Uma noite, Ramiro reclamou de dores nas costas além da perna quebrada. Karina sugeriu uma massagem pra aliviar ele. Ramiro, na cama, se deitou de bruços com esforço, e Karina sentou do lado dele, passando óleo nas mãos. Javier observava do sofá, fingindo ler um jornal velho, mas os olhos dele queimavam de ciúme e tesão.
—Me ajuda, meu filho —disse Karina, com voz neutra, mas olhando fixo pra ele—. Segura o lençol pra ele não esfriar.
Javier se aproximou da cama, ajoelhando do lado oposto do pai. Enquanto Karina massageava as costas de Ramiro — movimentos firmes que faziam o homem gemer de alívio —, Javier estendeu uma mão por baixo do lençol. Roçou a coxa de Karina, subindo devagar pela pele macia até chegar na beirada da calcinha. Ela se tensou, mas não parou a massagem. Os olhos deles se encontraram por cima do corpo de Ramiro, carregados de aviso e safadeza.
Javier enfiou os dedos por baixo do tecido molhado, sentindo o calor pegajoso da excitação dela. Pressionou o clitóris com o polegar em círculos precisos, enquanto dois dedos entravam e saíam num ritmo lento, mas profundo. Karina mordeu o lábio, os quadris se movendo imperceptivelmente sob o lençol, cavalgando os dedos do filho enquanto as mãos continuavam nas costas de Ramiro.
— Ah… isso é bom — murmurou Ramiro, alheio a tudo, achando que era por causa da massagem.
Karina ofegou, disfarçando como um suspiro de esforço. O orgasmo veio em silêncio: as paredes internas se contraíram em volta dos dedos de Javier, molhando eles com um jorro quente. Ele tirou a mão devagar, lambendo os dedos disfarçadamente quando ninguém olhava.
Mas Ramiro virou a cabeça de leve, abrindo um olho.
— Tudo bem, Karina? Você tá ofegante.
Ela forçou um sorriso, com as bochechas vermelhas e as pernas tremendo.
— Só cansada, véio. Descansa.
Javier voltou pro sofá com o coração na boca. Tinham estado a segundos de serem pegos.
Dias depois, José ligou pra saber como estavam as coisas. Ramiro atendeu da cama, colocando o telefone no viva-voz pra todo mundo falar. Karina estava sentada na beirada da cama, Javier de pé perto dela.
Enquanto Ramiro contava sobre a recuperação — “a perna dói menos, mas continuo inútil” —, Javier se aproximou por trás de Karina, fingindo ajustar o travesseiro do O pai dela. Ele desceu uma mão disfarçadamente pelas costas dela, enfiando por baixo da saia. Roçou a buceta dela por cima da calcinha, sentindo a umidade na hora. Karina ficou tensa, mas não se mexeu; os olhos dela imploravam "não", mas o corpo dizia o contrário.
Javier afastou o pano e enfiou dois dedos de uma vez, curvando eles pra bater no ponto G a cada movimento. Karina mordeu a parte de dentro da bochecha pra não gemer, respondendo pro José com voz trêmula:
—S-sim, José… aqui tudo bem. Seu pai tá melhorando.
Ramiro riu de alguma coisa que o José falou, sem saber que o filho dele tava dedando a esposa dele a um metro de distância. Javier acelerou, enfiando um terceiro dedo, esticando ela, enquanto o polegar esfregava o clitóris inchado. Karina apertou as pernas em volta da mão dele, gozando em silêncio: um tremor inteiro passou por ela, molhando o lençol debaixo.
José perguntou:
—Mãe, cê tá bem? Tá com a voz estranha.
Karina engoliu seco, com lágrimas de prazer e terror nos olhos.
—Só um pouco resfriada, meu filho. Nada grave.
Javier tirou a mão, cheirando os dedos disfarçadamente. Ramiro não percebeu nada, mas Karina olhou pra ele com pânico: um movimento errado e o José teria ouvido um gemido.
Ramiro precisava trocar os curativos da perna. Karina levou ele pro banheiro, ajudando ele a sentar na cadeira. Pediu pro Javier trazer as gazes novas. Enquanto Ramiro esperava de olhos fechados por causa da dor, Javier entrou e trancou a porta.
Karina se inclinou pra desenrolar o curativo velho, com a bunda empinada na direção do Javier. Ele não resistiu: baixou a calça em silêncio, soltando a pica dura e cheia de veias. Levantou a saia da Karina, afastou a calcinha dela e enfiou de uma vez, fundo, sentindo a buceta quente e apertada engolir ele inteiro.
Karina soltou um gemido que disfarçou de tosse, apoiando as mãos na banheira pra não cair. Javier comeu ela com estocadas rápidas e brutais: cada uma batendo no colo do útero, fazendo os peitos dela balançarem selvagem por baixo da blusa. Ela tapou a boca com uma mão, a outra segurando o curativo pra fingir que ainda tava trabalhando.
— Karina... já tá acabando? Tá doendo — reclamou o Ramiro, abrindo os olhos um pouco.
Javier não parou; acelerou, apertando as cadeiras largas dela com força, deixando marca. Karina gozou primeiro: um orgasmo que fez ela tremer toda, o mel escorrendo pelas pernas dos dois. Javier veio atrás, gozando dentro dela com um grunhido abafado no pescoço, enchendo ela até sentir o leite escorrer.
Se separaram ofegantes. Karina arrumou o curativo rápido, com as mãos tremendo. Ramiro franziu a testa.
— Por que demorou tanto? E o Javier, cadê as gazes?
Javier tirou elas do bolso, fingindo que tinha acabado de chegar. Mas o Ramiro olhou estranho pra eles por um segundo, como se algo não batesse. Karina saiu do banheiro com as pernas bambas, o gozo do filho escorrendo, e o medo de que o Ramiro tivesse ouvido o barulho molhado dos corpos deles.
Uma tarde, o Ramiro tirou uma soneca comprida na cama. Karina sentou no sofá pra costurar, o Javier do lado "pra ver TV". Logo, a mão dele subiu pela coxa dela por baixo da saia. Karina abriu as pernas, deixando ele tocar: dedos explorando os lábios inchados, esfregando o clitóris com jeito enquanto ela masturbava ele por cima da calça.
O clima esquentou: Javier baixou a cabeça entre as coxas dela, lambendo a buceta com fome, chupando o clitóris até fazer ela arquear. Karina pegou o pau dele na boca, chupando fundo, garganta relaxada pra engolir inteiro.
Os dois estavam no auge do tesão — ela gemendo baixinho no pau dele, ele lambendo o cu e a buceta dela alternadamente — quando Ramiro acordou de repente com uma dor.
— Karina… cadê você? — chamou do quarto.
Eles congelaram. Javier se endireitou rápido, se ajeitando, enquanto Karina limpava a boca e corria pro quarto. Ramiro viu ela entrar ofegante, com o cabelo bagunçado e as bochechas vermelhas.
— O que você tava fazendo? Ouvi uns barulhos estranhos.
— Nada, véio. Só costurando com o Javier.
Ramiro concordou, mas o olhar dele demorou na blusa desarrumada dela. Javier ficou no sofá, com o coração batendo forte, sabendo que um segundo a mais e Ramiro teria entrado e pegado os dois no flagra.
Esses eventos deixaram eles exaustos emocionalmente, mas o desejo não parava. Cada quase-descoberta os deixava mais ousados, mais desesperados. A culpa se misturava com o medo, mas o prazer era mais forte, empurrando eles pra um ponto de ruptura inevitável.
Os meses seguintes foram um turbilhão de tensão contida, rotina forçada e desejo reprimido que vazava por cada brecha possível. Ramiro, com a perna quebrada, virou o centro involuntário de tudo: o paciente que não conseguia se mexer sozinho, o marido que precisava de cuidados constantes, o pai que falava de gratidão todo dia.
A recuperação avançou mais rápido do que o esperado. As primeiras semanas foram pesadas: dores fortes, inflamação que subia e descia, noites sem dormir em que Ramiro gemia e Karina levantava pra dar analgésicos, massagens, trocar curativos. Javier ajudava no que podia — levantar ele pra ir ao banheiro, segurar ele no banho, carregar a cadeira de rodas improvisada —, mas cada contato com Karina era uma bomba-relógio: um roçar de mãos ao Passar uma toalha, um olhar demorado quando ela se abaixava pra ajustar a tala, um suspiro compartilhado quando Ramiro dormia e eles ficavam sozinhos no quarto.
Depois de um mês e meio, a perna começou a soldar direito. O médico na clínica de San Luis tirou o gesso completo e colocou uma bota ortopédica mais leve. Ramiro começou a apoiar o peso aos poucos: primeiro com muletas, depois se apoiando na parede, e por fim andando sozinho pela casa com passos desengonçados, mas cada vez mais firmes. "Já tô quase de volta", dizia orgulhoso, dando um tapinha nas costas de Javier e beijando a testa de Karina. "Valeu mesmo, vocês dois, não sei como pagar isso."
Karina sorria, mas os olhos dela ficavam nublados. Cada melhora de Ramiro significava menos desculpas pra ficar perto de Javier. O sofá voltou a ser só sofá. As noites ficaram mais frias: Ramiro dormia melhor, se mexia mais na cama, reclamava o espaço dele e da esposa com toques casuais que antes não doíam tanto. Javier ficava acordado olhando pro teto, ouvindo os roncos do pai e o silêncio forçado da mãe do outro lado da parede.
Aos três meses, Ramiro já andava sem ajuda pela casa, embora mancasse um pouco e cansasse rápido. Voltou a trabalhar meio período na fábrica — turnos leves de supervisão, sentado a maior parte do tempo — e começou a falar em juntar dinheiro pra voltar pro povoado um dia. "Já não somos tão jovens, mas com o que o José e você mandam, dá pra arrumar a casinha de lá."
Karina e Javier se olhavam em silêncio quando Ramiro não estava. O desejo não tinha morrido; só tinha se enterrado mais fundo, esperando. Os encontros ficaram fugazes e perigosos: um beijo roubado na cozinha enquanto Ramiro tomava banho, dedos roçando coxas debaixo da mesa durante o jantar, sexo rápido e silencioso no banheiro quando Ramiro saía pra comprar qualquer coisa. Cada vez corriam mais risco, mas também ficavam mais espertos em disfarçar.
No quarto mês, Ramiro já andava quase normal. A mancada era mínima, a perna forte de novo. Uma tarde, enquanto Javier e Karina lavavam a louça juntos, Ramiro entrou na cozinha sorrindo.
—Amanhã tiram a bota de vez. O médico disse que estou recuperado cem por cento. Graças a Deus… e a vocês.
Abraçou Karina pela cintura e deu um beijo na bochecha dela. Ela sorriu, mas os olhos dela procuraram os de Javier por cima do ombro do marido. Naquele olhar tinha tudo: alívio porque Ramiro estava bem, terror porque agora não teria mais desculpas pra distância, e uma fome crua que não tinha se apagado.
Naquela noite, quando Ramiro finalmente dormiu fundo pela primeira vez sem analgésicos, Karina se levantou em silêncio e foi até o sofá onde Javier fingia estar dormindo. Ajoelhou-se ao lado dele, puxou a cueca dele pra baixo sem dizer nada e meteu a boca, chupando com uma desesperação contida. Javier mordeu o próprio punho pra não gemer. Quando terminou, ela subiu em cima dele, montou devagar e cavalgou em silêncio, com lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto gozava uma vez atrás da outra.
Ao amanhecer, cada um voltou pro seu canto. Ramiro acordou feliz, sem desconfiar de nada.
A recuperação tinha acabado. A fratura tinha sarado. Mas a ferida entre Karina e Javier só tinha ficado mais funda, mais invisível, mais inevitável.
—Me ajuda, meu filho —disse Karina, com voz neutra, mas olhando fixo pra ele—. Segura o lençol pra ele não esfriar.Javier se aproximou da cama, ajoelhando do lado oposto do pai. Enquanto Karina massageava as costas de Ramiro — movimentos firmes que faziam o homem gemer de alívio —, Javier estendeu uma mão por baixo do lençol. Roçou a coxa de Karina, subindo devagar pela pele macia até chegar na beirada da calcinha. Ela se tensou, mas não parou a massagem. Os olhos deles se encontraram por cima do corpo de Ramiro, carregados de aviso e safadeza.
Javier enfiou os dedos por baixo do tecido molhado, sentindo o calor pegajoso da excitação dela. Pressionou o clitóris com o polegar em círculos precisos, enquanto dois dedos entravam e saíam num ritmo lento, mas profundo. Karina mordeu o lábio, os quadris se movendo imperceptivelmente sob o lençol, cavalgando os dedos do filho enquanto as mãos continuavam nas costas de Ramiro.
— Ah… isso é bom — murmurou Ramiro, alheio a tudo, achando que era por causa da massagem.
Karina ofegou, disfarçando como um suspiro de esforço. O orgasmo veio em silêncio: as paredes internas se contraíram em volta dos dedos de Javier, molhando eles com um jorro quente. Ele tirou a mão devagar, lambendo os dedos disfarçadamente quando ninguém olhava.
Mas Ramiro virou a cabeça de leve, abrindo um olho.
— Tudo bem, Karina? Você tá ofegante.
Ela forçou um sorriso, com as bochechas vermelhas e as pernas tremendo.
— Só cansada, véio. Descansa.
Javier voltou pro sofá com o coração na boca. Tinham estado a segundos de serem pegos.
Dias depois, José ligou pra saber como estavam as coisas. Ramiro atendeu da cama, colocando o telefone no viva-voz pra todo mundo falar. Karina estava sentada na beirada da cama, Javier de pé perto dela.
Enquanto Ramiro contava sobre a recuperação — “a perna dói menos, mas continuo inútil” —, Javier se aproximou por trás de Karina, fingindo ajustar o travesseiro do O pai dela. Ele desceu uma mão disfarçadamente pelas costas dela, enfiando por baixo da saia. Roçou a buceta dela por cima da calcinha, sentindo a umidade na hora. Karina ficou tensa, mas não se mexeu; os olhos dela imploravam "não", mas o corpo dizia o contrário.
Javier afastou o pano e enfiou dois dedos de uma vez, curvando eles pra bater no ponto G a cada movimento. Karina mordeu a parte de dentro da bochecha pra não gemer, respondendo pro José com voz trêmula:
—S-sim, José… aqui tudo bem. Seu pai tá melhorando.
Ramiro riu de alguma coisa que o José falou, sem saber que o filho dele tava dedando a esposa dele a um metro de distância. Javier acelerou, enfiando um terceiro dedo, esticando ela, enquanto o polegar esfregava o clitóris inchado. Karina apertou as pernas em volta da mão dele, gozando em silêncio: um tremor inteiro passou por ela, molhando o lençol debaixo.
José perguntou:
—Mãe, cê tá bem? Tá com a voz estranha.
Karina engoliu seco, com lágrimas de prazer e terror nos olhos.
—Só um pouco resfriada, meu filho. Nada grave.
Javier tirou a mão, cheirando os dedos disfarçadamente. Ramiro não percebeu nada, mas Karina olhou pra ele com pânico: um movimento errado e o José teria ouvido um gemido.
Ramiro precisava trocar os curativos da perna. Karina levou ele pro banheiro, ajudando ele a sentar na cadeira. Pediu pro Javier trazer as gazes novas. Enquanto Ramiro esperava de olhos fechados por causa da dor, Javier entrou e trancou a porta.
Karina se inclinou pra desenrolar o curativo velho, com a bunda empinada na direção do Javier. Ele não resistiu: baixou a calça em silêncio, soltando a pica dura e cheia de veias. Levantou a saia da Karina, afastou a calcinha dela e enfiou de uma vez, fundo, sentindo a buceta quente e apertada engolir ele inteiro.Karina soltou um gemido que disfarçou de tosse, apoiando as mãos na banheira pra não cair. Javier comeu ela com estocadas rápidas e brutais: cada uma batendo no colo do útero, fazendo os peitos dela balançarem selvagem por baixo da blusa. Ela tapou a boca com uma mão, a outra segurando o curativo pra fingir que ainda tava trabalhando.
— Karina... já tá acabando? Tá doendo — reclamou o Ramiro, abrindo os olhos um pouco.
Javier não parou; acelerou, apertando as cadeiras largas dela com força, deixando marca. Karina gozou primeiro: um orgasmo que fez ela tremer toda, o mel escorrendo pelas pernas dos dois. Javier veio atrás, gozando dentro dela com um grunhido abafado no pescoço, enchendo ela até sentir o leite escorrer.
Se separaram ofegantes. Karina arrumou o curativo rápido, com as mãos tremendo. Ramiro franziu a testa.
— Por que demorou tanto? E o Javier, cadê as gazes?
Javier tirou elas do bolso, fingindo que tinha acabado de chegar. Mas o Ramiro olhou estranho pra eles por um segundo, como se algo não batesse. Karina saiu do banheiro com as pernas bambas, o gozo do filho escorrendo, e o medo de que o Ramiro tivesse ouvido o barulho molhado dos corpos deles.
Uma tarde, o Ramiro tirou uma soneca comprida na cama. Karina sentou no sofá pra costurar, o Javier do lado "pra ver TV". Logo, a mão dele subiu pela coxa dela por baixo da saia. Karina abriu as pernas, deixando ele tocar: dedos explorando os lábios inchados, esfregando o clitóris com jeito enquanto ela masturbava ele por cima da calça.
O clima esquentou: Javier baixou a cabeça entre as coxas dela, lambendo a buceta com fome, chupando o clitóris até fazer ela arquear. Karina pegou o pau dele na boca, chupando fundo, garganta relaxada pra engolir inteiro.Os dois estavam no auge do tesão — ela gemendo baixinho no pau dele, ele lambendo o cu e a buceta dela alternadamente — quando Ramiro acordou de repente com uma dor.
— Karina… cadê você? — chamou do quarto.
Eles congelaram. Javier se endireitou rápido, se ajeitando, enquanto Karina limpava a boca e corria pro quarto. Ramiro viu ela entrar ofegante, com o cabelo bagunçado e as bochechas vermelhas.
— O que você tava fazendo? Ouvi uns barulhos estranhos.
— Nada, véio. Só costurando com o Javier.
Ramiro concordou, mas o olhar dele demorou na blusa desarrumada dela. Javier ficou no sofá, com o coração batendo forte, sabendo que um segundo a mais e Ramiro teria entrado e pegado os dois no flagra.
Esses eventos deixaram eles exaustos emocionalmente, mas o desejo não parava. Cada quase-descoberta os deixava mais ousados, mais desesperados. A culpa se misturava com o medo, mas o prazer era mais forte, empurrando eles pra um ponto de ruptura inevitável.
Os meses seguintes foram um turbilhão de tensão contida, rotina forçada e desejo reprimido que vazava por cada brecha possível. Ramiro, com a perna quebrada, virou o centro involuntário de tudo: o paciente que não conseguia se mexer sozinho, o marido que precisava de cuidados constantes, o pai que falava de gratidão todo dia.
A recuperação avançou mais rápido do que o esperado. As primeiras semanas foram pesadas: dores fortes, inflamação que subia e descia, noites sem dormir em que Ramiro gemia e Karina levantava pra dar analgésicos, massagens, trocar curativos. Javier ajudava no que podia — levantar ele pra ir ao banheiro, segurar ele no banho, carregar a cadeira de rodas improvisada —, mas cada contato com Karina era uma bomba-relógio: um roçar de mãos ao Passar uma toalha, um olhar demorado quando ela se abaixava pra ajustar a tala, um suspiro compartilhado quando Ramiro dormia e eles ficavam sozinhos no quarto.
Depois de um mês e meio, a perna começou a soldar direito. O médico na clínica de San Luis tirou o gesso completo e colocou uma bota ortopédica mais leve. Ramiro começou a apoiar o peso aos poucos: primeiro com muletas, depois se apoiando na parede, e por fim andando sozinho pela casa com passos desengonçados, mas cada vez mais firmes. "Já tô quase de volta", dizia orgulhoso, dando um tapinha nas costas de Javier e beijando a testa de Karina. "Valeu mesmo, vocês dois, não sei como pagar isso."
Karina sorria, mas os olhos dela ficavam nublados. Cada melhora de Ramiro significava menos desculpas pra ficar perto de Javier. O sofá voltou a ser só sofá. As noites ficaram mais frias: Ramiro dormia melhor, se mexia mais na cama, reclamava o espaço dele e da esposa com toques casuais que antes não doíam tanto. Javier ficava acordado olhando pro teto, ouvindo os roncos do pai e o silêncio forçado da mãe do outro lado da parede.
Aos três meses, Ramiro já andava sem ajuda pela casa, embora mancasse um pouco e cansasse rápido. Voltou a trabalhar meio período na fábrica — turnos leves de supervisão, sentado a maior parte do tempo — e começou a falar em juntar dinheiro pra voltar pro povoado um dia. "Já não somos tão jovens, mas com o que o José e você mandam, dá pra arrumar a casinha de lá."
Karina e Javier se olhavam em silêncio quando Ramiro não estava. O desejo não tinha morrido; só tinha se enterrado mais fundo, esperando. Os encontros ficaram fugazes e perigosos: um beijo roubado na cozinha enquanto Ramiro tomava banho, dedos roçando coxas debaixo da mesa durante o jantar, sexo rápido e silencioso no banheiro quando Ramiro saía pra comprar qualquer coisa. Cada vez corriam mais risco, mas também ficavam mais espertos em disfarçar.
No quarto mês, Ramiro já andava quase normal. A mancada era mínima, a perna forte de novo. Uma tarde, enquanto Javier e Karina lavavam a louça juntos, Ramiro entrou na cozinha sorrindo.—Amanhã tiram a bota de vez. O médico disse que estou recuperado cem por cento. Graças a Deus… e a vocês.
Abraçou Karina pela cintura e deu um beijo na bochecha dela. Ela sorriu, mas os olhos dela procuraram os de Javier por cima do ombro do marido. Naquele olhar tinha tudo: alívio porque Ramiro estava bem, terror porque agora não teria mais desculpas pra distância, e uma fome crua que não tinha se apagado.
Naquela noite, quando Ramiro finalmente dormiu fundo pela primeira vez sem analgésicos, Karina se levantou em silêncio e foi até o sofá onde Javier fingia estar dormindo. Ajoelhou-se ao lado dele, puxou a cueca dele pra baixo sem dizer nada e meteu a boca, chupando com uma desesperação contida. Javier mordeu o próprio punho pra não gemer. Quando terminou, ela subiu em cima dele, montou devagar e cavalgou em silêncio, com lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto gozava uma vez atrás da outra.
Ao amanhecer, cada um voltou pro seu canto. Ramiro acordou feliz, sem desconfiar de nada. A recuperação tinha acabado. A fratura tinha sarado. Mas a ferida entre Karina e Javier só tinha ficado mais funda, mais invisível, mais inevitável.
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