Post anterior
Próximo post
Compêndio IIIO PRESENTE I
O que ficou marcado naquela noite apaixonada foram seus sorrisos e olhares brincalhões. Marisol estava maravilhosa, com um vestido vermelho e justo que valorizava suas curvas e destacava seu decote ousado. Violeta, por outro lado, usava um vestido escuro que se moldava como uma segunda pele, revelando a firmeza dos peitos dela e a curva hipnotizante da cintura.
Já eu estava casual, mas com um toque jovem: vestia jeans, uma camisa branca e uma jaqueta jeans. Marisol diz que aprendi a me vestir melhor e que, mesmo sem perceber, faço as mulheres repararem em mim.
— Tá pronto? – perguntou toda provocante a mulher gostosa que, onze anos atrás, aceitou ser minha esposa. Engoli seco, imaginando o que me esperava naquela noite…
********************************************
Toda vez que ouço a frase “E o que uma mulher traz pra mesa?”, me sinto orgulhoso e abençoado por ter alguém como a Marisol do meu lado.
Quando começamos a namorar, a gente não tinha muito dinheiro, mas pelo menos tínhamos um ao outro. A gente se empurrava pra seguir em frente, se incentivando a dar o melhor de si. E embora meu rouxinol se apoiasse em mim, cuidadosa com outros homens e me protegendo como se eu fosse um tesouro secreto, comecei a perceber que ela não era um rouxinol delicado que precisava do meu cuidado constante: ela é inteligente, perspicaz e incrivelmente decidida.
Embora quase sempre tenha confiado em mim com uma fé cega, houve momentos em que ela se manteve firme, guiada pelas próprias convicções. Nunca antagonizando, mas mostrando suas crenças com uma astúcia sutil e discreta que a cada dia acho mais cativante. Claro, quando menciono isso, a Marisol fica vermelha, fazendo parecer algo insignificante, insistindo que eu sou o mais esperto dos dois. Ainda me fascina essa humildade da estudante que conheci na faculdade, que muitas vezes diminuía a própria genialidade, mas que pra mim é irresistível.
Não é que ela me manipule, já que muitas vezes me pergunto se não é o contrário. Mas minha esposa tem a virtude intrigante de trocar de papéis sem muito esforço. Num minuto, é a mulher inocente e brincalhona que faz eu e as meninas rirmos; no seguinte, é a mãe responsável e esposa devotada que mantém a ordem em casa; E em raras ocasiões, como essa, a mulher astuta e feroz cuja inteligência e paixão me fazem admirá-la cada vez mais.
Pra mim, é isso que a Marisol traz pra mesa e não Já cansei de ter ele.
E depois daquele sábado, comecei a perceber que tudo estava saindo conforme os planos da Marisol. Durante a semana, nossas escaramuças com a Verónica continuaram discretas, disfarçando durante o dia a vontade que a gente mostrava uma pra outra à noite na cozinha. E com a Violeta, já tinha virado rotina ela se encostar em mim pra ver Netflix antes do jantar, com nossas mãos se explorando.
Mas o que me chamou muito a atenção foi naquela quarta-feira, um dia antes do aniversário da minha esposa e do nosso aniversário de casamento, encontrar a Marisol conversando com a minha mãe.
+ É que… Sabe, tia?... quando eu namorava com seu filho, sempre tive vontade de sair pra dançar com ele… mas a senhora sabe que a gente nunca tinha grana… então queria pedir se a senhora podia cuidar do Jacinto pra gente, por favor. – suplicou minha esposa pra minha mãe, num tom suave, doce e sincero, que convenceria qualquer um.E, de fato, convenceu. Minha mãe já tava balançando a cabeça, com o rosto todo derretido. O que minha mãe não percebeu foi que, quando minha esposa fez aquele pedido, ela piscou um pouco mais devagar que o normal. Uma mania que conheço muito bem da minha melhor amiga…
Marisol tava mentindo. Não sei por quê, mas ela sempre teve dificuldade pra mentir e esse gesto sempre entrega ela.
Na real, eu e minha esposa já saímos pra dançar depois de casados. Mas não demorou muito pra gente perceber que não era nossa praia. A música no talo, a multidão sufocante e a bagunça em volta deixavam a gente desconfortável e tenso.
Então fiquei observando meu rouxinol de braços cruzados, soltando um suspiro ao ouvi-la mentir. Marisol baixou o olhar e ficou vermelha de vergonha, sabendo muito bem que eu tava vendo ela, mas ao mesmo tempo, reforçando aquela imagem tímida que minha mãe tem da minha esposa, aceitando a proposta dela.
Então na quinta, as comemorações começaram mais cedo. Meu pai e meu irmão acham que toda festa se celebra com carne, então não faltou o churrasco, embora, felizmente, minha cunhada goste de doces e bolos tanto quanto a Marisol.
E mais uma vez, Benjamim tentou seduzir a Violeta, mas dava pra ver que tinha anos-luz de diferença. Meu sobrinho ficou pasmo quando minha cunhada contou sobre os planos dela de sair pra dançar naquela noite junto com a gente. Na real, duvido que meu sobrinho saiba dançar alguma coisa, e Violeta me olhou com um sorriso cúmplice.
Durante a festa, também vieram a Amélia, o Ramiro e os filhos deles, que ficaram com as primas. E foi enquanto os homens conversavam em volta do churrasco que a Amélia interrompeu a conversa, trazendo um pedaço de bolo pro Ramiro.Meu pai, meu irmão e eu ficamos sem reação ao ver minha gostosa cunhada, que ainda mistura o mesmo encanto natural da Marisol (uma mistura de inocência e sedução), mas enquanto minha esposa mantém isso com uma doçura ingênua, a Amélia potencializa isso perfeitamente com a redondeza e a sensualidade das curvas dela. Os olhos verdes, os lábios carnudos e os movimentos sutis dela foram suficientes pra deixar meus parentes de queixo caído.
Pior ainda foi quando, com toda confiança e na frente do próprio marido, ela me perguntou se eu podia ir na casa dela visitá-la, já que a casa dela precisava de uns reparos pequenos e o Ramiro tava muito ocupado com o trabalho, sem esquecer (é claro) que minha esposa se gabou do quanto eu sou talentoso com as mãos e "me pediu emprestado" pra minha esposa por um tempinho.Meu pai e meu irmão olhavam pra ela sem palavras: a Amélia é tão gostosa quanto a Marisol. Mas eu tinha que disfarçar, fingindo ser imune aos encantos dela. É bem provável que o que meu pai e meu irmão imaginavam naquela hora, eu acabei fazendo nos dias que fui vê-la, mas não quero me desviar da ideia principal.
**********************************************
Antes da gente ir, minha mãe falou com a Marisol uma última vez, tentando fazê-la desistir. Minha velha não tava tentando se opor a gente sair pra comemorar, porque assim como os casamentos da minha irmã e do meu irmão, ela sabe que somos pais responsáveis. Na real, raramente a gente saía à tarde, muito menos pra pubs, e ela sabia disso. Mas a Marisol tinha convencido ela gentilmente dessa vez, argumentando que era o aniversário dela.
A Violeta tava com a gente, apoiando a irmã, e eu garanti pra minha mãe que a gente ia pra um dos bairros mais chiques. Mas apesar de tudo, minha mãe tava preocupada. Ela achava que a gente não tinha considerado os assaltos e roubos, tendo vivido num país tão diferente e tranquilo como a Austrália por tanto tempo, quando na real, com a Marisol a gente sempre considerava isso.
No entanto, tinha algo de fofo no diálogo delas. Minha mãe ama genuinamente a Marisol (na verdade, desde sempre) e se preocupa com ela como se fosse uma das filhas dela. E finalmente, a Marisol, com aquele sorriso dela, doce, quente e gentil, que derrete geleiras, acalmou minha mãe…
+É que tia… quero namorar com seu filho um pouquinho a sós… esquecendo que sou mãe… - ela disse com doçura, abraçando minha velha.
Essas palavras acalmaram a minha mãe, que sorriu contente pra gente com o pedido. Aceitou feliz em cuidar do nosso Jacinto e das nossas meninas pelo resto da noite, uma alegria danada de poder cuidar de um dos meus bebês.
O pub que escolhemos era chique, com acabamentos de madeira polida e tons dourados que davam uma atmosfera tranquila e moderna. Um point pra jovens de vinte e poucos anos, prontos pra comemorar a "sexta-feira de solteiro" com drinks na mão. Tinha risada, música e um clima bem gostoso, que, apesar de tudo, fazia a Marisol e eu nos sentirmos como peixes fora d'água.
A Violeta olhava pra gente se divertindo, aquelas esmeraldas intrigantes dela nos encarando com curiosidade.
• Marisol, foi ideia sua a gente comemorar seu aniversário e aniversário de casamento num pub. – provocou a irmã com uma risadinha debochada.
Verónica teve que ir trabalhar na confeitaria, a Pamela ainda não tinha voltado do exterior e a Amélia era casada e tinha filhos, então a "única opção" que restava pra Marisol era a Violeta…+Eu sei! – resmungou meu rouxinol, com uma vergonha genuína, tentando cobrir a pele com seu vestido espetacular. – Mas sinto que todo mundo tá me olhando…
Violeta levantou uma sobrancelha e me encarou desafiadora. Inclinou a cabeça um pouco, deixando ela mais meiga, como se estivesse tão intrigada comigo quanto eu com ela.
•E você, Marco? Como se sente? – perguntou com um tom mais safado.
-Não sei. Na real, não curto muito dançar em público. – respondi sincero.
E pelo visto, meu tom acendeu uma faísca nas duas irmãs. Marisol me sorriu toda derretida, com um pouco de timidez, enquanto os olhos de Violeta brilharam com um interesse repentino, como se tivessem dado a chance dela abrir um presente que esperava há muito, muito tempo…
+Bom… por que você não dança com minha irmã? – perguntou minha esposa, com aquele tom e aquele olhar que já conheço bem. – Talvez… se eu ver vocês dançando juntos, me dê vontade de dançar também.
Pra Violeta, era tipo uma oportunidade de ouro: a irmã dela tava praticamente dando a lua de presente pra ela.
•Podemos? – perguntou toda empolgada, a mãozinha dela segurando a manga da minha camisa.
Antes que eu pudesse responder, ela já tinha me pegado pela mão e me levado pra pista de dança. Caminhei meio travado e duro. Embora não seja mais surpresa pras nossas filhas nos ver dançar, pra Marisol e pra mim é algo que fazemos em particular.
E enquanto os casais ao redor rebolavam abertamente, Violeta e eu tínhamos nosso próprio espaço. Mesmo com vários caras tentando chamar a atenção dela com gestos e olhares, Violeta ficava totalmente focada em mim. Não de um jeito provocante, pelo menos naqueles momentos, mas num tipo de admiração que parecia ao mesmo tempo inocente e significativa.
Mas meu foco não era recíproco. Eu continuava olhando pra mesa onde estávamos sentados, procurando a Marisol.Devo dizer que soube escolher bem a mulher que aceitou ser a mãe das minhas filhas. Mesmo tendo parido o Jacinto há uns meses, ela já tinha recuperado aquela silhueta magra e gostosa de antes. Vários caras se aproximaram, principalmente vendo ela tão linda e sozinha. Mas Marisol mandou todos pastar, os olhos dela tão vidrados em mim quanto os meus estavam nela. E por um instante, pensei que ela podia estar preocupada com a irmãzinha. Mas não. O sorriso alegre dela confirmava que eu era o alvo.
De repente, a música ficou lenta e romântica e, sem perceber, meu corpo começou a rebolgar no ritmo.• Sabe? – Violeta comentou de repente, ao notar que minha atenção não estava focada nela como ela queria. – Seu pai está muito orgulhoso de você.
As palavras dela prenderam minha atenção. O sorriso dela era delicioso, quente e meigo, satisfeita por ter conseguido o que queria.
Ela começou a me contar que, quando Marisol e eu fomos embora, Violeta se sentiu triste. Ela ainda era uma garotinha e sentia saudade de nós dois. Mas meu velho, exatamente como tinha prometido antes de irmos, assumiu meu papel de figura paterna. Meu pai deu a ela o mesmo tipo de carinho e atenção que eu dava.
Ele começou a contar histórias sobre mim. De como eu fui o mais estudioso dos três filhos, o que se comportava melhor e o mais humilde de coração. Então, começou a mostrar fotos minhas de quando eu era criança…
• E eu comecei a te achar "gostoso"… – Ela disse, com os olhos verdes brilhando, perdida nas lembranças.
O olhar dela ficou ainda mais terno. Ela disse que meu "presente de despedida" (emprestar meu pai pra ela cuidar) fez diferença na vida dela. Embora Verônica se esforçasse pra dar uma vida boa pra ela depois do divórcio, Violeta sentia que faltava algo mais na vida dela. Minha família abriu os horizontes pra ela. Ela se sentiu verdadeiramente amada pelas irmãs (Marisol, Amélia e Pamela, quando eventualmente contaram a verdade pra ela). E por isso, ela era muito grata a mim.
E bem naqueles momentos em que aqueles olhos verdes me admiravam com gratidão, senti uma mão no meu ombro.
Marisol sorria com serenidade, os olhinhos alegres se juntando a nós. Senti os olhares do resto: eu estava dançando com duas mulheres gostosas, que claramente queriam ficar o mais perto de mim possível.
E isso era só o começo daquela noite mágica…Post seguinte
0 comentários - 11 anos depois… (VIII)