Era um sábado à tarde ensolarado no fim da primavera em Madrid, o tipo de dia em que o sol entra pelas vidraças do shopping da Gran Vía, banhando tudo numa luz dourada e preguiçosa. Ana e Pablo, ambos com vinte anos recém-completados, tinham acabado de almoçar num canto meia-boca mas aconchegante do terceiro andar: um Burger King improvisado onde as mesas grudavam e o cheiro de fritura se misturava com a agitação de famílias e casais apressados. Eles tinham devorado uns hambúrgueres duplos com extra de queijo derretido, batatas crocantes encharcadas de ketchup e uns refrigerantes que deixavam a boca efervescente. Enquanto mastigavam, batiam papo sobre besteiras da faculdade que os uniam como cola: Ana, no segundo ano de Belas Artes na Complutense, sonhando com exposições impossíveis e telas que capturassem o caos da mente dela; Pablo, em Engenharia da Computação na Politécnica, perdido em códigos e bugs que o mantinham acordado até as três da manhã. Tavam juntos há 1 ano, um relacionamento que começou com um beijo sem jeito numa festa da república e agora florescia em noites de Netflix interrompidas por sexo na hora e manhãs de ressaca compartilhada.
A Ana era aquela mina que passava despercebida no meio da multidão, mas que te fisgava se você olhasse de perto. Tinha um metro e sessenta e dois, com uma juba castanha ondulada que caía até os ombros feito uma cachoeira bagunçada, olhos azuis que brilhavam com safadeza quando ela ria, e um corpo magrinho que ela mesma chamava de "tábua de passar roupa".
As curvas dela eram suaves, discretas: quadris estreitos que mal preenchiam a jeans apertada, uma bunda redonda mas nada de outro mundo – o suficiente pro Pablo agarrar na cama, mas não pra virar cabeça na rua –, e um peito que chegava perto do sutiã A nos melhores dias. Ela sempre odiou isso, a "tábua" dela, como brincava com as amigas pra disfarçar a pontada de insegurança.
No colégio, as minas com peitão eram as rainhas absolutas: as que desabotoavam um botão a mais na blusa pra chamar atenção, as que Pablo e os amigos devoravam nas revistas escondidas debaixo do colchão. Ana, com seu 75A, se sentia uma silhueta em preto e branco num mundo de cores vibrantes. Comprava sutiãs com enchimento, tops decotados que prometiam milagres, mas nada mudava o espelho que devolvia uma versão dela mesma que parecia incompleta.
Pablo, por outro lado, era o protótipo do gato que passa pela faculdade sem suar. Alto, um metro e oitenta e cinco de pura ginga charmoso, com cabelo castanho bagunçado caindo na testa e um sorriso torto que derretia qualquer uma – incluindo ela, claro. Os olhos azuis tinham aquela faísca brincalhona, e o corpo atlético, moldado em peladas improvisadas com os parças, o deixava irresistível de short. Mas Pablo era leal, daqueles que manda meme às três da manhã e faz café quando você tá na TPM. O pau dele, nos momentos de intimidade, era… normal, 14 centímetros de pau duro, reto e confiável, com uma cabeça rosada que Ana lambia com carinho nos boquetes preguiçosos de domingo. O sexo com ele era fofo, previsível: papai-e-mamãe com beijos no pescoço, ela por cima cavalgando devagar enquanto ele massageava os quadris dela, e finais de camisinha que deixavam um gostinho de "foi bom, mas dava pra ser mais". Não tinha fogos de artifício, só uma brasa constante que esquentava as noites deles.
Enquanto desciam pela escada rolante, de barriga cheia e mãos entrelaçadas, Pablo apontou o dedo indicador pra uma loja nova que brilhava igual um farol pecaminoso no meio do caos comercial. "Olha aquilo, Ana! Abriram um sex shop aqui dentro? Porra, que culhão dos donos".
O cartaz anunciava "Prazeres Infinitos – Tudo para o seu Desejo" em letras vermelhas curvas como o arco de um orgasmo suspenso, com néons piscando que desenhavam silhuetas estilizadas de corpos entrelaçados. O shopping, normalmente um formigueiro de mães empurrando carrinhos com bebês chorões, adolescentes vidrados no TikTok e casais discutindo sobre a cor das cortinas, parecia fazer vista grossa para essa adição tão descaradamente erótica. Era como se o prédio inteiro conspirasse para ignorar, mas para Ana e Pablo, era um imã irresistível. "Vamo, entra rapidinho pra dar uma olhada", ele sugeriu com uma risada safada, puxando a mão dela com aquela energia infantil que sempre a desarmava.
Ela hesitou por um segundo, sentindo um formigamento traiçoeiro no estômago – não era uma santinha, já tinha visto pornô sozinha e até testado um vibrador barato comprado online –, mas algo no ar carregado de promessas proibidas a deixava nervosa, como se atravessar aquela porta fosse assinar um pacto com o diabo. "Tá bom, mas se meus pais nos virem por acaso, vou falar que era uma loja de lingerie fina pra noivas", ela brincou, entrando na onda enquanto o coração acelerava um pouquinho.
Ao cruzar a porta de vidro escuro, uma campainha suave e sensual os saudou, como um sussurro na nuca, e o mundo exterior sumiu de repente. O sex shop era enorme, muito maior do que a fachada discreta prometia: dois andares cheios de prateleiras metálicas brilhantes, abarrotadas de tesouros proibidos que reluziam sob luzes fracas em tons de roxo e rosa. O aroma era uma sinfonia embriagante: silicone virgem recém-desembalado, lubrificante com essência de baunilha que invadia as narinas, e um toque leve de incenso supostamente afrodisíaco que tentava evocar cavernas de prazer ancestral. As sombras brincalhonas projetadas pelas luzes convidavam a tocar, a explorar, a quebrar tabus com a ponta dos dedos. Na entrada principal, um expositor massivo de vibradores os recebeu como um exército em formação: do modelo slim e discreto, perfeito para bolsas de escritório, ao monstruoso com veias protuberantes e uma cabeçona que prometia êxtase interdimensional. Cores impossíveis – magenta berrante, preto fosco, rosa pastel – e formas que desafiavam a anatomia humana: uns com orelhas de coelho que vibravam independentemente, outros com sugadores que simulavam línguas incansáveis. Ana soltou uma gargalhada nervosa ao ver um em particular, um dildo com apêndices estranhos que pareciam tentáculos. "Meu Deus, isso parece um zoológico de brinquedos alienígenas! Pra que diabos serve aquele braço curvado ali? Pra chegar em Marte?".
Pablo caiu na gargalhada, aquele som grave e contagiante que fazia cócegas na barriga dela, e pegou o vibrador em questão, fingindo usá-lo como microfone de karaokê. "Atenção, senhoras e senhores do shopping! O rei do prazer chegou pra conquistar suas bucetas e paus. Palmas!
Ana deu uma cotovelada de brincadeira, mas não conseguiu evitar rir junto, o rubor subindo pelo pescoço. Continuaram explorando, de mãos dadas, como dois moleques travessos numa padaria infinita onde os doces eram promessas de orgasmos. Passaram pela seção de lingerie, um corredor inteiro dedicado à sedução têxtil: conjuntos de renda preta que deixavam os bicos de fora como um segredo pela metade, cintas-liga com meia arrastão até a coxa que sussurravam "me come contra a parede", e arreios de couro crocante com fivelas de metal que Ana olhou com uma sobrancelha arqueada, imaginando cenas de dominação suave. "Isso é pra você, né, Pablo? Pra me amarrar na cama e me fazer implorar", ela sussurrou no ouvido dele, mordendo o lábio inferior com aquela safadeza que sabia que deixava ele louco. Ele ficou vermelho até as orelhas, mas devolveu o gesto com um beliscão disfarçado na bunda dela, por cima da calça jeans. "Tentador, amor, muito tentador. Mas primeiro vamos ver se tem algo pra novatos como a gente, que ainda trepa como adolescente estabanado".
Nas prateleiras de camisinhas, o festival de ridículo continuou: pacotes com sabores impossíveis – morango silvestre, chocolate belga, até um com "textura de bolhas efervescentes" que prometia cócegas internas. Eles riram até doer a barriga, imaginando a cara dos amigos se contassem a história no grupo do WhatsApp. "Ei, e se a gente comprar aquele com sabor de paella? Pra dar um clima nas nossas fodas patrióticas", brincou Pablo, balançando um pacote com fingida seriedade, e Ana deu um tapa de brincadeira no braço dele, mas o roçar dos dedos na pele fez ela sentir um calorzinho traiçoeiro entre as pernas. Era o ambiente: o contato constante dos corpos nos corredores apertados, o zumbido distante de algum vibrador sendo testado, as capas de revistas pornô que apareciam com peitos e paus em primeiro plano. Ana não era virgem em fantasias – já tinha passado noites sozinha com o notebook, pesquisando "gangbang interracial" no modo anônimo –, mas aquilo era real, palpável, e a excitava de um jeito que ela não esperava.
Continuaram andando, parando na seção de livros eróticos: romances com capas de mulheres amarradas, títulos como "A Submissa Solta" ou "Ejaculações Proibidas no Escritório". Pablo folheou um com um sorriso safado. "Olha isso: 'Ele a penetrou com fúria, enquanto ela gritava o nome dele'. Parece a gente?". Ana revirou os olhos, mas imaginou a cena, a buceta se contraindo de leve. "A gente é mais do tipo 'Ele a penetrou com carinho, enquanto ela checava o celular pra ver se tinha notificação'". Mais risadas, mais roças. Passaram pelos óleos de massagem, cheirando frascos de jasmim e canela que deixavam as mãos escorregadias. "Isso pra hoje à noite", murmurou Pablo, cheirando os dedos grudados no nariz dela. "Te lambuzo toda e te como devagar". Ana sentiu um pulsar no clitóris, mas disfarçou com um tapa no peito dele.
Mas o clima bom, aquela bolha de diversão inocente, começou a se torcer como um nó na garganta quando chegaram na seção de filmes. Era um canto afastado, meio escondido atrás de uma cortina de veludo preto, com telinhas de quinze polegadas passando loops mudos de pornô hardcore: gemidos silenciosos que se adivinhavam nos lábios entreabertos, corpos suados se chocando num ritmo hipnótico, paus entrando e saindo de bucetas depiladas com uma precisão cirúrgica. O ar ali era mais denso, carregado de um cheiro de desejo rançoso, como se gerações de curiosos tivessem deixado sua marca invisível. Pablo parou de repente na frente de uma prateleira etiquetada em letras cursivas: "Busty Beauties – Tetas Explosivas". As capas eram um carnaval de silicone descontrolado: atrizes loiras com melões impossíveis, peitos que desafiavam a gravidade newtoniana, pulando ao ritmo de títulos obscenos como "Tetas que Matam: A Vingança do Lactante" ou "Milking the Maid: Porra e Mais Porra". Uma em particular mostrava uma morena peituda com os mamilos perfurados, leite materno falso escorrendo pela barriga lisa enquanto um cara comia ela por trás. Pablo ficou olhando, os olhos vidrados, um sorrisinho no canto da boca.
Ana sentiu uma pontada aguda no peito, literal, como se alguém tivesse cravado um alfinete no coração dela. Olhou pra própria camiseta branca justa, que mal insinuava curvas por baixo do sutiã acolchoado que usava como armadura diária – aquele push-up barato da Primark que prometia um milagre, mas só conseguia um volume mixuruca –. "Porra, Pablo, sério? É isso que te deixa tão tesudo?". A voz saiu mais aguda do que ela pretendia, com um fio de ciúme afiado como uma navalha que ela não conseguiu – ou não quis – disfarçar.
A raiva era uma velha conhecida: flashes do colégio invadiram a mente dela. Lembrava daquela festa de fim de ano, quando viu o Pablo beijando a Laura, a capitã do time de vôlei, com aquelas tetas DD espremidas no peito dele. "Foi só um beijo", ele disse depois, com cara de cachorro arrependido. Ou as noites em que ela pegava ele olhando o Instagram de influencers gostosas, aquele scroll infinito de bundas e peitos que hipnotizava ele. Ana cruzou os braços, apertando os cotovelos contra os lados do peito, sentindo o calor subir nas bochechas igual lava.
Pablo se virou pra ela, confuso no começo, depois com uma cara de culpa. "É, qual é, love? Só tô olhando, é que nem ver uma Ferrari numa concessionária de luxo. Não quer dizer que eu queira trocar meu… meu Fusca por ela." Tentou fazer piada, passando o braço pelos ombros dela, mas Ana já tava irritada, o ciúme virando uma queimação. "Sim, claro, uma Ferrari com bicos rosados e silicone que quica que nem propaganda de Red Bull. Legal, Pablo. Adoro que meu namorado fique de pau duro olhando peituda enquanto eu tô aqui, com meu peito de tábua.
Se soltou do abraço dele com um movimento brusco, o coração batendo forte contra as costelas. Pablo suspirou, coçando a nuca. "Vamos, não seja boba, Ana. Você é perfeita pra mim. Seus peitinhos são… adoráveis, únicos. Me deixam louco quando eu chupo eles". A palavra "adoráveis" foi o estopim final, um eufemismo condescendente que soava a consolo barato, tipo falar "você é bonitinha" em vez de "você é gostosa". Ana apertou os lábios, segurando as lágrimas de raiva. "Adoráveis, claro, como um cachorrinho de colo". "Vou ao banheiro, preciso de um momento pra não te dar um tapa na cara".
Sem esperar resposta, ela se afastou pelo corredor iluminado com passos rápidos, o eco das suas sapatilhas no chão de linóleo ressoando nos seus ouvidos. A raiva era uma desculpa conveniente; na verdade, era uma tempestade perfeita de insegurança e um calor traiçoeiro subindo pela barriga dela. O sex shop a tinha excitado mais do que ela admitiria em voz alta: o toque constante da mão de Pablo na dela, o zumbido imaginário dos vibradores se infiltrando na mente dela, as capas explícitas que aceleravam o pulso dela. Mas ver Pablo babando por aquelas tetonas irreais a machucou fundo, reabrindo feridas antigas. Ela lembrava das primeiras vezes que se despentiram: ela cobrindo os peitos com os braços, ele afastando-os com delicadeza. "Não precisa, você é gostosa.
Mas nos olhos dele, às vezes, ela via o brilho da decepção. Ou pior, da indiferença. A dor se transformava em raiva, num desejo selvagem de se rebelar, de reivindicar algo que fosse só dela, proibido e sujo. Ela seguiu as placas fluorescentes piscando: "Banheiros e Cabines – Térreo". Desceu a escada rolante com o estômago embrulhado, notando como o burburinho do andar de cima diminuía até virar um murmúrio distante. Lá embaixo, o ar era mais denso, carregado de um cheiro almiscarado que não era só de lubrificante – era suor, porra velha, desejo cru.
Ao chegar no fim da escada, o corredor se estreitava numa área meio escondida, com portas de madeira lascada e letreiros desbotados. Ela viu uma porta entreaberta com uma placa torta: "Cabines Privadas – Acesso Restrito". Naquele exato momento, a porta se abriu de vez, e uma mina saiu de lá: uns vinte e poucos anos, morena com o cabelo preso num rabo de cavalo meio desfeito, lábios pintados de vermelho sangue que agora estavam inchados e brilhando.
A Ana era aquela mina que passava despercebida no meio da multidão, mas que te fisgava se você olhasse de perto. Tinha um metro e sessenta e dois, com uma juba castanha ondulada que caía até os ombros feito uma cachoeira bagunçada, olhos azuis que brilhavam com safadeza quando ela ria, e um corpo magrinho que ela mesma chamava de "tábua de passar roupa".
As curvas dela eram suaves, discretas: quadris estreitos que mal preenchiam a jeans apertada, uma bunda redonda mas nada de outro mundo – o suficiente pro Pablo agarrar na cama, mas não pra virar cabeça na rua –, e um peito que chegava perto do sutiã A nos melhores dias. Ela sempre odiou isso, a "tábua" dela, como brincava com as amigas pra disfarçar a pontada de insegurança.
No colégio, as minas com peitão eram as rainhas absolutas: as que desabotoavam um botão a mais na blusa pra chamar atenção, as que Pablo e os amigos devoravam nas revistas escondidas debaixo do colchão. Ana, com seu 75A, se sentia uma silhueta em preto e branco num mundo de cores vibrantes. Comprava sutiãs com enchimento, tops decotados que prometiam milagres, mas nada mudava o espelho que devolvia uma versão dela mesma que parecia incompleta.
Pablo, por outro lado, era o protótipo do gato que passa pela faculdade sem suar. Alto, um metro e oitenta e cinco de pura ginga charmoso, com cabelo castanho bagunçado caindo na testa e um sorriso torto que derretia qualquer uma – incluindo ela, claro. Os olhos azuis tinham aquela faísca brincalhona, e o corpo atlético, moldado em peladas improvisadas com os parças, o deixava irresistível de short. Mas Pablo era leal, daqueles que manda meme às três da manhã e faz café quando você tá na TPM. O pau dele, nos momentos de intimidade, era… normal, 14 centímetros de pau duro, reto e confiável, com uma cabeça rosada que Ana lambia com carinho nos boquetes preguiçosos de domingo. O sexo com ele era fofo, previsível: papai-e-mamãe com beijos no pescoço, ela por cima cavalgando devagar enquanto ele massageava os quadris dela, e finais de camisinha que deixavam um gostinho de "foi bom, mas dava pra ser mais". Não tinha fogos de artifício, só uma brasa constante que esquentava as noites deles.
Enquanto desciam pela escada rolante, de barriga cheia e mãos entrelaçadas, Pablo apontou o dedo indicador pra uma loja nova que brilhava igual um farol pecaminoso no meio do caos comercial. "Olha aquilo, Ana! Abriram um sex shop aqui dentro? Porra, que culhão dos donos".
O cartaz anunciava "Prazeres Infinitos – Tudo para o seu Desejo" em letras vermelhas curvas como o arco de um orgasmo suspenso, com néons piscando que desenhavam silhuetas estilizadas de corpos entrelaçados. O shopping, normalmente um formigueiro de mães empurrando carrinhos com bebês chorões, adolescentes vidrados no TikTok e casais discutindo sobre a cor das cortinas, parecia fazer vista grossa para essa adição tão descaradamente erótica. Era como se o prédio inteiro conspirasse para ignorar, mas para Ana e Pablo, era um imã irresistível. "Vamo, entra rapidinho pra dar uma olhada", ele sugeriu com uma risada safada, puxando a mão dela com aquela energia infantil que sempre a desarmava.
Ela hesitou por um segundo, sentindo um formigamento traiçoeiro no estômago – não era uma santinha, já tinha visto pornô sozinha e até testado um vibrador barato comprado online –, mas algo no ar carregado de promessas proibidas a deixava nervosa, como se atravessar aquela porta fosse assinar um pacto com o diabo. "Tá bom, mas se meus pais nos virem por acaso, vou falar que era uma loja de lingerie fina pra noivas", ela brincou, entrando na onda enquanto o coração acelerava um pouquinho.
Ao cruzar a porta de vidro escuro, uma campainha suave e sensual os saudou, como um sussurro na nuca, e o mundo exterior sumiu de repente. O sex shop era enorme, muito maior do que a fachada discreta prometia: dois andares cheios de prateleiras metálicas brilhantes, abarrotadas de tesouros proibidos que reluziam sob luzes fracas em tons de roxo e rosa. O aroma era uma sinfonia embriagante: silicone virgem recém-desembalado, lubrificante com essência de baunilha que invadia as narinas, e um toque leve de incenso supostamente afrodisíaco que tentava evocar cavernas de prazer ancestral. As sombras brincalhonas projetadas pelas luzes convidavam a tocar, a explorar, a quebrar tabus com a ponta dos dedos. Na entrada principal, um expositor massivo de vibradores os recebeu como um exército em formação: do modelo slim e discreto, perfeito para bolsas de escritório, ao monstruoso com veias protuberantes e uma cabeçona que prometia êxtase interdimensional. Cores impossíveis – magenta berrante, preto fosco, rosa pastel – e formas que desafiavam a anatomia humana: uns com orelhas de coelho que vibravam independentemente, outros com sugadores que simulavam línguas incansáveis. Ana soltou uma gargalhada nervosa ao ver um em particular, um dildo com apêndices estranhos que pareciam tentáculos. "Meu Deus, isso parece um zoológico de brinquedos alienígenas! Pra que diabos serve aquele braço curvado ali? Pra chegar em Marte?".
Pablo caiu na gargalhada, aquele som grave e contagiante que fazia cócegas na barriga dela, e pegou o vibrador em questão, fingindo usá-lo como microfone de karaokê. "Atenção, senhoras e senhores do shopping! O rei do prazer chegou pra conquistar suas bucetas e paus. Palmas!
Ana deu uma cotovelada de brincadeira, mas não conseguiu evitar rir junto, o rubor subindo pelo pescoço. Continuaram explorando, de mãos dadas, como dois moleques travessos numa padaria infinita onde os doces eram promessas de orgasmos. Passaram pela seção de lingerie, um corredor inteiro dedicado à sedução têxtil: conjuntos de renda preta que deixavam os bicos de fora como um segredo pela metade, cintas-liga com meia arrastão até a coxa que sussurravam "me come contra a parede", e arreios de couro crocante com fivelas de metal que Ana olhou com uma sobrancelha arqueada, imaginando cenas de dominação suave. "Isso é pra você, né, Pablo? Pra me amarrar na cama e me fazer implorar", ela sussurrou no ouvido dele, mordendo o lábio inferior com aquela safadeza que sabia que deixava ele louco. Ele ficou vermelho até as orelhas, mas devolveu o gesto com um beliscão disfarçado na bunda dela, por cima da calça jeans. "Tentador, amor, muito tentador. Mas primeiro vamos ver se tem algo pra novatos como a gente, que ainda trepa como adolescente estabanado".
Nas prateleiras de camisinhas, o festival de ridículo continuou: pacotes com sabores impossíveis – morango silvestre, chocolate belga, até um com "textura de bolhas efervescentes" que prometia cócegas internas. Eles riram até doer a barriga, imaginando a cara dos amigos se contassem a história no grupo do WhatsApp. "Ei, e se a gente comprar aquele com sabor de paella? Pra dar um clima nas nossas fodas patrióticas", brincou Pablo, balançando um pacote com fingida seriedade, e Ana deu um tapa de brincadeira no braço dele, mas o roçar dos dedos na pele fez ela sentir um calorzinho traiçoeiro entre as pernas. Era o ambiente: o contato constante dos corpos nos corredores apertados, o zumbido distante de algum vibrador sendo testado, as capas de revistas pornô que apareciam com peitos e paus em primeiro plano. Ana não era virgem em fantasias – já tinha passado noites sozinha com o notebook, pesquisando "gangbang interracial" no modo anônimo –, mas aquilo era real, palpável, e a excitava de um jeito que ela não esperava.
Continuaram andando, parando na seção de livros eróticos: romances com capas de mulheres amarradas, títulos como "A Submissa Solta" ou "Ejaculações Proibidas no Escritório". Pablo folheou um com um sorriso safado. "Olha isso: 'Ele a penetrou com fúria, enquanto ela gritava o nome dele'. Parece a gente?". Ana revirou os olhos, mas imaginou a cena, a buceta se contraindo de leve. "A gente é mais do tipo 'Ele a penetrou com carinho, enquanto ela checava o celular pra ver se tinha notificação'". Mais risadas, mais roças. Passaram pelos óleos de massagem, cheirando frascos de jasmim e canela que deixavam as mãos escorregadias. "Isso pra hoje à noite", murmurou Pablo, cheirando os dedos grudados no nariz dela. "Te lambuzo toda e te como devagar". Ana sentiu um pulsar no clitóris, mas disfarçou com um tapa no peito dele.
Mas o clima bom, aquela bolha de diversão inocente, começou a se torcer como um nó na garganta quando chegaram na seção de filmes. Era um canto afastado, meio escondido atrás de uma cortina de veludo preto, com telinhas de quinze polegadas passando loops mudos de pornô hardcore: gemidos silenciosos que se adivinhavam nos lábios entreabertos, corpos suados se chocando num ritmo hipnótico, paus entrando e saindo de bucetas depiladas com uma precisão cirúrgica. O ar ali era mais denso, carregado de um cheiro de desejo rançoso, como se gerações de curiosos tivessem deixado sua marca invisível. Pablo parou de repente na frente de uma prateleira etiquetada em letras cursivas: "Busty Beauties – Tetas Explosivas". As capas eram um carnaval de silicone descontrolado: atrizes loiras com melões impossíveis, peitos que desafiavam a gravidade newtoniana, pulando ao ritmo de títulos obscenos como "Tetas que Matam: A Vingança do Lactante" ou "Milking the Maid: Porra e Mais Porra". Uma em particular mostrava uma morena peituda com os mamilos perfurados, leite materno falso escorrendo pela barriga lisa enquanto um cara comia ela por trás. Pablo ficou olhando, os olhos vidrados, um sorrisinho no canto da boca.
Ana sentiu uma pontada aguda no peito, literal, como se alguém tivesse cravado um alfinete no coração dela. Olhou pra própria camiseta branca justa, que mal insinuava curvas por baixo do sutiã acolchoado que usava como armadura diária – aquele push-up barato da Primark que prometia um milagre, mas só conseguia um volume mixuruca –. "Porra, Pablo, sério? É isso que te deixa tão tesudo?". A voz saiu mais aguda do que ela pretendia, com um fio de ciúme afiado como uma navalha que ela não conseguiu – ou não quis – disfarçar.
A raiva era uma velha conhecida: flashes do colégio invadiram a mente dela. Lembrava daquela festa de fim de ano, quando viu o Pablo beijando a Laura, a capitã do time de vôlei, com aquelas tetas DD espremidas no peito dele. "Foi só um beijo", ele disse depois, com cara de cachorro arrependido. Ou as noites em que ela pegava ele olhando o Instagram de influencers gostosas, aquele scroll infinito de bundas e peitos que hipnotizava ele. Ana cruzou os braços, apertando os cotovelos contra os lados do peito, sentindo o calor subir nas bochechas igual lava.
Pablo se virou pra ela, confuso no começo, depois com uma cara de culpa. "É, qual é, love? Só tô olhando, é que nem ver uma Ferrari numa concessionária de luxo. Não quer dizer que eu queira trocar meu… meu Fusca por ela." Tentou fazer piada, passando o braço pelos ombros dela, mas Ana já tava irritada, o ciúme virando uma queimação. "Sim, claro, uma Ferrari com bicos rosados e silicone que quica que nem propaganda de Red Bull. Legal, Pablo. Adoro que meu namorado fique de pau duro olhando peituda enquanto eu tô aqui, com meu peito de tábua.
Se soltou do abraço dele com um movimento brusco, o coração batendo forte contra as costelas. Pablo suspirou, coçando a nuca. "Vamos, não seja boba, Ana. Você é perfeita pra mim. Seus peitinhos são… adoráveis, únicos. Me deixam louco quando eu chupo eles". A palavra "adoráveis" foi o estopim final, um eufemismo condescendente que soava a consolo barato, tipo falar "você é bonitinha" em vez de "você é gostosa". Ana apertou os lábios, segurando as lágrimas de raiva. "Adoráveis, claro, como um cachorrinho de colo". "Vou ao banheiro, preciso de um momento pra não te dar um tapa na cara".
Sem esperar resposta, ela se afastou pelo corredor iluminado com passos rápidos, o eco das suas sapatilhas no chão de linóleo ressoando nos seus ouvidos. A raiva era uma desculpa conveniente; na verdade, era uma tempestade perfeita de insegurança e um calor traiçoeiro subindo pela barriga dela. O sex shop a tinha excitado mais do que ela admitiria em voz alta: o toque constante da mão de Pablo na dela, o zumbido imaginário dos vibradores se infiltrando na mente dela, as capas explícitas que aceleravam o pulso dela. Mas ver Pablo babando por aquelas tetonas irreais a machucou fundo, reabrindo feridas antigas. Ela lembrava das primeiras vezes que se despentiram: ela cobrindo os peitos com os braços, ele afastando-os com delicadeza. "Não precisa, você é gostosa.
Mas nos olhos dele, às vezes, ela via o brilho da decepção. Ou pior, da indiferença. A dor se transformava em raiva, num desejo selvagem de se rebelar, de reivindicar algo que fosse só dela, proibido e sujo. Ela seguiu as placas fluorescentes piscando: "Banheiros e Cabines – Térreo". Desceu a escada rolante com o estômago embrulhado, notando como o burburinho do andar de cima diminuía até virar um murmúrio distante. Lá embaixo, o ar era mais denso, carregado de um cheiro almiscarado que não era só de lubrificante – era suor, porra velha, desejo cru.
Ao chegar no fim da escada, o corredor se estreitava numa área meio escondida, com portas de madeira lascada e letreiros desbotados. Ela viu uma porta entreaberta com uma placa torta: "Cabines Privadas – Acesso Restrito". Naquele exato momento, a porta se abriu de vez, e uma mina saiu de lá: uns vinte e poucos anos, morena com o cabelo preso num rabo de cavalo meio desfeito, lábios pintados de vermelho sangue que agora estavam inchados e brilhando.
0 comentários - Casal descobre glory hole inesquecível em sexshop