Once años después… (XIII)




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Compêndio IIIA PROMESSA III

Levei mais na boa de domingo pra terça. Na tarde de domingo, fui com a Marisol e minhas filhas levar minha mãe na igreja, algo que não fazia desde antes de casar. A irmandade nos recebeu de braços abertos: gente velha, humilde e gente boa, e o mais marcante é que alguns ainda lembravam de mim. Lembrei por que gostava de ir ao culto.

Nesses dias, parei de passar a mão na Violeta enquanto via Netflix. A situação chegou num ponto que ela mesma me obrigava a sentar do lado dela, me abraçando e guiando minha mão pro peito dela, enquanto ela se divertia mexendo no meu volume.
Once años después… (XIII)No entanto, a sugestão da Marisol ainda ficava voando na minha cabeça. Como eu disse, sou eu quem organiza os planos e as programações. Meu rouxinol tende a ser mais livre, deixando as coisas fluírem.

+ É super simples, meu amor. — ela me explicou, toda melosa, uma noite enquanto nos preparávamos pra dormir, se aninhando do meu lado com aquela voz suave e sonolenta que a deixa uma gracinha. — Só peço que você espere mais quatro anos.
prima— Mas por que quatro anos? — perguntei confuso.

Ela sorriu animada, ajeitando o cabelo para se acomodar no travesseiro e me olhando com doçura, suas esmeraldas brilhando safadas.

+ Olha, os primeiros 2 anos vou usar pra cuidar do Jacinto e aproveitar ele enquanto é bebê. Você sempre me diz que não devemos ter bebês muito seguidos, porque senão não vamos curtir. — explicou como se fosse uma das alunas dela nas aulas. — Quando ele tiver dois, não vai ser tão manhoso e vai nos dar um pouco de espaço. Aí quero que me engravide de novo. E dois anos depois… mais um filhinho.

Sorri, surpreso com a esperteza dela.

— Então esse é seu plano de quatro anos. — respondi, fascinado pela inteligência dela.

O sorriso dela brilhava.

+ Exato. Mas, se você me engravidar de gêmeos de novo, bom… tudo fica por isso mesmo. Pode “se resolver” antes, se quiser. — comentou brincando, mas ao mesmo tempo esperançosa.

Não conseguia parar de rir, indeciso entre admirá-la e me surpreender. Mas amando-a profundamente.

— Me impressiona que você tenha pensado tão bem. — falei, depois de provar a língua deliciosa dela com gosto de limão.

E na mesma hora, minha esposa ficou envergonhada, escondendo a carinha meiga no meu ombro, a vozinha mais suave e vulnerável, tão típica dela.

+ Bom… aprendi com você. — disse, me olhando com aqueles olhinhos brilhantes cor de esmeralda que me dobram à vontade dela.

E fiquei contemplando-a, fascinado pela beleza dela. Ainda lembro da minha amiga tímida, submissa, insegura e com medo de enfrentar o mundo. Mesmo tendo se desenvolvido tanto, ela ainda acha que não é perfeita pra mim. Não importa quanto eu diga ou mostre, ela continua se comparando a um padrão imaginário que nunca pedi.

Só o fato de eu cozinhar melhor já faz ela se sentir um fracasso, como se a comida contrastasse com tudo que ela traz pras nossas vidas. Mas só de vê-la arrumando as meninas quando saímos, garantindo que estejam bem vestidas, estejam… penteadas e que não passem frio, já é o bastante. Eu tento, mas a Marisol faz isso naturalmente. Tem uma conexão entre ela e nossas filhas que eu não consigo replicar.

Pra vocês me entenderem, a Marisol é uma professora admirável porque consegue enxergar além das notas e do comportamento dos alunos, vendo suas esperanças, medos, sonhos e interesses. Acho que é por isso que nossas filhas a adoram tanto, mesmo que elas saltem em minha defesa toda vez que uma mulher dá em cima de mim ou quando o medo do divórcio aparece entre os colegas, esquecendo que eu e a Marisol nos amamos demais.
peitos grandes naturaisSuponho que seja o mesmo tipo de proximidade que tenho com o Bastián. Assim como eu, ele tem dificuldade de perceber que a Lily e a Karen não o veem só como amigo, mas algo mais complicado do que a infância dele permite entender. Imagino que vou ter que enfrentar isso de novo quando o Jacinto tiver a idade dele.

Saber que eu tinha o apoio do meu rouxinol facilitou muito as coisas: me sentia confiante pra responder a Pamela.

No entanto, se eu quisesse sair pra jantar com a Pamela, tinha que inventar uma mentira convincente pra minha mãe. Como já mencionei, minha mãe é uma mulher severa e religiosa, então a ideia de sair com a Pamela sozinho ia deixar ela de cabelo em pé.

Com meu irmão, a gente sempre brincava que, se um dia a gente se metesse num problema sério com a lei e nos oferecessem a opção de ser preso pelos policiais ou entregue pra nossa mãe, nós dois sempre preferiríamos ser levados pelas autoridades.

E não é que minha mãe fosse "totalmente violenta" com a gente. Na real, o que nos incomoda são os sermões dela, que batem como golpes certeiros. Ela não fala alto nem é dramática, mas tem uma sutileza e clareza que marcam pra vida toda. Ela não levanta a voz, mas sim os ressentimentos, o sentimento de decepção, e eu até acho que a lógica dela é imbatível, que acaba fazendo você se sentir um idiota, um pecador e uma criança toda vez que ela faz isso.

Até hoje, nós dois já adultos, a gente treme quando mamãe solta esses discursos. Porque pra mulheres como ela, você nunca deixa de ser filho.

Na terça à noite, liguei pra Pamela pra convidar ela pra sair, e na quarta a gente se encontrou pra jantar.

O restaurante italiano que escolhi estava com uma luz baixa, mas longe de ser sombrio: uma luz âmbar quentinha saía de dentro, convidando os clientes a se refugiarem lá dentro, onde toalhas de mesa brancas de pano esperavam em silêncio. O murmúrio das conversas era quase embriagante, junto com o tilintar dos Talheres sobre pratos deliciosos com aromas envolventes e os acordes distantes de um violino suave davam um ar familiar, romântico e calmo ao mesmo tempo. Escolhi aquele lugar porque no meu primeiro encontro com Pamela, eu a levei lá. Mas depois de uma década, o pessoal tinha mudado ou simplesmente esqueceram o encontro indiscreto que Pamela e eu tivemos no banheiro...

Quando Pamela chegou, instantaneamente interrompeu o clima. Diferente da última vez, Pamela não vestia nada escandaloso. Na verdade, seu vestido verde escuro estava elegante, com um decote modesto, mangas sofisticadas e barra na altura do joelho. Mas era o jeito que o vestido se ajustava às suas curvas, o rebolado do seu quadril e a postura firme que chamavam a atenção.

Ainda assim, havia um charme diferente comparado à sua juventude. Pamela parecia composta, luminosa, elegante. Havia agora uma graça que ela não tinha antes. Os anos não tinham feito mal a ela. Pelo contrário, a refinaram. Resumindo, ela estava mais gostosa, mais perigosa, como uma chama que poderia acabar te queimando.
EspanholaQuando conseguiu me distinguir entre a multidão que a observava, Pamela desviou o olhar, as bochechas levemente coradas. Fechou os lábios e segurou o sorriso, mantendo a confiança por instinto.

• Puta merda, para de me olhar assim! — comentou num tom provocante e envergonhado. — O povo vai achar que me vesti assim pra você!

Eu ri satisfeito, cheio de nostalgia. Pamela era assim comigo: um escudo frio sempre que se sentia vulnerável. Não tinha mudado muito nisso. Ainda aquele orgulho distante que esconde as emoções que não consegue lidar.

— Não tava te olhando. — respondi com um sorriso. — Só tava surpreso. Você amadureceu.

• Porra, não foi por sua causa! — respondeu na hora minha "Amazona espanhola", me cativando ainda mais.

Quando o garçom nos levou até a mesa, notei como ele contemplava a Pamela. A essência do perfume dela nos intrigava. Quando puxou a cadeira pra ela sentar, os olhos do garçom se fixaram na rabeta da Pamela, e depois ele se retirou com uma elegância disfarçada.
infidelidade consentidaSentei na frente dela, tentando conciliar a mulher madura à minha frente com a impulsiva e provocante jovem que conheci anos atrás. Sem dúvida, ela continuava linda, mas algo mais doce tinha brotado por trás daqueles olhos negros.

Até vendo ela beber vinho, dava pra ver a elegância que os anos tinham trazido. O tinto, que antes ela achava nojento, parecia descer suave pela garganta dela. E ela percebeu que eu tava encarando ela em silêncio. Curiosamente, não foi estranho. Foi tipo uma pausa, onde a gente se estudava, assimilando as mudanças que os anos tinham nos dado.

Ela quebrou o silêncio de um jeito suave, sedutor.

• Sabe? Ainda lembro quando você me convenceu a estudar engenharia. – comentou com um tom provocante. – Que loucura, cara! Eu? De capacete, trampando no campo, coordenando detonações? Pensei que você tava falando pra zuar!
Once años después… (XIII)Eu ri, observando como ela parecia atrair atenção naturalmente.

— Pois não. Pra ser sincero, me surpreendeu que, sendo tão gostosa, você fosse tão inteligente. E agora olha pra você. Parece que estudou engenharia e, mesmo assim, tá toda desfilando na passarela.

Ela ergueu uma sobrancelha, satisfeita com o elogio.

• Marco, você tá me cantando? — perguntou sedutora, tentando me fisgar.

— Não! — respondi, entrando na brincadeira. — Só tô falando o óbvio.

O rosto de Pamela suavizou e ficou mais sério.

• Não foi fácil. O primeiro ano foi um inferno. Quase desisti três vezes. Mas… você acreditava em mim. — falou com a voz embargada. — Ninguém nunca tinha feito isso antes. Então eu continuei. Lutei contra os números, os relatórios, os professores babacas que queriam me ver cair ou pelada… mas eu gostei. Gostei do caos.
primaPamela mexia na massa com o olhar perdido, como se estivesse assimilando o longo caminho que teve que percorrer. Não quis interromper o silêncio dela, porque Pamela estava linda.

— E aí, como foram as farras? — perguntei curioso. — Como te trataram?

Pamela soltou uma risada gostosa.

• Ah, as farras, mano! — respondeu com lágrimas de tanto rir. — Você não disse que o Mr. Tom e os caras do seu trampo eram educados! Porra! Imagina uma virgem sendo jogada aos lobos. Mano, eu trabalhei num bar! E mesmo assim, os comentários. As fofocas pelas minhas costas… me deram de tudo, desde piscadelas e agarradas até umas propostas que quase me fizeram vomitar.
peitos grandes naturaisMe senti desconfortável. Tenso. Mas ela levantou a mão, me acalmando.

• Fica tranquilo! Já resolvi isso. Já aprendi os truques, cara. – respondeu com uma piscada. – Dei porrada neles com números, com conhecimento e, quando isso não funcionava, dava meu tudo: pegava os piores trampos, aguentava os turnos mais longos. E fiz minha reputação, porra! No começo, como a "puta frígida". Depois, a "puta confiável".

- Você conquistou isso. – comentei com sincera admiração.

• Na base do soco e do sangue, mas sim. – respondeu com orgulho. – Conquistei.

E fez-se outro silêncio. Não pesado, mas reflexivo. A música de fundo suavizava as arestas, numa melodia rítmica, tranquila. A vela dançava na nossa frente.

E foi então que a olhei mais sério, largando meus talheres ao lado do prato, meus olhos fixos nela.

• E por que você não aceitou a oferta na Austrália? – perguntei, já sabendo do contexto.

Minha chefe Sônia e eu já conhecíamos ela. Na verdade, informamos a Edith, nossa CEO, que ela seria uma adição excelente ao time, e as negociações estavam abertas…

Pamela baixou o olhar por uns segundos. A primeira rachadura naquele escudo intransponível. Soltou um suspiro e me olhou de volta, seus olhos escuros mais vivos. Mais vulneráveis.
Espanhola• Recebi a oferta há seis meses. —reconheceu com uma voz suave e melosa. —É tentadora, cara! Até impressionante. O tipo de trabalho que eu adoraria fazer…

—Mas? —perguntei, intuindo os motivos dela.

E ela me olhou de novo. Aqueles olhos sinceros. Submissos. Depois disfarçou o olhar no copo.

—Tem você! Tem a Mari! Porra, até a Sonia! —comentou com um sorriso dolorido. —Se eu aceitar… não sei se vou conseguir me segurar.

Deixei ela beber vinho, uma lágrima solitária escapando do olho dela.

—Caralho, Marco! Que ainda gosto de você… e tenho medo que, se ficar perto de ti, eu esqueça de tudo… e pior, que esqueça da Marisol. —as lágrimas dela escorreram livres ao mencionar minha esposa. —Porra, a Mari não é só minha prima! É a única tia que nunca me julgou, nem quando eu mesma me odiava!

Ela se segurou na base do copo, como se fosse uma tábua de salvação.

—Sei que você ama ela! Caralho, vejo como você olha pra ela e pros seus filhos! —continuou destruída. —Mas uma parte… uma parte de mim nunca te esqueceu.

O peso da confissão dela parecia o olho do furacão entre nós. Ver a Pamela sincera, emocional, parecia celestial.
infidelidade consentidaFiquei em silêncio, processando tudo. Não queria julgá-la nem interrompê-la. Só queria ouvi-la, do mesmo jeito que Pamela tinha aberto a alma pra mim anos atrás.

Ela me olhou com um ar de desprezo, não por mim, mas pela vida que tinha levado.

• Marco, eu montei essa armadura de puta pra sobreviver. — comentou, com um sorriso amargo depois do vinho. — Achava que, se não sentisse nada, o bruto do meu pai me deixaria em paz… mas não foi assim. A arrogância, minha atitude… era pra manter os caras longe. Um jeito de manter meu orgulho intacto. Mas com você…

Ela me olhou emocionada, um sorriso triste escapando dos lábios.

• Com você, nunca consegui usar essa armadura direito. — sentenciou em voz baixa, segurando a tristeza.

Não consegui responder na hora.

Igual a ela, me fixei na chama da vela no centro da mesa, meus dedos apertando a base do copo de suco como se me ancorassem na realidade. O silêncio entre nós se estendeu. Não exatamente desconfortável, mas bem denso, como se os dois soubéssemos o que estava por vir, mas sem saber quem daria o primeiro passo.

Finalmente, criei coragem pra falar, tentando soar solene.

— Na real, nunca quis que você sumisse da minha vida. — confessei, olhando nos olhos perplexos dela. — Mesmo depois de tudo que rolou. Mas sempre achei que você se tornaria uma mulher extraordinária, como se tornou. Sei que parece egoísta da minha parte… mas se eu tivesse ficado, nossas vidas teriam sido mais complicadas. Pamela, eu te amo de verdade… mas nunca teria conseguido construir a relação que tenho com a Marisol se tivesse ficado aqui.

A garganta de Pamela se contraiu, me olhando com pesar.

• Você não facilita, pichón! — comentou, sorrindo com tristeza.

— Não tô tentando facilitar. — respondi com sinceridade. — Só quero te falar a verdade.

E então, ela ficou nervosa, bebendo o vinho amargo pra ganhar coragem.

• E você nunca… nunca pensa na gente? — perguntou hesitante. Sobre como teria sido?
Once años después… (XIII)Sua pergunta me pegou desprevenido, sem conseguir responder. Olhei pela janela por alguns segundos, tentando me agarrar a algo que me tirasse daquele momento.

- Antigamente, eu fazia. – finalmente confessei. – Quando tava sozinho no trampo... e as noites eram longas. Mas aí, lembrava da Marisol e das pequenas. A gente tava construindo algo bonito e saudável...

Pamela sorriu de leve, mas o sorriso não chegou aos olhos dela.

• Minha prima tem sorte! – comentou num sussurro.

- Não, o sortudo sou eu! – expliquei com um sorriso caloroso.

Mas minha resposta a irritou.

• E eu com isso? – perguntou a "Amazona espanhola" – Por acaso sou sua "putaria"?
primaOlhei fundo nos olhos dela, estudando-a.

- Você é alguém que me importa. Até agora. Isso não mudou. Mas não posso mudar nossa história, Pamela.

Ela aceitou minhas palavras mordendo o lábio. Tentando parecer estoica, mas falhando na hora. A voz dela, aguda e visceral, tentando se proteger com aquela arrogância antiga.

- Sabe que você sempre foi um babaca que estraga um momento gostoso, né?
peitos grandes naturaisSorri ao ver a euforia dela, toda faceira.

— Você sempre foi mais dramática. — respondi, mais seco.

E, de surpresa, minhas palavras a pararam, fazendo ela sorrir. Acho que, assim como eu, lembrou que era a mesma dinâmica que tínhamos antes de a gente ir embora.

• Parece que ainda sou. — ela disse, desviando o olhar de um jeito sensual.
EspanholaO garçom trouxe o cardápio das sobremesas e nós dois, sem perceber, soltamos um suspiro, agradecidos pela pausa. Mas enquanto eu comia meu tiramisù e ela, o banana split, a conversa foi se acalmando como um perfume gostoso, doce, onde a companhia uma do outro já era suficiente.

— E por que você me chamou pra sair? — ela perguntou com os olhos curiosos, feito uma mocinha iludida no primeiro encontro.

Eu me recostei na cadeira, pra dar mais peso à minha resposta.

— Bom… — falei, suspirando e com um sorriso largo. — Sempre fui da ideia de que um filho tem que ser concebido a partir de um lugar de amor… e com você, Pamela, não vou abrir exceção.

Minhas palavras a fulminaram, e os olhos dela brilharam feito pérolas, os lábios tremendo, emocionados.
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