Todo mundo come minha mulher, Parte 1

A história começa assim:

1

Se eu dissesse que há seis meses descobri que minha mulher me traía, não só estaria enganando o leitor, mas também estaria cometendo o mesmo erro que cometi durante todo o meu casamento: estaria mentindo para mim mesmo.

Foi a própria Valéria (Existe nome mais infiel que Valéria?) que deixou o celular em cima da mesinha de centro da sala, quando foi tomar banho, esperando que eu me dignasse a aceitar a verdade. O aparelho preto descansava sobre a madeira, quando de repente acendeu, ao mesmo tempo que vibrou. Eu ouvia a água do chuveiro correndo. Valéria já estaria completamente nua, com seu corpinho pequeno mas sinuoso, recebendo a água morna. Seu cabelo castanho estaria encharcado, e sua pele branca começaria a ser percorrida pelo sabão. Nos nossos anos dourados, eu esperaria uns minutos, me despiria, iria ao banheiro, correria a cortina e entraria no box para tomar banho junto com ela. Mas esses tempos já passaram. O celular tocou de novo. Não havia um motivo concreto que me instigasse a bisbilhotar. Na verdade, havia vários indícios. E como nos crimes (e ela cometeu muitos crimes), esses indícios, que individualmente parecem insignificantes, no conjunto são muito sugestivos.

O primeiro indício foi a diminuição da frequência com que transávamos. Isso seria perfeitamente normal para um casal de trintões que já passou da fase da luxúria desenfreada, não fosse acompanhado por outros sinais: seu mau humor repentino; seus encontros com amigas, cada vez mais frequentes, e em horários intempestivos; sua relutância em me contar como tinha sido o dia dela; seu inexplicável gesto de culpa nas noites em que estava de bom humor e a gente trepava; e suas mensagens misteriosas que vinham seguidas de um sorriso alegre e sedutor que há tempos não dedicava a mim.

Tudo isso me levou a, contrariando minha personalidade respeitosa e confiante, decidir fuçar. Na intimidade da minha mulher. Peguei o celular. Deslizei o polegar pela tela, pra baixo, pra ver as notificações. Notei que ela tinha recebido três mensagens do WhatsApp, em dois chats diferentes. Sem me segurar, abri o aplicativo. Quando vi os nomes de quem tinha escrito, soube que não ia encontrar nada de bom. A primeira mensagem era de "P", e a segunda de "L". Pelas fotos de perfil, vi que os dois eram homens. "P" tinha mandado um emoji de carinha com corações no lugar dos olhos, mas antes tinha enviado outra mensagem que não aparecia na tela principal. "L" tinha escrito "Como você tá, gostosa? Queria te dizer...", e pra saber o resto, era só tocar na tela.

Podia ter largado o celular na mesa e deixado tudo como estava. Ia me convencer de que aqueles dois eram só uns caras com quem a Valeria ficava de gracinha. Eu mesmo tinha colegas de trabalho com quem a gente se provocava, sem chegar a nada. Talvez devesse ter feito isso, e seguido minha vida. Mas não consegui, precisava saber toda a verdade.

Abri o chat de "P", a primeira mensagem era curta, mas forte. "Adorei a outra noite com você, mal posso esperar pra te ter de novo nos meus braços", e depois vinha o emoji que já vi. Caí sentado no sofá. Olhei pros lados, meio envergonhado de alguém estar vendo meu desmoronamento patético. O som da água do chuveiro continuava, mas agora a mulher debaixo d'água era uma infiel comprovada. As suspeitas se confirmaram, os indícios acertaram em cheio, a verdade veio à tona. Senti a pressão cair, queria quebrar tudo, mas meu corpo não reagia. Só fiquei sentado, lendo a mensagem uma vez e outra. Comecei a tremer, e desabei a chorar.

Depois lembrei que tinha outra mensagem.

Enxuguei as lágrimas na manga da camisa e abri a mensagem de "L". Poderia pensar que depois de ler a primeira mensagem, não teria nada que me surpreendesse, nem me batesse emocionalmente mais forte que o anterior. Eu já estava arrasado, tocando o fundo do poço, e quando a gente tá no fundo, não tem como cair mais baixo. Mas claro que dá. A mensagem de "L" dizia o seguinte: "Como você tá, gostosa? Queria te falar que já li o relato que você escreveu sobre nós. Adorei como você detalhou cada momento que a gente passou. Além disso, li vários dos seus outros contos. Adoro que você seja tão putinha. Você vem amanhã pra casa? Tenho uma surpresa preparada pra você."

Minha cabeça começou a girar. Relatos? Que relatos? E por que ele tava chamando minha mulher de putinha? Será que não bastava ter tirado ela de mim? Como ele ousava tratar de putinha a menina doce que eu tinha lutado tanto pra levar pra cama pela primeira vez? E a pergunta mais devastadora que eu repetia: será que ela gostava de ser tratada assim?

– Andrés, o que que há? – Ouvi uma voz venenosa atrás de mim.

Valéria se colocou na minha frente. Viu meus olhos vermelhos e o celular na minha mão.

– Finalmente você se ligou. – ela disse. – Me dá o celular.

Eu não reagia. Ela tirou ele da minha mão e guardou no bolso. Entrou no quarto e, na hora, saiu com uma bolsa.

– Valéria, o que significa tudo isso? Que porra tá rolando! – consegui balbuciar.

– Vou dormir na casa da minha mãe. Nos próximos dias mando buscar minhas coisas.

Ela foi pra porta. Eu olhei ela indo embora, de boca aberta, totalmente impotente, até ela fechar a porta atrás de si.

2

Foi difícil não perder a sanidade. Quando voltei a mim (pelo menos em parte), saí na calçada, mas Valéria já tinha sumido. Liguei pro celular dela, mas ela tinha desligado. Tentei me acalmar. Precisava subir no carro e ir buscá-la. Se saísse tão alterado como tava, podia sofrer um acidente. Lavei o rosto, respirei fundo e soltei o ar uma e outra vez. Fui pra garagem, mas tinha esquecido as chaves, então tive que voltar pra procurá-las. Depois abri a garagem, tirei o carro e parei pra esperar o portão de correr fechar direito. Só me faltava esse momento ficar ainda pior com um roubo. Por sorte a porta fechou sem problemas, mas já tinha perdido vários minutos preciosos.

Dirigi o mais rápido que pude, mas peguei todos os semáforos vermelhos. A Valéria não podia ir embora assim. Não podia me largar desse jeito. Nosso relacionamento de amor, nosso casamento, não podia acabar depois que eu vi aquelas malditas mensagens dos amantes dela. Ela tinha que encarar. Tinha que olhar nos meus olhos e me explicar por que me traiu, quem eram aqueles caras, com quantos homens ela me enganou e desde quando. Não podia me deixar sem respostas.

Meia hora depois cheguei na casa dos meus sogros. Apertei a campainha várias vezes e bati na porta, igual um louco, até que dona Beatriz saiu pra me atender.

– Cadê a Valéria? – perguntei.

– Valéria? Ela não tá aqui. Aconteceu alguma coisa? – ela me disse.

Agora, sentado na frente do meu computador, com os sentidos mais alertas e a cabeça mais no lugar, percebo que a cara de espanto da minha sogra não era fingida. Ela realmente não sabia onde a Valéria estava, e até tava meio assustada com o estado eufórico que eu me encontrava. Mas naquela hora, não reparei nisso. Empurrei ela pro lado, com um safanão que por sorte não foi muito brusco. Entrei na casa. Seu Romão me olhou com surpresa, por cima dos óculos. Nem cumprimentei. Subi até o quarto que costumava ser da minha mulher na adolescência. Não tava lá. Revirei o quarto dos meus sogros, os banheiros, até os armários. Não tinha sinal da Valéria.

– Calma, homem, se acalma – disse seu Romão. – A Valéria não veio pra cá. O que que houve?

Eu tava muito agitado, e por outro lado não sabia o que contar e o que esconder. Meus sogros esperavam minhas palavras com cara de preocupação total.

– A gente brigou – falei, gaguejando.

– Tomara que você não tenha machucado a — Minha princesa — disse Beatriz.

— Mas não é bem assim, mulher — me defendi do meu sogro. — O Andrés deve ter feito uma merda e a Vale foi embora uma noite pra dar uma lição nele.

— Mas eles nunca tiveram uma briga tão forte a ponto dela sair de casa…

— Sempre tem uma primeira vez — cortou seu Romão. — Vamos, fala alguma coisa, cara! — exigiu depois, se virando pra mim.

— É verdade, fiz uma merda — menti. — Fiquei muito assustado, mas tenho certeza que ela volta ainda hoje.

Foi difícil me livrar deles. Prometi que cuidaria da princesinha deles e que não faria ela sofrer mais. E garanti que avisaria assim que soubesse de alguma coisa. Romão, mais calmo que minha sogra e eu, disse que a Valéria devia estar na casa de alguma amiga, que eu deixasse ela em paz por algumas horas. Eu concordei e entrei no carro.

Liguei pra três das melhores amigas dela. Menti, dizendo que queria falar com minha mulher porque parecia que o celular dela tinha descarregado. Ela tá com alguma de vocês? Todas negaram, e me pareceram sinceras.

Voltei pra casa, derrotado. Que porra tinha acontecido? Meu casamento tinha acabado de se despedaçar em mil pedaços, e eu tava com aquela incerteza terrível de não saber como minha vida ia seguir. Precisava de respostas. Precisava da verdade.

Então lembrei da mensagem de "L", um dos dois amantes dela (vai saber qual era o número real): "Como você tá, gostosa? Queria te dizer que já li o conto que você escreveu sobre a gente. Adorei como você detalhou cada momento que passamos. Além disso, li vários dos seus outros contos…" dizia o começo da maldita mensagem. Entre tantos choques de realidade, aquela menção aos contos tinha ficado cravada na minha cabeça.

Lembrei que nos primeiros meses de namoro a Valéria tinha me confessado que escreveu vários contos eróticos e publicou na internet. Ela tinha muitas fantasias com um dos professores do colégio, e se aliviou escrevendo sobre isso. Eu li aqueles contos dedicados ao professor dela, e mais alguns. A gente riu daquilo. assunto, e ela me garantiu que eram só fantasias. Já fazia mais de cinco anos daquilo. De vez em quando comentávamos e caíamos na risa de novo sobre o assunto. Mas aos poucos fui esquecendo do tema. Tanto que só quando vi a mensagem de "L" é que aqueles relatos eróticos, meio inocentes, voltaram à minha cabeça.

Pelo que entendi, Valéria tinha escrito sobre o encontro dela com "L". Ou seja, na rede, milhares de pessoas leram detalhe por detalhe como minha mulher me botava chifre. Será que isso podia ser mais humilhante? Preferi não responder a essa pergunta, porque tinha medo da resposta.

Decidi procurar aquele relato. Ali estava a verdade. Mas tinha um problema: não lembrava em quais páginas ela publicava os contos, muito menos o apelido dela. O que fiz foi começar do zero. Digitei "relatos eróticos" no buscador. Apareceu um monte de páginas diferentes, muito mais do que eu esperava. Abri as primeiras dez páginas em abas separadas. Dei uma olhada rápida nas capas de cada site. Depois fui direto na aba dos últimos relatos, e comecei a procurar com paciência. Embora não lembrasse do apelido da Valéria, se lesse, com certeza ia reconhecer. Agora, se ela tivesse mudado de pseudônimo, eu precisaria pensar num plano B.

Por incrível que pareça, minha busca de detetive acalmou um pouco meus nervos e aliviou minha tristeza. Fiquei surpreso com a quantidade de relatos de incesto que tinha. E outros tantos de estupro, e outros tipos de perversão. Aquela gente era doente, e minha esposa estava no meio deles.

Li um por um os títulos e os autores. Nenhum deles me chamou a atenção. Fui fechando, decepcionado, aba por aba. Embora, por mais ridículo que pareça, tomei nota mental de alguns dos relatos. Talvez outro dia eu lesse eles.

Já tinha revisado as dez páginas que abri, e não só os últimos relatos, mas todos os que foram publicados durante o mês, sem sucesso nenhum. Já era meia-noite, e eu me perguntava se não era hora de abandonar essa loucura. Mas se eu fizesse isso, seria obrigado a voltar pra cama, e reler uma e outra vez aquelas mensagens perversas, e ligar pra Valéria sem sucesso nenhum. Melhor era me distrair.

Abri mais cinco abas, com outras páginas. A terceira se destacava sobre todas as anteriores, porque tinha um design muito elegante, e os contos eram bem mais vistosos que os das concorrentes. Era tipo o Facebook das páginas de contos eróticos. Li devagar os títulos, com o terrível pressentimento de que minha busca estava prestes a chegar ao fim. E de fato, lá estava um conto muito suspeito. "Me encontrei com um leitor", dizia, e era assinado por uma tal Ninfa123.

O apelido não me era familiar, mas como eu disse, ela podia ter trocado. Por outro lado, o título era bem sugestivo. O conto tinha sido postado no dia anterior. "L" tinha dito que acabara de ler o conto que Valéria escreveu sobre o encontro deles. A data batia, e o título do conto podia muito bem se referir a "L". Coincidências demais. Só precisava clicar pra confirmar a verdade.

3

Os dedos tremiam. Deslizei o mouse em direção ao link pra ler o conto. Sem querer, cliquei antes de chegar no título que queria abrir, e pra piorar, abriu outro conto. O wi-fi tava lento, então tive que ter paciência. Voltei pra página anterior, e dessa vez sim, cliquei naquele conto obscuro.

Comecei a ler, linha por linha, e cada vez que me aprofundava mais naquele texto perverso, minha incerteza ia sumindo, dando lugar à terrível verdade. A noite tava silenciosa, ou talvez fosse meu profundo ensimesmamento que não me deixava ouvir os barulhos noturnos. Minha cabeça só se ocupava em absorver aquelas palavras, e imaginar, com todos os detalhes, cada cena. O conto dizia assim.

Me encontrei com um leitor

Não costumo dar muita importância aos e-mails que recebo dos meus leitores. A maioria quer me levar pra cama, achando que sou muito fácil – Não riam, não sou – Mas se Se realmente prestassem atenção às minhas histórias, perceberiam que, salvo raras exceções, sou eu quem escolhe com quem vou pra cama. Além disso, costumam me dizer umas putarias que, nem nos meus sonhos, me seduziriam.

Mas com o Leandro foi diferente. Fiquei intrigada porque ele só me escreveu pra me parabenizar pelo último relato que postei. Agradeci e perguntei se ele não achava errado uma mulher casada agir como eu. Ele se surpreendeu, porque tava convencido de que meus relatos eram fictícios, e até insinuou que eu tava mentindo. Isso machucou um pouco meu orgulho, então garanti que meus relatos eram cem por cento reais. Ele respondeu que, se eu era tão puta assim, achava perfeito.

Durante várias semanas a gente conversou, falando de coisas nada a ver com sexo. Eu expliquei como meu casamento tava uma merda, minha necessidade de conhecer outros caras. Ele me chamou pra sair várias vezes, mas eu recusei. Não é que eu duvidasse em trair o Andrés. Esse limite já tinha sido ultrapassado há muito tempo. Mas e se eu não sentisse atração física por ele? Confessei isso, e ele propôs a gente se encontrar num café, pra bater um papo, e se a atração física fosse igual à virtual, talvez a gente pudesse passar um bom momento juntos. "E você não tem medo de eu ser uma gorda horrorosa?", perguntei, só pra provocar. "Acho que não, mas se for, também tenho direito de desistir, haha", respondeu o Leandro.

Combinamos de nos encontrar no dia seguinte, num café em Palermo. Eu sabia que a duas quadras dali tinha um motel. Conforto em primeiro lugar, hehe.

Falei pro Andrés que ia pra aula de zumba. Ele me olhou com aquela carinha de cachorro abandonado. Dava pra ver que já desconfiava de algo há um tempo, mas nunca falou nada concreto. Coloquei uma legging preta bem justa e um top branco.

– Talvez eu volte tarde, gordi. Lembra que sexta-feira a gente sai com as meninas pra tomar algo depois da aula.

– Tá, se diverte. – ele disse.

Já contei várias vezes como foi... É exasperante a cara bovina do meu marido quando saio sozinha, vestida de um jeito sensual. Os olhos míopes dele se abrem desmedidamente atrás do óculos quadrado de armação preta. Parece querer me dizer alguma coisa, mas não tem coragem. Problema dele, se não tem culhão pra segurar a mulher, merece tudo que eu faço.

Desculpa o desabafo. Como eu tava dizendo, saí de casa, deixando o Andrés sozinho. Quando eu voltasse, com certeza ia ter uma comida gostosa esperando no forno, e ele ia estar dormindo igual um bebê.

O Leandro era um quarentão de traços marcados. Era alto, tinha o queixo quadrado, cabelo grisalho estilo George Clooney, costas largas, braços musculosos, olhos verdes e espertos. Resumindo, era uma gostosura.

Ele também pareceu bem satisfeito com o que viu quando me aproximei da mesa onde ele tava sentado.

– Acho que você é o Leandro – falei – só um tarado usa uma camisa dessas. – completei, me referindo à horrível camisa xadrez que ele tinha dito que ia usar.

– Finalmente te conheço, Ninfa123. – ele disse.

– Deve se sentir privilegiado, muitos leitores adorariam enfiar a cara na minha buceta.

– Isso significa que esse encontro vai ter um final feliz?

– A menos que você não goste.

– Sempre tão direta. – ele falou, sorrindo. – Você não só é do meu gosto, como superou todas as minhas expectativas.

– Adoro quando me falam isso, tenho um ego insaciável.

– Seu marido não te fala essas coisas?

– Meu marido não faz nada.

– Tamo longe da sua casa?

– Tá com medo? – provoquei.

– Nada disso, só perguntando.

– E sua esposa, onde acha que você tá? – perguntei, apontando com o olhar pro anel dele.

– Fazendo hora extra.

– Que papo furado sem criatividade.

– Mas muito eficaz. Meus colegas me cobrem caso ela ligue ou apareça no trabalho.

– Então você é um pilantra experiente. – brinquei. Ele riu.

– Não se iluda, só me garanti pra essa ocasião. especial.

– Não precisa mentir.
– Não tô mentindo.
– Tanto faz. Vamos?
– Pra onde?
– Paga a conta e me leva pro hotel ali na esquina. – ordenei. – Se você se comportar, pode ser que a gente continue se vendo.

Subimos no carro, porque preferimos deixar ele no estacionamento do hotel. No caminho, ele não parou de passar a mão nas minhas pernas e nos meus peitos, como quem testa a mercadoria. Eu comecei a ficar excitada. A sensação de baixeza tomou conta de mim, e me embriagou. Gostei, como tantas outras vezes, de me sentir uma qualquer, uma puta. Gostei de sentir aqueles dedos ásperos e fortes no meu corpo, enquanto meu namorado preparava o jantar em casa. Meus bicos endureceram, e minha buceta começou a lubrificar.

Entramos no quarto, enquanto Leandro não parava de beliscar minha bunda. Eu apalpei o pau dele e notei que já estava duro.

– Parece que já estamos prontos. – falei.

Ele me abraçou pela cintura e me puxou pra perto. A ereção dele apertava contra minha barriga. Passei a mão no rosto dele, áspero pela barba que começava a crescer depois de uma barba feita há pouco. Enquanto as mãos enormes dele se abriam pra acariciar minhas nádegas por inteiro. Meus peitos eretos também se esfregavam nele.

– Meu marido acha que eu tô na aula de zumba. – sussurrei. – Ele tá cozinhando.
– Você é uma safada.
– Sou muito má. – falei no ouvido dele, melosa – Sou muito má.

Ele me abraçou com mais força. Cada músculo do corpo dele se sentia duro contra o meu. Parecia que eu tava presa numa prisão de músculos da qual não queria escapar. Ele me beijou. A língua dele entrou com ousadia na minha boca. Enquanto fazia isso, tirava os sapatos. Eu imitei. Ele tirou meu top.

– Essa roupinha você usa na aula de zumba? – perguntou.
– Sim. Gostou? – os dedos dele desceram até o elástico da legging. – Você vai ter que me fazer suar. Assim o Andrés não desconfia.
– Então você é daquelas putinhas que saem suadas da academia. – disse, começando a puxar minha legging pra baixo. – Cada vez gosto mais de você. Quando fiquei só de calcinha, me ajoelhei e abri a braguilha da calça dele.

Como já disse muitas vezes, os homens que mais me atraem são os que mais diferem do meu marido. Leandro era dez anos mais velho que Andrés, e o físico dele era imponente perto do corpo descuidado do meu marido. E se faltava algo para me seduzir de vez, era a piroca curta, mas grossa, que saltou como uma mola quando puxei a cueca. Aproximei meus lábios da cabeça e, ajoelhada, olhei nos olhos dele, sabendo que não tem homem que não adore esse detalhe. Sem tirar os olhos dele, enfiei aquele tronco duro na boca. Minha língua saboreou o leite grosso que já escorria do pau dele. Vi como o rosto dele mudou ao sentir a língua e os lábios trabalhando. Ele jogou a cabeça para trás, fechou os olhos e apertou os dentes, enquanto apoiava uma mão na minha nuca e empurrava, cada vez que queria que eu engolisse mais fundo. Depois, tirou a camisa e jogou de lado.

Levantei, apoiei as mãos no peitoral dele e empurrei ele de leve para a cama. Leandro, completamente pelado, caiu de costas no colchão. Subi em cima dele. Beijei o pescoço dele, mordi o mamilo, desci até a barriga e me reencontrei com a piroca veiuda, vermelha, que tremia quando minha boca voltava a encontrá-la. Acariciei os ovos dele enquanto batia uma punheta, e não parei de lamber e chupar as partes mais sensíveis dele. Os jatos quentes de porra não demoraram a encher minha boca.

Fui ao banheiro cuspir o sêmen.

– Você é um inferno de mulher. – ele disse quando voltei.

– Agora espero que me satisfaça como eu fiz.

– Vem, chega aqui, putinha. – ele disse.

Ele se ajoelhou na cama. Eu fui até ele. Ele tirou meu sutiã e depois a calcinha minúscula. Beijou meus peitos. Apertou meus mamilos com os lábios. Acariciou minha bunda, e de vez em quando, os dedos entravam, tímidos, uns centímetros no meu cu. O pau dele começava a acordar devagar, enquanto ele brincava com meu corpo.

– Chama o teu Marido. – ele disse. – Liga pra ele enquanto eu te toco. Não se preocupa, não vou te fazer gemer. Só quero ouvir como você fala com seu marido enquanto eu te toco.

– Já sabia que você ia pedir isso. – falei, lembrando que o conto com o qual ele me conheceu tinha uma cena parecida, o que gerou muito tesão entre os leitores.

Fui pegar o celular e voltei pra cama, pros braços do Leandro.

– Se você me fizer gritar ou gemer, juro que te deixo na mão e você nunca mais me vê. – ameacei, embora soubesse que, se eu saísse dali, quem ia perder era eu, já que ainda não tinha gozado.

– Não se preocupa, *slut*. Liga pra ele.

Disquei o número do Andrés. Leandro me abraçou. As mãos dele percorriam sem parar, uma e outra vez, todo o meu corpo. O telefone tocava, mas Andrés não atendia.

– Parece que você não tem sorte. Deve ter deixado o celular carregando. – falei, mas quando terminei de falar, meu marido atendeu.

– Oi, *love*, aconteceu alguma coisa?

Leandro, ao ouvir a voz do Andrés, desceu as mãos pros meus glúteos. Os dedos cravaram na minha pele, me causando dor.

– Nada, gordi. Só queria lembrar que hoje vou sair com as minhas amigas. – falei. Os lábios do Leandro deslizaram pelo meu pescoço.

– Sim, meu *love*, você já tinha me falado.

Agora desciam pros meus peitos.

– Não, não, não, eu lembro bem que te falei que talvez voltasse tarde, agora tô confirmando, mas fica tranquilo que em algumas horas eu volto.

Os dentes apertaram delicadamente meu mamilo, fazendo eu soltar um gemido fraco.

– Aconteceu alguma coisa? – perguntou Andrés, e Leandro, com a boca cheia das minhas tetas, riu de forma perversa.

– Não, nada. A gente se vê daqui a pouco.

– Se diverte, *love*. – disse Andrés.

– Disso pode ter certeza. – falei, e depois desliguei.

Leandro me jogou na cama.

– Você é um idiota, te falei pra não me fazer gemer. – reclamei, enquanto apalpava o tronco lindo dele, que já tava completamente duro.

– Não se preocupa, não foi nada. Nem percebeu, o corno do seu marido. marido. – ele colocou a camisinha e me penetrou. – Você é minha putinha? – ele perguntou.

– Hoje sou.

– Então fala.

– Sou sua putinha. – gritei, enquanto ele enfiava o pau inteiro.

– Repete.

– Sou sua putinha, sou sua putinha, sou sua putinha! – falei uma e outra vez, enquanto ele me comia, até me fazer gozar.

Depois ele aguentou mais uma transa. Tomamos banho juntos. Troquei de roupa e coloquei as roupas de zumba na bolsa.

– Vou falar pra ele que tomei banho na academia. Não costumo fazer isso, mas não quero que ele sinta seu cheiro no meu corpo.

Ele me deu um beijo apaixonado.

– Adorei o que a gente fez. Você vai escrever sobre isso?

– Óbvio.

– Seu marido nunca desconfia de nada?

– Acho que no fundo ele já sabe. Você me deixa umas quadras adiante?

– Claro. – disse Leandro.

Nos despedimos a cinco quadras de casa. Quando cheguei, tinha cheiro de carne assada, mas não estava com fome.

– Como foi? – me perguntou Andrés, quando entrei no quarto.

– Super divertido. – falei. – Que estranho você estar acordado.

– É, às vezes acontece. – ele me pegou pelo braço e me puxou pra perto dele.

– Não, gordão, hoje não tô a fim. – Me despi e deitei nua ao lado dele. Fiquei pensando no Leandro e decidi que ia vê-lo de novo.

Fim.

4

A indignação já não cabia mais dentro de mim. Não tinha dúvida, aquela história tinha sido escrita pela minha esposa. Mesmo tendo se dado ao luxo de não usar o nome dela e não dar muitas descrições físicas, todo o resto batia. O tal Leandro não era outro senão "L", um dos caras que tinha mandado mensagem pra ela naquela mesma noite. Até que ponto dá pra desconhecer as pessoas próximas? No meu caso, claramente, até níveis inimagináveis.

Cada coisa que minha mulher narrava naquele relato era mais perversa e dolorosa que a anterior. O desprezo por mim era muito maior do que eu poderia imaginar. Mesmo sabendo que ela me traía, não suspeitava que ela tivesse um conceito tão ruim de mim. Que bizarra é essa maneira como Vim descobrir que ela não gostava do meu olhar inseguro, que incomodava ela a suposta preguiça do meu corpo e que me considerava um homem sem atitude! Como pude ser tão cego?

No entanto, no meio dessa situação surreal, aconteceu algo ainda mais escandaloso, se é que isso é possível. Imaginar minha mulher de joelhos, com seu corpinho branco, com a cabecinha subindo e descendo cada vez que ela levava a pica do maldito "L" na boca; observá-la imaginariamente, enquanto eu avançava na leitura, vendo como aquele homem corpulento devorava todo o seu corpo macio; saber que antes de dormir ao meu lado, o amante dela apalpou cada cantinho do corpo dela e a fez saborear o esperma dele; imaginar aquele corpo enorme subindo em cima do corpo esbelto da minha mulher para penetrá-la selvagemente; e principalmente, aquele chamado mórbido, saber que enquanto eu falava com a Valéria, ela estava completamente nua nos braços de outro — tudo isso me deu uma ereção incrivelmente potente.

Minha vida já não fazia mais sentido, sem dúvida. Completamente perdido, decidi ligar, mesmo sendo muito tarde, para o Marcos, meu melhor amigo.

Quando ele começou a entender do que eu estava falando, se ligou e pediu para eu contar tudo de novo, desde o começo. Eu recapitulei e, angustiado, expliquei detalhe por detalhe tudo o que tinha acontecido.

Ele teve pena de mim. Disse que a Valéria era louca, e que era melhor eu nem me dar ao trabalho de procurá-la. Falou que sempre soube que ela não era boa pra mim, mas que não tinha coragem de me dizer porque sabia que eu não ia dar ouvidos. Me ofereceu apoio incondicional e perguntou se eu queria que ele fosse na minha casa. Eu disse que não precisava, mas que no dia seguinte com certeza ia faltar no trabalho. Se ele quisesse me fazer companhia, era bem-vindo. No final, ele me obrigou a jurar que não continuaria lendo aqueles relatos. Eu prometi que não ia, e desliguei. Mas, quando liguei pra ele, nem tinha reparado que poderia haver Outros relatos, agora que ela mencionou, não conseguia tirar da cabeça. Fui beber água e mijar. Voltei pro computador. Precisava clicar no nome Ninfa123 pra entrar no perfil dela. Lá eu encontraria mais verdades arrasadoras. Cliquei, convencido de que nada mais poderia me surpreender, mas, claro, me enganei.

No perfil dela tinha dados reais. Pelo menos a idade e o lugar onde morava eram: trinta anos, Buenos Aires. Na descrição, ela se retratava fielmente e explicava o quanto estava entediada no casamento. Até aí, nada de novo. O que realmente me deixou pasmo foi a lista de relatos postados no site: tinha setenta e cinco. Será que todos eram baseados em fatos reais, igual ao relato do Leandro? Se só metade fosse, os chifres invisíveis saindo da minha cabeça eram muito maiores do que eu ousava imaginar. Não consegui evitar soltar uma gargalhada no meio da noite solitária.

Tinha muitos títulos diferentes. Mal terminava de ler um, meus olhos já iam pro próximo. Mas alguns chamaram minha atenção pra caralho.

Um deles era "Um boquete no motorista da Uber na frente da minha casa", outro era "Meu aluno se atreveu a me tocar"; depois vinha "Meu marido dura pouco", e finalmente, o mais pesado de todos, "Submissa ao inimigo do meu marido, parte 4".

Todos estavam classificados na categoria de "infidelidade", mas também tinham subcategorias. O do motorista da Uber era classificado como "sexo oral", o texto que era dedicado a mim era de "confissões". Já vou deixar claro: minha duração não é lá essas coisas, mas também não sou precoce. O do aluno era "sexo com milf", e "submissa ao inimigo do meu marido" entrava na terrível categoria de "dominação".

Em que loucuras Valéria tinha se metido? Será que ela realmente tinha dado um boquete no motorista da Uber na frente da nossa casa? Se fosse o caso, era bem provável que fosse de noite, quando eu tava lá dentro. Era inacreditável o nível de promiscuidade a que ela tinha chegado. E seguindo a mesma lógica, se os relatos eram reais, aquele aluno que teve coragem de tocar na minha mulher devia ser um dos caras que vieram aqui em casa no começo do ano. Valéria dava aulas particulares de matemática. Antes do início do ano letivo, vinham adolescentes ansiosos pra passar no curso de ingresso da universidade. Claro, eu era tão idiota que deixava eles sozinhos, confiante de que ela estaria trabalhando direitinho. Mas um desses pivetes teve um encontro com a Valéria. Muito bem, que outra humilhação podia me esperar? Não bastava falar comigo no telefone enquanto outro cara a apalpava? Claro que não, ainda tinha que me trair com um moleque recém-saído da escola. Mas é claro, isso não era nada comparado com o que me esperava no último relato. Eu não tinha muitos inimigos, então já imaginava de quem se tratava, e como se isso já não fosse perturbador o bastante, aquela história estava escrita em série, e até agora tinha quatro partes.

Meus olhos percorreram rapidamente os outros títulos. Pensei em ler o primeiro, o mais antigo. Ali estaria explicado como minha mulher começou a se degenerar. Mas os relatos mencionados acima me chamavam muita atenção. Decidi começar por eles. Mas não conseguia decidir qual deles seria o primeiro. Que diferença fazia, eu podia ler todos, se quisesse.

5

Senti de novo minha rola crescendo dentro da calça. Desabotoei e abaixei um pouco o zíper, pra ficar mais confortável. Os contos que minha esposa Valéria tinha postado esperavam pra ser lidos. Comecei pelo mais leve, não porque o conteúdo não fosse pesado, mas porque era o mais previsível. Em "Meu namorado dura pouco", Valéria se estende sobre minha falta de virilidade, sobre meu abandono físico, e minha negação em ver a realidade. Ela cita vários amantes diferentes. Entre eles, Pablo, que eu achei que fosse "P", o outro imbecil que tinha escrito pra ela naquela noite. Mas a essa altura, pouco Eu pouco me importava com as punhetas furtivas que tinham gozado na minha mulher. Daquele texto curto, só consegui confirmar o desprezo e a decepção que minha esposa sentia por mim. Comecei a pensar que isso que eu tava fazendo (ler os relatos dela) era exatamente o que a mente doentia da Valéria tinha planejado. O silêncio inflexível dela era compensado, e com sobra, por aqueles relatos que mostravam passagens da vida dela que até então estavam escondidas. Terminei aquela publicação e segui com os outros três relatos. Todos me causavam humilhação e tesão. Decidi começar pelo menos interessante (menos interessante comparado com os outros dois, claro), cliquei e o relato se abriu diante dos meus olhos cansados.

Um boquete no motorista da Uber na frente da minha casa

Embora alguns não acreditem, nem sempre minto. Quando no domingo falei pro Andrés que ia me encontrar com umas amigas da faculdade, foi totalmente verdade.

A noite foi normal. Fomos comer num restaurante legal em Caballito. Nos dedicamos, como manda o figurino, a detonar nossos respectivos parceiros. A Emília tava feliz com o novo trabalho; a Juliana confessou que tava tendo um caso com um colega da escola onde dava aula, e não se decidia entre largar o namorado, largar o amante, ou não largar nenhum; a Florença, a santinha, olhou pra ela com indignação, e depois comentou como tava indo bem com o troglodita do marido dela. Sempre tive uma certa rejeição pela Flor. Se não fosse porque a gente dividia a amizade da Emília e da Juliana, nunca teríamos sido amigas. Mas fora isso, ela se comportou de maneira agradável, não veio com os discursos moralistas e religiosos. Quando ouvia algo que a escandalizava, só franzia a testa e se calava.

Eu não comentei minhas aventuras. Não por causa da caretice da Florença, mas porque as outras duas também iam se escandalizar ao conhecer meu lado mais promíscuo. É que tem muita hipocrisia entre as mulheres. A Emi e a Juli falam pelos cotovelos sobre A liberdade sexual das mulheres, mas uma coisa era uma anedota, como a da Florença, que ficava se dividindo sentimentalmente entre dois caras, ou outras histórias mais inocentes, como uma aventura excepcional em algum lugar remoto. Isso não era ruim, e até era cool e sofisticado se gabar dessas histórias. Mas bem diferente seriam as reações delas, se descobrissem todas as experiências que eu tive, tão numerosas quanto depravadas.

Então, simplesmente menti pra elas, e falei que meu casamento com Andrés ia muito bem, que já éramos um casal estável e maduro, e que eu me sentia feliz e completa. A gente se despediu às onze da noite. Fui a última a esperar na calçada o Uber que tinha pedido. Um cara que estava entrando no Chevrolet Camaro dele se ofereceu pra me levar aonde eu quisesse. O sujeito não era nem feio nem bonito, mas o carro era incrível, e eu senti uma excitação sexual inesperada por causa daquele puta carrão. Falei que não, muito obrigada. Se não tivesse pedido o Uber, ou se ele tivesse insistido mais, o menino gostoso poderia ter somado mais uma conquista na conta dele.

Chegou meu motorista. Um guri de vinte e poucos anos, vestido com um terno azul barato, mas elegante, sem gravata. Dirigia um Fiat bem novinho, que com certeza ainda tava pagando.

– Nossa, que chique. – falei, vendo o visual dele. – Assim vou me sentir uma garota gostosa com motorista particular. – Ele riu.

– Quer sentar na frente? – me perguntou, enquanto abria a porta, e meio disfarçadamente, olhava pra minhas pernas. Eu tava usando um macacão cinza curto, e umas sandálias altíssimas que deixavam minhas pernas torneadas, que já eram boas, ainda mais espetaculares. Tinha alisado o cabelo e me maquiado. Resumindo, tava muito gata.

– Isso quebraria minha fantasia de sentir que tenho motorista particular, mas tudo bem. – falei, rindo.

O rapaz se chamava Walter, tinha o cabelo preto bem curtinho, e o rosto barbeado. Parecia um menino bonzinho, um filhinho da mamãe, e era muito bonito.

Sentei no banco da acompanhante. Mandei uma mensagem pro Andrés avisando que já tava a caminho. Em meia hora devia chegar em casa. O Walter parecia meio com medo, dirigindo na avenida. Acho que tinha aprendido a dirigir fazia pouco tempo. Toda vez que podia, o olhar dele desviava pras minhas pernas.

– Espero que você não seja um abusador. – falei, quando os olhares já estavam muito óbvios.

– Claro que não, além disso, lembra que a gente é todo registrado.

– Só tava brincando. – expliquei – aliás, se eu tive histórias tenebrosas com taxistas…

– Imagino que muitos tentaram te pegar. – disse o Walter.

– Pegar? Isso não me incomodaria. Um degenerado mostrou a ereção que tava. Outro me levou por um caminho que não era o certo. Se eu não tivesse descido do táxi, vai saber pra onde ele ia me levar, e o que eu ia ser obrigada a fazer. E uns velhos que não paravam de me mandar "elogios". Será que os homens acham mesmo que dá pra levar uma mina pra cama assim?

– Alguns homens são uns filhos da puta. – falou o Walter.

– Você parece ser bonzinho. Deve ser porque é de outra geração – falei, com um sorriso sedutor. – Só fica olhando um pouco pras minhas pernas.

Ele riu, sem graça. O rosto dele ficou vermelho.

– É difícil não olhar. – se arriscou a dizer.

– Homem olha sempre. Não conseguem se livrar desse mau hábito. Mas eu já me acostumei, e meu marido também.

Ficou um silêncio estranho por alguns segundos. Pelo visto, a menção ao meu marido tinha deixado ele sem graça. O carro virou numa esquina e voltou pra Avenida Rivadavia.

– Então seu marido também se acostumou a te verem olhando. – disse, finalmente.

– Na real, não sei se ele se acostumou ou se simplesmente não liga. – respondi, lembrando de todas as vezes que, enquanto andava com o Andrés na rua, algum cara me devorava com os olhos, e ele fingia que não tava vendo nada.

– É que é muito difícil sair com uma mina gostosa. – comentou o Walter. Em algum momento você tem que se fazer de otário, porque se for se ofender toda vez que olharem pra sua mulher, vai acabar se pegando na porrada a toda hora.

– Tá defendendo meu marido? – falei, fingindo indignação.

– Não. – ele disse, sem parar de sorrir. – Só tô dizendo que as coisas são assim. Além disso, também te chamei de gostosa.

– É, eu percebi. – falei, e olhei pra estrada, sentindo como ele me devorava com os olhos. – Mas você não respondeu o que perguntei ainda. Os caras acham que podem pegar uma mulher assim, dentro de um carro, ou falando umas merdas quando cruzam com ela na calçada?

Ele ficou com uma expressão pensativa, depois disse:

– A real é que não sou de fazer essas coisas, mas conheço casos de amigos que têm umas histórias sexuais boas, em situações que talvez te surpreendessem.

– Tipo quais? – perguntei, intrigada.

– Quer saber mesmo?

– Claro, mas se liga que já já chego na minha casa.

– Beleza, por exemplo, um amigo, Ernesto, trabalhava num supermercado, um dia foi entregar um pedido e acabou comendo a dona da casa.

– Não acredito, essas coisas não acontecem. – menti, porque eu mesma tinha histórias mais inacreditáveis que essa. – Com certeza já se conheciam. Deviam ter saído umas vezes e aproveitaram o encontro casual. – arrisquei.

– Se conheciam, sim, mas só de quando ela comprava no super. Parece que ela tava afim do cara. Ernesto é bonitão, e ela já era bem coroa, embora bem cuidada. Ernesto não é de mentir, então eu acredito nele. Quando ele foi entregar o pedido, ela fez ele entrar. Sumiu um tempo e voltou pelada. "O que eu ia fazer, Walter? Não ia ficar de viadinho", me disse o coitado do Ernesto, meio com culpa.

– Que loucura! – falei, alucinada. – E mais alguma coisa?

– Bom, outro amigo trabalha numa balada, no bar. Ele tem o costume de dar bebida de graça em troca de boquete. Você ia se surpreender com a quantidade de minas que topam fazer um boquete em troca de uns drinques de graça. Domingo passado, uma mina fez com todos os funcionários. Cinco ao mesmo tempo. Uma loucura.

– As minas tão um absurdo.

– E meu irmão comeu a mãe do melhor amigo dele.

– Sério? Isso não se faz! – falei, fingindo indignação.

– O amigo do meu irmão pensa igual. Até hoje não se falam.

– De qualquer forma, acho que tô certo. No fim, nenhuma das suas histórias é de caras que pegam minas no meio da rua ou num táxi.

– Histórias de táxi têm várias, o problema é saber quais são verdade e quais não são.

– E você? – perguntei – Alguma história marcante? – Olhei, disfarçadamente, pra braguilha da calça dele. Dava pra ver que lembrar de tantas histórias tinha deixado ele excitado.

– Eu sou sem graça. Só tenho histórias comuns. Com alguma namorada, um love passageiro de verão… essas coisas.

– Ainda dá tempo. Você é muito novo.

– Tenho vinte e três.

– Por isso. – falei, enquanto a gente passava pelas últimas quadras.

– Já chegamos, que pena, o papo foi muito bom. Tomara que todas as passageiras fossem tão divertidas quanto você.

– Valeu. – falei. Me aproximei e dei um beijo na bochecha dele, mais demorado que o normal.

O carro parou bem na frente da minha casa.

– Meu marido deve estar me esperando. – falei. Encostei as costas no banco, como se fosse ficar no carro. A gente se olhou nos olhos. – Deve estar me esperando na sala, vendo alguma série. Mas acho que não vai sair no portão pra me receber. Não é do tipo que faz essas coisas. Nem perguntou se eu já tava chegando.

Walter se aproximou e me beijou de boca aberta, enquanto passava a mão nas minhas pernas. Era meia-noite. O bairro tava em silêncio. Minha casa tava com as luzes internas apagadas e as persianas fechadas.

– Quer ter uma história pra contar pros seus amigos? – perguntei, enquanto deslizava a mão pela calça dele. Senti o pau duro e Comecei a massagear ele por cima do tecido.
– Sim, eu adoraria. – Ele respondeu, e depois me beijou de novo.
– Você gosta? – falei, enquanto aumentava o ritmo da punheta.
– Adoro.
– Deixa eu ficar de olho na porta. Se ela abrir e meu marido sair, a gente se separa e finge que não aconteceu nada. Mas não se preocupa, ele não vai sair. Você olha pro outro lado, me avisa se passar algum vizinho.

Ele beijou meu pescoço, enquanto os dedos dele tentavam entrar por dentro do short do macacão. Eu abaixei o zíper, e agora sentia na minha mão o pau quente e duro. Ele me segurou pela nuca e fez força pra baixo.
– Não. – falei. – Isso não. Preciso olhar pra fora pra ninguém nos descobrir.
– Não se preocupa, não vou demorar muito, tô quase explodindo. – disse Walter, enquanto fazia mais pressão pra baixo.

Malditos homens, todos iguais. A cavalheirismo dura pouco. Meus lábios já estavam fazendo contato com a cabeça do pau dele, então não tive escolha a não ser chupar. Me concentrei na glande, pra ele gozar rápido. Ele acariciou meu cabelo, e com a outra mão minha bunda, o que pareceu gostar ainda mais que minhas pernas.

Ele soltou um gemido profundo e o corpo dele se contraiu, e apertou minha nádega com mais força, então imaginei que já ia gozar. Me levantei, e enquanto voltava a bater uma pra ele, olhei pra todos os lados. A duas quadras, uma das vizinhas estava passeando com o cachorro. Rezava pra que ela não tivesse boa visão. O pau do Walter começou a jorrar porra, que pulou uns centímetros e caiu na minha mão e sujou a calça dele.

Me limpei com um lenço descartável, enquanto via a vizinha com o cachorro se aproximando devagar.
– A gente se vê outro dia? – perguntou Walter.
– Só te prometi uma história divertida pra contar. E espero que saiba ser discreto. Não dê nomes nem endereços. – exigi, sabendo que era improvável que ele cumprisse.
– Tá bom, não se preocupa. Valeu. – disse ele.

Saí do carro. Entrei em casa. Andrés estava na sala escura assistindo a um filme. Se tivesse reparado no barulho do carro quando chegamos, e se tivesse espiado pela persiana, teria me visto em ação, e assim eu evitaria ter que mentir descaradamente pra ele.

— Oi, gordão. — cumprimentei de longe. — Já volto, tô morrendo de vontade de fazer xixi. — menti, porque não queria que ele sentisse o cheiro de sêmen na minha boca ou na minha mão.

Me lavei, escovei os dentes, e aí sim fui dar um beijo carinhoso nele. Naquela noite a gente transou.

Acho que não vai rolar um segundo encontro com o Walter, mas várias vezes vi o carro dele rondando o bairro.

Fim.

6

Eu estava na frente do computador, quase nu. Minha cueca tinha caído até os tornozelos. Minha bunda peluda apoiada no banco de madeira. Minha mão massageava a piroca. Foi difícil segurar o orgasmo, mas queria aguentar até o final. Quase consegui. Mas quando li como o Walter gozava, eu mesmo comecei a gozar. Minha mão ficou manchada de sêmen, igual à mão da Valéria com o sêmen do Walter.

Talvez eu devesse sentir rancor do motorista da Uber. Mas não achei ele ruim, não. Além disso, ele tinha razão em algo que disse, e, por consequência, a Valéria estava errada. Se eu não me incomodava toda vez que um cara olhava pras pernas longas dela, ou pra bunda gostosa dela em formato de coração, era porque isso acontecia quase todo santo dia. Seria absurdo me irritar toda vez que acontecia. Além do mais, a própria Valéria não se importava.

Fui ao banheiro me limpar. Tentei lembrar daquela noite em que eu estava vendo um filme, enquanto minha mulher chupava um desconhecido a poucos metros de distância. Mas o relato foi postado há seis meses e era muito difícil identificar aquela noite em específico. Além disso, era muito comum a Valéria sair com os diferentes grupos de amigas dela, uma ou duas vezes por semana. Desisti. Só tinha que me contentar em saber que, numa dessas noites de uns seis meses atrás, a Valéria estava recebendo na mão a gozada de um tal de Walter. Numa dessas noites, uma vizinha quase descobriu minha esposa me botando chifre na porta da nossa casa.

Sentei de novo na frente do computador. Olhei o celular. Tinha recebido uma mensagem do Marcos. Ele dizia que tava preocupado, e repetia pra eu não ler aqueles relatos. Garanti que não ia fazer isso. Depois liguei pra Valéria, mas claro, o celular dela tava desligado. Tentei contato pelo Facebook, mas ela tinha me bloqueado. Mesmo resultado no Instagram.

De qualquer forma, ler os relatos era como falar com ela. Então a necessidade urgente que eu tinha dela aparecer, ficava cada vez menos razoável. Embora não conseguisse entender, nem nunca entenderia, por que ela tinha me largado daquele jeito, e muito menos, por que tinha levado as traições dela a limites tão extremos, consegui entender que eu tinha parte da culpa no fracasso do nosso casamento. Nunca reparei até que ponto algumas atitudes minhas irritavam ela. E também foi um erro crasso não ligar pra todos os sinais que ela me dava cada vez que me traía. Sempre me gerou certas suspeitas as saídas constantes dela, mas nunca dei a importância que merecia.

Talvez, no fundo, sempre fui um corno manso consciente.

Tava com muito sono, mas não queria ir dormir. Preparei um café forte. Tomei um gole longo. Abri as abas dos próximos relatos que pretendia ler. Era absurda a indecisão que surgiu naquele momento, porque sabia que leria os dois e até mais alguns. Talvez fosse por causa da ansiedade que tinha tomado conta de mim desde que comecei com o relato da "L". Lá estavam os dois relatos. Num deles, eu ia descobrir qual dos alunos dela tinha se animado a tocar na minha mulher. Algum daqueles pivetinhos que queriam entrar na faculdade, quando veio na minha casa, tinha se dado a liberdade de colocar as mãos na Valéria. Me chamou a atenção o título do relato. Parecia insinuar que o Chico não tinha feito mais do que tocar nela. A essa altura, conhecendo minha esposa muito melhor do que há algumas horas, era difícil acreditar que tudo ficaria por isso mesmo.

Por outro lado, tinha o conto "Submissa ao inimigo do meu marido". Esse título era impactante demais. Já desconfiava de quem se tratava. Como ela pôde cair nos braços daquele homem violento? Como pôde se entregar a alguém que tinha sido tão grosseiro e agressivo comigo? Mas não deveria me surpreender. Nada mais deveria me surpreender.

No entanto, esse último conto tinha quatro partes. Era melhor deixar para o final, como se fosse o prato principal.

Cliquei na aba onde estava "Meu aluno criou coragem e me tocou". Abaixei a cueca, convencido de que teria outra ereção.

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