Antes de sair do apartamento, ajustei o decote no elevador, retoquei o batom vermelho e mandei beijinhos pro meu reflexo pra testar a textura do químico. Mas uma parte de mim — a mesma que usa lingerie por baixo de um moletom — sabia que a distância não era um obstáculo, e sim uma viagem de tesão latente.
O pub era um casarão antigo, restaurado com bom gosto. Muita madeira, lustres de ferro pendurados, paredes de tijolo à vista e tetos altos. Tinha um pátio cheio de luzes de festa, e lá dentro, um balcão comprido, mesas com banquetas e um mezanino pra quem queria “mais intimidade” (tradução: pra se pegar sem que todo mundo veja).
A região era linda. Arborizada, pitoresca, com cheiro de jasmim e de cidade que dorme cedo. Eu não tinha pisado na Zona Sul mais de duas vezes (pra quem não é da Argentina, Zona Sul ou Conurbano é o termo usado pro conglomerado de cidades fora da Capital Federal, em Buenos Aires), mas já sabia que não ia ser a última. O clima do lugar tava quente, tipo uma mistura de vontade acumulada com cerveja artesanal.
A gente sentou com as minas numa mesa alta, do lado de uma janela que dava pro pátio. Eu pedi o de sempre: gin tônica. E sim, de novo comecei sóbria, contida, com as pernas cruzadas feito mocinha comportada. Mas bastaram dois drinks, uma música pegajosa de fundo, e o cabelo solto caindo pelos ombros.
Num desses momentos em que vou ao banheiro sozinha, vi ele. O cafetão.
Tava do lado da porta que dá pro jardim dos fundos, de braços cruzados.
Eu ia andando, leve, meio serpente, meio pantera. E ele me olhou. Mas me olhou de verdade. Como se tivesse passado pela cabeça dele uma lembrança de algo quente ou um sonho molhado com alguém parecida comigo.
E o rosto dele mudou. Passou da pose de segurança corporativa pra uma safadeza suave. Um sorrisinho cúmplice, como se já soubesse do que eu era feita.
Eu, que sou mais filha da puta que uma partida de Jenga num terremoto, parei na frente dele. —Sempre tão sério?
O cara inclinou a cabeça e baixou o olhar pro meu decote, sem disfarçar.
—Depende. Às vezes aparece gente que faz a gente perder a compostura.
—Eu sou “gente”? Que honra. Pensei que era só mais uma no meio da multidão.
—Você…desorganizamonte de gente.
Chau. Aí já começou a pulsar meu clitóris. E não é metáfora.
— Qual é teu nome? — perguntei, me aproximando meio passo.
— Ezequiel. E você?
— Vitória — respondi, inclinando a cabeça, com um tom e sorrisinho de menina safada.
— E hoje quem vai cantar vitória, você ou eu?
Pronto. Chega. Esse filho da puta me venceu em menos de dez linhas de diálogo.
Eu ri. Apoiei a palma da mão na barriga dele — sim, tava dura como pedra — e falei:
— Tô indo no banheiro. Quando eu sair, quero ver se você continua tão seguro de que aguenta o que vem insinuando.
Fui. Molhei o rosto. Me olhei no espelho. Abaixei a saia mais uns centímetros, retoquei o batom.
Saí do banheiro. E lá estava ele. Ezequiel. No mesmo lugar. Mas agora me olhava com aquela intensidade de cara que já tomou uma decisão. Me aproximei.
— Onde a gente poderia conversar… sem testemunhas? — falei, com voz de menina má.
— Segue reto pelo corredor do lado. Tem uma portinha cinza. Tá aberta. Me espera aí que em dois minutos eu vou.
E fui.
Era uma salinha, com um sofá velho e uma luminária pendurada. Nada demais. Mas fechei a porta e soube que a magia não precisava de cenário.
Esperei um minuto. E ele entrou. Firme. Fechou. Me olhou.
— E aí? Vai cantar vitória ou vai pedir socorro? — disse, se aproximando.
— Quem vai pedir socorro é você.
A gente se beijou. Ele me levantou como se eu não pesasse nada. Me encostou na parede e afastou minha calcinha com um dedo. Enfiou devagar. Grande. Quente. Firme. Do jeito que tinha que ser.
Nunca me senti tão pequena nas mãos de alguém. E não tô falando como metáfora poética. Era literal.
Não teve “posso…?”, nem “tá bom assim?”. Nada. Só aquela segurança que os caras que sabem o que tão fazendo têm.
As mãos dele, enormes, me seguravam pelas pernas, abertas dos lados do torso dele. A pélvis dele empurrava contra a minha, e a boca dele procurava meu pescoço com fome. Tava duro. Firme. Quente.
Eu já não falava nada. Só respirava ofegante e olhava pra ele, com aquela mistura de “tô amando” e “me vai te partir no meio".
Ele enfiou a ponta. Devagar. Me deixando sentir cada centímetro.
— Sua puta mãe — sussurrei entre os dentes —. Sempre é tão grande assim ou sou eu que deixo ele tão duro?
Ele riu. Empurrou um pouco mais forte. Me fez gemer.
— É uma ocasião especial. E óbvio que é você que deixa ele assim, putinha.
Começou a me comer no ar. Sim, no ar. Me segurando. Minhas pernas apertavam os lados dele. Ele entrava com força, com ritmo, como se tivesse esperado aquela noite exata pra soltar tudo. A respiração virou um ofego compartilhado. Minhas unhas na nuca dele. A mão dele na minha bunda. O pau dele me preenchendo a cada estocada.
E aí, sem saber por que — talvez pelo coquetel de culpa, tesão e adrenalina —, soltei:
— Tenho namorado.
Ele não parou. Nem piscou.
— Melhor.
— Melhor?
— Sim — disse, com um sorriso que me atravessou os ovários —. Me excita mais quando têm dono. Não sou ciumento.
Pronto. Derreti.
Ele me baixou no chão com cuidado, mas sem perder a firmeza. Deu um tapa na minha coxa que me fez rir. Me girou nos calcanhares. Me encostou na parede, dessa vez de costas.
Tudo com uma decisão viril que me desmontou. Não pediu permissão. Não hesitou. Me posicionou. Me usou. Me adorou.
Eu, com as mãos na parede, me arqueei só um pouco. Senti o ar frio nas costas e o calor do corpo dele atrás. Ele me agarrou pela cintura e enfiou de novo. Dessa vez mais forte. Mais fundo. Mais sujo.
Gritei. Ri. Mordi meu antebraço pra não fazer escândalo.
Olhei por cima do ombro, fiz cara de santinha culpada e falei:
— Meu namorado vai descobrir.
Ele se aproximou do meu pescoço, sem parar de empurrar.
Me agarrou pelo cabelo. Fez um nó com os dedos, como quem trança cordas num barco. Puxou pra trás. Expôs minha garganta, minha nuca, minha alma.
— Agora vou te fazer esquecer que tem namorado.
E fez.
Ele me empurrava com o corpo inteiro. O quadril dele batia na minha bunda com aquele som inconfundível de pele com pele e pecado. Ela me preenchia, me tomava. A mão dela no meu pescoço e minha testa contra o queixo dela, a respiração acelerada esquentando minha cara. Tudo era umidade, força e carne.
Eu perdia o controle das pernas. Cambaleava. Gozava. Sim, gozava em rajadas. Como uma tempestade elétrica dentro da minha buceta.
— Me diz que é minha — ela murmurou, com a voz rouca de quem se segura com dificuldade.
— Sou sua, por esta noite. Mas me faz sentir que não existe mais nada.
Ele investiu com mais força. Tapou minha boca com a mão e me fez gemer contra os dedos dele. Eu gozava a cada movimento. Escorria no pau dele.
—Ahh, que buceta quentinha a sua! Sentia os olhos úmidos. Não de tristeza. De intensidade.
Começou a tremer. Eu, que já conheço essa linguagem da carne quando está prestes a explodir, senti.
As pernas do Ezequiel se moviam em espasmos. Me segurava com mais força, mas perdia o ritmo.
— Tá perto de gozar? — perguntei, ofegante, sabendo que me ouvia mesmo sem conseguir responder.
— Sim… a puta mãe… sim — murmurou, abafado, com a voz grossa de desejo prestes a estourar.
Olhei pra ele por cima do ombro. Vi ele todo tenso, com a mandíbula apertada. E me deu uma vontade de aprontar.
— Me solta — pedi, suave mas decidida.
Ele tirou as mãos da minha cintura. Saí dele com um suspiro longo e molhado. Me virei e fiquei de cócoras. E sem dizer uma palavra, segurei o pau dele, ainda molhado e pulsando, com uma mão. Apontei direto pra minha boca.
Tava com o delineador borrado, o rosto brilhando e a vontade intacta.
Pus a língua pra fora. Esperei ele ali, olhando de baixo, com aquela mistura de puta entregue e rainha do palco.
— Quero ele aqui.
Ele não disse nada. Só um “ufff” contido. Bateu uma nos últimos segundos com a mão sobre a minha. Eu deixei a língua de fora, e ali mesmo vi ele gozar.
Jorros grossos, quentes, sujaram meus lábios, a língua, um pouco a bochecha. Fechei os olhos. Saboreei um pouco, não tudo. Vi ele tremer. Gemeu baixinho com a cabeça baixa e as pernas meio trêmulas.
Quando terminou, eu ainda tava ali, me limpando com os dedos. Enfiei eles na boca. Olhei pra ele. Sorri.
— Gostou do seu final feliz?
— Você não tem ideia — ele respondeu entre risadas, ofegante, com o corpo ainda em choque.
Se abaixou, me ajudou a levantar. Me passou um lenço daqueles que ele tinha no bolso, sei lá por quê.
— Tem um pouquinho aqui… — disse, apontando pro canto do meu lábio.
Peguei o dedo que ele usava pra apontar e passei a ponta dele naquele ponto, arrastando até minha boca. Olhava fixo pra ele enquanto saboreava aquele resto de porra dele.
— Que gostoso...
Nós rimos.
— Você é um caso — ele disse, ainda recuperando o fôlego.
A gente ficou mais uns segundos ali, encostados na parede. Silêncio confortável. Depois me endireitei, arrumei o cabelo como pude, subi a tanga que tava meio amassada no meio das coxas, e passei o batom de novo como se nada tivesse acontecido. Minha cara tava borrada, a bunda ardendo e a alma feliz.
—Bom —falei, puxando o celular—. Hora de voltar pra pista. Minhas amigas devem achar que fugi com o garçom ou algo assim.
—Vai pra casa?
—Sim, de Uber. Vou pro Microcentro. Tenho um namorado que com certeza tá de cueca e com o pau duro, me esperando feito um bom cuck funcional.
Ele riu, mas com respeito. Me olhou como se já soubesse que não ia me ver de novo, mas mesmo assim não se arrependia.
—Foi um prazer, Victoria.
—Foi um privilégio, Ezequiel.
Dei um beijo rápido na bochecha dele —melhor não na boca, por respeito ao Lucas… que irônico, né?— e saí do quarto. As luzes do pátio me bateram de frente. Voltei pra mesa como se tivesse ido lavar as mãos. A Estefânia me olhou com aqueles olhos de “me conta já”.
—E aí? Cadê você tava?
—Me perdi no banheiro e tive que pedir instruções —respondi, tomando um gole da cerveja que tinham pedido.
—E ficou agradecendo —completou a Yamila, minha melhor amiga.
—Claro, rainha. Eu dou os melhores agradecimentos de Buenos Aires.
A gente riu alto, cúmplices, e ficamos mais um tempo. Uma hora, no máximo. Tiramos fotos, falamos um monte de besteira, de homem. Ninguém desconfiou. Ninguém soube. Só eu, com a virilha quente e a lembrança ainda fresca entre as pernas. E nos lábios.
Entramos num Uber. Cada uma pra sua casa.
Eu cheguei no Microcentro depois das três. Subi quietinha, com os saltos agulha na mão. Entrei no apartamento e vi ele: Lucas, no sofá, com a TV ligada e o celular na mão.
Ele sorriu pra mim sem dizer nada. Se aproximou. Me pegou pela cintura. Cheirou meu pescoço.
—Se divertiu?
—Muito mais do que eu imaginava.
—Tá molhada?
—Tô Feito uma bagunça.
Ela se ajoelhou na minha frente. Levantou minha saia. Puxou a calcinha fio-dental devagar. Olhou pra mim.
— Me conta tudo depois. Agora… deixa eu te saborear.
E eu deixei. Porque isso também era amor.
Porque minha história não se define por uma única noite, nem por um único corpo.
E porque eu e o Lucas — por mais estranho que pareça — nos escolhemos assim: com o desejo livre, mas o coração com dono.
O normal, depois de uma noite dessas — com uma calcinha fio-dental deslocada, um drink no corpo e ainda um leve ardor entre as pernas — seria chegar em casa, tirar os saltos, lavar o rosto e me enfiar na cama pra dormir.
Dormir pra baixar a tesão. Pra resetar o corpo. Pra fazer silêncio interno.
Mas com o Lucas isso quase nunca acontece.
Porque o Lucas não é um espectador.
Não é aquele clichê de “o namorado que aceita” como se fosse um otário prestativo que coloca gelo nos meus joelhos enquanto eu conto que acabei de ser comida sem piedade.
Não.
O Lucas me reivindica.
Me pega com vontade. Me devora. Não pra me punir, mas pra me reconectar.
Eu chego em casa, às vezes com cara de cansada, outras com um sorriso de safada satisfeita. Me jogo na cama de bruços e falo:
— Não aguento mais, amor. Tô morta.
E ele, como se já conhecesse o roteiro, sobe em cima de mim. Levanta minha camiseta com os dentes. Puxa meu short ou minha saia, ou levanta meu vestido com uma mão só. Me morde o ombro. Me cheira.
— Dormir? Depois de chegar assim, cheirando a outra rola, com as pernas moles e a cara feliz?
Eu rio, de olhos fechados. Me espreguiço, como se estivesse vencida.
— Sério, amor. Só quero que você me faça uns carinhos. Nada mais.
E aí começa.
Aí o sangue dele pega fogo.
— Carinhos? — ele fala enquanto ri —. Vou te destruir.
Ele tira minha calcinha fio-dental de um puxão. Cheira ela igual um cachorro procurando rastro de criminoso, larga de lado. Abre minhas pernas sem cerimônia. Enfia dois dedos como quem confere que ainda sou dele.
— Olha como você tá — ele fala —. Toda usada. Toda minha. igual.
E isso me mata.
Me mata porque ele não me pune por transar com outro. Ele me escolhe de novo. Me reafirma. Me celebra.
O pub era um casarão antigo, restaurado com bom gosto. Muita madeira, lustres de ferro pendurados, paredes de tijolo à vista e tetos altos. Tinha um pátio cheio de luzes de festa, e lá dentro, um balcão comprido, mesas com banquetas e um mezanino pra quem queria “mais intimidade” (tradução: pra se pegar sem que todo mundo veja).
A região era linda. Arborizada, pitoresca, com cheiro de jasmim e de cidade que dorme cedo. Eu não tinha pisado na Zona Sul mais de duas vezes (pra quem não é da Argentina, Zona Sul ou Conurbano é o termo usado pro conglomerado de cidades fora da Capital Federal, em Buenos Aires), mas já sabia que não ia ser a última. O clima do lugar tava quente, tipo uma mistura de vontade acumulada com cerveja artesanal.
A gente sentou com as minas numa mesa alta, do lado de uma janela que dava pro pátio. Eu pedi o de sempre: gin tônica. E sim, de novo comecei sóbria, contida, com as pernas cruzadas feito mocinha comportada. Mas bastaram dois drinks, uma música pegajosa de fundo, e o cabelo solto caindo pelos ombros.
Num desses momentos em que vou ao banheiro sozinha, vi ele. O cafetão.
Tava do lado da porta que dá pro jardim dos fundos, de braços cruzados.
Eu ia andando, leve, meio serpente, meio pantera. E ele me olhou. Mas me olhou de verdade. Como se tivesse passado pela cabeça dele uma lembrança de algo quente ou um sonho molhado com alguém parecida comigo.
E o rosto dele mudou. Passou da pose de segurança corporativa pra uma safadeza suave. Um sorrisinho cúmplice, como se já soubesse do que eu era feita.
Eu, que sou mais filha da puta que uma partida de Jenga num terremoto, parei na frente dele. —Sempre tão sério?
O cara inclinou a cabeça e baixou o olhar pro meu decote, sem disfarçar.
—Depende. Às vezes aparece gente que faz a gente perder a compostura.
—Eu sou “gente”? Que honra. Pensei que era só mais uma no meio da multidão.
—Você…desorganizamonte de gente.
Chau. Aí já começou a pulsar meu clitóris. E não é metáfora.
— Qual é teu nome? — perguntei, me aproximando meio passo.
— Ezequiel. E você?
— Vitória — respondi, inclinando a cabeça, com um tom e sorrisinho de menina safada.
— E hoje quem vai cantar vitória, você ou eu?
Pronto. Chega. Esse filho da puta me venceu em menos de dez linhas de diálogo.
Eu ri. Apoiei a palma da mão na barriga dele — sim, tava dura como pedra — e falei:
— Tô indo no banheiro. Quando eu sair, quero ver se você continua tão seguro de que aguenta o que vem insinuando.
Fui. Molhei o rosto. Me olhei no espelho. Abaixei a saia mais uns centímetros, retoquei o batom.
Saí do banheiro. E lá estava ele. Ezequiel. No mesmo lugar. Mas agora me olhava com aquela intensidade de cara que já tomou uma decisão. Me aproximei.
— Onde a gente poderia conversar… sem testemunhas? — falei, com voz de menina má.
— Segue reto pelo corredor do lado. Tem uma portinha cinza. Tá aberta. Me espera aí que em dois minutos eu vou.
E fui.
Era uma salinha, com um sofá velho e uma luminária pendurada. Nada demais. Mas fechei a porta e soube que a magia não precisava de cenário.
Esperei um minuto. E ele entrou. Firme. Fechou. Me olhou.
— E aí? Vai cantar vitória ou vai pedir socorro? — disse, se aproximando.
— Quem vai pedir socorro é você.
A gente se beijou. Ele me levantou como se eu não pesasse nada. Me encostou na parede e afastou minha calcinha com um dedo. Enfiou devagar. Grande. Quente. Firme. Do jeito que tinha que ser.
Nunca me senti tão pequena nas mãos de alguém. E não tô falando como metáfora poética. Era literal.
Não teve “posso…?”, nem “tá bom assim?”. Nada. Só aquela segurança que os caras que sabem o que tão fazendo têm.
As mãos dele, enormes, me seguravam pelas pernas, abertas dos lados do torso dele. A pélvis dele empurrava contra a minha, e a boca dele procurava meu pescoço com fome. Tava duro. Firme. Quente.
Eu já não falava nada. Só respirava ofegante e olhava pra ele, com aquela mistura de “tô amando” e “me vai te partir no meio".
Ele enfiou a ponta. Devagar. Me deixando sentir cada centímetro.
— Sua puta mãe — sussurrei entre os dentes —. Sempre é tão grande assim ou sou eu que deixo ele tão duro?
Ele riu. Empurrou um pouco mais forte. Me fez gemer.
— É uma ocasião especial. E óbvio que é você que deixa ele assim, putinha.
Começou a me comer no ar. Sim, no ar. Me segurando. Minhas pernas apertavam os lados dele. Ele entrava com força, com ritmo, como se tivesse esperado aquela noite exata pra soltar tudo. A respiração virou um ofego compartilhado. Minhas unhas na nuca dele. A mão dele na minha bunda. O pau dele me preenchendo a cada estocada.
E aí, sem saber por que — talvez pelo coquetel de culpa, tesão e adrenalina —, soltei:
— Tenho namorado.
Ele não parou. Nem piscou.
— Melhor.
— Melhor?
— Sim — disse, com um sorriso que me atravessou os ovários —. Me excita mais quando têm dono. Não sou ciumento.
Pronto. Derreti.
Ele me baixou no chão com cuidado, mas sem perder a firmeza. Deu um tapa na minha coxa que me fez rir. Me girou nos calcanhares. Me encostou na parede, dessa vez de costas.
Tudo com uma decisão viril que me desmontou. Não pediu permissão. Não hesitou. Me posicionou. Me usou. Me adorou.
Eu, com as mãos na parede, me arqueei só um pouco. Senti o ar frio nas costas e o calor do corpo dele atrás. Ele me agarrou pela cintura e enfiou de novo. Dessa vez mais forte. Mais fundo. Mais sujo.
Gritei. Ri. Mordi meu antebraço pra não fazer escândalo.
Olhei por cima do ombro, fiz cara de santinha culpada e falei:
— Meu namorado vai descobrir.
Ele se aproximou do meu pescoço, sem parar de empurrar.
Me agarrou pelo cabelo. Fez um nó com os dedos, como quem trança cordas num barco. Puxou pra trás. Expôs minha garganta, minha nuca, minha alma.
— Agora vou te fazer esquecer que tem namorado.
E fez.
Ele me empurrava com o corpo inteiro. O quadril dele batia na minha bunda com aquele som inconfundível de pele com pele e pecado. Ela me preenchia, me tomava. A mão dela no meu pescoço e minha testa contra o queixo dela, a respiração acelerada esquentando minha cara. Tudo era umidade, força e carne.
Eu perdia o controle das pernas. Cambaleava. Gozava. Sim, gozava em rajadas. Como uma tempestade elétrica dentro da minha buceta.
— Me diz que é minha — ela murmurou, com a voz rouca de quem se segura com dificuldade.
— Sou sua, por esta noite. Mas me faz sentir que não existe mais nada.
Ele investiu com mais força. Tapou minha boca com a mão e me fez gemer contra os dedos dele. Eu gozava a cada movimento. Escorria no pau dele.
—Ahh, que buceta quentinha a sua! Sentia os olhos úmidos. Não de tristeza. De intensidade.
Começou a tremer. Eu, que já conheço essa linguagem da carne quando está prestes a explodir, senti.
As pernas do Ezequiel se moviam em espasmos. Me segurava com mais força, mas perdia o ritmo.
— Tá perto de gozar? — perguntei, ofegante, sabendo que me ouvia mesmo sem conseguir responder.
— Sim… a puta mãe… sim — murmurou, abafado, com a voz grossa de desejo prestes a estourar.
Olhei pra ele por cima do ombro. Vi ele todo tenso, com a mandíbula apertada. E me deu uma vontade de aprontar.
— Me solta — pedi, suave mas decidida.
Ele tirou as mãos da minha cintura. Saí dele com um suspiro longo e molhado. Me virei e fiquei de cócoras. E sem dizer uma palavra, segurei o pau dele, ainda molhado e pulsando, com uma mão. Apontei direto pra minha boca.
Tava com o delineador borrado, o rosto brilhando e a vontade intacta.
Pus a língua pra fora. Esperei ele ali, olhando de baixo, com aquela mistura de puta entregue e rainha do palco.
— Quero ele aqui.
Ele não disse nada. Só um “ufff” contido. Bateu uma nos últimos segundos com a mão sobre a minha. Eu deixei a língua de fora, e ali mesmo vi ele gozar.
Jorros grossos, quentes, sujaram meus lábios, a língua, um pouco a bochecha. Fechei os olhos. Saboreei um pouco, não tudo. Vi ele tremer. Gemeu baixinho com a cabeça baixa e as pernas meio trêmulas.
Quando terminou, eu ainda tava ali, me limpando com os dedos. Enfiei eles na boca. Olhei pra ele. Sorri.
— Gostou do seu final feliz?
— Você não tem ideia — ele respondeu entre risadas, ofegante, com o corpo ainda em choque.
Se abaixou, me ajudou a levantar. Me passou um lenço daqueles que ele tinha no bolso, sei lá por quê.
— Tem um pouquinho aqui… — disse, apontando pro canto do meu lábio.
Peguei o dedo que ele usava pra apontar e passei a ponta dele naquele ponto, arrastando até minha boca. Olhava fixo pra ele enquanto saboreava aquele resto de porra dele.
— Que gostoso...
Nós rimos.
— Você é um caso — ele disse, ainda recuperando o fôlego.
A gente ficou mais uns segundos ali, encostados na parede. Silêncio confortável. Depois me endireitei, arrumei o cabelo como pude, subi a tanga que tava meio amassada no meio das coxas, e passei o batom de novo como se nada tivesse acontecido. Minha cara tava borrada, a bunda ardendo e a alma feliz.
—Bom —falei, puxando o celular—. Hora de voltar pra pista. Minhas amigas devem achar que fugi com o garçom ou algo assim.
—Vai pra casa?
—Sim, de Uber. Vou pro Microcentro. Tenho um namorado que com certeza tá de cueca e com o pau duro, me esperando feito um bom cuck funcional.
Ele riu, mas com respeito. Me olhou como se já soubesse que não ia me ver de novo, mas mesmo assim não se arrependia.
—Foi um prazer, Victoria.
—Foi um privilégio, Ezequiel.
Dei um beijo rápido na bochecha dele —melhor não na boca, por respeito ao Lucas… que irônico, né?— e saí do quarto. As luzes do pátio me bateram de frente. Voltei pra mesa como se tivesse ido lavar as mãos. A Estefânia me olhou com aqueles olhos de “me conta já”.
—E aí? Cadê você tava?
—Me perdi no banheiro e tive que pedir instruções —respondi, tomando um gole da cerveja que tinham pedido.
—E ficou agradecendo —completou a Yamila, minha melhor amiga.
—Claro, rainha. Eu dou os melhores agradecimentos de Buenos Aires.
A gente riu alto, cúmplices, e ficamos mais um tempo. Uma hora, no máximo. Tiramos fotos, falamos um monte de besteira, de homem. Ninguém desconfiou. Ninguém soube. Só eu, com a virilha quente e a lembrança ainda fresca entre as pernas. E nos lábios.
Entramos num Uber. Cada uma pra sua casa.
Eu cheguei no Microcentro depois das três. Subi quietinha, com os saltos agulha na mão. Entrei no apartamento e vi ele: Lucas, no sofá, com a TV ligada e o celular na mão.
Ele sorriu pra mim sem dizer nada. Se aproximou. Me pegou pela cintura. Cheirou meu pescoço.
—Se divertiu?
—Muito mais do que eu imaginava.
—Tá molhada?
—Tô Feito uma bagunça.
Ela se ajoelhou na minha frente. Levantou minha saia. Puxou a calcinha fio-dental devagar. Olhou pra mim.
— Me conta tudo depois. Agora… deixa eu te saborear.
E eu deixei. Porque isso também era amor.
Porque minha história não se define por uma única noite, nem por um único corpo.
E porque eu e o Lucas — por mais estranho que pareça — nos escolhemos assim: com o desejo livre, mas o coração com dono.
O normal, depois de uma noite dessas — com uma calcinha fio-dental deslocada, um drink no corpo e ainda um leve ardor entre as pernas — seria chegar em casa, tirar os saltos, lavar o rosto e me enfiar na cama pra dormir.
Dormir pra baixar a tesão. Pra resetar o corpo. Pra fazer silêncio interno.
Mas com o Lucas isso quase nunca acontece.
Porque o Lucas não é um espectador.
Não é aquele clichê de “o namorado que aceita” como se fosse um otário prestativo que coloca gelo nos meus joelhos enquanto eu conto que acabei de ser comida sem piedade.
Não.
O Lucas me reivindica.
Me pega com vontade. Me devora. Não pra me punir, mas pra me reconectar.
Eu chego em casa, às vezes com cara de cansada, outras com um sorriso de safada satisfeita. Me jogo na cama de bruços e falo:
— Não aguento mais, amor. Tô morta.
E ele, como se já conhecesse o roteiro, sobe em cima de mim. Levanta minha camiseta com os dentes. Puxa meu short ou minha saia, ou levanta meu vestido com uma mão só. Me morde o ombro. Me cheira.
— Dormir? Depois de chegar assim, cheirando a outra rola, com as pernas moles e a cara feliz?
Eu rio, de olhos fechados. Me espreguiço, como se estivesse vencida.
— Sério, amor. Só quero que você me faça uns carinhos. Nada mais.
E aí começa.
Aí o sangue dele pega fogo.
— Carinhos? — ele fala enquanto ri —. Vou te destruir.
Ele tira minha calcinha fio-dental de um puxão. Cheira ela igual um cachorro procurando rastro de criminoso, larga de lado. Abre minhas pernas sem cerimônia. Enfia dois dedos como quem confere que ainda sou dele.
— Olha como você tá — ele fala —. Toda usada. Toda minha. igual.
E isso me mata.
Me mata porque ele não me pune por transar com outro. Ele me escolhe de novo. Me reafirma. Me celebra.
6 comentários - Comi o segurança e depois a minha mina em casa