Coração de Ouro - Parte 6

No domingo à noite, Mario e Betina voltaram de Bragado. Vi ele estacionar a caminhonete, umas dez da noite. Eles se beijaram pra se despedir e cada um foi pra sua casa. Betina largou a bolsa e, sorrindo, me abraçou e a gente se beijou no reencontro. Falei que esquentava algo pra ela comer enquanto me contava como tinha sido.

Minha mulher me disse que tinha gostado de Bragado. Não conhecia e era uma cidade bonita. Lugar legal pra criar filhos, que era uma pena o Mario ter decidido sair de lá. Ela me contou tudo que passearam, da oficina que ele tinha lá, do ajudante que ele deixou no comando. Me contou tudo menos o que não me contou, o que não queria me contar e eu também não queria muito perguntar. Sobre o que deviam ter feito de noite, já de volta no quarto de hotel.

Perguntei sim o que ela achou da primeira experiência sozinha uns dias com o Mario. Não de um jeito sexual, não perguntei assim. Queria saber se ele tinha tratado ela bem, se se deram bem. Ela sorriu pra mim e disse que sim, pra eu não me preocupar. Mario sempre tratou ela muito bem, ela disse, e finalizou com um sorrisinho cúmplice. Fomos deitar nós dois, já pra dormir, e verdade que gostei de ter a Betina de novo nos meus braços. Ela parecia não ter mais problema nenhum em passar tão rápido dos braços do Mario pros meus, aparentemente, porque eu a notava normal. Contente de estar de volta sendo cuidada pelo marido que cada vez era menos marido e mais amigo.

Claro que não transamos naquela noite. Fazia tempo já que eu não transava com ela. Desde que falei que tinha descoberto tudo sobre o negócio com o Mario, a gente não fez mais. Sim, a gente se beijava, se abraçava, o tratamento não tinha mudado, tão carinhoso quanto sempre. E o Mario nunca precisou me falar que eu não podia transar com ela. Jamais me disse. Mas dava pra sentir no ar, se me perguntam, uma vibe em que tava claro que transar com minha mulher já era coisa do passado. Nunca ninguém Ele disse, mas todos nós parecíamos saber de alguma forma. Eu nunca avancei nela exigindo isso, como marido, mas tinha a clara impressão de que, se tivesse feito, ela teria me dado uma desculpa doce. Eu já era marido só no nome. Betina já era, tacitamente, a mulher de Mario.

Quem não teve problema nenhum em me contar as coisas, no dia seguinte, foi o Mario quando veio em casa. Enquanto Betina fazia outra coisa, fomos para o jardim fumar um cigarro e ele logo começou a contar sobre os dois dias que passou com minha esposa em Bragado. Mas o relato dele não focou tanto no turismo, e sim no que rolou a portas fechadas, no quarto do hotel.

"Olha as fotos que tirei da Beti, que gostosa...", ele riu e começou a me mostrar no celular. Eu vi só umas duas, as primeiras que ele mostrou, e já bastou. Não queria ver como eram as outras, sinceramente. Preferi deixar pra minha imaginação, falei. Mario se cagou de rir.
Coração de Ouro - Parte 6


esposaMas a verdade era que Betina estava linda nessas fotos, por mais que doesse naquela parte de mim que ainda restava, a que se importava com essas coisas. Ela parecia feliz, sexy e gostosa na companhia do novo macho dela. Tinha mudado de cara e, apesar de ela nunca ter me dito, nem mesmo quando eu perguntei na cara dura, eu via nos olhinhos dela que ela já amava ele.

Mario me contou tudo de lindo que eles passaram no hotel. Como se divertiram, como se aproveitaram e as putarias que, pelo menos segundo ele, ele tirava da minha mulher. Uma vez e outra. Parece que quando se sentiram sozinhos e tranquilos, sem ter que fazer nada escondido por uns dias, os dois se soltaram bem à vontade nos desejos deles. Não foi difícil imaginar.

Das ferramentas que Mario foi buscar, ele não me contou muito. Não sei se era porque sabia que não me interessava ou se toda a história das ferramentas tinha sido só uma desculpa pra levar minha esposa por uns dias. Não era mentira, elas existiam. Eu vi quando ele descarregou da caminhonete, enquanto Mateo ajudava ele com elas, mas também não era tão necessário que Betina fosse com ele.

Mas como sempre digo, se Betina era feliz, eu era feliz. Éramos felizes todos.

A felicidade, como estava, durou três dias. Uma manhã eu estava tomando café em casa, era mais ou menos cedo, antes de sair com o táxi. Betina atendeu o celular do Mario e começaram a conversar. Como faziam sempre. Mas estranhamente vi Betina ir falando pro quarto, decididamente não querendo que eu ouvisse. Daí a pouco voltou, se vestiu um pouco mais arrumada pra sair e me disse que ia tomar um café com Mario, que ele tinha chamado pra ir desjejuar. Me pareceu incomum, mas falei que eu também já ia, que eles se divertissem. Daí a pouco já vi pela janela ela subir na caminhonete com ele e partiram sei lá pra onde. Eu terminei meu café e saí, pra ir pegar o táxi e começar o dia de trabalho. Foi um dia normal, exceto por uma mensagem à tarde da Betina, dizendo que ia estar na casa dos Tonelli, pra avisar quando eu chegasse em casa.

Voltei no horário de sempre depois do trabalho e, de fato, não tinha ninguém. Fiz um cafezinho e avisei minha mulher que já tinha chegado. Pouco depois ela voltou pra casa junto com o Mario e na hora eu soube que tinha algo errado, pela cara de cu que o cara tava. Me cumprimentando e me encarando bem fixo, com aquele olhar penetrante que ele tinha quando tava meio puto ou alterado.

Ele sentou comigo no sofá e a Betina foi fazer mais café. Bati um papo com ele, sobre tudo e sobre nada, mas eu sentia ele tenso. O tempo todo. A Betina voltou rápido da cozinha e serviu café pra todo mundo, sentando ela também do lado do Mario. Ela também tava bem séria e tensa.

No fim, o Mario falou. Disse que a gente precisava conversar sobre algo e que ele não queria que os meninos estivessem por perto. Que alguma coisa tinha acontecido com o Mateus. Eu engoli seco. Bateu um medo de repente, pensando na hora que ele tinha descoberto o que eu fiz com o filho dele naquela noite. Que, apesar das nossas promessas com o Mateus, de algum jeito o Mario ficou sabendo. Não achava que o Mateus tinha contado algo pro pai dele, mas não sabia o que podia ser.

Mesmo assim, me acalmei um pouco, na hora, pensando que se o Mario tivesse descoberto o que a gente realmente fez, naquela noite na minha cama, ele não teria sentado pra conversar como tava prestes a fazer. Ele teria entrado na porrada comigo, imaginei. Então tinha algo mais estranho do que simplesmente descobrir o que eu fiz com o Mateus por trás disso tudo.

"Escuta uma parada, Nico", começou o Mario, "Aconteceu uma coisa e eu vou assumir, pela Betina aqui presente mais que tudo, que você fez de boa, ok? Sério. Tá tudo certo. Mas a gente precisa ter uma conversa."
Eu olhei pros dois, "Não sei exatamente do que você tá falando."
"Tô falando do Mateus e de Você", ele me disse, me encarando. E eu queria que a terra me engolisse, mas não deixei transparecer. O cara ia falar mesmo aquilo, sério?
"O que foi?", perguntei.
"É isso que quero que você me diga", ele respondeu, dando um gole no café. "Fiquei sabendo por um passarinho que você e o Mateo conversaram no fim de semana. Enquanto a gente tava lá fora."
Dei de ombros, meio sem graça. "Ué, a gente conversa direto com os meninos. Se você não for mais específico..."
"Para com isso, Nicolás", ele disse. "Você sabe do que tô falando."
"Ah, tá, então me explica? Porque eu não sei, não."
"Sei que o Mateo falou com você. Que te perguntou sobre sua orientação e tal", falou Mario.
"Ah, okay, entendi", concordei, meio aliviado. Era ruim, mas não o pior que podia ser.
"Preciso saber o que você disse pra ele e sobre o que conversaram."
"Sério, amor... o Mati é só um garoto...", comentou Betina.

Tomei um gole de café, olhei fixo pro Mario e, com a maior naturalidade do mundo, falei. Disse o que consegui montar de explicação na hora, enquanto ia falando: "Sinceramente, Mario? A gente ficou batendo papo uma noite porque o assunto de vocês dois surgiu."
"De mim e do Mario?", perguntou Betina.
"Ué, amor", falei, "cê acha que os meninos não percebem nada? Que não escutam? Eles são mais espertos do que você pensa."
"E o que você disse pra ele?", perguntou Mario.
Suspirei. "Falei a verdade, Mario... o que você queria que eu dissesse? Que mentisse pro garoto? Disse que você e a Betina tavam juntos agora. E foi aí que ele me perguntou se eu era gay. Você disse pra ele que eu era gay?"
"Sim", ele respondeu, me encarando.
Betina olhou pra ele meio enojada. "Ai, Mario, pelo amor de Deus..."
"Quê, não é? Não é?", perguntou Mario.
"Não, não sou gay, Mario. Sou bissexual. A Betina já sabe, já contei pra ela...", falei, sustentando o olhar pro cara.
"Sim, ele me disse, é verdade... eu já sabia", ela falou.
"Ah, foda-se a diferença. Gay, bissexual...", disse Mario.
"Tem diferença, sim, mesmo que você cague pra isso", falei sério.

Mario ficou Tomou outro gole de café, "E o que mais você disse pra ele?"
Eu dei de ombros de novo, "Nada, isso. Ele me perguntou o que eu achava de vocês. Me perguntou como eu me sentia, com a minha orientação, com o que tava rolando entre vocês dois, isso..."
"Bom, ok, então você me faz um favor, Nicolás?", ele disse, "Não quero que você fale mais com ele sobre isso. Pode ser? Tô te pedindo numa boa."
"Que eu não fale sobre o quê? Sobre vocês dois? É como não falar do elefante no meio da sala..."
"Não. Não. Da sua orientação.", ele falou.
"O que tem eu falar com o Mateo se ele faz umas perguntas bem-feitas porque quer saber que porra tá rolando ao redor dele?", respondi.
Mário me parou com a mão, "Vou falar mais claro? Não quero que ele vire viado, não quero que ele fique curioso, nada disso. Se depois, quando ele for maior, ele quiser, beleza, problema dele. Tudo bem. Mas agora não."
"Ele é só um moleque, Nicolás... pelo amor de Deus. Como é que vão falar dessas coisas...", disse Betina.
Eu suspirei, "Bom... bom... desculpa por não ter querido mentir pra um cara e tratar ele mais ou menos como um adulto. Desculpa."
"Não se faz de otário...", Mário falou, me olhando meio feio.
"Tá bom, Mário. Você é o pai. Se não quer, pronto. Se ele me perguntar alguma outra vez, mando pastar ou não respondo e acabou. Zero problema. Respeito isso", falei.
Mário me olhou e concordou, parecendo se aliviar um pouco com minha resposta, "Perfeito, te agradeço. Então estamos combinados."

Já vi o Mário mais relaxado depois disso. Tomou outro gole de café e vi a Betina pegar na mão dele, doce como ela era, caso precisasse acalmá-lo mais um pouco.
"Tem outra coisa também...", disse Mário.
"Fala..."
Ele olhou pra Betina e depois voltou os olhos pra mim. Ela também me olhava, "Com a Beti a gente conversou hoje. Conversamos muito."
"Sobre o quê?"
"Tudo isso... isso com o Mateo que a gente acabou de falar... nós dois concordamos que deve ser, sei lá, de algum jeito por causa da falta da mãe e tal."
"Coitadinho, Mati... nenê tão doce passar por uma coisa dessas...", acrescentou Betina.
"É possível, sim. Você pensou em algum momento em fazerem terapia? Ele e o Diego?", perguntei.
"Não, a verdade é que não", me disse Mario, "Com a Betina a gente pensou em outra coisa, né?", ele disse e olhou pra ela. Ela concordou em silêncio.
"O que vocês pensaram?"
"É que os meninos tão há muito tempo sem a mãe", disse Mario, "Talvez tudo isso do Mateo e as perguntas dele... talvez ele precise de um pouco de presença materna."
"Claro, sim...", disse Betina.
Eu olhei pros dois, com alarmes silenciosos disparando na minha cabeça, "Quando você diz presença materna...."

Eu esperava receber outra resposta. Eu já tava vendo algo tipo "Os meninos poderiam se mudar pra cá, pra sua casa", algo assim ridículo, mas até que contemplável. Mas eu tinha ficado tão, mas tão aquém.

"A gente pensou que seria bom a Betina passar mais tempo com eles. Principalmente com o Mateo. Talvez tendo uma mulher mais por perto, assim mais tempo... tenho certeza que vai fazer bem pra ele", disse Mario e Betina concordou.
"Vai fazer bem", disse ela.
"Além do mais, uma gostosa linda como a Beti", sorriu Mario dando um tapinha no joelho da minha esposa, que devolveu o sorriso.
"Ai, obrigada..."

Eu não queria imaginar o que inevitavelmente tava imaginando. Não era por ser malicioso, era que todos os caminhos possíveis me levavam à ideia da Betina, eventualmente ou deliberadamente, cuidando sexualmente do Mateo de alguma forma. A ideia do Mario era tirar a bichice do Mateo na base da buceta, basicamente. Tinha muitas interpretações prováveis, sim, mas só essa me pareceu possível.

Fiquei em silêncio por um momento, olhando pra eles. Eles olhavam pra mim. Tomavam café.
"Desculpa", falei finalmente, "Desculpa, não ficou muito claro pra mim..."
"O quê?", perguntou Betina.
"Você concorda com isso? Sério?", perguntei pra minha mulher, quase incrédulo.
"Concordar com o quê?", disse Mario.
"Desculpa, todo mundo tá falando da mesma coisa? Eu entendi direito o que vocês disseram? perguntei. Os dois ficaram em silêncio por um momento.
“Não sei”, disse Mario, “Do que você tá falando? O que você entendeu?”
“Eu entendo que…”, me segurei, tentando encontrar como dizer e não consegui, “Supõe… vamos dar um exemplo, né? Pra ver se eu entendi direito. Supõe que a Betina começa a passar tempo com o Mateo, certo?”
“Ok…”
“E eles ficam grudados o tempo todo. E vamos supor, que não é o caso, mas vamos supor que… falando mal e rápido, o Mateo fica de pau duro. Porque tá com uma mulher gostosa que nem a Betina o tempo todo e porque é um adolescente com suas necessidades e porque sim.”
“Ok…”, repetiu Mario, dando um gole no café.
“Bom, nesse caso, nessa situação, o que acontece se o Mateo fizer alguma coisa?”, perguntei.
“Fizer alguma coisa tipo…?”, perguntou Betina.
Eu suspirei, meio frustrado, “Qual é, love, não vamos brincar. Somos adultos. Fizer alguma coisa tipo a mão escapar. A mão vai longe, te tocar ou querer fazer algo com você.”
“Bom, os garotos podem ser assim, love”, respondeu Betina com uma calma que parecia ensaiada. Isso eles conversaram hoje? Ou já vinham falando sobre isso? “Pode acontecer, sei lá.”
“E então? Se acontecer, o que rola?”, perguntei.
“Bom, aí a Beti vê como resolve”, disse Mario, me encarando. Betina concordou, quietinha.

Olhei pra eles. Eles olharam pra mim. Nós três nos olhamos. Ninguém tava disposto a ser o primeiro a largar a arma na mesa, parecia aquela situação. Ninguém tava disposto a dizer em voz alta a parte que não devia ser lida, mas tava lá. E todo mundo sabia que tava. Pensei no quão doce o Mateo era, no quão sensível por dentro. Foi a primeira coisa que pensei. Claro que se rolasse, a Betina ia tirar dele o pouco ou muito de viado que o garoto tinha. Eu não tinha dúvida nenhuma. Além disso, já sabia que o Mateo tava de olho na minha mulher, não porque era minha mulher, mas porque sim. Por ela ser tão gostosa.

O Mario ia matar a viadagem do filho. Com certeza ele, como pai, já tinha percebido isso há muito tempo, apesar de o Mateo Parecia se cuidar. Ia matar aquela parte dele, tão linda. E o remédio era a Betina. E não tinha nada que eu pudesse fazer pra evitar, sem entregar completamente o Mateo. Sem contar pra eles como ele era lindo, como aquela parte dele era linda. Porque eu teria que explicar como sabia disso. Me deu vontade de chorar, de repente. Pra proteger o Mateo, eu tinha que deixar tentarem matar aquela parte dele que tava começando a florescer agora. Mas eu tinha prometido. Tinha jurado.

Me deu raiva. Me deu nojo. Me deu pena. Me deu tanta raiva que resolvi parar de fingir. E parar de engolir as coisas.

Olhei pros dois, com um olhar seco e meio feio, "Vocês são dois filhos da puta, sabiam, né?"
"Ai, love... que isso...", se surpreendeu a Betina.
"Quando foi que vocês viraram assim, hein? Agora em Bragado? Antes?", falei com raiva.
"Ué, deixa eu ver...", sorriu o Mario, me olhando como se estivesse se divertindo com a minha raiva.
"Você vai deixar o Mateo, se rolar, comer a Betina? Vamos falar claro de uma vez porra. Não aguento mais esse circo todo.", cuspi pra eles. Betina baixou a cabeça, mas o Mario continuava sorrindo, "Por que caralho vocês não falam as coisas como são? Se vão ter coragem de fazer uma parada dessas?"
O Mario riu e deu um tapinha suave no joelho da minha mulher, "Caralho... olha só como o boceta criou uns culhões de repente."
"Vai tomar no cu, otário", falei pra ele.

Ficamos os três em silêncio por um momento, até que o Mario falou pra minha mulher, "Beti, linda... por que você não vai um pouco pra minha casa, hein? Fica com os meninos um pouco."
"Beleza... pode ser...", disse a Betina e se levantou.
"Um tempo longo", completou o Mario, me olhando.
"Vou levar uns biscoitinhos... eles devem estar com fome.", ela disse e foi pra cozinha. Logo saiu com um pote na mão e foi pra casa do lado. Tinha começado. Tinha começado na minha frente.

Fiquei sozinho com o Mario, os dois sentados no sofá. Só nos olhávamos. Vi nos olhos dele um pouco daquele olhar forte que eu tinha visto quando ele esmagado contra a parede daquela vez. No fim, foi ele quem falou: “A gente precisa ter uma conversinha, né, não acha?”
“Sobre o quê?”, eu disse.
Mario riu: “Ficou arisca, hein? Não sabia que você tinha essa faísca dentro. Gostei.”
“Gostou do quê?”, perguntei.
“De te ver assim bravinha”, ele sorriu, “Vem cá…”
“Não”, eu só respondi.
“Vem, vai.”, ele disse e abriu um dos braços, apoiando no encosto do sofá, “A gente vai ter um tempinho gostoso, vem. Assim a gente conversa.”

Eu fiquei sentado onde estava, sem me mexer. Quando ele viu que eu não ia, quem se aproximou foi ele, logo me envolvendo com o braço e me apertando um pouco contra ele: “Por que você fica assim, hein?”
“Porque não gosto quando me tratam feito lixo”, eu disse, “E também não gosto do que vão fazer com o Mateo.”
Mario riu: “Ele vai se divertir… você vai ver.”, ele esfregou um pouco meu ombro.

Apesar da minha raiva, olhei nos olhos dele. De repente me senti cansado. Não fisicamente. Mentalmente. Cansado da situação. Cansado dos sentimentos, da luta. De ter que estar sempre brigando. E o abraço daquele filho da puta me agradou.
“Posso te falar uma coisa séria?”, perguntei baixinho, “Sem zoeira, fora disso tudo…”
Ele me olhou suave enquanto continuava acariciando meu ombro: “Claro. Sempre pode. O que foi?”
“Tô cansado, Mario”, falei baixinho, “Tô cansado de verdade.”
“De quê? Do trampo, do táxi?”
“Não. Cansado disso. Cansado de brigar.”
Ele deu de ombros: “Briga porque quer. Dessa arisca que você é.”
“Você vai parar de me chamar de ‘arisca’, sim?”, franzi a testa. Ele só sorriu e senti que, com um dedo, começou a acariciar meu pescoço no abraço dele.
“Viu? É o que eu digo. Briga e briga e não te leva a lugar nenhum.”

A carícia que ele estava fazendo com o dedo estava despertando sensações dentro de mim que era melhor não investigar. A gente se olhou nos olhos por um momento, eu sem saber o que dizer, e ele… só sorrindo. O que eu sabia o que tinha por trás daqueles olhos penetrantes? Não conseguia não focar nele. carícia, na sensação do braço dele em volta dos meus ombros, e como era gostoso sentir aquilo.
“... sou o marido da Betina, Mario”, falei baixinho.
Ele concordou devagar com a cabeça, sem parar de me tocar, “Sim, mas pode ser mais. Se parar de brigar o tempo todo.”
“E me render...”, falei.
“Não sei se render”, respondeu suave, “Talvez aceitar. Como as coisas são agora. Como poderiam ser.”
“Não sei...”, falei distraído.
“Por que não tenta, pelo menos? Dá uma chance.”
“Tentar o quê?”
Ele me olhou fixo e me deu uma carícia linda, com a mão toda no meu pescoço. Suave, amorosa. Me fez vibrar por dentro, “Tenta aceitar. Tenta parar de brigar e faz o que você quer fazer.”
“Não sei o que quero fazer...”, falei num fio de voz.
“Eu sei sim...”, ele disse.

Mario segurou meu pescoço suave e aproximou minha cabeça da dele. Me deu um beijo lindo, pressionando docemente meu rosto contra o dele. Num segundo eu já tava no céu, respondendo o beijo, sentindo as cócegas que o bigode e a barba dele faziam em volta da minha boca. Nossas línguas começaram a brincar gostoso, a se curtir e se conhecer, e eu gemia meu prazer suave na boca dele. Nos abraçamos assim e seguimos.

Senti a mão dele entre minhas pernas, esfregando e apertando a ereção que já tava dura dentro da minha calça. Ele tirou a boca da minha e começou a beijar e chupar meu pescoço. Não dava pra acreditar como tudo era incrível.
“Mmm... olha como você ficou...”, sussurrou no meu ouvido. A voz suave e grave de homem dele bateu como um choque na minha mente, me fez vibrar de novo. Eu só conseguia gemer, sentindo a enxurrada de emoções que me transbordava e que eu já não conseguia mais controlar. E não queria mais controlar.

Se isso era me render, não sei por que briguei tanto.

Minha mão foi pro volume dele, que também tava tão inchado quanto o meu. Adorei sentir aquela curva suave por baixo do tecido, sinal de como o Mario tava afim de mim também. Com os olhos fechados e entre os beijos e carícias dele, senti ele desabotoar a calça. calça e, com um suspiro de alívio, colocou o pau pra fora. Não precisou me falar nada, nem me pegar pra eu fazer; minha mão sozinha pegou ele e finalmente senti. Era grosso e duro, assim que se sentia na minha mão. E quente, tão quente. Ficava tenso de tesão com minhas carícias. Eu já tinha visto ele uma vez, mas ver e sentir era tão diferente. Mesmo assim, abri meus olhos e, enquanto a cara do Mario estava enterrada no meu pescoço, beijando e lambendo, olhei pra ele.

Que cock linda que ele tinha. E o que a deixava mais linda era minha mão em volta dela. Satisfazendo ela finalmente.
"Mmm… você quer?", senti o sussurro suave do Mario no meu ouvido.
"…sim… sim…", sussurrei de volta.
"Chupa ele pra mim", ele disse, "…a gente tem tempo. Tem tempo de sobra…"

Não precisei de mais convite que isso. Só me inclinei sobre ele, esfreguei um pouco a dureza dele no meu rosto e nos meus lábios e, sem dizer mais que um gemidinho feliz, coloquei ele na minha boca. Uma vez e outra, suave e fundo. Amando ele, provando ele. Mario soltou da boca um gemido suave e longo de prazer que me encantou. Adorei ouvir isso em cima da minha cabeça. Logo senti a mão dele brincando com minha bunda, sentindo e explorando.
"…você gosta, meu amor?", ele falou baixinho e senti a mão dele no meu cabelo, acariciando ali também.
Tirei ele da boca por um momento pra respirar, "…eu amo…", sorri pra mim mesma sem ele ver. Do tesão que tava, continuei dando beijos e lambidas gostosas naquela cock linda, dura e brilhante na frente da minha cara.
"Mmmh. Você chupa muito, muito bem também."
"Você gosta?", virei um pouco a cabeça pra ver ele. Mario sorria pra mim de cima, acariciando minha bunda e meu cabelo.
"Muito."
"Você é lindo…", falei e não soube por que falei isso. Porque saiu naturalmente.

Mario sorriu pra mim e guiou minha boca de volta pra cock dura dele, enchendo ela de novo. Queria que eu continuasse dando prazer pra ele, e era a única coisa que eu queria fazer naquele momento. Chupei ele com amor até ele pressionar minha cabeça, enfiando a cock grossa dele bem fundo na minha boca. Fundo e ali senti ele gozar. Explodir de prazer com um gemido suave, o pau dele duro pra caralho enchendo minha boca de porra quente. Finalmente dando a ele o prêmio dele. Meu prêmio. Mario tinha desabotoado minha calça pra brincar melhor com minha bunda, minhas bolas e meu próprio pau. Eu também não consegui evitar de me masturbar enquanto chupava ele. Gozei junto com ele ao sentir o leite dele me alimentar pela primeira vez.

Me levantei enquanto a gente se recuperava e nos beijamos docemente. Não pareceu importar que minha boca ainda tinha restos e o gosto da porra dele, com certeza. Ele devia fazer isso o tempo todo com a Betina, imaginei.

Depois de um tempinho gostoso de amor, carícias e beijos, ele se levantou e me pegou pela mão, me fazendo levantar também.
"Vem, vamos pro teu quarto", ele disse e me olhou meio hesitante, mas sorriu pra mim, "A gente tem tempo. Temos de sobra."
"Que...", olhei pra ele suave.
Mario sorriu de novo e deu um puxãozinho na minha mão, "Quero te fazer minha também de uma vez, sua putinha.", ele disse e eu quase gozei na alma ali parado ouvindo ele.

O que aconteceu depois, no quarto e na cama, foi tão lindo que não quero contar. Nunca imaginei que tudo ia ser tão intenso. Tão forte, tão doce, tão certo e necessário.

Mario me fez, finalmente, de corpo e mente, a outra mulher dele. E desde aquele momento, não quis ser outra coisa.

1 comentários - Coração de Ouro - Parte 6

Al final termino siendo rolo de marico, viejo tan bien que venías lo echaste a perder con eso.