Quando chegou julho, meus pais decidiram fazer uma viagem pra Itália, antes de ir em agosto pra casa da praia. Eu tinha passado no 4º ano de arquitetura, mas ainda precisava entregar um trabalho na faculdade e também tinha a chance de fazer um estágio no escritório de um amigo do meu pai.
Morávamos numa casa unifamiliar nos arredores de Madri e eu tava afim de curtir a casa em silêncio e trabalhar ouvindo o canto dos passarinhos e o barulho da água na piscina. Ia aproveitar também pra me detonar um pouco fazendo exercício e recuperar a forma que perdi com as horas de estudo. Precisava perder uns 3 ou 4 kgs pra voltar aos meus setenta e oito kgs, um peso maneiro pra minha altura de um metro e oitenta.
Na verdade, não fiquei sozinho. A Marta, a empregada colombiana, ficou, reduzindo a jornada dela pra meio período. A Marta tinha uns quarenta anos, com um tom de pele caribenho suave. Não era muito alta, mas era uma mulher cheia de energia. Trabalhava na casa há uns meses em tempo integral e ia dormir na casa dela.
Uma mulher sempre educada e respeitosa, que fazia o trabalho dela com profissionalismo e discrição. Meus pais pediram pra ela garantir que tudo estivesse bem na ausência deles e que evitasse me distrair com tarefas fora dos meus estudos.
Na primeira manhã, quando desci pra tomar café, encontrei ela limpando a cozinha. Tava vestindo o uniforme de trabalho que minha mãe mandava ela usar, o mesmo uniforme que a Liliana, a empregada anterior, quase estourava dentro. Já na Marta, caía como uma luva. Uma camisa branca de manga comprida por cima de um vestidinho com avental. O cabelo escuro dela tava preso de um jeito informal, deixando o pescoço de fora, só com uns fios caindo no rosto.
—Bom dia, Marta —cumprimentei ela num tom que tentava ser carinhoso.
Bom dia, senhorzinho" — respondeu com seu sorriso simpático, sem levantar o olhar.
Embora eu sentisse um respeito profundo por ela, considerei que eu não era meus pais e devia mostrar intimidade, pelo menos enquanto eles estivessem fora.
—Marta, não precisa me chamar de senhorzinho. Sou o David.
—Bem... Senhor... David.
Em julho já tava calor às 9 da manhã. Via ela toda agasalhada de camisa e avental, sendo que já dava pra andar quase pelado.
—E esses dias você não precisa usar o uniforme. Tá um calorão!
—Mas a mãe dela é muito exigente...
Tava certa, minha mãe era uma sargenta com todo mundo.
—Agora eu sou o dono da casa. Pra mim, pode se vestir como quiser.
—Muito obrigada, seu... David. O senhor sempre foi muito gentil.
O sorriso mostrou seus dentes branquinhos, o que justificou minha oferta. Naquele momento, eu não podia imaginar a virada que nossa relação daria.
Decidi montar meu cantinho de trabalho na sala, que tava bem mais fresca que meu quarto, que pegava o sol da tarde. Durante o dia, comecei a reparar em detalhes da Marta que antes, quando achava que ela era coisa da minha mãe, eu nunca tinha notado: o jeito gostoso como ela se movia pela casa, a melodia suave do sotaque dela, a risada natural que soltava quando eu falava com ela. Fiquei pensativo, olhando pra ela. Por que, de repente, eu tava vendo ela diferente? Será que era culpa do calor ou da solidão do verão?
Ao meio-dia, o calor apertou. Resolvi dar um pulo na piscina pra me refrescar um pouco. Fui me trocar e voltei de sunga. Quando saí, vi a Marta, que já tinha terminado de limpar o térreo, sentada na varanda, tomando um copo d'água e olhando pra piscina.
—Esse calor é insuportável, vou tomar um banho — comentei sorrindo.
Marta me devolveu o sorriso, muito mais relaxada do que o normal.
—É verdade. Eu adorava ir nadar em Bogotá.
—Por que você não toma banho? —falei sem nenhuma intenção.
—A mãe dela não deixa. Além disso, não trouxe maiô aqui.
Me segurei pra não fazer uma piada sobre tomar banho de calcinha ou sem ela.
—Pelo menos dá pra molhar os pés —completei num tom brincalhão, mostrando uma intimidade que até então a gente não tinha.
Me joguei na água e achei ela bem gelada. Quando subi à superfície, vi a Marta de pé na borda da piscina, me encarando, como se estivesse avaliando a decisão dela.
—Vamos lá —falei, sem realmente esperar que ela topasse—. Se quiser, pode usar uma sunga da minha mãe...
—Nada disso. Se o senhor não se importar... amanhã trago um meu.
Marta tirou as sandálias e sentou na borda da piscina, colocando só os pés. Nadei até ela, mantendo uma certa distância. Ela me olhava com uma expressão diferente, com uma cumplicidade que eu nunca tinha sentido.
—O que você quer que eu faça pra você comer?
—Para de me chamar de senhor. E você não precisa fazer nada. Gazpacho e qualquer coisa.
Isso não é comida, devia preparar algo pra você" — respondi. "Se sua mãe descobrir que não te... que não cuidei de você, ela me manda embora.
Respeitava extraordinariamente minha mãe, assim como eu me sentia dominado pelo meu pai.
Ela entrou na cozinha enquanto eu continuava curtindo a água na piscina. Quando entrei, procurei ela com o olhar e, não encontrando, achei que tinha ido embora. Ela tinha deixado uma travessa de macarrão com atum e molho pesto que eu adorava. Ela apareceu da salinha de estar que usava como quarto de descanso quando ficava em casa. Não sei se ela percebeu minha reação, mas eu achei ela super gostosa. Ela tinha soltado a longa cabeleira preta. Um shortinho cobria a parte de cima das perninhas dela, e ela vestia uma camiseta justa que valorizava um peito alto, firme e generoso, com um decote bem marcado.
—Até amanhã, David.
—Até amanhã... Marta —respondi, evitando que percebessem minha agitação.
Depois de comer, bateu um sono que me levou pro quarto tirar uma soneca. Antes de dormir, a imagem dela na despedida veio na minha cabeça. Ela me pareceu uma mulher diferente da que eu tinha visto nos meses anteriores em casa, sempre de uniforme e cabelo preso, que eu nunca tinha reparado.
Desde que terminei com minha ex-namorada há um ano, isolado por causa da minha dedicação à carreira, só tive uns rolos com umas minas, nada sério.
Eu tinha me proposto a curtir uma fase hedonista, o que me impedia de me comprometer em relações sérias.
Fiz um sanduíche e fui pro jardim com uma cerveja, deitado na espreguiçadeira. Lembrei da Marta, tímida até pra colocar os pés na água, e fiquei feliz por não estar sozinho naquela semana. Amanhã ia ligar pro Pablo pra jogar pádel e sair pra tomar umas cervejas à noite com os amigos. O clima de Madrid no verão era foda.
No dia seguinte, já estava tomando café quando a Marta chegou, com um vestidinho de verão, e não pude deixar de admirar como ela ficava gostosa com aquilo.
—Esse vestido cai muito bem em você — comentei com certa cautela.
Ela riu, sem se incomodar.
—Sinto contigo uma liberdade que seus pais não me oferecem.
—Então vem, toma um café comigo. Eu preparo pra você.
Sem saber bem por que, senti a necessidade de saber detalhes dela, e começamos a falar da vida dela aqui, onde ela ia, a família dela.
—Minha família tá na Colômbia. Tenho uma filha de 14 anos que mora com meus pais. Quando ela terminar o ensino fundamental, vou trazê-la pra cá.
Contei pra ela sobre meus estudos e minha vontade de poder projetar casas em breve. Entre confissões e sorrisos, uma conexão palpável foi se criando entre nós dois.
—Você mora com alguém? — perguntei pra ela.
—Não, divido apartamento com outra garota e não encontrei nenhum homem que me respeite do jeito que eu gosto.
Fui manter uma reunião com Luis Garrido, um arquiteto amigo do meu pai que me mostrou o estúdio dele e me abriu as portas pra colaborar lá por uns meses como estagiário. Depois de um café com ele e outro sócio, voltei pra casa.
Cheguei ao meio-dia e sentei pra trabalhar enquanto a luz do sol iluminava a sala toda e a Marta tava terminando de limpar. No fim, largou os utensílios de limpeza e sentou na minha frente, suspirando de cansaço.
—Que bom que você tá aqui —eu disse.
—Eu gosto de falar com você, parece um cara legal. Os homens na Espanha não são de confiança.
—Não generaliza, às vezes a gente não conhece alguém porque não tem tempo pra se ouvir.
A proximidade entre nós ficava cada vez mais intensa, os dois parecíamos curtir o jogo sutil de olhares e palavras sem quebrar a barreira do respeito.
Continuei trabalhando até as duas pra recuperar o tempo perdido com a visita. Coloquei a sunga de novo e, quando saí, encontrei uma estrela diurna, iluminando o ambiente. Marta tava tomando sol na varanda de biquíni, sem conseguir esconder a forma do corpo, mostrando dois peitos que lutavam pra sair e uma bunda que podia servir de modelo pra um rabo perfeito.
—Não quis te incomodar. Ontem você me ofereceu pra usar a piscina... —exclamou tímida ao ver minha reação de surpresa.
—Claro! Só me surpreendi de te ver... Vamos pra água.
Esperei ela entrar primeiro e vi ela nadar com um certo estilo, coordenando pés e mãos. Sentamos na borda da piscina. A visão dos peitões dela marcando no top do biquíni me fez desviar o olhar, incapaz de manter sem me alterar, desviando pro reflexo do céu na água e com medo que ela pudesse perceber minha ereção.
—Posso ficar aqui essa tarde? Em casa tá um calorão...
—Claro! Vem, vamos comer alguma coisa e depois você pode ficar aqui enquanto eu trabalho um pouco.
—Já comi. No meu país a gente come mais cedo. Deixei um peixe no forno pra você, é só esquentar 3 minutos.
Comi sozinho, sem parar de dar uma olhadinha pela janela pra ver a silhueta dela. Foi difícil me concentrar no trampo imaginando ela deitada sozinha na piscina. Dava pra alguém se concentrar com aquela vista? Foda-se o trabalho! Pensei. Saí com dois cafés pra varanda e um copo de gelo.
—Obrigado... David. Ainda não me acostumei a te chamar assim.
—Eu gosto de ouvir você falando isso.
Ela me olhou com um sorriso safado.
—Precisa trabalhar essa tarde?
—Não tô afim. Além disso, não seria um cavalheiro se não cuidasse da minha convidada.
—Cê curte mojito? O meu é cinema.
Ele interpretou meu sorriso como um sim pra proposta dele, e em uns minutos apareceu com uma jarra de mojito, com cheiro de hortelã.
—Você tinha razão, tá uma delícia!
Era uma tarde quente que pedia pra ficar ali, batendo papo deitados. Eu tava curioso sobre a origem dela desde que nossa relação tinha mudado.
—Sente saudade da Colômbia, Marta?
Ela me olhou, surpresa.
—Claro que sinto falta dela, David —respondi, com a voz suave e um toque de saudade nos olhos—. Colômbia é… é parte de quem eu sou. Às vezes sinto que carrego o cheiro do café na pele.
Eu a escutava, encantado, na paixão das palavras dela.
—Me conta um pouco do teu país, de como era a tua vida lá.
Ela estava com o olhar perdido na água, como se tentasse encontrar as palavras certas. Depois de um instante, começou a falar, com uma mistura de tristeza e melancolia.
—Nasci num povoadinho, na região do café, onde meus pais trabalhavam numa fazendinha. Desde pequena, aprendi a acordar cedo e ajudar nas colheitas. As montanhas eram cobertas de pés de café e as tardes sempre cheiravam a terra molhada depois da chuva. Minha mãe fazia o melhor café que já provei na vida; ela sempre dizia que o segredo era colher as cerejas no ponto exato de maturação.
Imaginei as montanhas e o cheiro do café, como se estivesse lá com ela. Lembrava do comercial do Juan Valdés na TV.
—Minha família não tinha muito dinheiro —continuou Marta, com um brilho nos olhos—. No fim do dia, a gente se juntava tudo no quintal pra bater papo e ouvir música. Meu pai tocava violão, minha mãe cantava e eu e minha irmã dançávamos. A vida era dura, mas a gente era feliz.
—E quando você decidiu vir pra cá? — perguntei curioso.
Marta suspirou.
—Foi uma decisão difícil. Casei, tive dois filhos e levei uma vida feliz. Três anos atrás, meu marido foi embora com outra mulher mais nova, lá é normal. Meu filho mais velho ficou com ele. Meu pai faleceu e minha mãe me incentivou a vir buscar um futuro melhor pra minha filha. No começo foi muito pesado. Sentia falta de cada cantinho da minha terra e muitas vezes me perguntava se tinha feito certo em deixar tudo pra trás. Mas sei que com o dinheiro que mando pra família, minha mãe e minha irmã se mantêm. E minha filha logo vem.
Marta tinha os olhos brilhando ao falar do passado e, por um instante, senti uma ternura profunda por ela. Não via nela a empregada da família, mas uma mulher cheia de sacrifícios e sonhos.
— Já pensou em voltar? — perguntei, tentando disfarçar a emoção na minha voz.
Ela assentiu, com um sorriso melancólico.
—Todo dia. A Colômbia tá sempre comigo, em cada música que canto enquanto trabalho, em cada café que tomo. Mas... sabe? Também me sinto bem aqui, principalmente quando encontro pessoas como você. E sei que preciso criar raízes pra dar um futuro melhor pra minha filha.
Naquela tarde, descobri que a Marta era uma mulher de uma força imensa, alguém que tinha sacrificado tanto pela família e que, apesar de tudo, mantinha intacta a vontade de viver.
—Não quero ficar séria. Cê curte bachata?
Ele conectou o celular e começou a tocar uma música caribenha que ele ouvia em todas as baladas quando saía. Ele pegou na minha mão e começou a dançar.
—Não sei dançar! — falei, me mexendo todo desengonçado.
—Se deixa levar... Não deixa o corpo duro, solta ele.
Parecia um plano melhor, ela e mojitos, do que a prancheta de desenho e o computador.
—Tá bom. Um favor pelo outro, piscina em troca de dança —ofereci, sabendo que ia me ajudar pra caralho saber dançar.
Encantada de te ensinar. Tô felizona, isso aqui é um paraíso. E você tá sendo foda comigo" —ela terminou baixando a voz—. "E você é muito gostoso, caso não saiba.
—Já volto — falei, só como desculpa pra baixar o tesão que subiu com o contato da Marta de biquíni, quase pelada.
Ela tava tentando conseguir alguma coisa? Não podia cair nos braços de uma mina por mais melosa que fosse, assim, do nada. Mas também podiam me chamar de otário por abrir mão de curtir um tempo de risadas e mojitos com uma mulher com aquele corpo.
Liguei pro Pablo pra confirmar que a gente ia se ver naquela noite. Quando saí, encontrei a Marta dormindo, tomando sol de top less. Ela mostrava uns peitos perfeitos, que fiquei admirando besta. Fazia meses que não passavam pelos meus olhos, nem pelas minhas mãos, nem pela minha boca, uns peitos comparáveis aos dessa mina, com a pele moreninha.
Entreabriu os olhos e, ao me ver, não fez nenhum gesto pra se cobrir.
—Espero não ter te incomodado — ele se desculpou, com um sorriso tímido.
—De jeito nenhum, esses dias você vai poder fazer. Se fizer na frente da minha mãe, chama a polícia, por perturbação das regras de convivência.
—Valeu, por ela não teria problema, o durão é teu pai. Admiro a classe dela, devia ser uma mulher gostosa pra caralho quando jovem. E ainda é.
—Sim, meu pai diz que ela era a admiração de Madri. Ele teve sorte de conquistar aquela gostosa.
—Agora dá pra perceber demais a diferença de idade entre eles. Teu pai devia tomar cuidado.
—Você acha? — perguntei surpreso.
—As mulheres percebem o que a outra sente. Sua mãe é uma mulher que ainda não abre mão dos prazeres da carne, e seu pai é velho demais.
Não tinha reparado que os quinze anos de diferença de idade pudessem colocar o casamento deles em risco. Era verdade que minha mãe, aos cinquenta anos, ainda era muito gostosa e meu pai já começava a mancar.
—Eles se dão bem — eu comentei.
—Pelos seus pais! Pra eles demorarem pra voltar! — brindou.
Encheu as taças de mojito. Escolheu a música, subiu nos saltos, elevando seu escasso um e sessenta, aproximando seus olhos desafiadores na altura dos meus e começou a se mexer de um jeito sensual.
—Amo esse terraço, protegido de olhares —sussurrou sem parar de mexer aquele corpo animal—. É gostoso ver daqui o pôr do sol com suas cores laranja e violeta e o sol sumindo no horizonte sem que ninguém consiga segurá-lo.
Nunca tinha reparado nisso" — falei, preso na sensibilidade dela.
Foi embora, quando a noite já tinha coberto o céu do terraço. Eu tava tão bem que não tava afim de sair, liguei pro Pablo pra me desculpar. Ia trocar o gin tônica por mojito. Tomei o último mojito que tinha na jarra.
Meu estado de espírito mudou a partir daí. Curtir a Marta foi como ter tomado uma picada de heroína na veia. Os dois dias seguintes foram uma continuação do que a gente viveu. Já me virava muito bem na dança. Cada vez mostrava mais confiança e a gente trocava brincadeiras de todo tipo.
Na sexta, a gente tava curtindo uma tarde na piscina quando eu perguntei pra ela.
—Estranho que nenhum cara te chame pra sair.
—Quem te disse que eles não fazem isso? Os homens na Espanha são muito elitistas. O último que conheci não gostava de ir comigo nos lugares que ele frequenta.
—Não tô entendendo...
—É muito fácil. Você me convidaria pra sair com seus amigos?
—Bom, meus amigos são da minha idade, jovens... Mas não teria problema—respondi vendo que ela tava afim.
—Tá vendo? Você é diferente. Que pena que você é tão novinha!
Qual era a importância de sair uma noite e dançar salsa? Na semana seguinte meus pais voltariam e eu não poderia fazer isso.
—Que se dane a idade! É sexta-feira, cola comigo e meus amigos hoje à noite.
Ela se levantou e veio me dar dois beijos em sinal de alegria, provocando um tremor no meu corpo e sentindo, naquela aproximação, o despertar da minha pica.
—Mmm, você é novo, mas não é de pedra… — ela sorriu, malandra.
Foi pra casa se trocar. Passei pra buscá-la e me surpreendi ao vê-la com um visual tão jovem. As roupas dela não eram de marca, mas ela usava tudo com muito estilo. Pegou uma necessaire de maquiagem e, com o espelho do quebra-sol, fez uns traços nos olhos e contornou os lábios. O resultado ficou incrível.
—Vou ser a inveja dos meus amigos —falei pra ela.
Valeu. Tô animada pra sair com uns caras espanhóis.
Quando chegamos no Brito, onde tinha combinado com meus amigos, vi a cara de surpresa dele e como a Marta se sentiu a estrela no meio de tanto elogio e cantada. As outras minas receberam ela bem, porque tinha que admitir que a Marta era simpática pra caralho e, talvez por causa da idade dela, não sentiam ciúme por mais gostosa que ela fosse.
Ela sorria pra mim e dizia que era a primeira vez que saía com um grupo assim desde que chegou na Espanha.
—Talvez você tenha expectativas muito altas.
—Não sei, mas você preenche muitos requisitos —ela ficou em silêncio—. Te surpreendi?
—Tô feliz, vocês são fodas —ela me disse num canto.
—Eu também. Fazia tempo que não saía.
—Na sua idade não é bom ficar trancado. Você tem que comemorar que vai terminar a faculdade logo.
—Agora com você, não preciso mais sair de casa.
—Não esquece quem nós somos. Quando seus pais voltarem, a gente não vai poder nem ser amigo.
Eu tava confuso. Lembrava do corpo dela na piscina, e olhando em volta, não tinha uma tia mais gostosa. Ele quis desviar a conversa.
—Seus amigos são muito divertidos. Tô cansada de caras mal-educados.
—Aqui a gente valoriza muito a novidade, e você é diferente de todas as minas que eles conhecem.
—Poderia ser a madre superiora.
Você é superior a todas as mães" — e rindo, continuei —. "E às filhas delas também.
—Kkkkkk. Que puxa-saco! Se sua mãe descobre! —respondeu sem parar de rir—, era pra você estar sob meus cuidados. A gente tinha que trazer ela uma noite.
—Na minha mãe? Não tô vendo ela.
—Conheci mulheres na sua situação. Você ia se surpreender!
O comentário dela me levou de volta à minha adolescência, quando eu via minha mãe como uma mulher maravilhosa e fantasiava com ela. Como será que minha mãe se comportaria num lugar daqueles, com caras da minha idade? Eu queria dar um passo à frente, mas me sentia inseguro.
— O que você acha que seus amigos vão pensar da gente? — ela olhou pro resto do grupo.
—Foda-se! Cê tá preocupado com isso?
A chegada do Lucas, um amigo que se achava o maior pegador, nos separou e ele tentou monopolizar ela.
—Vamos dançar —sem pedir permissão, pegou ela e levou pra uma pista improvisada que tinha se formado no fundo do balcão.
Marta tava divertida, simpática, não pensava em nada além de rir. O peito dela balançava enquanto dançava, os cachos do cabelo se embaraçavam, ela me lançava olhares da pista improvisada, sem eu saber se era pra me provocar ou se era o jeito dela de mostrar a alegria. Deixei elas à vontade, mas não tirei os olhos delas.
Enquanto eu ria com o Pablo, que insinuava qual era a minha com a Marta, perdi eles de vista. Cadê que eles foram parar? Demorei pra achar o Lucas, lá no fundo do balcão, tentando pegar uma mina. Cheguei perto dele.
—E a Marta?
—Marta? Aquela puta latina? Já vazou.
—O que aconteceu?
—Nada, é uma histérica.
Não tava batendo esse comentário. Liguei pra ela e não consegui resposta. Tentei umas três vezes e no fim encontrei o celular dela desligado. Ou será que acabou a bateria? Não parecia fazer sentido ela ir embora sem se despedir.
Acordei preocupado e fui direto pra cozinha. Encontrei ela sentada lá, tomando um gole devagar da xícara de café... fim do capítulo 1.. parte 2 na rede social do autor original...https://twitter.com/status/2063273879682900449
Morávamos numa casa unifamiliar nos arredores de Madri e eu tava afim de curtir a casa em silêncio e trabalhar ouvindo o canto dos passarinhos e o barulho da água na piscina. Ia aproveitar também pra me detonar um pouco fazendo exercício e recuperar a forma que perdi com as horas de estudo. Precisava perder uns 3 ou 4 kgs pra voltar aos meus setenta e oito kgs, um peso maneiro pra minha altura de um metro e oitenta.
Na verdade, não fiquei sozinho. A Marta, a empregada colombiana, ficou, reduzindo a jornada dela pra meio período. A Marta tinha uns quarenta anos, com um tom de pele caribenho suave. Não era muito alta, mas era uma mulher cheia de energia. Trabalhava na casa há uns meses em tempo integral e ia dormir na casa dela.
Uma mulher sempre educada e respeitosa, que fazia o trabalho dela com profissionalismo e discrição. Meus pais pediram pra ela garantir que tudo estivesse bem na ausência deles e que evitasse me distrair com tarefas fora dos meus estudos.
Na primeira manhã, quando desci pra tomar café, encontrei ela limpando a cozinha. Tava vestindo o uniforme de trabalho que minha mãe mandava ela usar, o mesmo uniforme que a Liliana, a empregada anterior, quase estourava dentro. Já na Marta, caía como uma luva. Uma camisa branca de manga comprida por cima de um vestidinho com avental. O cabelo escuro dela tava preso de um jeito informal, deixando o pescoço de fora, só com uns fios caindo no rosto.
—Bom dia, Marta —cumprimentei ela num tom que tentava ser carinhoso.
Bom dia, senhorzinho" — respondeu com seu sorriso simpático, sem levantar o olhar.
Embora eu sentisse um respeito profundo por ela, considerei que eu não era meus pais e devia mostrar intimidade, pelo menos enquanto eles estivessem fora.
—Marta, não precisa me chamar de senhorzinho. Sou o David.
—Bem... Senhor... David.
Em julho já tava calor às 9 da manhã. Via ela toda agasalhada de camisa e avental, sendo que já dava pra andar quase pelado.
—E esses dias você não precisa usar o uniforme. Tá um calorão!
—Mas a mãe dela é muito exigente...
Tava certa, minha mãe era uma sargenta com todo mundo.
—Agora eu sou o dono da casa. Pra mim, pode se vestir como quiser.
—Muito obrigada, seu... David. O senhor sempre foi muito gentil.
O sorriso mostrou seus dentes branquinhos, o que justificou minha oferta. Naquele momento, eu não podia imaginar a virada que nossa relação daria.
Decidi montar meu cantinho de trabalho na sala, que tava bem mais fresca que meu quarto, que pegava o sol da tarde. Durante o dia, comecei a reparar em detalhes da Marta que antes, quando achava que ela era coisa da minha mãe, eu nunca tinha notado: o jeito gostoso como ela se movia pela casa, a melodia suave do sotaque dela, a risada natural que soltava quando eu falava com ela. Fiquei pensativo, olhando pra ela. Por que, de repente, eu tava vendo ela diferente? Será que era culpa do calor ou da solidão do verão?
Ao meio-dia, o calor apertou. Resolvi dar um pulo na piscina pra me refrescar um pouco. Fui me trocar e voltei de sunga. Quando saí, vi a Marta, que já tinha terminado de limpar o térreo, sentada na varanda, tomando um copo d'água e olhando pra piscina.
—Esse calor é insuportável, vou tomar um banho — comentei sorrindo.
Marta me devolveu o sorriso, muito mais relaxada do que o normal.
—É verdade. Eu adorava ir nadar em Bogotá.
—Por que você não toma banho? —falei sem nenhuma intenção.
—A mãe dela não deixa. Além disso, não trouxe maiô aqui.
Me segurei pra não fazer uma piada sobre tomar banho de calcinha ou sem ela.
—Pelo menos dá pra molhar os pés —completei num tom brincalhão, mostrando uma intimidade que até então a gente não tinha.
Me joguei na água e achei ela bem gelada. Quando subi à superfície, vi a Marta de pé na borda da piscina, me encarando, como se estivesse avaliando a decisão dela.
—Vamos lá —falei, sem realmente esperar que ela topasse—. Se quiser, pode usar uma sunga da minha mãe...
—Nada disso. Se o senhor não se importar... amanhã trago um meu.
Marta tirou as sandálias e sentou na borda da piscina, colocando só os pés. Nadei até ela, mantendo uma certa distância. Ela me olhava com uma expressão diferente, com uma cumplicidade que eu nunca tinha sentido.
—O que você quer que eu faça pra você comer?
—Para de me chamar de senhor. E você não precisa fazer nada. Gazpacho e qualquer coisa.
Isso não é comida, devia preparar algo pra você" — respondi. "Se sua mãe descobrir que não te... que não cuidei de você, ela me manda embora.
Respeitava extraordinariamente minha mãe, assim como eu me sentia dominado pelo meu pai.
Ela entrou na cozinha enquanto eu continuava curtindo a água na piscina. Quando entrei, procurei ela com o olhar e, não encontrando, achei que tinha ido embora. Ela tinha deixado uma travessa de macarrão com atum e molho pesto que eu adorava. Ela apareceu da salinha de estar que usava como quarto de descanso quando ficava em casa. Não sei se ela percebeu minha reação, mas eu achei ela super gostosa. Ela tinha soltado a longa cabeleira preta. Um shortinho cobria a parte de cima das perninhas dela, e ela vestia uma camiseta justa que valorizava um peito alto, firme e generoso, com um decote bem marcado.
—Até amanhã, David.
—Até amanhã... Marta —respondi, evitando que percebessem minha agitação.
Depois de comer, bateu um sono que me levou pro quarto tirar uma soneca. Antes de dormir, a imagem dela na despedida veio na minha cabeça. Ela me pareceu uma mulher diferente da que eu tinha visto nos meses anteriores em casa, sempre de uniforme e cabelo preso, que eu nunca tinha reparado.
Desde que terminei com minha ex-namorada há um ano, isolado por causa da minha dedicação à carreira, só tive uns rolos com umas minas, nada sério.
Eu tinha me proposto a curtir uma fase hedonista, o que me impedia de me comprometer em relações sérias.
Fiz um sanduíche e fui pro jardim com uma cerveja, deitado na espreguiçadeira. Lembrei da Marta, tímida até pra colocar os pés na água, e fiquei feliz por não estar sozinho naquela semana. Amanhã ia ligar pro Pablo pra jogar pádel e sair pra tomar umas cervejas à noite com os amigos. O clima de Madrid no verão era foda.
No dia seguinte, já estava tomando café quando a Marta chegou, com um vestidinho de verão, e não pude deixar de admirar como ela ficava gostosa com aquilo.
—Esse vestido cai muito bem em você — comentei com certa cautela.
Ela riu, sem se incomodar.
—Sinto contigo uma liberdade que seus pais não me oferecem.
—Então vem, toma um café comigo. Eu preparo pra você.
Sem saber bem por que, senti a necessidade de saber detalhes dela, e começamos a falar da vida dela aqui, onde ela ia, a família dela.
—Minha família tá na Colômbia. Tenho uma filha de 14 anos que mora com meus pais. Quando ela terminar o ensino fundamental, vou trazê-la pra cá.
Contei pra ela sobre meus estudos e minha vontade de poder projetar casas em breve. Entre confissões e sorrisos, uma conexão palpável foi se criando entre nós dois.
—Você mora com alguém? — perguntei pra ela.
—Não, divido apartamento com outra garota e não encontrei nenhum homem que me respeite do jeito que eu gosto.
Fui manter uma reunião com Luis Garrido, um arquiteto amigo do meu pai que me mostrou o estúdio dele e me abriu as portas pra colaborar lá por uns meses como estagiário. Depois de um café com ele e outro sócio, voltei pra casa.
Cheguei ao meio-dia e sentei pra trabalhar enquanto a luz do sol iluminava a sala toda e a Marta tava terminando de limpar. No fim, largou os utensílios de limpeza e sentou na minha frente, suspirando de cansaço.
—Que bom que você tá aqui —eu disse.
—Eu gosto de falar com você, parece um cara legal. Os homens na Espanha não são de confiança.
—Não generaliza, às vezes a gente não conhece alguém porque não tem tempo pra se ouvir.
A proximidade entre nós ficava cada vez mais intensa, os dois parecíamos curtir o jogo sutil de olhares e palavras sem quebrar a barreira do respeito.
Continuei trabalhando até as duas pra recuperar o tempo perdido com a visita. Coloquei a sunga de novo e, quando saí, encontrei uma estrela diurna, iluminando o ambiente. Marta tava tomando sol na varanda de biquíni, sem conseguir esconder a forma do corpo, mostrando dois peitos que lutavam pra sair e uma bunda que podia servir de modelo pra um rabo perfeito.
—Não quis te incomodar. Ontem você me ofereceu pra usar a piscina... —exclamou tímida ao ver minha reação de surpresa.
—Claro! Só me surpreendi de te ver... Vamos pra água.
Esperei ela entrar primeiro e vi ela nadar com um certo estilo, coordenando pés e mãos. Sentamos na borda da piscina. A visão dos peitões dela marcando no top do biquíni me fez desviar o olhar, incapaz de manter sem me alterar, desviando pro reflexo do céu na água e com medo que ela pudesse perceber minha ereção.
—Posso ficar aqui essa tarde? Em casa tá um calorão...
—Claro! Vem, vamos comer alguma coisa e depois você pode ficar aqui enquanto eu trabalho um pouco.
—Já comi. No meu país a gente come mais cedo. Deixei um peixe no forno pra você, é só esquentar 3 minutos.
Comi sozinho, sem parar de dar uma olhadinha pela janela pra ver a silhueta dela. Foi difícil me concentrar no trampo imaginando ela deitada sozinha na piscina. Dava pra alguém se concentrar com aquela vista? Foda-se o trabalho! Pensei. Saí com dois cafés pra varanda e um copo de gelo.
—Obrigado... David. Ainda não me acostumei a te chamar assim.
—Eu gosto de ouvir você falando isso.
Ela me olhou com um sorriso safado.
—Precisa trabalhar essa tarde?
—Não tô afim. Além disso, não seria um cavalheiro se não cuidasse da minha convidada.
—Cê curte mojito? O meu é cinema.
Ele interpretou meu sorriso como um sim pra proposta dele, e em uns minutos apareceu com uma jarra de mojito, com cheiro de hortelã.
—Você tinha razão, tá uma delícia!
Era uma tarde quente que pedia pra ficar ali, batendo papo deitados. Eu tava curioso sobre a origem dela desde que nossa relação tinha mudado.
—Sente saudade da Colômbia, Marta?
Ela me olhou, surpresa.
—Claro que sinto falta dela, David —respondi, com a voz suave e um toque de saudade nos olhos—. Colômbia é… é parte de quem eu sou. Às vezes sinto que carrego o cheiro do café na pele.
Eu a escutava, encantado, na paixão das palavras dela.
—Me conta um pouco do teu país, de como era a tua vida lá.
Ela estava com o olhar perdido na água, como se tentasse encontrar as palavras certas. Depois de um instante, começou a falar, com uma mistura de tristeza e melancolia.
—Nasci num povoadinho, na região do café, onde meus pais trabalhavam numa fazendinha. Desde pequena, aprendi a acordar cedo e ajudar nas colheitas. As montanhas eram cobertas de pés de café e as tardes sempre cheiravam a terra molhada depois da chuva. Minha mãe fazia o melhor café que já provei na vida; ela sempre dizia que o segredo era colher as cerejas no ponto exato de maturação.
Imaginei as montanhas e o cheiro do café, como se estivesse lá com ela. Lembrava do comercial do Juan Valdés na TV.
—Minha família não tinha muito dinheiro —continuou Marta, com um brilho nos olhos—. No fim do dia, a gente se juntava tudo no quintal pra bater papo e ouvir música. Meu pai tocava violão, minha mãe cantava e eu e minha irmã dançávamos. A vida era dura, mas a gente era feliz.
—E quando você decidiu vir pra cá? — perguntei curioso.
Marta suspirou.
—Foi uma decisão difícil. Casei, tive dois filhos e levei uma vida feliz. Três anos atrás, meu marido foi embora com outra mulher mais nova, lá é normal. Meu filho mais velho ficou com ele. Meu pai faleceu e minha mãe me incentivou a vir buscar um futuro melhor pra minha filha. No começo foi muito pesado. Sentia falta de cada cantinho da minha terra e muitas vezes me perguntava se tinha feito certo em deixar tudo pra trás. Mas sei que com o dinheiro que mando pra família, minha mãe e minha irmã se mantêm. E minha filha logo vem.
Marta tinha os olhos brilhando ao falar do passado e, por um instante, senti uma ternura profunda por ela. Não via nela a empregada da família, mas uma mulher cheia de sacrifícios e sonhos.
— Já pensou em voltar? — perguntei, tentando disfarçar a emoção na minha voz.
Ela assentiu, com um sorriso melancólico.
—Todo dia. A Colômbia tá sempre comigo, em cada música que canto enquanto trabalho, em cada café que tomo. Mas... sabe? Também me sinto bem aqui, principalmente quando encontro pessoas como você. E sei que preciso criar raízes pra dar um futuro melhor pra minha filha.
Naquela tarde, descobri que a Marta era uma mulher de uma força imensa, alguém que tinha sacrificado tanto pela família e que, apesar de tudo, mantinha intacta a vontade de viver.
—Não quero ficar séria. Cê curte bachata?
Ele conectou o celular e começou a tocar uma música caribenha que ele ouvia em todas as baladas quando saía. Ele pegou na minha mão e começou a dançar.
—Não sei dançar! — falei, me mexendo todo desengonçado.
—Se deixa levar... Não deixa o corpo duro, solta ele.
Parecia um plano melhor, ela e mojitos, do que a prancheta de desenho e o computador.
—Tá bom. Um favor pelo outro, piscina em troca de dança —ofereci, sabendo que ia me ajudar pra caralho saber dançar.
Encantada de te ensinar. Tô felizona, isso aqui é um paraíso. E você tá sendo foda comigo" —ela terminou baixando a voz—. "E você é muito gostoso, caso não saiba.
—Já volto — falei, só como desculpa pra baixar o tesão que subiu com o contato da Marta de biquíni, quase pelada.
Ela tava tentando conseguir alguma coisa? Não podia cair nos braços de uma mina por mais melosa que fosse, assim, do nada. Mas também podiam me chamar de otário por abrir mão de curtir um tempo de risadas e mojitos com uma mulher com aquele corpo.
Liguei pro Pablo pra confirmar que a gente ia se ver naquela noite. Quando saí, encontrei a Marta dormindo, tomando sol de top less. Ela mostrava uns peitos perfeitos, que fiquei admirando besta. Fazia meses que não passavam pelos meus olhos, nem pelas minhas mãos, nem pela minha boca, uns peitos comparáveis aos dessa mina, com a pele moreninha.
Entreabriu os olhos e, ao me ver, não fez nenhum gesto pra se cobrir.
—Espero não ter te incomodado — ele se desculpou, com um sorriso tímido.
—De jeito nenhum, esses dias você vai poder fazer. Se fizer na frente da minha mãe, chama a polícia, por perturbação das regras de convivência.
—Valeu, por ela não teria problema, o durão é teu pai. Admiro a classe dela, devia ser uma mulher gostosa pra caralho quando jovem. E ainda é.
—Sim, meu pai diz que ela era a admiração de Madri. Ele teve sorte de conquistar aquela gostosa.
—Agora dá pra perceber demais a diferença de idade entre eles. Teu pai devia tomar cuidado.
—Você acha? — perguntei surpreso.
—As mulheres percebem o que a outra sente. Sua mãe é uma mulher que ainda não abre mão dos prazeres da carne, e seu pai é velho demais.
Não tinha reparado que os quinze anos de diferença de idade pudessem colocar o casamento deles em risco. Era verdade que minha mãe, aos cinquenta anos, ainda era muito gostosa e meu pai já começava a mancar.
—Eles se dão bem — eu comentei.
—Pelos seus pais! Pra eles demorarem pra voltar! — brindou.
Encheu as taças de mojito. Escolheu a música, subiu nos saltos, elevando seu escasso um e sessenta, aproximando seus olhos desafiadores na altura dos meus e começou a se mexer de um jeito sensual.
—Amo esse terraço, protegido de olhares —sussurrou sem parar de mexer aquele corpo animal—. É gostoso ver daqui o pôr do sol com suas cores laranja e violeta e o sol sumindo no horizonte sem que ninguém consiga segurá-lo.
Nunca tinha reparado nisso" — falei, preso na sensibilidade dela.
Foi embora, quando a noite já tinha coberto o céu do terraço. Eu tava tão bem que não tava afim de sair, liguei pro Pablo pra me desculpar. Ia trocar o gin tônica por mojito. Tomei o último mojito que tinha na jarra.
Meu estado de espírito mudou a partir daí. Curtir a Marta foi como ter tomado uma picada de heroína na veia. Os dois dias seguintes foram uma continuação do que a gente viveu. Já me virava muito bem na dança. Cada vez mostrava mais confiança e a gente trocava brincadeiras de todo tipo.
Na sexta, a gente tava curtindo uma tarde na piscina quando eu perguntei pra ela.
—Estranho que nenhum cara te chame pra sair.
—Quem te disse que eles não fazem isso? Os homens na Espanha são muito elitistas. O último que conheci não gostava de ir comigo nos lugares que ele frequenta.
—Não tô entendendo...
—É muito fácil. Você me convidaria pra sair com seus amigos?
—Bom, meus amigos são da minha idade, jovens... Mas não teria problema—respondi vendo que ela tava afim.
—Tá vendo? Você é diferente. Que pena que você é tão novinha!
Qual era a importância de sair uma noite e dançar salsa? Na semana seguinte meus pais voltariam e eu não poderia fazer isso.
—Que se dane a idade! É sexta-feira, cola comigo e meus amigos hoje à noite.
Ela se levantou e veio me dar dois beijos em sinal de alegria, provocando um tremor no meu corpo e sentindo, naquela aproximação, o despertar da minha pica.
—Mmm, você é novo, mas não é de pedra… — ela sorriu, malandra.
Foi pra casa se trocar. Passei pra buscá-la e me surpreendi ao vê-la com um visual tão jovem. As roupas dela não eram de marca, mas ela usava tudo com muito estilo. Pegou uma necessaire de maquiagem e, com o espelho do quebra-sol, fez uns traços nos olhos e contornou os lábios. O resultado ficou incrível.
—Vou ser a inveja dos meus amigos —falei pra ela.
Valeu. Tô animada pra sair com uns caras espanhóis.
Quando chegamos no Brito, onde tinha combinado com meus amigos, vi a cara de surpresa dele e como a Marta se sentiu a estrela no meio de tanto elogio e cantada. As outras minas receberam ela bem, porque tinha que admitir que a Marta era simpática pra caralho e, talvez por causa da idade dela, não sentiam ciúme por mais gostosa que ela fosse.
Ela sorria pra mim e dizia que era a primeira vez que saía com um grupo assim desde que chegou na Espanha.
—Talvez você tenha expectativas muito altas.
—Não sei, mas você preenche muitos requisitos —ela ficou em silêncio—. Te surpreendi?
—Tô feliz, vocês são fodas —ela me disse num canto.
—Eu também. Fazia tempo que não saía.
—Na sua idade não é bom ficar trancado. Você tem que comemorar que vai terminar a faculdade logo.
—Agora com você, não preciso mais sair de casa.
—Não esquece quem nós somos. Quando seus pais voltarem, a gente não vai poder nem ser amigo.
Eu tava confuso. Lembrava do corpo dela na piscina, e olhando em volta, não tinha uma tia mais gostosa. Ele quis desviar a conversa.
—Seus amigos são muito divertidos. Tô cansada de caras mal-educados.
—Aqui a gente valoriza muito a novidade, e você é diferente de todas as minas que eles conhecem.
—Poderia ser a madre superiora.
Você é superior a todas as mães" — e rindo, continuei —. "E às filhas delas também.
—Kkkkkk. Que puxa-saco! Se sua mãe descobre! —respondeu sem parar de rir—, era pra você estar sob meus cuidados. A gente tinha que trazer ela uma noite.
—Na minha mãe? Não tô vendo ela.
—Conheci mulheres na sua situação. Você ia se surpreender!
O comentário dela me levou de volta à minha adolescência, quando eu via minha mãe como uma mulher maravilhosa e fantasiava com ela. Como será que minha mãe se comportaria num lugar daqueles, com caras da minha idade? Eu queria dar um passo à frente, mas me sentia inseguro.
— O que você acha que seus amigos vão pensar da gente? — ela olhou pro resto do grupo.
—Foda-se! Cê tá preocupado com isso?
A chegada do Lucas, um amigo que se achava o maior pegador, nos separou e ele tentou monopolizar ela.
—Vamos dançar —sem pedir permissão, pegou ela e levou pra uma pista improvisada que tinha se formado no fundo do balcão.
Marta tava divertida, simpática, não pensava em nada além de rir. O peito dela balançava enquanto dançava, os cachos do cabelo se embaraçavam, ela me lançava olhares da pista improvisada, sem eu saber se era pra me provocar ou se era o jeito dela de mostrar a alegria. Deixei elas à vontade, mas não tirei os olhos delas.
Enquanto eu ria com o Pablo, que insinuava qual era a minha com a Marta, perdi eles de vista. Cadê que eles foram parar? Demorei pra achar o Lucas, lá no fundo do balcão, tentando pegar uma mina. Cheguei perto dele.
—E a Marta?
—Marta? Aquela puta latina? Já vazou.
—O que aconteceu?
—Nada, é uma histérica.
Não tava batendo esse comentário. Liguei pra ela e não consegui resposta. Tentei umas três vezes e no fim encontrei o celular dela desligado. Ou será que acabou a bateria? Não parecia fazer sentido ela ir embora sem se despedir.
Acordei preocupado e fui direto pra cozinha. Encontrei ela sentada lá, tomando um gole devagar da xícara de café... fim do capítulo 1.. parte 2 na rede social do autor original...https://twitter.com/status/2063273879682900449
0 comentários - Feriando comi minha empregada gostosa