
Tudo começou por acidente, talvez foi sorte ou uma maldição. Uma tarde em que veio uma chuva de repente, uma tia recolheu bem depressa a roupa dela e também a roupa da família que estava no varal. Talvez pela pressa, ela mexeu em toda a roupa e resolveu jogar tudo na cama onde eu dormia com mais dois primos. Foi aí que tudo começou. Uma das calcinhas, vermelha, de tecido macio, com um detalhe na frente de uma borboleta. Ficou num canto do colchão.

Aí surgiu a pergunta: falo o que encontrei ou não falo nada?. E algo me disse pra não falar nada. Então esperei uns dias, só por precaução. Mas não teve nenhum sinal de que minha tia fosse procurar a peça dela. Aí, depois de alguns dias, peguei ela e escondi. Aos poucos fui descobrindo o que dava pra fazer com aquela peça. O tempo passou e um dia, por azar, minha prima mais velha encontrou a tal peça — eu tinha colocado ela num pacote de batatinha. Bom, deu merda. Minha tia reuniu todo mundo e perguntou quem tinha roubado a peça dela. Já viu, né? Quem disse que foi o culpado? Ninguém. Ficou por isso mesmo. Essa mesma peça, minha tia deu pra minha prima mais velha. Ela começou a usar, mas eu continuava pegando a peça por uns instantes e devolvia pro lugar. Até que, de tanto a minha prima mais velha usar, a peça rasgou e jogaram no lixo. Aí nem vontade de roubar de novo eu tive. Por enquanto, é só o começo.
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