O pai gostoso da minha amiga

Mas a bomba estourou numa tarde de quinta-feira, do jeito mais inesperado. Sergio tinha saído pra supervisionar uma obra e eu fiquei no balcão fechando o caixa. Lili chegou com dois refrigerantes, sentou no banquinho de madeira do meu lado e suspirou tão forte que fez meu coração pular. —Caro, juro que preciso te contar uma coisa porque tô ficando louca —ela disse, me olhando com aqueles olhos de confiança que me faziam sentir a pior pessoa do mundo. —O que foi, Lili? Tô assustada —respondi, tentando não tremer as mãos enquanto contava as notas. —É meu pai... ele tá muito estranho. Minha mãe ligou pra ele ontem toda preocupada porque diz que ele nem presta atenção nela quando vai em casa, que fica vidrado no celular e sorrindo igual um bobo. E eu tenho visto ele aqui, tá num humor ótimo, mas do nada se perde no mundo —Lili se inclinou pra mim, baixando a voz—. Caro, você não viu se meu pai tem uma amante? Senti o sangue gelar nas veias. O silêncio na loja de tintas virou eterno. —Uma amante? Ai, Lili, acho que não. Seu pai passa o dia inteiro aqui enfiado com os peões —falei, sentindo o suor frio escorrendo pelas costas enquanto lembrava que, fazia só duas horas, esse mesmo "pai" me apertava contra a parede do depósito com o pau enfiado até o fundo do meu útero. —Não sei, amiga. É que até o cheiro dele mudou. Outro dia quando abracei ele, tava com um perfume de mulher que não é o da minha mãe. Ela tem certeza de que ele tá com alguém, diz que um homem mais velho não fica assim do nada se não for por causa de uma biscate —Lili me segurou pelo braço, procurando meu olhar—. Você que fica aqui o dia todo, fica de olho, né? Se ver alguma cliente entrando muito seguido ou se ele sai muito "com fornecedores". Me ajuda a descobrir quem é essa vaca que tá lavando a cabeça dele, pra eu botar um ponto final antes que ela destrua minha família. Eu sentia que a placa de "essa vaca" tava brilhando na minha testa. Ver minha melhor amiga tão desesperada, me pedindo ajuda pra investigar a mulher que —literalmente— estava se deitando com o pai dela naquele mesmo escritório me deu um puta choque de realidade. —Claro, Lili... se eu ver algo estranho, te aviso —consegui falar com a boca seca. Naquele momento, ouvi o motor da caminhonete do Sergio estacionando lá fora. Meu coração deu um pulo. Ele entrou com aquele jeito seguro de sempre e, ao nos ver juntas, sorriu. —Que milagre, filha! O que vocês estão tanto cochichando? —perguntou ele, se aproximando pra dar um beijo na testa de cada uma. Quando me beijou, os olhos dele ficaram um segundo a mais do que o normal, com aquela cumplicidade quente que a gente sempre tinha. Mas eu não consegui segurar o olhar. Pela primeira vez, o peso do que a gente tava fazendo me acertou de frente: não era só sexo, era uma traição que já tava começando a fazer barulho na casa dele. Assim que o Sergio ficou sozinho no escritório, entrei quase batendo a porta, com os nervos à flor da pele. Ele tava tirando a camisa, pronto pra "papear" um pouco como sempre, mas eu parei ele na hora. —Sergio, para! A gente precisa conversar sério —falei num sussurro desesperado—. A Lili acabou de me perguntar se eu sei quem é sua amante. Ela disse que a mãe dela tá preocupada, que te nota estranho, que sente cheiro de perfume de mulher... Tão a um passo de nos descobrir! Sergio ficou paralisado por um momento, com a camisa pela metade, deixando ver aquele peito peludo que eu tanto gostava. Mas diferente de outras vezes, ele não riu. Sentou na cadeira, suspirou e passou a mão no rosto. —Já sabia que isso ia acontecer, Caro. Mas não vou parar de te ver, nem pense nisso —disse com aquela voz de comando que me desmontava—. O que a gente vai fazer é esfriar as coisas lá fora. Vou ser o marido perfeito por umas duas semanas pra elas calarem a boca. E foi o que ele fez. Sergio começou a aplicar uma hipocrisia que me deixava gelada. Na frente da Lili, ligava pra esposa pra dizer que amava ela, mandava flores pra casa e até se gabava que no domingo ia levar ela pra jantar num Lugar caro. Ver ele agir daquele jeito, tão cínico, me dava uma mistura de raiva e uma excitação torta. Mas o mais louco era que, quanto melhor ele tratava a esposa, mais fome ele tinha de mim no escritório. — Olha, magrinha — ele me disse numa terça, depois de desligar no telefone com a mulher dele com um "te amo, gordinha" que me deu nojo—. Já cumpri minha cota de marido. Agora vem cá. Ele me puxou pra trás da mesa. Apesar do medo, assim que senti as mãos dele levantando minha saia, esqueci da moral. Sergio não parou os encontros; pelo contrário, parecia que o risco da esposa e da Lili estarem "de olho" deixava ele ainda mais duro. Outro dia, enquanto ele tava mandando mensagem pra mulher que "ia chegar tarde por causa do inventário", me fez chupar ele ali mesmo. Eu via o celular dele vibrando com mensagens de amor da esposa, enquanto minha boca tava cheia do pau dele e as bolas grandes roçando no meu rosto. Sergio me puxava pelo cabelo com força, fechando os olhos e curtindo aquela vida dupla. — Você é meu vício, Caro... — ele falava depois de gozar na minha boca, enquanto arrumava a calça pra ir pra casa jantar com a família como se fosse um santo—. Amanhã chega cedo, que a gente tem que "revisar" mais notas fiscais. A situação era uma bomba-relógio. Ele fingia ser o marido perfeito, mas na loja de tintas, toda vez que a cortina descia, ele continuava me devorando com a mesma fúria de sempre, como se cada encontro fosse o último antes de tudo explodir. A tensão ficou insuportável numa tarde de quarta-feira. Sergio tinha acabado de dar um colar de ouro pra esposa e, pra "comemorar", ela resolveu fazer uma surpresa na loja com um bolo. Eu tava no escritório com ele, de costas pra porta, enquanto Sergio me segurava pela cintura, me dando uns beijos daqueles que deixam sem ar. De repente, a gente ouviu o barulho de salto de uma mulher e a voz animada da Lili lá fora: "Surpresa, pai! Olha quem veio!". Sergio me soltou como se eu queimasse. Me jogou pro arquivista enquanto ele se sentava na cadeira e abria uma pasta qualquer. Quando a esposa entrou, radiante e agradecida, me abraçou e disse: "Ai, Caro, obrigada por cuidar tanto do meu marido, dá pra ver que o trabalho tá acabando com ele". Senti o chão se abrir. Ver ela ali, tão gente boa, enquanto eu ainda sentia o gosto do Sergio nos meus lábios, quebrou algo dentro de mim. Desde aquele dia, algo mudou em mim. Mesmo apaixonada até o talo por aquele homem, o medo e a culpa começaram a me devorar viva. — Não dá mais, Sergio. Isso vai acabar mal — eu dizia toda vez que ele tentava me encurralar no depósito. Mas ele continuava me beijando. Por dias tentei me afastar, mas era difícil. Às vezes, quando ficávamos sozinhos e ele me olhava com aqueles olhos famintos, me agarrava com força e dizia que sentia minha falta, eu caía nos braços dele de novo. Acabávamos no chão do escritório, em encontros rápidos e desesperados onde ele me possuía com uma fúria que me fazia esquecer minhas promessas. Mas depois, ao ver a Lili entrar na manhã seguinte, o nó no meu estômago voltava mais forte. Meus nervos estavam em frangalhos. Emagreci, não dormia e qualquer barulho na cortina de metal me fazia pular. Já o Sergio continuava no jogo duplo dele, sendo o marido perfeito em casa e o amante insaciável comigo, mas eu não aguentava mais. Uma manhã, antes dos peões chegarem, coloquei meu envelope na mesa dele. — Tô pedindo as contas, Sergio — falei, com a voz trêmula mas firme —. Não consigo mais olhar nos olhos da Lili. Não dá pra continuar sendo a "outra" no escritório da sua filha. Ele se levantou, veio na minha direção com aquela figura imponente de 1,80 e tentou acariciar meu rosto, mas eu me desviei. — Não vai embora, magrinha. Preciso de você aqui... — pediu com uma voz que quase me fez fraquejar. — Vou embora porque te amo, mas me amo mais. Arranja outra pra te ajudar com as contas, porque eu não aguento mais esse segredo. Fechei a porta do escritório pela última vez, deixando atrás o cheiro de tinta, os grunhidos do Sergio e a melhor, porém mais dolorosa, história da minha vida. Largar a pintura foi o passo mais difícil, mas logo percebi que deixar o emprego era uma coisa e largar o Sergio era outra bem diferente. Ele não aceitou um "não" como resposta tão fácil. Com seu porte e aquela segurança de homem que sempre consegue o que quer, começou a me procurar fora do horário de expediente. — Só mais uma vez, magrinha. Uma despedida de verdade — ele dizia no telefone com aquela voz rouca que fazia minhas pernas fraquejarem. E eu, mesmo não trabalhando mais lá, continuava apaixonada. Então, por um tempo, os encontros continuaram em motéis discretos nos arredores da cidade. Lá, longe dos olhares da Lili e das latas de tinta, o Sergio se soltava por completo. Me procurava com uma insistência quase desesperada, como se soubesse que estava me perdendo. Me comia com uma intensidade que deixava meu corpo marcado por dias, me lembrando a cada estocada daqueles centímetros dele que me deixaram tão viciada. Ver ele ali, banhado de suor, com os pelos escuros colados no peito e aquele olhar de "você é minha", me fazia duvidar da minha decisão. Mas a magia se quebrava assim que ele olhava o relógio pra ir jantar com a família. Aos poucos, fui criando coragem. A distância me ajudou a enxergar as coisas com mais clareza. O Sergio era muito insistente; me mandava mensagens fora de hora, dizia que o escritório estava vazio sem mim e que ninguém fazia boquete igual a mim. Mas já não era o suficiente. Comecei a não atender mais as ligações dele. No começo doía pra caralho, mas depois sentia um alívio imenso. A última vez que o vi, ele tentou me convencer a voltar pro hotel, se aproximando com aquele cheiro de loção cara e masculinidade que sempre me dominou. — Chega, Sergio — falei, me afastando do abraço dele. — Não quero mais ser o segredo que você esconde quando chega em casa. Ele me olhou com uma mistura de raiva e tristeza, me disse que deixaria a mulher dele por mim, mas eu recusei, embora meu coração tenha disparado ao ouvir ele dizer isso. Não fraquejei, e ele, ao me ver tão decidida, ajustou o cinto, subiu na caminhonete e foi embora sem dizer mais nada. Foi a última vez que senti o calor das mãos dele. Deixei de ser a funcionária apaixonada e a amante das tardes de escritório para voltar a ser eu mesma. Levei comigo as lembranças do corpo dele, dos gemidos e daquela pica que me fez ver estrelas, mas também carreguei a paz de saber que, finalmente, não precisava mais baixar os olhos para ninguém. Já faz um bom tempo desde a última vez que senti o peso do Sergio sobre mim. Às vezes, quando ando pelo centro e passo perto do local, o cheiro de solvente me atinge de repente e me leva de volta àquele escritório. Mas minhas pernas não tremem mais. Agora trabalho numa agência de design. Minhas mãos não estão mais manchadas de tinta, mas de tinta de caneta e projetos novos. Conheci caras da minha idade, divertidos e leves, mas mentiria se dissesse que não comparo. Às vezes, no silêncio do meu quarto, lembro da firmeza das mãos dele e daquela sensação de plenitude quando ele me possuía com a segurança de um homem que sabe exatamente o que faz. Guardo esses momentos como um segredo que me fez mulher, mas já não dói mais. Aprendi que não mereço ser o "rapidinho" de ninguém entre contas e mentiras. Mas há apenas uma semana, o destino me pregou uma peça pesada. Eu estava saindo de um café quando vi a caminhonete dele estacionada. Meu coração deu um pulo, mas dessa vez não foi de medo, e sim de uma curiosidade estranha. E lá estava ele, descendo da caminhonete com a mesma presença imponente de sempre. Ele me viu. Ficou paralisado no meio da calçada. Os olhos dele percorreram meu corpo, parando no meu rosto. Ele continuava tão gostoso, com a camisa impecável e aqueles pelos escuros aparecendo no colarinho, mas notei algo diferente: ele parecia cansado. — Caro... — ele sussurrou meu nome com aquela voz rouca que antes me dominava. — Oi, Sergio — respondi com uma calma que Nem eu sabia que tinha. Ele se aproximou uns passos, invadindo meu espaço com aquele cheiro de loção cara e tabaco. Notei como as mãos dele tremiam um pouco. — Você tá... incrível, magrinha. A Lili me disse que você tá indo muito bem. O escritório é um cemitério sem você. Ninguém conseguiu... você sabe — ele baixou a voz, com aquela cumplicidade de sempre, procurando nos meus olhos uma brecha pra entrar de novo. Olhei fixo pra ele. Por um segundo, lembrei do calor do corpo suado dele e da força das investidas, e senti um eco daquele tesão na minha buceta. Mas aí lembrei da cara da Lili e das mentiras pra esposa dele. — Fico feliz em te ver bem, Sergio. Diz pra Lili que mando um abraço — falei, dando um sorriso leve. Virei as costas e continuei andando. Senti o olhar dele cravado nas minhas costas, pesado e faminto, como se quisesse me parar e me levar pra um hotel na hora pra me lembrar quem mandava. Mas dessa vez não rolou nada.

3 comentários - O pai gostoso da minha amiga

Vaya parece que a la perra al fin le pusieron un estate quieto
que buenos relatos, eres muy buena. Por favor sube más, con fotos tuyas
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