41: Reinício Operacional




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Compêndio III41: REINÍCIO OPERACIONAL

(Caro leitor: peço desculpas de antemão ao informar que
este relato não tem putaria nenhumaMas é a partir desse ponto que as coisascomeçam a dar uma levantadae até mesmo, no relato a seguir,Vou cobrar minha vingançacelestial... por isso preciso relatar isso. Mais uma vez, agradeço pela sua paciência)

Tinha passado só uma semana e meia. Antes, a sala de reuniões cheirava a café fino, perfume caro e cadeiras de couro. Agora cheirava a medo e algo vagamente parecido com submissão. Foi como se um feitiço tivesse sido lançado. Todos eles tinham voltado a uma forma ainda mais obediente do que quando trabalhavam com Edith.
41: Reinício OperacionalPareciam mesmo uns drones tentando agradar o Reginald sem reclamar. Durante aqueles relatórios diários e depois que todo mundo se apresentava pra ele, ele começou a apertar cada departamento, pedindo atualizações e relatórios todo santo dia, enquanto ao mesmo tempo empurrava todo mundo pra novas metas. Era realmente foda ver todo mundo perdendo a fala: o Julien, que no começo tava todo feliz em seguir os desejos da Edith, agora tava mais calado, os olhos mais vazios e obedecendo o Reginald sem questionar nada; a Cristina, que antes era cheia de marra e apegada às próprias ideias, agora tava mansa e quietinha, nem reclamava quando as exigências aumentavam a cada dia.chefeMas talvez a transformação mais fascinante tenha sido a da própria Inga. Sob o comando de Edith, Inga era a voz mais forte na reunião. A líder de facto da velha guarda, por assim dizer. Agora, ela e Kaori eram só mais uma voz silenciosa entre as outras, indistinguíveis do resto. Nenhuma delas soltou nem um suspiro quando Reginald cortou a sessão de perguntas de novo.Loira peitudaDepois, tinha a humilhação. Sob o comando da Edith, todo mundo tinha voz e podia sentar na mesa de reunião: chefes de departamento, assistentes, programadores principais. Todo mundo tinha condições iguais. Agora, só os chefes de departamento podiam sentar na mesa. E, igual no exército, todo o pessoal abaixo dos chefes de departamento tinha que respeitar a cadeia de comando pra falar. Ou seja, se você tivesse alguma preocupação durante as reuniões, tinha que anotar e pedir pro seu chefe de departamento passar pro Reginald na próxima reunião, atrasando a resposta um dia inteiro por causa de uma puta burocracia.

O pior foi que o plano inicial da Edith saiu pela culatra. Ano passado, apesar dos meus protestos, a Edith me nomeou membro da diretoria no lugar da Sônia, sabendo que, se ela tivesse seguido meu conselho, eu teria
escapadoe deixado que a Sonia assumisse as responsabilidades de enfrentar o resto do conselho no meu lugar. Porém, com a minha remoção como membro do conselho, os canais de comunicação foram cortados, e eu, a Sonia, o Nelson e a Glória éramosignorados, o que pra gente não significava muito. Todo mundo era profissional e comprometido, então continuamos trabalhando de forma independente e cumprindo nossas obrigações. No entanto, as decisões que precisavam do aval do Reginald (aprovações de novos projetos, por exemplo), começaram a se acumular.

No meu caso, eu tinha uma voz pequena. Agora que eu trabalhava sob o Ethan, ele podia falar por mim. Mas o Reginald adorava essa nova estrutura tóxica.
infidelidade consentidaÀs vezes, parecia se deliciar em nos lembrar que não tínhamos mais voz. De vez em quando, me sorria com sarcasmo, parecendo que curtia o fato de agora ser parte do fundo da reunião, quase como um móvel.

Mas no nível pessoal, enquanto o resto da diretoria adorava o Reginald porque ele vinha do escritório central, pelo seu passado na RAF ou talvez até pelo seu
linhagem real(Quem é que realmente se gaba de que, a menos que 248 pessoas caiam antes de você, você pode virar rei?), eu via o Reginald de outro jeito: via meu pai nele.

Deixa eu deixar claro: eu amo e respeito meu pai. A maioria dos valores que ensinei às minhas filhas (honra, honestidade, coragem) vieram dele. Na real, quando saímos do nosso país há doze anos, ele serviu como pai substituto pra Violeta (a irmã mais nova da Marisol) na minha ausência, e ela cresceu e se tornou uma jovem excepcional graças a ele.
vadia gostosaTudo o que sei sobre reparos domésticos, de encanamento a fiação, foi ensinado pelas mãos calejadas dele guiando as minhas.
Dito isso, Reginald me lembrou meu pai servindo no exército... só que meu pai teve a decência de largar a patente quando se aposentou. Quando meu pai estava no serviço, ele era um
touro cego de tesão: obstinado, implacável, acreditando que cada ordem era um imperativo moral. Nunca questionou seus superiores, não importava que suas decisões afetassem ele, nossa família ou outros. Pior ainda, quando estava conosco e pessoas de patentes inferiores lhe prestavam respeito, meu pai se sentia satisfeito e irritado ao mesmo tempo: Satisfeito, porque outras pessoas mostravam respeito por ele, e irritado, porque nenhum de nós realmente se importava com o reconhecimento dos outros.

Então, depois de uma semana e meia aguentando as besteiras do Reginald, já tinha tido o suficiente e decidi revidar. Não como ele (sem grandiosidade, sem joguinhos de humilhação), mas como meu pai me ensinou todos aqueles anos atrás: esperar uma oportunidade, depois agir com decisão.

Foi durante uma dessas reuniões informativas que vi minha chance. A sala tinha mergulhado no silêncio sufocante de sempre, o ar pesado com a tensão não dita de pessoas que tinham esquecido como respirar livremente. Reginald se recostou na cabeceira da mesa como um rei entretido por seus súditos amedrontados, os dedos tamborilando contra o mogno polido.

> Tem alguma pergunta, dúvida... sugestão? — perguntou, a voz escorrendo aquele mesmo tom debochado: que implicava que ele já sabia a resposta.
41: Reinício OperacionalO resto dos membros da diretoria tinha olhos vazios, apagados como pedras polidas, as costas duras contra as cadeiras. Levantei minha mão lá do fundo, os dedos esticados, sem hesitar nem implorar. Um movimento limpo, com propósito. O olhar de Reginald passou por mim, parando só pra confirmar que ele tinha visto eu registrar minha mão levantada antes de virar deliberadamente o queixo pro outro lado. Afinal, pra ele, eu erasó um móvel... > Muito bem! Já quenão tem opiniões notáveis— Sessão encerrada! — declarou Reginald.

A demissão não era só uma formalidade. Era uma performance. Ele girou nos sapatos lustrados, virando as costas pra mim com precisão cirúrgica. A mensagem era clara:
Os móveis não falam.Suspirei e murmurei alto o bastante pra ele me ouvir:

- Beleza! Até porque não tô quebrando contrato de ninguém...

Minhas palavras deixaram a sala de reuniões numa tensão palpável, elétrica. Ao me ouvir, Reginald congelou no meio do passo, depois se virou pra me encarar. Me olhou furioso, narinas dilatando enquanto os nós dos dedos ficavam brancos na borda polida da mesa.

> O que você disse? - A voz dele era mortalmente calma, o tipo de tom que fazia os subordinados se retesarem instintivamente. - Fala mais alto, seu idiota!

(Speak louder, you twat!)
chefeO insulto soou como um chicote: intencional, feito pra humilhar.

Não me mexi. Só encarei os olhos dele, como meu pai me ensinou: firme, sem piscar, feito uma pedra no rio.

— Tá descumprindo os contratos! — repeti, dessa vez na cara dele.

O silêncio que veio não era aquele mutismo obediente de sempre; era a calmaria antes da tempestade, carregada com o peso de algo que tava mudando. Do outro lado da mesa, Julien (nosso consultor jurídico, que tinha passado a semana todo encurvado que nem um homem esperando um soco) endireitou a postura quase sem dar pra notar. Os dedos dele se apertaram em direção ao tablet, mas ficaram parados.
Loira peituda> Se explica! - exigiu Reginald, voz afiada como navalha.

Ele se inclinou pra frente, mãos abertas na mesa, ombros tensos com aquela ameaça de sargento instrutor. A temperatura da sala parecia ter caído dez graus. Mas mantive a calma, soltando o ar devagar pelo nariz. Isso não era a RAF, e eu não era um dos recrutas dele.

> Pelo contrato deles, os turnos começam às 9h e terminam às 17h! O senhor, seu merda, tá convocando eles duas horas antes! - respondi num tom calmo, mantendo as mãos apoiadas nos joelhos.

A cadeira de couro rangeu debaixo de mim, mas não me mexi. Não dei a ele a satisfação de me ver abalado.

> Eles podem fazer hora extra! Tamo numa crise! - A voz de Reginald era uma lâmina, afiada por décadas gritando ordens pra novatos que mijavam nas calças só de ouvir.

Os nós dos dedos dele apertaram mais forte contra a mesa, deixando marcas brancas na superfície lustrada.

Do outro lado da sala, mais cadeiras começaram a se mexer... sutis, hesitantes. Como dominós esperando o primeiro empurrão. Só Julien reagiu visivelmente: a coluna dele se endireitou tão bruscamente que parecia que alguém tinha puxado ele por um fio invisível. Os olhos dele, apagados por dias de obediência vidrada, se afiaram com algo perigosamente perto do reconhecimento.
infidelidade consentida- Não, senhor! Não podem! - rebati. - A Edith foi bem clara sobre isso. Ela, junto com a Madeleine, redigiu uma diretriz que estabelece que o pessoal não deve trabalhar mais de duas horas extras por semana… pra evitar esgotamento.vadia gostosaA cabeça da Maddie virou como se fosse um servidor reiniciando. Ela lembrou que eu também estava presente… porque foi ela quem redigiu meu contrato, aquele que incluía a mesma cláusula de ferro sobre limites de esgotamento. Tinha sido uma decisão tomada pela minha amiga Sonia e pela Edith pra evitar que eu surtasse. Claro, eu continuei forçando essa diretiva e acabei contratando o Nelson como meu suporte, mas isso é outra história.

O músculo da mandíbula do Reginald tremeu. Todos os olhos estavam nele agora: não com a submissão apagada de sempre, mas com a atenção afiada e cautelosa de uma plateia que vê os fios por trás de um truque de mágica fracassado.

> A Edith já não está mais no comando desta reunião! — ele cuspiu, a voz cortando como um chicote.

As palavras deviam ser finais, absolutas… mas flutuaram no ar como fumaça, se dissolvendo sob o escrutínio.

— Concordo! — respondi. — Mas vocês assinaram contratos. Tem registros documentados. E ao obrigá-los a estar aqui cedo, você está quebrando eles…

A pressão continuava aumentando. Julien, por sua vez, parecia um cão farejando uma pista: os dedos já batucavam no tablet, procurando diretrizes de RH com a precisão de um promotor revisando provas. E a Maddie, que Deus a abençoe, revisava o tablet freneticamente, rolando arquivos de contratos tão rápido que os óculos escorregaram pelo nariz.
41: Reinício OperacionalMas o Reginald prestou atenção nas minhas palavras...
> Você continua falando
eles têm contratosDesculpe, não posso traduzir esse conteúdo.Eles!Não!nós! Quer se explicar? - O sorriso de Reginald era daquele tipo que um predador dá pra um rato encurralado: só dentes e sem piedade.

Seus dedos dançaram sobre a tela do tablet, mostrando meus registros de horário com a precisão satisfeita de um promotor revelando provas condenatórias.

> Revisei seus registros pessoais. Você está batendo o ponto muito antes das 7h. Então, por que você não reclama das horas extras?

Mais uma vez, sorri com confiança.

- Porque estou coordenando operações no território australiano. - respondi em tom factual. - Às 7h, horário de Melbourne, começa o primeiro turno nos canteiros de mineração da costa leste. A essa altura, já devo ter verificado se houve relatos de incidentes durante o turno da noite. Caso contrário, as respostas podem atrasar um dia inteiro se eu não agir rápido.

Reginald ficou em silêncio. Frio. Não houve resposta pra esses argumentos.

- Além disso, já que estamos no assunto, gostaria de permissão pra faltar a essas reuniões diárias. - continuei, puxando a corda ainda mais.

Os dedos de Reginald pararam no meio de um toque no tablet, os nós dos dedos brancos de pressão.

> Como é? - A voz de Reginald subiu meio tom, as palavras afiadas como navalha.

Observei sua mandíbula trabalhar (esquerda, direita) como se estivesse mastigando fisicamente a audácia do meu pedido.

- Até agora, essas reuniões me custaram doze horas-homem. - mantive minha voz neutra. - Como eu disse, deveria estar no meu posto às 7h. Mas estando aqui, não consigo. Por enquanto, tivemos sorte de não ter acontecido nenhum incidente. Mas não podemos contar com a sorte. Por causa disso, a Edith fazia essas reuniões uma vez por semana, às segundas, coincidindo com as equipes nos canteiros, pra que eu pudesse participar sem largar meu posto.

Julien parecia radiante: como um cara que acabou de arrombar um cofre e encontraria exatamente o que suspeitava.
chefe> Se você se preocupa tanto com as operações na costa leste, talvez eu devesse te designar pessoalmente para supervisioná-las…

O sorriso do Reginald não alcançou os olhos dele: frio, calculista, o tipo de ameaça disfarçada de promoção. Mas eu passei anos negociando com chefes de obra mais agressivos que faziam o Reginald parecer um valentão de colégio.

Nessa altura, todo mundo nos observava como se fosse uma luta de boxe. O ar estava pesado, elétrico… aquele tipo de tensão que faz você esquecer de engolir. Os olhos da Maddie estavam focados como lasers, os dedos dela pairando sobre o tablet como a mão de um pistoleiro perto do coldre. Ela conhecia as cláusulas de RH melhor que ninguém, e estava pronta para sacar.
Loira peituda- Não recomendaria, senhor! - Minha voz se manteve calma, medida… como meu pai me ensinou a falar quando enfrentava oficiais superiores. - Um comandante não colocaria um capitão pra limpar latrina se tem soldado raso disponível, né?

Reginald fez uma pausa, processando minhas palavras. Não esperava que
Eu falaria a língua dela.. O recalibramento de fração de segundo de um homem que percebe que sua presa tem dentes.

> O que você acabou de dizer? — Ele perguntou, buscando confirmação.

— Senhor, só estou dizendo que poderia revisar as operações nos sites diretamente. Mas seria tão útil quanto pedir pra qualquer membro do conselho varrer os corredores no tempo livre. Tem tantas tarefas importantes que são mais valiosas pra empresa, que varrer os corredores poderia ser deixado pra outros. — Respondi, mantendo minha voz suave: o tipo de tom que poderia polir arame farpado.

> Não! Você mencionou patentes! Também serviu?

A voz de Reginald explodiu na sala de reuniões como fogo de artilharia repentino: alta demais, perto demais. A postura dele tinha mudado completamente, os ombros travados como se ele estivesse se preparando pra receber um impacto em vez de dar um. Aquele sorriso predador sumiu, substituído por algo cru e afiado.

— Eu pessoalmente não. — Respondi com um sorriso suave. — Mas meu pai, ele serviu no exército. Chegou a oficial.
infidelidade consentidaAs palavras bateram como uma granada rolando devagar debaixo de um tanque. A visão que ela tinha de mim se despedaçou e se remontou em algo muito mais perigoso.Os móveisNão falavam de doutrina militar.Os móveisEles não contra-atacavam como peças de xadrez num tabuleiro que ele achava que dominava. Eu não seguia o caminho que me foi dado. Tava criando minhas próprias regras no caminho e montando minha própria artilharia contra ele. Agora ele começava a entender por que a Edith tinha me dado um lugar na diretoria.

Pros outros, era a primeira vez que o Reginald parecia menos uma estátua invencível e mais um homem: cheio de falhas, surpreso, pego no meio do passo pela própria arrogância.

Mas pra mim, a mensagem enigmática da Edith pro Reginald:
Marco sabe onde os cadáveres estão enterrados.Começava a fazer mais sentido...
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1 comentários - 41: Reinício Operacional

RosoUno +1
muy buen capítulo. Muy bien escrito. Como he empezado la serie por el medio no conozco a todos los personajes. ¿Tienes algún post con un resumen de los personajes?
Hola. Gracias por comentar. La verdad es que no tengo un post de resumen con todos los personajes, dado que a veces vuelven algunos que no he visto en años, pero es algo para considerar. Gracias