Capítulo 5
Sentado na beira da cama, com o peso dos relatos de María sobre Marcos queimando meu peito, minha mente escorrega pro passado. Lembro dos dias em que ela era um redemoinho de risadas e olhares que eu achava que não merecia. O eco do vídeo de cuckolding que vi no laptop dela — um homem imponente, o pauzão enchendo a tela, enquanto outro observa, pequeno e submisso — se mistura com as lembranças daquela tarde na convenção de anime, quando María, com suas orelhas de putinha e seu sorriso safado, me arrastou pro mundo dela. Mas as palavras da Sofía na faculdade, "os de bom tamanho", e os boatos da María com caras altos e bem-dotados, me perseguem. É um quadro que não consigo completar. Penso no burburinho de um bar cheio de risadas e cerveja, uma noite onde essas dúvidas começaram a tomar forma. O bar tá cheio de risadas, cheiro de cerveja e um zumbido de vozes que flutua entre as luzes amarelas. Mal cruzamos a porta, María solta do meu braço e dá um pulo em direção à Sofía, abraçando ela com aquela energia dela como se não se vissem há anos, embora morem juntas.
— Finalmente! — exclama Sofía, devolvendo o abraço com força — Já ia pedir outra rodada sem vocês.
Olhei rápido. Sofía, alta, loira e magrinha, com um vestido preto que marca cada curva e aquele sorriso safado. María, baixinha, morena, com o cabelo preto caindo liso pelas costas, usa um vestido curto verde-azulado que realça a cintura dela com um cinto fino e uns saltos plataforma pretos que fazem as pernas dela parecerem ainda mais longas. Não consigo evitar notar a bunda dela, grande, firme e redonda. Do lado dela tá o Diego, alto, moreno, com um sorriso fácil. Sofía apresenta ele pra gente com um gesto rápido.
— Luis, esse é o Diego. Diego, ele é o Luis… e você já conhece a María.
O sorriso do Diego se abriu quando ele viu a María. Apertou minha mão com um breve "beleza". Notei como os olhos dele deslizaram pelas pernas da María e, quando levantou o olhar, me encarou com uma cumplicidade que... Não entendi. Saúdo o resto, observo a María e, num relance, a lembrança da universidade. Ela e a Sofia cercadas de caras bonitos. Por um instante, imagino ela no meio de um monte de corpos sarados, sem camisa, sendo o centro do tesão. Ainda me pergunto por que agora ela fica comigo. Da nossa posição, aceno pro resto do grupo, sentados lá no fundo, entre garrafas e guardanapos amassados. Eles respondem com gestos preguiçosos e umas risadas distantes. Sofia me varre com o olhar, de cima a baixo, com aquele sorriso que parece medir mais do que fala. —Luis, hoje você veio chique… camisa, gravata… nada dos seus jeans e camiseta de sempre. —Vim do trampo —respondo, dando de ombros. María se aproxima, pega na minha gravata e faz ela dançar entre os dedos. —Haha… não, acho que hoje quem te vestiu foi sua mãe —fala baixando a voz e arqueando uma sobrancelha, como se tivesse me inspecionando pra ver se passo no teste. —Tonta, não enche —respondo com meio sorriso. —Desde que você começou a trabalhar no escritório, ficou mais gordinho, sabia? —completa, empurrando minha barriga com um dedo e uma careta safada. Sinto um arrepio subindo pelo peito. Puxo a cadeira pra ela e ela senta, balançando os ombros no ritmo da música, me olhando como se tivesse me premiando. —Valeu, cavalheiro —fala, num tom brincalhão. Sofia se inclina pra mim, garrafa na mão, e me dá aquele olhar que ela costuma usar antes de soltar alguma besteira. —Ei, Luis… e aí, curtiu aquele filme que vocês foram ver? Aquele da moda… o erótico. Dou de ombros, sentindo o tecido da camisa esticar um pouco nos ombros. Comento, tentando soar natural: —Ah, é bom, mas não entendo por que tanto auê. Um cara gostoso, alto, dominador, que amarra e açoita as minas… Sei lá, é tudo isso? Enquanto falo, passo o dedo no gargalo frio da garrafa, como se pudesse descarregar ali um desconforto que não quero mostrar. Sofia solta uma gargalhada que me Ela mexe mais do que quero admitir. Ela se inclina na minha direção, com aquele sorrisão que parece atravessar qualquer defesa. — Ai, Luis, que sem graça você está! Não sabe o gostoso que é ser agarrada, levar umas palmadas, ser enforcada um pouquinho… — ela pisca um olho, exagerando o tom —. Isso é que é vida! Baixo o olhar pra garrafa, sentindo um desconforto profundo. Minha vida sexual não foi muito vivida apesar da minha idade, e esse assunto me deixa sem palavras. Dou um gole pra não ficar calado de uma vez. Clara, com o rabo de cavalo castanho e os óculos de armação fina, balança a cabeça, franzindo um pouco a testa. — Ai, não, Sofi, isso é pesado demais pra mim. Quem é que quer ser enforcada? Me recosto um pouco no encosto. Aproveito pra dar uma olhada de canto no resto, como quem busca apoio, mas todo mundo parece se divertindo com o assunto. Diego, alto e moreno, com o sorriso fácil, se recostou na cadeira. — Cada um tem sua fantasia, né? Não me incomoda o pesado, mas também não é que me mate. — Levanta uma sobrancelha pra Maria —. E você, Maria? Do que você gosta? Não gosto do jeito que ele olha pra ela. Mantenho o olhar na mesa, mas escuto cada palavra. Maria fica um pouco vermelha, brincando com o copo entre os dedos. — É… Bom, não sei, um pouco de selvageria não é ruim, né? — abaixa a voz, como se não quisesse que todo mundo ouvisse —. Mas não tão selvagem como a Sofi diz. Pedro, robusto e de pele morena, bate na mesa com uma risada que faz tremer as garrafas. — Haha, selvagem, dado! O que é isso, Maria? Agarrar teu cabelo com raiva e te virar como um pião? — Ele se inclina pra Patricia, ao lado dele, com rabo de cavalo castanho, óculos finos e um sorriso safado, e toca de brincadeira o joelho dela —. Eu gosto de deixar minha mina com as pernas bambas, sem conseguir andar. Patricia ri, mostrando os dentes. — Ai, Pedro, que bruto! Mas é, assim que uma tem que ficar. — Ela dá uma cotovelada em Clara, piscando um olho —. Eu nunca reclamo se me deixam tremendo. Clara acena, sorrindo safada. — Isso! Assim que uma tem que ficar. O grupo explode em Risadas, e o calor sobe pelo meu pescoço. Você conseguiria fazer isso? Minhas ex pareciam entediadas e sem interesse, com um nó de insegurança no estômago. Sofia aplaude, encantada. — Isso, Pedro, isso! Os homens são tão básicos. A fantasia deles é sempre a mesma: um ménage com duas minas, meter e pronto. — Olha para Maria com cumplicidade —. Ou não, irmã? Embora você, com o que você gritava quando te visitavam no quarto… Sempre conseguia uns tamanhos bons, sua safada! Maria ri e joga um guardanapo amassado nela. — Cala a boca, Sofi, que sem noção! — cobre o rosto, entre risadas e vergonha. Ouvir isso me deixa mais desconfortável do que quero admitir. Ela gritava? Não lembro de ter causado essa experiência alguma vez. Não consigo evitar imaginar a voz doce de Maria gritando enquanto brinco com a garrafa na mão, apertando um pouco sem perceber. Sofia fixa o olhar em mim, com aquele sorriso safado que parece querer me tirar do esconderijo. — E você, Luis? Qual é a sua fantasia? Não me diga que também é do time “ménage e pronto”. Sinto um nó na garganta, como se as palavras pesassem mais do que eu esperava. Tento responder com naturalidade, mas minha voz treme um pouco. — Aaaah… Sei lá, algo como um ménage, acho. Olho para a mesa, sentindo os olhares me atravessarem, e passo a mão no pescoço, tentando sacudir aquele calor incômodo que sobe do peito. Antes que eu termine, Maria me interrompe com um sorriso malicioso. — Mentira, mentira! Luis, você não me disse uma vez que queria ser amarrado e açoitado? O grupo solta um “Uuuuuh!” quase em uníssono. Sinto o rosto queimar; tento rir para disfarçar, mas a vergonha pesa como uma laje. Enquanto gaguejo a negativa, me imagino Maria por cima de mim, me dando um tapinha brincalhão com um chicote, mal roçando minha pele. — Não, não, isso foi uma piada, Maria, me deixa em paz! — agito as mãos nervoso —. Era brincadeira, sério. Maria ri e se apoia no meu braço, como se quisesse me provocar. sentindo à vontade. Sem avisar, me dá um tapinha brincalhão com o braço, fingindo um tapa. Diego ri, soltando uma gargalhada. — Haha, não se preocupa, Luis, aqui ninguém te julga. Mas, como homem, eu digo que prefiro dominar. Quem é que quer ser virada do avesso? Sofia solta uma risadinha e levanta a cerveja dela. — Eu, eu quero ser virada do avesso! — pisca um olho pro Diego, que cai na risada. Maria balança a cabeça com um sorriso safado. — Ah, sim, com palmadas incluídas, né? — olha pra Sofia, entrando na brincadeira. Sofia dá uma cotovelada brincalhona na Maria. — Isso aí, Maria! Com todos esses livros eróticos que você lê, alguma ideia maluca tem que te ocorrer. — Olha pra mim —. E você, Luis? Alguma ideia pra Maria, ou o quê? Sinto minhas mãos tremendo e procuro um jeito de mudar de assunto rápido. — Não, não, Maria e eu somos só amigos, tá? Só amigos! É normal o pessoal confundir minha relação com ela, mas o que me incomoda é que ela não esclarece. Escuto a voz doce e baixa da Maria que me traz de volta ao bar, cantando a letra da música: — 🎼Sabe que minutos, Sim🎵 Maria pega minha mão de surpresa e, de um jeito bem teatral, usa como microfone e, cantarolando, continua a música. O calor do toque dela me dá um formigamento que sobe até o peito. — 🎼Melhor dez centavos que sim,🎼 🎵—que é verdade que eu gosto de você,🎼 O pessoal na mesa ri, alguns olhando pra gente. “Aww, que fofos”, diz Sofia de um jeito sarcástico. Maria, sem parar de sorrir, aperta minha mão na dela, e eu penso como ela adora me fazer corar. Pedro, percebendo que os copos estão quase vazios, levanta a mão pra chamar o garçom. — Ei, vamos de mais uma rodada! — fala, olhando pro grupo —. Que a noite não morra! O grupo vibra e o garçom se aproxima pra anotar o pedido. Suspiro, tentando relaxar. Enquanto espero as novas cervejas, percebo que Maria ainda não soltou minha mão. Ela levanta e compara com a dela, rindo. — Haha, olha, Luis, minha mão é maior que a sua. Que Risada! Tento entrar na brincadeira, mesmo que o calor suba pelo meu pescoço. — Quê? Não, não, tá, a sua é que parece de gorila. Ela franze o nariz e me dá um empurrãozinho leve que me balança na cadeira. — Seu bobo! Não, sério, suas mãos são mais de mocinha do que as minhas. Dou de ombros, tentando soltar minha mão, mesmo que o contato não me incomode tanto quanto deveria. — Não acho ela feia... meus pés também são pequenos, tudo na proporção. Sofia levanta o olhar com um brilho malicioso, como quem acabou de achar uma fofoca suculenta. — Sério? Qual teu número, Luis? Engulo seco e passo o polegar na borda molhada do meu copo. — Bom, é... calço 38. E daí? Sofia inclina a cabeça, me encarando como presa fácil. — Falando em tamanhos... — me varre de cima a baixo —. Sabe o que dizem do tamanho do pé nos homens, né? A galera cai na risada. Sinto as orelhas queimando e baixo o olhar pra mesa. Maria me cutuca, como quem defende, mas com um sorrisinho que parece curtir meu constrangimento. — Para, Sofi, não enche o saco dele! Isso é mito. Patrícia, de rabo de cavalo castanho, óculos finos e um sorriso safado, me olha de esguelha. — Não sei se é mito, mas uma vez me falaram que o dedão do pé parece com... cê sabe. — Mostra os dentes, rindo —. E aquele cara tinha dedos enormes. Haha! Coincidência, né? Sinto um calafrio de vergonha, como se meus dedos pequenos confirmassem minha falta. Sofia cruza os braços, sem tirar os olhos de mim. — Eu digo que não é mito. Aposto que é verdade. O que cê acha, Luis? Solto uma risada nervosa e brinco com o guardanapo, dobrando ele entre os dedos. — Ei, eu não aposto nada! Me deixem em paz com meus pés, tá? Maria aperta meu braço e pisca um olho. O calor do toque dela me dá um formigamento que sobe até o peito. — Eu aceito a aposta da Sofi. Quem sabe, um dia a gente descobre. A risada de Maria me deixa nervoso. Descobrir o quê? Fico paralisado e mal consigo articular palavra. — D-descobrir o quê? — pergunto, com a voz trêmula, o que faz meus amigos rirem. Maria me dá um tapinha brincalhão no ombro, com um gesto carinhoso. — Ai, que bobo! Não se preocupa. Só tô brincando. As cervejas chegam e a gente brinda rápido, mas Pedro reabre o assunto com um sorriso safado. — Bom, já que a gente tá falando de tamanhos… minas, o que vocês preferem? Grande, bruto, ou o quê? Acho que, pra Sofia, o normal vai ser falar "grande e horrível". Pra uma mulher tão alta como ela, deve ser o que espera. — Grande, óbvio. E se for horrível, melhor — responde Sofia sem hesitar, virando-se pra Maria —. E você, Maria? Não me fala que "normal" como sempre. Pego a garrafa e dou um gole mais longo do que o necessário, sentindo um leve nó no estômago. A ideia de que esse tamanho seja o "normal" pra ela, com o corpinho tão pequeno, me acerta com força. Clara ri e levanta as sobrancelhas. — A média mundial é tipo 14, não inventa. Embora aqui digam que no nosso país é tipo 16,8. — Isso, aqui somos de primeira. Dezesseis, quase dezessete — brinca Sofia, e todo mundo ri. — Porra… essa é a média? Então, de que país eu sou? Se eu calcular as probabilidades baseado na média do país… o mais certo é que eu sou o menos dotado dessa mesa… ou até de todo o bar — penso, sentindo um calor de humilhação no rosto. Diego, com barba por fazer e camiseta gasta, levanta o copo como se brindasse com o ar. — Não dizem que tamanho não importa? Sofia sorri com malícia, inclinando-se pra frente. — Isso é pra mijar. Maria se dobra de rir, cobrindo a boca. — Ai, Sofi, tô morrendo! Sinto o calor nas orelhas, como se Patricia tivesse falado diretamente pra mim. Todo mundo cai na risada. Patricia se inclina, sorrindo safada. — Não é só o tamanho, é que te dominam, alguém grande tomar conta. — Me olha de canto —. E uma vez saí com um cara que tinha tão fino que apelidei de 'o espaguete'. Divertido, mas fica aquela sensação de que não tem nada. Nada ali. Como se tivesse deslizando num poça d'água. Se soubessem, que apelido seria menos que "macarrão", seria algo menor que isso? Fico pensando. Clara se inclina pra frente, retomando o assunto com uma sobrancelha levantada. — Não foi tão ruim. Ele se esforçava. Em algumas posições parecia… superficial, mas não passei mal. Superficial… será que já me descreveram assim alguma vez? — penso com um arrepio. Clara sorri de lado e finaliza mexendo as mãos num gesto de grossura. — E o que faltava de comprimento ele compensava na grossura. Não conseguia fechar a boca! A mesa treme com a gargalhada geral. Patrícia dá uma cotovelada na Sofia, olhando pra minha barriga. — Haha! Ei, o Luís tá gordinho… Esperamos que seja bem distribuído! Pelo bem da Maria. Sinto um nó de vergonha no estômago, como se todos estivessem medindo meu corpo. Falo, tentando soar seguro: — É… sim, claro. Bem distribuído. Minha resposta provoca risadas no grupo. Maria tapa o rosto, rindo mas virando o corpo como se quisesse afastar o assunto. — Ai, não, Clara, isso aí não. Com meu primeiro namorado fiz por obrigação, mas agora… qualquer cara comigo sabe que tô aberta a muitas coisas, menos a isso. Sofia não solta a presa. — Aberta a muitas coisas? Principalmente aberta, Maria. Fico vermelho ao imaginar Maria nua e aberta. Maria joga um gelo nela, sem parar de rir. — Sua tonta, me liga logo! — E você, Maria? Importa ou não? — insiste Sofia. — Sei lá… nunca fiquei com um pequeno, então não posso opinar — diz Maria, dando de ombros. Ouvir isso me dá um arrepio nas calças. Não consigo evitar imaginar Maria rindo e comparando direto nas mãos a diferença entre o que ela tá acostumada e o que eu tenho, descobrindo com espanto. Sofia levanta a cerveja num brinde. — Bom… quando provar o Luís, conta pra gente como foi essa história de tamanho. Sinto o sangue ferver no rosto. Falo gaguejando, tentando retomar o controle: — Que isso! Não… não, não… essa história do pé é só um mito, não é algo pra acreditar. Por que você insiste tanto com a María? O grupo cai na risada. Sinto uma pontada de medo. María, em vez de dar bronca na Sofía, me olha com aqueles olhos brilhantes e brincalhões. Ela pega no meu braço com suavidade e se inclina pra sussurrar no meu ouvido. — Não se preocupa, bobinho — ela fala, com um sorriso malicioso —. Daqui a pouco vou no seu apartamento, vou te desafiar a provar meus brownies. Como prometi há meses, lembra? Enquanto as risadas ecoam no bar, as palavras da Sofía — “os de bom tamanho” — se cravam no meu peito feito um prego afiado. María, com aquele vestido verde abraçando as curvas dela, me olha de canto, a mão dela roçando a minha debaixo da mesa, um toque que acende e dói ao mesmo tempo. Sinto uma ereção quase imperceptível na calça, sem saber se é pelo toque dela ou pela imagem dela, rodeada por aqueles caras da faculdade, altos, sem camisa e musculosos, com grandes paus apontando pra ela, que invade minha mente. Ela no centro do desejo, pronta pra se entregar, nua e aberta. Igual a garota do vídeo que vi anos depois, dominada e sendo comida, enquanto eu, pequeno e insignificante, observo de um canto. — Não foge, Luis — ela sussurra, os dedos apertando minha mão —. 🎼Só dez que sim🎵 — a voz dela continua cantarolando com um tom sedutor.
Sentado na beira da cama, com o peso dos relatos de María sobre Marcos queimando meu peito, minha mente escorrega pro passado. Lembro dos dias em que ela era um redemoinho de risadas e olhares que eu achava que não merecia. O eco do vídeo de cuckolding que vi no laptop dela — um homem imponente, o pauzão enchendo a tela, enquanto outro observa, pequeno e submisso — se mistura com as lembranças daquela tarde na convenção de anime, quando María, com suas orelhas de putinha e seu sorriso safado, me arrastou pro mundo dela. Mas as palavras da Sofía na faculdade, "os de bom tamanho", e os boatos da María com caras altos e bem-dotados, me perseguem. É um quadro que não consigo completar. Penso no burburinho de um bar cheio de risadas e cerveja, uma noite onde essas dúvidas começaram a tomar forma. O bar tá cheio de risadas, cheiro de cerveja e um zumbido de vozes que flutua entre as luzes amarelas. Mal cruzamos a porta, María solta do meu braço e dá um pulo em direção à Sofía, abraçando ela com aquela energia dela como se não se vissem há anos, embora morem juntas.
— Finalmente! — exclama Sofía, devolvendo o abraço com força — Já ia pedir outra rodada sem vocês.
Olhei rápido. Sofía, alta, loira e magrinha, com um vestido preto que marca cada curva e aquele sorriso safado. María, baixinha, morena, com o cabelo preto caindo liso pelas costas, usa um vestido curto verde-azulado que realça a cintura dela com um cinto fino e uns saltos plataforma pretos que fazem as pernas dela parecerem ainda mais longas. Não consigo evitar notar a bunda dela, grande, firme e redonda. Do lado dela tá o Diego, alto, moreno, com um sorriso fácil. Sofía apresenta ele pra gente com um gesto rápido.
— Luis, esse é o Diego. Diego, ele é o Luis… e você já conhece a María.
O sorriso do Diego se abriu quando ele viu a María. Apertou minha mão com um breve "beleza". Notei como os olhos dele deslizaram pelas pernas da María e, quando levantou o olhar, me encarou com uma cumplicidade que... Não entendi. Saúdo o resto, observo a María e, num relance, a lembrança da universidade. Ela e a Sofia cercadas de caras bonitos. Por um instante, imagino ela no meio de um monte de corpos sarados, sem camisa, sendo o centro do tesão. Ainda me pergunto por que agora ela fica comigo. Da nossa posição, aceno pro resto do grupo, sentados lá no fundo, entre garrafas e guardanapos amassados. Eles respondem com gestos preguiçosos e umas risadas distantes. Sofia me varre com o olhar, de cima a baixo, com aquele sorriso que parece medir mais do que fala. —Luis, hoje você veio chique… camisa, gravata… nada dos seus jeans e camiseta de sempre. —Vim do trampo —respondo, dando de ombros. María se aproxima, pega na minha gravata e faz ela dançar entre os dedos. —Haha… não, acho que hoje quem te vestiu foi sua mãe —fala baixando a voz e arqueando uma sobrancelha, como se tivesse me inspecionando pra ver se passo no teste. —Tonta, não enche —respondo com meio sorriso. —Desde que você começou a trabalhar no escritório, ficou mais gordinho, sabia? —completa, empurrando minha barriga com um dedo e uma careta safada. Sinto um arrepio subindo pelo peito. Puxo a cadeira pra ela e ela senta, balançando os ombros no ritmo da música, me olhando como se tivesse me premiando. —Valeu, cavalheiro —fala, num tom brincalhão. Sofia se inclina pra mim, garrafa na mão, e me dá aquele olhar que ela costuma usar antes de soltar alguma besteira. —Ei, Luis… e aí, curtiu aquele filme que vocês foram ver? Aquele da moda… o erótico. Dou de ombros, sentindo o tecido da camisa esticar um pouco nos ombros. Comento, tentando soar natural: —Ah, é bom, mas não entendo por que tanto auê. Um cara gostoso, alto, dominador, que amarra e açoita as minas… Sei lá, é tudo isso? Enquanto falo, passo o dedo no gargalo frio da garrafa, como se pudesse descarregar ali um desconforto que não quero mostrar. Sofia solta uma gargalhada que me Ela mexe mais do que quero admitir. Ela se inclina na minha direção, com aquele sorrisão que parece atravessar qualquer defesa. — Ai, Luis, que sem graça você está! Não sabe o gostoso que é ser agarrada, levar umas palmadas, ser enforcada um pouquinho… — ela pisca um olho, exagerando o tom —. Isso é que é vida! Baixo o olhar pra garrafa, sentindo um desconforto profundo. Minha vida sexual não foi muito vivida apesar da minha idade, e esse assunto me deixa sem palavras. Dou um gole pra não ficar calado de uma vez. Clara, com o rabo de cavalo castanho e os óculos de armação fina, balança a cabeça, franzindo um pouco a testa. — Ai, não, Sofi, isso é pesado demais pra mim. Quem é que quer ser enforcada? Me recosto um pouco no encosto. Aproveito pra dar uma olhada de canto no resto, como quem busca apoio, mas todo mundo parece se divertindo com o assunto. Diego, alto e moreno, com o sorriso fácil, se recostou na cadeira. — Cada um tem sua fantasia, né? Não me incomoda o pesado, mas também não é que me mate. — Levanta uma sobrancelha pra Maria —. E você, Maria? Do que você gosta? Não gosto do jeito que ele olha pra ela. Mantenho o olhar na mesa, mas escuto cada palavra. Maria fica um pouco vermelha, brincando com o copo entre os dedos. — É… Bom, não sei, um pouco de selvageria não é ruim, né? — abaixa a voz, como se não quisesse que todo mundo ouvisse —. Mas não tão selvagem como a Sofi diz. Pedro, robusto e de pele morena, bate na mesa com uma risada que faz tremer as garrafas. — Haha, selvagem, dado! O que é isso, Maria? Agarrar teu cabelo com raiva e te virar como um pião? — Ele se inclina pra Patricia, ao lado dele, com rabo de cavalo castanho, óculos finos e um sorriso safado, e toca de brincadeira o joelho dela —. Eu gosto de deixar minha mina com as pernas bambas, sem conseguir andar. Patricia ri, mostrando os dentes. — Ai, Pedro, que bruto! Mas é, assim que uma tem que ficar. — Ela dá uma cotovelada em Clara, piscando um olho —. Eu nunca reclamo se me deixam tremendo. Clara acena, sorrindo safada. — Isso! Assim que uma tem que ficar. O grupo explode em Risadas, e o calor sobe pelo meu pescoço. Você conseguiria fazer isso? Minhas ex pareciam entediadas e sem interesse, com um nó de insegurança no estômago. Sofia aplaude, encantada. — Isso, Pedro, isso! Os homens são tão básicos. A fantasia deles é sempre a mesma: um ménage com duas minas, meter e pronto. — Olha para Maria com cumplicidade —. Ou não, irmã? Embora você, com o que você gritava quando te visitavam no quarto… Sempre conseguia uns tamanhos bons, sua safada! Maria ri e joga um guardanapo amassado nela. — Cala a boca, Sofi, que sem noção! — cobre o rosto, entre risadas e vergonha. Ouvir isso me deixa mais desconfortável do que quero admitir. Ela gritava? Não lembro de ter causado essa experiência alguma vez. Não consigo evitar imaginar a voz doce de Maria gritando enquanto brinco com a garrafa na mão, apertando um pouco sem perceber. Sofia fixa o olhar em mim, com aquele sorriso safado que parece querer me tirar do esconderijo. — E você, Luis? Qual é a sua fantasia? Não me diga que também é do time “ménage e pronto”. Sinto um nó na garganta, como se as palavras pesassem mais do que eu esperava. Tento responder com naturalidade, mas minha voz treme um pouco. — Aaaah… Sei lá, algo como um ménage, acho. Olho para a mesa, sentindo os olhares me atravessarem, e passo a mão no pescoço, tentando sacudir aquele calor incômodo que sobe do peito. Antes que eu termine, Maria me interrompe com um sorriso malicioso. — Mentira, mentira! Luis, você não me disse uma vez que queria ser amarrado e açoitado? O grupo solta um “Uuuuuh!” quase em uníssono. Sinto o rosto queimar; tento rir para disfarçar, mas a vergonha pesa como uma laje. Enquanto gaguejo a negativa, me imagino Maria por cima de mim, me dando um tapinha brincalhão com um chicote, mal roçando minha pele. — Não, não, isso foi uma piada, Maria, me deixa em paz! — agito as mãos nervoso —. Era brincadeira, sério. Maria ri e se apoia no meu braço, como se quisesse me provocar. sentindo à vontade. Sem avisar, me dá um tapinha brincalhão com o braço, fingindo um tapa. Diego ri, soltando uma gargalhada. — Haha, não se preocupa, Luis, aqui ninguém te julga. Mas, como homem, eu digo que prefiro dominar. Quem é que quer ser virada do avesso? Sofia solta uma risadinha e levanta a cerveja dela. — Eu, eu quero ser virada do avesso! — pisca um olho pro Diego, que cai na risada. Maria balança a cabeça com um sorriso safado. — Ah, sim, com palmadas incluídas, né? — olha pra Sofia, entrando na brincadeira. Sofia dá uma cotovelada brincalhona na Maria. — Isso aí, Maria! Com todos esses livros eróticos que você lê, alguma ideia maluca tem que te ocorrer. — Olha pra mim —. E você, Luis? Alguma ideia pra Maria, ou o quê? Sinto minhas mãos tremendo e procuro um jeito de mudar de assunto rápido. — Não, não, Maria e eu somos só amigos, tá? Só amigos! É normal o pessoal confundir minha relação com ela, mas o que me incomoda é que ela não esclarece. Escuto a voz doce e baixa da Maria que me traz de volta ao bar, cantando a letra da música: — 🎼Sabe que minutos, Sim🎵 Maria pega minha mão de surpresa e, de um jeito bem teatral, usa como microfone e, cantarolando, continua a música. O calor do toque dela me dá um formigamento que sobe até o peito. — 🎼Melhor dez centavos que sim,🎼 🎵—que é verdade que eu gosto de você,🎼 O pessoal na mesa ri, alguns olhando pra gente. “Aww, que fofos”, diz Sofia de um jeito sarcástico. Maria, sem parar de sorrir, aperta minha mão na dela, e eu penso como ela adora me fazer corar. Pedro, percebendo que os copos estão quase vazios, levanta a mão pra chamar o garçom. — Ei, vamos de mais uma rodada! — fala, olhando pro grupo —. Que a noite não morra! O grupo vibra e o garçom se aproxima pra anotar o pedido. Suspiro, tentando relaxar. Enquanto espero as novas cervejas, percebo que Maria ainda não soltou minha mão. Ela levanta e compara com a dela, rindo. — Haha, olha, Luis, minha mão é maior que a sua. Que Risada! Tento entrar na brincadeira, mesmo que o calor suba pelo meu pescoço. — Quê? Não, não, tá, a sua é que parece de gorila. Ela franze o nariz e me dá um empurrãozinho leve que me balança na cadeira. — Seu bobo! Não, sério, suas mãos são mais de mocinha do que as minhas. Dou de ombros, tentando soltar minha mão, mesmo que o contato não me incomode tanto quanto deveria. — Não acho ela feia... meus pés também são pequenos, tudo na proporção. Sofia levanta o olhar com um brilho malicioso, como quem acabou de achar uma fofoca suculenta. — Sério? Qual teu número, Luis? Engulo seco e passo o polegar na borda molhada do meu copo. — Bom, é... calço 38. E daí? Sofia inclina a cabeça, me encarando como presa fácil. — Falando em tamanhos... — me varre de cima a baixo —. Sabe o que dizem do tamanho do pé nos homens, né? A galera cai na risada. Sinto as orelhas queimando e baixo o olhar pra mesa. Maria me cutuca, como quem defende, mas com um sorrisinho que parece curtir meu constrangimento. — Para, Sofi, não enche o saco dele! Isso é mito. Patrícia, de rabo de cavalo castanho, óculos finos e um sorriso safado, me olha de esguelha. — Não sei se é mito, mas uma vez me falaram que o dedão do pé parece com... cê sabe. — Mostra os dentes, rindo —. E aquele cara tinha dedos enormes. Haha! Coincidência, né? Sinto um calafrio de vergonha, como se meus dedos pequenos confirmassem minha falta. Sofia cruza os braços, sem tirar os olhos de mim. — Eu digo que não é mito. Aposto que é verdade. O que cê acha, Luis? Solto uma risada nervosa e brinco com o guardanapo, dobrando ele entre os dedos. — Ei, eu não aposto nada! Me deixem em paz com meus pés, tá? Maria aperta meu braço e pisca um olho. O calor do toque dela me dá um formigamento que sobe até o peito. — Eu aceito a aposta da Sofi. Quem sabe, um dia a gente descobre. A risada de Maria me deixa nervoso. Descobrir o quê? Fico paralisado e mal consigo articular palavra. — D-descobrir o quê? — pergunto, com a voz trêmula, o que faz meus amigos rirem. Maria me dá um tapinha brincalhão no ombro, com um gesto carinhoso. — Ai, que bobo! Não se preocupa. Só tô brincando. As cervejas chegam e a gente brinda rápido, mas Pedro reabre o assunto com um sorriso safado. — Bom, já que a gente tá falando de tamanhos… minas, o que vocês preferem? Grande, bruto, ou o quê? Acho que, pra Sofia, o normal vai ser falar "grande e horrível". Pra uma mulher tão alta como ela, deve ser o que espera. — Grande, óbvio. E se for horrível, melhor — responde Sofia sem hesitar, virando-se pra Maria —. E você, Maria? Não me fala que "normal" como sempre. Pego a garrafa e dou um gole mais longo do que o necessário, sentindo um leve nó no estômago. A ideia de que esse tamanho seja o "normal" pra ela, com o corpinho tão pequeno, me acerta com força. Clara ri e levanta as sobrancelhas. — A média mundial é tipo 14, não inventa. Embora aqui digam que no nosso país é tipo 16,8. — Isso, aqui somos de primeira. Dezesseis, quase dezessete — brinca Sofia, e todo mundo ri. — Porra… essa é a média? Então, de que país eu sou? Se eu calcular as probabilidades baseado na média do país… o mais certo é que eu sou o menos dotado dessa mesa… ou até de todo o bar — penso, sentindo um calor de humilhação no rosto. Diego, com barba por fazer e camiseta gasta, levanta o copo como se brindasse com o ar. — Não dizem que tamanho não importa? Sofia sorri com malícia, inclinando-se pra frente. — Isso é pra mijar. Maria se dobra de rir, cobrindo a boca. — Ai, Sofi, tô morrendo! Sinto o calor nas orelhas, como se Patricia tivesse falado diretamente pra mim. Todo mundo cai na risada. Patricia se inclina, sorrindo safada. — Não é só o tamanho, é que te dominam, alguém grande tomar conta. — Me olha de canto —. E uma vez saí com um cara que tinha tão fino que apelidei de 'o espaguete'. Divertido, mas fica aquela sensação de que não tem nada. Nada ali. Como se tivesse deslizando num poça d'água. Se soubessem, que apelido seria menos que "macarrão", seria algo menor que isso? Fico pensando. Clara se inclina pra frente, retomando o assunto com uma sobrancelha levantada. — Não foi tão ruim. Ele se esforçava. Em algumas posições parecia… superficial, mas não passei mal. Superficial… será que já me descreveram assim alguma vez? — penso com um arrepio. Clara sorri de lado e finaliza mexendo as mãos num gesto de grossura. — E o que faltava de comprimento ele compensava na grossura. Não conseguia fechar a boca! A mesa treme com a gargalhada geral. Patrícia dá uma cotovelada na Sofia, olhando pra minha barriga. — Haha! Ei, o Luís tá gordinho… Esperamos que seja bem distribuído! Pelo bem da Maria. Sinto um nó de vergonha no estômago, como se todos estivessem medindo meu corpo. Falo, tentando soar seguro: — É… sim, claro. Bem distribuído. Minha resposta provoca risadas no grupo. Maria tapa o rosto, rindo mas virando o corpo como se quisesse afastar o assunto. — Ai, não, Clara, isso aí não. Com meu primeiro namorado fiz por obrigação, mas agora… qualquer cara comigo sabe que tô aberta a muitas coisas, menos a isso. Sofia não solta a presa. — Aberta a muitas coisas? Principalmente aberta, Maria. Fico vermelho ao imaginar Maria nua e aberta. Maria joga um gelo nela, sem parar de rir. — Sua tonta, me liga logo! — E você, Maria? Importa ou não? — insiste Sofia. — Sei lá… nunca fiquei com um pequeno, então não posso opinar — diz Maria, dando de ombros. Ouvir isso me dá um arrepio nas calças. Não consigo evitar imaginar Maria rindo e comparando direto nas mãos a diferença entre o que ela tá acostumada e o que eu tenho, descobrindo com espanto. Sofia levanta a cerveja num brinde. — Bom… quando provar o Luís, conta pra gente como foi essa história de tamanho. Sinto o sangue ferver no rosto. Falo gaguejando, tentando retomar o controle: — Que isso! Não… não, não… essa história do pé é só um mito, não é algo pra acreditar. Por que você insiste tanto com a María? O grupo cai na risada. Sinto uma pontada de medo. María, em vez de dar bronca na Sofía, me olha com aqueles olhos brilhantes e brincalhões. Ela pega no meu braço com suavidade e se inclina pra sussurrar no meu ouvido. — Não se preocupa, bobinho — ela fala, com um sorriso malicioso —. Daqui a pouco vou no seu apartamento, vou te desafiar a provar meus brownies. Como prometi há meses, lembra? Enquanto as risadas ecoam no bar, as palavras da Sofía — “os de bom tamanho” — se cravam no meu peito feito um prego afiado. María, com aquele vestido verde abraçando as curvas dela, me olha de canto, a mão dela roçando a minha debaixo da mesa, um toque que acende e dói ao mesmo tempo. Sinto uma ereção quase imperceptível na calça, sem saber se é pelo toque dela ou pela imagem dela, rodeada por aqueles caras da faculdade, altos, sem camisa e musculosos, com grandes paus apontando pra ela, que invade minha mente. Ela no centro do desejo, pronta pra se entregar, nua e aberta. Igual a garota do vídeo que vi anos depois, dominada e sendo comida, enquanto eu, pequeno e insignificante, observo de um canto. — Não foge, Luis — ela sussurra, os dedos apertando minha mão —. 🎼Só dez que sim🎵 — a voz dela continua cantarolando com um tom sedutor.
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