O quarto do meu pai

Depois de me separar, ele vinha me ver duas vezes por semana. Por iniciativa própria, e quando passava um tempo sem aparecer, eu provocava a visita dele com a desculpa de resolver algum problema doméstico no meu apartamento. Ele, por sua vez, me convidava todo sábado pra jantar num restaurante no centro da cidade, e eu retribuía no domingo seguinte preparando algum menu especial que a gente curtia junto na hora do almoço lá no meu apê.

No entanto, nós dois sabíamos que essa situação harmoniosa não podia durar muito tempo. Não era lógica, nem conveniente, nem econômica, e até perigosa pros tempos que a gente tava vivendo.

Assim, aos poucos, a ideia de morar debaixo do mesmo teto foi ganhando força, até o dia em que a gente falou sobre isso pela primeira vez. Lembro que foi no restaurante de frente pro rio, que a gente adorava.

Numa harmonia perfeita, fomos acertando os detalhes, e quando saímos de lá já tava decidido: eu ia me mudar pra casa dele no próximo fim de semana.

Preciso confessar que, apesar de feliz, a decisão não me deixava muito tranquila do ponto de vista da minha própria conduta. Eu tinha um filho pequeno e tinha desenvolvido um estilo de vida independente, sem grandes preocupações, dona do meu espaço, segura de não ser observada. Muitas vezes eu andava pelo meu apartamento só de leve, às vezes pelada, num clima super relaxado.

Já instalados na casa, comecei a perceber que não era só dividir espaço com outra pessoa, mas também sentir o tempo todo a presença da personalidade forte dele. Era um homem de 55 anos, ainda bem vigoroso, que parecia marcar território em tudo que fazia e, sem demonstrar nenhuma vontade de dominar, só pela presença dele já estabelecia uma hierarquia indiscutível que eu aceitei de boa, porque no fundo não me incomodava e me fazia sentir protegida e segura. Resumindo, eu tava gostando da mudança que a gente tinha feito. operado.
No entanto, nas primeiras noites, eu custava a pegar no sono.
Até que chegou o dia, ou melhor, a noite em que acordei terrivelmente agitada, com uma taquicardia avançada, e percebi, entre o sono e a vigília, que estava suando pra caralho, com o cabelo todo bagunçado, meus cobertores tinham caído da cama e eu estava completamente pelada, com minha camisola de dormir amontoada na altura do pescoço, e minha buceta pulsava que nem um relógio desesperado, como se tivesse ganhado vida própria, sem que eu pudesse fazer nada pra evitar.
Não sou do tipo que se esconde da realidade, então, assim que acordei de vez, percebi na hora que tinha acordado no meio de um tesão do caralho, num nível que eu nunca tinha experimentado antes.
Se eu comparasse com os momentos de auto-satisfação que às vezes me dava na cama ou no chuveiro, tinha que admitir que o que eu tinha sentido agora era uma parada totalmente diferente, tanto no prazer quanto na intensidade, e sem pensar muito, também admiti que o que desencadeou essa porra toda não era outra coisa senão a presença dele, em quem eu tinha parado pra pensar com uma frequência perturbadora.
Nos dias seguintes, cada vez mais forte, a imagem dele foi se grudando na minha mente, e meu corpo, ao lembrar daquela noite incendiária, começou a criar situações eróticas cada vez mais ousadas, onde ele e eu éramos os protagonistas.
Desses pensamentos simples, mas diabólicos, fui passando pra ações mais reais, como olhar pra ele com calma, com um outro jeito de percebê-lo, reparando não mais na personalidade dele ou na posição hierárquica na casa, mas nos braços vigorosos dele, nos lábios grossos e sensuais, no jeito elástico de andar, no modo como ele pegava os objetos entre os dedos, que me pareciam de uma suavidade perturbadora, nas poucas vezes que Eu tinha acesso pra tocar nele, e o que mais importava pra mim era perceber se ele me olhava de um jeito diferente.
Só uma vez achei que notei algo, foi quando eu tava usando uma blusa bem justa, que até eu mesma achei provocante, e senti o olhar dele direto, parado, sem dúvida nenhuma nos meus peitos monumentais, cujos bicos pareciam querer furar o tecido fino.

Na aparência, tudo parecia normal em casa. Mas essa normalidade era só na superfície, porque minha vida interior tinha virado de cabeça pra baixo. Essa mudança já tinha tomado conta, como um incêndio que ninguém se importava em apagar, até do meu trabalho, onde eu passava um tempão sonhando acordada pensando nele, e onde eu ficava bolando alternativas pra lidar com o que tava rolando, onde parecia que eu queria que ele, de algum jeito, tomasse uma iniciativa pra eu poder contar o que tava acontecendo comigo. Mas como nada disso acontecia, acabei me enfiando numa espécie de redemoinho erótico mental do qual eu realmente não queria sair, mesmo que ele me levasse pro inferno.

Mas o inferno veio até mim sem eu precisar procurar.
Foi na noite do sábado passado, e a gente tinha ido no restaurante perto do rio.
Eu me deixei levar pela alegria dos drinks, me deixei arrebatar pelo olhar safado dos olhos azuis dele, me deixei levar pelas palavras envolventes dele, sobre um assunto que nem lembro, porque só me interessava ouvir a voz dele e olhar os lábios entreabertos, às vezes molhados. Então, quando eu tava dirigindo o carro de volta pra casa, já sabia perfeitamente o que ia fazer, e nem minhas convicções, já quase esquecidas, iam me fazer voltar atrás no caminho que eu já tinha começado sem remédio.

Nem dormi naquela noite. Simplesmente me despi pra dar um massagem suave e perfumada em mim mesma, e pra me olhar no espelho e ver que eu era uma mulher excitante. Na real, não sei se sou, mas o importante é que eu me sentia assim: ardente, gostosa, insolente, provocante, insinuante, e não ousava nem falar pra mim mesma. palavra, mas ela preenchia minha alma. Eu me sentia uma puta.
E então abandonei meu quarto e comecei a andar pelo corredor até o quarto do meu pai.
A cada passo que dava em silêncio, ouvia estalar sob meus pés os fragmentos destruídos dos meus tabus, dos meus medos, das minhas travas, e parecia avançar gloriosa em direção a um mundo diferente e desejado, e a cada passo me sentia mais mulher, mais fêmea e mais dele ainda antes de me entregar, de modo que quando apareci na porta dele devo ter parecido uma deusa diabólica e pecadora com minha cabeleira negra sobre os ombros, que era a única coisa que me vestia.
Parei só por alguns segundos, para que ele me percorresse com o olhar, para que seu olhar redesenhasse meus contornos e abrangesse num só instante minha figura pecadora. Depois avancei para me enfiar debaixo dos lençóis dele e percebi que ele estava nu e que sua pele exalava um tesão tão grande que me envolveu como uma onda avassaladora que não iria me soltar durante toda aquela noite iniciática.
Não queria desmaiar e não desmaiei.
Estive mais acordada do que nunca. Acordada quando sua mão hábil, dura e lisa ao mesmo tempo, envolveu meus peitos, acordada quando seus joelhos fortes separaram minhas coxas com cálida certeza, acordada quando seu corpo começou a me cobrir e eu senti seu peso sobre o meu me esmagando como eu sabia desde meus sonhos que faria, acordada quando sua outra mão acariciou minha buceta aberta para ele como um presente desejado há anos, e acordada quando a grossura inaudita da sua virilidade ardente pareceu me partir num delírio orgásmico que me estremece ainda na evocação.

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