Detrás da Tela 2

Não lembrava em que momento tinha começado a viver assim: amarrada a uma corrente invisível, costurada através da tela, tecida com palavras duras e ordens cruéis que, paradoxalmente, me faziam sentir mais viva do que qualquer outra coisa na minha existência monótona.
Os dias no salão de beleza seguiram seu rumo. Eu sorria para os clientes, me mostrava impecável, educada, recatada.
Mas lá no fundo da minha mente, no mais profundo, eu sabia que não passava de uma propriedade do Rom. Um objeto esperando pra ser usado.
Rom me dava ordens toda noite, cada vez mais intensas, mais humilhantes.
Um dia, enquanto eu arrumava produtos numa prateleira da sala, meu celular vibrou.
Uma nova mensagem:
Rom:
Para a sua tarefa de hoje, quero que, no seu intervalo, vá ao banheiro, abaixe a calcinha e tire uma foto se tocando.
Olhei ao redor, com a cara vermelha que nem um tomate e o coração saindo pela boca.

Detrás da Tela 2
Engoli seco. A vergonha era avassaladora, mas o medo era pior. O Rom tinha minha foto. O Rom tinha o poder. Me mandei pro banheiro.
A porta se fechou atrás de mim, me isolando naquele pequeno santuário de azulejos brancos.

Minhas mãos trêmulas desceram devagar minha calcinha de renda.
O espelho na minha frente refletiu minha imagem: meu rosto vermelho de vergonha, meu corpo exposto e vulnerável.
Levei uma mão entre minhas coxas molhadas, enquanto a outra segurava o celular.
Tirei a foto. Sem filtro, sem vergonha.
vadia
Mandei pra ela. A resposta não demorou:
Rom:
Assim que eu gosto, puta.
Tá vendo como é fácil obedecer quando você sabe qual é o seu lugar?
Deixei escapar um soluço abafado, limpando a lágrima que escorreu pela minha bochecha.
Tinha cruzado outra linha, e não tinha mais volta.


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