Pixel e a fantasia de ver a esposa com outro

Capítulo 1 – “Pixel”

Nunca gostei de academias. Não é meu ambiente. Muito suor, espelhos e gente exibindo corpos que parecem irreais. Mas a Maria, minha esposa, sempre foi minha fraqueza. Não é que ela precise malhar — ela é pequena, morena, com o cabelo preto preso em rabos de cavalo brincalhões, óculos que dão um ar doce e nerd, e um corpo que parece desafiar a gravidade, especialmente o bumbum dela, esculpido com precisão cirúrgica. Eu, por outro lado, sou outra história. Gorducho, baixinho, com mãos pequenas e pés pequenos. Maria, designer gráfica com um olho obcecado por detalhes, sempre brincou com isso desde que nos conhecemos na faculdade. Ela me batizou de “Pixel” porque, segundo ela, tudo em mim é pequenininho: mãos, pés… e bem, vocês já sabem. “Um pixel perfeito para o meu design”, ela dizia, rindo.

— Vamos, Pixel, quero te ver de lycra — ela disse uma manhã enquanto me servia café, me dando um beijo brincalhão na bochecha.

Eu ri, como sempre. Maria é assim: brincalhona, espirituosa, com um humor que desarma. Embora às vezes meu orgulho fique ferido, o carinho dela sempre suaviza tudo.

Naquele dia, eu cedi. Não porque quisesse entrar em forma, mas porque Maria tem essa habilidade de me convencer com um sorriso. Foi a Sofia, amiga dela de anos, que a colocou na academia. Sofia, uma loira de riso fácil e língua afiada, sempre teve uma energia que arrasta Maria para suas loucuras. Pra mim, Sofia sempre pareceu um pouco intimidadora, como se soubesse mais do que diz, mas Maria a adora. “Ela é meu pé no chão”, ela sempre diz. Foi assim que acabei naquele templo de músculos e egos, me sentindo como um peixe fora d'água.

O primeiro dia na academia foi um choque. Homens esculpidos em pedra e mulheres que os olhavam como deuses. Eu, com minha barriga e meus um metro e sessenta, me sentia invisível. Maria, por outro lado, se movia como se tivesse nascido ali. Fez amigos rápido, conversava com todo mundo, ria, especialmente com a Sofia, que parecia conhecer metade do mundo. E aí apareceu ele: Marcos, o personal trainer. Alto, moreno, com braços como colunas e um sorriso de tubarão. Ele entrava no lugar e todo mundo notava. A fama o precedia: diziam que muitas mulheres, até casadas, tinham caído no seu charme. "Mãos experientes", diziam as más línguas.

Naquele dia, Marcos não interagiu diretamente com a gente. Só deu um "bem-vindos" com aquela voz grave que ressoava, mas os olhos dele pararam em Maria um segundo a mais do que o necessário, como se estivesse medindo cada curva do corpo dela. Senti um nó no estômago, mas ela, alheia a tudo, piscou pra mim e disse:

— Vamos, Pixel, vamos dar duro nesses pesos.

Eu ri, mas não pude evitar notar como Marcos a seguiu com o olhar enquanto ela se afastava em direção às máquinas. Como se eu fosse um figurante no filme dele, pensei, tentando rir de mim mesmo.

Em casa, tudo era diferente. Maria é um turbilhão de alegria. Ela adora falar dos livros que lê, de mundos paralelos, de teorias malucas sobre o universo. Como designer, os projetos criativos dela enchem a casa de rascunhos e cores, e as histórias dela sempre têm um toque apaixonado, como se ela despejasse a alma em cada palavra. A gente trabalha junto de casa — ela nos designs dela, eu na minha mesa de contabilidade —, e sempre terminamos o dia vendo filmes, abraçados no sofá, com a cabeça dela no meu peito e a perna dela sobre a minha. Nessas noites, enquanto ela falava das ideias dela ou dobrou minhas roupas cantando, eu sentia que não precisava de mais nada.

— Sabe o que eu li hoje? — ela me disse uma noite, com os olhos brilhando —. Um livro sobre emoções que se transformam em energia. Imagina! Daria pra alimentar uma cidade com o que eu sinto por você.

E eu, como sempre, me derreti.

No segundo dia na academia, a coisa mudou. Maria estava treinando com Sofia, que, como sempre, soltava comentários afiados entre risadas. Marcos estava ajudando Sofia com umas agachamentos, as mãos dele guiando ela com aquela confiança que parecia gritar "eu mando aqui". De repente, María, que estava ajustando um peso em outra máquina, me chamou aos berros:
—Pixel, vem cá, me ajuda com isso!
Todas as cabeças se viraram. O apelido soou como um tiro naquele lugar cheio de testosterona. Marcos levantou uma sobrancelha, com um sorriso malicioso que parecia saber de algo que eu não. Ele se aproximou de María, deixando Sofía no meio do exercício.
—Pixel? —disse ele, com a voz carregada de diversão, olhando de mim para ela—. Por que você chama esse cara de Pixel?
María, com uma centelha travessa nos olhos e um sorriso que não conseguia conter, respondeu:
—É pelo tamanho.
Sofía soltou uma gargalhada, dando um passo na nossa direção com uma piscadela.
—O tamanho? —perguntou, seu tom cheio de malícia—. De quê, exatamente?
María, sem perder o sorriso, esclareceu:
—Porque ele é tão pequenininho! Mãos, pés… tudo pequeno.
Marcos e Sofía explodiram em risadas, seus olhares descendo descaradamente para a minha virilha. Senti o calor subindo no meu rosto, como se a academia inteira estivesse me medindo. Alguns caras próximos também riram, e eu só queria que a terra me engolisse. O que eu sou, a piada do dia? Pensei, tentando manter a compostura. María, percebendo meu desconforto, se aproximou rápido, me pegou pelo braço e disse, rindo mas com um toque nervoso:
—Ah, parem com isso! É pela altura, entenderam? Meu Pixel é perfeito.
Ela apertou meu braço, mas as risadas de Marcos e Sofía, e os olhares dos outros, ficaram gravados na minha mente. Mais tarde, no mesmo dia, Marcos ajudou María com os agachamentos. Ele se posicionou atrás dela, tão perto que o volume dele roçou o corpo dela enquanto a corrigia. “Abaixa mais, María, assim, perfeita”, disse ele, com a voz baixa, quase íntima. Aquele volume não pode ser real, são toalhas dobradas ou o quê? Pensei, tentando rir da situação enquanto apertava os punhos. Alguns caras na academia se viraram para olhar o espetáculo que era María fazendo aquele exercício.
Naquela noite, em casa, María estava como sempre: carinhosa, cantando enquanto preparava o jantar, me contando sobre um design que estava terminando para um cliente. Mas eu não conseguia tirar o Marcos da cabeça, o toque dele, as risadas pelo apelido "Pixel". Fiquei me perguntando se a Maria tinha notado a proximidade deles, se ela gostava. Tentei falar com ela, mas ela, com seu sorriso de sempre, me deu um beijo e disse:
— Ai, Pixel, não fica sério. Vamos ver um filme.
E como sempre, eu me deixei levar.

O Segredo Digital

Dias depois, a curiosidade me corroía. Usei o laptop dela para procurar umas fotos que a Maria tinha tirado da nossa última viagem. Não tinha más intenções, mas meus olhos esbarraram numa pasta peculiar: "Notas privadas". Um calafrio percorreu meu corpo. Que segredos ela guardaria ali? Abri. Havia relatos. Vários.
O primeiro que li era narrado em primeira pessoa por uma mulher casada, descrevendo um encontro com um homem forte, moreno, no vestiário de uma academia. Não mencionava nomes, mas o homem era alto, com braços como colunas e um sorriso confiante, parecido demais com o do Marcos. Falava de um canto com armários azuis, exatamente como os da nossa academia. A linguagem era sugestiva, carregada de desejo, e um detalhe me congelou o sangue:
"Ele me levantou contra a parede, seu corpo se apertando contra o meu. Enquanto me beijava com avidez, senti suas mãos nos meus quadris, e soube que meu marido nos observava de longe, como uma sombra. A ideia me excitou ainda mais. Não pensei em mais nada. Só em como ele me fazia sentir viva."

Fechei o laptop com as mãos tremendo. Era uma fantasia sobre o Marcos? A Maria sempre escrevia coisas assim, mas os detalhes... eram específicos demais. Sentei na beirada da cama, olhando a Maria dormir, com a perna dela sobre a minha como sempre. Então pensei na nossa vida sexual. Eu sempre soube que a Maria era mais sexual que eu. Na faculdade, era ela quem me arrastava para aventuras, quem propunha coisas que eu nunca teria coragem de pedir. Ela já me amarrou na cama, se fantasiou de enfermeira, de policial, brincando de "me revistar procurando uma arma". Quando me Ela agarrou o pau, soltou uma gargalhada e disse: "Ah, agora os criminosos fazem ela minúscula pra esconder melhor, haha". Estar amarrado, sob o controle dela, eu gostava, me excitava, mesmo que nunca tenha admitido em voz alta. Eu, por outro lado, sempre fui passivo, pouco dominante. Uma noite, anos atrás, ela me perguntou qual era minha fantasia. Gaguejei e disse algo sobre gozar na cara ou na boca dela. Ela soltou uma gargalhada e falou: "Eca, Pixel, que básico! Vamos tentar outra coisa". E mesmo tendo rido junto, nunca tive coragem de insistir. Talvez por isso ela escreva essas histórias. Talvez ela precise de algo que eu não dou. A ideia de que ela estivesse fantasiando com o Marcos me corroía por dentro.

A Revelação Explícita

No terceiro dia na academia, o Marcos foi mais ousado. A Maria estava fazendo um exercício de quatro, com a bunda pra cima, e notei que vários caras no lugar pararam de treinar pra olhar pra ela. Um sussurrou algo pro outro, e os dois riram, me olhando de lado. Senti que todo mundo sabia de algo que eu não. O Marcos, claro, se aproximou pra "ajudar". As mãos dele deslizaram pelos quadris dela, ajustando a postura, demorando mais do que o necessário. "Assim, Maria, mantém a postura," ele disse, o tom carregado de algo que não era só profissional. "Com essa raba empinada, como é que o seu Pixel se concentra?" Depois, nos abdominais, ele se posicionou entre as pernas dela, segurando os pés, o corpo inclinado na direção dela, o sorriso dele perto demais. "Com essa energia, Maria, não sei como o seu marido se concentra nos pesos", falou, piscando pra ela. Isso parece o começo de um filme adulto em HD4K entre o The Rock e a minha esposa, pensei, tentando rir pra não me afundar no ciúme. A Maria riu, nervosa, e me olhou rápido, como pedindo pra eu não dar importância.

Naquela noite, incapaz de tirar a primeira história da cabeça, voltei pro laptop. Encontrei outra na pasta "Notas privadas". Essa era mais explícita, mencionava um treinador chamado Marcos, moreno, musculoso, que a pegava no vestiário:

"E enquanto o Marcos me Ele me levantou contra a parede, seu volume apertando contra mim, não pensei no meu marido. Pensei em como ele me fazia sentir mulher de novo, submissa e desejosa. Ele sussurrou no meu ouvido que eu ficava perfeita de joelhos, e me virou. Me pegou nessa posição, de quatro, no chão frio do vestiário, e senti seu corpo se unindo ao meu com uma força que eu nunca tinha conhecido. E naquele instante, meu marido nos observava das sombras, sua mão brincando com seu membro minúsculo. A vergonha e o desejo se misturaram num turbilhão que me fez gemer mais alto. Selvagem. Imunda. VIVA.

Era ele. Marcos. A fantasia da Maria estava clara, e os detalhes da academia, os armários azuis, a atitude dele… tudo se encaixava. Meu coração batia forte. Não era real, mas saber que a Maria imaginava essas coisas com ele me doía e, ao mesmo tempo, me excitava. Percebi então que essa era a posição favorita da Maria, embora raramente a usássemos, já que meu "Pixel" sempre tinha problemas para manter uma penetração constante por causa dos seus glúteos avantajados.

Outro dia na academia, Marcos continuava rondando a Maria. Suas mãos sempre encontravam desculpas para tocá-la: um roçar nos quadris, um ajuste nos ombros. Eu via tudo, com os relatos queimando minha mente. Imaginava a Maria com ele, entregue, como nas palavras dela. E mesmo doendo, uma parte de mim… desejava aquilo. Não entendia por quê. Dois caras num canto sussurraram algo enquanto a Maria fazia agachamentos, e um deles me olhou com um sorriso que me fez sentir ainda menor.

Naquela noite, a Maria deixou o WhatsApp Web aberto no laptop. Não resisti. Entrei. Havia um chat em grupo com a Sofia e a Daniela, outra amiga da academia. A Daniela, uma morena de olhos grandes, sempre parecia saber mais do que dizia, mas eu não a conhecia tão bem quanto a Sofia, a amiga inseparável da Maria há anos.

Sofia: O Marcos está mais gostoso a cada dia. Como você aguenta, Maria?

Daniela: Aquele homem é um pecado com proteína. E aquele tronco que ele tem… entre as pernas… uff, acredite, eu sei.
Maria: Kkkkk, Daniela, que doida! Para com a fofoca…
Sofia: Mas não dá vontade de devorar? Aquele homem é puro fogo.
Maria: É que… é tentador, eu admito. Mas não, meninas, eu não jogo desse jeito.
Daniela: Você mesma disse que seu marido tem um pixel.
Maria: Kkkkk, não sejam cruéis. É pequenininho, sim…
Sofia: Com uma mão você tampa e ainda sobra um dedo.
Daniela: E orgasmos? Porque com o Marcos, amiga, eu juro que você treme. Pergunte como eu sei.
Maria: Ai, Daniela, para. Nenhum de verdade com o Luis, é verdade. Mas ele é carinhoso, amoroso. Não quero machucá-lo.
Sofia: Amiga, dá um prazer pro corpo ou você vai explodir.
Daniela: Os relatos dizem outra coisa. Aquele do vestiário com o Marcos… de onde você tirou tanta inspiração?
Maria: Fofoqueiras… São só fantasias, ok? Mas sim, eu ouvi os rumores do Marcos. Dizem que ele deixou a Patricia tremendo no vestiário depois de fechar.
Sofia: E a Daniela também, parece!
Daniela: Kkkkk, não confirmo nem desminto. Mas aquele homem sabe o que faz.
Maria: Meninas, não. Eu amo meu Pixel. Mas… não vou mentir, às vezes eu penso em como seria com alguém como o Marcos.
Fiquei gelado. Isso parece um capítulo de Sex and the City, pensei, tentando rir enquanto meu mundo desabava. A Maria admitia que fantasiava com o Marcos, mesmo insistindo que não queria ser infiel. As palavras dela doíam. “Nenhum de verdade”. “Pequenininho”. E a Daniela, falando do Marcos como se tivesse vivido na pele. Comparado com ele, eu era… insuficiente. E ainda assim, enquanto lia, meu corpo reagia. Minha pele arrepiou. Meu coração acelerou. Meu “pixel” endureceu. A humilhação e o desejo se misturaram, e eu não sabia o que fazer com aquilo.
Naquele dia, não fui à academia. Disse que não estava me sentindo bem, que a Maria fosse sozinha. Ela insistiu em ficar, mas eu convenci ela a ir. Quando ela saiu, fiquei sozinho com meus pensamentos. A noite anterior, depois de ler o segundo relato, mal tinha dormido, olhando a Maria dormir, imaginando ela com Marcos, as fantasias dele queimando minha mente. Agora, com o chat fresco, abri o laptop dele de novo. Não queria bisbilhotar, mas dei uma olhada no histórico de buscas por curiosidade. Foi quando vi: pesquisas por "cuckolding". A Maria tinha feito elas. Pesquisei o que significava. "Um fetiche em que alguém curte ver o parceiro com outra pessoa". É isso que a Maria quer?, pensei, com a cabeça uma bagunça. Clicquei num vídeo: um homem moreno, dotado, com uma mulher pequena, os gemidos dela ecoando. Imaginei a Maria com o Marcos, o volume dele contra ela, as mãos dele na cintura dela. Minha mão se moveu sozinha. A vergonha, o ciúme, o desejo… tudo se misturando.

De repente, a porta se abriu. A Maria estava lá, me encarando. Tinha decidido não ir pra academia, disse que preferia ficar pra cuidar de mim. Os olhos dela foram do meu rosto pra tela, onde o vídeo ainda rodava. Por um segundo, achei que vi uma faísca de curiosidade no olhar dela, mas então o rosto dela endureceu, como se tentasse entender o que estava vendo.

— Luis… o que é isso? — perguntou, a voz tremendo entre surpresa, confusão e algo mais que não consegui decifrar.

Não respondi. Não consegui. Meu mundo estava desabando, e ela era o centro de tudo.

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