Parte 1http://m.poringa.net/posts/relatos/5949086/Yoga-con-la-mami-del-jardin.htmlparte 2http://m.poringa.net/posts/relatos/5949734/Yoga-con-la-mami-del-jardin-2.htmlparte 3http://m.poringa.net/posts/relatos/5951102/Yoga-con-la-mami-del-jardin-3.htmlparte 4http://m.poringa.net/posts/relatos/5952002/Yoga-con-la-mami-del-jardin-4.htmlparte 5http://m.poringa.net/posts/relatos/5952679/Yoga-con-la-mami-del-jardin-5.htmlparte 6http://m.poringa.net/posts/relatos/5955272/Yoga-con-la-mami-del-jardin-6.htmlparte 7http://m.poringa.net/posts/relatos/5956790/Yoga-con-la-mami-del-jardin-7.htmlparte 8https://m.poringa.net/posts/relatos/5958064/Yoga-con-la-mami-del-jardin-8.htmlparte 9https://m.poringa.net/posts/relatos/5959250/Yoga-con-la-mami-del-jardin-9.Parte 10http://m.poringa.net/posts/relatos/5960561/Yoga-con-la-mami-del-jardin-10.htmlAgustina repetia aquilo em silêncio, como se afirmando pudesse se convencer de que não era paranoia, que não estava exagerando. Fabián tinha voltado de Lisboa diferente. Continuava atencioso, carinhoso até, mas tinha algo sutil, imperceptível pra qualquer um… menos pra ela. Algo tinha mudado no jeito dele tocar ela, no jeito que ria, em como virava o celular quando recebia uma mensagem. Nos primeiros dias, Agustina decidiu não falar nada. Ficava observando. Era o jeito dela de proteger o que tinham: olhar ele com mais atenção, tentar ler nas entrelinhas. Às vezes encontrava ele na sacada, falando no telefone bem baixinho. Outras vezes ele saía “pra fazer uma ligação urgente”, mas fazia da esquina, como se precisasse de distância. Começou a notar que ele apagava mensagens. E quando ela entrava no banheiro enquanto ele tomava banho, o celular tava sempre virado pra baixo. Uma manhã, enquanto Fabián preparava café, Agustina fingiu que tava procurando os fones dela na gaveta da sala. O que ela queria era dar uma olhada no celular que ele tinha deixado em cima da mesa. Agustina sabia a senha dele. Mas não conseguiu desbloquear. Ela sorriu, amarga. — E isso? — perguntou, levantando o celular… Mudou a senha? Fabián nem se abalou. — Tá me revirando o celular — disse, como se nada. — Não, queria reenviar uma foto da nossa filha pra mim. — É só me pedir que eu reenvio. — O que você tá escondendo de mim, Fabián? Achei que a gente contava tudo um pro outro. — A gente conta tudo um pro outro? — retrucou Fabián. — Achei que sim — disse Agustina, mentindo. Pensando no caso dela com Matías. — Cê tá se encontrando com sua colega, não é? A gente tem um acordo, Fabián. — Não vejo a Rochi desde que voltei de Lisboa. Cê vai mesmo fazer uma cena de ciúme? Achei que a gente tava além disso. Agustina ficou olhando pra ele. Não disse nada. Sabia que ele tava mentindo. Naquela noite, não conseguiu dormir. A ideia da Rochi — a coleguinha de trabalho que ele tinha falado por videochamada — voltou na cabeça dela. Será que ele tinha se apaixonado? Todo o tempo que passaram juntos em Lisboa, era tempo o suficiente pra eles se ajeitarem, se conectarem. Mas por que ele esconde isso de mim? A cabeça dela era um inferno de incerteza. Durante três dias, ela fingiu que tava tudo bem. Mas a dúvida crescia e se enfiava no corpo dela como um bicho que não parava de roer os ossos. Até que uma tarde ela ouviu ele sair apressado, dizendo que ia pra uma reunião com uns clientes. Ele entrou no carro e foi embora. Agustina não pensou duas vezes. Pegou um casaco, as chaves, o celular, e desceu pra rua. Seguiu ele no carro dela, tomando cuidado pra não chegar muito perto. Viu ele virar, pegar uma avenida, parar na porta de um hotel discreto em Palermo. Estacionou na garagem do fundo. Agustina ficou parada no carro dela. Não conseguiu distinguir a mulher que se encontrou com ele. Só viu um perfil rápido. Cabelo preso. Nada mais. Era ela, não tinha dúvida. O coração dela batia que nem um tambor. Não sabia o que tava fazendo, mas sabia que não conseguia parar. Esperou cinco minutos. Dez. Depois desceu do carro e caminhou decidida até o hotel. Entrou. O lobby tava quase vazio. Fingiu que tava procurando uma amiga e se mandou pelo corredor dos elevadores. Subiu. No terceiro andar, conseguiu ver eles entrando num dos quartos. Pra surpresa dela, a porta não tava bem fechada. O quarto tava escuro, mal iluminado pela luz que passava pelas cortinas mal fechadas. Agustina entrou em silêncio e, sem fazer barulho, se enfiou no banheiro. Se trancou. O coração explodia no peito dela. Não sentiu culpa, uma parte dela dizia que isso era só mais um jogo. Um deslize daqueles que Fabián depois ia contar pra ela.
Pela fresta minúscula do ventiluz do banheiro, dava pra ver parte do quarto. Um canto da cama. Uma cadeira. E de repente, ela viu: Fabián. Semidespido, acariciando o corpo da Rochi. Eles se moviam como se o tempo não existisse, como se tivessem se desejado por séculos. Agustina não conseguia parar de olhar. O tesão, a dor, a atração, o medo. Tudo se misturava num turbilhão insuportável que a pregava no chão frio do banheiro. Ela mal respirava. Pela fresta do ventiluz, via uma faixa da cama e uma parte do corpo de Fabián: seus quadris, suas mãos agarradas com fome, seus movimentos — intensos, ritmados, como se o tempo tivesse se dissolvido naquele desejo descontrolado. O voyeurismo a excitou. Dava pra ver que a Rochi tava entregue. Ela gemia num tom baixo, profundo, como se saísse do fundo da barriga. O rosto não dava pra ver, mas ela tinha o cabelo preso, umas pernas macias, firmes, que se enroscavam nas dele. Agustina mordia a própria mão pra não fazer barulho. O coração batia nas têmporas, os olhos ardiam. Mas o pior era o que ela sentia mais embaixo. Uma parte dela, traiçoeira e brutal, ardia de tesão. Aquela visão — Fabián se entregando, os corpos entrelaçados, o som molhado e ritmado da cama — tocava fibras que ela não queria reconhecer. O tesão a corroía. Era como estar presa num pesadelo erótico, onde ela não conseguia parar de olhar e alguma coisa no corpo dela respondia. Sentiu calor entre as pernas. Como se uma faísca interna estivesse consumindo ela por dentro. Ela se odiou por isso. Se sentiu suja, confusa. Mas não conseguia se mexer. As mãos de Fabián naquele corpo — a intensidade, o desejo animal — arrastavam ela pra um lugar escuro, primitivo. Ela queria odiar ele. Queria chorar. Ela sabia o que era ser desejada daquele jeito. Parte dela, num canto cego da consciência, se perguntou como foi, o que aconteceu que não era ela quem ocupava o lugar daquela mulher, queria gemir assim, que ele comesse ela daquele jeito, como antes. Com aquela forma que ele segurava ela pelas... quadris, como se não conseguisse se desgrudar. A mesma que um dia a fez sentir única, desejada, indispensável. E agora ela via aquilo de fora, como uma intrusa. Como uma exilada do próprio passado. O coração pulsava nas têmporas, os olhos ardiam. Aquela visão — Fabián entregue, os corpos entrelaçados, o som molhado e ritmado da cama — tocava fibras que ela não queria reconhecer. Pelo ângulo estreito da janelinha, viu como Fabián a pegava por trás. A mina se agarrava com força à cabeceira da cama, enquanto ele a macetava com fúria ritmada, quase selvagem. Os gemidos ficavam mais agudos, mais animalescos. Cada batida de quadril fazia o colchão tremer e a cabeceira bater na parede. A cena era pornográfica, real, cruel… e absolutamente hipnótica. Agustina prendeu a respiração. “O filho da puta tá comendo ela gostoso”, pensou, e sentiu um calor insuportável entre as pernas. O corpo tremia, e não era só pela dor. Era desejo. Um desejo que ela não queria sentir. O peito subia e descia rápido, e sem pensar, a mão dela desceu. Com dedos trêmulos, deslizou pra dentro da calça e tocou a umidade que a denunciava. Fechou os olhos por um instante, mordendo o lábio até quase sangrar. Se odiou por fazer aquilo, por não conseguir parar. Era tipo uma febre. O som do corpo de Fabián batendo contra a Rochi — os ofegos, a respiração cortada dos dois, os xingamentos carinhosos que ele murmurava enquanto dava tapas na bunda dela com uma mão — a levavam pra outro lugar. Um onde ela tantas vezes tinha estado. Mas também um lugar sujo, escuro, cheio de contradições. Ela se esfregou na buceta em silêncio, tentando não gemer, tentando não chorar. Se esfregou com vontade. As emoções se misturavam: raiva, dor, tesão, solidão. Que tipo de pessoa ela era por estar ali, escondida, se masturbando? A mina gemeu alto, se arqueou debaixo dele, e Agustina tremeu junto com ela. Gozaram quase ao mesmo tempo. Passada a euforia, ela continuava pensando: O que a Rochi oferecia pra ele? A coleguinha. A gostosa que dava em cima. A que tinha deixado ele cego. Por que ele escondia ela? O idiota teria se apaixonado? Talvez. Era uma traição, sim, mas não fazia sentido. Por que ele não esclarece? Ela seria capaz de entender… Algo não batia. De repente, uma dúvida a corroeu. O corpo. O jeito de se mexer. Aquela tensão no pescoço quando se arqueava. O modo como falava entre os dentes com Fabián, sussurrando algo que ele respondia com um sorriso — um sorriso que Agustina conhecia bem: o sorriso de Fabián quando estava completamente entregue, apaixonado. Uma dúvida atravessou o peito dela como um relâmpago. Por um momento, quis ir embora. Abrir a porta, fugir. Fingir que nunca esteve ali. Que não sabia de nada. Mas não conseguiu. Chegou mais perto do basculante. Apertou os olhos. A mulher virou levemente o rosto e, por um segundo, uma fração mínima do perfil ficou exposta à luz fraca que entrava pela janela no fundo do quarto. E então ela a reconheceu. O mundo desabou. Não era a Rochi. Clara. A respiração de Agustina cortou de uma vez. Não conseguia processar. Era como se a mente dela recusasse o que os olhos estavam dizendo. Não podia ser a Clara. Ela, não. A amiga dela, não. A mulher com quem tinha dividido jantares, brincadeiras de crianças, confissões íntimas, segredos. A cama. O marido dela. Não a mãe com quem tinha construído uma cumplicidade silenciosa. E mesmo assim, lá estava ela. Clara. Nos braços de Fabián. Gemendo o nome dele como se fosse a salvação. Agustina cambaleou. Se segurou na pia. Uma náusea tomou conta. Quis gritar, mas a garganta travou. A cena continuava na frente dos olhos dela, cruel, erótica, devastadora. Cada segundo que passava era uma facada. Fabián beijava ela como não beijava Agustina há muito tempo. Clara falava coisas no ouvido dele e ele ria, entre ofegos, como se fosse livre, como se aquele encontro fosse o único que ele tinha esperado todo esse tempo. Agustina não aguentou mais. Abriu a porta do Banho de luz. O quarto se encheu de claridade. A reação foi imediata: Clara se cobriu com o lençol e soltou um grito abafado. Fabián se virou, desorientado, com o torso nu e a respiração ofegante. — Agustina? — sussurrou. Ela ficou parada na frente deles, inteira, partida. O silêncio foi eterno. — Por que esconderam isso de mim? — perguntou. A voz dela era baixa, serena, mas carregada de algo que doía mais que raiva: decepção. Clara chorava, em silêncio. Não dizia uma palavra. — Por quê? Fabián quis se aproximar. — Não chega perto. Quero saber. — Porque a gente se ama — disse Clara por fim, com a voz trêmula, quase inaudível. Agustina sentiu uma onda de frio subir pelas costas. — A gente não parou desde Tigre — completou Fabián, olhando nos olhos dela, com uma mistura de culpa e entrega. — Achei que me afastar ia adiantar. Fui pro outro lado do mundo pra evitar isso. Achei que ia conseguir esquecer ela. Mas não consigo. A gente não consegue. O silêncio os envolveu de novo. Agustina olhou pra eles. Pra Clara, encolhida entre os lençóis. Pra Fabián, tão exposto, tão distante. Não gritou. Não chorou. Não disse nada. Só olhou. Como se, ao olhar, pudesse absorver toda aquela dor de uma vez, como se precisasse encarar aquilo pra saber que era real. E então entendeu. O amor tinha vencido. Sim. Mas não pra ela. Epílogo A foto com Matías vazou e explodiu como uma bomba. Primeiro foi um burburinho entre os pais. Depois, escândalo. Escola, redes sociais, famílias destruídas. Ninguém quis ouvir explicações. Só julgar. Agustina sumiu em menos de um mês. Vendeu o apartamento, pediu demissão, trocou de número. Se instalou numa cidade litorânea com a filha. Borrão e recomeço. Quase como se nunca tivesse existido. Fabián viaja a cada duas semanas pra ver a filha. Diz que não se arrepende de amar a Clara, mas sim de como tudo terminou. Não deu certo. O negócio deles queimou como um incêndio… e se apagou tão rápido quanto. Não sobreviveram às consequências. Aos boatos. A foto já era escândalo demais e respingava em Fabián também. Marco, em silêncio, se afastou da Clara depois de um tempo. Tentou se aproximar da Agustina, mais por nostalgia do que por amor. Mas ela já não tava mais pra joguinhos. Nem pra feridas velhas. Agora ela mora perto do mar. Anda com a filha dela na praia toda tarde. Não olha pra trás. Não escreve. Não responde. Mas tem noites em que o vento sul traz ecos de uma vida que ardeu como nenhuma outra. E mesmo doendo, também lembra que ela ainda tá viva. FIM. OBRIGADO A TODOS QUE LERAM, AVALIARAM, COMENTARAM E CURTIRAM ESSA HISTÓRIA. JÁ TÔ PENSANDO NA PRÓXIMA. COMO SEMPRE, ACEITO IDEIAS. VOCÊS SÃO MINHA MOTIVAÇÃO E INSPIRAÇÃO.
Pela fresta minúscula do ventiluz do banheiro, dava pra ver parte do quarto. Um canto da cama. Uma cadeira. E de repente, ela viu: Fabián. Semidespido, acariciando o corpo da Rochi. Eles se moviam como se o tempo não existisse, como se tivessem se desejado por séculos. Agustina não conseguia parar de olhar. O tesão, a dor, a atração, o medo. Tudo se misturava num turbilhão insuportável que a pregava no chão frio do banheiro. Ela mal respirava. Pela fresta do ventiluz, via uma faixa da cama e uma parte do corpo de Fabián: seus quadris, suas mãos agarradas com fome, seus movimentos — intensos, ritmados, como se o tempo tivesse se dissolvido naquele desejo descontrolado. O voyeurismo a excitou. Dava pra ver que a Rochi tava entregue. Ela gemia num tom baixo, profundo, como se saísse do fundo da barriga. O rosto não dava pra ver, mas ela tinha o cabelo preso, umas pernas macias, firmes, que se enroscavam nas dele. Agustina mordia a própria mão pra não fazer barulho. O coração batia nas têmporas, os olhos ardiam. Mas o pior era o que ela sentia mais embaixo. Uma parte dela, traiçoeira e brutal, ardia de tesão. Aquela visão — Fabián se entregando, os corpos entrelaçados, o som molhado e ritmado da cama — tocava fibras que ela não queria reconhecer. O tesão a corroía. Era como estar presa num pesadelo erótico, onde ela não conseguia parar de olhar e alguma coisa no corpo dela respondia. Sentiu calor entre as pernas. Como se uma faísca interna estivesse consumindo ela por dentro. Ela se odiou por isso. Se sentiu suja, confusa. Mas não conseguia se mexer. As mãos de Fabián naquele corpo — a intensidade, o desejo animal — arrastavam ela pra um lugar escuro, primitivo. Ela queria odiar ele. Queria chorar. Ela sabia o que era ser desejada daquele jeito. Parte dela, num canto cego da consciência, se perguntou como foi, o que aconteceu que não era ela quem ocupava o lugar daquela mulher, queria gemir assim, que ele comesse ela daquele jeito, como antes. Com aquela forma que ele segurava ela pelas... quadris, como se não conseguisse se desgrudar. A mesma que um dia a fez sentir única, desejada, indispensável. E agora ela via aquilo de fora, como uma intrusa. Como uma exilada do próprio passado. O coração pulsava nas têmporas, os olhos ardiam. Aquela visão — Fabián entregue, os corpos entrelaçados, o som molhado e ritmado da cama — tocava fibras que ela não queria reconhecer. Pelo ângulo estreito da janelinha, viu como Fabián a pegava por trás. A mina se agarrava com força à cabeceira da cama, enquanto ele a macetava com fúria ritmada, quase selvagem. Os gemidos ficavam mais agudos, mais animalescos. Cada batida de quadril fazia o colchão tremer e a cabeceira bater na parede. A cena era pornográfica, real, cruel… e absolutamente hipnótica. Agustina prendeu a respiração. “O filho da puta tá comendo ela gostoso”, pensou, e sentiu um calor insuportável entre as pernas. O corpo tremia, e não era só pela dor. Era desejo. Um desejo que ela não queria sentir. O peito subia e descia rápido, e sem pensar, a mão dela desceu. Com dedos trêmulos, deslizou pra dentro da calça e tocou a umidade que a denunciava. Fechou os olhos por um instante, mordendo o lábio até quase sangrar. Se odiou por fazer aquilo, por não conseguir parar. Era tipo uma febre. O som do corpo de Fabián batendo contra a Rochi — os ofegos, a respiração cortada dos dois, os xingamentos carinhosos que ele murmurava enquanto dava tapas na bunda dela com uma mão — a levavam pra outro lugar. Um onde ela tantas vezes tinha estado. Mas também um lugar sujo, escuro, cheio de contradições. Ela se esfregou na buceta em silêncio, tentando não gemer, tentando não chorar. Se esfregou com vontade. As emoções se misturavam: raiva, dor, tesão, solidão. Que tipo de pessoa ela era por estar ali, escondida, se masturbando? A mina gemeu alto, se arqueou debaixo dele, e Agustina tremeu junto com ela. Gozaram quase ao mesmo tempo. Passada a euforia, ela continuava pensando: O que a Rochi oferecia pra ele? A coleguinha. A gostosa que dava em cima. A que tinha deixado ele cego. Por que ele escondia ela? O idiota teria se apaixonado? Talvez. Era uma traição, sim, mas não fazia sentido. Por que ele não esclarece? Ela seria capaz de entender… Algo não batia. De repente, uma dúvida a corroeu. O corpo. O jeito de se mexer. Aquela tensão no pescoço quando se arqueava. O modo como falava entre os dentes com Fabián, sussurrando algo que ele respondia com um sorriso — um sorriso que Agustina conhecia bem: o sorriso de Fabián quando estava completamente entregue, apaixonado. Uma dúvida atravessou o peito dela como um relâmpago. Por um momento, quis ir embora. Abrir a porta, fugir. Fingir que nunca esteve ali. Que não sabia de nada. Mas não conseguiu. Chegou mais perto do basculante. Apertou os olhos. A mulher virou levemente o rosto e, por um segundo, uma fração mínima do perfil ficou exposta à luz fraca que entrava pela janela no fundo do quarto. E então ela a reconheceu. O mundo desabou. Não era a Rochi. Clara. A respiração de Agustina cortou de uma vez. Não conseguia processar. Era como se a mente dela recusasse o que os olhos estavam dizendo. Não podia ser a Clara. Ela, não. A amiga dela, não. A mulher com quem tinha dividido jantares, brincadeiras de crianças, confissões íntimas, segredos. A cama. O marido dela. Não a mãe com quem tinha construído uma cumplicidade silenciosa. E mesmo assim, lá estava ela. Clara. Nos braços de Fabián. Gemendo o nome dele como se fosse a salvação. Agustina cambaleou. Se segurou na pia. Uma náusea tomou conta. Quis gritar, mas a garganta travou. A cena continuava na frente dos olhos dela, cruel, erótica, devastadora. Cada segundo que passava era uma facada. Fabián beijava ela como não beijava Agustina há muito tempo. Clara falava coisas no ouvido dele e ele ria, entre ofegos, como se fosse livre, como se aquele encontro fosse o único que ele tinha esperado todo esse tempo. Agustina não aguentou mais. Abriu a porta do Banho de luz. O quarto se encheu de claridade. A reação foi imediata: Clara se cobriu com o lençol e soltou um grito abafado. Fabián se virou, desorientado, com o torso nu e a respiração ofegante. — Agustina? — sussurrou. Ela ficou parada na frente deles, inteira, partida. O silêncio foi eterno. — Por que esconderam isso de mim? — perguntou. A voz dela era baixa, serena, mas carregada de algo que doía mais que raiva: decepção. Clara chorava, em silêncio. Não dizia uma palavra. — Por quê? Fabián quis se aproximar. — Não chega perto. Quero saber. — Porque a gente se ama — disse Clara por fim, com a voz trêmula, quase inaudível. Agustina sentiu uma onda de frio subir pelas costas. — A gente não parou desde Tigre — completou Fabián, olhando nos olhos dela, com uma mistura de culpa e entrega. — Achei que me afastar ia adiantar. Fui pro outro lado do mundo pra evitar isso. Achei que ia conseguir esquecer ela. Mas não consigo. A gente não consegue. O silêncio os envolveu de novo. Agustina olhou pra eles. Pra Clara, encolhida entre os lençóis. Pra Fabián, tão exposto, tão distante. Não gritou. Não chorou. Não disse nada. Só olhou. Como se, ao olhar, pudesse absorver toda aquela dor de uma vez, como se precisasse encarar aquilo pra saber que era real. E então entendeu. O amor tinha vencido. Sim. Mas não pra ela. Epílogo A foto com Matías vazou e explodiu como uma bomba. Primeiro foi um burburinho entre os pais. Depois, escândalo. Escola, redes sociais, famílias destruídas. Ninguém quis ouvir explicações. Só julgar. Agustina sumiu em menos de um mês. Vendeu o apartamento, pediu demissão, trocou de número. Se instalou numa cidade litorânea com a filha. Borrão e recomeço. Quase como se nunca tivesse existido. Fabián viaja a cada duas semanas pra ver a filha. Diz que não se arrepende de amar a Clara, mas sim de como tudo terminou. Não deu certo. O negócio deles queimou como um incêndio… e se apagou tão rápido quanto. Não sobreviveram às consequências. Aos boatos. A foto já era escândalo demais e respingava em Fabián também. Marco, em silêncio, se afastou da Clara depois de um tempo. Tentou se aproximar da Agustina, mais por nostalgia do que por amor. Mas ela já não tava mais pra joguinhos. Nem pra feridas velhas. Agora ela mora perto do mar. Anda com a filha dela na praia toda tarde. Não olha pra trás. Não escreve. Não responde. Mas tem noites em que o vento sul traz ecos de uma vida que ardeu como nenhuma outra. E mesmo doendo, também lembra que ela ainda tá viva. FIM. OBRIGADO A TODOS QUE LERAM, AVALIARAM, COMENTARAM E CURTIRAM ESSA HISTÓRIA. JÁ TÔ PENSANDO NA PRÓXIMA. COMO SEMPRE, ACEITO IDEIAS. VOCÊS SÃO MINHA MOTIVAÇÃO E INSPIRAÇÃO.
7 comentários - Yoga com a mãe gostosa do jardim (final)
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Esperando el próximo como a la 2da temporada del Eternauta
tremenda historia, muy poetico todo.
"vuelve Agus, Willy te ama"!!!
van puntos! 🫶