Almas cruzadas
Parece mentira que tenha acabado. Depois de viver quase quinze anos com quem parecia ser a mulher da minha vida, percebi que dividia a cama com uma estranha.
Hoje, com quarenta anos, me encontro sozinho, precisando apagar o passado para poder pensar no futuro.
Não reclamo, foram quinze anos lindos e que eu viveria de novo. Nos conhecemos quando ela tinha vinte, eu era cinco anos mais velho, trabalhava numa empresa familiar de impressão de plásticos na época.
Depois veio a Noelia, minha única filha, que hoje é uma doce adolescente. Tudo estava em paz e harmonia.
Mas a pequena empresa que era nossa fonte de sustento faliu, e ficamos com uns trocados da indenização. Não era pouco, mas também não era muito, então, com pressa, tivemos que tomar uma decisão e procurar um emprego antes de gastar o pouco que restava.
O destino nos levou ao Mike e à Adriana, um velho casal de amigos conhecidos que tinham um negócio de fast food. Como a Claudia, minha ex-mulher, tinha feito vários cursos de chef, combinamos de juntar o capital que tínhamos com o deles, ser sócios e dar um gás no negócio: novos ares, novos horizontes. Nossos amigos confessaram que estavam sobrecarregados com a quantidade de pedidos que recebiam todo dia.
Acho que devo esclarecer que, além de bons amigos e bons sócios, logo se formou uma química especial entre nós quatro. Como dizer, tinha pele.
A Adriana é uma mulher magra e bem proporcionada, cada coisa no seu lugar, olhos cor de mel e nariz pequeno, rosto oval, lábios carnudos e o rosto cheio de sardas, com um cabelo lindo e cacheado até a cintura, tingido de um ruivo claro cenoura. O Mike, um cara esbelto, alto, loiro, não muito musculoso, esguio, elegante e bem falado, com aquele sorriso safado que derrete as mulheres. A Claudia, minha ex-mulher, bom, o que vocês querem que eu diga? conta, acho que ainda estou apaixonado por ela, pra mim ela é perfeita, um pouco mais baixa, um pouco mais cheinha, de peitões e quadris largos, sempre platinada com o cabelo curto, de olhos pretos grandes que apaixonam à primeira vista, e eu, que escrevo, uma pessoa de perfil baixo, também magro e alto, não tanto quanto o Mike, meus olhos verdes e minha cavalheirice é o que as mulheres sempre elogiaram, especialmente minha esposa e minha preciosa filha.
E rolou uma convivência, uma convivência que eu me arrependeria no futuro. Os anos vividos junto com a Claudia começaram a cobrar seu preço, talvez a gente se conhecesse demais, talvez não soubéssemos lidar com isso, a gente sempre tava cansado, deixava o sexo pra última hora, além disso, nossa filha já era grande demais e a gente tinha que tomar todos os cuidados do caso.
Pra mim era normal, mas evidentemente pra minha amada esposa não, ou ela não se conformava, e começaram as reclamações.
Descobri que nossa cama de amor, onde antes a gente transava sem limites, de repente tinha virado um ringue de discussões, as reclamações da Claudia ficaram constantes, pra mim nossa vida sexual era normal, ou como eu imaginava que fosse a de qualquer casal na nossa situação, mas não pra ela, ela começou a falar que a rotina a entediava, que estar comigo não parecia ser grande programa, e que ela precisava ser comida, que era mulher e queria pica, e se não podia falar disso comigo com quem mais falaria, a verdade é que as reclamações dela começaram a me irritar, o jeito que ela falava comigo, como se aquilo fizesse ela se sentir mais mulher e eu menos homem.
E uma noite começou o princípio do fim, a Claudia queria transar, eu não, tava cansado, com sono, e não subiu, ela me chupou um bom tempo mas o sono me vencia, ela, puta, sentou na cama e acendeu a luz do abajur dela pra eu prestar atenção nela.
-Roque, isso não pode continuar assim, quero pica! quero foder!
-Mas agora não é hora...
-Nunca é a Momento…
—Não seja injusta…
—Deveríamos fazer como o Mike e a Adriana… — disse com um toque de mistério, deixando a porta aberta pra minha pergunta
—Mike e Adriana? O que eles têm a ver com isso?
—O quê? Você não sabe? Eles são swingers…
—Swingers? Mike e Adriana? Tem certeza? — perguntei me fazendo de desentendido
—Sim! Será que o Mike nunca te contou nada?
—Não… nunca… e acho que…
—Sim, a Adriana me conta tudo — ela se apressou em cortar minha pergunta
—Bom… é tarde, vamos dormir…
Deixei o assunto de lado, fugindo do tema, me deitei, virei de costas e fechei os olhos. Ela se resignou, senti ela apagar a luz e se acomodar pra dormir.
Demorei pra pegar no sono, fiquei preso nos meus pensamentos. O Mike tinha me falado sobre as trocas dele com a esposa, só que me fiz de desentendido com a Claudia, e a questão era: por que ela trouxe isso à tona agora?
No dia seguinte, acordamos como se nada tivesse acontecido, numa calma tensa. Tomamos café cedo e levei a Noelia pra escola, a rotina de sempre. Mas quando voltei, ela estava me esperando sentada à mesa da sala. Normalmente, ela arrumava a casa, mas aquela manhã seria diferente, então não tive escolha a não ser encarar a situação.
— O que foi? — perguntei, dando início ao assunto
— Nada… por causa de ontem à noite — ela começou, meio tímida
— Sim, o que foi? — repeti
— Olha, você nunca fantasiou com a Adriana?
— Por quê? De onde vem essa pergunta?
— Responde, nunca olhou pra ela de homem pra mulher? Nunca sentiu vontade de comer ela?
— O que há com você, Claudia?
— Mas… ela é uma mulher gostosa, tem uma bunda bonita, uns peitos lindos…
— E? Supondo que eu quisesse comer ela, qual é o ponto? — respondi meio irritado
Ela fez um silêncio longo e evasivo, até retomar o assunto.
— Sabe, Roque, ela tá afim de você… — disse mexendo as mãos nervosamente, sem olhar nos meus olhos
— É? Ela te disse isso? — me senti meio curioso e vaidoso ao mesmo tempo, essas palavras despertaram curiosidade em mim mi
—Sim, a gente conta tudo pra tudo, e ela me disse que ficaria super feliz se você desse uma boa foda nela…
—Essa gostosa tá te enchendo a cabeça! — respondi em tom de reclamação
O silêncio tomou conta do lugar de novo, e dessa vez fui eu quem perguntou
—Mas claro… imagino que se eu fuder a Adriana, você tem que dar pra Mike, certo?
—Claro, essa é a ideia, acha ruim?
—Agora saco! Você tá afim do Mike, é isso! Você quer que ele te coma gostoso, nosso amigo, nosso sócio!
—Mas o que é isso? Aqui não tem engano! Tá tudo claro, é só uma troca, só sexo, eu te amo, seu idiota!
—Claudia… não te conheço mais…
Levantei e dei a discussão por encerrada, ela parecia disposta a tudo, ‘queria experimentar’, ‘qual o mal?’, como se fosse trocar um par de meias…
Nos meses seguintes, me senti assediado, Claudia ficou obcecada e repetitiva com o assunto, além de falar abertamente com nossos amigos, Mike tocava no assunto de vez em quando e Adriana se insinuava pra mim feito uma puta no cio, e de repente me vi sozinho lutando contra os três, e percebi que eles iam fazer aquilo, seríamos quatro, ou seriam três…
Adriana era muito gostosa, qualquer homem daria uma boa foda nela, claro, e Mike era um cara legal, eu gostava dele, mas Claudia… me surpreendia com essas ideias, ela realmente parecia diferente, sem vergonha, decidida, tava mais excitada pelo tesão da troca entre os quatro no mesmo lugar do que pela ideia de transar com o Mike, mas eu me sentia confuso, qual seria minha reação ao vê-la sendo tocada por outro? sendo beijada por outro? sendo comida por outro? Eram dúvidas demais, coisas demais que eu não queria imaginar…
Naquela noite, Noelia, nossa filha, tinha uma festa do pijama na casa de uma amiga. A Claudia contou pra Adriana, a Adriana contou pro Mike, e tudo acabou num jantar na casa deles. Ia ser só um jantar, mas eu sabia como terminaria…
Ao anoitecer, deixamos nossa filha na casa da amiga e fomos pra casa dos nossos amigos. A Claudia tava tranquila, relaxada, como se tivesse tudo sob controle. Percebi que a Adriana tava um arraso, com uma saia no meio da perna, justinha, e uma blusa carmesim. A magreza de modelo dela me deixava louco.
O churrasco tava uma delícia, com um vinho tinto que a gente levou e uma música suave de fundo. Só ficamos falando de lembranças, de negócios, de coisas superficiais, pra passar o tempo.
Lá pela meia-noite, a Adriana se levantou com a taça de vinho na mão e disse:
– Mmmmm! Adoro essa música!
Falando daquela canção melosa que tava tocando no rádio, ela se afastou um pouco e começou a dançar sozinha, com um gingado, mexendo a cintura devagar de um lado pro outro, de olhos fechados, tomando um gole de vinho. Nós três ficamos olhando em silêncio. Aí ela veio até mim, estendeu a mão e disse:
– Vem, me acompanha, vamos dançar?
Eu sabia que não devia ir, mas naquele ponto a Adriana tava irresistível. O Mike concordou com a cabeça e a Claudia tinha um brilho safado no olhar. Fui até ela e me mexi sem jeito, tentando manter distância, mas era óbvio que aquela mulher tinha outro plano, então ela se aproximou. E conseguiu. Eu queria evitar, mas sentia minhas têmporas pulsando forte e minha testa suando. A Adriana tava perto demais, com o pecado nos lábios, quase respirando meu ar. Era o fim…
A Adriana se jogou e apertou os lábios dela contra os meus, enfiou a língua na minha boca, me roubando um beijo. Me olhou e soltou uma gargalhada vendo minha resistência.
– Ha! ha! Não vou te comer, não! Vem! Me pega! Cu!
Pegou nas minhas mãos e fez eu apertar com força a bunda dela. Reagi sentindo nas mãos a dureza daquele rabo pequeno e proporcionado. Procurei minha esposa com o olhar, mas, pra minha surpresa, ela tava sentada no colo do Mike, os dois vidrados na gente, observando nossas silhuetas.
Adriana me puxou de novo e começou a me beijar de língua, percebendo que eu ainda resistia e não me deixava levar. Levantou a saia dela pra que agora o contato entre a buceta dela e minhas mãos fosse pele com pele. Me surpreendeu levando os dedos dela na minha virilha pra agarrar meu pau com força, me dizendo que queria, que tava afim.
Pela segunda vez, virei o olhar pro lado onde estavam Mike e Claudia. Minha esposa já tava com o torso completamente nu, e ele lambendo as tetonas dela com um pouco de desespero. Ela me devolveu o olhar, com um ar de puta satisfeita. A cena causou sentimentos confusos: minha esposa nas mãos de outro cara, prestes a ser comida, e ela se mostrando feliz. Uma sensação terrível de ciúme profundo me invadiu, misturada com raiva, misturada com loucura, misturada com um prazer indescritível…
A sorte estava lançada. Adriana, vendo que eu ainda não tava prestando atenção suficiente nela, acelerou de vez. Virou de costas pra mim, tirou a tanga, cuspiu na mão, passou no cu e me desafiou:
— Vai, filho da puta! Vamos foder melhor que eles, vai! Arrebenta meu cu, vai! Mete no meu cu!
Não acreditei no que tava ouvindo, mas Adriana parecia decidida. Só tirei meu pau pra fora, apontei e enfiei tudo, até as bolas, tudo naquele cu apertado…
Como expressar num papel frio a sensação de comer o cu da minha amiga, da minha sócia? Como expressar os gemidos dela? Como expressar minhas sensações ao ver que, a uns metros de onde a gente tava, Claudia tava chupando a rola do Mike? Como narrar toda essa loucura daquele momento?
Perdi a noção do tempo. Fodemos com loucura, com paixão. Aquela mulher me fez recuperar a paixão, a juventude. a loucura.
Quando terminamos, comecei a pensar com clareza, com noção de tempo e de espaço. Adriana começou a se vestir, fiz o mesmo, olhando para ela com doçura. Os gemidos suaves de Claudia chegaram aos nossos ouvidos. Adriana e eu nos olhamos, então eu disse:
— Parece que eles ainda não terminaram…
Passei os olhos discretamente, mal avistei ao fundo a bunda generosa da minha amada subindo e descendo, montada no nosso amigo Mike.
Quando tudo tinha acabado, só nos despedimos como grandes amigos. Claudia e eu voltamos para casa, quase sem falar, mas sabendo que ambos sentíamos a mesma coisa.
Já em casa, combinamos de tomar um banho. Ela foi primeiro, e eu preparei uns cafés bem gostosos. Tomei o meu e deixei o dela no micro-ondas para ela esquentar do jeito que preferisse. Ela saiu do banho e eu entrei. Debaixo da água morna, eu revirava na minha cabeça, uma e outra vez, tudo o que tinha vivido. Apesar de minha esposa ter sido comida pelo Mike, não sentia nenhuma raiva. Pelo contrário, me sentia feliz, diferente. Até olhava meu pau debaixo d’água e o via excitado, com uma meia ereção. Tinha uma vontade incontrolável de comer minha esposa…
Fechei a água, me enxuguei, me perfumei e fui direto para o quarto. Claudia estava com a mesma sensação. Me esperava nua e gostosa, como se tivéssemos recuperado a mística dos primeiros anos. Ela me apressou:
**Almas cruzadas**
— Ouvi que a Adriana pediu pra você comer o cu dela… certo?
— Sim… correto…
— Então… vamos ver como você se sai? Eu também quero que você me coma o cu…
Dessa vez, fui como um touro cego. Cuspi no esfíncter dela e enfiei tudo, arrancando um grito de dor. Tive que me acalmar pra dar tempo a ela, mas logo já estava mansa e sodomizada. Claudia gritou como nunca tinha gritado antes, batendo fundo como um martelo. Foi rápido, não demorei muito pra encher a bunda dela com uma cachoeira de porra quente…
De alguma forma, tínhamos recuperado o fogo de antes. Nossos primeiros anos e nos devoramos de beijos como há tempos não fazíamos…
Ela caiu rendida, logo dormiu, eu senti ela respirar relaxada, tranquila, feliz, mas eu não conseguia pegar no sono, me levantei com cuidado, fechei a porta do quarto e fui pra sala, liguei a TV e me servi um copo de vodka, sentei, olhei o relógio, eram cinco da manhã.
A tela mostrava imagens que eu nem prestava atenção, dei um gole e comecei a rever tudo que tinha vivido, que loucura, a última vez que tinha praticado sexo anal foi com uma garota do ensino médio, muito antes de conhecer a Claudia, pra ela era algo sujo, coisa de doente e sempre tinha negado, mas numa noite, numa única noite, eu tinha comido o cu da minha sócia e da minha esposa, as voltas que o destino dá…
Claudia me acordou, eu estava dormindo na cadeira com o copo de vodka pela metade, era tarde e eu tinha que buscar a Noelia.
A partir daquele primeiro encontro, nosso casamento se fortaleceu, éramos felizes, e a sociedade Adriana, Mike, Claudia e Roque foi além de uma relação comercial e de amizade, nossas ‘trocas’ viraram rotina, Mike e Claudia transavam de um lado, Adriana e eu do outro, tive que admitir que tinha sido uma boa ideia, pelo menos, parecia…
Passaram-se vários meses, e tudo que era novo começou a ficar velho, de novo voltávamos à estaca zero e minha esposa começou com questionamentos de novo, influenciada pelas histórias que nossos amigos contavam, o assunto era se abrir pra novas experiências, outros casais.
E de novo surgiu a tensão, ela queria, mas eu não, não queria que minha esposa acabasse dando pra qualquer cara que aparecesse na frente como uma puta barata, a questão das doenças sexuais me atormentava, talvez ela não me amasse tanto quanto dizia, talvez gostasse mais de pau do que deixava transparecer, ela precisava experimentar coisas novas, eu precisava clarear minhas ideias…
Claudia insistiu Com a ideia, até estivemos com casais que ela tinha chamado de propósito e que eu tive que ignorar, mas minha esposa não pararia, jogaria uma nova carta…
Naquela noite, as coisas mudaram de rumo de novo, porque eu pensei que tudo seria como de costume, mas as garotas tinham uma surpresa: foram elas que começaram a dançar, sensualmente, com risadas cúmplices, e começaram a se beijar entre si, se despiriam devagar, beijaram seus corpos e fizeram amor diante dos nossos olhos. Fiquei mudo, nunca imaginei ver o que vi. Cláudia e Adriana nos presentearam com um show lésbico, só que não foi um show, elas realmente se comeram entre si…
Depois do sexo entre mulheres, voltamos para casa, e enquanto nos metíamos na cama, comecei com uma enxurrada de perguntas. Ver minha mulher fazer amor com outra mulher me deixou louco, mas ouvi-la narrar da própria boca a história vivida foi pior ainda: me contar em detalhe o prazer de beijar outros lábios femininos, de sentir no corpo as carícias de Adriana, de enfiar os dedos nos buracos e ser receptiva ao mesmo tempo nos próprios buracos, o tesão no limite do orgasmo de lamber a buceta de mulher para mulher, se masturbar enquanto fazia aquilo, coisas demais, loucuras demais…
Voltamos a transar, como animais, como loucos, desesperados…
Os jogos com Mike e Adriana viraram rotina, eram como uma droga. Cláudia e eu descobrimos que, se antes não trocássemos de casais ou elas não nos dessem um espetáculo lésbico, a gente não funcionava na intimidade.
Tudo era bárbaro, tudo era um desastre…
Para Cláudia, tudo era perfeito, mas no que estávamos nos transformando? No que nosso casamento tinha se tornado? Uma farsa que precisava do combustível de estranhos para funcionar? E a Noélia, nossa querida filha? Me apavorava só imaginar que ela pudesse nos descobrir, ou que até fôssemos a desculpa perfeita para ela faria qualquer coisa.
Claudia e eu estávamos cada vez mais em desacordo, pra ela nossa vida era uma espiral ascendente vertiginosa, pra mim descendente…
Naquela manhã, ela preparava o almoço, estava refogando umas cebolas no azeite, o aroma era delicioso, me enchia o olfato, me aproximei por trás dela e falei
-Mmmmm! que gostoso…
-Gostou? não seja apressado…
Ela respondeu com o olhar fixo na frigideira, concentrada no que fazia, mas percebi que só dei espaço pra ela voltar ao assunto de sempre
-Sabe o quê? tava pensando…
-Pensando? Desde quando você pensa? – respondi num tom brincalhão e machista
-Idiota… – ela devolveu com um sorriso, aceitando a piada, e continuou
-Tava dizendo, que tava pensando que você e o Mike são meio egoístas com a gente…
-Por quê?
-Como ‘por quê’? é óbvio, a gente trepa todo mundo e vocês se divertem olhando pra gente de vez em quando, né?
-Sim, é verdade… e daí?
-E daí… quando é que a gente vai olhar?
-O que você quer dizer?
-Não se faz… eu e a Adriana queremos ver vocês se dando love de homem pra homem… é justo, não?
-Tá brincando… né?
-Tenho cara de quem tá brincando?
Claudia não tinha cara de quem tava brincando, falava bem sério, conhecia aquele olhar, mas era loucura, de jeito nenhum eu ia dar o gosto pra ela dessa vez, eu não tinha obrigado ela a ser bi, por que motivo ela teria que me obrigar a ser?
-Tá doente! – só falei, xingando ela baixinho
Claudia pareceu se transformar, como se estivesse possuída, com os olhos injetados de sangue, me segurou forte com a mão, agarrando meu antebraço, apertando a ponto de sentir as unhas machucando minha pele, e disse sem dar chance de réplica
-Me escuta bem, eu não vou parar até fazer o Mike arrombar bem esse seu cu!
Só fiquei olhando pra ela, assustado, que porra tava acontecendo? Só consegui falar ‘você tá me machucando’…
Aquele momento foi o começo do fim, naquela hora eu soube que não teria volta, Claudia nunca se não ia bastar, nunca seria suficiente pra ela, foi foda aceitar que isso não era um jogo de quatro, era só um jogo de três que eu entrava só pra agradar ela, pra fazer parte, pra ver ela feliz, pra manter ela do meu lado.
Aos poucos fui me afastando, e o quarteto virou um trio, só queria que a Claudia fosse feliz, e se aquela era a felicidade dela, bom, que fosse feliz.
Assumi meus chifres, minha esposa já não se importava mais em esconder que transava com outros caras, com outras minas, não tinha mais amor entre nós, pelo menos da minha parte, duvido que ela realmente tenha me amado.
Minha única preocupação, meu martírio e minha desesperança se chamava Noelia, minha filha, porque ela era tudo pra mim, só por isso a separação foi lenta, perdi demais, não ia perder ela.
Já fazem alguns anos, moro sozinho, com um novo trampo meu, quase não tenho contato com a Claudia, nem com o Mike, nem com a Adriana, o pouco que sei é pelo que a Noelia me conta, ela já é grande e em algum momento contamos a verdade, minha ex-mulher continua sozinha, dando uma trepada de vez em quando com o Mike, com a Adriana, com estranhos, tanto faz, já não é problema meu…
Se você é maior de idade, queria saber sua opinião sobre esse relato
Me escreva com o título ‘ALMAS CRUZADAS’ para dulces.placeres@live.com
Parece mentira que tenha acabado. Depois de viver quase quinze anos com quem parecia ser a mulher da minha vida, percebi que dividia a cama com uma estranha.
Hoje, com quarenta anos, me encontro sozinho, precisando apagar o passado para poder pensar no futuro.
Não reclamo, foram quinze anos lindos e que eu viveria de novo. Nos conhecemos quando ela tinha vinte, eu era cinco anos mais velho, trabalhava numa empresa familiar de impressão de plásticos na época.
Depois veio a Noelia, minha única filha, que hoje é uma doce adolescente. Tudo estava em paz e harmonia.
Mas a pequena empresa que era nossa fonte de sustento faliu, e ficamos com uns trocados da indenização. Não era pouco, mas também não era muito, então, com pressa, tivemos que tomar uma decisão e procurar um emprego antes de gastar o pouco que restava.
O destino nos levou ao Mike e à Adriana, um velho casal de amigos conhecidos que tinham um negócio de fast food. Como a Claudia, minha ex-mulher, tinha feito vários cursos de chef, combinamos de juntar o capital que tínhamos com o deles, ser sócios e dar um gás no negócio: novos ares, novos horizontes. Nossos amigos confessaram que estavam sobrecarregados com a quantidade de pedidos que recebiam todo dia.
Acho que devo esclarecer que, além de bons amigos e bons sócios, logo se formou uma química especial entre nós quatro. Como dizer, tinha pele.
A Adriana é uma mulher magra e bem proporcionada, cada coisa no seu lugar, olhos cor de mel e nariz pequeno, rosto oval, lábios carnudos e o rosto cheio de sardas, com um cabelo lindo e cacheado até a cintura, tingido de um ruivo claro cenoura. O Mike, um cara esbelto, alto, loiro, não muito musculoso, esguio, elegante e bem falado, com aquele sorriso safado que derrete as mulheres. A Claudia, minha ex-mulher, bom, o que vocês querem que eu diga? conta, acho que ainda estou apaixonado por ela, pra mim ela é perfeita, um pouco mais baixa, um pouco mais cheinha, de peitões e quadris largos, sempre platinada com o cabelo curto, de olhos pretos grandes que apaixonam à primeira vista, e eu, que escrevo, uma pessoa de perfil baixo, também magro e alto, não tanto quanto o Mike, meus olhos verdes e minha cavalheirice é o que as mulheres sempre elogiaram, especialmente minha esposa e minha preciosa filha.
E rolou uma convivência, uma convivência que eu me arrependeria no futuro. Os anos vividos junto com a Claudia começaram a cobrar seu preço, talvez a gente se conhecesse demais, talvez não soubéssemos lidar com isso, a gente sempre tava cansado, deixava o sexo pra última hora, além disso, nossa filha já era grande demais e a gente tinha que tomar todos os cuidados do caso.
Pra mim era normal, mas evidentemente pra minha amada esposa não, ou ela não se conformava, e começaram as reclamações.
Descobri que nossa cama de amor, onde antes a gente transava sem limites, de repente tinha virado um ringue de discussões, as reclamações da Claudia ficaram constantes, pra mim nossa vida sexual era normal, ou como eu imaginava que fosse a de qualquer casal na nossa situação, mas não pra ela, ela começou a falar que a rotina a entediava, que estar comigo não parecia ser grande programa, e que ela precisava ser comida, que era mulher e queria pica, e se não podia falar disso comigo com quem mais falaria, a verdade é que as reclamações dela começaram a me irritar, o jeito que ela falava comigo, como se aquilo fizesse ela se sentir mais mulher e eu menos homem.
E uma noite começou o princípio do fim, a Claudia queria transar, eu não, tava cansado, com sono, e não subiu, ela me chupou um bom tempo mas o sono me vencia, ela, puta, sentou na cama e acendeu a luz do abajur dela pra eu prestar atenção nela.
-Roque, isso não pode continuar assim, quero pica! quero foder!
-Mas agora não é hora...
-Nunca é a Momento…
—Não seja injusta…
—Deveríamos fazer como o Mike e a Adriana… — disse com um toque de mistério, deixando a porta aberta pra minha pergunta
—Mike e Adriana? O que eles têm a ver com isso?
—O quê? Você não sabe? Eles são swingers…
—Swingers? Mike e Adriana? Tem certeza? — perguntei me fazendo de desentendido
—Sim! Será que o Mike nunca te contou nada?
—Não… nunca… e acho que…
—Sim, a Adriana me conta tudo — ela se apressou em cortar minha pergunta
—Bom… é tarde, vamos dormir…
Deixei o assunto de lado, fugindo do tema, me deitei, virei de costas e fechei os olhos. Ela se resignou, senti ela apagar a luz e se acomodar pra dormir.
Demorei pra pegar no sono, fiquei preso nos meus pensamentos. O Mike tinha me falado sobre as trocas dele com a esposa, só que me fiz de desentendido com a Claudia, e a questão era: por que ela trouxe isso à tona agora?
No dia seguinte, acordamos como se nada tivesse acontecido, numa calma tensa. Tomamos café cedo e levei a Noelia pra escola, a rotina de sempre. Mas quando voltei, ela estava me esperando sentada à mesa da sala. Normalmente, ela arrumava a casa, mas aquela manhã seria diferente, então não tive escolha a não ser encarar a situação.
— O que foi? — perguntei, dando início ao assunto
— Nada… por causa de ontem à noite — ela começou, meio tímida
— Sim, o que foi? — repeti
— Olha, você nunca fantasiou com a Adriana?
— Por quê? De onde vem essa pergunta?
— Responde, nunca olhou pra ela de homem pra mulher? Nunca sentiu vontade de comer ela?
— O que há com você, Claudia?
— Mas… ela é uma mulher gostosa, tem uma bunda bonita, uns peitos lindos…
— E? Supondo que eu quisesse comer ela, qual é o ponto? — respondi meio irritado
Ela fez um silêncio longo e evasivo, até retomar o assunto.
— Sabe, Roque, ela tá afim de você… — disse mexendo as mãos nervosamente, sem olhar nos meus olhos
— É? Ela te disse isso? — me senti meio curioso e vaidoso ao mesmo tempo, essas palavras despertaram curiosidade em mim mi
—Sim, a gente conta tudo pra tudo, e ela me disse que ficaria super feliz se você desse uma boa foda nela…
—Essa gostosa tá te enchendo a cabeça! — respondi em tom de reclamação
O silêncio tomou conta do lugar de novo, e dessa vez fui eu quem perguntou
—Mas claro… imagino que se eu fuder a Adriana, você tem que dar pra Mike, certo?
—Claro, essa é a ideia, acha ruim?
—Agora saco! Você tá afim do Mike, é isso! Você quer que ele te coma gostoso, nosso amigo, nosso sócio!
—Mas o que é isso? Aqui não tem engano! Tá tudo claro, é só uma troca, só sexo, eu te amo, seu idiota!
—Claudia… não te conheço mais…
Levantei e dei a discussão por encerrada, ela parecia disposta a tudo, ‘queria experimentar’, ‘qual o mal?’, como se fosse trocar um par de meias…
Nos meses seguintes, me senti assediado, Claudia ficou obcecada e repetitiva com o assunto, além de falar abertamente com nossos amigos, Mike tocava no assunto de vez em quando e Adriana se insinuava pra mim feito uma puta no cio, e de repente me vi sozinho lutando contra os três, e percebi que eles iam fazer aquilo, seríamos quatro, ou seriam três…
Adriana era muito gostosa, qualquer homem daria uma boa foda nela, claro, e Mike era um cara legal, eu gostava dele, mas Claudia… me surpreendia com essas ideias, ela realmente parecia diferente, sem vergonha, decidida, tava mais excitada pelo tesão da troca entre os quatro no mesmo lugar do que pela ideia de transar com o Mike, mas eu me sentia confuso, qual seria minha reação ao vê-la sendo tocada por outro? sendo beijada por outro? sendo comida por outro? Eram dúvidas demais, coisas demais que eu não queria imaginar…
Naquela noite, Noelia, nossa filha, tinha uma festa do pijama na casa de uma amiga. A Claudia contou pra Adriana, a Adriana contou pro Mike, e tudo acabou num jantar na casa deles. Ia ser só um jantar, mas eu sabia como terminaria…Ao anoitecer, deixamos nossa filha na casa da amiga e fomos pra casa dos nossos amigos. A Claudia tava tranquila, relaxada, como se tivesse tudo sob controle. Percebi que a Adriana tava um arraso, com uma saia no meio da perna, justinha, e uma blusa carmesim. A magreza de modelo dela me deixava louco.
O churrasco tava uma delícia, com um vinho tinto que a gente levou e uma música suave de fundo. Só ficamos falando de lembranças, de negócios, de coisas superficiais, pra passar o tempo.
Lá pela meia-noite, a Adriana se levantou com a taça de vinho na mão e disse:
– Mmmmm! Adoro essa música!
Falando daquela canção melosa que tava tocando no rádio, ela se afastou um pouco e começou a dançar sozinha, com um gingado, mexendo a cintura devagar de um lado pro outro, de olhos fechados, tomando um gole de vinho. Nós três ficamos olhando em silêncio. Aí ela veio até mim, estendeu a mão e disse:
– Vem, me acompanha, vamos dançar?
Eu sabia que não devia ir, mas naquele ponto a Adriana tava irresistível. O Mike concordou com a cabeça e a Claudia tinha um brilho safado no olhar. Fui até ela e me mexi sem jeito, tentando manter distância, mas era óbvio que aquela mulher tinha outro plano, então ela se aproximou. E conseguiu. Eu queria evitar, mas sentia minhas têmporas pulsando forte e minha testa suando. A Adriana tava perto demais, com o pecado nos lábios, quase respirando meu ar. Era o fim…
A Adriana se jogou e apertou os lábios dela contra os meus, enfiou a língua na minha boca, me roubando um beijo. Me olhou e soltou uma gargalhada vendo minha resistência.
– Ha! ha! Não vou te comer, não! Vem! Me pega! Cu!
Pegou nas minhas mãos e fez eu apertar com força a bunda dela. Reagi sentindo nas mãos a dureza daquele rabo pequeno e proporcionado. Procurei minha esposa com o olhar, mas, pra minha surpresa, ela tava sentada no colo do Mike, os dois vidrados na gente, observando nossas silhuetas.
Adriana me puxou de novo e começou a me beijar de língua, percebendo que eu ainda resistia e não me deixava levar. Levantou a saia dela pra que agora o contato entre a buceta dela e minhas mãos fosse pele com pele. Me surpreendeu levando os dedos dela na minha virilha pra agarrar meu pau com força, me dizendo que queria, que tava afim.
Pela segunda vez, virei o olhar pro lado onde estavam Mike e Claudia. Minha esposa já tava com o torso completamente nu, e ele lambendo as tetonas dela com um pouco de desespero. Ela me devolveu o olhar, com um ar de puta satisfeita. A cena causou sentimentos confusos: minha esposa nas mãos de outro cara, prestes a ser comida, e ela se mostrando feliz. Uma sensação terrível de ciúme profundo me invadiu, misturada com raiva, misturada com loucura, misturada com um prazer indescritível…
A sorte estava lançada. Adriana, vendo que eu ainda não tava prestando atenção suficiente nela, acelerou de vez. Virou de costas pra mim, tirou a tanga, cuspiu na mão, passou no cu e me desafiou:
— Vai, filho da puta! Vamos foder melhor que eles, vai! Arrebenta meu cu, vai! Mete no meu cu!
Não acreditei no que tava ouvindo, mas Adriana parecia decidida. Só tirei meu pau pra fora, apontei e enfiei tudo, até as bolas, tudo naquele cu apertado…
Como expressar num papel frio a sensação de comer o cu da minha amiga, da minha sócia? Como expressar os gemidos dela? Como expressar minhas sensações ao ver que, a uns metros de onde a gente tava, Claudia tava chupando a rola do Mike? Como narrar toda essa loucura daquele momento?
Perdi a noção do tempo. Fodemos com loucura, com paixão. Aquela mulher me fez recuperar a paixão, a juventude. a loucura.
Quando terminamos, comecei a pensar com clareza, com noção de tempo e de espaço. Adriana começou a se vestir, fiz o mesmo, olhando para ela com doçura. Os gemidos suaves de Claudia chegaram aos nossos ouvidos. Adriana e eu nos olhamos, então eu disse:
— Parece que eles ainda não terminaram…
Passei os olhos discretamente, mal avistei ao fundo a bunda generosa da minha amada subindo e descendo, montada no nosso amigo Mike.
Quando tudo tinha acabado, só nos despedimos como grandes amigos. Claudia e eu voltamos para casa, quase sem falar, mas sabendo que ambos sentíamos a mesma coisa.
Já em casa, combinamos de tomar um banho. Ela foi primeiro, e eu preparei uns cafés bem gostosos. Tomei o meu e deixei o dela no micro-ondas para ela esquentar do jeito que preferisse. Ela saiu do banho e eu entrei. Debaixo da água morna, eu revirava na minha cabeça, uma e outra vez, tudo o que tinha vivido. Apesar de minha esposa ter sido comida pelo Mike, não sentia nenhuma raiva. Pelo contrário, me sentia feliz, diferente. Até olhava meu pau debaixo d’água e o via excitado, com uma meia ereção. Tinha uma vontade incontrolável de comer minha esposa…
Fechei a água, me enxuguei, me perfumei e fui direto para o quarto. Claudia estava com a mesma sensação. Me esperava nua e gostosa, como se tivéssemos recuperado a mística dos primeiros anos. Ela me apressou:
**Almas cruzadas**
— Ouvi que a Adriana pediu pra você comer o cu dela… certo?
— Sim… correto…
— Então… vamos ver como você se sai? Eu também quero que você me coma o cu…
Dessa vez, fui como um touro cego. Cuspi no esfíncter dela e enfiei tudo, arrancando um grito de dor. Tive que me acalmar pra dar tempo a ela, mas logo já estava mansa e sodomizada. Claudia gritou como nunca tinha gritado antes, batendo fundo como um martelo. Foi rápido, não demorei muito pra encher a bunda dela com uma cachoeira de porra quente…
De alguma forma, tínhamos recuperado o fogo de antes. Nossos primeiros anos e nos devoramos de beijos como há tempos não fazíamos…
Ela caiu rendida, logo dormiu, eu senti ela respirar relaxada, tranquila, feliz, mas eu não conseguia pegar no sono, me levantei com cuidado, fechei a porta do quarto e fui pra sala, liguei a TV e me servi um copo de vodka, sentei, olhei o relógio, eram cinco da manhã.
A tela mostrava imagens que eu nem prestava atenção, dei um gole e comecei a rever tudo que tinha vivido, que loucura, a última vez que tinha praticado sexo anal foi com uma garota do ensino médio, muito antes de conhecer a Claudia, pra ela era algo sujo, coisa de doente e sempre tinha negado, mas numa noite, numa única noite, eu tinha comido o cu da minha sócia e da minha esposa, as voltas que o destino dá…
Claudia me acordou, eu estava dormindo na cadeira com o copo de vodka pela metade, era tarde e eu tinha que buscar a Noelia.
A partir daquele primeiro encontro, nosso casamento se fortaleceu, éramos felizes, e a sociedade Adriana, Mike, Claudia e Roque foi além de uma relação comercial e de amizade, nossas ‘trocas’ viraram rotina, Mike e Claudia transavam de um lado, Adriana e eu do outro, tive que admitir que tinha sido uma boa ideia, pelo menos, parecia…
Passaram-se vários meses, e tudo que era novo começou a ficar velho, de novo voltávamos à estaca zero e minha esposa começou com questionamentos de novo, influenciada pelas histórias que nossos amigos contavam, o assunto era se abrir pra novas experiências, outros casais.
E de novo surgiu a tensão, ela queria, mas eu não, não queria que minha esposa acabasse dando pra qualquer cara que aparecesse na frente como uma puta barata, a questão das doenças sexuais me atormentava, talvez ela não me amasse tanto quanto dizia, talvez gostasse mais de pau do que deixava transparecer, ela precisava experimentar coisas novas, eu precisava clarear minhas ideias…
Claudia insistiu Com a ideia, até estivemos com casais que ela tinha chamado de propósito e que eu tive que ignorar, mas minha esposa não pararia, jogaria uma nova carta…
Naquela noite, as coisas mudaram de rumo de novo, porque eu pensei que tudo seria como de costume, mas as garotas tinham uma surpresa: foram elas que começaram a dançar, sensualmente, com risadas cúmplices, e começaram a se beijar entre si, se despiriam devagar, beijaram seus corpos e fizeram amor diante dos nossos olhos. Fiquei mudo, nunca imaginei ver o que vi. Cláudia e Adriana nos presentearam com um show lésbico, só que não foi um show, elas realmente se comeram entre si…
Depois do sexo entre mulheres, voltamos para casa, e enquanto nos metíamos na cama, comecei com uma enxurrada de perguntas. Ver minha mulher fazer amor com outra mulher me deixou louco, mas ouvi-la narrar da própria boca a história vivida foi pior ainda: me contar em detalhe o prazer de beijar outros lábios femininos, de sentir no corpo as carícias de Adriana, de enfiar os dedos nos buracos e ser receptiva ao mesmo tempo nos próprios buracos, o tesão no limite do orgasmo de lamber a buceta de mulher para mulher, se masturbar enquanto fazia aquilo, coisas demais, loucuras demais…
Voltamos a transar, como animais, como loucos, desesperados…
Os jogos com Mike e Adriana viraram rotina, eram como uma droga. Cláudia e eu descobrimos que, se antes não trocássemos de casais ou elas não nos dessem um espetáculo lésbico, a gente não funcionava na intimidade.
Tudo era bárbaro, tudo era um desastre…
Para Cláudia, tudo era perfeito, mas no que estávamos nos transformando? No que nosso casamento tinha se tornado? Uma farsa que precisava do combustível de estranhos para funcionar? E a Noélia, nossa querida filha? Me apavorava só imaginar que ela pudesse nos descobrir, ou que até fôssemos a desculpa perfeita para ela faria qualquer coisa.
Claudia e eu estávamos cada vez mais em desacordo, pra ela nossa vida era uma espiral ascendente vertiginosa, pra mim descendente…
Naquela manhã, ela preparava o almoço, estava refogando umas cebolas no azeite, o aroma era delicioso, me enchia o olfato, me aproximei por trás dela e falei
-Mmmmm! que gostoso…
-Gostou? não seja apressado…
Ela respondeu com o olhar fixo na frigideira, concentrada no que fazia, mas percebi que só dei espaço pra ela voltar ao assunto de sempre
-Sabe o quê? tava pensando…
-Pensando? Desde quando você pensa? – respondi num tom brincalhão e machista
-Idiota… – ela devolveu com um sorriso, aceitando a piada, e continuou
-Tava dizendo, que tava pensando que você e o Mike são meio egoístas com a gente…
-Por quê?
-Como ‘por quê’? é óbvio, a gente trepa todo mundo e vocês se divertem olhando pra gente de vez em quando, né?
-Sim, é verdade… e daí?
-E daí… quando é que a gente vai olhar?
-O que você quer dizer?
-Não se faz… eu e a Adriana queremos ver vocês se dando love de homem pra homem… é justo, não?
-Tá brincando… né?
-Tenho cara de quem tá brincando?
Claudia não tinha cara de quem tava brincando, falava bem sério, conhecia aquele olhar, mas era loucura, de jeito nenhum eu ia dar o gosto pra ela dessa vez, eu não tinha obrigado ela a ser bi, por que motivo ela teria que me obrigar a ser?
-Tá doente! – só falei, xingando ela baixinho
Claudia pareceu se transformar, como se estivesse possuída, com os olhos injetados de sangue, me segurou forte com a mão, agarrando meu antebraço, apertando a ponto de sentir as unhas machucando minha pele, e disse sem dar chance de réplica
-Me escuta bem, eu não vou parar até fazer o Mike arrombar bem esse seu cu!
Só fiquei olhando pra ela, assustado, que porra tava acontecendo? Só consegui falar ‘você tá me machucando’…
Aquele momento foi o começo do fim, naquela hora eu soube que não teria volta, Claudia nunca se não ia bastar, nunca seria suficiente pra ela, foi foda aceitar que isso não era um jogo de quatro, era só um jogo de três que eu entrava só pra agradar ela, pra fazer parte, pra ver ela feliz, pra manter ela do meu lado.
Aos poucos fui me afastando, e o quarteto virou um trio, só queria que a Claudia fosse feliz, e se aquela era a felicidade dela, bom, que fosse feliz.
Assumi meus chifres, minha esposa já não se importava mais em esconder que transava com outros caras, com outras minas, não tinha mais amor entre nós, pelo menos da minha parte, duvido que ela realmente tenha me amado.
Minha única preocupação, meu martírio e minha desesperança se chamava Noelia, minha filha, porque ela era tudo pra mim, só por isso a separação foi lenta, perdi demais, não ia perder ela.
Já fazem alguns anos, moro sozinho, com um novo trampo meu, quase não tenho contato com a Claudia, nem com o Mike, nem com a Adriana, o pouco que sei é pelo que a Noelia me conta, ela já é grande e em algum momento contamos a verdade, minha ex-mulher continua sozinha, dando uma trepada de vez em quando com o Mike, com a Adriana, com estranhos, tanto faz, já não é problema meu…
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Me escreva com o título ‘ALMAS CRUZADAS’ para dulces.placeres@live.com
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