Todo Mundo Come Minha Mulher, Parte 3

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Submissa pelo inimigo do meu marido, parte 4

Essa coisa com o Mario tá saindo do controle. Às vezes invento desculpas pra não vê-lo, mas só consigo adiar o encontro por alguns dias. Além disso, ele tá ficando mais exigente. Já não se contenta em me ver uma vez por semana. Pra piorar, parece que ele tem tempo de sobra, e não posso esperar pela sorte de que alguma vez seja ele quem não possa comparecer ao nosso encontro.

Nas últimas duas semanas, nos vimos cinco vezes no pequeno apartamento que ele tem no centro. O porteiro do prédio já me deixa entrar como se fosse mais uma inquilina. E me olha com ironia. Com certeza acha que sou uma puta. É lógico. O que mais seria uma garota de trinta anos, bonita, no apartamento de um veterano de cem quilos, durante duas horas. Além disso, Mario me ordenava que me maquiasse como uma prostituta. Tava ficando cada vez mais difícil sair de casa, vestida de maneira sensual, pra depois me maquiar no ônibus.

O mais chocante de tudo isso é que eu mesma tô me acostumando a ser a puta pessoal dele. Acato cada ordem ao pé da letra, e até acho um certo prazer em me sentir usada como um brinquedo sexual. Já não me questiono sobre o porquê, toda vez que chega a hora de ir pra esse encontro, vou ao seu encontro como uma autômata. Já nem precisava reiterar a ameaça que pesava sobre meu marido.

Saio com outros homens pra lembrar como é ter o controle, e troco mensagem com outros pra ter opções. Mas durante uma ou duas vezes por semana, a mulher livre, que nem se deixa reprimir pelas normas morais, nem pelo contrato do sagrado matrimônio, se transforma numa escrava. Uma escrava sexual.

Na quinta-feira recebi a mensagem do Mario lembrando que às seis tínhamos um encontro. Ele me ordenou que colocasse um shortinho minúsculo e um top preto. E que prendesse o cabelo em duas tranças. Devia pintar os lábios de um chamativo roxo, e a sombra dos olhos tinha que combinar.

Pedi pra ele... por favor me deixe me vestir assim no seu apartamento. Se eu saísse com essa aparência, sozinha, às cinco da tarde, chamaria atenção demais, e as fofocas que eu já sabia que estavam começando a circular sobre mim aumentariam, e inevitavelmente chegariam ao Andrés. Mas ele foi totalmente inflexível a respeito. Eu devia chegar assim no apartamento dele, e sem discussão. Para alguma coisa eu era a putinha dele.

Eu tinha o short e o top que devia usar. Mas a maquiagem eu precisava comprar. Fiz trapaça. Não podia andar pelo bairro vestida como uma putinha adolescente. Então coloquei um dos meus vestidinhos, e enfiei as roupas que devia usar com o Mario na minha bolsa. Saí de casa com tempo e comprei o batom e a sombra. Quando estava a duas quadras do endereço do Mario, entrei num McDonald's. Fui direto ao banheiro do primeiro andar. Me restavam trinta minutos. Se chegasse atrasada, o Mario me puniria me amarrando na cama, e não me deixaria ir até altas horas da noite. Entrei num dos cubículos com vaso sanitário. Troquei de roupa num piscar de olhos. Guardei o vestido na bolsa. As tranças me tomaram mais tempo. Tive que ter paciência. Depois me pintei os lábios e os olhos na frente do espelho.

Não houve homem que não se virasse para me olhar. Até alguns que levavam as namoradas pelo braço me observaram embasbacados. E um monte de buzinas tocaram na rua. O short mal cobria minha bunda, e o top fazia o mesmo com meus peitos. A roupa dava a sensação de nudez, e a cor chamativa do batom e da sombra terminavam de fazer com que minha aparência fosse exageradamente chamativa. Se eu não fosse jovem, e não tivesse tudo no lugar, pareceria ridícula. Mas, ao contrário, todos pareciam me achar fascinante.

O porteiro do prédio demorou a me reconhecer, e quando finalmente abriu a porta disse "que você se divirta", com um sorriso grotesco no rosto.

Embora a roupa fosse exagerada, não imaginei que me esperasse uma noite muito diferente das outras. O Mario me faria me despir devagarinho, me acariciaria por toda parte com suas mãos calejadas. Talvez me mandaria ligar pro Andrés enquanto me apalpava. Enfiava o pau e os dedos em tudo quanto é buraco, e se estivesse de bom humor, me daria um boquete delicioso. Me obrigaria a engolir a porra dele. Botaria um cinto no meu pescoço, amarrado numa corrente, e me faria engatinhar que nem uma putinha pela casa, até ele ficar duro de novo. Eu teria que dizer que era a puta dele, a puta pessoal dele, a escrava dele, a submissa dele.

Mario me abriu a porta. Acariciou minha bunda enquanto eu entrava. Mesmo o apartamento estando quieto, senti aquele cheiro forte de cigarro. Mario não fumava.

Na mesa da salinha de jantar, tinha três homens sentados em volta. No meio da mesa, um baralho.

– Opa, opa, olha o que o Marito tava guardando pra ele. – falou um deles. Um magricela de olho fundo, com o cabelo loiro que parecia palha, e uns fios brancos.

– Apresento a vocês a minha puta. – disse Mario.

Todos tinham mais de quarenta, beirando os cinquenta. Os outros dois eram um cara de óculos e cabelo preto, bem curtinho, vestido de terno. E o último era um musculoso, mas barrigudo, de camiseta preta, com cara de segurança de balada.

– Nunca fiquei com tantos. – eu reclamei.

Mario acariciou minha bochecha com indulgência.

– Só vai ficar com os vencedores. – disse.

– O quê?

– O que você ouviu, putinha. – disse o loiro de cabelo de palha.

– Vem. – disse Mario. – Vamos jogar um joguinho.

– Que joguinho? – perguntei, intrigada e assustada.

– Isso Mario, que joguinho? – disse o homem de terno.

– Muito simples. Vamos dar as cartas. O primeiro que tirar um doze (um rei), vai ter direito a um boquete da minha puta.

Os outros três comemoraram que nem crianças. Eu tava parada do lado do Mario, que já tava sentado numa das pontas da mesa. Nem se deram ao trabalho de me dar uma cadeira.

– Espera aí Mario. Então no final ela vai ficar com todos. – disse o de terno. – Se os reis são quatro, e nós também! – Nada disso. Sólo os dois primeiros. Os outros vão ficar com vontade de uma mamada, e vão esperar pelo próximo jogo. – Que trapaceiro, Marito. – disse o loiro. – Você já deve ter mamado mil vezes, e pode ter quando quiser, não deveria participar. – Para de reclamar! Quando você vai ter uma gostosa dessas de graça? – Ele tem razão, Mario. – disse o que tinha cara de segurança de boate. – Além de entregar essa gostosa pra gente, você ainda reclama. – Você fala isso porque é voyeur e se contenta em só olhar. – retrucou o loiro. – Isso eu não nego. – confessou o segurança. – Bom, chega de discussão. Vamos começar, que essa putinha adora uma pica. Não vamos deixá-la esperando. Não disse nada. Fiquei ali parada, ouvindo suas palavras degradantes, enquanto disputavam meu corpo como se fosse um troféu. – Então você é casada. – disse o homem de terno. Mario começou a distribuir as cartas lentamente. Achei o jogo ridículo. Por que ele não pedia logo para eu chupar todos e pronto? Não podia dizer não. E não só por causa da minha obediência. Estava num apartamento com quatro homens. Não teria como resistir. – Claro que é casada, e o corno do marido eu nocauteei com um soco. Não têm ideia do quanto ele é covarde. Os quatro explodiram em gargalhadas, enquanto Mario contava detalhadamente aquele conflito que deu início à nossa relação sórdida. – Ótimo. Vem cá, putinha. O homem de cabelo loiro sujo tinha um doze de paus sobre a mesa. – Olha só, viado. Tanto que você reclamou e foi o primeiro a ganhar. – disse o segurança. Não esperei que Mario me ordenasse. Me aproximei daquele cara de quem nem sei o nome. Ele empurrou a cadeira para trás para dar espaço. Fiquei de cócoras, a seus pés, em vez de me ajoelhar, para não me machucar. – Faz devagar e com carinho, putinha. – disse ele, e se virando para o segurança, acrescentou: – Toma aí, aproveita o espetáculo, degenerado. – Vou sim. – disse o aludido, posicionando-se num lugar de onde podia ver tudo. Acariciei o pau por cima da calça. Ainda não estava ereto, então massageei até sentir ele ficar duro. Depois abri o zíper da calça e, com cuidado, tirei o membro e levei à boca. – Essa putinha sabe o que faz. – disse ele, sentindo como eu batia uma punheta enquanto minha língua devorava a cabeça do pau. O membro dele era normal, mas parecia pequeno perto do pauzão do Mario, ao qual eu já estava acostumada. O loiro me agarrou pelas tranças e começou a fazer movimentos pélvicos, fazendo com que eu engolisse o pau inteiro e sua pelve peluda batesse no meu rosto repetidamente. Tentei empurrá-lo quando achei que ele ia gozar. Mas ele me segurou pela nuca e ejaculou dentro. A porra atingiu minha garganta. Me fez tossir e cuspir no chão. – Que porquinha linda. – disse o desgraçado. Enquanto disputavam quem seria o próximo a enfiar o pau na minha boca, fui limpar a bagunça que fiz. O próximo que eu tinha que chupar era o homem de terno. Esse era mais educado e deixava que eu fizesse todo o trabalho, sem me forçar a engolir tudo. Acariciava minha bochecha com ternura e repetia sem parar que eu era linda, entre gemidos. Quando ele disse que não aguentava mais, masturbei-o freneticamente e fiz ele gozar na minha cara. – Ei, não vai se apaixonar, amigo. – disse o loiro, e todos riram. Fui ao banheiro limpar o rosto. Quando voltei, Mario explicava o próximo jogo. – Agora vou distribuir uma rodada de cartas. Só uma para cada um. Quem tirar a carta mais alta terá o direito de ordenar que minha putinha tire uma peça de roupa. Quem tirar a última, poderá comer ela, mas terá que fazer aqui, na frente de todos. – Mas Mario, os tênis contam como uma peça só ou duas? – perguntou o de terno. – Como uma só. – E os ases ganham de todas as outras? – disse o loiro. – Claro que sim. E se houver empate, se desempate entre os vencedores. Tá claro?

Na primeira rodada, o loiro tirou um onze que ninguém conseguiu superar.

– Vamos lá, putinha, vamos começar pelo mais chato. Tchau, tênis.

Tirei meus tênis. Não ia demorar muito para o jogo acabar. Só estava usando o short, a calcinha fio-dental e o top. Mario foi o próximo a ganhar e me mandou tirar o top.

– Olha que peitinhos lindos a gatinha tem – disse o loiro.

– Já viram que minhas putas não são qualquer uma – se gabou Mario. – Carne de primeira qualidade.

– Desce o short devagarinho – disse o segurança, que tinha acabado de ganhar a terceira aposta. – Vira de costas e rebola a bunda enquanto faz isso – completou.

Fiz exatamente isso e ganhei assobios do loiro, do Mario e do próprio segurança. O único que não estava agindo como um retardado na frente de uma mulher seminua era o de terno.

Jogaram a última rodada. Mario e o segurança empataram.

– Precisa mesmo desempatar, Marito? – disse o segurança. – Se você sempre fica com ela. Deixa ela pra mim. Não vai ser que eu saia daqui sem ganhar nada.

– Que viadinho. Você tá parecendo aquele que você já sabe – disse Mario, olhando pro loiro. – Se perder, já vai ter sua chance, mais pra frente. Vamos às cartas.

Mario tirou um quatro, e o segurança tirou um seis.

– Vem cá, gostosa – disse o vencedor.

Me inclinei na frente dele e apoiei o torso sobre a mesa. O segurança arrancou minha calcinha fio-dental e rasgou ela todinha. Não me importei. Na bolsa eu tinha outra, e o Mario, diferente do Andrés, não tinha problema em comprar roupa íntima pra mim.

Ele molhou a mão e enfiou na minha buceta.

– Já tá molhada, a putinha – disse, e era verdade.

Ele me agarrou pelos quadris e enfiou devagarinho. Os outros três não perdiam um detalhe da cena. Eu tinha muita força nas pernas. Quando já estava bem aberta, ele começou a meter mais rápido. A mesa começou a arrastar pra frente enquanto ele me comia. Fechei os olhos, desejando que... Aquela noite não foi tão longa quanto eu imaginava. Eu tinha escrito para o Andrés que chegaria tarde, como tantas outras vezes. Mas não queria aparecer em casa às duas da manhã.

O segurança tirou o pau, tirou a camisinha e gozou nas minhas nádegas.

O homem de terno teve a gentileza de me dar um lenço descartável para me limpar.

— Muito bem, agora ninguém pode reclamar. Todos tiveram um pouco da minha putinha — exclamou o Mário.

— Já acabaram as brincadeiras?

— Nada disso. Falta um último jogo. Vamos para a sala — disse. Eu os segui, pelada.

Mário tirou de uma gaveta uma caixinha com quatro DVDs.

— Olha aqui, putinha — disse, se dirigindo a mim. — Aqui tem quatro filmes diferentes. Você só tem que escolher um. O jogo é muito simples: você vai ter que fazer o que a atriz do filme que você escolher fizer. E também vai escolher quais de nós farão o papel dos homens do filme. Se tiver sorte, só vai ter que fazer uns boquetes. Se não tiver, vai ter que lidar com quatro paus ao mesmo tempo.

— Que ideia boa, Marito — disse o segurança.

— Imagino que tenha pelo menos um filme onde fazem penetração anal e vaginal, enquanto um mete na boca, e o outro é masturbado pela mesma garota — fantasiou o loiro. — Tomara que saia um filme assim.

Escolhi um vídeo aleatoriamente, sem pensar muito. O tesão que aquelas brincadeirinhas geravam neles, pra mim, era chato.

Mário colocou um vídeo. Na tela apareceu uma garota, bem mais nova que eu, completamente pelada, ajoelhada no chão. De repente, apareceram em cena quatro homens pelados. Eles a cercaram. Os paus estavam eretos e se aproximavam dela. A garota começou a chupá-los, um por um. Enquanto isso, com as mãos, ela masturbava outros dois.

— Repara que ela não usa as mãos no que está chupando — disse Mário.

Eu balancei a cabeça.

— E ela troca de pau toda hora — disse o segurança.

Era verdade. Ela ficava só uns segundos com o pau na sua boca, e logo em seguida trocava de homem. Os outros giravam em volta dela, para trocar de turno.

Mario adiantou o vídeo, e se viu como os quatro homens gozaram na sua cara, deixando-a repleta de porra.

– Considere-se sortuda. Este não é o mais difícil. – Esclareceu Mario. Eu supus que ele estava certo. O mais difícil certamente era um muito parecido com o que o loiro descreveu.

Mario teve a gentileza de colocar uma almofada no chão, para que eu me ajoelhasse sobre ela. Não era necessário escolher o “ator” que fizesse o papel correspondente do filme, porque de qualquer forma, tinham que ser quatro.

Mario e seus capangas se despiram. Meu amante já estava com o pau imenso duro. O loiro e o de terno já estavam a meio pau, e o segurança estava se masturbando. Eles me cercaram. Eu agarrei o pau bestial do Mario, que estava à minha direita, e com a outra mão ajudei o segurança a endurecer o membro. O loiro estava na minha frente. Abri a boca, e recebi de novo o pau dele. Ainda estava pegajoso e com um gosto forte de porra.

Era muito difícil imitar a garota. Me custava muito chupar o pau sem ajuda das minhas mãos, e ao mesmo tempo, coordenar meus movimentos para masturbar os outros dois ao mesmo tempo. Quando o membro entrava duas ou três vezes na minha boca, trocava por outro. Dei, sem querer, algumas mordidinhas. Então decidi não usar muito meus lábios, mas sim minha língua.

Um fio de baba caía constantemente da minha boca, cada vez que aqueles quatro paus entravam e saíam. Muitas vezes tiveram que me instigar a masturbá-los, porque, sem perceber, eu tinha parado de fazer. O pau do Mario era o mais difícil com o qual eu tinha que lidar, porque enchia minha boca, e se eu não o tirava rápido, eu começava a tossir e cuspir.

Minhas mandíbulas doíam de tanto abrir e fechar. Entre minhas pernas, se formara uma pequena poça de baba. Nunca me senti tão suja, nem tão humilhada. O primeiro a gozar foi o loiro. Mas eu tive que seguir um bom Fiquei de quatro com os outros três, com o desconforto que sentia por ter a porra grudada no meu rosto.

Não sei quanto tempo fiquei chupando eles, mas me pareceu uma eternidade. Eles gozaram, um por um na minha cara. Quando terminaram, Mario me agarrou pelo braço e me levou ao banheiro.

– Olha pra você. – ele disse, quando estávamos em frente ao espelho. – Isso é você. – acrescentou, enquanto acariciava minha bunda.

Meu rosto estava coberto por um monte de fios de porra. E em algumas partes, onde havia mais abundância, já começava a escorrer para baixo.

Ele me deixou sozinha. Limpei meu rosto enquanto ouvia eles conversando sobre como me comportei bem. Fui buscar minha bolsa.

– Já posso ir? – perguntei.

– Sim, putinha, depois a gente marca outro encontro. – disse Mario.

Seus três comparsas concordaram que gostariam de me ver de novo.

Vesti a calcinha limpa e o vestido, na frente deles. Não quis tomar banho lá. Queria ir embora o mais rápido possível.

Peguei o ônibus, porque temia que, num táxi, o motorista sentisse o cheiro de porra que ainda havia no meu corpo. Sentei no fundo, afastada dos outros passageiros. Tirei o batom e o resto da maquiagem. E de repente, comecei a chorar.

Cheguei em casa à meia-noite. Tomei um banho antes de me deitar com meu marido.

– Você está bem? – me perguntou Andrés, ao me notar perturbada.

– Sim. – respondi.

Ele me deu um beijo no ombro e logo adormeceu.

12

Sempre fui um perdedor. No ensino médio era aquele cara típico que todo mundo zoava. Ruim nos esportes, com cara de nerd, mas sem as vantagens da inteligência que supostamente vinham junto com essa condição. Tímido até a desesperança. Desajeitado. Acovardado. E, claro, terminei o ensino médio sendo virgem.

Tinha poucos amigos. E a maioria deles foi se afastando da minha vida (e eu da deles). O único com quem mantinha contato regular era o Marcos. Conheci ele na minha época solitária de adolescente. Ele estava dois anos mais avançados que eu. Naquela época, a gente nem era realmente amigo, porque com aquela idade, dois anos de diferença é muita coisa. Mas ele sempre me tratou bem, e mais de uma vez me salvou de apanhar dos valentões da escola. Anos depois, viramos colegas de trabalho por um tempo, e foi aí que a nossa relação se fortaleceu. Ele era o único amigo que me restava, e por isso, quando a Valeria me deixou e eu comecei a ler os relatos, foi o primeiro e único que liguei pra desabafar.

Quando terminei de ler o relato do Mário, vi que tinham chegado várias mensagens. Revisei o celular ansioso, torcendo que fosse a Valeria, mas era o Marcos, que tinha me mandado três mensagens. Imaginei que ele devia estar preocupado comigo. Nem me dei ao trabalho de ler. Sabia que ia encontrar o mesmo texto que ele mandou de noite: "não lê os relatos". Tarde demais, amigão.

Já tinha amanhecido, o dia tava lindo e os passarinhos começando a cantar. Se isso fosse um filme com final clichê, esse lindo amanecer simbolizaria um final feliz, ou um novo e próspero começo pro protagonista. Mas isso ainda estava por se ver.

Mesmo que muitos me achem um idiota, eu achava difícil decidir se algum dia conseguiria perdoar a Valeria. Mas mesmo se eu perdoasse, era inviável começar a relação do zero. No entanto, eu nunca me perdoaria. Minha visão inocente e desleixada sobre a vida, minha covardia, meu desinteresse pelos detalhes, e tantas outras falhas, me custaram meu casamento. Um casamento que, provavelmente, nunca existiu de verdade, só no papel.

Sempre achei que a Valeria valia mais que eu. Que eu devia agradecer à vida por uma mulher como ela ter virado pra olhar pra alguém com tantos defeitos e tão poucas qualidades. Me convenci de que nosso relacionamento seguia o ritmo dos desejos dela, e não fiz nada quando ela começou a passar menos tempo na minha cama e mais tempo na rua.

Não sei se teria conseguido segurar uma mulher tão caprichosa e sem preconceitos como ela. Mas o que eu sei, é que nunca tentei.

O outro que eu nunca poderia perdoar é o Mario. Seu prazer na humilhação dos outros, sua prepotência, sua agressividade, e agora que tinha lido os relatos, sua misoginia, seu sadismo e sua crueldade absoluta eram coisas que ninguém deveria deixar passar.

É verdade que a Valéria o provocou e se deixou cair nas garras dele. Mas o resto, obrigá-la a se vestir como uma puta, arriscando que se exponha pra todos. Humilhá-la cada vez que a possuía, e principalmente, obrigá-la a transar com três desconhecidos. Mario era um filho da puta com todas as letras. E se não fosse a Valéria, seria outra garota, provavelmente mais inocente, que viraria sua puta pessoal.

Não conseguia tirar da cabeça a possibilidade de que, naquele mesmo momento, a Valéria estivesse com ele. Talvez amarrada e amordaçada, enquanto ele usava o corpo dela como um brinquedo sexual.

A Valéria vinha me dando sinais há tempos, e eu me recusei a vê-los. Nos relatos mais recentes, dá pra ver como ela procurou outros homens com mais frequência que o normal. Entre eles estão "L" e "P".

Lembrei de como, à noite (há mil anos atrás), ela deixou o celular em cima da mesa e foi tomar banho. Provavelmente muitas vezes tinha feito algo parecido, mas só ontem à noite me dignei a prestar atenção nos indícios e me animei a dar uma olhada. Sem dúvidas, a Valéria esperava receber alguma mensagem naquela hora. Provavelmente tinha pedido pros amantes dela fazerem isso justo naquele momento. A essa altura, seus chamados de atenção eram um pedido de socorro.

Ela precisava que eu soubesse. Precisava se livrar do peso do marido. Sem ter que esconder de mim sua vida dupla, ela seria livre de novo. Até poderia largar o Mario sem medo de represálias.

Era estranho. Não tinha dormido por muitas horas, mas me sentia mais lúcido que nunca. Fui pra cozinha. Peguei uma faca afiada, não muito grande, porque precisava esconder na cintura. Saí de casa. Era a primeira Nunca na minha vida me senti tão determinado.

Eram cinco e meia da manhã. As ruas estavam desertas. Só precisava andar trezentos metros, mas pareceram intermináveis.

Quando cheguei, nem me dei ao trabalho de tocar a campainha. Escalei o portão. Lembrei que o Mario tinha um cachorro, mas aparentemente ele estava no fundo do quintal. Bati com violência na porta. Se acordasse algum vizinho, melhor ainda.

– O que você quer, idiota? – ouvi a voz do Mario do outro lado da porta.

– Cadê minha mulher? – exigi saber.

Ele, confiante, abriu a porta.

– Além de corno, você é burro, que pen…

Não deixei ele terminar. Devolvi o soco que ele tinha me dado há alguns meses. Mas ele mal se mexeu, e minha doeu pra caralho.

– Ah, você é doidinho, é? – disse. Ele me agarrou pelo pescoço e me puxou pra dentro.

Me deu um soco na barriga que me deixou sem ar.

– Então agora você é o príncipe encantado. – ouvi ele dizer.

Tentei pegar a faca na cintura, mas antes de conseguir levei um chute na cara. Meu nariz e boca sangravam. As gengivas doíam muito. Senti um dente mole, e o lábio inferior tinha um corte profundo. Quis segurar a faca, quis me levantar e lutar. Mas não conseguia me mexer, e Mario arrancou a faca das minhas mãos fracas.

Vou morrer, pensei. Minha visão estava embaçada. Fiquei me perguntando onde ele ia cravar a faca.

Mas então ouvi ele gritar, de dor. E depois algo parecido com um bastão batendo num balde de plástico. Mario caiu no chão, do meu lado. Quase me esmagou.

– Andrés, você está bem? – ouvi uma voz masculina dizer. – Você está bem?

– Marcos? – sussurrei, reconhecendo meu velho amigo. – Marcos, por que…?

Acordei na casa dele catorze horas depois.

– Que sorte você não ter nada grave. – disse ele.

– Você me salvou. O que você estava fazendo lá? – minha boca estava inchada, e mal conseguia falar.

– Você não respondia minhas mensagens. – esclareceu ele, e mudando de assunto, acrescentou. – Você tem que ir ver essas feridas. Principalmente a do lábio. – Ele tá morto? – Nem ideia. No final você leu os relatos, né? Pela primeira vez na vida, minha cabeça funcionou com perspicácia. – Você tam… Você também tá nos relatos. – falei, e não era uma pergunta. – Por isso você não queria que eu lesse. – Foi só uma vez. – ele me prometeu, com cara de angústia. – juro que foi só uma vez. Foi quando eu fiquei dormindo no sofá da sua casa. Ela me procurou de madrugada, quando você tava dormindo. Não consegui dizer não. – E quem consegue. – disse. – Depois disso, eu a evitei como se ela tivesse lepra. Acho que depois de tudo que eu tinha lido, e considerando que ele tinha acabado de salvar minha vida, eu não podia reclamar de nada. Pelo menos naquele momento. – E a Valéria? – Nem ideia. Na casa do Mário ela não tava. – E com quem ela tá? – Talvez com ninguém. Fiquei uns dias na casa dele. Tratei dos ferimentos. Pelo visto o Mário tava na UTI. Corria o boato de que um dos viciados pra quem ele vendia drogas tinha atacado ele com selvageria. Seis meses depois. Sei que agora ela tá com os pais dela. Dona Beatriz e dono Román são boas pessoas. Até quando ela mandou eles esconderem o paradeiro dela, eles me ligaram e me informaram. O Mário, finalmente, foi pro outro mundo. E o meu herói Marcos, saiu totalmente ileso da situação. Também não teve nenhum indiciado. Ninguém tava nem aí pra quem tinha matado um dealer de merda. O Mário se achava o Tony Montana, mas era só mais um rasteiro. Totalmente substituível. O inútil aparato da justiça jogou a nosso favor. Voltei pra casa. Muitos vizinhos me olhavam com curiosidade, e alguns se animavam a me perguntar pela Valéria. Eu respondia, sem rodeios, que a gente se separou. Minha amizade com o Marcos continua. Não só por ele ter me salvado, e depois cuidado de mim. A forma como a Valéria tinha seduzido ele, indando seminua no meio da noite, pra onde ele tava dormindo, quase podia ser considerada uma violação. E assim é relatado no conto “Com o amigo de meu marido, enquanto dorme". Tenho que admitir que ainda me masturbo lendo alguns dos relatos dela. Mas já não sinto que estou lendo como estão comendo minha mulher, porque o marido da Valéria, aquele dos relatos, é outro diferente do meu eu de agora.

Acho que finalmente há algo que entendo da minha mulher. Escrever sobre os acontecimentos da sua vida e compartilhar com desconhecidos é um alívio para o estresse. Por isso agora, em homenagem a quem, para o bem ou para o mal, é a mulher da minha vida, publico minha história.

Ontem recebi uma ligação da Valéria. Mas não atendi. Agora estou refazendo minha vida e não quero voltar ao passado. Talvez mais pra frente possamos ter uma conversa agradável, mas por enquanto não.

Fim.

2 comentários - Todo Mundo Come Minha Mulher, Parte 3

Probablemente, la mina se dio cuenta que el otro se murió. Buen final
lo dividiste en tantas partes e igual te quedo mas largo que esperanza de pobre, van puntos