**Segunda-feira: A Mão no Vagão de Madeira**
A segunda-feira começa com o desgosto. A escola é uma merda, as caras das minhas colegas me parecem de plástico. Preciso do metrô como um viciado precisa da sua dose. Hoje a linha A, a dos vagões de madeira que cheiram a século passado e a mijo de velho. Me posiciono de frente para a porta, com minha saia cinza como uma bandeira de rendição. Fecho os olhos e espero. O cara chega. Sinto ele antes de ver. Seu hálito de tabaco de enrolar e café queimado na minha nuca. A mão dele busca apoio na minha cintura, um gesto inocente que apodrece na minha pele. Deixo. A mão desce, devagar, pelas costas da minha blusa, até pousar no centro da minha bunda. Não aperta, só descansa. É uma reivindicação de propriedade. O trem sacode e o corpo dele gruda no meu. Sinto o pau dele, duro como um pedaço de pau, pressionando na minha lombar. O balanço do trem o esfrega contra mim, um atrito constante, obsceno. A outra mão dele desce pela frente, entra por baixo da saia e me procura a buceta por cima da calcinha. Aperta ela, com uma força que corta minha respiração. Ele goza na calça, sinto como um tremor molhado contra minhas costas. Ele desce no Peru, correndo como um ladrão. Eu fico, com a bunda quente e o sorriso de puta que se desenha no meu rosto.
**Terça-feira: A Confissão no Banheiro da Estação Brás**
A terça-feira preciso de algo mais sórdido. O banheiro feminino da estação Brás. Desço as escadas, o cheiro de mijo e desinfetante me atinge. É o cheiro da minha igreja. Entro no último cubículo, aquele com a porta pendurada por uma dobradiça. Sento no vaso, com a tampa levantada, e espero. As minas vão embora, o silêncio fica. Então, a porta se abre. Passos de homem. Param na minha frente. Sem uma palavra, um pau flácido e meio feio aparece pelo vão da porta. Me ajoelho no chão de azulejos grudentos. Pego, chupo, sinto ele crescer na minha boca até ficar duro e quente. Ele goza com um grunhido abafado e me jorra. toda a porra na minha cara. Deixo escorrer, me desce pela bochecha, pelo pescoço. Ele guarda a ferramenta e vai embora. Fico ajoelhada, com o gosto do seu desespero e o rosto grudento. Me limpo com o dorso da mão, lavo o rosto com água fria e saio na rua, me sentindo renascida.
**Quarta-feira: O Altar dos Corpos**
A quarta-feira é o ritual do cinema Premier. Escuridão total. Hoje não quero mãos, quero corpos. Quero o peso deles, o calor, o cheiro. Sento na última fileira, num canto, e abro o zíper da bota, um sinal. Não demoro a ter um de cada lado. O da esquerda é um velho que cheira a absinto e solidão. O da direita é um cara com cheiro de suor e maconha. O velho mete a mão por baixo da minha saia e enfia dois dedos dentro, mexendo como se quisesse extrair um suco. O cara desabotoa minha blusa, puxa meus dois peitos pra fora e começa a chupar meus mamilos feito um bebê, mordendo até doer. Então, uma terceira sombra se ajoelha na minha frente. É outro cara, mais magro. Afasta a mão do velho e enfia a cara na minha buceta. A língua dele é um chicote, rápida e áspera. O triplo estímulo é demais. Um orgasmo brutal me sacode toda, um espasmo que me tira o ar. Os três se retiram como fantasmas. Fico sozinha, tremendo, com a blusa aberta e a buceta encharcada.
**Quinta-feira: A Dupla Penetração na Van**
A quinta-feira eu preciso que me quebrem. Volto ao estacionamento do shopping Abasto, ao subsolo. Hoje não espero. Fico parada em frente a uma coluna. Chega uma van 4x4, vidros fumês. Para do meu lado. Abrem as janelas. São dois. "Sobe, magrinha". Subo no banco de trás. "Tira toda a roupa", ordena o que dirige, me olhando pelo retrovisor. Fico só de calcinha fio-dental e meia. "Vem pro meio". Passo pro banco do meio. O motorista puxa um pau enorme, grosso e escuro. O do lado também. "Chupa os dois". Me inclino e seguro, alternando entre eles, sentindo eles crescerem nas minhas mãos e na minha boca. "Agora, senta em cima", diz o que está ao lado. Me sento sobre o pau dele, enfiando dentro da minha buceta. O outro se ajoelha no chão e me enfia pelo cu, sem avisar. Eles me enchem por completo. Me cavalgam como se eu fosse um animal, com socadas secas que me fazem doer toda. Os dois gozam dentro de mim, uma inundação dupla e quente. Me baixam, jogam minha roupa no chão e dizem: "Vaza". Eu desço, com as pernas tremendo e a porra escorrendo pelas minhas coxas. Caminho até minha casa, marcada.
**Sexta: A Surra de "Porrada" no Descampado**
Na sexta a festa é uma merda. À uma da manhã já tô cansada. Saio pra rua, pra noite fria. Ando pela Corrientes até cansar de andar. Paro num quina, perto do baixo. Chega um táxi velho, uma sucata. Para. "Te levo, gata?". "Depende pra onde". "Pra onde você quiser". Entro no banco do carona. Ele não me leva pra nenhum hotel. Vira e entra num beco escuro, rumo a um terreno baldio perto dos trilhos do trem. Desliga o motor. "Desce". Me encosta na porta do táxi, levanta minha saia e me mete a vara a socos, ali, em pé, com o cheiro de metal e terra molhada. É rápido, brutal, sem carinho. Me agarra pelo cabelo, me chama de "puta", "bucetuda". Goza dentro, me enche toda por dentro. Me bota no carro e me larga onde me achou, sem me dar nem um tostão. Desço, com o cheiro do sêmen dele e da minha humilhação. Vou andando pra casa, não pra festa. Não tô mais a fim de zoar. Já me foderam a socos. Agora só quero voltar pro meu quarto, pra minha gaiola de ouro, e dormir com o gosto da rua na pele.
O ritual final. A masturbação não é por prazer, é por memória. É a forma como eu processo meus momentos de um novo mundo. Não é uma masturbação, é uma autópsia.***
### **O Ritual do Espelho**
**Segunda-feira: A Reconstrução da Mão**
Chego no meu quarto e o silêncio pesa. Tiro o uniforme devagar, como se estivesse tirando uma pele morta. A saia cinza, a blusa azul claro, as meias. Fico só de calcinha e sutiã na frente do espelho grande do guarda-roupa. Não olho nos meus olhos. Olho o meu corpo. Minha pele está pálida, intacta. Não tem marcas. Mas eu sinto elas. Deito na cama, com as pernas abertas, olhando pro teto branco. Fecho os olhos e viajo pro vagão de madeira. Não penso no rosto dele. Penso na mão dele. Lembro do peso dela na minha cintura, o calor da palma da mão dele através da blusa. Meus próprios dedos imitam aquele percurso. Descem pela minha barriga, param. Lembro do momento em que a mão dele entrou por baixo da minha saia, o contato da pele áspera dele com minha coxa. Meus dedos tremem ao replicar. Finalmente, lembro dos dedos dele entrando na minha calcinha, esfregando meu clitóris com aquele ritmo experiente e cruel. Minha mão se move com a mesma urgência, com a mesma pressão. Não é pra gozar. É pra reviver. Pra sentir de novo como meu corpo se entregou a um estranho no meio de cem pessoas. Quando gozo, não é um grito. É um espasmo seco, uma contração muscular. É o fantasma do orgasmo que não pude ter no metrô. Limpo meus dedos, não com um lenço, mas com a borda do lençol. Quero dormir com aquela mancha.
**Terça-feira: A Confissão do Sabor**
Hoje não me olho no espelho. Tenho vergonha. Vou direto pra cama, mas antes entro no banheiro. Abro a torneira e bebo um pouco de água, pra tirar o gosto de nada. Me deito, mas dessa vez fico de lado, em posição fetal. Fecho os olhos e a única imagem que tenho é aquela pica mole aparecendo pelo buraco da porta. Lembro do cheiro rançoso, da pele enrugada. Lembro de como senti ela crescer na minha boca, como a fiz minha. Meus dedos não vão pra minha buceta. Eles entram na minha boca. Eu os chupo, os molho, imaginando que são de outro. Depois, com os dedos molhados, eu baixo a calcinha e passo eles pela buceta, uma e outra vez. Não os enfio. Só passo, devagar, sentindo minha própria umidade misturada com minha saliva. É uma masturbação lenta, silenciosa, quase dolorosa. Não busco o clitóris. Esfrego os lábios, imaginando que é o sêmen dele que me untar. O orgasmo, se vier, é uma pequena onda morna, um suspiro. É a confissão silenciosa de que gosto de me sentir suja, que o gosto de outro me excita mais que o meu próprio.
**Quarta-feira: O Coro das Vozes**
Hoje preciso de luz. Sento na beirada da cama, com as pernas penduradas, de frente para o espelho. Me olho. Abro as pernas e olho para a buceta, ainda inchada e avermelhada. Lembro das três mãos. A do velho, a do cara, a do terceiro. Fecho os olhos e tento separar as sensações. Meus dedos indicador e polegar da mão esquerda grudam no meu mamilo, apertam, torcem, imitando o cara. Minha mão direita vai para a buceta. O dedo do meio entra dentro, movendo-se desajeitadamente, como o do velho. O polegar busca meu clitóris e esfrega em círculos rápidos, como a língua do terceiro. Sou três pessoas ao mesmo tempo. Me masturbo me olhando no espelho, vendo como minhas mãos me desmembram, ouvindo na minha cabeça o coro de seus sussurros: "vadia", "te quero". O orgasmo é violento, me sacode toda, me arqueio para trás e um gemido escapa, um gemido que parece de outra. É o coro dos três que canta através de mim. Fico assim, tremendo, até me acalmar. Hoje não fui vítima. Fui a maestrina.
**Quinta-feira: A Dor como Lembrança**
Hoje não há prazer. Há dor. Me deito de bruços na cama, com o rosto contra o travesseiro. Lembro a caminhonete, o cheiro de couro novo. Lembro os dois paus dele, um na buceta e outro no cu. Meus dedos não vão para a buceta. Vão para o cu. Molho meu dedo indicador com minha própria saliva, passo uma e outra vez, e depois me Vou metendo devagar, até o fundo. Dói. Uma dor aguda, viva. É a lembrança. Deixo ele ali dentro, sem me mexer, sentindo meu corpo se tensionar. Com a outra mão, aperto minha bunda, como o motorista fez. Esfrego-me contra o colchão, buscando uma fricção que não é de prazer, é de castigo. O orgasmo, se vier, é seco, doloroso, quase uma convulsão. É a forma como meu corpo lembra da dupla penetração, a forma como transformo a dor numa lembrança tangível. Fico assim, com o dedo dentro, até adormecer.
**Sexta: O Vazio**
Hoje não tem ritual. Hoje não tem masturbação. Chego no meu quarto, tiro a roupa e me jogo na cama. Fecho os olhos e vejo as luzes do táxi, o terreno baldio, a cara de animal dele. Mas não sinto nada. Não tem coceira, não tem desejo, nem mesmo dor. Tem um vazio pacífico. Uma calmaria depois da tempestade. Minhas mãos ficam imóveis ao lado do corpo. Não me toco. Não fico excitada. Fico olhando pro teto, ouvindo o silêncio da casa. Pela primeira vez em toda a semana, não preciso reviver nada. A experiência foi tão crua, tão real, que não precisa ser processada. Já está dentro de mim, é parte de mim. E por isso, pela primeira vez em toda a semana, adormeço sozinha. Com o corpo limpo e a mente vazia. E sonho com o sol.
A segunda-feira começa com o desgosto. A escola é uma merda, as caras das minhas colegas me parecem de plástico. Preciso do metrô como um viciado precisa da sua dose. Hoje a linha A, a dos vagões de madeira que cheiram a século passado e a mijo de velho. Me posiciono de frente para a porta, com minha saia cinza como uma bandeira de rendição. Fecho os olhos e espero. O cara chega. Sinto ele antes de ver. Seu hálito de tabaco de enrolar e café queimado na minha nuca. A mão dele busca apoio na minha cintura, um gesto inocente que apodrece na minha pele. Deixo. A mão desce, devagar, pelas costas da minha blusa, até pousar no centro da minha bunda. Não aperta, só descansa. É uma reivindicação de propriedade. O trem sacode e o corpo dele gruda no meu. Sinto o pau dele, duro como um pedaço de pau, pressionando na minha lombar. O balanço do trem o esfrega contra mim, um atrito constante, obsceno. A outra mão dele desce pela frente, entra por baixo da saia e me procura a buceta por cima da calcinha. Aperta ela, com uma força que corta minha respiração. Ele goza na calça, sinto como um tremor molhado contra minhas costas. Ele desce no Peru, correndo como um ladrão. Eu fico, com a bunda quente e o sorriso de puta que se desenha no meu rosto.
**Terça-feira: A Confissão no Banheiro da Estação Brás**
A terça-feira preciso de algo mais sórdido. O banheiro feminino da estação Brás. Desço as escadas, o cheiro de mijo e desinfetante me atinge. É o cheiro da minha igreja. Entro no último cubículo, aquele com a porta pendurada por uma dobradiça. Sento no vaso, com a tampa levantada, e espero. As minas vão embora, o silêncio fica. Então, a porta se abre. Passos de homem. Param na minha frente. Sem uma palavra, um pau flácido e meio feio aparece pelo vão da porta. Me ajoelho no chão de azulejos grudentos. Pego, chupo, sinto ele crescer na minha boca até ficar duro e quente. Ele goza com um grunhido abafado e me jorra. toda a porra na minha cara. Deixo escorrer, me desce pela bochecha, pelo pescoço. Ele guarda a ferramenta e vai embora. Fico ajoelhada, com o gosto do seu desespero e o rosto grudento. Me limpo com o dorso da mão, lavo o rosto com água fria e saio na rua, me sentindo renascida.
**Quarta-feira: O Altar dos Corpos**
A quarta-feira é o ritual do cinema Premier. Escuridão total. Hoje não quero mãos, quero corpos. Quero o peso deles, o calor, o cheiro. Sento na última fileira, num canto, e abro o zíper da bota, um sinal. Não demoro a ter um de cada lado. O da esquerda é um velho que cheira a absinto e solidão. O da direita é um cara com cheiro de suor e maconha. O velho mete a mão por baixo da minha saia e enfia dois dedos dentro, mexendo como se quisesse extrair um suco. O cara desabotoa minha blusa, puxa meus dois peitos pra fora e começa a chupar meus mamilos feito um bebê, mordendo até doer. Então, uma terceira sombra se ajoelha na minha frente. É outro cara, mais magro. Afasta a mão do velho e enfia a cara na minha buceta. A língua dele é um chicote, rápida e áspera. O triplo estímulo é demais. Um orgasmo brutal me sacode toda, um espasmo que me tira o ar. Os três se retiram como fantasmas. Fico sozinha, tremendo, com a blusa aberta e a buceta encharcada.
**Quinta-feira: A Dupla Penetração na Van**
A quinta-feira eu preciso que me quebrem. Volto ao estacionamento do shopping Abasto, ao subsolo. Hoje não espero. Fico parada em frente a uma coluna. Chega uma van 4x4, vidros fumês. Para do meu lado. Abrem as janelas. São dois. "Sobe, magrinha". Subo no banco de trás. "Tira toda a roupa", ordena o que dirige, me olhando pelo retrovisor. Fico só de calcinha fio-dental e meia. "Vem pro meio". Passo pro banco do meio. O motorista puxa um pau enorme, grosso e escuro. O do lado também. "Chupa os dois". Me inclino e seguro, alternando entre eles, sentindo eles crescerem nas minhas mãos e na minha boca. "Agora, senta em cima", diz o que está ao lado. Me sento sobre o pau dele, enfiando dentro da minha buceta. O outro se ajoelha no chão e me enfia pelo cu, sem avisar. Eles me enchem por completo. Me cavalgam como se eu fosse um animal, com socadas secas que me fazem doer toda. Os dois gozam dentro de mim, uma inundação dupla e quente. Me baixam, jogam minha roupa no chão e dizem: "Vaza". Eu desço, com as pernas tremendo e a porra escorrendo pelas minhas coxas. Caminho até minha casa, marcada.
**Sexta: A Surra de "Porrada" no Descampado**
Na sexta a festa é uma merda. À uma da manhã já tô cansada. Saio pra rua, pra noite fria. Ando pela Corrientes até cansar de andar. Paro num quina, perto do baixo. Chega um táxi velho, uma sucata. Para. "Te levo, gata?". "Depende pra onde". "Pra onde você quiser". Entro no banco do carona. Ele não me leva pra nenhum hotel. Vira e entra num beco escuro, rumo a um terreno baldio perto dos trilhos do trem. Desliga o motor. "Desce". Me encosta na porta do táxi, levanta minha saia e me mete a vara a socos, ali, em pé, com o cheiro de metal e terra molhada. É rápido, brutal, sem carinho. Me agarra pelo cabelo, me chama de "puta", "bucetuda". Goza dentro, me enche toda por dentro. Me bota no carro e me larga onde me achou, sem me dar nem um tostão. Desço, com o cheiro do sêmen dele e da minha humilhação. Vou andando pra casa, não pra festa. Não tô mais a fim de zoar. Já me foderam a socos. Agora só quero voltar pro meu quarto, pra minha gaiola de ouro, e dormir com o gosto da rua na pele.
O ritual final. A masturbação não é por prazer, é por memória. É a forma como eu processo meus momentos de um novo mundo. Não é uma masturbação, é uma autópsia.***
### **O Ritual do Espelho**
**Segunda-feira: A Reconstrução da Mão**
Chego no meu quarto e o silêncio pesa. Tiro o uniforme devagar, como se estivesse tirando uma pele morta. A saia cinza, a blusa azul claro, as meias. Fico só de calcinha e sutiã na frente do espelho grande do guarda-roupa. Não olho nos meus olhos. Olho o meu corpo. Minha pele está pálida, intacta. Não tem marcas. Mas eu sinto elas. Deito na cama, com as pernas abertas, olhando pro teto branco. Fecho os olhos e viajo pro vagão de madeira. Não penso no rosto dele. Penso na mão dele. Lembro do peso dela na minha cintura, o calor da palma da mão dele através da blusa. Meus próprios dedos imitam aquele percurso. Descem pela minha barriga, param. Lembro do momento em que a mão dele entrou por baixo da minha saia, o contato da pele áspera dele com minha coxa. Meus dedos tremem ao replicar. Finalmente, lembro dos dedos dele entrando na minha calcinha, esfregando meu clitóris com aquele ritmo experiente e cruel. Minha mão se move com a mesma urgência, com a mesma pressão. Não é pra gozar. É pra reviver. Pra sentir de novo como meu corpo se entregou a um estranho no meio de cem pessoas. Quando gozo, não é um grito. É um espasmo seco, uma contração muscular. É o fantasma do orgasmo que não pude ter no metrô. Limpo meus dedos, não com um lenço, mas com a borda do lençol. Quero dormir com aquela mancha.
**Terça-feira: A Confissão do Sabor**
Hoje não me olho no espelho. Tenho vergonha. Vou direto pra cama, mas antes entro no banheiro. Abro a torneira e bebo um pouco de água, pra tirar o gosto de nada. Me deito, mas dessa vez fico de lado, em posição fetal. Fecho os olhos e a única imagem que tenho é aquela pica mole aparecendo pelo buraco da porta. Lembro do cheiro rançoso, da pele enrugada. Lembro de como senti ela crescer na minha boca, como a fiz minha. Meus dedos não vão pra minha buceta. Eles entram na minha boca. Eu os chupo, os molho, imaginando que são de outro. Depois, com os dedos molhados, eu baixo a calcinha e passo eles pela buceta, uma e outra vez. Não os enfio. Só passo, devagar, sentindo minha própria umidade misturada com minha saliva. É uma masturbação lenta, silenciosa, quase dolorosa. Não busco o clitóris. Esfrego os lábios, imaginando que é o sêmen dele que me untar. O orgasmo, se vier, é uma pequena onda morna, um suspiro. É a confissão silenciosa de que gosto de me sentir suja, que o gosto de outro me excita mais que o meu próprio.
**Quarta-feira: O Coro das Vozes**
Hoje preciso de luz. Sento na beirada da cama, com as pernas penduradas, de frente para o espelho. Me olho. Abro as pernas e olho para a buceta, ainda inchada e avermelhada. Lembro das três mãos. A do velho, a do cara, a do terceiro. Fecho os olhos e tento separar as sensações. Meus dedos indicador e polegar da mão esquerda grudam no meu mamilo, apertam, torcem, imitando o cara. Minha mão direita vai para a buceta. O dedo do meio entra dentro, movendo-se desajeitadamente, como o do velho. O polegar busca meu clitóris e esfrega em círculos rápidos, como a língua do terceiro. Sou três pessoas ao mesmo tempo. Me masturbo me olhando no espelho, vendo como minhas mãos me desmembram, ouvindo na minha cabeça o coro de seus sussurros: "vadia", "te quero". O orgasmo é violento, me sacode toda, me arqueio para trás e um gemido escapa, um gemido que parece de outra. É o coro dos três que canta através de mim. Fico assim, tremendo, até me acalmar. Hoje não fui vítima. Fui a maestrina.
**Quinta-feira: A Dor como Lembrança**
Hoje não há prazer. Há dor. Me deito de bruços na cama, com o rosto contra o travesseiro. Lembro a caminhonete, o cheiro de couro novo. Lembro os dois paus dele, um na buceta e outro no cu. Meus dedos não vão para a buceta. Vão para o cu. Molho meu dedo indicador com minha própria saliva, passo uma e outra vez, e depois me Vou metendo devagar, até o fundo. Dói. Uma dor aguda, viva. É a lembrança. Deixo ele ali dentro, sem me mexer, sentindo meu corpo se tensionar. Com a outra mão, aperto minha bunda, como o motorista fez. Esfrego-me contra o colchão, buscando uma fricção que não é de prazer, é de castigo. O orgasmo, se vier, é seco, doloroso, quase uma convulsão. É a forma como meu corpo lembra da dupla penetração, a forma como transformo a dor numa lembrança tangível. Fico assim, com o dedo dentro, até adormecer.
**Sexta: O Vazio**
Hoje não tem ritual. Hoje não tem masturbação. Chego no meu quarto, tiro a roupa e me jogo na cama. Fecho os olhos e vejo as luzes do táxi, o terreno baldio, a cara de animal dele. Mas não sinto nada. Não tem coceira, não tem desejo, nem mesmo dor. Tem um vazio pacífico. Uma calmaria depois da tempestade. Minhas mãos ficam imóveis ao lado do corpo. Não me toco. Não fico excitada. Fico olhando pro teto, ouvindo o silêncio da casa. Pela primeira vez em toda a semana, não preciso reviver nada. A experiência foi tão crua, tão real, que não precisa ser processada. Já está dentro de mim, é parte de mim. E por isso, pela primeira vez em toda a semana, adormeço sozinha. Com o corpo limpo e a mente vazia. E sonho com o sol.
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