que a prendia ao barraco era, na real, a única coisa que a ligava ao novo marido. Ela era a mulher dele, a parceira de cruza, e cada marca da transformação física dela era uma prova de que, pro mundo lá fora, a Valery já não existia mais.

0 comentários - A fantasia do casamento