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Compêndio III01: O ENCANTADOR DE VADIAS
Eu estava relaxando em casa, ficando acordado até tarde, curtindo minhas férias de verão lendo um livro na sala minha e da minha esposa, quando fui interrompido pelo meu celular.
A interrupção foi brusca, quebrando o silêncio da sala, onde eu estava deitado no sofá de couro, com um braço sobre os olhos para bloquear a luz fraca do abajur. O livro, um romance de suspense esquecível, tinha escorregado do meu peito e caído no chão com um baque surdo enquanto eu procurava às cegas o telefone que vibrava.
• Oi... Você é... o Marco? – perguntou timidamente uma voz de mulher jovem ao telefone.
– Sim. Com quem falo? – Minha voz saiu mais grossa do que eu pretendia, ainda meio perdido no mundo fictício de assassinos e diamantes roubados.
• Oi! Oi! Oi! – A voz do outro lado da linha de repente ficou alegre demais, muito entusiasmada, como se alguém tivesse aumentado o entusiasmo dela no máximo depois da hesitação inicial.
Eu praticamente conseguia ouvi-la pulando na ponta dos pés. A mudança foi dissonante.
• Talvez você não se lembre de mim. Nos conhecemos há alguns meses. Meu nome é Katherine. – Aí estava, aquele tom sutilmente ascendente no final, o implícito...claro que você sabe quem eu sou.
Não sabia. O silêncio se estendeu um segundo a mais do que deveria antes dela suspirar, e pude imaginá-la revirando os olhos, provavelmente jogando para trás do ombro aquela juba rebelde de cabelo dourado.• Sou a filha do seu colega de trabalho, o Ethan?
Um soco instantâneo no estômago. Ethan, chefe de Logística, membro do conselho e um babaca completo que polia mais o Rolex do que a personalidade. O tipo de pessoa que estaciona o Porsche na diagonal ocupando duas vagas só pra mostrar que pode. E agora a filha dele me ligava às... olhei o relógio... 23h37 de uma sexta-feira.
- Claro! - exclamei devagar, esfregando a ponte do nariz com o polegar. - O jantar.
A risada dela foi uma explosão de alívio.
• Isso! Onde você deu um soco no Titan. - Como se isso explicasse tudo.
O cachorro tinha pulado em mim (provavelmente, a cena toda foi armada pelo Ethan, já que ele me levou pra conhecer o cachorro), e eu, instintivamente, dei um soco na testa dele como se estivesse reiniciando uma impressora. O husky se sentou tão rápido que a bunda dele fez umtumcaricato. Ao contrário de Ethan e sua esposa troféu, Clarissa, Katherine era uma feminista rebelde com uma atitude sarcástica e um corpo espetacular.
O tipo de garota que sorria enquanto pichava slogans corporativos nas paredes dos bancos e depois postava com uma hashtag sobre opressão sistêmica, tudo enquanto o cartão American Express Black do pai dela descansava confortavelmente no bolso de trás da calça. Era uma contradição ambulante envolta em jeans rasgados e botas militares, com o cabelo platinado escondido sob aquele gorro beligerante como se achasse que isso a tornava incógnita. Não tornava. Não com aquelas pernas, suficientemente longas para envolver um problema duas vezes e ainda ter espaço para dar um chute, nem com o jeito que a blusa estampada de zebra colava naquela cintura que fazia os garçons servirem drinks sem pedir documento.Embora os seios não fossem tão grandes quanto os da mãe, o corpo de Katherine era um exemplo de rebeldia controlada: firme onde importava, macio onde tentava. O tipo de silhueta que fazia você esquecer por um instante que ela era filha de alguém, antes que a culpa invadisse. A cintura era tão estreita que cabia nas mãos, mas os quadris se alargavam como se ela tivesse sido projetada para derrubar coisas: copos, planos, homens. E essas pernas? Infinitas. Do tipo que faziam escadas de repente parecerem fascinantes.
— Como você conseguiu meu número? — perguntei, confuso.
Como eu disse, Ethan e eu não somos exatamente amigos. A linha ficou tão silenciosa que pensei que tinha caído, até ouvir a exalação dela, lenta, calculada, como se estivesse repensando desculpas no fone.
• Bom... — A palavra escapou, com sílabas suaves como seda, uma mudança tonal completa em relação à feminista desbocada que tinha passado o jantar desfiando sobre estruturas patriarcais entre garfadas de lasanha de plástico. — Revisei a lista de contatos do meu pai... sabe... pelas costas dele.
O jeito que ela falou, baixinho, conspiratório, com uma respiração entrecortada, Fez com que ela apertasse o telefone com mais força. Por um segundo desorientador, ele não era mais Marco, o membro do conselho; era um padre em um confessionário, e Katherine era a fiel inquieta que se inclinava perto demais da grade, derramando seus pecados em sussurros quentes com cheiro de impureza. A imagem era tão vívida que ela quase conseguia sentir o cheiro do incenso enjoativo e a pressão do joelho dele contra a madeira.
• Mas eu queria falar com você porque estou preocupada com o Titan. — A voz dela me trouxe de volta à realidade: nada de incenso, nada de pecados sussurrados, apenas o leve zumbido da geladeira no fim do corredor e o cheiro do meu barato pós-barba impregnando o sofá. — Depois da sua visita, percebi que ele deve estar muito triste, porque não sai da gaiola de jeito nenhum. Toda vez que vou dar comida, fico com medo de ele me morder... (Uma pausa. Um suspiro.) E como você é o único que ele mordeu... e você não parecia ter medo... (A voz dela sumiu, de repente insegura.) Queria pedir um conselho.Fiquei atônito. Entendia a situação dela, mas era incapaz de dar um conselho. Como compartilhar por telefone vinte anos de convivência com matilhas de cachorros, o jeito que os músculos deles se tensionam antes de atacar, como as orelhas se mexem em frequências que humanos não ouvem, o milésimo de segundo exato em que mostrar os dentes deixa de ser um aviso e vira um ataque? Não é algo que dá pra explicar numa conversa só. É algo que tem que ver, sentir o cheiro,sentirno tremor da coleira quando o animal decide se obedece ou se rebela.
- Posso te visitar amanhã por volta das dez? - perguntei, reorganizando mentalmente minha manhã: nadar na piscina com minha mulher e nossas filhas podia esperar.
- O quê? - A respiração dela cortou, surpresa, depois algo mais agudo, como o crepitar elétrico antes de uma tempestade de verão.
Praticamente dava pra ouvir ela mordendo o lábio no meio do silêncio, o leve batucar das unhas escuras e lascadas na capa do celular traía o nervosismo.
- Não é tão simples. - expliquei, virando de lado e deixando o couro do sofá ranger sob meu peso. - Cachorros como o Titan? Eles não seguemdicasEles travam uma guerra de poder. E agora, ele está ganhando.
No final do corredor, o perfume de Marisol ainda pairava, aquele cheiro de sabonete que me deixa louco, mas de repente me pareceu enjoativo comparado à energia inquieta de Katherine que vibrava do outro lado da linha.
• Mas não quero te incomodar...A hesitação na voz dela era palpável, um momento raro de vulnerabilidade numa garota que costumava usar sua confiança como uma armadura. Eu conseguia imaginá-la ali, toda encolhida num moletom com capuz grande demais, com a coleira do Titan enrolada nos dedos e mordendo o lábio inferior. A imagem era tão clara que me surpreendeu. Por que eu me importava com como essa pirralha segurava o celular no meio da noite?
- Não se preocupe! - acalmei-a. - Eu gosto de cachorros e minhas filhas vão entender que o pai ajude uma garota com os problemas do seu cachorrinho, então relaxa!O silêncio que se seguiu foi tão denso que dava para cortar com uma faca. Através do telefone, eu conseguia ouvir o leve estalo da língua dela contra os dentes, um tique nervoso que não havia notado durante o jantar. Quando finalmente falou, sua voz havia perdido o tom teatral, revelando algo mais suave por baixo.
• De verdade... você viria? - A pergunta saiu fraca, quase infantil, e me chamou a atenção o quão jovem ela soava sem a couraça do sarcasmo.
Na manhã seguinte, Marisol estava deitada na nossa cama, ofegante.
- Desculpa, meu bem! Tenho um encontro às dez.
Ela riu baixinho, ainda recuperando o fôlego.
+ Graças a Deus! Você passou duas horas chupando minha buceta.
Os lençóis grudavam na sua pele úmida enquanto ela se espreguiçava, e a luz da manhã refletia o brilho do suor entre seus seios. Beijei sua coxa, saboreando o gosto salgado e o sono, antes de rolar para fora do colchão.
- É... e já tô de pau duro. - admiti, me ajustando enquanto me levantava. - Vou encontrar uma gostosa.
Marisol virou de bruços, apoiando o queixo nas mãos, com seus cachos castanhos caindo sobre os ombros nus. A luz da manhã iluminava as marcas de mordidas que eu tinha deixado em sua clavícula, roxas como violetas amassadas.
+ Então ela vai ficar impressionada com oum pepino daquelesO que você tem aí debaixo da calça? – brincou, deslizando um dedo pelo lençol em direção à minha coxa.Agarrei seu pulso e pressionei a palma da mão dela contra o tecido da minha cueca. Sua risada era grave, gutural, o som de uma mulher que sabia exatamente quanto poder tinha.
– Cuidado! – sussurrei contra seus nós dos dedos. – Senão vou me atrasar.
O chuveiro estava fervendo, quase doloroso, e o vapor subia da minha pele como se estivesse me cozinhando vivo. Quando saí, me enxugando com a toalha com rapidez e eficiência, a casa estava cheia de vida, com o barulho da louça do café da manhã e a conversa das meninas. Verito, Pamela e Alicia, todas sentadas na ilha da cozinha como uma fileira de passarinhos, pararam no meio da colherada para me ver passar. Suas tigelas de cereal eram um caleidoscópio de cores, com o leite ficando rosa neon por causa dos marshmallows dissolvidos.
– Papai, por favor, ajuda o cachorrinho! – pediu Alicia com a boca cheia e um floco de aveia grudado no queixo. Tirei com o polegar.
– Vou ajudar, repolhinho, vou sim. – acalmei-a com um carinho na mão.
O trajeto foi tranquilo, aquele tipo de manhã de verão que faz você esquecer que a cidade pode ser qualquer coisa além de dourada. A luz do sol entrava pelo para-brisa, esquentando minhas coxas através do tecido fino da minha calça chino. O bairro do Ethan se erguia à nossa frente, com seus jardins extensos e portões ornamentados o suficiente para gritargranasem parecer vulgares. Hoje, porém, parecia mais tranquilo: havia menos Range Rovers estacionadas nas calçadas e menos mulheres com leggings caminhando a passos rápidos com cachorros pequenos em bolsas de grife. Só se ouvia o zumbido dos aspersores e o canto ocasional de um pássaro.
Katherine esperava junto ao meio-fio, descalça sobre o pavimento quente, com um pé batendo impaciente. Assim que minha caminhonete parou, ela estava lá, com os dedos agarrados na moldura da janela antes mesmo de eu desligar o motor.
• Você chegou! — Seu sorriso era largo, quase selvagem, como se tivesse apostado contra todas as expectativas.
De perto, a camiseta branca se ajustava de um jeito que desafiava as leis da física: cada respiração tensionava o tecido sobre suas costelas, e o decote era profundo o suficiente para insinuar o contorno dos seios sem cair na vulgaridade. Os shorts jeans eram piores —ou melhores, dependendo do ponto de vista—, já que subiam pelas coxas a cada movimento, e as bordas desfiadas roçavam uma pele que parecia incrivelmente macia.Pisquei lentamente, como um lagarto tomando sol.
• O quê? — perguntou ela, inclinando a cabeça. Uma mecha platinada escapou do coque desalinhado e grudou na têmpora úmida.
— Nada. — Minha voz soou seca.
A regata era praticamente translúcida ao grudar na pele suada, com o contorno dos mamilos escuro e inconfundível. Os shorts jeans tinham sido uma ideia de última hora, na verdade, com tecido só o suficiente para evitar que essa interação fosse legalmente punível.
— Nunca imaginei que feministas se vestissem assim para as férias de verão.
O sorriso dela se alargou, como o de um tubarão, enquanto enfiava os polegares nas presilhas do cinturão e balançava sobre os calcanhares. O movimento fez os quadris se projetarem para frente e a cintura descer perigosamente.
• O quê, acha que a gente usa sacos árabes e franze a testa para o sol? — Uma gota de suor desceu pelo vão da garganta e desapareceu entre os seios. — Tenho orgulho do meu corpo, Marco! Não é essa a questão?
No entanto, o jeito que falou e como se esticou, exibindo os seios, fez soar quase como uma cantada. Assim que percebeu também, Katherine congelou no ato.
Os mamilos marcavam contra o tecido fino, a traindo apesar da atitude desafiadora. Cruzou os braços, um reflexo, não uma defesa, e o movimento só os pressionou mais para cima, com um contorno inconfundível.
— Sempre me intrigou como a liberdade A forma como as mulheres se sentem sobre seus próprios corpos pode ser ao mesmo tempo atraente para os homens e ofensiva para as mulheres. — refleti em voz alta.
Os dedos de Katherine se moveram em direção à barra da sua camiseta, meio por instinto de se cobrir, meio por algo mais obscuro, antes de ela os manter imóveis. Um sorriso lento curvou seus lábios.
• Bom... você pode olhar... mas não me devorar com os olhos. — As palavras saíram entrecortadas, no meio do caminho entre desafio e concessão. Aquilo era um convite?
(Bom... você pode olhar... só não fica encarando.)- Onde estão seus pais? - perguntei enquanto a seguia até o cercado do Titan, na parte de trás da casa.
Katherine me deu um sorriso sem expressão, brincando com um paralelepípedo solto com o pé descalço.
• Meu pai foi jogar golfe. Minha mãe costuma dormir até depois do meio-dia nos finais de semana. - A voz dela transmitia aquela indiferença ensaiada, a que se aperfeiçoa depois de anos engolindo decepções.
Uma folha flutuou entre nós, ficando presa brevemente em seu cabelo platinado antes que ela a sacudisse com um movimento rápido de cabeça.
- Então... Só estamos eu e você? - perguntei, observando sua garganta se mover ao engolir.
O rubor subiu pelo seu pescoço como vinho derramado, espalhando-se por suas maçãs do rosto em manchas irregulares. Ela recuou, não fisicamente, mas algo atrás dos seus olhos se fechou.
• N-não! - gaguejou, torcendo com os dedos um fio solto do seu short. A negação foi rápida demais, brusca demais. -Meu pai não pode saber que eu me encontro com o... (A voz dela travou, procurando a palavra certa.) O seu...colegaa sós. Seria... (Ela molhou os lábios com a língua.)ComplicadoEu ri devagar, com cumplicidade, observando como o pulso dele latejava na garganta.
- Bom, não sou exatamente umcolegado seu pai." – O sorriso zombeteiro surgiu sem querer, daqueles que tensionam salas de reunião e fazem novatos derramarem café. – "Digamos que sou o farpa que não dá pra tirar."
Essa piada aliviou a tensão dela. Eu não via a Katherine nem como feminista nem como uma menina. Eu a via como uma pessoa, mesmo eu tendo o dobro da idade dela.
• Então... você não vai bater nele de novo, né? – Ela me provocou com uma risadinha charmosa, se referindo ao cachorro quando chegamos no cercado.
Enrolei as mangas, já que o calor da manhã já estava apertando na minha pele.
– Sei lá! Vamos ver.
O rosnado do Titan ecoou através das tábuas de madeira do cercado antes mesmo de eu tocar na tranca. Katherine ficou pairando atrás de mim, com seu hálito quente contra meu ombro, tão perto que pude sentir o leve aroma cítrico do seu shampoo por baixo do cheiro de suor nervoso.
• Espera! Você vai entrar no curral? - Os dedos dele tocaram meu cotovelo e depois se retiraram como se tivessem se queimado.- Sim!
A porta se abriu com um rangido. Titan se atirou antes que meu segundo pé cruzasse a soleira, uma mancha borrada de pelo branco e dentes afiados. As patas do husky me atingiram no peito com tanta força que me tiraram o fôlego, mas me mantive firme, impassível. Katherine gritou e seus pés escorregaram na grama úmida do orvalho enquanto recuava cambaleando.Primeiro golpe, bem entre os olhos. Titan gritou, mais surpreso que machucado, sacudindo a cabeça enorme como um boxeador depois de um jab, mas a mordida persistia, como se não pudesse acreditar que tinha levado uma pancada. Segundo golpe, mais forte. As orelhas dele se achataram no meio de um rosnado, as patas se agarrando às minhas costelas enquanto o instinto lutava com a confusão. Terceiro golpe, meus nós dos dedos bateram com o som surdo de um melão maduro. O grito de Titan virou um gemido, o corpo todo recuou como se tivesse levado um choque. O husky enfiou o rabo entre as pernas tão rápido que levantou poeira, e a cabeça, antes orgulhosa, se abaixou tanto que quase raspou no chão.
• Ai, não! Ele te mordeu! – A voz de Katherine era fina de pânico.
Os dedos dela pairaram perto do meu antebraço, onde os dentes de Titan tinham rasgado a pele, deixando três furos limpos que já jorravam sangue carmesim. Flexionei a mão, observando o sangue escorrer pelas bordas.
- É, já esperava por isso. – suspirei com resignação, salpicando gotas na grama.
Katherine prendeu a respiração enquanto olhava o ferimento, com o peito subindo rápido sob a regata surrada.
• Preciso estancar o sangramento! – Agarrou a barra da camiseta com as mãos, os tendões saltando nos pulsos enquanto se preparava para rasgar o tecido.
O movimento arqueou suas costas, esticando o algodão molhado sobre seus mamilos. Agarrei seus pulsos antes que o primeiro rasgo se formasse e deixasse seus seios expostos.- Calma! Não é tão urgente. - Pressionei meus polegares contra os ossos delicados de seus pulsos, sentindo seu pulso acelerado contra minha pele. - Entra, traz um band-aid, papel higiênico, qualquer coisa pra limpar o ferimento. Álcool ou colônia, se tiver.
Soltei-a lentamente, observando sua garganta se mover ao engolir saliva.
- Não se preocupa! - acrescentei secamente. - Prometo que não vou morrer.
Katherine correu pra casa, mas não sem antes olhar pra trás com aqueles grandes olhos verdes. O movimento esticou seus shorts sobre a bunda, e o tecido subiu, revelando duas meias-luas de carne onde suas coxas encontravam as nádegas. A visão me tirou mais o fôlego que a entrada do Titan. Ajustei-me discretamente, com o tecido da minha calça ficando apertado contra minha ereção crescente. As palavras provocadoras de Marisol ecoavam na minha cabeça —aquele pepino enorme dentro da sua calça— enquanto via Katherine desaparecer lá dentro. O jeito que o quadril dela balançava a cada passo fez meus dedos se contraírem com a memória fantasma de segurar a cintura de Marisol na noite anterior, com o corpo dela se arqueando debaixo de mim.
Quando Katherine voltou, trazia um kit de primeiros socorros pressionado contra o peito como um escudo. Seu olhar desviou para baixo, uma, duas vezes, antes de retornar ao meu rosto. Um rubor lento se espalhou pelo seu pescoço, rosado como um camarão cru. A garota não era boba; sabia exatamente o que estava vendo. Ajoelhou-se ao meu lado na grama úmida, os dedos trêmulos enquanto abria o estojo. Titan gemeu do seu canto, com as orelhas coladas ao crânio.• Fica quieto! – Katherine me ordenou, esfregando álcool nas marcas das mordidas.
A respiração dela cortou quando flexionei o antebraço e as veias se destacaram sob seus cuidados. Mal notei a ardência do antisséptico, não quando seu joelho roçou minha coxa, quente e surpreendentemente íntimo através do tecido fino da minha calça.
• Desculpa! Eu não devia ter chamado! – Ela estremeceu no meu lugar enquanto aplicava o antisséptico, os dedos demorando um segundo a mais do que o necessário.
De perto, eu podia contar as sardas que salpicavam suas clavículas, o jeito que seu pulso batia sob a pele delicada do pescoço. Uma gota de suor escorreu pela inclinação do nariz dela, ficando suspensa na ponta antes que ela a limpasse com o pulso.
• Não sinta! Tá tudo bem.
Os olhos dela se iluminaram calorosamente quando falei, não com o brilho teatral que usava no jantar, mas com algo mais suave, surpresa com sua própria sinceridade. Ela mordeu o lábio inferior e observei a pressão deixá-lo branco antes de avermelhar novamente.
• Teria sido muito pior se o Titan tivesse mordido você em vez de mim. – Meu polegar roçou a borda do curativo que ela aplicara com força demais, e ela inspirou bruscamente. – Além do mais, é o único jeito dele entender sua primeira lição.
Titan gemeu do seu canto no cercado, mexendo as orelhas ao me ouvir. Quando me virei para olhá-lo, sua bunda bateu no chão uma vez, um reconhecimento hesitante. e a contragosto. Katherine seguiu meu olhar, com os dedos ainda enroscados em meu pulso.
- Ele é um cachorro. - disse, flexionando a mão para ver como os tendões se moviam sob seu toque. - Mas eu sou o líder da matilha.
Katherine riu, com um som úmido e entrecortado, mas seus cílios estavam encharcados de lágrimas contidas. Ela os secou furiosamente com o pulso, deixando uma mancha de sujeira na maçã do rosto.
- Você é tão bobo! - murmurou, mas afrouxou a pegada e seus dedos deslizaram até repousarem em minha palma.
O contato foi fugaz, quase imperceptível, mas sua respiração se acelerou mesmo assim.Nos sentamos na grama, com os joelhos se roçando, enquanto ela sussurrava que queria enterrar o rosto no pelo do Titã sem medo, sentir as patas dele caminhando ao seu lado durante os passeios, como tinha visto outros donos fazendo. A simplicidade daquilo, tão normal, tão dolorosamente humano, me apertou o peito.
- É fácil! - disse, flexionando meu antebraço enfaixado. - Mas vou ter que vir todos os dias.
Katherine ficou tensa.
• Espera... sua família. - Seus dedos arrancavam a grama entre nós, puxando tufos com movimentos espasmódicos. - Você está de férias. Não posso...
O protesto morreu quando tirei uma folha quebrada do joelho dela, roçando sua pele com os nós dos dedos, ainda úmidos por ter corrido até o kit de primeiros socorros.
- Marisol acha que é adorável. - menti com naturalidade.
Na verdade, minha esposa tinha revirado os olhos com tanta força que eu ouvi os cílios dela raspando na testa.
+ Vai adestrar o cachorro da filha do Ethan? - ela zombou depois da ligação da noite anterior, descascando uma laranja com precisão cirúrgica. - Ou vai treinar a filha?

A lembrança do seu sorriso provocante me fez cerrar a mandíbula com força.
- Nossa filha mais nova está obcecada por huskies. Alicia passa todas as férias desenhando eles nos cadernos. – acrescentei suavemente.
Katherine mordeu o lábio e soltou um suspiro. Seus dedos percorreram a borda da atadura antes de subirem pelo meu antebraço, com um toque leve como uma pena, mas eletrizante.
• Você é um baita de um cachorrão! - exclamou com voz entrecortada, enquanto suas pupilas se dilatavam ao explorar inconscientemente os relevos dos meus bíceps e seus dedos se prendiam nas veias que saltavam sob minha pele.
Observei divertido como sua respiração acelerava, a camiseta subindo a cada inalação rápida, o volume dos seios pressionando contra o tecido úmido. Quando finalmente percebeu o que estava fazendo, o rubor se espalhou das clavículas até a linha do cabelo tão rápido que parecia doloroso.
• Sinto muito! É só que... - Suas mãos se afastaram esvoaçando como pássaros assustados. - Você está em forma muito melhor que meu pai!
As palavras saíram precipitadas, cruas e sem filtro, antes que seu cérebro percebesse. Levou as mãos à boca e um guincho abafado escapou entre seus dedos.
Joguei a cabeça para trás e soltei uma gargalhada, profunda e desenfreada, que tirou Titan do seu canto de mau humor.
- É... bem. - enxuguei as lágrimas dos olhos, ainda rindo. - Você também é muito gostosa.
Ela prendeu a respiração quando me inclinei o suficiente para que minhas próximas palavras roçassem seu ouvido.
- E se você tivesse continuado me tocando...
Deixei a frase no ar, observando sua garganta se mover ao engolir em seco. O ar entre nós ficou denso, carregado de algo imprudente e doce.
Nos levantamos... e ela notou: o formato sob minha calça, grosso, grande e inegável. O olhar de Katherine pousou primeiro lá embaixo, depois para cima e depois de novo para baixo, como se os olhos dela lutassem contra a tentativa desesperada do cérebro de manter a compostura. O lábio inferior mordido tremia entre os dentes, e as marcas ficavam brancas sob a pressão. Quando finalmente ela olhou nos meus olhos de novo, os dela estavam negros e as pupilas tão dilatadas que quase engoliam o verde, e a pergunta silenciosa dela flutuava entre nós como fumaça:Isso é... de verdade?Seus mamilos se cravavam contra o algodão fino, duros o suficiente para projetar sombras sob o sol do meio-dia. O tecido molhado agora colava de forma obscena, cada respiração acelerada o esticava mais sobre seu peito. Meu pau pulsou em resposta, tensionando contra o zíper com tanta insistência que eu podia sentir a costura cravando na carne inchada.
• Bom... então... acho que nos vemos amanhã.
As palavras saíram pela metade, com a garganta trabalhando para dizer qualquer outra coisa que ela quisesse falar. Seus dedos continuavam se movendo em direção ao bolsillo do shorts, como se quisesse enfiar as mãos lá para esconder o tremor, mas toda vez ela abortava o movimento, com medo de chamar atenção para o rubor que se espalhava pelo pescoço.Deixei o silêncio se prolongar o suficiente para ver as pupilas dela dilatarem ainda mais.
- Sim! E deixa o kit de primeiros socorros à mão. - O tom rouco da minha voz não foi intencional, mas o jeito que ela prendeu a respiração fez valer a pena insistir.
Titan gemeu do seu canto, batendo a bunda no chão uma vez. Katherine se assustou com o som e piscou rapidamente, como alguém acordando de um sonho.
- Provavelmente vamos precisar dele de novo. - Me acomodei com naturalidade, observando a garganta dela se mover ao engolir.
A garota não apenas olhou, mas devorou o movimento com aqueles olhos verde-escuro, mordendo o lábio inferior com tanta força que deixou marcas em forma de meia-lua.Próximo post
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