Numa tentativa de viajar como clandestino, um garoto filipino chega a uma ilha aparentemente deserta.
Esse era um menino filipino, que vou chamar de Felipe, e como muitos outros, era um moleque de rua, algo típico do seu país. A vida dele não era nada invejável; vivia como um mendigo pedinte, comendo do lixo, até que conseguiu seu primeiro "emprego", meio "autônomo". De vez em quando, recebia tarefas de entregar algo — era droga, mas em quantidades pequenas, combinando com a idade dos seus pequenos distribuidores: Felipe e seus parceiros. Com o pagamento que recebiam, pelo menos dava pra comprar alguma coisa pra comer, mas conseguir um pedaço de comida era quase um milagre ou um luxo, e a única coisa boa que dava pra mencionar. As condições de vida eram desumanas, então a luta pela sobrevivência nas Filipinas começa desde a infância. Esse contexto da realidade era mais do que claro pra Felipe; dava pra dizer que o coração dele talvez não tivesse maldade, mas já não dava mais pra rotular ele como um garoto inocente e ingênuo. Ele tava ligado no cenário cruel ao redor: o vício em drogas, negócios e atividades ilícitas, corrupção, abuso de autoridade e indiferença dos adultos — essas eram algumas das causas ou fatores do déficit de desenvolvimento e consciência social. Esse círculo vicioso se enraizou no coletivo de forma sistemática e teve um impacto que passou de geração em geração. E, ao se espalhar pela população, deixou no caminho uma sociedade hostil e negligente com a infância, o setor mais vulnerável, que desde o nascimento — ou até antes — já carrega esse estigma que vai acompanhar eles a vida toda, sobrando dois caminhos: delinquir pra sobreviver ou se resignar à fome.
Esses antecedentes desencadearam e tiveram um impacto na personalidade e no caráter de Felipe. Ele tava de saco cheio de se rebaixar por migalhas e de todas as contradições que eram impostas, mas essa opressão não foi suficiente pra dobrar a dignidade dele. Coragem e espírito de luta. Como eu disse, desde cedo teve que se desprender da ingenuidade, inocência e insegurança. Mentalmente, ele se transformou num guerreiro formidável e rebelde. No submundo, existe a lei do mais forte, mas ele estava quebrando esse paradigma. Fisicamente, não era nada imponente, mas compensava essa falta com astúcia, planejamento estratégico, cautela e, até certo ponto, estoicismo. Sua forma de agir era muito sofisticada; estava sempre preparado, era muito calculista. Diante do seu ambiente miserável, sempre analisava a situação, raciocinava e executava seus movimentos, sendo estes muito certeiros e eficazes. Um completo audacioso tentando não ser um temerário imprudente. Sempre passava despercebido, ou seja, no caso dele, a malandragem valia mais que a força.
Por outro lado, a favela do Tondo onde ele morava estava cada vez mais sendo tomada por grupos criminosos, e havia uma disputa pelo controle territorial entre gangues rivais. Começou a ter toque de recolher à noite para se esconder e tentar se proteger. Com isso, as coisas começaram a piorar cada vez mais. De tudo o que já foi descrito de negativo e desfavorável, ainda podia cair ainda mais fundo, beirando ou até mesmo desencadeando a anarquia e o caos total, uma desordem desmedida. Ele supôs que sua participação como traficante no varejo de drogas já era mais que suficiente para deixá-lo na mira, além de que a pouca tranquilidade que lhe restava já ia se desvanecer por completo. E lembrou de algo que seria útil e que, mais cedo ou mais tarde, ele colocaria em prática: ele ouvia rumores e também leu numa folha de jornal que encontrou no lixo uma nota sobre as viagens marítimas que muitos dos seus conterrâneos estavam fazendo, fugindo para outros territórios em busca de oportunidades.
Certa vez, à noite, ouviu-se um tiroteio. O motivo: um motim e ataques entre organizações criminosas rivais. Diante desse tipo de incidente, as pessoas, por Senso comum manda correr pra salvar a pele ou se esconder, mas ele, na dele, foi se aproximando na maciota de onde vinha o barulho. Quando chegou, encontrou o que parecia ser um pistoleiro abatido, quase morrendo. Aí ele fez o quê? Saqueou o cara. Roubou a arma com o coldre, dois carregadores cheios de bala, dinheiro vivo e uns acessórios de ouro, coisas de valor. Mas, com esses pertences, teve que vazar da comunidade dele. Com aquele assalto, a área viraria zona de guerra, e os civis, de todas as idades, não escapariam dessa devastação. Resumindo, ele seguiu andando até se enfiar nas cidades da capital, Manila. Já tinha um plano de fuga na cabeça, que ia executar de repente e ainda completar. Entrou numa loja de penhores, apontou a arma pro cara do balcão e explicou que não queria atirar nele, contou os motivos: queria fugir do país. Pediu que o cara desse uma força com equipamento e ferramentas que pudessem ser úteis pra viagem. Assim que entregasse as coisas, ele daria alguns dos acessórios de ouro como pagamento e troca. E, pra informação do sujeito, deixou claro que a arma e as peças eram de um cara que levou tiro, ficou inerte e não precisava mais daquilo, por isso ele roubou pra escapar e investir na viagem, pra não morrer igual ao dono anterior. O cara entregou os bagulhos, ele deixou a joia de lado e vazou da loja na correria. Foi pros mercados de rua comprar comida enlatada e garrafas d'água com o dinheiro que pegou do defunto. Depois, seguiu pro cais. O meio de transporte ia ser um navio de carga de exportação. Conseguiu se infiltrar, subir e se esconder entre os contêineres. Depois de uma ou duas horas, o navião zarpa rio acima. E o Felipe tava numa boa: tinha comida, água, um saco de dormir e, de noite, podia usar o banheiro. Com todo esse conforto, pra ele era tipo viajar num cruzeiro. de luxo, mas uns dois dias depois, à noite, veio uma tempestade com maré alta que parecia um tsunami, e isso fez ele acordar do sonho. Quando se deu conta, mal conseguiu pegar a "cama" dele, e com o balanço, foi parar na borda. A instabilidade fez ele cair e se soltar. Por sorte, a poucos metros abaixo, tinha um bote salva-vidas pendurado, e com o impacto do peso e do equipamento dele, o bote também caiu na água. A mesma coisa aconteceu com alguns contêineres, que foram arrastados pelas ondas imensas a noite toda, sem rumo, até chegarem em terra firme. As próprias ondas os colocaram para fora da água, e Felipe percebeu a situação: parecia que ele tinha ficado encalhado numa ilha deserta. Dentro do bote, ele encontrou o que parecia ser um machado de bombeiro e umas cordas. Viu os contêineres de madeira e, pelo visto, eles tinham comida, frutas. Então, sem mais delongas, teve que se organizar. Sabia que precisava planejar algo para se proteger de possíveis animais selvagens, famintos e carnívoros, que o veriam como presa. Então, teria que tomar medidas para sobreviver, só por precaução. Primeiro, abriu uma das caixas com a ajuda do machado, esvaziou ela e colocou do lado da outra. Revisou e esvaziou a mochila, que era do tipo militar. Além da comida e das garrafas d'água, encontrou uma barraca de acampar, uma faca/machete de sobrevivência e combate, um cantil, uma lanterna, um isqueiro, uma bússola e algo para se entreter, mas inadequado pra idade dele: uma revista playboy com mulheres peladas. Então, planejou uma rotina e um plano de fuga. De acordo com as datas, era temporada de tempestades e chuvas fortes, então ele tinha que esperar até as chuvas pararem, pra que o clima não atrapalhasse a próxima viagem dele, já que tinha arruinado a primeira. Dessa vez, ele errou no cálculo: segundo ele, os polizões ficam no leme do navio e seriam facilmente detectados, mas em temporadas de tempestade, ninguém desconfiaria de viajantes não. autorizados porque isso representaria um risco iminente, então descartariam a presença deles. Felipe, pra não falhar de novo, tinha que zarpar quando as águas acalmassem, já que agora ele tinha um meio flutuante mais leve que podia afundar ou virar com qualquer ondulação, e não dava mais pra se arriscar daquele jeito. A retirada da ilha não podia se prolongar muito; ele sabia que não dava pra sobreviver por muito tempo naquele lugar. Tinha dois contêineres de madeira, além do que estava na mochila, como provisões de comida e algumas reservas de água. Nas condições dele, por ter se perdido, esses suprimentos e os outros objetos mencionados seriam úteis pra eventualmente sobreviver. Vale destacar que, no caso dele, cada um desses itens seria inestimável e indispensável. Durante a estadia, ele mantinha uma rotina simples, já tinha arrumado o abrigo. Durante o dia, comia as frutas que vinham nos contêineres; pela primeira vez na vida, conseguia comer três vezes ao dia. Só bebeu uma garrafa de água, tinha que guardar as outras junto com a comida enlatada pra quando precisasse sair do lugar. O contêiner que esvaziou usaria como um tanque de água da chuva, e o passatempo favorito dele era bater punheta várias vezes ao dia, fantasiando com as mulheres que apareciam naquela revista erótica. Assim ele passou uns dez dias, até que pegou febre por causa do clima chuvoso. Agora passava o dia todo na barraca, de repouso, embora os incômodos fizessem ele perder a noção do tempo, a ponto de ter uma suposta alucinação em que uma cabeça aparecia na barraca dele. Enquanto esteve doente e nos poucos momentos em que acordava, só conseguia notar que estava num lugar tipo uma choça, e não na barraca, e deitado numa cama, não no saco de dormir. Mas não conseguiu ver mais ninguém por perto, então também achou que era um sonho, transe ou alucinação. No fundo, ainda não estava lúcido, e se aquilo era real ou não... Não, por enquanto tanto fazia pra ele. Quando finalmente acordou, já curado, percebeu que não era imaginação: estava dentro de uma choça. Mas a surpresa foi maior quando saiu e viu não só mais dessas casas, mas também seus habitantes. Então sim, ele tinha companhia — eram mulheres, mas com características bem peculiares: embora houvesse dezenas delas, cada uma media uns dois metros de altura, e tinham quadris, bundas e peitos bem avantajados. Pra não ficar enchendo lingüiça, digamos que eram tipo aquelas amazonas ou algo do gênero. E o garoto simplesmente ficou de boca aberta, porque ao vivo e a cores estava contemplando umas gostosas que facilmente ofuscariam as modelos que ele via naquela revista. Mas, como era de se esperar, ele não sabia nada sobre elas e vice-versa. Então foi o primeiro a tomar a palavra. De alguma forma, mesmo todas sendo fisicamente imponentes pra serem mulheres, Felipe não se sentiu intimidado nem desconfiado. Se tivesse topado com homens, mesmo que menores, não teria hesitado em se afastar assim que percebesse. Enquanto tentava conversar com algumas, viu que cada vez mais garotas se aproximavam, até que no meio da multidão surgiu quem parecia ser a líder, e foi ela quem o questionou:
— Forasteiro! Quem é você? De onde saiu? Como chegou até aqui?
— Responda às minhas perguntas e nos conte tudo sobre você.
Ele então se apresentou como Felipe e contou tudo o que já foi descrito até sua chegada à ilha. E agora também fez algumas perguntas a elas sobre como se perderam, há quanto tempo estavam encalhadas na ilha e como o encontraram.
E, pra sua informação, revelaram que, diferente dele, elas são nativas, viveram e viverão a vida inteira na ilha. A aldeia que formam é o lar delas, e ele é o convidado de honra. Quem o descobriu foi a rastreadora da tribo, que sentiu o cheiro dos fluidos dele à distância. No começo, ela pensou que fosse algum... Outro animal no cio, mas o cheiro era diferente, além de que ainda não era bem a temporada de acasalamento. Bom, já tendo ambos as informações que queriam saber, as mulheres prepararam um banquete de boas-vindas, todas saborearam comidas deliciosas, e o garoto se sentiu bem com tanta hospitalidade. Ao terminar o lanche, ele chamou a rastreadora, mas a líder interveio de novo e perguntou pra que ele precisava dela, e ele respondeu que era pra ela guiá-lo de volta ao acampamento que ele tinha montado perto do mar, porque ele não fazia ideia do caminho e nem tava sóbrio quando o trouxeram. Ele não queria se retirar da aldeia por causa delas, mas porque, nas palavras dele, seus companheiros deviam estar "trabalhando" em algum lugar da ilha e podiam voltar a qualquer momento, e não iam gostar de ver um estranho no meio deles. Além disso, por causa das experiências ruins, a vida ensinou ele a não confiar em nenhum homem que não fosse ele mesmo. Então a líder revelou outras coisas, que era o cerne da questão. Primeiro, ela disse que, no critério dela, ele não tava nada errado, mas agora ela entendia por que ele não tinha perguntado antes sobre os homens da raça delas e não suspeitou de nada pela ausência deles, que nunca mais voltariam, já que toda a população masculina morreu há muito tempo. Como isso aconteceu? Voltando no tempo, muitos anos atrás, surgiu uma doença estranha que virou uma epidemia mortal que arrasou com crianças, jovens, adultos e velhos em questão de dias. Exclusiva e estranhamente, só tirava a vida dos homens, sem importar a idade, e elas tiveram que queimar os corpos em fogueiras. Isso foi, sem dúvida, o momento mais difícil, traumático, dramático, deprimente e inesquecível pra cada uma das mulheres, porque elas ficaram viúvas, perderam pais, irmãos e filhos. No caso delas, também pegaram o vírus, mas não a mesma doença; o que elas ganharam foi Uma metamorfose com o tamanho singular, a estatura e o corpo voluptuoso que cada uma poesia, em vez de um desfecho fatal. Antes disso, elas tinham um corpo "normal", mas também houve outros efeitos: o de antienvelhecimento e rejuvenescimento. A característica é que essa mudança corporal nas mulheres acontecia se elas já tivessem 16 anos ou mais. Depois de contrair e passar por essa transformação, elas paravam de envelhecer no máximo aos 40 anos. Embora todas as mulheres presentes parecessem ter a mesma idade, na verdade, entre algumas delas havia uma genealogia de até três gerações: filha, mãe e avó estavam ali, mas pareciam irmãs. E as que ultrapassassem essa idade de quatro décadas ou estivessem na velhice rejuvenesceriam até aparentar essa idade, com um corpo melhor e maior longevidade, exatamente como aconteceu com a líder. Como se sabe, ela é a mulher com mais anos de vida, experiência e, portanto, a mais sábia, por isso recebeu o cargo. Depois de contar a história da tribo, ela informa que ele não precisa mais se preocupar em ser descoberto: na ilha não há outro homem vivo e respirando além dele. Os que estavam antes não restam mais que cinzas. Felipe ainda estava incrédulo, então a líder teve que recorrer a um método que guardou para o final. Ela coloca a mão sobre o cabelo dele, e ambos se olham nos olhos, ficam imóveis assim por vários minutos. Após a troca de olhares, Felipe entrou em um estado de catarse, pois, ao fazer contato visual, conseguiram mergulhar nas memórias um do outro e viram cenas que mostravam o passado de cada um exatamente como os fatos aconteceram em seus respectivos momentos. Depois disso, ambos confirmaram que ninguém mentia, mas não parou por aí: mutuamente, já estavam cientes dos antecedentes. Então chegou o momento de botar as cartas na mesa. Primeiro, elogiaram Felipe pela sinceridade, gabando-o por ser um indivíduo confiável. Agora, Lembraram que ele tinha mencionado que o plano dele era que, assim que as águas se acalmassem, ele navegaria com mais segurança e retomaria a viagem. Não tinha um destino predeterminado, só esperava que, no lugar onde chegasse, no mínimo e no máximo, pudesse confiar na própria sombra — isso já bastaria para se sentir seguro. Em seguida, a líder começa a fazer carinho nele, até segurá-lo nos braços, e pergunta: se, de acordo com esses critérios e condições, a aldeia os cumpre para ser a terra prometida dele. Diz que ele não precisa desconfiar delas, porque enquanto esteve de cama, elas cuidaram dele o tempo todo. Explica que, antes da epidemia surgir, a tribo vivia em extremo conflito, desconfiança e xenofobia mortal contra qualquer um que não fosse nativo da ilha (Felipe se encaixa nessa categoria). Achavam que, se alguém soubesse da existência deles, espalharia a informação, levando a uma possível invasão que poderia desencadear o extermínio da raça — e do qual eles já não estavam tão longe. Daí, chegaram a um assunto mais profundo sobre a situação deles e a importância da presença de Felipe. Não podiam ter feito isso desde o início de forma tão direta e forçada; precisavam convencê-lo de boa vontade, já que ele era só um garoto e também uma pessoa genuína, mas muito sutil no que iam mencionar por último. A líder, agora segurando uma das mãos dele, diz: "Você é a única esperança da nossa raça. Precisa repovoá-la, ou seja, nos reproduzir. Para isso, precisamos de homens e mulheres, e já temos isso." Felipe não ficou mais com nenhuma dúvida, e foi a primeira vez que ele se abalou. Sempre viveu em alerta, algo a que já estava adaptado, mas jamais imaginou, aspirou ou recebeu uma proposta tão sexualmente indecente e explícita, equivalente a uma vida sexual mais que ativa e até superexplorada. E a mulher líder, ao ver... A reação dela com aquilo mostrava que ela estava a uns passos mais perto de executar o plano dela. Então, de ter uma atitude séria, misturada com a de vítima circunstancial, agora ela se mostrava mais sacana, digamos assim. Então, o próximo passo seria o cortejo. Ela se aproxima mais dele, começa a acariciar a bochecha dele e, com um tom de voz mais provocante, diz: "Muito bem, querido. Sua surpresa foi por um motivo, e isso me diz que você sabe do que estou falando. Sei que você é virgem, tanto hétero quanto homossexualmente. Você vai se livrar disso comigo ao anoitecer." Alguém joga a revista, e ela a pega. Continua dizendo: "Vou realizar as fantasias que você teve ao olhar este livro, e não vamos deixar seus fluidos se desperdiçarem. Devíamos ter te encontrado antes. A essa altura, já entendo por que você não se excitou com a gente. Você está em alerta e é estoico o suficiente para reprimir esse impulso. Bem, agora deixa isso sair, não se resista. E se você estava se perguntando por que nós nos seguramos, é pela memória dos nossos filhos e, principalmente, porque eu não dei consentimento a elas. Se não fosse por isso, já teríamos te violentado sem aviso prévio. Estamos sexualmente muito necessitadas de um macho, não importa quem fosse. Isso deixou de importar desde que ficamos sozinhas. Depois disso, cada homem que chegava aqui só encontrava a morte, e não pelas nossas mãos. Não precisávamos mais nos preocupar com quem chegasse. Nenhum viveria para contar a história, muito menos ressuscitaria. Mas você foi a exceção. A vida e o destino te deram algo que muitos desejam. Te colocaram no lugar certo. Talvez porque você não veio com más intenções e renega os seus, como a nossa tribo. Temos isso em comum. Então você chegou ao lugar a que pertencia, mesmo não tendo nascido aqui." As horas passaram, e já tinha escurecido. Colocaram tochas para iluminar. As aldeãs se sentaram umas na frente das outras, formando um círculo. No meio dele, havia... Uma cama, Felipe e a líder usavam colares de flores. O que estava rolando era uma cerimônia e ritual de casamento, a versão nupcial tradicional da tribo, mas com uma variação: estavam fazendo sob a lua cheia. Isso era assim porque marcava a adoção e o reconhecimento de um novo integrante que não era da terra, tipo um processo de naturalização, e pra fertilização rolar de verdade. Depois de fazer os votos e pedidos de casamento, a líder sobe na cama já sem a pouca roupa que cobria ela, fica de quatro e convida Felipe a subir. Os dois já na cama, ela diz: "Por eu ser a líder, tenho a honra e o direito de te desvirgar, mas tenho que deixar você tomar o controle das ações e ditar o ritmo do seu jeito. Eu e qualquer uma de nós somos grandes demais pra você, e não podemos passar da mão. Não podemos arriscar o único homem vivo que nos resta. Agora, talvez sejamos pedófilas, mas nunca necrófilas. Por necessidade, você amadureceu rápido mentalmente, e com a gente vai amadurecer sexualmente pra se tornar um homem completo na sua pouca idade. Então me dá com tudo que você tem." Felipe ainda tava incrédulo, prestes a aproveitar uma bunda enorme que era maior que o corpo dele. E ele foi. Sentiu um formigamento gostoso no pau ao penetrar ela, mas gozou precocemente. Só que, igual quando ele se masturbava, o ânimo subiu de novo. Então cada gozada foi feita e depositada num útero diferente. Naquela noite, ele comeu quantas mulheres conseguiu, fazendo o mesmo daí em diante como um verdadeiro garanhão, todo dia, sempre que ele e as outras quisessem, melhorando com a prática. Felipe ficou feliz e fascinado com o novo lar: comia, dormia, se divertia, tava vivinho e trepando.
Esse era um menino filipino, que vou chamar de Felipe, e como muitos outros, era um moleque de rua, algo típico do seu país. A vida dele não era nada invejável; vivia como um mendigo pedinte, comendo do lixo, até que conseguiu seu primeiro "emprego", meio "autônomo". De vez em quando, recebia tarefas de entregar algo — era droga, mas em quantidades pequenas, combinando com a idade dos seus pequenos distribuidores: Felipe e seus parceiros. Com o pagamento que recebiam, pelo menos dava pra comprar alguma coisa pra comer, mas conseguir um pedaço de comida era quase um milagre ou um luxo, e a única coisa boa que dava pra mencionar. As condições de vida eram desumanas, então a luta pela sobrevivência nas Filipinas começa desde a infância. Esse contexto da realidade era mais do que claro pra Felipe; dava pra dizer que o coração dele talvez não tivesse maldade, mas já não dava mais pra rotular ele como um garoto inocente e ingênuo. Ele tava ligado no cenário cruel ao redor: o vício em drogas, negócios e atividades ilícitas, corrupção, abuso de autoridade e indiferença dos adultos — essas eram algumas das causas ou fatores do déficit de desenvolvimento e consciência social. Esse círculo vicioso se enraizou no coletivo de forma sistemática e teve um impacto que passou de geração em geração. E, ao se espalhar pela população, deixou no caminho uma sociedade hostil e negligente com a infância, o setor mais vulnerável, que desde o nascimento — ou até antes — já carrega esse estigma que vai acompanhar eles a vida toda, sobrando dois caminhos: delinquir pra sobreviver ou se resignar à fome.
Esses antecedentes desencadearam e tiveram um impacto na personalidade e no caráter de Felipe. Ele tava de saco cheio de se rebaixar por migalhas e de todas as contradições que eram impostas, mas essa opressão não foi suficiente pra dobrar a dignidade dele. Coragem e espírito de luta. Como eu disse, desde cedo teve que se desprender da ingenuidade, inocência e insegurança. Mentalmente, ele se transformou num guerreiro formidável e rebelde. No submundo, existe a lei do mais forte, mas ele estava quebrando esse paradigma. Fisicamente, não era nada imponente, mas compensava essa falta com astúcia, planejamento estratégico, cautela e, até certo ponto, estoicismo. Sua forma de agir era muito sofisticada; estava sempre preparado, era muito calculista. Diante do seu ambiente miserável, sempre analisava a situação, raciocinava e executava seus movimentos, sendo estes muito certeiros e eficazes. Um completo audacioso tentando não ser um temerário imprudente. Sempre passava despercebido, ou seja, no caso dele, a malandragem valia mais que a força.
Por outro lado, a favela do Tondo onde ele morava estava cada vez mais sendo tomada por grupos criminosos, e havia uma disputa pelo controle territorial entre gangues rivais. Começou a ter toque de recolher à noite para se esconder e tentar se proteger. Com isso, as coisas começaram a piorar cada vez mais. De tudo o que já foi descrito de negativo e desfavorável, ainda podia cair ainda mais fundo, beirando ou até mesmo desencadeando a anarquia e o caos total, uma desordem desmedida. Ele supôs que sua participação como traficante no varejo de drogas já era mais que suficiente para deixá-lo na mira, além de que a pouca tranquilidade que lhe restava já ia se desvanecer por completo. E lembrou de algo que seria útil e que, mais cedo ou mais tarde, ele colocaria em prática: ele ouvia rumores e também leu numa folha de jornal que encontrou no lixo uma nota sobre as viagens marítimas que muitos dos seus conterrâneos estavam fazendo, fugindo para outros territórios em busca de oportunidades.
Certa vez, à noite, ouviu-se um tiroteio. O motivo: um motim e ataques entre organizações criminosas rivais. Diante desse tipo de incidente, as pessoas, por Senso comum manda correr pra salvar a pele ou se esconder, mas ele, na dele, foi se aproximando na maciota de onde vinha o barulho. Quando chegou, encontrou o que parecia ser um pistoleiro abatido, quase morrendo. Aí ele fez o quê? Saqueou o cara. Roubou a arma com o coldre, dois carregadores cheios de bala, dinheiro vivo e uns acessórios de ouro, coisas de valor. Mas, com esses pertences, teve que vazar da comunidade dele. Com aquele assalto, a área viraria zona de guerra, e os civis, de todas as idades, não escapariam dessa devastação. Resumindo, ele seguiu andando até se enfiar nas cidades da capital, Manila. Já tinha um plano de fuga na cabeça, que ia executar de repente e ainda completar. Entrou numa loja de penhores, apontou a arma pro cara do balcão e explicou que não queria atirar nele, contou os motivos: queria fugir do país. Pediu que o cara desse uma força com equipamento e ferramentas que pudessem ser úteis pra viagem. Assim que entregasse as coisas, ele daria alguns dos acessórios de ouro como pagamento e troca. E, pra informação do sujeito, deixou claro que a arma e as peças eram de um cara que levou tiro, ficou inerte e não precisava mais daquilo, por isso ele roubou pra escapar e investir na viagem, pra não morrer igual ao dono anterior. O cara entregou os bagulhos, ele deixou a joia de lado e vazou da loja na correria. Foi pros mercados de rua comprar comida enlatada e garrafas d'água com o dinheiro que pegou do defunto. Depois, seguiu pro cais. O meio de transporte ia ser um navio de carga de exportação. Conseguiu se infiltrar, subir e se esconder entre os contêineres. Depois de uma ou duas horas, o navião zarpa rio acima. E o Felipe tava numa boa: tinha comida, água, um saco de dormir e, de noite, podia usar o banheiro. Com todo esse conforto, pra ele era tipo viajar num cruzeiro. de luxo, mas uns dois dias depois, à noite, veio uma tempestade com maré alta que parecia um tsunami, e isso fez ele acordar do sonho. Quando se deu conta, mal conseguiu pegar a "cama" dele, e com o balanço, foi parar na borda. A instabilidade fez ele cair e se soltar. Por sorte, a poucos metros abaixo, tinha um bote salva-vidas pendurado, e com o impacto do peso e do equipamento dele, o bote também caiu na água. A mesma coisa aconteceu com alguns contêineres, que foram arrastados pelas ondas imensas a noite toda, sem rumo, até chegarem em terra firme. As próprias ondas os colocaram para fora da água, e Felipe percebeu a situação: parecia que ele tinha ficado encalhado numa ilha deserta. Dentro do bote, ele encontrou o que parecia ser um machado de bombeiro e umas cordas. Viu os contêineres de madeira e, pelo visto, eles tinham comida, frutas. Então, sem mais delongas, teve que se organizar. Sabia que precisava planejar algo para se proteger de possíveis animais selvagens, famintos e carnívoros, que o veriam como presa. Então, teria que tomar medidas para sobreviver, só por precaução. Primeiro, abriu uma das caixas com a ajuda do machado, esvaziou ela e colocou do lado da outra. Revisou e esvaziou a mochila, que era do tipo militar. Além da comida e das garrafas d'água, encontrou uma barraca de acampar, uma faca/machete de sobrevivência e combate, um cantil, uma lanterna, um isqueiro, uma bússola e algo para se entreter, mas inadequado pra idade dele: uma revista playboy com mulheres peladas. Então, planejou uma rotina e um plano de fuga. De acordo com as datas, era temporada de tempestades e chuvas fortes, então ele tinha que esperar até as chuvas pararem, pra que o clima não atrapalhasse a próxima viagem dele, já que tinha arruinado a primeira. Dessa vez, ele errou no cálculo: segundo ele, os polizões ficam no leme do navio e seriam facilmente detectados, mas em temporadas de tempestade, ninguém desconfiaria de viajantes não. autorizados porque isso representaria um risco iminente, então descartariam a presença deles. Felipe, pra não falhar de novo, tinha que zarpar quando as águas acalmassem, já que agora ele tinha um meio flutuante mais leve que podia afundar ou virar com qualquer ondulação, e não dava mais pra se arriscar daquele jeito. A retirada da ilha não podia se prolongar muito; ele sabia que não dava pra sobreviver por muito tempo naquele lugar. Tinha dois contêineres de madeira, além do que estava na mochila, como provisões de comida e algumas reservas de água. Nas condições dele, por ter se perdido, esses suprimentos e os outros objetos mencionados seriam úteis pra eventualmente sobreviver. Vale destacar que, no caso dele, cada um desses itens seria inestimável e indispensável. Durante a estadia, ele mantinha uma rotina simples, já tinha arrumado o abrigo. Durante o dia, comia as frutas que vinham nos contêineres; pela primeira vez na vida, conseguia comer três vezes ao dia. Só bebeu uma garrafa de água, tinha que guardar as outras junto com a comida enlatada pra quando precisasse sair do lugar. O contêiner que esvaziou usaria como um tanque de água da chuva, e o passatempo favorito dele era bater punheta várias vezes ao dia, fantasiando com as mulheres que apareciam naquela revista erótica. Assim ele passou uns dez dias, até que pegou febre por causa do clima chuvoso. Agora passava o dia todo na barraca, de repouso, embora os incômodos fizessem ele perder a noção do tempo, a ponto de ter uma suposta alucinação em que uma cabeça aparecia na barraca dele. Enquanto esteve doente e nos poucos momentos em que acordava, só conseguia notar que estava num lugar tipo uma choça, e não na barraca, e deitado numa cama, não no saco de dormir. Mas não conseguiu ver mais ninguém por perto, então também achou que era um sonho, transe ou alucinação. No fundo, ainda não estava lúcido, e se aquilo era real ou não... Não, por enquanto tanto fazia pra ele. Quando finalmente acordou, já curado, percebeu que não era imaginação: estava dentro de uma choça. Mas a surpresa foi maior quando saiu e viu não só mais dessas casas, mas também seus habitantes. Então sim, ele tinha companhia — eram mulheres, mas com características bem peculiares: embora houvesse dezenas delas, cada uma media uns dois metros de altura, e tinham quadris, bundas e peitos bem avantajados. Pra não ficar enchendo lingüiça, digamos que eram tipo aquelas amazonas ou algo do gênero. E o garoto simplesmente ficou de boca aberta, porque ao vivo e a cores estava contemplando umas gostosas que facilmente ofuscariam as modelos que ele via naquela revista. Mas, como era de se esperar, ele não sabia nada sobre elas e vice-versa. Então foi o primeiro a tomar a palavra. De alguma forma, mesmo todas sendo fisicamente imponentes pra serem mulheres, Felipe não se sentiu intimidado nem desconfiado. Se tivesse topado com homens, mesmo que menores, não teria hesitado em se afastar assim que percebesse. Enquanto tentava conversar com algumas, viu que cada vez mais garotas se aproximavam, até que no meio da multidão surgiu quem parecia ser a líder, e foi ela quem o questionou:
— Forasteiro! Quem é você? De onde saiu? Como chegou até aqui?
— Responda às minhas perguntas e nos conte tudo sobre você.
Ele então se apresentou como Felipe e contou tudo o que já foi descrito até sua chegada à ilha. E agora também fez algumas perguntas a elas sobre como se perderam, há quanto tempo estavam encalhadas na ilha e como o encontraram.
E, pra sua informação, revelaram que, diferente dele, elas são nativas, viveram e viverão a vida inteira na ilha. A aldeia que formam é o lar delas, e ele é o convidado de honra. Quem o descobriu foi a rastreadora da tribo, que sentiu o cheiro dos fluidos dele à distância. No começo, ela pensou que fosse algum... Outro animal no cio, mas o cheiro era diferente, além de que ainda não era bem a temporada de acasalamento. Bom, já tendo ambos as informações que queriam saber, as mulheres prepararam um banquete de boas-vindas, todas saborearam comidas deliciosas, e o garoto se sentiu bem com tanta hospitalidade. Ao terminar o lanche, ele chamou a rastreadora, mas a líder interveio de novo e perguntou pra que ele precisava dela, e ele respondeu que era pra ela guiá-lo de volta ao acampamento que ele tinha montado perto do mar, porque ele não fazia ideia do caminho e nem tava sóbrio quando o trouxeram. Ele não queria se retirar da aldeia por causa delas, mas porque, nas palavras dele, seus companheiros deviam estar "trabalhando" em algum lugar da ilha e podiam voltar a qualquer momento, e não iam gostar de ver um estranho no meio deles. Além disso, por causa das experiências ruins, a vida ensinou ele a não confiar em nenhum homem que não fosse ele mesmo. Então a líder revelou outras coisas, que era o cerne da questão. Primeiro, ela disse que, no critério dela, ele não tava nada errado, mas agora ela entendia por que ele não tinha perguntado antes sobre os homens da raça delas e não suspeitou de nada pela ausência deles, que nunca mais voltariam, já que toda a população masculina morreu há muito tempo. Como isso aconteceu? Voltando no tempo, muitos anos atrás, surgiu uma doença estranha que virou uma epidemia mortal que arrasou com crianças, jovens, adultos e velhos em questão de dias. Exclusiva e estranhamente, só tirava a vida dos homens, sem importar a idade, e elas tiveram que queimar os corpos em fogueiras. Isso foi, sem dúvida, o momento mais difícil, traumático, dramático, deprimente e inesquecível pra cada uma das mulheres, porque elas ficaram viúvas, perderam pais, irmãos e filhos. No caso delas, também pegaram o vírus, mas não a mesma doença; o que elas ganharam foi Uma metamorfose com o tamanho singular, a estatura e o corpo voluptuoso que cada uma poesia, em vez de um desfecho fatal. Antes disso, elas tinham um corpo "normal", mas também houve outros efeitos: o de antienvelhecimento e rejuvenescimento. A característica é que essa mudança corporal nas mulheres acontecia se elas já tivessem 16 anos ou mais. Depois de contrair e passar por essa transformação, elas paravam de envelhecer no máximo aos 40 anos. Embora todas as mulheres presentes parecessem ter a mesma idade, na verdade, entre algumas delas havia uma genealogia de até três gerações: filha, mãe e avó estavam ali, mas pareciam irmãs. E as que ultrapassassem essa idade de quatro décadas ou estivessem na velhice rejuvenesceriam até aparentar essa idade, com um corpo melhor e maior longevidade, exatamente como aconteceu com a líder. Como se sabe, ela é a mulher com mais anos de vida, experiência e, portanto, a mais sábia, por isso recebeu o cargo. Depois de contar a história da tribo, ela informa que ele não precisa mais se preocupar em ser descoberto: na ilha não há outro homem vivo e respirando além dele. Os que estavam antes não restam mais que cinzas. Felipe ainda estava incrédulo, então a líder teve que recorrer a um método que guardou para o final. Ela coloca a mão sobre o cabelo dele, e ambos se olham nos olhos, ficam imóveis assim por vários minutos. Após a troca de olhares, Felipe entrou em um estado de catarse, pois, ao fazer contato visual, conseguiram mergulhar nas memórias um do outro e viram cenas que mostravam o passado de cada um exatamente como os fatos aconteceram em seus respectivos momentos. Depois disso, ambos confirmaram que ninguém mentia, mas não parou por aí: mutuamente, já estavam cientes dos antecedentes. Então chegou o momento de botar as cartas na mesa. Primeiro, elogiaram Felipe pela sinceridade, gabando-o por ser um indivíduo confiável. Agora, Lembraram que ele tinha mencionado que o plano dele era que, assim que as águas se acalmassem, ele navegaria com mais segurança e retomaria a viagem. Não tinha um destino predeterminado, só esperava que, no lugar onde chegasse, no mínimo e no máximo, pudesse confiar na própria sombra — isso já bastaria para se sentir seguro. Em seguida, a líder começa a fazer carinho nele, até segurá-lo nos braços, e pergunta: se, de acordo com esses critérios e condições, a aldeia os cumpre para ser a terra prometida dele. Diz que ele não precisa desconfiar delas, porque enquanto esteve de cama, elas cuidaram dele o tempo todo. Explica que, antes da epidemia surgir, a tribo vivia em extremo conflito, desconfiança e xenofobia mortal contra qualquer um que não fosse nativo da ilha (Felipe se encaixa nessa categoria). Achavam que, se alguém soubesse da existência deles, espalharia a informação, levando a uma possível invasão que poderia desencadear o extermínio da raça — e do qual eles já não estavam tão longe. Daí, chegaram a um assunto mais profundo sobre a situação deles e a importância da presença de Felipe. Não podiam ter feito isso desde o início de forma tão direta e forçada; precisavam convencê-lo de boa vontade, já que ele era só um garoto e também uma pessoa genuína, mas muito sutil no que iam mencionar por último. A líder, agora segurando uma das mãos dele, diz: "Você é a única esperança da nossa raça. Precisa repovoá-la, ou seja, nos reproduzir. Para isso, precisamos de homens e mulheres, e já temos isso." Felipe não ficou mais com nenhuma dúvida, e foi a primeira vez que ele se abalou. Sempre viveu em alerta, algo a que já estava adaptado, mas jamais imaginou, aspirou ou recebeu uma proposta tão sexualmente indecente e explícita, equivalente a uma vida sexual mais que ativa e até superexplorada. E a mulher líder, ao ver... A reação dela com aquilo mostrava que ela estava a uns passos mais perto de executar o plano dela. Então, de ter uma atitude séria, misturada com a de vítima circunstancial, agora ela se mostrava mais sacana, digamos assim. Então, o próximo passo seria o cortejo. Ela se aproxima mais dele, começa a acariciar a bochecha dele e, com um tom de voz mais provocante, diz: "Muito bem, querido. Sua surpresa foi por um motivo, e isso me diz que você sabe do que estou falando. Sei que você é virgem, tanto hétero quanto homossexualmente. Você vai se livrar disso comigo ao anoitecer." Alguém joga a revista, e ela a pega. Continua dizendo: "Vou realizar as fantasias que você teve ao olhar este livro, e não vamos deixar seus fluidos se desperdiçarem. Devíamos ter te encontrado antes. A essa altura, já entendo por que você não se excitou com a gente. Você está em alerta e é estoico o suficiente para reprimir esse impulso. Bem, agora deixa isso sair, não se resista. E se você estava se perguntando por que nós nos seguramos, é pela memória dos nossos filhos e, principalmente, porque eu não dei consentimento a elas. Se não fosse por isso, já teríamos te violentado sem aviso prévio. Estamos sexualmente muito necessitadas de um macho, não importa quem fosse. Isso deixou de importar desde que ficamos sozinhas. Depois disso, cada homem que chegava aqui só encontrava a morte, e não pelas nossas mãos. Não precisávamos mais nos preocupar com quem chegasse. Nenhum viveria para contar a história, muito menos ressuscitaria. Mas você foi a exceção. A vida e o destino te deram algo que muitos desejam. Te colocaram no lugar certo. Talvez porque você não veio com más intenções e renega os seus, como a nossa tribo. Temos isso em comum. Então você chegou ao lugar a que pertencia, mesmo não tendo nascido aqui." As horas passaram, e já tinha escurecido. Colocaram tochas para iluminar. As aldeãs se sentaram umas na frente das outras, formando um círculo. No meio dele, havia... Uma cama, Felipe e a líder usavam colares de flores. O que estava rolando era uma cerimônia e ritual de casamento, a versão nupcial tradicional da tribo, mas com uma variação: estavam fazendo sob a lua cheia. Isso era assim porque marcava a adoção e o reconhecimento de um novo integrante que não era da terra, tipo um processo de naturalização, e pra fertilização rolar de verdade. Depois de fazer os votos e pedidos de casamento, a líder sobe na cama já sem a pouca roupa que cobria ela, fica de quatro e convida Felipe a subir. Os dois já na cama, ela diz: "Por eu ser a líder, tenho a honra e o direito de te desvirgar, mas tenho que deixar você tomar o controle das ações e ditar o ritmo do seu jeito. Eu e qualquer uma de nós somos grandes demais pra você, e não podemos passar da mão. Não podemos arriscar o único homem vivo que nos resta. Agora, talvez sejamos pedófilas, mas nunca necrófilas. Por necessidade, você amadureceu rápido mentalmente, e com a gente vai amadurecer sexualmente pra se tornar um homem completo na sua pouca idade. Então me dá com tudo que você tem." Felipe ainda tava incrédulo, prestes a aproveitar uma bunda enorme que era maior que o corpo dele. E ele foi. Sentiu um formigamento gostoso no pau ao penetrar ela, mas gozou precocemente. Só que, igual quando ele se masturbava, o ânimo subiu de novo. Então cada gozada foi feita e depositada num útero diferente. Naquela noite, ele comeu quantas mulheres conseguiu, fazendo o mesmo daí em diante como um verdadeiro garanhão, todo dia, sempre que ele e as outras quisessem, melhorando com a prática. Felipe ficou feliz e fascinado com o novo lar: comia, dormia, se divertia, tava vivinho e trepando.
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