Depois de muito tempo, tive vontade de escrever algo aqui. Embora os relatos sejam de pouco interesse, é algo que gosto de fazer. E tava com vontade de colocar um pouco de mim. A tarde ia se apagando enquanto eu terminava de me arrumar. Coloquei um vestido novo que usei só uns dias atrás, aquele que grudava nas minhas curvas e dava um ar de poder e sedução. Cada detalhe foi pensado: o perfume, a maquiagem que realçava o olhar safado que eu ia dar pra ele, a lingerie que, mesmo invisível, era uma promessa do que viria depois. Meu corpo vibrava com um calor que subia pelo meu ventre. Não era só a vontade de uma noite romântica; era uma fome carnal, uma necessidade física de sentir ele, de ter as mãos dele me percorrendo com a mesma urgência que minha imaginação já tava fazendo. As horas passaram. O relógio marcou a hora do encontro. E a seguinte. E a seguinte. As mensagens de texto ficaram sem resposta. O desejo começou a se transformar, se misturando com uma pontada de ansiedade e raiva. Finalmente, o celular vibrou. Não era ele, era uma notificação de rede social que distraiu minha atenção. A raiva me atingiu e eu liguei. Na primeira vez, ele não atendeu. Na segunda, a mesma coisa. Na terceira, atendeu com um tom distraído e bêbado. — Alô? — ele disse, como se não fizesse ideia do tempo que tinha passado. — Cadê você? — minha voz tensa, prestes a se quebrar. — Ah, saí com os caras. Acabou que atrasou. Já tô indo praí. — Atrasou? — repeti, a raiva transbordando —. Atrasou esquecendo que tinha um encontro, seu idiota?! A discussão no telefone foi um furacão de acusações e desculpas. Ele, na defensiva; eu, enfurecida. Desliguei, com o coração batendo forte e as mãos tremendo. O tesão tinha sido completamente apagado, substituído por um fogo de fúria. Minutos depois, a campainha e batidas na porta. — A gente pode conversar — ele murmurou, se aproximando com as mãos abertas num gesto de paz. — Não tem nada pra conversar! Você me deixou esperando!. A briga na A porta foi um eco do telefone, mas agora cara a cara. Cada palavra era um dardo envenenado. A frustração da espera, a raiva pela indiferença. Ele tentou me acalmar, mas só conseguiu me irritar mais. Finalmente, empurrei ele pro carro e bati a porta com força, deixando ele no silêncio. A raiva ainda queimava, mas por baixo dela, latente e ressentida, a vontade de transar não tinha morrido. Ela tinha se retorcido, virado algo mais escuro, mais frustrado. Era uma energia sem saída, uma tensão que me consumia... Um tempo depois, entrei no chuveiro, deixando a água quente bater entre minhas pernas. Fechei os olhos e, entre o vapor e o barulho da água, meu corpo virou o centro do universo. Minhas mãos, antes ansiosas pra serem tocadas, agora se moviam ferozes na minha pele molhada. A frustração e a raiva se canalizaram em cada carícia, cada pressão. Não tava buscando ternura, queria uma liberação violenta, uma explosão que tirasse toda a tensão acumulada. O orgasmo não foi um suspiro de prazer, mas um grito abafado, uma descarga elétrica que me deixou tremendo e vazia contra os azulejos molhados, não só de água.
15 comentários - Una noche de mierd.. Y algo más...