Pedro tava com uma puta dor de cabeça. A queda foi pior do que parecia e agora, com toda aquela gente em volta, ele não entendia nada do que tava rolando. Depois que abriu os olhos, demorou uns segundos pra sacar o que estavam falando. — Moço, cê tá bem? — Não se preocupa, Pedro. A ambulância já vem. Disse o professor dele. Pedro percebeu que tava no chão do teatro da escola, no dia da apresentação de Romeu e Julieta, cercado por todo mundo que viu ele cair, menos a mãe dele. O garoto lembrou do que tinha visto antes de cair. — Mãe... mãe! Gritou o moleque horrorizado, como se tivesse acabado de acontecer. “Não é possível. Não pode ser. Tô sonhando? Foi um sonho, um pesadelo.” Mas ele sabia que pesadelo vem depois de fechar os olhos, não antes. Pedro tava em pânico, não sabia o que fazer ou o que dizer, e a única coisa que conseguia pedir pra galera era — Mãe. Cadê minha mãe? Todo mundo em volta tava preocupado, uns ofereciam água, outros repetiam pra ele ficar acordado até que ouviram a porta de emergência abrir pros paramédicos entrarem. Fizeram o que os paramédicos têm que fazer, levantaram ele, colocaram na maca e foram pra ambulância. Bem na hora que um deles ia fechar a porta, a mãe dele chegou. — Espera! Espera, por favor. — Moça, não atrapalha, temos que levar esse garoto... — EU SOU A MÃE DELE! Deixa eu ir com ele. O paramédico ficou sem graça com a revelação, mas não teve escolha a não ser deixar ela subir. — Mãe? — Sim, Pedrinho, sou eu, meu filho, me diz como cê tá? Pedro olhava pro rosto da Teresa e só conseguia ver a cara de uma mãe preocupada. — Mãe, cê... cê... cê tá aqui? — Claro, Pedrinho, claro que sim. — Não entendo. Por que... por que... — Desculpa, filho, mas a galera tava toda em volta de você e não me deixavam passar. Empurrei, mas nada. Tavam mais preocupados em fazer vídeo do que me ouvir. Pedro pensou no que ela disse. Fazia sentido. Ele lembrava que a galera tava toda em volta dele. Lembrava da zoeira dos palavras e o muro que formavam perto dele.
—Senhora, o garoto não precisa se esforçar, deixa a gente cuidar dele. —Diz o paramédico, visivelmente hostil contra a mulher.
—Ah, claro. Entendo.
A viagem foi quase completamente silenciosa, exceto pelo paramédico que tentava manter o garoto acordado. Nos momentos em que Pedro não estava prestes a desmaiar, ele pensava no que aconteceu antes da queda, no que achava ter visto e na explicação para aquilo.
No hospital, o médico o examinou, foi examinado com muita atenção por insistência da mãe e respondeu a algumas perguntas com um simples sim ou não. O garoto era como um robô tentando dar um sentido à própria existência.
O médico explicou detalhadamente para a mãe e o filho que Pedro tinha uma concussão cerebral, que estava fora de perigo, mas que precisava ser vigiado caso surgissem sintomas. Mãe e filho foram acompanhados até a saída, com o garoto em cadeira de rodas, só por precaução, caso ele desmaiasse no caminho até o carro.
Passando por perto, o paramédico que o atendeu fumava um cigarro, contando o que viu para um colega, quando viu o garoto sair do hospital. Os olhares dos dois se cruzaram por um momento, e Pedro pôde ver nos olhos do homem: pena. Ele devia ter visto alguma coisa.
Era assim. O paramédico tinha visto como Teresa engolia a pica do valentão nos assentos do teatro da escola. Mal abriram a porta e entraram, lá estavam eles, bem escondidos mas não o suficiente. Ele os viu assim que começou a descer as escadas em direção ao ferido. O paramédico ficou obviamente perturbado com aquela visão, mas fez seu dever: ignorou aquela putaria e foi ajudar o filho daquela vagabunda. Foi só na ambulância, quando Teresa se apresentou, que ele descobriu que era a mãe. Pedro estava sozinho no carro com a mãe, com dor de cabeça, a luz do dia era forte demais para os olhos dele, todos esses eram alguns dos possíveis sintomas que o médico disse.
— Mamãe?
— Sim, filho?
— Você… por que…
— Fala, meu filho.
— Você, por que, por que não estava durante a apresentação?
— Claro que estava, Pedrinho, do que você tá falando?
— Não! Você não estava! Eu vi!… Quer dizer, não te vi. Seu lugar estava vazio.
— Pedrinho! Por que você tá tão bravo? Lembra o que o médico disse?
— O quê? Sim, mas… você não estava no seu lugar.
— Claro que estava. Não lembra que até me cumprimentou?
— …
— Eu estava lá filmando, mas uma senhora idosa me pediu o lugar porque tinha esquecido os óculos, queria ver a neta, e a gente trocou de lugar, então tive que ir lá pra trás… bem no fundo.
— …
Pedro estava confuso. Não lembrava disso. Mas sabia que a amnésia era um dos possíveis sintomas da pancada.
— Uma senhora idosa? Qual? Quem era? — perguntou Pedro.
— Não faço ideia, filho. Não perguntei o nome.
— Mas depois… depois… o que aconteceu?
— Você me diz, Pedrinho. Tava tudo bem até você cair. O que aconteceu, filho?
— Eu… não sei. Eu vi…
Pedro tinha medo de perguntar.
— Eu vi o Marcelo. Mamãe, o Marcelo estava lá, ele sorria, você… e você estava…
— Então você nos viu — disse Teresa, completamente relaxada, enquanto Pedro começava a suar frio.
— Sim, mãe. Te vi.
— Então por que você diz que eu não estava lá, se me viu?
— Não, eu não disse. Eu quis dizer… Mãe, por que o Marcelo estava lá? O que você estava fazendo?
— Ele veio assistir à apresentação e com certeza me notou, já que eu estava nas últimas fileiras, mais perto da entrada. Ele se aproximou pra falar comigo e sentou do meu lado.
— Isso aconteceu? Vocês conversaram?
— Sim, Pedro. Ele veio me dizer que se envergonhava de como se comportou e que queria esclarecer as coisas antes de viajar.
— Então ele vai embora?
— Foi o que ele disse. Além disso, queria falar com você pessoalmente pra… se reconciliar.
— Mentira!
— Se você diz, meu filho, acredito em você.
— Sério?
— Claro que sim. Além do mais, desde que você disse que ele foi preso, não tô disposta a dar confiança. Se você diz que as palavras dele são mentiras, então confio em você… e você confia na minha verdade?
— … S-sim, mãe.
Pedro não gostou dessa última parte. Tecnicamente, ela não tinha dito nada de errado ou suspeito, mas foi o jeito como… Ele disse, aquele olhar, como se soubesse exatamente do que queria acusá-la antes que ela fizesse isso. "Talvez eu não tenha visto direito, talvez eu me lembre errado, ela nunca seria capaz... não, não ela, o médico disse que poderiam ter lapsos de memória, mas uma coisa é esquecer e outra é lembrar de algo totalmente diferente... ou não?" O garoto não fazia ideia do que estava acontecendo, mas tinha medo de descobrir, então, no seu pavor pela verdade, se refugiou na dúvida e na suspeita, porque até aquelas sensações terríveis eram melhores do que a possível realidade. — Não, Felipe, não se preocupa, eu cuido de tudo... Sim, tenho certeza. Não foi nada grave, o próprio médico disse... Sim, sim, eu sei, eu sei... Tira o tempo que precisar, aquele contrato é importante... Não, Felipe, ela está descansando. Pedro ouviu atrás da porta sua mãe mentindo para o pai no telefone.
Ele se surpreendia que o pai ainda não tivesse ligado pra perguntar se ele tava bem, mas agora sabia o porquê. A mãe tinha dito que já tinha avisado ele e que ele tava muito ocupado com o trabalho, mas agora tá claro que também mentiu sobre isso. "Por que ela mente? Claro que foi grave! Uma concussão não é brincadeira, minha cabeça ainda não parava de doer... Talvez... talvez ela faça isso pra ele não se preocupar. É, tem que ser por isso." Mas quando já ia se retirar, um passo em falso fez uma das tábuas do assoalho ranger. —...Boa noite, Felipe, a gente fala amanhã. Era óbvio que Pedro tinha sido descoberto. Logo depois do rangido, a mãe mudou a voz pra um tom mais sério e se despediu rápido do pai. O moleque não tinha escolha, então tentou sair o mais rápido e silenciosamente possível pro quarto, mas já era tarde demais. —Pedro. A voz suave, delicada, mas ao mesmo tempo inexplicavelmente aterrorizante da mãe ecoou nos ouvidos e no coração dele. —Eu te falei pra dormir. Você tá muito cansado. O que tá fazendo aí fora? —Eu... só queria pegar um copo d'água. —Um copo d'água? Atrás da minha porta? O garoto nunca foi bom em mentir, ainda mais agora que tava com medo da própria mãe. —Eu... —Você não tem que ficar espionando a mamãe, Pedrinho. Isso não é coisa boa. —Desculpa, mãe. —Não quero que seu pai se preocupe com sua condição, ainda mais agora, então é melhor a gente não falar nada sobre o que aconteceu, ok? —Ok, mas então o que você disse pra ele? —O que aconteceu... mais ou menos. Falei que você tropeçou e bateu a cabeça. Disse que um médico te examinou, mas nada mais. Não precisava falar mais nada. —Entendi. —Agora vai pro seu quarto. Vou te preparar um chá quentinho pra você dormir bem, ok? —Sim, obrigado, mãe. O moleque foi pro quarto, mas a voz da mãe parou ele de novo. —Pedro. Espera. Me dá seu celular. —O quê? Por quê? —Você precisa descansar. Não quero que tenha distrações na hora de dormir. —Não vou vou fazer, mãe, te prometo. —Pedro, meu filho, me escuta, me dá o celular. De novo aquela voz. Pedro obedeceu e entregou o celular, e pouco depois sua mãe chegou no quarto dele com um copo de porra quentinha. —Toma aqui, Pedrinho. —Valeu. Pouco depois de tomar o copo de porra, o sono chegou e o garoto relaxou, caindo rapidamente nos braços de Morfeu. A última coisa que ele ouviu foram os saltos da mãe saindo do quarto e fechando a porta com chave. UMA SEMANA ANTES DA RECITA… Teresa estava no meio do pai e do filho, de joelhos, alternando entre a pica de um e do outro. Com a mão esquerda segurava a do James e com a direita a do Junior.
-vadia mãe! Essa sim é uma gostosa! -O que seu marido diria se te visse agora? Perguntou o chefe da esposa. Teresa não respondeu, não estava interessada em conversar. A única coisa que tinha na cabeça era fazer o que tinha vindo fazer, o que lhe haviam ordenado. Tudo isso para voltar a ter a pica do Marcelo.
Teresa se masturbava, lambia e chupava os dois paus sem parar até conseguir fazer os dois gozarem ao mesmo tempo. - AAAHHH, disseram pai e filho. - Sua... sua mulher. Você é de outro mundo. - Então... temos um acordo? - Claro que sim. Não é mesmo, Júnior? - Com certeza. Com certeza valeu a pena. Teresa acertou os últimos detalhes com os dois, se vestiu e foi embora.
DIA 1
Felipe se preparava pra mais uma apresentação pros possíveis sócios da empresa. Tava no Japão fazia dois dias, mas não fazia ideia se tinha feito algum progresso. A empresa dele, do nada, mandou ele pro Japão pra representar os interesses deles nas negociações de venda de um monte de blá, blá, blá. Até o Felipe já tava de saco cheio do trampo dele, mas mesmo assim tinha que fazer aquilo pra sustentar a família e dar a vida que eles merecem. A esposa dele ficou estranhamente feliz com essa oportunidade que deram pra ele e insistiu pra ele ir, mesmo ele perdendo a apresentação que o filho tava tão empolgado.
Era um espanhol em terra distante e não falava a língua do lugar, então não entendia o que os possíveis sócios diziam entre si depois de assistirem à apresentação dele. O que era certo é que não tavam falando dele ou da apresentação, porque ele via eles rindo e batendo papo como se estivessem contando o que fizeram na noite passada. A única coisa que ele ouvia deles era:
— Again, again please.
Pediam pra ele repetir a apresentação enquanto nem prestavam atenção.
— Tomorrow, tomorrow.
Diziam que precisavam fazer outro encontro no dia seguinte.
Enquanto isso, Pedro acordava. Olhou pro relógio na parede e viu que eram 11 da manhã, tinha dormido muito, mas ainda se sentia cansado, sem energia. “Pelo menos não tô mais com dor de cabeça.” Foi pra cozinha, onde a mãe dele esperava, cozinhando o café da manhã.
— Bom dia, Pedrinho. Dormiu demais.
Parecia que tudo tinha voltado ao normal.
— E o Jonas?
— Levei ele pra escola, ué.
A mãe dele tava muito feliz e radiante, como ele não via ela fazia tempo. Qual seria o motivo?
Enquanto isso, Felipe saía da reunião quase sem voz. Tinha falado e repetido a mesma coisa, a mesma coisa, a mesma coisa por horas pros mesmos possíveis clientes de antes, mais alguns novos que estavam na sala de apresentação naquele dia. Os que pareciam ser os chefes do lugar decidiram sair pra comemorar, convidando todos os funcionários do escritório e tal. Incluía o Felipe também. O cara foi feliz achando que isso significava o fim do trampo dele e novos parceiros pra empresa onde trabalhava. Tava certo de que ia ganhar uma promoção por causa disso. Felipe aproveitou uns minutos que tinha livres pra ligar pro filho, mas infelizmente ninguém atendeu. Tentou várias vezes até que decidiu ligar pra Teresa. - Alô? - Teresa, meu amor, como cê tá? - Tô bem, Felipe, o que cê quer? - Tava ligando pro Pedro, mas ele não atende. - Desculpa, Felipe, ele não quer falar com você. - O quê? Por quê? - Tá puto porque você não veio na apresentação. - Mas... ele disse que tudo bem se eu não viesse. Disse que entendia o motivo. - Não sei o que te dizer, Felipe. Parece que não é mais assim. - Então passa ele pra mim. - Ele não quer falar com você. Não vou forçar ele a fazer o que não quer. - Por favor, Teresa... - Aliás, como é que tá o trabalho? Suponho que já voltou. - Ah, não, ainda não. Viu, consegui fechar com os clientes e agora tão nos levando pra comemorar. - Tá falando sério, Felipe? Eu aqui sozinha, seu filho teve um acidente e você vai comemorar com seus novos amigos? - Não, não. Não é assim, tesouro. Sabe, aqui é muito mal-educado recusar um convite do chefe, então por hoje... - É, claro, como não. Se diverte. Teresa desliga o celular bem na hora que o filho entra na cozinha. - Quem era, mãe? - Ninguém, só um vendedor chato pra caralho. Tava tentando me vender um novo serviço de internet. De qualquer forma, como cê tá? - Melhor... acho. Já não tô com dor de cabeça, mas ainda me sinto cansado. Não sei por quê. - O médico disse que podia acontecer. - Ele disse? - Sim, é melhor você ficar em casa esses dias, até se sentir melhor. - É, acho que cê tem razão. Então cê pode devolver o celular? - Ah, não, Pedrinho, não dá. - Por quê? - Se você não percebeu, não tem internet em casa, desde ontem à noite, na real. - Entendi. Mas posso usar mesmo assim meu celular pra... - NÃO! Teresa levantou a voz, surpreendendo o filho. - Não insiste, Pedrinho. Falei que não. Melhor ir ver TV ou... Melhor ler um livro. Isso bastou pra lembrar Pedro que nem tudo tinha voltado ao normal. Não restava outra opção senão obedecer. Felipe tava num stripclub que, pelo que via, também era uma casa de prazer. Tava rodeado de homens bêbados babando atrás das minas, enquanto ele tentava manter a postura, sem beber nada e sem olhar pra ninguém.
Um dos caras que eu achava que eram os chefões chega perto de mim bêbado, tentando me oferecer uma mulher. O bom e fiel marido recusou comprometer seus ideais e, tentando ir embora, descobriu que seu trabalho no Japão ainda não tinha acabado. — Tomorrow, tomorrow again, ok? — disse o cara, pouco antes de entrar num quarto privado com a prostituta. — Sério, Felipe? Um stripclub? — Desculpa, amor, mas não é minha culpa. Não sabia pra onde estavam me levando. — É, claro. E suponho que amanhã também vão comemorar o fato de não terem assinado o contrato. — Não sei o que dizer, Teresa. Eu… Teresa desliga a ligação depois de fingir que está brava e vai dar o copo de porra pro filho dela. — Boa noite, Pedrinho. Toma tudo. — Boa noite, mãe. Uns segundos depois, um sono pesado toma conta do garoto, e quando ele estava prestes a fechar os olhos, ouve a campainha da casa tocar. DIA 2 Pedro acordou, dessa vez mais tarde que no primeiro dia. Ainda se sentia fraco e sem forças, o que achou estranho. Desceu pra cozinha e encontrou uma bagunça enorme, como se uns bichos selvagens tivessem passado por ali. Ficou pensando se poderiam ter entrado pra roubar, mas se fosse o caso, com certeza ele ou a mãe teriam percebido. — Mãe? Não tinha ninguém em casa, ele estava sozinho. Quis sair pra tomar um ar fresco, mas percebeu que a porta estava trancada com chave do lado de fora. Era prisioneiro na própria casa. Começou a procurar o celular pra ligar pra mãe, mas não achava. Por uma hora, procurou em todos os cômodos da casa, mas seu único jeito de contatar o mundo lá fora tinha sumido. Mesmo estando na própria casa, Pedro sentia medo. "Por que ela me trancou aqui dentro?
Claro que podia pular pela janela, gritar por socorro, talvez os vizinhos ouvissem, mas talvez tudo isso parecesse exagero pra ele. Não queria fazer um drama do que tinha acontecido. Pedro queria fingir que tava tudo bem, mas o instinto dele avisava que não era assim, e a imaginação levava ele a pensar no pior.
— Pedrinho. Já acordou? — diz Teresa entrando pela porta da frente com as chaves.
— Mãe! O que houve com você? Por que me trancou dentro de casa?
— Trancar você?
— Sim! Não conseguia sair! A porta tá trancada com chave! Não tinha meu celular e não sabia como te ligar.
— Pedro! Relaxa! Por que você tá tão agitado?
— …
— Você não é mais criança! Se perdeu no supermercado, foi? Para de fazer tanto drama!
— Mas… você me trancou dentro.
— Não te tranquei! Você tava dormindo, saí pra deixar o Jonas na escola e, como faço sempre, tranco a porta com chave. É a rotina, filho.
— Eu…
— Seu celular tava na minha bolsa, esqueci que tava com ele? É por isso que você tá fazendo esses chiliques de menino mimado?
O que a mãe dele dizia fazia sentido. Claro, o que tinha acontecido, ou o que ele achou que tinha acontecido, deu outro contexto pra situação, mas agora que ela explicava, ele se sentia um idiota.
— Desculpa, mãe.
— Você tá ficando paranoico, filho. Tô com medo de que o médico tinha razão.
— Sobre o quê?
— Liguei pra ele de manhã pra contar dos seus sintomas, e ele disse que você já devia ter sarado completamente. Falou que se continuasse assim, teria que te dar outros remédios.
— Entendi. Na verdade, ainda me sinto meio cansado.
— Cansado e louco. Fui comprar os comprimidos que o médico receitou. Por isso demorei tanto.
Eram meio-dia. Pedro tomou o novo remédio e sentou no sofá da sala, esperando se sentir melhor.
TRIIIIIN
O celular do apartamento de Pedro tocou, e na tela apareceu escrito PAI.
UM POUCO ANTES…
Felipe tinha conseguido assinar um contrato de exclusividade com os novos sócios e estava no quarto de hotel arrumando as malas pra pegar o primeiro voo pra casa. O homem se sentia Aliviado de voltar pra casa, com os filhos e a esposa orgulhosa, também feliz por ter feito um grande serviço pra empresa onde trabalhava. TRIIIIN O celular dele tocou. AGORA… Pedro ouviu o celular, mas a visão começou a embaçar. — Oi, pai? — Pedro, meu filho, como você tá? — Eu… pai? — Não tô te ouvindo direito, meu filho. Como você tá? — Eu… tô cansado. A cabeça… — Pedro, desculpa não ter conseguido ir na sua festa, mas… Pedro não conseguiu ouvir nem entender direito o que o pai dele disse depois. Se sentia sem forças como nunca tinha se sentido antes. — Pedro? Cê tá aí? Foi a última coisa que o garoto entendeu antes de desmaiar no sofá, percebendo que a mãe dele estava ali do lado.
— O Felipe não quer falar com você. Entenda isso.
— Sei não, Teresa. Ele não parecia bem. O que o médico disse?
— Seu filho está bem, não se preocupe. Você já está chegando, né? — disse Teresa, já sabendo a resposta.
— …me desculpa, meu tesouro. Juro que vou demorar só mais uns dias. Meu chefe me ligou e mandou eu tratar com outra empresa de outra cidade. Parece que eles também tão interessados em virar sócios. Tô indo pegar o trem pra…
Teresa desligou o celular na cara dele, e Felipe se sentiu o pior marido do mundo. Se consolava pensando que, quando voltasse, levaria a esposa pra um jantar romântico no restaurante mais caro da cidade. Talvez aquilo fizesse ela perdoá-lo. Também seria uma chance de comemorar a promoção certa que vinha por aí.
Pedro começou a acordar com o barulho que ouvia. A cabeça dele pesava como concreto, a luz que entrava pela janela da sala era forte demais, e o corpo dele parecia dormente.
— Ah, ah, ah, ah, ah…
Foi o que o garoto ouviu. Ele ainda não tava totalmente acordado, mas cada gemido acelerava o batimento do coração dele, assustava e despertava. Quando abriu os olhos o suficiente pra poder dizer que tava com eles abertos, percebeu que ainda estava no sofá. O sol do dia já dava pra saber mais ou menos que horas eram, então ele sabia que tinham passado horas desde que dormiu.
Junto com os gemidos, ele conseguiu distinguir claramente agora um som de carne, tipo palmas ou tapas, todos seguidos, rítmicos e fortes. O inconsciente dele foi dando lugar ao consciente, enquanto ele entendia do que se tratava.
— Ma…
Foi a única coisa que os lábios dormentes dele conseguiram pronunciar, mas mesmo repetindo duas ou três vezes, cada vez mais alto que a anterior, aqueles barulhos não paravam.
A próxima coisa que ele conseguiu mexer foram os braços; movimentos desajeitados, desordenados e fracos, mas eram movimentos. Levou alguns segundos para conseguir dobrar os pulsos e fazer as palmas das mãos tocarem a pele do sofá. — Ah, ah, ah, ah, ah, sim, sim, sim! A voz que ele ouvia parecia familiar. Pedro rezava pra acordar daquele pesadelo. Depois de um tempo, ele conseguiu força pra empurrar um pouco a parte superior do corpo pra cima, igual um bebê aprendendo a engatinhar. Falhou. Os braços cederam e o rosto dele caiu no sofá. Foi aí que ele conseguiu distinguir as respirações pesadas e assustadoras de outra pessoa ali. Cada respiração se sincronizava com os gemidos dela e com as batidas, deixando claro, sem sombra de dúvida, o que tava rolando. Mas uma coisa é saber, outra é ver. Pedro empurrou de novo, com todo o medo e desespero que sentia. Um cheiro forte bateu no nariz dele.
Diante dele estava sua mãe, a mulher que o trouxe ao mundo, a esposa de seu pai, o que ele mais amava neste mundo — e agora estava sendo fodida como uma puta vulgar pelo bastardo que transformou sua vida num inferno. Ele sentiu como se alguém tivesse arrancado o coração do peito. Ela não parava de gemer como se estivesse possuída, os peitos dela balançando vulgarmente sob as porradas de Marcelo, que por trás a segurava pelo pescoço.
Ele não ouviu o que ela tava cochichando no ouvido dele, mas viu a mãe sorrir. Não conseguia acreditar no que os próprios olhos viam. Ela tava olhando direto nos olhos dele, sem dizer nada, só gemendo, mas aquele olhar fez ele entender que ela tava completamente consciente do que tava fazendo e de quem tava na frente. Ela sabia a dor que tava causando no próprio filho e não tava nem aí, ou pior, tava adorando aquilo. — Ba…basta. Pedro conseguiu falar. Foram só segundos, mas ele já não aguentava mais. Humilhação, raiva, medo, tristeza e dor era o que o garoto sentia. Uma mistura de tudo de pior que ele podia imaginar, tudo condensado naquele momento. Ele tava percebendo que tudo que Marcelo tinha falado sobre ela era verdade, as palavras dele, aqueles vídeos, eram verdade. Pensou em tudo que tinha passado e no que o levou até ali naquele momento. "Era tão óbvio, tão claro, como eu pude não ver?" O trauma dele trouxe clareza e revelação, fazendo ele perceber o quanto tinha sido cego, o quanto tinha confiado nela, o quanto tinha fugido da realidade se deixando manipular pelo amor pela própria mãe.
Quando tava tendo essa revelação, os olhos dele pesaram de novo. Começou a se sentir sem forças outra vez e o corpo dele falhava novamente. Não sabia se ia desmaiar ou morrer de tanta traição. PAFFF Um tapa na cara trouxe ele de volta à realidade. A mãe dele queria ele acordado, queria ele consciente de como ele tava sendo traído. Ela gemia mais alto, como pra manter ele acordado. A cara dela, aquele rosto tão lindo e angelical que ele lembrava, agora tava contorcido numa expressão horrível de puro prazer e luxúria que o filho nunca tinha visto. Era essa a verdadeira cara da mãe dele?
Graças a Deus, tudo isso não foi suficiente pra manter ele acordado, e ele caiu de novo num sono profundo do qual não queria acordar, no qual queria se esconder e talvez levantar descobrindo que foi tudo um pesadelo horrível. Continua…
—Senhora, o garoto não precisa se esforçar, deixa a gente cuidar dele. —Diz o paramédico, visivelmente hostil contra a mulher.
—Ah, claro. Entendo.
A viagem foi quase completamente silenciosa, exceto pelo paramédico que tentava manter o garoto acordado. Nos momentos em que Pedro não estava prestes a desmaiar, ele pensava no que aconteceu antes da queda, no que achava ter visto e na explicação para aquilo.
No hospital, o médico o examinou, foi examinado com muita atenção por insistência da mãe e respondeu a algumas perguntas com um simples sim ou não. O garoto era como um robô tentando dar um sentido à própria existência.
O médico explicou detalhadamente para a mãe e o filho que Pedro tinha uma concussão cerebral, que estava fora de perigo, mas que precisava ser vigiado caso surgissem sintomas. Mãe e filho foram acompanhados até a saída, com o garoto em cadeira de rodas, só por precaução, caso ele desmaiasse no caminho até o carro.
Passando por perto, o paramédico que o atendeu fumava um cigarro, contando o que viu para um colega, quando viu o garoto sair do hospital. Os olhares dos dois se cruzaram por um momento, e Pedro pôde ver nos olhos do homem: pena. Ele devia ter visto alguma coisa.
Era assim. O paramédico tinha visto como Teresa engolia a pica do valentão nos assentos do teatro da escola. Mal abriram a porta e entraram, lá estavam eles, bem escondidos mas não o suficiente. Ele os viu assim que começou a descer as escadas em direção ao ferido. O paramédico ficou obviamente perturbado com aquela visão, mas fez seu dever: ignorou aquela putaria e foi ajudar o filho daquela vagabunda. Foi só na ambulância, quando Teresa se apresentou, que ele descobriu que era a mãe. Pedro estava sozinho no carro com a mãe, com dor de cabeça, a luz do dia era forte demais para os olhos dele, todos esses eram alguns dos possíveis sintomas que o médico disse.
— Mamãe? — Sim, filho?
— Você… por que…
— Fala, meu filho.
— Você, por que, por que não estava durante a apresentação?
— Claro que estava, Pedrinho, do que você tá falando?
— Não! Você não estava! Eu vi!… Quer dizer, não te vi. Seu lugar estava vazio.
— Pedrinho! Por que você tá tão bravo? Lembra o que o médico disse?
— O quê? Sim, mas… você não estava no seu lugar.
— Claro que estava. Não lembra que até me cumprimentou?
— …
— Eu estava lá filmando, mas uma senhora idosa me pediu o lugar porque tinha esquecido os óculos, queria ver a neta, e a gente trocou de lugar, então tive que ir lá pra trás… bem no fundo.
— …
Pedro estava confuso. Não lembrava disso. Mas sabia que a amnésia era um dos possíveis sintomas da pancada.
— Uma senhora idosa? Qual? Quem era? — perguntou Pedro.
— Não faço ideia, filho. Não perguntei o nome.
— Mas depois… depois… o que aconteceu?
— Você me diz, Pedrinho. Tava tudo bem até você cair. O que aconteceu, filho?
— Eu… não sei. Eu vi…
Pedro tinha medo de perguntar.
— Eu vi o Marcelo. Mamãe, o Marcelo estava lá, ele sorria, você… e você estava…
— Então você nos viu — disse Teresa, completamente relaxada, enquanto Pedro começava a suar frio.
— Sim, mãe. Te vi.
— Então por que você diz que eu não estava lá, se me viu?
— Não, eu não disse. Eu quis dizer… Mãe, por que o Marcelo estava lá? O que você estava fazendo?
— Ele veio assistir à apresentação e com certeza me notou, já que eu estava nas últimas fileiras, mais perto da entrada. Ele se aproximou pra falar comigo e sentou do meu lado.
— Isso aconteceu? Vocês conversaram?
— Sim, Pedro. Ele veio me dizer que se envergonhava de como se comportou e que queria esclarecer as coisas antes de viajar.
— Então ele vai embora?
— Foi o que ele disse. Além disso, queria falar com você pessoalmente pra… se reconciliar.
— Mentira!
— Se você diz, meu filho, acredito em você.
— Sério?
— Claro que sim. Além do mais, desde que você disse que ele foi preso, não tô disposta a dar confiança. Se você diz que as palavras dele são mentiras, então confio em você… e você confia na minha verdade?
— … S-sim, mãe.
Pedro não gostou dessa última parte. Tecnicamente, ela não tinha dito nada de errado ou suspeito, mas foi o jeito como… Ele disse, aquele olhar, como se soubesse exatamente do que queria acusá-la antes que ela fizesse isso. "Talvez eu não tenha visto direito, talvez eu me lembre errado, ela nunca seria capaz... não, não ela, o médico disse que poderiam ter lapsos de memória, mas uma coisa é esquecer e outra é lembrar de algo totalmente diferente... ou não?" O garoto não fazia ideia do que estava acontecendo, mas tinha medo de descobrir, então, no seu pavor pela verdade, se refugiou na dúvida e na suspeita, porque até aquelas sensações terríveis eram melhores do que a possível realidade. — Não, Felipe, não se preocupa, eu cuido de tudo... Sim, tenho certeza. Não foi nada grave, o próprio médico disse... Sim, sim, eu sei, eu sei... Tira o tempo que precisar, aquele contrato é importante... Não, Felipe, ela está descansando. Pedro ouviu atrás da porta sua mãe mentindo para o pai no telefone.
Ele se surpreendia que o pai ainda não tivesse ligado pra perguntar se ele tava bem, mas agora sabia o porquê. A mãe tinha dito que já tinha avisado ele e que ele tava muito ocupado com o trabalho, mas agora tá claro que também mentiu sobre isso. "Por que ela mente? Claro que foi grave! Uma concussão não é brincadeira, minha cabeça ainda não parava de doer... Talvez... talvez ela faça isso pra ele não se preocupar. É, tem que ser por isso." Mas quando já ia se retirar, um passo em falso fez uma das tábuas do assoalho ranger. —...Boa noite, Felipe, a gente fala amanhã. Era óbvio que Pedro tinha sido descoberto. Logo depois do rangido, a mãe mudou a voz pra um tom mais sério e se despediu rápido do pai. O moleque não tinha escolha, então tentou sair o mais rápido e silenciosamente possível pro quarto, mas já era tarde demais. —Pedro. A voz suave, delicada, mas ao mesmo tempo inexplicavelmente aterrorizante da mãe ecoou nos ouvidos e no coração dele. —Eu te falei pra dormir. Você tá muito cansado. O que tá fazendo aí fora? —Eu... só queria pegar um copo d'água. —Um copo d'água? Atrás da minha porta? O garoto nunca foi bom em mentir, ainda mais agora que tava com medo da própria mãe. —Eu... —Você não tem que ficar espionando a mamãe, Pedrinho. Isso não é coisa boa. —Desculpa, mãe. —Não quero que seu pai se preocupe com sua condição, ainda mais agora, então é melhor a gente não falar nada sobre o que aconteceu, ok? —Ok, mas então o que você disse pra ele? —O que aconteceu... mais ou menos. Falei que você tropeçou e bateu a cabeça. Disse que um médico te examinou, mas nada mais. Não precisava falar mais nada. —Entendi. —Agora vai pro seu quarto. Vou te preparar um chá quentinho pra você dormir bem, ok? —Sim, obrigado, mãe. O moleque foi pro quarto, mas a voz da mãe parou ele de novo. —Pedro. Espera. Me dá seu celular. —O quê? Por quê? —Você precisa descansar. Não quero que tenha distrações na hora de dormir. —Não vou vou fazer, mãe, te prometo. —Pedro, meu filho, me escuta, me dá o celular. De novo aquela voz. Pedro obedeceu e entregou o celular, e pouco depois sua mãe chegou no quarto dele com um copo de porra quentinha. —Toma aqui, Pedrinho. —Valeu. Pouco depois de tomar o copo de porra, o sono chegou e o garoto relaxou, caindo rapidamente nos braços de Morfeu. A última coisa que ele ouviu foram os saltos da mãe saindo do quarto e fechando a porta com chave. UMA SEMANA ANTES DA RECITA… Teresa estava no meio do pai e do filho, de joelhos, alternando entre a pica de um e do outro. Com a mão esquerda segurava a do James e com a direita a do Junior.
-vadia mãe! Essa sim é uma gostosa! -O que seu marido diria se te visse agora? Perguntou o chefe da esposa. Teresa não respondeu, não estava interessada em conversar. A única coisa que tinha na cabeça era fazer o que tinha vindo fazer, o que lhe haviam ordenado. Tudo isso para voltar a ter a pica do Marcelo.
Teresa se masturbava, lambia e chupava os dois paus sem parar até conseguir fazer os dois gozarem ao mesmo tempo. - AAAHHH, disseram pai e filho. - Sua... sua mulher. Você é de outro mundo. - Então... temos um acordo? - Claro que sim. Não é mesmo, Júnior? - Com certeza. Com certeza valeu a pena. Teresa acertou os últimos detalhes com os dois, se vestiu e foi embora.
DIA 1 Felipe se preparava pra mais uma apresentação pros possíveis sócios da empresa. Tava no Japão fazia dois dias, mas não fazia ideia se tinha feito algum progresso. A empresa dele, do nada, mandou ele pro Japão pra representar os interesses deles nas negociações de venda de um monte de blá, blá, blá. Até o Felipe já tava de saco cheio do trampo dele, mas mesmo assim tinha que fazer aquilo pra sustentar a família e dar a vida que eles merecem. A esposa dele ficou estranhamente feliz com essa oportunidade que deram pra ele e insistiu pra ele ir, mesmo ele perdendo a apresentação que o filho tava tão empolgado.
Era um espanhol em terra distante e não falava a língua do lugar, então não entendia o que os possíveis sócios diziam entre si depois de assistirem à apresentação dele. O que era certo é que não tavam falando dele ou da apresentação, porque ele via eles rindo e batendo papo como se estivessem contando o que fizeram na noite passada. A única coisa que ele ouvia deles era:
— Again, again please.
Pediam pra ele repetir a apresentação enquanto nem prestavam atenção.
— Tomorrow, tomorrow.
Diziam que precisavam fazer outro encontro no dia seguinte.
Enquanto isso, Pedro acordava. Olhou pro relógio na parede e viu que eram 11 da manhã, tinha dormido muito, mas ainda se sentia cansado, sem energia. “Pelo menos não tô mais com dor de cabeça.” Foi pra cozinha, onde a mãe dele esperava, cozinhando o café da manhã.
— Bom dia, Pedrinho. Dormiu demais.
Parecia que tudo tinha voltado ao normal.
— E o Jonas?
— Levei ele pra escola, ué.
A mãe dele tava muito feliz e radiante, como ele não via ela fazia tempo. Qual seria o motivo?
Enquanto isso, Felipe saía da reunião quase sem voz. Tinha falado e repetido a mesma coisa, a mesma coisa, a mesma coisa por horas pros mesmos possíveis clientes de antes, mais alguns novos que estavam na sala de apresentação naquele dia. Os que pareciam ser os chefes do lugar decidiram sair pra comemorar, convidando todos os funcionários do escritório e tal. Incluía o Felipe também. O cara foi feliz achando que isso significava o fim do trampo dele e novos parceiros pra empresa onde trabalhava. Tava certo de que ia ganhar uma promoção por causa disso. Felipe aproveitou uns minutos que tinha livres pra ligar pro filho, mas infelizmente ninguém atendeu. Tentou várias vezes até que decidiu ligar pra Teresa. - Alô? - Teresa, meu amor, como cê tá? - Tô bem, Felipe, o que cê quer? - Tava ligando pro Pedro, mas ele não atende. - Desculpa, Felipe, ele não quer falar com você. - O quê? Por quê? - Tá puto porque você não veio na apresentação. - Mas... ele disse que tudo bem se eu não viesse. Disse que entendia o motivo. - Não sei o que te dizer, Felipe. Parece que não é mais assim. - Então passa ele pra mim. - Ele não quer falar com você. Não vou forçar ele a fazer o que não quer. - Por favor, Teresa... - Aliás, como é que tá o trabalho? Suponho que já voltou. - Ah, não, ainda não. Viu, consegui fechar com os clientes e agora tão nos levando pra comemorar. - Tá falando sério, Felipe? Eu aqui sozinha, seu filho teve um acidente e você vai comemorar com seus novos amigos? - Não, não. Não é assim, tesouro. Sabe, aqui é muito mal-educado recusar um convite do chefe, então por hoje... - É, claro, como não. Se diverte. Teresa desliga o celular bem na hora que o filho entra na cozinha. - Quem era, mãe? - Ninguém, só um vendedor chato pra caralho. Tava tentando me vender um novo serviço de internet. De qualquer forma, como cê tá? - Melhor... acho. Já não tô com dor de cabeça, mas ainda me sinto cansado. Não sei por quê. - O médico disse que podia acontecer. - Ele disse? - Sim, é melhor você ficar em casa esses dias, até se sentir melhor. - É, acho que cê tem razão. Então cê pode devolver o celular? - Ah, não, Pedrinho, não dá. - Por quê? - Se você não percebeu, não tem internet em casa, desde ontem à noite, na real. - Entendi. Mas posso usar mesmo assim meu celular pra... - NÃO! Teresa levantou a voz, surpreendendo o filho. - Não insiste, Pedrinho. Falei que não. Melhor ir ver TV ou... Melhor ler um livro. Isso bastou pra lembrar Pedro que nem tudo tinha voltado ao normal. Não restava outra opção senão obedecer. Felipe tava num stripclub que, pelo que via, também era uma casa de prazer. Tava rodeado de homens bêbados babando atrás das minas, enquanto ele tentava manter a postura, sem beber nada e sem olhar pra ninguém.
Um dos caras que eu achava que eram os chefões chega perto de mim bêbado, tentando me oferecer uma mulher. O bom e fiel marido recusou comprometer seus ideais e, tentando ir embora, descobriu que seu trabalho no Japão ainda não tinha acabado. — Tomorrow, tomorrow again, ok? — disse o cara, pouco antes de entrar num quarto privado com a prostituta. — Sério, Felipe? Um stripclub? — Desculpa, amor, mas não é minha culpa. Não sabia pra onde estavam me levando. — É, claro. E suponho que amanhã também vão comemorar o fato de não terem assinado o contrato. — Não sei o que dizer, Teresa. Eu… Teresa desliga a ligação depois de fingir que está brava e vai dar o copo de porra pro filho dela. — Boa noite, Pedrinho. Toma tudo. — Boa noite, mãe. Uns segundos depois, um sono pesado toma conta do garoto, e quando ele estava prestes a fechar os olhos, ouve a campainha da casa tocar. DIA 2 Pedro acordou, dessa vez mais tarde que no primeiro dia. Ainda se sentia fraco e sem forças, o que achou estranho. Desceu pra cozinha e encontrou uma bagunça enorme, como se uns bichos selvagens tivessem passado por ali. Ficou pensando se poderiam ter entrado pra roubar, mas se fosse o caso, com certeza ele ou a mãe teriam percebido. — Mãe? Não tinha ninguém em casa, ele estava sozinho. Quis sair pra tomar um ar fresco, mas percebeu que a porta estava trancada com chave do lado de fora. Era prisioneiro na própria casa. Começou a procurar o celular pra ligar pra mãe, mas não achava. Por uma hora, procurou em todos os cômodos da casa, mas seu único jeito de contatar o mundo lá fora tinha sumido. Mesmo estando na própria casa, Pedro sentia medo. "Por que ela me trancou aqui dentro?
Claro que podia pular pela janela, gritar por socorro, talvez os vizinhos ouvissem, mas talvez tudo isso parecesse exagero pra ele. Não queria fazer um drama do que tinha acontecido. Pedro queria fingir que tava tudo bem, mas o instinto dele avisava que não era assim, e a imaginação levava ele a pensar no pior. — Pedrinho. Já acordou? — diz Teresa entrando pela porta da frente com as chaves.
— Mãe! O que houve com você? Por que me trancou dentro de casa?
— Trancar você?
— Sim! Não conseguia sair! A porta tá trancada com chave! Não tinha meu celular e não sabia como te ligar.
— Pedro! Relaxa! Por que você tá tão agitado?
— …
— Você não é mais criança! Se perdeu no supermercado, foi? Para de fazer tanto drama!
— Mas… você me trancou dentro.
— Não te tranquei! Você tava dormindo, saí pra deixar o Jonas na escola e, como faço sempre, tranco a porta com chave. É a rotina, filho.
— Eu…
— Seu celular tava na minha bolsa, esqueci que tava com ele? É por isso que você tá fazendo esses chiliques de menino mimado?
O que a mãe dele dizia fazia sentido. Claro, o que tinha acontecido, ou o que ele achou que tinha acontecido, deu outro contexto pra situação, mas agora que ela explicava, ele se sentia um idiota.
— Desculpa, mãe.
— Você tá ficando paranoico, filho. Tô com medo de que o médico tinha razão.
— Sobre o quê?
— Liguei pra ele de manhã pra contar dos seus sintomas, e ele disse que você já devia ter sarado completamente. Falou que se continuasse assim, teria que te dar outros remédios.
— Entendi. Na verdade, ainda me sinto meio cansado.
— Cansado e louco. Fui comprar os comprimidos que o médico receitou. Por isso demorei tanto.
Eram meio-dia. Pedro tomou o novo remédio e sentou no sofá da sala, esperando se sentir melhor.
TRIIIIIN
O celular do apartamento de Pedro tocou, e na tela apareceu escrito PAI.
UM POUCO ANTES…
Felipe tinha conseguido assinar um contrato de exclusividade com os novos sócios e estava no quarto de hotel arrumando as malas pra pegar o primeiro voo pra casa. O homem se sentia Aliviado de voltar pra casa, com os filhos e a esposa orgulhosa, também feliz por ter feito um grande serviço pra empresa onde trabalhava. TRIIIIN O celular dele tocou. AGORA… Pedro ouviu o celular, mas a visão começou a embaçar. — Oi, pai? — Pedro, meu filho, como você tá? — Eu… pai? — Não tô te ouvindo direito, meu filho. Como você tá? — Eu… tô cansado. A cabeça… — Pedro, desculpa não ter conseguido ir na sua festa, mas… Pedro não conseguiu ouvir nem entender direito o que o pai dele disse depois. Se sentia sem forças como nunca tinha se sentido antes. — Pedro? Cê tá aí? Foi a última coisa que o garoto entendeu antes de desmaiar no sofá, percebendo que a mãe dele estava ali do lado.
— O Felipe não quer falar com você. Entenda isso. — Sei não, Teresa. Ele não parecia bem. O que o médico disse?
— Seu filho está bem, não se preocupe. Você já está chegando, né? — disse Teresa, já sabendo a resposta.
— …me desculpa, meu tesouro. Juro que vou demorar só mais uns dias. Meu chefe me ligou e mandou eu tratar com outra empresa de outra cidade. Parece que eles também tão interessados em virar sócios. Tô indo pegar o trem pra…
Teresa desligou o celular na cara dele, e Felipe se sentiu o pior marido do mundo. Se consolava pensando que, quando voltasse, levaria a esposa pra um jantar romântico no restaurante mais caro da cidade. Talvez aquilo fizesse ela perdoá-lo. Também seria uma chance de comemorar a promoção certa que vinha por aí.
Pedro começou a acordar com o barulho que ouvia. A cabeça dele pesava como concreto, a luz que entrava pela janela da sala era forte demais, e o corpo dele parecia dormente.
— Ah, ah, ah, ah, ah…
Foi o que o garoto ouviu. Ele ainda não tava totalmente acordado, mas cada gemido acelerava o batimento do coração dele, assustava e despertava. Quando abriu os olhos o suficiente pra poder dizer que tava com eles abertos, percebeu que ainda estava no sofá. O sol do dia já dava pra saber mais ou menos que horas eram, então ele sabia que tinham passado horas desde que dormiu.
Junto com os gemidos, ele conseguiu distinguir claramente agora um som de carne, tipo palmas ou tapas, todos seguidos, rítmicos e fortes. O inconsciente dele foi dando lugar ao consciente, enquanto ele entendia do que se tratava.
— Ma…
Foi a única coisa que os lábios dormentes dele conseguiram pronunciar, mas mesmo repetindo duas ou três vezes, cada vez mais alto que a anterior, aqueles barulhos não paravam.
A próxima coisa que ele conseguiu mexer foram os braços; movimentos desajeitados, desordenados e fracos, mas eram movimentos. Levou alguns segundos para conseguir dobrar os pulsos e fazer as palmas das mãos tocarem a pele do sofá. — Ah, ah, ah, ah, ah, sim, sim, sim! A voz que ele ouvia parecia familiar. Pedro rezava pra acordar daquele pesadelo. Depois de um tempo, ele conseguiu força pra empurrar um pouco a parte superior do corpo pra cima, igual um bebê aprendendo a engatinhar. Falhou. Os braços cederam e o rosto dele caiu no sofá. Foi aí que ele conseguiu distinguir as respirações pesadas e assustadoras de outra pessoa ali. Cada respiração se sincronizava com os gemidos dela e com as batidas, deixando claro, sem sombra de dúvida, o que tava rolando. Mas uma coisa é saber, outra é ver. Pedro empurrou de novo, com todo o medo e desespero que sentia. Um cheiro forte bateu no nariz dele.
Diante dele estava sua mãe, a mulher que o trouxe ao mundo, a esposa de seu pai, o que ele mais amava neste mundo — e agora estava sendo fodida como uma puta vulgar pelo bastardo que transformou sua vida num inferno. Ele sentiu como se alguém tivesse arrancado o coração do peito. Ela não parava de gemer como se estivesse possuída, os peitos dela balançando vulgarmente sob as porradas de Marcelo, que por trás a segurava pelo pescoço.
Ele não ouviu o que ela tava cochichando no ouvido dele, mas viu a mãe sorrir. Não conseguia acreditar no que os próprios olhos viam. Ela tava olhando direto nos olhos dele, sem dizer nada, só gemendo, mas aquele olhar fez ele entender que ela tava completamente consciente do que tava fazendo e de quem tava na frente. Ela sabia a dor que tava causando no próprio filho e não tava nem aí, ou pior, tava adorando aquilo. — Ba…basta. Pedro conseguiu falar. Foram só segundos, mas ele já não aguentava mais. Humilhação, raiva, medo, tristeza e dor era o que o garoto sentia. Uma mistura de tudo de pior que ele podia imaginar, tudo condensado naquele momento. Ele tava percebendo que tudo que Marcelo tinha falado sobre ela era verdade, as palavras dele, aqueles vídeos, eram verdade. Pensou em tudo que tinha passado e no que o levou até ali naquele momento. "Era tão óbvio, tão claro, como eu pude não ver?" O trauma dele trouxe clareza e revelação, fazendo ele perceber o quanto tinha sido cego, o quanto tinha confiado nela, o quanto tinha fugido da realidade se deixando manipular pelo amor pela própria mãe.
Quando tava tendo essa revelação, os olhos dele pesaram de novo. Começou a se sentir sem forças outra vez e o corpo dele falhava novamente. Não sabia se ia desmaiar ou morrer de tanta traição. PAFFF Um tapa na cara trouxe ele de volta à realidade. A mãe dele queria ele acordado, queria ele consciente de como ele tava sendo traído. Ela gemia mais alto, como pra manter ele acordado. A cara dela, aquele rosto tão lindo e angelical que ele lembrava, agora tava contorcido numa expressão horrível de puro prazer e luxúria que o filho nunca tinha visto. Era essa a verdadeira cara da mãe dele?
Graças a Deus, tudo isso não foi suficiente pra manter ele acordado, e ele caiu de novo num sono profundo do qual não queria acordar, no qual queria se esconder e talvez levantar descobrindo que foi tudo um pesadelo horrível. Continua…
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