O Despertar da Americana - Parte 6

Esse fim de semana prolongado, claro, por motivos mais que óbvios, acabou marcando um antes e um depois na minha vida. Na minha vida sexual, pelo menos. Nesses três dias, alternei momentos que beiravam o êxtase mais libidinoso e puro que uma mulher pode sentir, com alguns outros momentos mais feios que me fizeram sentir mal.

Depois da foda que me deram no mato, à beira da estrada, seguimos viagem. Estávamos todos bem mais calmos e relaxados. Na confiança. Afinal, uma foda sempre quebra o gelo. Depois que aquela tensão sexual que tinha na caminhonete se dissipou, depois de aliviá-la, todo mundo se sentiu melhor. Tudo ficou mais agradável. Já tínhamos nos conhecido da forma mais íntima possível.

Ao chegar em Robles umas duas horas depois, vi que era um povoado quase tão pequeno quanto La Cocha, senão menor. Mas dava pra ver que era bem mais humilde. Não era feio. Não existe povoado feio, todos têm seu charme e suas paisagens. Mas Robles era um povoado de gente trabalhadora. Não tinha casas que se destacassem das outras, e as ruas eram de terra e poeira dura e compacta.

A casa do Carlos era igual a todas as outras. Super humilde, mas bonitinha. Tinha espaço, com uns quartos, uma cozinha que se alargava e também servia de sala de estar, um banheiro e um quintalzinho nos fundos. Não parecia suja, mas dava pra notar que o Carlos realmente não morava ali. Não tinha aquele movimento típico de uma casa habitada permanentemente.

A gente tinha comprado umas comidas e bebidas no armazém da cidade pra passar esses dias lá. Coisas simples pra nos alimentar, só isso, nada de extravagância. O velho me pediu pra arrumar tudo na geladeira e na cozinha, enquanto nossos dois novos amigos se instalavam num dos quartos. Eles iam ficar, me disseram, aquela sexta à noite e a noite de sábado. O domingo até a tarde, quando já teríamos que voltar, eu ia passar só com o Carlos.

Sobre a parte sexual, bom. Foi intenso pra mim. Na real, intenso demais. O resto daquela sexta à tarde não fizemos nada além de nos instalar, relaxar um pouco, tomar chimarrão. Ouvir música e conversar. Eles começaram a beber vinho já no fim da tarde, mas como eu não gosto muito, fiquei na água e no suco. Passavam por mim e me tocavam um pouco, me roubavam um beijo, esse tipo de coisa. Nada além disso.

Mas na hora do jantar já estavam bem altos com o vinho. Ninguém ficou realmente bêbado em momento nenhum, não. Eles tinham uma tolerância com vinho que impressionava, com certeza por terem bebido pesado a vida toda. Mas durante o jantar simples que fizemos e sentamos nos sofazinhos velhos que o Carlos tinha, pra ver um pouco na televisão preto e branco pequena que ele possuía, aí já ficaram um pouco mais intensos. Não o Carlos, ele cuidava de mim. O problema eram os outros dois.

O vinho e a tesão que eles carregavam os deixaram tão insistentes com os comentários de putaria e os amassos que acabaram me excitando também. Ali mesmo na salinha de estar, ajoelhada primeiro na frente de um e depois na frente do outro, dei duas boquetas lindas neles, que eles curtiram tanto quanto eu. Quis fazer no Carlos também, mas ele sorriu e disse que não, que esperava pra depois, já que íamos dormir juntos no quarto dele.

Passou um tempo e eu pensava que entre o vinho, a comida e o prazer que eu tinha dado com minha boca eles já iam estar meio satisfeitos, mas não foi assim. O Quique num momento me pegou pela mão e me levou pro outro quartinho, que ia ser deles. Logo atrás da gente entrou o velho Rubén. Aquele quartinho tinha duas camas de solteiro, quase dois catres com colchão, diferente da cama maior que o Carlos tinha no quarto dele. Me levaram pra uma das caminhas e subimos os três.

Ali eles me comeram gostoso, mas por sorte não os dois ao mesmo tempo. Chupei eles de novo, os dois, o que eu adorava fazer. Um longo E aí, seu ratinho gostoso, enquanto eles passavam a mão em mim por todo lado, me esquentando ainda mais do que eu já tava. O índio véio sentou na cama e me fez continuar chupando e mamando aquela roca grossa e linda, enquanto senti o Quique me pegar por trás e começar a me comer assim. Eu tava explodindo de prazer naquela situação, satisfazendo e sendo satisfeita por dois homens ao mesmo tempo. Sentir aquelas duas rocas duras entrando no meu corpo, pela minha boca e pela minha buceta, era quase sublime. Gozei meio aos gritos junto com o Quique, que se esvaziou de novo dentro de mim, tão docemente.
O Despertar da Americana - Parte 6Me deixaram onde eu tava, do jeito que tava, e eles se revezaram. Quando o Quique ficou na minha frente, eu só satisfazia ele com chupadas e lambidas nos ovos dele, às vezes no pau dele, que ficou duro de novo bem rápido. Senti o Rubén, o índio, querendo meter esse picaço no meu cu, já que eu tava naquela posição, mas ele tava com dificuldade e eu tava reclamando pra caralho. Ele foi pra salinha onde o Carlos tava, pelado assim mesmo, e voltou com o potinho de lubrificante que o Carlos usava comigo no porão do colégio. Parece que, precavido, o Carlos tinha trazido. Depois que o Rubén preparou bem o pau dele, aí sim eu tive bem menos problema e dor. Me segurando firme pelas cadeiras, o índio arrombou bem a minha buceta, comendo ela gostoso e enchendo ela toda com esse pau comprido e largo.

Eu não gozei, mas a sensação de estar tão cheia dele no meu cu era divina. O Rubén não durou muito ali. Parece que minha bunda apertada deu tanto prazer pra ele que logo senti ele me enchendo de porra quente. E nossos gemidos de prazer fizeram o Quique gozar também, na minha boca. O que eu curti sentir o semen quente desses dois, os dois ao mesmo tempo, não tinha nome. Que lindo que me comeram, Deus. E quanto eu aproveitei.

Quando terminou e depois de nos recuperarmos, eles ficaram lá no quartinho deles e eu fui me lavar no banheiro. O Carlos por sorte tinha um chuveirinho pequeno. Não saía muita água, mas deu de sobra pra me higienizar um pouco. Quando saí do banho não vi ninguém. Encontrei o Carlos no quarto dele, já deitado na cama pronto pra dormir. Ele sorriu pra mim e disse pra eu deitar com ele, pra gente dormir junto. Eu sorri pra ele e, tirando da minha bolsa, coloquei uma lingerie linda que eu tinha, que tinha levado pra ele. O velho disse que eu tava gostosa e a gente se beijou um tempão na cama enquanto ele me acariciava. Já com a luz apagada, ele me abraçou por trás e eu amei sentir ele assim. Forte e quente me envolvendo com os braços dele. A gente ficou conversando baixinho no escuro e eu Contei tudo que tinha feito com os outros, mais tudo que fizeram comigo. Claro que senti o pau dele endurecer, encostado nas minhas costas. Ele sussurrou no meu ouvido que eu tinha deixado ele muito excitado e perguntou se eu aguentava mais um dele.

Claro que eu disse que sim. O velho só baixou um pouco minha calcinha e começou a meter o pau dele na minha buceta, mas devagar e gostoso, gemendo baixinho no meu ouvido. Dizendo como eu era linda e como eu o excitava por ser tão puta. Eu derretia sentindo ele assim, com a voz grossa e suave no meu ouvido e o pau grosso dentro de mim. Enquanto me comia, lento e fundo, ele levou aqueles dedos ásperos e começou a esfregar meu clitóris na frente. E eu não aguentei nada. Gozei gostoso e baixinho, me contorcendo de prazer graças ao meu velho safado. Ele não durou muito mais, senti ele acelerar o ritmo e logo ele também estava deixando o leite bem fundo dentro de mim. Misturando com o dos outros dois morenos lá dentro. A gente se beijou mais um pouco e eu dormi assim nos braços dele pela primeira vez, como se fôssemos marido e mulher.

Até hoje, depois de tantos anos, lembro daquela sensação e me arrepio um pouco por dentro.

Mas no dia seguinte foi mais pesado. Bem mais pesado. Desde a manhã que a gente levantou, entre os três homens não me deram muito descanso o dia inteiro. Me usaram como quiseram naquele dia. No começo eu estava encantada. Se não era um, era o outro que já vinha de pau duro. Adorava me sentir tão desejada por aqueles safados. Mas já no fim da tarde eu estava cansada, dolorida e, realmente, totalmente, fodida. Não queria mais e falei pra eles. Tive um pouco de descanso depois de comer e à tarde me tranquei no quarto do Carlos pra tirar uma soneca. Por sorte consegui descansar e relaxar umas três horinhas, mas me acordaram o Quique e o Rubén.

O Carlos tinha saído pra fazer umas compras na cidade e eles aproveitaram. Entraram no quarto dele e me comeram de novo os dois. Por sorte, de novo. Não me penetraram os dois ao mesmo tempo, mas me comeram gostoso e forte como eles faziam, um atrás do outro, enchendo meu corpinho de mais porra ainda. E aí me deixaram lá pra eu me recuperar um pouco.

Quando saí do quarto um tempo depois, o Carlos já tinha chegado. Falei que ia tomar um banho e meu velhinho disse que ele também, pra aproveitar a água. O velho Rubén se juntou a gente também, que queria tomar banho. O que mais lembro dessa rodada no chuveiro, que adorei, foi estar com os dois velhos fortes ali. Debaixo da pouca água que saía, que mesmo assim molhava a gente. Ficar de joelhos no chuveiro na frente dos dois e finalmente, depois de tanto desejar, descobrir como era ter duas picas na boca. Minha buceta satisfez os dois ali também, primeiro um e depois o outro, assim de pé os três debaixo da água.

Um tempo depois me vesti e fui dar uma voltinha sozinha pela cidade. Pra conhecer e pra sair um pouco dali, ficar nem que fosse um tempinho de descanso longe dos três homens. Quando voltei já tava escurecendo e encontrei os três de novo bem animados com o vinho. Fiz uns sanduíches de presunto e queijo com umas bobagenzinhas a mais pra comer, senão ninguém ia comer nada ali. Depois de comer ficamos lá e o Carlos pegou um canal que tava passando um jogo de futebol. Eles ficaram vendo, eu ali também abraçada no Carlos. Não tava muito interessada e logo, pra eu não ficar entediada, me fizeram chupar as picas deles enquanto assistiam o jogo. Fiquei feliz, verdade. Além de adorar mamar paus, pelo menos tava dando um descanso pros meus outros lugares de prazer.

O Quique e o Rubén iam embora no outro dia de manhã cedo, então com a aprovação do Carlos, já na hora de dormir me levaram os dois pro quarto deles de novo pra se dar o gostinho de uma despedida gostosa. Me comeram de novo como vinham fazendo, um atrás de mim enquanto eu tinha o outro na minha boca, satisfazendo eles assim. Mas depois dessa sexo, que curti muito, me fizeram ficar mais um tempinho.
Quando se recuperaram, aí sim me fizeram sentir os dois pauzões duros ao mesmo tempo. Nós três deitamos de lado na caminha estreita. Mal cabíamos os três. Fizeram de mim o presunto daquele sanduíche gostoso de pão com índio e me meteram. Meteram com tudo, forte e pesado, me enchendo como despedida.
E quando descansaram um pouco, tipo meia hora depois, acho que como segunda despedida, o Quique me pôs por cima dele pra eu montar, enquanto o Rubén me comia de novo por trás.
vadiaSim, a sensação de ser penetrada na buceta e no cu ao mesmo tempo era intensa. Muito, mas muito intensa, não só fisicamente. Mentalmente eu tava voando de prazer, sendo usada tão grosseiramente por aqueles dois malditos. Eu amava. Mas ao mesmo tempo era bem doloroso pra mim. Os morenos meteram sem dó, buscando só o prazer deles, enchendo meu corpo de pau marrom e duro, bem até o talo. Primeiro um e depois o outro gozaram dentro de mim. E aí me deixaram assim por um tempo, completamente entupida de pau, enquanto me apalpavam e me lambiam por todo lado, se divertindo comigo entre eles.

Quando eles saíram, me despedi e fui pro banheiro me lavar como dava. Me examinei e me senti. Tinha meus dois buraquinhos bem abertos e não parecia que iam fechar. Eles pulsavam e eu sentia eles doloridos e quentes. Me limpei como pude e fui deitar com o Carlos. Ele já tava dormindo, e quando me deitei com dificuldade ao lado dele, no sono meu velhinho sentiu meu corpo e me abraçou assim, me segurando e me prendendo no braço dele. Eu suspirei, um pouco mais aliviada, feliz de já estar com ele. Demorei um pouco pra dormir por causa da dor e porque não achava uma posição confortável pra minha cintura e minhas costas, mas finalmente consegui.

Por sorte consegui descansar e finalmente dormir bem. Acordei cedo porque o Carlos me acordou sem querer, quando ele se levantou. Tomamos chimarrão na cozinha todos juntos e daqui a pouco o Quique e o Rubén se despediram com uns beijos e uns sorrisos, me dizendo como eu era gostosa e como tinham se divertido. Eu também sorri pra eles. Não podia reclamar de todo o sexo selvagem que aqueles dois me deram, mas também não sorri muito nem fiz a melosa. Não queria provocar mais nada deles.

O Carlos acompanhou eles até fora de casa e ficaram os três conversando um pouco lá, até que os dois morenos foram embora. Iam seguir viagem pra Catamarca capital, de ônibus. O Carlos me perguntou como eu tava e eu disse que bem. Dolorida, mas por dentro. Tudo bem. Ele me deu um beijinho no cabelo e bagunçou ele um pouco com a mãozona dele, de brincadeira.

A gente tinha que voltar pra La Cocha no máximo às quatro, pra ser sincera, pra chegar num horário decente. No outro dia eu tinha aula e ele, o trabalho dele na escola também. Almoçamos cedo e pra passar o tempo ficamos vendo um pouco de televisão na salinha de estar, eu abraçada nele e descansando minha cabecinha ruiva na barriga gostosa dele. O véio num momento me fez uma cosquinha e perguntou se eu não queria transar como despedida. Eu olhei pra ele e pedi por favor que não, que ainda tava meio dolorida. Pensei que ele ia ficar bravo ou falar alguma coisa, que ia ficar decepcionado.

Mas não, ele sorriu pra mim e me beijou a cabeça, dizendo que tava tudo bem. Que bonzão era meu véinho. Mesmo assim, antes de ir embora, ali na sala, dei uma chupada gostosa e muito, muito longa e amorosa no pau dele. De presente e de agradecimento. Isso eu podia fazer por ele.

No caminho de volta pra Tucumán não aconteceu nada estranho. Foi uma viagem normal, onde a gente conversou e se divertiu. Finalmente chegamos nos arredores, bem no começo, da cidade e Carlos me deixou com a caminhonete num lugar um pouco afastado, se certificando de que ninguém ia ver ele me deixar ali. A gente se despediu com um beijo e ele rumou pra escola. Eu pra minha casa.

Ao chegar em casa, cumprimentei meus pais, me forcei a dar um sorriso de muito feliz por ter voltado e de como tinha me divertido. Inventei duas ou três coisas pra contar sobre a feira inexistente que eu tinha ido e pronto. Ficaram contentes que a neném não tinha passado por nada e teve uma aventura legal e decente. Se eles soubessem…

Fui tomar um banho e depois direto pra minha cama, sem jantar. Falei pra eles que não queria, que tava muito cansada. E nos dois dias seguintes, falei pra minha mãe que tava me sentindo mal, com um pouco de febre, que não queria ir pra escola. Ela me deixou ficar em casa, não teve muito problema. Eu precisava descansar, pra ser sincera. Física e mentalmente.

Naquele último ano Meu escolhido, essa não foi a última vez que, com alguma desculpa ou história, viajei pra Robles com Carlos pra passar outro fim de semana prolongado. Por sorte, não de novo com Quique e Rubén, não. Nunca mais vi eles. Fui mais duas vezes pra Robles. Uma vez só com o Carlos, que curti pra caralho, e a última vez com ele e outro amigo dele, de lá da cidade dele. Aí os dois me deram gostoso também. Me fizeram gozar que nem uma porca de verdade. Que nem um bicho no cio. Foram três dias de sexo selvagem, onde meu véio e o amigo dele fizeram comigo praticamente o que queriam. Me deixaram extremamente satisfeita, e claro, eu deixei eles também.

Quando a gente tava voltando dessa última viagem, no entanto, foi que aconteceu uma coisa muito feia, que ninguém esperava e que me tirou a vontade de voltar pra Robles.

A gente vinha voltando na estrada com a caminhonete de boa. Conversando normal. Eu tava com o termo e a gente tava mateando. Não tinha chegado no cruzamento pra Tucumã ainda. Eu tava distraída e ouvi o Carlos falar, "Ué... que que houve, vamo vê..."

Ele tava olhando pra frente na estrada. De longe eu vi também. Parecia um aglomerado de veículos e gente. O Carlos diminuiu um pouco a velocidade e ficou sério.
"Porra, os milico'...", falou baixinho sem parar de olhar.
"São militares?", perguntei tentando ver também.
"É... deve ser uma blitz ou algo. Porra!", falou bravo.

Me deu um arrepio na espinha. Não sabia o que fazer. Se parassem a gente, iam me ver ali e o que a gente ia falar?
"Ai... Ai, meu amor, o que a gente faz? Eu me escondo?", foi a primeira coisa que me veio na cabeça.
"Não... não, gatinha. Se te acharem escondida vai ser pior..."
"O que a gente faz? O que a gente fala?", perguntei com medo.
"Sei lá, sei lá... fala a verdade, não enche o saco desses..."
"Como a verdade, Carlos!", gritei pra ele.
"Calma aí, pô! Não me deixa nervoso", ele falou sem tirar os olhos do que vinha enquanto a caminhonete continuava andando, "Fala a verdade..."

Ele não teve tempo de terminar a frase. porque do nada, atrás da caminhonete, ouvi um motor acelerando e uma buzinada que quase fez o termo cair da minha mão. Era um jipe militar que não sei de onde surgiu, mas encostou do lado do Carlos. Gritavam pra ele parar. Eu comecei a tremer. O Carlos, a xingar. O jipe não saía do nosso lado.
“Fica tranquila, gatinha, fica…”, ele me disse enquanto ia freando.

Na nossa frente, os militares tinham bloqueado a estrada com dois caminhões verdes grandes, daqueles que eles usavam. Deixaram um espaço pra passar um carro de cada vez. Vi uns vinte soldados espalhados pelo posto de controle. Todos com FAL na mão, bem à mostra. O cara que gritava do lado do jipe cansou de berrar e fez sinal pro Carlos seguir em frente com a mão. O velho parou a caminhonete ao chegar no controle. Desceram uns caras do jipe com armas, e uns soldados do posto se juntaram a eles, cercando a caminhonete e olhando pra todo lado.

Um moreno de cabelo bem raspado se aproximou junto com outro parceiro da janela do Carlos.
“Boa tarde, senhor”, disse ele, seco e direto. Tinha um tom muito ruim na voz.
“Boa’…”, respondeu o Carlos, acenando.
“Pra onde o senhor tá indo?”
“Tamo voltando pra La Cocha. Somo’ de lá”, ele disse.
O cara deu uma olhada dentro da cabine, mas só um segundo. Os outros que cercaram a caminhonete continuavam olhando pra todo lado. Até um se abaixou pra olhar por baixo. “Me dá sua carteira de motorista e seu documento. E o documento da moça.”
Quando ele disse isso, eu apertei o termo que segurava na mão, já tava entrando em pânico. O Carlos tirou os documentos do bolso e entregou: “Ela não tem, desculpa.”
“Como assim não tem?”, disse o cara e me olhou. O olhar de filho da puta que ele tinha nos olhos me fez subir outro calafrio pela espinha.
“Digo que não tá com ele. Deixou em casa”, respondeu o Carlos.
“O senhor é o avô?”, perguntou.
“Não, amigo, eu trabalho no colégio Manfredi lá em La Cocha. Ela vai pra escola lá. ‘Tô levando ela em casa…”
O cara continuava me encarando feio, desconfiado de que tinha algo errado, porque realmente tinha algo errado.
“De onde vocês vêm?”, perguntou, passando os documentos do Carlos pro parceiro dele.
“De Robles.”
“E o que faziam lá?”, perguntou o cara.
Carlos deu de ombros de leve, “Ela ‘tava visitando uma amiga, a gente se encontrou e eu falei que trazia ela. Assim ela não precisava pegar o busão, a gata.”
“Desliga o motor e me entrega as chaves”, falou o cara bem seco, “E me espera aqui”.

Carlos fez o que o cara pediu, entregou as chaves e a gente viu ele ir pro posto de controle, com a maioria dos soldados. Em volta da caminhonete tinham ficado uns quatro ou cinco, não sabia, eu não via nem queria virar a cabeça pra olhar. Mais os dois do Jeep que ainda estavam do nosso lado. “Puta que pariu…”, xingou Carlos baixinho. Ele me viu toda cagada de medo, mais pálida que o normal, e deu um tapinha no meu joelho pra me acalmar, “Fica tranquila, princesa. Eles dão uma olhada em não sei o quê e a gente vaza…”

Uns dois minutos longos pra caralho, eternos, depois a gente viu o cara voltar, dessa vez com o parceiro dele e mais um. Ele chegou na janela do Carlos e abriu a porta por fora, “Cavalheiro, desça do veículo com a senhorita. Com todos os pertences na mão”, falou.
“Ué… mas o que que houve, eu…”, protestou Carlos.
“Desçam e nos acompanhem”, falou.

Senti um soldado abrir a porta pra mim. Eu ‘tava com o termo e o mate na mão. Peguei também minha bolsa e desci, vendo o Carlos fazer o mesmo com a bolsa dele do lado. A gente começou a andar com eles na direção do posto. Todos os soldados me olhavam como se pensando que porra essa mina ‘tava fazendo ali, nessa situação. E eles tinham razão. Ainda por cima eu tinha vestido os shortinhos jeans apertados que o Carlos tanto gostava. Como é que os colimbas não iam ficar me encarando. Eu ia colada no Carlos andando, sem coragem de segurar ele pelo braço, mesmo com muita vontade.
Quando chegamos onde estava a maior parte dos soldados, perto dos dois caminhões, nos fizeram separar um pouco. Ninguém me tocava, mas um par ficou do meu lado. O que mandava começou a falar com Carlos a poucos metros de mim, perguntando mais e mais coisas. Um dos soldados estava revistando a bolsa do velho e logo veio outro soldado que tirou a minha da minha mão e abriu, revirando também. Eu não tinha nada, pensava. O que iam encontrar? Minhas coisas de maquiagem, pensei. Meus lenços, minhas coisas…

“Sargento!”, levantou a voz o que estava revistando a bolsa do velho. Ele tirou umas coisas da bolsa do Carlos e, apressando o passo, levou para o que mandava. Quando vi o que era, quis morrer. Quis morrer ali mesmo. O soldado tinha na mão o potinho bem usado do lubrificante que o Carlos usava comigo, e na outra mão um par de revistas pornô do Carlos, que o idiota não quis deixar em Robles.

O Sargento olhou pro Carlos com uma cara de raiva, e depois olhou pra mim do mesmo jeito. Virou pra encarar o velho de novo e gritou: “Negro de merda! O que cê tá fazendo com a garota, hein?”
“Para, eu… não é assim…”
“Fala, porra!”, cuspiu com ferocidade.
“Isso é meu… a menina não tem nada a ver… nem sabia que eu tinha, eu…”, explicou Carlos.
“O que é, uma puta? Hein? Pra onde cê tava levando ela?!”, gritou.
“Mas eu, me escuta, porra!”, disse Carlos, “Já te falei que somos de La Cocha…”

Carlos não terminou de falar e o Sargento deu um soco na barriga dele que quase o dobrou, tirando um pouco do ar e fazendo ele cambalear. Na hora, dois soldados que estavam do lado seguraram ele pelos braços e o mantiveram assim pra ele não se levantar. Eu não consegui evitar dar um grito, de susto e de medo. Senti uma das mãos de um soldado me segurar também, forte no meu ombro.
“Que La Cocha, negro de merda!”, gritou o Sargento, “Cê arrumou uma puta, hein?” “Pra onde você tá levando ela?!”
Ofegando um pouco, Carlos respondeu: “Pra La Cocha, já te falei, porra!”
O Sargento gritou de novo: “Vamo botar sua puta pra atender a tropa aqui! Vai nos fazer um bem…”, ele disse, e minhas pernas começaram a tremer.
Carlos gritou feio: “Não encosta na menina, sua piranha, filho da puta! Vai tomar no cu!”

Um dos soldados deu uma coronhada com o FAL na nuca de Carlos, que quase me matou por dentro de tanta agonia. O som horrível. O jeito que Carlos desabou de joelhos, perdendo a orientação por uns segundos, gemendo de dor.
“Para, não bate mais nele!”, gritei desesperada, quase chorando.
“Cala a boca, você!”, o Sargento me encarou, “Já vai chegar sua vez também, guria!”
“Não bate mais nele!”, gritei de novo, sentindo outro soldado me segurar firme pelo ombro e braço, do meu outro lado.
“Cala a boca, já falei!”, o Sargento rosnou pra mim. Vi ele pegar Carlos pela gola da camisa, pronto pra dar um soco na cara dele, ainda ajoelhado como estava.

Naquela hora, como se fosse providência divina, atrás da gente, depois dos caminhões que bloqueavam a estrada, do lado de Tucumán, ouviu-se uma freada meio brusca. Quando olhei, vi que era outro jipe do Exército, vindo daquele lado. Desceram uns militares. Um era tão velho quanto Carlos, me pareceu. Daquela idade mais ou menos, com um cabelo grisalho bem raspado. Todos se viraram pra ver, menos o coitado do Carlos, e ninguém disse nada.

O grisalho apressou o passo junto com um dos seus capangas. Vinha com uma cara de bosta que dava pra ver de longe. E uma voz de comando que fazia você ficar firme mesmo sem querer. Partiu pra cima do Sargento, que já tinha soltado Carlos e tava olhando ele chegar: “VARELA! Que porra tá rolando aqui!”, gritou.
“Capitão, boa tarde…”, o Sargento começou a falar, mas o outro chegou quase no nariz dele.
“CUMPRIMENTA DIREITO, VARELA, CARALHO!”
O Sargento ficou firme. como um poste e fez a continência: “Sim, meu Capitão.”
“Me explica que merda tá acontecendo aqui!?”, ele rosnou, olhando pra cena e pra mim.
“Meu Capitão… eh… detivemos duas pessoas suspeitas durante a operação de controle…”, começou a explicar.

O Capitão me olhou. Olhou pro Sargento. Me olhou de novo e depois pro Carlos, que já tava voltando bem a si, esfregando o pescoço onde tinham dado a coronhada. Resmungou algo baixo, frustrado, e levantou a voz de novo pro Sargento: “Varela, você é BURRO ou se faz de BURRO?!”
“Não, meu Capitão!”
“Me diga o que a gente tá fazendo aqui?”, perguntou.
“Não entendi…”
“Isso. Me diga o que a gente tá fazendo aqui, Varela? Pra que a gente tá com o controle?”, rosnou o grisalho.
“… Meu Capitão?”, o Sargento olhou duvidoso.
“QUE A GENTE QUER ENCONTRAR, VARELA!!!!”, gritou na cara dele, “Com o controle! O que a gente tá procurando?”
“Guerrilha, meu Capitão!”, respondeu o Sargento.
O velho grisalho franziu a testa: “Ah, muito bem, Varela. Te parabenizo! Leu a ordem! Muito bem!”
“Obrigado, meu Capitão…”
O Capitão até pareceu respirar fundo, entre frustrado e puto: “E você acha que essas duas pessoas são guerrilha?! BURRO!”
“… n-não… não, meu Capitão…”
“Um avô com a neta, Varela!”, disse com raiva, “Tão armados? Tão levando explosivo na camionete de MERDA ali? Tão levando literatura subversiva?!”
“Não, meu Capitão!”
“Então para de encher o SACO! Perturbando assim o povo! BURRO!”, gritou, “Essa gente vai seguir em frente, me ouviu, Varela?!”
“Sim, meu Capitão!”

O Capitão olhou pros soldados do lado do Carlos pra levantarem ele e colocarem de pé. Outros devolveram nossas coisas quase ao mesmo tempo: “Vamo! Vamo! Circulando, vamo!”, disse pra eles.

Nos acompanharam de volta até a caminhonete, enquanto o Carlos, coitado, me abraçava. Eu era a que tava chorando e quem tinha apanhado foi ele. Meu velhinho lindo. Deixaram a gente passar com a camionete e seguimos viagem. A Cocha, com Carlos me abraçando forte enquanto dirigia com uma mão. E eu chorando e tremendo de medo. Agradecendo a todos os santos que não aconteceu algo pior.

Nunca quis voltar pra Robles, como eu disse. E por um bom tempo também não procurei muito o Carlos. Coitado, nada do que aconteceu foi culpa dele, mas a experiência me fez cair um pouco na real do quão arriscado era o que a gente tava fazendo. Tudo o que a gente fez. O milagre que foi nunca ter sido descobertos. Claro que eu ainda queria fazer, precisava fazer, mas minhas atenções de love com o Carlos foram diminuindo. Minhas visitas ao porão dele aos sábados, também.

Já no final do meu último ano escolar, faltando uns dias pra acabar tudo, tive o que foi minha última visita furtiva ao porão num sábado. Foi lindo. De verdade. Aproveitei tanto. E fiz o velho aproveitar também. Não falei que era a última vez, mas no fundo eu sentia. A gente trepou e se amou com paixão. Com a loucura que a gente tinha de fazer tudo aquilo. E os sininhos de prazer que eu sentia quando ouvia ele me chamar de "sua putinha", tocaram naquele dia tão fortes quanto da primeira vez. Ele deixou o leite gostoso dele dentro de mim duas vezes naquele dia. E a gente se despediu com carinho quando fui pra casa.

Logo acabou o ano, me formei no ensino médio e fomos de férias com minha família. Eu já tinha outra vida na cabeça, outros planos, outras coisas. Ia me mudar em algum momento pra San Miguel, pra começar a faculdade na UNT lá. Ia deixar pra trás La Cocha, eventualmente. A escola, minhas amigas. E também, por mais que pesasse no coração, meu velho Carlos. Mas ia embora confortada. Por todos aqueles milagrezinhos que rolaram naqueles quase dois anos de love e sexo com o velho. Bom, com o velho e com outros, mas principalmente com o velho.

Falando em milagres, acho que o maior foi que nunca engravidei, apesar de tudo isso. Carlos, ele dizia, não tinha bala Tá vendo que eu tava certo. Mas e os outros que teve?

Só fui entender o porquê disso tudo anos depois, quando já tinha me mudado pra Buenos Aires. E só fui sacar por que tudo aconteceu do jeito que aconteceu também anos mais tarde, quando voltei pra minha terra naquela vez, quase sem querer.

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