Meu nome é Gabriel, mas todo mundo me chama de Gaby. Tenho 41 anos e faz uns 6 que sou divorciado. Minha ex-mulher, Diana, é brasileira e depois da separação decidiu voltar pro país dela, deixando nossa filha, Noelia, comigo.
A separação não foi fácil. Não tanto por causa da Diana, mas por causa da Noelia. Se arrastou muito por causa dela. Na real, a gente já tava bem separado de fato, mesmo que os papéis ainda não tivessem sido assinados. A Diana, claro, tinha a ideia de levar a Noelia com ela pra morar no Brasil. E, por mais triste que me fizesse sentir, eu também achava que o lugar da minha filha era com a mãe, onde quer que fosse.
Mas a Noelia não queria nem saber de se mudar pra outro país. Ela tinha onze anos na época e lembro que ela falou com a gente dois um dia sobre isso. Com uma maturidade que surpreendeu nós dois. Ela disse que não queria nem saber de ir pro Brasil, que ela tinha a escola dela, os amigos, as amigas, e a vida dela aqui. Que aqui ela gostava. Nunca ligou muito pro fato de metade da ascendência dela ser brasileira. Nunca deu muita bola pro país, pra cultura e nem aprendeu muito português, apesar dos esforços da Diana. A Noelia simplesmente não queria.
No final, a gente decidiu entre todos que ela ia ficar em Buenos Aires comigo. Ela veria a mãe com frequência, claro, a gente ia ver como dividir os tempos, bancar as viagens e todos os detalhes. Mas a decisão tava tomada.
A Noe é uma menina linda. A carinha dela era muito parecida com a da mãe, que sempre me encantou como mulher. Tinha aqueles traços lindos de morena brasileira bem gostosa. Era menina, muito menina, com um cabelo preto comprido e liso. Normalmente não tinha o tom de pele café com leite da Diana, mas bastava pegar um sol que ela bronzeava rápido e a pele ficava com aquela cor doce e macia.
Desde os onze anos, então, foi quando Diana voltou pro Brasil dela e a Noelia passou a morar em casa comigo. Ela passa os verões no Brasil com a mãe e, de vez em quando, se a gente consegue bancar, também as férias de inverno no meio do ano. Agora já tem dezessete anos e tá toda uma mocinha. A convivência só nós dois, sem a Diana, no começo não foi fácil, porque minha ex-mulher era quem cuidava de tudo em casa. Nem eu nem a Noelia sabíamos fazer muito mais que um ovo frito, mas fomos nos ajudando e aprendendo a manter o novo lar. Eu tinha me mudado pra um apartamento no bairro de Palermo, mas não numa das áreas mais caras, nem perto. Era residencial e a gente vivia bem.
Sempre tivemos muito carinho um pelo outro, eu e a Noelia, ela sempre foi mais apegada a mim do que à mãe, vai saber por quê. Os filhos sempre puxam pra um lado ou pro outro, é assim. Hoje em dia, realmente, me custa acreditar que a garotinha que eu vivia carregando no colo se transformou de repente numa jovem mulher. Eu sei que não foi "de repente", foram passando muitos anos, mas pra mim pareceu só uns meses.
Aos dezessete dela, então, foi quando começou toda essa confusão dessa história. Eu nem vi chegando e muito menos imaginei como ia terminar. Mas tô me adiantando um pouco.
Sinto que tenho que esclarecer uma coisa logo de cara, porque é importante e não quero que interpretem errado. Vou falar na lata – eu sempre fui apaixonado pela minha filha. Além, quero dizer, do amor que qualquer pai pode sentir. Tô falando sexualmente. Mas nunca encostei um dedo nela, nem faria isso. Não me perguntem quando começou minha atração por ela. Provavelmente quando ela começou a ficar mais crescida e a gente já morava sozinho. No começo, foi difícil entender o que tava rolando comigo. Não sentir nojo, apesar da insistência desses sentimentos que vinham à tona. Não queria me afastar dela ou me afastar, forçando Noelia a sentir vergonha pela perversão e pelo problema que era meu. Não era justo.
Fiz terapia por um tempo, comecei num momento difícil da minha vida há alguns anos, quando por estresse, pela situação financeira, pela solidão que sentia sem ter uma parceira… várias coisas se juntaram para que esses sentimentos e ideias que eu tinha em relação à Noelia aflorassem com mais força. E, sinceramente, me deu medo. Tive medo de mim mesmo, de que aquilo escapasse do meu controle e que um dia eu fizesse alguma coisa.
Por sorte, a terapeuta que encontrei era boa e me entendeu perfeitamente. Ela disse que não era incomum às vezes sentir essas coisas. Me ajudou a entender e a aceitar essa parte de mim, desde que eu a mantivesse sob controle e nunca transformasse esses desejos em realidade. Que eu os mantivesse sublimados, não ignorados, mas bem controlados. Que talvez com o tempo Noelia fosse sair de casa para viver a própria vida e eu não a teria mais ao lado o tempo todo, com aquele rosto que me lembrava tanto o da Diana, e não teria a tentação permanente do dia a dia.
Os conselhos da terapeuta me ajudaram, sim, me ajudaram bastante, mas só até certo ponto. Esses sentimentos e ideias que me envergonhavam nunca foram embora de verdade, e devo admitir que mais de uma vez, nos meus momentos de tesão mais forte… mais de uma vez pensei na minha filha enquanto me masturbava sozinho no silêncio do meu quarto. Minha atração por ela não era algo que me atormentava, mas era algo que eu sempre tinha presente. Como um animal que eu precisava domar constantemente para continuar sendo um bom pai para ela e uma pessoa decente.
Para mim, até aquele momento do fim da adolescência dela, ela ainda era minha filhinha. A menina. Claro que eu via como ela tinha crescido tanto e já era uma jovem mulher, mas eu ainda a sentia claramente como minha filhinha de sempre. Minha princesa.
Foi de repente que descobri o quanto eu estava enganado e o quão errado estava vendo as coisas. Foi aí que começou tudo. A menina tinha sumido há um tempão e eu era o idiota que, consciente ou inconscientemente, não enxergava isso.
Depois da minha separação com a Diana, vendi o apartamento onde a gente morava e consegui comprar um menor pra Noelia e pra mim em Palermo. Foi aí que conheci o Enrique, o porteiro do prédio. A verdade é que a gente se deu super bem de cara. Desde o primeiro dia que eu tava me mudando, carregando nossas coisas.
Era um cara careca, cinquentão e bem gordo, mas não daqueles com obesidade mórbida. Dava pra ver que era robusto e forte. Um sujeito sólido que me levava meia cabeça, fácil, e olha que nem preciso falar da largura, porque eu sou bem magrinho. Parecia ter pelo no corpo inteiro, pelo que dava pra ver escapando de baixo dos botões das camisas de manga curta que ele usava, ou por baixo das mangas.
O Enrique tava sempre de bom humor e se dava bem com todo mundo. Sempre batendo papo com algum vizinho, soltando uma piada ou algo assim. E a verdade é que ele é um porteiro muito bom também. Tem jeito pra consertar qualquer coisa no prédio ou no apartamento de alguém. A maioria dos vizinhos gosta muito dele. Eu também, claro. Logo viramos amigos e ficávamos conversando várias vezes no hall do prédio quando eu voltava do trabalho e ele tava lá. Sobre qualquer coisa. Coisas do prédio, do trampo, de política, de futebol. Não importava.
Com a Noelia também se dava bem, mas não por nada macabro que vocês possam imaginar. Era porque ele se dava bem com todo mundo. A Noelia naquela época era uma das meninas vizinhas do prédio, como tinha tantas outras, e ele tratava todas igual, com bondade e confiança.
Assim foi passando nossa vida e os anos morando lá no prédio. Com momentos bons e ruins, como todo mundo, mas tudo bem. Quando a Noelia fez dezessete, no entanto, foi que começaram a rolar coisas estranhas. Eu não sou o cara mais esperto do mundo, reconheço, mas até eu percebia. conta.
É difícil de explicar, realmente não sei como fazer. A relação e o tratamento da Noelia com o porteiro nunca mudaram. Sempre foi o mesmo. Sempre. Não consigo apontar um momento ou uma coisa específica que possa indicar e dizer, por exemplo, "Ah, aqui está.. Foi isso que o cara ou ela fez". De jeito nenhum. Pelo menos até aquele momento eu não conseguia apontar. Nas vezes que eu saía ou entrava no prédio com a Noelia e a gente cruzava com o Enrique, o bom tratamento e os cumprimentos eram os mesmos de sempre. Ou às vezes quando o Enrique batia na minha porta pra me avisar algo, ou vir em casa arrumar alguma coisa. Nada tinha mudado. No entanto, eu notava algo estranho. Principalmente nela, mas depois, prestando mais atenção, também vi nele.
Eles se olhavam demais, talvez seja a melhor descrição. Ou se olhavam estranho.
No começo, eu arquivei na minha cabeça como algo normal. Um cara qualquer que por acaso olha pra uma mina gostosa. O fato de ser minha filha não mudava nada. Não me irritava, muito menos. Também não podia ficar puto com cada cara na vida que olhava pra minha filha. Não dei mais bola que isso e, pra ser sincero, até ficava feliz de ter uma filha tão gostosa que os caras olhavam.
Arquivei, até que não consegui mais arquivar por causa da frequência com que parecia estar notando. Ela não dizia nada, o Enrique, claro, também não. Ali não tava rolando absolutamente nada, mas por baixo da superfície eu já tinha a impressão de que tinha algo. Talvez fossem só besteiras ou ideias minhas. Mas… o outro lado da moeda era que talvez não fossem e realmente tivesse algo. Me parecia estranho, mas não podia descartar a possibilidade.
Eu tinha certeza, certeza absoluta, de que o Enrique não tinha feito nada com a Noelia, claro. Não era esse tipo de pessoa, de jeito nenhum. E além disso, se tivesse acontecido algo, o que fosse, a Noelia teria me contado na hora se tivesse incomodado ela. A gente tinha muita confiança e eu sempre falei pra ela que se algum cara enchesse o saco dela em algum momento em que me dissesse imediatamente. Então não podia ser.
Mas se não podia ser nada, então o que era?
A ideia começou a me corroer a cabeça. Por semanas. Por sorte, naquela época eu passava bastante tempo em casa, trabalhava remoto três dias por semana. Isso me tranquilizava porque a Noelia em casa continuava igual, normal como sempre. Indo pra escola, fazer algum recado, visitar ou receber alguma amiga. A vida normal de uma garota da idade dela. E o Enrique também, eu via ele sempre.
Nada tinha mudado, mas eu sentia que, por algum motivo, sensação ou pressentimento, tudo tinha mudado. Não sabia o que era e me fodia demais. Cada vez mais. Não queria confrontar a Noelia porque ia parecer um perseguido e paranoico, acusando ela de qualquer coisa sem razão. E muito menos falar algo pro Enrique. Se tinha escapado alguma coisa pra ele uma vez pra Noelia ou o que fosse, também não é pra acusar um cara assim do nada de algo tão grave sem provas.
Sem falar que se a gente chegasse a brigar e trocar porrada, o Enrique ia me partir em seis pedaços e me jogar no lixo. É brincadeira, tô zoando, o Enrique não é um cara violento, mas perfeitamente tem força pra fazer isso se quisesse.
Quanto mais eu pensava nisso tudo e mais queria me convencer de que era tudo coisa da minha cabeça, sempre surgia algo que me fazia pensar que não. Algum detalhe, algum olhadinho a mais entre os dois, algum "bom dia" dito um pouco mais meloso… a esse tipo de merda minha cabeça tinha chegado.
Fiquei assim por semanas, sem exagerar. Já dava pra perceber que eu não tava tranquilo na maior parte do tempo, mas a Noelia nunca me disse nada. Por sorte, porque eu não saberia como explicar por que me sentia assim. Por fim, uma noite de insônia não aguentei mais. Sabia que o que ia fazer era realmente uma bosta, sabia. Sabia que tava muito errado, mas já não aguentava mais. Eram umas três da manhã já. A Noelia dormia no quarto dela tranquilamente, ela tinha o sono pesado.
Eu estava assim, porque naquela tarde eu notei a Noelia meio estranha. Ela tinha voltado de fazer umas compras e eu vi que, estranhamente, ela tinha se trancado no quarto dela, sem falar nada nem dar nenhuma explicação. Às vezes ela fazia isso, claro. Às vezes queria ficar sozinha com as coisas dela, mas dessa vez me chamou muito a atenção. Não percebi ela brava nem nada. Normal, mas ela se trancou. Eu tava trabalhando no meu computador, então não dei muita bola, mas ficou na minha cabeça o tempo todo que ela passou no quarto até sair, normal como sempre, pra seguir com a nossa rotina de todo dia.
Eu sabia que alguma coisa tinha acontecido, eu sentia, e se ela não ia me contar nada, então, por mais chato que fosse, eu tinha que dar uma olhada no celular dela. Não tenho orgulho de admitir que fiz isso, não é nada legal, mas não tinha outra alternativa pra começar a desembolar o que tava rolando. Me aproximei com cuidado da mesinha de cabeceira, peguei o celular dela e levei pro meu quarto, pra fuçar sossegado. Ela tinha senha, mas eu sabia. Ela também sabia a senha do meu, pra qualquer emergência.
Pensei que ia encontrar qualquer outra coisa. Algo normal. Que ela tinha discutido ou brigado com alguma colega da escola, ou que tinha tirado uma nota ruim ou levado uma advertência, o que era raro. Ou talvez tivesse começado a sair com algum garoto e não tinha me contado ainda e algo tinha acontecido. Mas nunca pensei que ia dar de cara com o que encontrei no celular dela.
Na escuridão do meu quarto, meus olhos foram direto pra aquela conversa. Foi magnético.




Fiquei absolutamente chocado ao ler tudo aquilo. Não era o fato de ela ter o Enrique nos contatos, isso eu já sabia. Tanto a Noelia quanto eu estávamos no grupo dos vizinhos, junto com o porteiro. Mas aquela conversa, mesmo não explicando tudo, explicava tanta coisa… Na solidão do meu quarto escuro e no silêncio da noite, mandei os prints de todo aquele chat pro meu e-mail pra guardar e ver com calma depois. Apaguei as cópias que tinham ficado nas fotos do celular e, com cuidado, voltei pro quarto da Noelia, deixando o telefone dela exatamente como estava.
Devo admitir que não dormi naquela noite. Não preguei o olho. Tenho muita vergonha de dizer isso, mas passei a noite lendo e relendo os prints do chat no meu e-mail. E, claro, me masturbando feito uma besta.
A separação não foi fácil. Não tanto por causa da Diana, mas por causa da Noelia. Se arrastou muito por causa dela. Na real, a gente já tava bem separado de fato, mesmo que os papéis ainda não tivessem sido assinados. A Diana, claro, tinha a ideia de levar a Noelia com ela pra morar no Brasil. E, por mais triste que me fizesse sentir, eu também achava que o lugar da minha filha era com a mãe, onde quer que fosse.
Mas a Noelia não queria nem saber de se mudar pra outro país. Ela tinha onze anos na época e lembro que ela falou com a gente dois um dia sobre isso. Com uma maturidade que surpreendeu nós dois. Ela disse que não queria nem saber de ir pro Brasil, que ela tinha a escola dela, os amigos, as amigas, e a vida dela aqui. Que aqui ela gostava. Nunca ligou muito pro fato de metade da ascendência dela ser brasileira. Nunca deu muita bola pro país, pra cultura e nem aprendeu muito português, apesar dos esforços da Diana. A Noelia simplesmente não queria.
No final, a gente decidiu entre todos que ela ia ficar em Buenos Aires comigo. Ela veria a mãe com frequência, claro, a gente ia ver como dividir os tempos, bancar as viagens e todos os detalhes. Mas a decisão tava tomada.
A Noe é uma menina linda. A carinha dela era muito parecida com a da mãe, que sempre me encantou como mulher. Tinha aqueles traços lindos de morena brasileira bem gostosa. Era menina, muito menina, com um cabelo preto comprido e liso. Normalmente não tinha o tom de pele café com leite da Diana, mas bastava pegar um sol que ela bronzeava rápido e a pele ficava com aquela cor doce e macia.
Desde os onze anos, então, foi quando Diana voltou pro Brasil dela e a Noelia passou a morar em casa comigo. Ela passa os verões no Brasil com a mãe e, de vez em quando, se a gente consegue bancar, também as férias de inverno no meio do ano. Agora já tem dezessete anos e tá toda uma mocinha. A convivência só nós dois, sem a Diana, no começo não foi fácil, porque minha ex-mulher era quem cuidava de tudo em casa. Nem eu nem a Noelia sabíamos fazer muito mais que um ovo frito, mas fomos nos ajudando e aprendendo a manter o novo lar. Eu tinha me mudado pra um apartamento no bairro de Palermo, mas não numa das áreas mais caras, nem perto. Era residencial e a gente vivia bem.Sempre tivemos muito carinho um pelo outro, eu e a Noelia, ela sempre foi mais apegada a mim do que à mãe, vai saber por quê. Os filhos sempre puxam pra um lado ou pro outro, é assim. Hoje em dia, realmente, me custa acreditar que a garotinha que eu vivia carregando no colo se transformou de repente numa jovem mulher. Eu sei que não foi "de repente", foram passando muitos anos, mas pra mim pareceu só uns meses.
Aos dezessete dela, então, foi quando começou toda essa confusão dessa história. Eu nem vi chegando e muito menos imaginei como ia terminar. Mas tô me adiantando um pouco.
Sinto que tenho que esclarecer uma coisa logo de cara, porque é importante e não quero que interpretem errado. Vou falar na lata – eu sempre fui apaixonado pela minha filha. Além, quero dizer, do amor que qualquer pai pode sentir. Tô falando sexualmente. Mas nunca encostei um dedo nela, nem faria isso. Não me perguntem quando começou minha atração por ela. Provavelmente quando ela começou a ficar mais crescida e a gente já morava sozinho. No começo, foi difícil entender o que tava rolando comigo. Não sentir nojo, apesar da insistência desses sentimentos que vinham à tona. Não queria me afastar dela ou me afastar, forçando Noelia a sentir vergonha pela perversão e pelo problema que era meu. Não era justo.
Fiz terapia por um tempo, comecei num momento difícil da minha vida há alguns anos, quando por estresse, pela situação financeira, pela solidão que sentia sem ter uma parceira… várias coisas se juntaram para que esses sentimentos e ideias que eu tinha em relação à Noelia aflorassem com mais força. E, sinceramente, me deu medo. Tive medo de mim mesmo, de que aquilo escapasse do meu controle e que um dia eu fizesse alguma coisa.
Por sorte, a terapeuta que encontrei era boa e me entendeu perfeitamente. Ela disse que não era incomum às vezes sentir essas coisas. Me ajudou a entender e a aceitar essa parte de mim, desde que eu a mantivesse sob controle e nunca transformasse esses desejos em realidade. Que eu os mantivesse sublimados, não ignorados, mas bem controlados. Que talvez com o tempo Noelia fosse sair de casa para viver a própria vida e eu não a teria mais ao lado o tempo todo, com aquele rosto que me lembrava tanto o da Diana, e não teria a tentação permanente do dia a dia.
Os conselhos da terapeuta me ajudaram, sim, me ajudaram bastante, mas só até certo ponto. Esses sentimentos e ideias que me envergonhavam nunca foram embora de verdade, e devo admitir que mais de uma vez, nos meus momentos de tesão mais forte… mais de uma vez pensei na minha filha enquanto me masturbava sozinho no silêncio do meu quarto. Minha atração por ela não era algo que me atormentava, mas era algo que eu sempre tinha presente. Como um animal que eu precisava domar constantemente para continuar sendo um bom pai para ela e uma pessoa decente.
Para mim, até aquele momento do fim da adolescência dela, ela ainda era minha filhinha. A menina. Claro que eu via como ela tinha crescido tanto e já era uma jovem mulher, mas eu ainda a sentia claramente como minha filhinha de sempre. Minha princesa.
Foi de repente que descobri o quanto eu estava enganado e o quão errado estava vendo as coisas. Foi aí que começou tudo. A menina tinha sumido há um tempão e eu era o idiota que, consciente ou inconscientemente, não enxergava isso.
Depois da minha separação com a Diana, vendi o apartamento onde a gente morava e consegui comprar um menor pra Noelia e pra mim em Palermo. Foi aí que conheci o Enrique, o porteiro do prédio. A verdade é que a gente se deu super bem de cara. Desde o primeiro dia que eu tava me mudando, carregando nossas coisas.
Era um cara careca, cinquentão e bem gordo, mas não daqueles com obesidade mórbida. Dava pra ver que era robusto e forte. Um sujeito sólido que me levava meia cabeça, fácil, e olha que nem preciso falar da largura, porque eu sou bem magrinho. Parecia ter pelo no corpo inteiro, pelo que dava pra ver escapando de baixo dos botões das camisas de manga curta que ele usava, ou por baixo das mangas.
O Enrique tava sempre de bom humor e se dava bem com todo mundo. Sempre batendo papo com algum vizinho, soltando uma piada ou algo assim. E a verdade é que ele é um porteiro muito bom também. Tem jeito pra consertar qualquer coisa no prédio ou no apartamento de alguém. A maioria dos vizinhos gosta muito dele. Eu também, claro. Logo viramos amigos e ficávamos conversando várias vezes no hall do prédio quando eu voltava do trabalho e ele tava lá. Sobre qualquer coisa. Coisas do prédio, do trampo, de política, de futebol. Não importava.
Com a Noelia também se dava bem, mas não por nada macabro que vocês possam imaginar. Era porque ele se dava bem com todo mundo. A Noelia naquela época era uma das meninas vizinhas do prédio, como tinha tantas outras, e ele tratava todas igual, com bondade e confiança.
Assim foi passando nossa vida e os anos morando lá no prédio. Com momentos bons e ruins, como todo mundo, mas tudo bem. Quando a Noelia fez dezessete, no entanto, foi que começaram a rolar coisas estranhas. Eu não sou o cara mais esperto do mundo, reconheço, mas até eu percebia. conta.
É difícil de explicar, realmente não sei como fazer. A relação e o tratamento da Noelia com o porteiro nunca mudaram. Sempre foi o mesmo. Sempre. Não consigo apontar um momento ou uma coisa específica que possa indicar e dizer, por exemplo, "Ah, aqui está.. Foi isso que o cara ou ela fez". De jeito nenhum. Pelo menos até aquele momento eu não conseguia apontar. Nas vezes que eu saía ou entrava no prédio com a Noelia e a gente cruzava com o Enrique, o bom tratamento e os cumprimentos eram os mesmos de sempre. Ou às vezes quando o Enrique batia na minha porta pra me avisar algo, ou vir em casa arrumar alguma coisa. Nada tinha mudado. No entanto, eu notava algo estranho. Principalmente nela, mas depois, prestando mais atenção, também vi nele.
Eles se olhavam demais, talvez seja a melhor descrição. Ou se olhavam estranho.
No começo, eu arquivei na minha cabeça como algo normal. Um cara qualquer que por acaso olha pra uma mina gostosa. O fato de ser minha filha não mudava nada. Não me irritava, muito menos. Também não podia ficar puto com cada cara na vida que olhava pra minha filha. Não dei mais bola que isso e, pra ser sincero, até ficava feliz de ter uma filha tão gostosa que os caras olhavam.
Arquivei, até que não consegui mais arquivar por causa da frequência com que parecia estar notando. Ela não dizia nada, o Enrique, claro, também não. Ali não tava rolando absolutamente nada, mas por baixo da superfície eu já tinha a impressão de que tinha algo. Talvez fossem só besteiras ou ideias minhas. Mas… o outro lado da moeda era que talvez não fossem e realmente tivesse algo. Me parecia estranho, mas não podia descartar a possibilidade.
Eu tinha certeza, certeza absoluta, de que o Enrique não tinha feito nada com a Noelia, claro. Não era esse tipo de pessoa, de jeito nenhum. E além disso, se tivesse acontecido algo, o que fosse, a Noelia teria me contado na hora se tivesse incomodado ela. A gente tinha muita confiança e eu sempre falei pra ela que se algum cara enchesse o saco dela em algum momento em que me dissesse imediatamente. Então não podia ser.
Mas se não podia ser nada, então o que era?
A ideia começou a me corroer a cabeça. Por semanas. Por sorte, naquela época eu passava bastante tempo em casa, trabalhava remoto três dias por semana. Isso me tranquilizava porque a Noelia em casa continuava igual, normal como sempre. Indo pra escola, fazer algum recado, visitar ou receber alguma amiga. A vida normal de uma garota da idade dela. E o Enrique também, eu via ele sempre.
Nada tinha mudado, mas eu sentia que, por algum motivo, sensação ou pressentimento, tudo tinha mudado. Não sabia o que era e me fodia demais. Cada vez mais. Não queria confrontar a Noelia porque ia parecer um perseguido e paranoico, acusando ela de qualquer coisa sem razão. E muito menos falar algo pro Enrique. Se tinha escapado alguma coisa pra ele uma vez pra Noelia ou o que fosse, também não é pra acusar um cara assim do nada de algo tão grave sem provas.
Sem falar que se a gente chegasse a brigar e trocar porrada, o Enrique ia me partir em seis pedaços e me jogar no lixo. É brincadeira, tô zoando, o Enrique não é um cara violento, mas perfeitamente tem força pra fazer isso se quisesse.
Quanto mais eu pensava nisso tudo e mais queria me convencer de que era tudo coisa da minha cabeça, sempre surgia algo que me fazia pensar que não. Algum detalhe, algum olhadinho a mais entre os dois, algum "bom dia" dito um pouco mais meloso… a esse tipo de merda minha cabeça tinha chegado.
Fiquei assim por semanas, sem exagerar. Já dava pra perceber que eu não tava tranquilo na maior parte do tempo, mas a Noelia nunca me disse nada. Por sorte, porque eu não saberia como explicar por que me sentia assim. Por fim, uma noite de insônia não aguentei mais. Sabia que o que ia fazer era realmente uma bosta, sabia. Sabia que tava muito errado, mas já não aguentava mais. Eram umas três da manhã já. A Noelia dormia no quarto dela tranquilamente, ela tinha o sono pesado.
Eu estava assim, porque naquela tarde eu notei a Noelia meio estranha. Ela tinha voltado de fazer umas compras e eu vi que, estranhamente, ela tinha se trancado no quarto dela, sem falar nada nem dar nenhuma explicação. Às vezes ela fazia isso, claro. Às vezes queria ficar sozinha com as coisas dela, mas dessa vez me chamou muito a atenção. Não percebi ela brava nem nada. Normal, mas ela se trancou. Eu tava trabalhando no meu computador, então não dei muita bola, mas ficou na minha cabeça o tempo todo que ela passou no quarto até sair, normal como sempre, pra seguir com a nossa rotina de todo dia.
Eu sabia que alguma coisa tinha acontecido, eu sentia, e se ela não ia me contar nada, então, por mais chato que fosse, eu tinha que dar uma olhada no celular dela. Não tenho orgulho de admitir que fiz isso, não é nada legal, mas não tinha outra alternativa pra começar a desembolar o que tava rolando. Me aproximei com cuidado da mesinha de cabeceira, peguei o celular dela e levei pro meu quarto, pra fuçar sossegado. Ela tinha senha, mas eu sabia. Ela também sabia a senha do meu, pra qualquer emergência.
Pensei que ia encontrar qualquer outra coisa. Algo normal. Que ela tinha discutido ou brigado com alguma colega da escola, ou que tinha tirado uma nota ruim ou levado uma advertência, o que era raro. Ou talvez tivesse começado a sair com algum garoto e não tinha me contado ainda e algo tinha acontecido. Mas nunca pensei que ia dar de cara com o que encontrei no celular dela.
Na escuridão do meu quarto, meus olhos foram direto pra aquela conversa. Foi magnético.





Fiquei absolutamente chocado ao ler tudo aquilo. Não era o fato de ela ter o Enrique nos contatos, isso eu já sabia. Tanto a Noelia quanto eu estávamos no grupo dos vizinhos, junto com o porteiro. Mas aquela conversa, mesmo não explicando tudo, explicava tanta coisa… Na solidão do meu quarto escuro e no silêncio da noite, mandei os prints de todo aquele chat pro meu e-mail pra guardar e ver com calma depois. Apaguei as cópias que tinham ficado nas fotos do celular e, com cuidado, voltei pro quarto da Noelia, deixando o telefone dela exatamente como estava.Devo admitir que não dormi naquela noite. Não preguei o olho. Tenho muita vergonha de dizer isso, mas passei a noite lendo e relendo os prints do chat no meu e-mail. E, claro, me masturbando feito uma besta.
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