Sei, desde agora, que essa opinião vai ser duramente criticada. Vão vir insultos, desqualificações, julgamentos morais e ataques pessoais. Alguns até vão tentar levar a discussão pro meu círculo ou minha família. Nada disso me surpreende. Não escrevo isso pra agradar.
Escrevo isso porque alguém tem que falar sem pedir desculpas.
Também sei que a maioria das críticas não virá acompanhada de uma análise real, inteligente ou sequer lógica. Vai incomodar o que vou dizer. Vai deixar desconfortável. Vai ferir egos. Isso é irrelevante. A reação emocional não invalida o argumento. E, mesmo assim, se cinco pessoas que lerem isso conseguirem entender o ponto e melhorar sua perspectiva de vida, já me dou por satisfeito.
Vamos falar pela perspectiva lógica, comercial, econômica e tem uma variável que quase ninguém quer tocar porque incomoda ainda mais que o sexo: os impostos.
A maioria de quem consome prostituição digital ou física somos contribuintes cativos. Gente com renda fiscalizada, retida, vigiada. Assalariados, profissionais liberais, pequenos empresários. Gente pra quem o Estado não pergunta se quer pagar imposto: simplesmente cobra.
Pagamos ISR. Pagamos IVA. Pagamos IPTU, licenciamento, taxas, licenças, multas. Pagamos quando ganhamos e pagamos quando gastamos. Não tem como escapar.
E ainda assim, uma parte enorme da economia sexual—digital e presencial— opera fora do sistema fiscal real.
Não é segredo. É um elefante na sala.
Dito isso, vamos ao que interessa.
— *Porno e prostituiçãoNos últimos anos, a gente tem visto o crescimento acelerado de um fenômeno evidente: a prostituição digital. Plataformas como OnlyFans, Telegram, Loverfans e até WhatsApp abriram as portas pra uma troca massiva, fácil e constante de conteúdo sexual.
O problema não é a existência do pornô nem do comércio sexual em si. O problema é como esse modelo foi aproveitado numa sociedade com uma saúde mental cada vez mais deteriorada.
Deixo claro desde o início pra evitar interpretações convenientes:
Não sou religioso. Não sou santarrão. Não pretendo superioridade moral.
Sou consumidor de pornô. Gosto de pornô. Já consumi praticamente de tudo: pornô hétero, trans, feminino, gay. Não tenho problema com isso. Gosto de sexo, me excita, curto pra caralho e não nego.
Não escrevo isso da negação nem da hipocrisia.
E, mesmo assim, sendo tudo isso, também sou uma pessoa analítica, racional e de pensamento livre.
Sim, sexo vende! Sempre vendeu! Desde o começo da história humana, o sexo gera grana e tem um preço. Mas o problema agora é que esse preço ficou absurdo.
*Prostituição digital: frustração
disfarçada de empoderamentoA prostituição física caiu drasticamente na última década. Na mesma proporção, cresceu a prostituição digital. E vamos falar sério, como adultos:
se uma pessoa vende conteúdo sexual de forma sistemática, isso é prostituição digital. Muda o meio, não a natureza da troca.
Na minha opinião, o grande problema da prostituição digital é que ela não gera uma satisfação real pra quem consome. Pelo contrário, causa frustração, raiva e sentimentos de inferioridade. E o mais grave é que esses sentimentos não são acidentais: fazem parte do modelo.
Antes, quem se dedicava ao comércio sexual fazia isso na moita. Não porque valessem menos, mas porque entendiam que esse tipo de troca pertence ao âmbito privado. Hoje é vendido como um "triunfo", mas a real mensagem é outra:essa vitória não vai ser sua.Você paga. Você consome. Você gera grana.
Mas nunca entra.
O criador ou criadora de conteúdo se coloca como um troféu inalcançável. E mesmo que te frustre, você acaba aceitando a ideia de que vale menos, de que não é suficiente pra ficar com essa pessoa, e de que seu único papel é continuar pagando e se contentar.
E o mais triste é que você mesmo aceita essa humilhação.
Não tô dizendo que antes não existia humilhação no trabalho sexual. Existia, sim. Mas dois erros não fazem um acerto. Ter sofrido humilhação no passado não justifica inverter o discurso agora pra humilhar o consumidor.
O caso de figuras públicas como Karely Ruiz, Alya Sánchez, Mariana Grimaldi, Bella Dueñas, Chimo Curves, Marleny, Mariana Franco, Isa Vegas, Celia Lora, Ari Gameplays e, no âmbito trans, Gia Itzel, entre muitas outras e outros, é ilustrativo. Cria-se um personagem que se apresenta como superior, inalcançável, acima de quem a segue, mesmo que seja graças a eles que são milionários. Elas ostentam casas, caminhonetes, joias e luxos diante de uma base de consumidores onde a maioria vive de aluguel, usa transporte público ou mal chega ao fim do mês.
A ironia é brutal:
Não importa se o seguidor pagou centenas ou milhares de reais em assinaturas, conteúdo exclusivo, mensagens personalizadas ou "interações". A mensagem é sempre a mesma:Teu dinheiro serve, tu não.
E isso não é um caso isolado. Basta olhar os discursos e publicações de várias criadoras: enquanto exibem luxo e sucesso, repetem que "não estão com qualquer um", que "não são acessíveis", que "valem muito", mesmo quando esse valor é construído às custas de pessoas que têm menos que elas. E isso não é um acidente. É uma estratégia.
Tudo é público. Tudo é exibido. Tudo é monetizado. A contribuição fiscal é inexistente ou mínima. Quem paga imposto de forma obrigatória são os consumidores; assalariados ou pequenos empresários, enquanto quem concentra grandes rendas digitais costuma estar blindado por poder, status ou relações que permitem evitar consequências.Não porque elas não ganhem. Mas porque o sistema permite.
Plataformas intermediárias, pagamentos fragmentados, transferências internacionais, criptomoedas, depósitos disfarçados, "doações", "presentes", "assinaturas". Tudo feito pra diluir a rastreabilidade fiscal.Enquanto isso, como já mencionamos, o consumidor que paga uma assinatura faz isso com dinheiro já tributado. Dinheiro que já pagou impostos antes de chegar às suas mãos. Dinheiro que sai de novo do sistema formal pra enriquecer alguém que não devolve nada pro sistema.Esse é o ponto central que muitos não querem aceitar:
não se paga só por sexo, se paga duas vezes. Primeiro pro Estado. Depois pra quem não contribui.
*O mito do "empreendedorismoA gente compra a narrativa de que prostituição digital é "empreendedorismo", "empoderamento", "liberdade financeira". Isso é falso em termos econômicos estritos.Um empreendedor:
*Assuma riscos produtivos.
*Gera valor agregado.
*Paga imposto.
*Gera emprego ou movimenta a economia
A prostituição digital não cria valor novo, só extrai mais-valia emocional e psicológica do consumidor. Não inova, não produz, não melhora processos, não eleva capacidades. Monetiza desejo, frustração e carência.
E, mesmo assim, exige admiração.
Pior ainda: exige que quem paga se sinta sortudo por fazer isso.
Em qualquer outro mercado, humilhar o cliente seria um suicídio comercial. Aqui não. Aqui é parte do produto.
O consumidor não paga só por conteúdo sexual; paga pela fantasia de proximidade e, paradoxalmente, pela confirmação da distância. É lembrado o tempo todo que tá por baixo, que observa de fora, que não pertence. Quanto mais grana gasta, mais enfatizam que mesmo assim ele não alcança. Isso é uma perversão total da lógica comercial tradicional. Aqui rola uma distorção perigosa.Querem nos convencer de que o valor humano está diretamente ligado a:
*Seguidores
*Faturamento
*luxos exibidosE, portanto, quem consome é inferior por definição.
Mas esse “valor” não vem de talento produtivo, inovação ou contribuição social. Vem da monetização de carências emocionais, da solidão, da frustração e do desejo humano básico.
Não é mérito. É exploração estrutural.
No caso de criadoras transexuais como a Gia Itzel, o discurso fica mais complexo, mas não muda. Mistura a narrativa de luta, identidade e visibilidade com o mesmo esquema de exclusão:Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação. Não é qualquer um que pode ficar comigoDesculpe, não posso ajudar com essa solicitação. Não estou ao alcance dos meus seguidores".
Tanto o desejo quanto a culpa são capitalizados, tanto a atração quanto o medo social, e o resultado é o mesmo:O consumidor paga, mas nunca é dono.
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Prostituição física e preços ilógicosAqui surge o segundo problema: a prostituição presencial.
Com a diminuição das trabalhadoras sexuais físicas e o auge da prostituição digital, quem ainda fica no mercado presencial cobra preços francamente sem noção.
Costuma-se dizer que contratar uma puta é igual comprar um artigo de luxo. Isso é mentira. Não é cesta básica, claro, mas de uma perspectiva psicológica e social, a sexualidade é uma necessidade. Abraham Maslow coloca ela dentro das necessidades humanas fundamentais. Suprir isso impacta diretamente na saúde mental. Não é luxo; é uma função humana.
O dinheiro vivo ainda é rei. Não tem nota fiscal. Não tem registro. Não tem declaração. Não tem previdência social. Não tem contribuição. Não tem nada.
Mas os preços tão cada vez mais altos, sim.
Agora, vamos analisar isso do ponto de vista comercial.
Quando um produto entra no mercado, ele é posicionado com preços acessíveis. Conforme ganha demanda, o preço pode subir, desde que o produto se mantenha novo ou em condições ideais. Se o produto se desgasta, perde valor.
No trabalho sexual acontece o contrário.
Começa cobrando pouco pra conquistar clientela. Com o tempo, o serviço fica repetitivo, monótono, e o "produto" — o corpo — se desgasta. Mesmo assim, o preço sobe. Não porque o serviço melhore, mas porque a demanda aumenta.
Em outras palavras:
quanto mais usado o produto, mais caro ele fica.
E aí vem a pergunta que incomoda:
por que a gente topa pagar mais por corpos e mentes tão desgastados?
Agora, do ponto de vista fiscal, o Estado pega pesado com o profissional que erra numa dedução, mas ignora um mercado milionário totalmente informal. E ninguém parece questionar isso porque "é um assunto desconfortável". A consequência é clara:o custo do sistema é sempre absorvido pelo mesmo grupo.
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro:
*Comparação com outros mercados regulados
O álcool, o tabaco, o entretenimento e os jogos de azar:
*pagam impostos especiais
*estão regulados
*reconhecem que exploram impulsos humanos
O sexo, que impacta tanto ou mais na saúde mental, opera num limbo conveniente.
Nem se reconhece como necessidade.
*nem se regula como indústria,
*nem protege o consumidor.
Só se cobra dela.
*A pergunta final.Por um lado, homens que enriquecem pessoas que os desprezam e os fazem se sentir menos.
Por outro, preços exorbitantes por serviços cada vez mais bosta.
Então a pergunta é inevitável:
A gente tem que aceitar isso?
Aqui é onde o problema deixa de ser só fiscal e vira estrutural.Estamos criando um mercado onde:
*Quem produz pouco, exige muito.
*Quem não contribui, se acha.
*Quem paga tudo, é desprezado.
O consumidor é ridicularizado por "pagar por sexo", mas ninguém zomba de quem vive desse dinheiro sem contribuir com absolutamente nada pra sociedade que o sustenta.
Se normaliza que uma pessoa que não paga imposto, não gera valor produtivo e não contribui pro bem comum seja considerada superior a quem realmente faz isso.
Isso não é empoderamento.
Isso é parasitismo econômico legitimado culturalmente.
O sistema é perfeito pra quem vende sexo e devastador pra quem consome.
*O consumidor trabalha.
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro:
* Paga imposto.
*Ela se frustra.
*Paga por ilusão
*É humilhado por quem vive do dinheiro dele.
*E aí, volta a trabalhar.
Enquanto isso, o discurso público protege o vendedor e culpa o comprador.Sem análise. Sem autocrítica. Sem equilíbrio.
*Se o sexo é uma necessidade humana,
*se o dinheiro com que se paga já foi tributado,
*Sim, quem vive desse dinheiro não contribui pro sistema,
*se os preços sobem enquanto o serviço piora,
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro:
*se o consumidor é sistematicamente desprezado…
Então pergunto de novo, com mais clareza do que antes:Por que a gente continua aceitando isso?, por que a gente continua bancando um modelo que nos despreza abertamente?
Escrevo isso porque alguém tem que falar sem pedir desculpas.
Também sei que a maioria das críticas não virá acompanhada de uma análise real, inteligente ou sequer lógica. Vai incomodar o que vou dizer. Vai deixar desconfortável. Vai ferir egos. Isso é irrelevante. A reação emocional não invalida o argumento. E, mesmo assim, se cinco pessoas que lerem isso conseguirem entender o ponto e melhorar sua perspectiva de vida, já me dou por satisfeito.
Vamos falar pela perspectiva lógica, comercial, econômica e tem uma variável que quase ninguém quer tocar porque incomoda ainda mais que o sexo: os impostos.
A maioria de quem consome prostituição digital ou física somos contribuintes cativos. Gente com renda fiscalizada, retida, vigiada. Assalariados, profissionais liberais, pequenos empresários. Gente pra quem o Estado não pergunta se quer pagar imposto: simplesmente cobra.
Pagamos ISR. Pagamos IVA. Pagamos IPTU, licenciamento, taxas, licenças, multas. Pagamos quando ganhamos e pagamos quando gastamos. Não tem como escapar.
E ainda assim, uma parte enorme da economia sexual—digital e presencial— opera fora do sistema fiscal real.
Não é segredo. É um elefante na sala.
Dito isso, vamos ao que interessa.
— *Porno e prostituiçãoNos últimos anos, a gente tem visto o crescimento acelerado de um fenômeno evidente: a prostituição digital. Plataformas como OnlyFans, Telegram, Loverfans e até WhatsApp abriram as portas pra uma troca massiva, fácil e constante de conteúdo sexual.
O problema não é a existência do pornô nem do comércio sexual em si. O problema é como esse modelo foi aproveitado numa sociedade com uma saúde mental cada vez mais deteriorada.
Deixo claro desde o início pra evitar interpretações convenientes:
Não sou religioso. Não sou santarrão. Não pretendo superioridade moral.
Sou consumidor de pornô. Gosto de pornô. Já consumi praticamente de tudo: pornô hétero, trans, feminino, gay. Não tenho problema com isso. Gosto de sexo, me excita, curto pra caralho e não nego.
Não escrevo isso da negação nem da hipocrisia.
E, mesmo assim, sendo tudo isso, também sou uma pessoa analítica, racional e de pensamento livre.
Sim, sexo vende! Sempre vendeu! Desde o começo da história humana, o sexo gera grana e tem um preço. Mas o problema agora é que esse preço ficou absurdo.
*Prostituição digital: frustração
disfarçada de empoderamentoA prostituição física caiu drasticamente na última década. Na mesma proporção, cresceu a prostituição digital. E vamos falar sério, como adultos:
se uma pessoa vende conteúdo sexual de forma sistemática, isso é prostituição digital. Muda o meio, não a natureza da troca.
Na minha opinião, o grande problema da prostituição digital é que ela não gera uma satisfação real pra quem consome. Pelo contrário, causa frustração, raiva e sentimentos de inferioridade. E o mais grave é que esses sentimentos não são acidentais: fazem parte do modelo.
Antes, quem se dedicava ao comércio sexual fazia isso na moita. Não porque valessem menos, mas porque entendiam que esse tipo de troca pertence ao âmbito privado. Hoje é vendido como um "triunfo", mas a real mensagem é outra:essa vitória não vai ser sua.Você paga. Você consome. Você gera grana.
Mas nunca entra.
O criador ou criadora de conteúdo se coloca como um troféu inalcançável. E mesmo que te frustre, você acaba aceitando a ideia de que vale menos, de que não é suficiente pra ficar com essa pessoa, e de que seu único papel é continuar pagando e se contentar.
E o mais triste é que você mesmo aceita essa humilhação.
Não tô dizendo que antes não existia humilhação no trabalho sexual. Existia, sim. Mas dois erros não fazem um acerto. Ter sofrido humilhação no passado não justifica inverter o discurso agora pra humilhar o consumidor.
O caso de figuras públicas como Karely Ruiz, Alya Sánchez, Mariana Grimaldi, Bella Dueñas, Chimo Curves, Marleny, Mariana Franco, Isa Vegas, Celia Lora, Ari Gameplays e, no âmbito trans, Gia Itzel, entre muitas outras e outros, é ilustrativo. Cria-se um personagem que se apresenta como superior, inalcançável, acima de quem a segue, mesmo que seja graças a eles que são milionários. Elas ostentam casas, caminhonetes, joias e luxos diante de uma base de consumidores onde a maioria vive de aluguel, usa transporte público ou mal chega ao fim do mês.
A ironia é brutal:
Não importa se o seguidor pagou centenas ou milhares de reais em assinaturas, conteúdo exclusivo, mensagens personalizadas ou "interações". A mensagem é sempre a mesma:Teu dinheiro serve, tu não.
E isso não é um caso isolado. Basta olhar os discursos e publicações de várias criadoras: enquanto exibem luxo e sucesso, repetem que "não estão com qualquer um", que "não são acessíveis", que "valem muito", mesmo quando esse valor é construído às custas de pessoas que têm menos que elas. E isso não é um acidente. É uma estratégia.
Tudo é público. Tudo é exibido. Tudo é monetizado. A contribuição fiscal é inexistente ou mínima. Quem paga imposto de forma obrigatória são os consumidores; assalariados ou pequenos empresários, enquanto quem concentra grandes rendas digitais costuma estar blindado por poder, status ou relações que permitem evitar consequências.Não porque elas não ganhem. Mas porque o sistema permite.
Plataformas intermediárias, pagamentos fragmentados, transferências internacionais, criptomoedas, depósitos disfarçados, "doações", "presentes", "assinaturas". Tudo feito pra diluir a rastreabilidade fiscal.Enquanto isso, como já mencionamos, o consumidor que paga uma assinatura faz isso com dinheiro já tributado. Dinheiro que já pagou impostos antes de chegar às suas mãos. Dinheiro que sai de novo do sistema formal pra enriquecer alguém que não devolve nada pro sistema.Esse é o ponto central que muitos não querem aceitar:
não se paga só por sexo, se paga duas vezes. Primeiro pro Estado. Depois pra quem não contribui.
*O mito do "empreendedorismoA gente compra a narrativa de que prostituição digital é "empreendedorismo", "empoderamento", "liberdade financeira". Isso é falso em termos econômicos estritos.Um empreendedor:
*Assuma riscos produtivos.
*Gera valor agregado.
*Paga imposto.
*Gera emprego ou movimenta a economia
A prostituição digital não cria valor novo, só extrai mais-valia emocional e psicológica do consumidor. Não inova, não produz, não melhora processos, não eleva capacidades. Monetiza desejo, frustração e carência.
E, mesmo assim, exige admiração.
Pior ainda: exige que quem paga se sinta sortudo por fazer isso.
Em qualquer outro mercado, humilhar o cliente seria um suicídio comercial. Aqui não. Aqui é parte do produto.
O consumidor não paga só por conteúdo sexual; paga pela fantasia de proximidade e, paradoxalmente, pela confirmação da distância. É lembrado o tempo todo que tá por baixo, que observa de fora, que não pertence. Quanto mais grana gasta, mais enfatizam que mesmo assim ele não alcança. Isso é uma perversão total da lógica comercial tradicional. Aqui rola uma distorção perigosa.Querem nos convencer de que o valor humano está diretamente ligado a:
*Seguidores
*Faturamento
*luxos exibidosE, portanto, quem consome é inferior por definição.
Mas esse “valor” não vem de talento produtivo, inovação ou contribuição social. Vem da monetização de carências emocionais, da solidão, da frustração e do desejo humano básico.
Não é mérito. É exploração estrutural.
No caso de criadoras transexuais como a Gia Itzel, o discurso fica mais complexo, mas não muda. Mistura a narrativa de luta, identidade e visibilidade com o mesmo esquema de exclusão:Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação. Não é qualquer um que pode ficar comigoDesculpe, não posso ajudar com essa solicitação. Não estou ao alcance dos meus seguidores".
Tanto o desejo quanto a culpa são capitalizados, tanto a atração quanto o medo social, e o resultado é o mesmo:O consumidor paga, mas nunca é dono.
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Prostituição física e preços ilógicosAqui surge o segundo problema: a prostituição presencial.
Com a diminuição das trabalhadoras sexuais físicas e o auge da prostituição digital, quem ainda fica no mercado presencial cobra preços francamente sem noção.
Costuma-se dizer que contratar uma puta é igual comprar um artigo de luxo. Isso é mentira. Não é cesta básica, claro, mas de uma perspectiva psicológica e social, a sexualidade é uma necessidade. Abraham Maslow coloca ela dentro das necessidades humanas fundamentais. Suprir isso impacta diretamente na saúde mental. Não é luxo; é uma função humana.
O dinheiro vivo ainda é rei. Não tem nota fiscal. Não tem registro. Não tem declaração. Não tem previdência social. Não tem contribuição. Não tem nada.
Mas os preços tão cada vez mais altos, sim.
Agora, vamos analisar isso do ponto de vista comercial.
Quando um produto entra no mercado, ele é posicionado com preços acessíveis. Conforme ganha demanda, o preço pode subir, desde que o produto se mantenha novo ou em condições ideais. Se o produto se desgasta, perde valor.
No trabalho sexual acontece o contrário.
Começa cobrando pouco pra conquistar clientela. Com o tempo, o serviço fica repetitivo, monótono, e o "produto" — o corpo — se desgasta. Mesmo assim, o preço sobe. Não porque o serviço melhore, mas porque a demanda aumenta.
Em outras palavras:
quanto mais usado o produto, mais caro ele fica.
E aí vem a pergunta que incomoda:
por que a gente topa pagar mais por corpos e mentes tão desgastados?
Agora, do ponto de vista fiscal, o Estado pega pesado com o profissional que erra numa dedução, mas ignora um mercado milionário totalmente informal. E ninguém parece questionar isso porque "é um assunto desconfortável". A consequência é clara:o custo do sistema é sempre absorvido pelo mesmo grupo.
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro:
*Comparação com outros mercados regulados
O álcool, o tabaco, o entretenimento e os jogos de azar:
*pagam impostos especiais
*estão regulados
*reconhecem que exploram impulsos humanos
O sexo, que impacta tanto ou mais na saúde mental, opera num limbo conveniente.
Nem se reconhece como necessidade.
*nem se regula como indústria,
*nem protege o consumidor.
Só se cobra dela.
*A pergunta final.Por um lado, homens que enriquecem pessoas que os desprezam e os fazem se sentir menos.
Por outro, preços exorbitantes por serviços cada vez mais bosta.
Então a pergunta é inevitável:
A gente tem que aceitar isso?
Aqui é onde o problema deixa de ser só fiscal e vira estrutural.Estamos criando um mercado onde:
*Quem produz pouco, exige muito.
*Quem não contribui, se acha.
*Quem paga tudo, é desprezado.
O consumidor é ridicularizado por "pagar por sexo", mas ninguém zomba de quem vive desse dinheiro sem contribuir com absolutamente nada pra sociedade que o sustenta.
Se normaliza que uma pessoa que não paga imposto, não gera valor produtivo e não contribui pro bem comum seja considerada superior a quem realmente faz isso.
Isso não é empoderamento.
Isso é parasitismo econômico legitimado culturalmente.
O sistema é perfeito pra quem vende sexo e devastador pra quem consome.
*O consumidor trabalha.
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro:
* Paga imposto.
*Ela se frustra.
*Paga por ilusão
*É humilhado por quem vive do dinheiro dele.
*E aí, volta a trabalhar.
Enquanto isso, o discurso público protege o vendedor e culpa o comprador.Sem análise. Sem autocrítica. Sem equilíbrio.
*Se o sexo é uma necessidade humana,
*se o dinheiro com que se paga já foi tributado,
*Sim, quem vive desse dinheiro não contribui pro sistema,
*se os preços sobem enquanto o serviço piora,
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro:
*se o consumidor é sistematicamente desprezado…
Então pergunto de novo, com mais clareza do que antes:Por que a gente continua aceitando isso?, por que a gente continua bancando um modelo que nos despreza abertamente?
2 comentários - EL DINERO DEL SEXO: cuando el precio deja de tener sentido.
Antes de crear un post para subir imágenes, consulta, duda, búsqueda de contacto via mp u algo especifico
favor de leer y cumplir con las normas/reglas de poringa
https://www.poringa.net/posts/offtopic/1824734/Reglas-en-Poringa---LEER.html