O último vagão

Era um sábado à noite, já passava das onze, e decidi pegar o metrô da Cidade do México pra voltar pra casa. Não sei o que me deu de entrar no último vagão; talvez fosse uma mistura de curiosidade e uma vontade estranha de constranger aqueles caras que sempre se aproveitam do espaço pra fazer suas coisas. Pensei que minha presença ia fazê-los recuar, que iam se sentir expostos. Mas o que vi ao entrar me deixou gelada, e não era o que eu esperava. Mal cruzei as portas, meus olhos trombaram com uma cena que não conseguia processar de imediato. Uma mulher, vestida com roupa de escritório — saia lápis, blusa amassada, como se tivesse acabado de sair de uma jornada interminável —, tava no meio de dois caras. Eles não pareciam nervosos nem disfarçados. Ela tinha as mãos nas calças deles, tocando os paus deles expostos, enquanto eles, com uma naturalidade que me desconcertou, passavam a mão nela por cima da roupa. Fiquei parada, com o corpo duro, sem saber se desviava o olhar ou continuava vendo. Não tinha vergonha neles, nem um pingo. Eles se masturbavam na minha frente, como se eu não existisse, como se o vagão fosse o mundinho particular deles. Na estação seguinte, as portas abriram e subiram mais dois caras. Não hesitaram nem um segundo pra se juntar. Também puxaram os paus pra fora e se tocaram na frente dela enquanto a mulher olhava pra eles com uma calma que me perturbava. O barulho do metrô mal disfarçava o som das respirações ofegantes deles. Na sexta estação, subiu mais um. Já eram cinco, todos em volta dela, se tocando, enquanto ela acariciava eles com uma mistura de indiferença e controle que eu não entendia. Eu tava a uns passos, agarrada no tubo, com o coração batendo na garganta. De repente, tudo escalou. Um deles gemeu forte e gozou nela, e como se fosse um sinal, os outros seguiram o mesmo. O esperma respingou na roupa dela, no cabelo, no rosto. Ela, sem se abalar, se ajoelhou e começou a chupar eles, um por um. Eu sentia uma raiva crescendo dentro de mim, uma indignação que queimava peito. Como podiam fazer isso? Como ela podia permitir? Mas, ao mesmo tempo, tinha algo mais, algo que me envergonhava admitir: uma faísca de excitação que percorria meu corpo e que eu não conseguia apagar. Era confuso, sujo, humano. Num momento, enquanto estava ajoelhada, ela levantou a cabeça e me olhou direto nos olhos. "Você quer?", disse com uma voz calma, quase gentil. Senti o calor subir no meu rosto. "Não", murmurei, baixando o olhar, embora por dentro minha mente desse voltas. E se eu dissesse que sim? E se um policial aparecesse de repente e nos encontrasse todos assim? Mas não aconteceu nada. O metrô seguiu seu caminho, e ninguém veio interromper. Os cinco terminaram, um após o outro, gozando nela. O chão do vagão ficou uma zona, poças brancas brilhando sob a luz fraca. Quando pareceu que tudo tinha acabado, ela se levantou com dificuldade, como se nada tivesse acontecido, e foi para um assento. Mas aí o metrô freou de repente. Ela escorregou no esperma do chão e caiu de costas, com as pernas para cima, numa cena quase cômica se não fosse tão grotesca. Os homens riram, alguns ajudaram ela a se levantar, e eu vi como a roupa dela, já suja, ficava ainda mais imunda com o chão grudento. Não aguentei mais. Na estação seguinte, as portas abriram e eu desci correndo, sem olhar para trás. Não soube o que aconteceu depois, se continuaram, se alguém viu, se ela ficou lá sentada como se nada. Caminhei rápido pela plataforma, com a cabeça cheia de imagens que não conseguia apagar e um nó no estômago que eu não sabia como desatar.

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