Frambu e seu coquetel de vida
Enquanto minha mãe se abria na cozinha, deixando os sentimentos vazarem, meu pai nos ouviu
E a gente se vira com as xícaras pra levar pra mesa e lá estava meu pai, escutando a gente:
Pai: — Que lindo ouvir isso, meu amor... Bom dia!
Mãe: — Bom dia, amor!! — se aproximou e deu uns beijinhos curtos na minha frente
Eu: — Bom dia, pai
Pai: — Minha pichuruca... o que cê tá fazendo acordada? Vai pra escola?
Eu: — Não, não vou mais pra escola. É que vou na casa do nonno, pra tia me ajudar com a apresentação que tenho que fazer hoje, é a prova final de inglês no instituto
Pai: — Verygood, my love
Eu: — Ai, pai... não sabia que cê gostava de inglês!
Pai: — Só sei o básico, sou meio ruim na pronúncia — eu ri junto com a mãe — Vamos tomar café, meus amores? Tô sentindo falta do meu outro amorzinho... ela não vai pra escola?
Mãe: — Como não vai! Ela tem que continuar indo! A preceptora dela ainda não falou nada sobre isso nem mandou nada dizendo que tá tudo aprovado
Pai: — Então vou acordar ela
Eu sentei pra tomar café, pai foi buscar a Guille enquanto minha mãe sentou do meu lado e ficou acariciando minha mão
Terminamos todo mundo de tomar café, fui me trocar enquanto minha irmã já tava quase pronta pra ir pra escola. Pai se ofereceu pra me levar na casa do nonno depois de deixar a Guille no colégio
Cumprimentei a Natali, Ingrid, Emma e a Rosario que estavam cedo pra conseguir passar nas matérias antes da nossa viagem. Me despedi delas e seguimos caminho pra casa do vô
Quando chegamos, meu pai desce junto comigo
Ele, como tem a chave, abriu a porta e cumprimentou em voz alta
Pai: — Oi, pai, oi, irmã... cheguei com mais alguém aqui... — minha tia vinha andando com meu avô segurando o braço dela e ele, ao me ver, solta ela de repente e vem num passo apressado
Nonno: — Oi, Fran... minha menina
Eu: — Oi, nonno — abracei ele forte e ele ficou acariciando minha cabeça e me beijando no rosto — Como cê tá?
Nonno: — Muito, muito feliz de te ver, minha filha... te parabenizo... te parabenizo! Obrigada... - Ao não me soltar e ver minha tia parada - Nonno, deixa eu cumprimentar a tia? Nonno: - Não, não não... que ela espere... você veio me ver só a mim! - Eu ri e acenei pra minha tia, e ela me mandou um beijo Dolores: - Oi Fran... Oi Martin... pai... não vai cumprimentar seu filho? Nonno: - Pra quê? Se eu vejo ele toda hora... me deixem em paz com minha netinha... olha aqui, mija... preparei o mate do jeito que a gente gosta - fomos caminhando os dois no ritmo dele até a mesa da cozinha dele Eu: - Bom, vamos que eu te levo Nonno: - Eu consigo andar sozinho, mija, só que sua tia e seu pai me enchem o saco, não me deixam um minuto sozinho. Nem me deixam arrumar uma namorada! Eu: - Nossa, nonno... que chatos! - Rimos os quatro Meu pai foi com minha tia conversar num canto, enquanto eu sentava do lado do vô pra tomar mate. As mãos enrugadas dele, mas fortes, seguravam o mate e a chaleira de metal. Ele colocou umas cascas de laranja e açúcar Nonno: - Cuidado que pode estar bem quente... Eu: - Eu gosto assim! Amo seus mates! - Enquanto dava o último gole, sorrindo pra ele Nonno: - Minha mulher, sua avó Lourdes, adorava meus mates, mija... às vezes sinto tanta falta dela... - ele tomava mate Eu: - Imagino que deve sentir muita falta dela, nonno. Ela era muito companheira pra você? Nonno: - Ela tinha as dela, seus costumes, mas eu amava ela. Mas muitas vezes queria ter uma mulher pra ser companheira, pelo menos pros anos que me restam de vida! Eu: - Ai, nonno... não fala isso. Você vai viver mais cem anos! Olha, quero continuar vindo e tomando seus matecitos sempre! - ele me passava outro mate Nonno: - Olho pra você e vejo umas coisas da sua avó, e juro que me lembra ela. Essas expressões, esse olhar meigo, embora eu saiba que você puxou muito à sua mãe, mas tem muitas coisas lindas também da minha mulher... Eu: - Calma, nonno... não fica triste. De agora em diante, posso vir todo dia te ver e tomar seus mates com você - devolvi o mate pra ele — Já sabe que dia vão te dar seu boletim, seu diploma?
Eu: — Ainda não sei, mas assim que souber, te conto. Também tenho uma coisa pra te contar, nonno... mas é segredo entre nós dois.
Nonno: — Claro, mija... me conta — enquanto ele tomava mate.
Eu: — Arranjei um namorado! — e sorri. — Conheci ele quando acompanhei o papai no Uruguai, e ele é um homem maravilhoso, quase igual ao papai: atencioso, doce, bom, carinhoso, engraçado e muito família.
Nonno: — Ah, é?? Mas vamos falar baixo senão essas fofoqueiras daqui vão ouvir. Parabéns, mija! — e me passou mais um mate.
Eu: — Aqui tenho uma foto com ele. Ele se chama Ezequiel. Olha... — mostrei as fotos no celular e ele colocou os óculos. — Aqui a gente tava num monumento chamado Mãos ou Dedos de Punta del Este. Aqui ele tirou foto minha posando, aqui descendo as escadas, e aqui... — vi a foto do selfie que fizemos — aqui ele tá comigo.
Nonno: — Não seria melhor revelar essas fotos, mija?
Eu: — Como?? Não entendi...
Nonno: — Ter elas em papel, igual eu tenho várias da minha mulher, dos meus filhos e de vocês duas! Olha... aqui estão você e a Guille — ele mostrou uma foto nossa quando éramos pequenas com meus pais. — Olha essa outra, essa é minha favorita, é do dia que sua mãe tirou foto de mim, sua avó e seus outros dois avós no dia que vieram pra cá... a gente tava com uma tristeza danada naquele dia porque vocês nos faziam muito felizes — a última foto era eu e minha irmã com os quatro avós.
Eu: — Adorei... posso tirar foto com meu celular pra guardar comigo?
Nonno: — Pode, pode, Fran... tira aí.
Tirei fotos e sorri, feliz por ter uma lembrança linda com meus quatro avós juntos.
Meu pai e minha tia voltaram pra cozinha, onde a gente tava com o avô tomando mate.
Tomei mais uns mates e depois fui falar com minha tia pra ela me ajudar com a apresentação de inglês, e a gente ficou um tempão praticando e conversando pra ela ficar mais à vontade.
Meu pai começou a preparar a comida porque o nonno tava com Dieta rigorosa por causa da idade e da saúde dele. A gente sentou pra comer e eu fiquei do lado do meu avô, do outro lado tava meu pai. Minha tia tirou uma foto nossa sem a gente perceber enquanto a gente comia.
Pai: - Pô... mas tu é malvada mesmo... tirou foto da gente??
Dolores: - Cê tá muito bem com um olho aberto e a boca cheia de comida, Martincito!
O nonno e eu demos risada.
Pai: - Sempre a mesma coisa, menina... já vai ver!! No dia que tua sobrina se formar, vou escolher as fotos que tu sair assim pra postar e compartilhar na rede social!
Dolores: - Nããão, não seja mau, Martin!
Martin: - Então tira uma foto boa da gente. Até que o Fran tá do lado de cada um de nós!
Aí larguei os talheres e abracei meu pai e o nonno. Sorrimos os três pra minha tia, que tirou várias fotos. Terminamos de comer, enquanto eu ajudava minha tia a levar tudo que a gente tinha usado e meu pai levava o nonno pra fora pra tomar um ar.
Meu nonno, com mais de oitenta anos, já era um homem que se mexia bem devagar e sentia falta da avó, aquela ausência de ter uma companheira, mesmo com meu pai e minha tia sempre do lado dele. Quando acabou, continuei revisando o discurso inteiro com minha tia pra ficar mais preparada pra aula de inglês, e às 15:30 saí da casa deles pra ir pro instituto.
Fui andando com minha mochila debaixo do sol quente de fim de novembro, imaginando estar na piscina da minha casa ou na casa do Ezequiel. Quando ele veio na minha cabeça, peguei o celular e mandei uma mensagem:
"Oi, amor, como cê tá? Me desculpa ter sumido, mas tive um dia bem corrido, fiquei com meu nonno: meu avô e minha tia, fazia tempo que não via eles. Não usei o celular o dia inteiro, além disso tô indo fazer minha última prova de inglês pra ficar livre e poder marcar algo contigo. Te amo muito."
Continuei andando umas duas quadras quando sinto que chega uma mensagem:
"Oi, minha gostosa. Que bom te ler!! Que coincidência! Hoje eu não fui pra faculdade e Passei o dia todo com a minha nonna também, a mesma que fez aquela geleia que você tanto gostou. Ficamos a manhã inteira juntos e preparamos um monte de coisas. Ela me mima e faz comidinhas caseiras pra eu levar pra casa, ela diz que é tipo meu pagamento, porque eu sempre ajudo ela e dou dinheiro pro que ela precisa. É uma troca! Assim que sair da sua aula, me liga e a gente faz uma videochamada. Tô com saudade e quero ver como você tá gostosa! Te amo, minha rainha!" Cheguei no instituto, fiquei com várias colegas de lá praticando. Lá pelas 18 saí de lá super feliz, já tinha passado na última prova e, por consequência, no curso inteiro também. Mandei uma mensagem pros meus pais: "Oi, pai e mãe, só pra contar que passei nessa última prova e tô super feliz porque já fechei o curso também. Amo vocês. Tô indo pra casa." Continuei andando e sinto um carro me seguindo, que para perto de mim. Me deu um arrepio, pensei que podia ser o Blas. Mas era só uma pessoa descendo pra ir num negócio perto dali. Escuto outra mensagem chegando e paro pra ler: "Oi, linda Fran, como cê tá? Como tão sua mãe e sua irmãzinha? Tô em Mendoza por umas reuniões e, principalmente, pra te falar que preciso ir pra San Luis resolver uns trâmites e, sinceramente, adoraria ver vocês. Mando um beijão." "Oi, Barti. Tudo bem, acabei de sair do instituto de inglês e já passei no curso. Olha, sobre a gente se ver, acho que não rola porque meus pais tão bem entre si agora e, se eles te vissem, ia acabar destruindo a relação deles. Eu não teria problema em te ver, mas não conta com a minha mãe nem com a minha irmã. Um beijo." Continuei andando, parei e comprei um doce numa banca, segui caminho pra casa e escuto o celular tocar. Atendi. Eu: — Alô? Eze: — Oi, minha namorada linda! Eu: — Oi, amor... Eze: — Como cê tá? Como foi? Eu: — Tô bem. Passei, então tô mais que feliz! Tô indo andando pra casa. Eze: — Não é que... Perigoso você estar sozinha? Eu: - Não, não... aqui é tranquilo. A única coisa que me preocupa é com ele que eu tava, que é a única coisa perigosa pra mim... mas fica tranquilo, love. Enquanto eu ando e falo com você, me sinto muito acompanhada. Eze: - Tá bom, e como você se prepara pra fazer 18? Eu: - Ahhh, muito bem, ainda não organizei nada de tema ou horário, porque na maioria das vezes meus pais fazem tudo por mim, eu só tenho que convidar o pessoal e eles fazem tudo: comida, decoração, às vezes colocam balões e até me fazem um chapéu ou gorro festivo! É muito engraçado. Porque o papai também tem um que diz "o pai cool" e sai pra fotos com esse gorro. Eze: - Que lindo, meu love... e com certeza se você quiser, eu vou estar aí contigo pra comemorar mais um ano da sua vida. Eu: - Claro que sim!! Eu adoraria que você estivesse comigo! Já tô a umas duas quadras de casa, atravessando uma praça perto e já dá pra ver um pôr do sol lindo. Eze: - Tem um banco perto aí? Eu: - Sim, sim, por quê? Eze: - Senta e fecha os olhos enquanto eu te digo isso - eu obedeci: sentei no banco e fechei meus olhos - imagina que a gente tá sentado nesse banco juntos, enquanto eu te abraço e acaricio suavemente seu ombro e te dou uns beijinhos suaves no cabelo e a gente olha esse pôr do sol lindo juntos. Eu: - Uauuuu, verdade, eu gosto de ter essas sensações que me fazem sentir você aqui do meu lado! Eze: - Já tô ansioso pra fazer isso, meu love! Tô com saudade, minha gostosa! Eu: - E eu também tô com saudade e te amo muito! Eze: - E eu também, mas muito, muito... mais tarde, posso te fazer uma videochamada? Eu: - Siiim, adoraria. Eze: - Que tal umas 22h? Eu: - Sim, siiiim... Eze: - Nesse horário então eu te ligo e já tô ansioso pra te ver, meu love. Eu: - Te mando muitos, muitos beijinhos. Já tô na esquina da minha casa. Eze: - Que bom. Te amo muito e a gente se fala mais tarde! Eu: - Fechou, love. Te amo! Eze: - Adoro ouvir você dizer isso. E eu te amo muito também, meu love! Desliguei e entrei em casa, só o Guille estava lá, sentado. no comedor fazendo a lição
Eu: - Oi, neném
Guille: - Oi, Fran... estranhei você não me chamar pelo apelido
Eu: - Você tá bem? O que aconteceu?
Guille: - Ah, não sei o que houve com a mamãe. Cheguei do handebol e ela estava aqui, mas se ofereceu pra fazer meu lanche, aí atendeu uma ligação e saiu sem falar nada. Ainda não voltou e também não sei se o papai tá com ela ou o quê...
Eu: - Que estranho!! Nossa, não me diga que...??? - já imaginei que minha mãe tivesse ido ver o Barti, o ex dela
Guille: - O quê?? O que você lembrou??
Eu: - Nada, nada... fica tranquila. Vou tentar falar com uma amiga da sua mãe. Se precisar de ajuda, assim que terminar de falar com ela, te ajudo
Guille: - Ok, obrigada, Fran...
Na hora me tranquei no meu quarto e mandei pro Barto: "Oi, Barti, como cê tá?"
Fui guardar a roupa que minha mãe tinha deixado dobrada em cima da minha cama e arrumei as pastas de inglês na minha mesa de estudo, quando vejo que tão me ligando
Eu: - Alô?
Barti: - Oi, gostosa
Eu: - Oi, Barti... como cê tá?
Barti: - Bem, muito bem, e você?
Eu: - Tô bem também... queria saber se minha mãe tá com você ou se combinou de te encontrar, porque você falou que viria pra São Luís e...
Barti: - Uauuuuu, sinceramente, você me surpreende como ainda é inteligente e rápida! Sim, sim, combinamos de nos encontrar e ela já tá voltando pra casa...
Eu: - Mas Barti... eu te falei pra não meter ela em encrenca!
Barti: - Olha, gostosa... sua mãe que quis me ver e, sinceramente, foi incrível vê-la
Eu: - Ai, meu Deus...
Barti: - Mas não pensa que a gente fez algo tipo transar, embora eu adoraria fazer de tudo com ela, porque eu ainda amo sua mãe, mas ela só veio me ver pra me contar a decisão dela: que não quer mais que eu fale com você, que ela é feliz no casamento dela e com a vida que leva com seu pai. Então, linda Fran... foi lindo rever ela graças a você, e vou guardar comigo minhas melhores lembranças e os momentos que compartilhei com vocês. Se cuida
Eu: - Tá bom, Barti... se cuida. Te mando um abraço um beijo grande... Desliguei a ligação e fui pra sala de jantar.
Guille: - E aí?? Sabe da mamãe?
Eu: - Sim, sim... ela tinha ido na casa da Délia. Já tá vindo.
Guille: - Mas por que ela saiu sem falar nada?
Eu: - Porque a amiga deve ter precisado dela com urgência. Fica tranquila. Já vem... Entendeu o que tem que fazer nessa tarefa?
Guille: - Sim, sim... só tava preocupada com a mamãe porque ela não costuma sair ou sumir de casa assim.
Eu: - Já acabou. Já tá vindo, o amigo me disse que ela já tá vindo.
Guille: - Como assim "amigo"? Você não disse que ela foi com a Délia?
Eu: - Falei que a amiga me disse que ela tá vindo... olha... chegou aí... viu, neném? Não tinha motivo pra se preocupar!
Mamãe chegou no carro dela e, quando desceu, dava pra ver uma amargura enorme no rosto dela. Eu percebi porque vi pelo vitrão da frente enquanto ela se aproximava da porta. Ela abriu a porta e a expressão já tava um pouco melhor do que eu tinha visto pela janela.
Mamãe: - Oi, minhas meninas... - deu um beijo em cada uma.
Eu: - Oi, mãe.
Guille: - Oi, mamãe... Cadê você foi?
Mamãe: - Tive que ir até a casa de uma amiga resolver um negócio...
Eu: - Na casa da Délia, né? - pisquei o olho.
Mamãe: - Hmmmm... sim, sim... é que ela teve um incidente na casa dela e me chamou, mas já tô aqui, Guille... me desculpa por ter saído assim...
Guille: - Pensei que tinha acontecido alguma coisa com o papai!
Mamãe: - Não, não... fica tranquila, tá tudo bem! O papai tá trabalhando ou na casa do pai dele, ou seja, com o avô de vocês.
Eu: - Com certeza.
Ela foi pro quarto e eu fui atrás.
Eu: - Mãe...
Mamãe: - O que foi, Fran?
Eu: - Você foi ver o Barti?
Mamãe: - Fui... como você sabia?
Eu: - É que faz um tempo ele me disse que ia estar por Mendoza e Chile, e eu imaginei que ele viria pra San Luis...
Mamãe: - Ah, pelo amor de Deus, filha... eu já falei com ele e disse que não quero mais saber de nada com ele, e que ele não chegue perto de mim, nem de você, nem da Guille. Que já nos deixe viver em paz!
Eu: - Só isso que aconteceu?
Mamãe: - Sim, sim... só isso que aconteceu.
Eu: - Mas... por que eu te vejo tão amargurada? E triste? Você ainda gosta do Barti?
Mãe: – É que ao rever, ficar sentados no carro dele e conversar, ele falando de tudo que fez pra nos encontrar, me emocionou um pouco.
Eu: – E aí, o que aconteceu? Vocês se beijaram?
Minha mãe se levantou e virou de costas.
– Mãe??
Mãe: – Ele tentou me beijar e eu recusei! Sempre recusei. Porque quero acabar com isso tudo. Eu amo seu pai e não amo nenhum outro homem, mas precisava dizer isso a ele!
Nisso entra a Guillermina.
Guille: – Fran... Fran... não é você aqui? – ela me mostrou a foto que receberam, era a mesma que minhas amigas tinham me mandado, mas agora as revistas circulavam como dinheiro vivo por toda a cidade. Fiquei gelada porque ia estar na boca do povo.
Eu: – Ai, não acredito...
Guille: – Por que tiraram fotos suas?
Mãe: – Olha... então a Fran tá na capa de uma revista uruguaia – ela mostrou a foto da revista no celular pra minha mãe – Fran... é você?
Eu: – Eu não percebi que era um fotógrafo profissional... senão tinha coberto o rosto.
Mãe: – Não, não falo por isso... mas vejo as fotos e você tem um olhar e um sorriso totalmente diferentes, relaxados, e dá pra ver que você tá curtindo.
Eu: – É que eu não entendo por que você esconde da gente nosso verdadeiro sobrenome e não quer que a gente apareça em outro tipo de foto.
Mãe: – É que eu quero cuidar e proteger vocês de outras pessoas, vocês são filhas de um homem que faz muitos negócios e tem muita grana, e eu não queria que ninguém fizesse mal a vocês. Mas você, Fran... daqui a pouco tudo isso vai mudar, porque você vai ser maior de idade e vai escolher se quer ser conhecida ou continuar na sua.
Eu: – É que eu tava apavorada com essas fotos por sua causa... porque sei que você cuida da gente, mas também, se essa foto chegar na mão do Blas, eu tenho medo por mim e pelo Ezequiel! O pai dele é quase como o meu, bah, o nosso... é muito respeitado e também um homem de muitos negócios, mas no Uruguai.
Guille: – Então esse é seu namorado, Fran? – enquanto ampliava a foto e olhava. detalhes de me ver junto com um homem
Eu: - Sim, sim, ele é
Ezequiel: - Ele é um amor de pessoa!!
Guille: - Ah...
- ela foi pra sala de jantar, enquanto mexia no celular e eu fiquei ali com a mamãe
Eu: - Mãe...
Mamãe: - O que foi, Fran?
Eu: - Você não tá brava por causa das fotos?
Mamãe: - Não, não Fran... só me surpreendeu, nada mais
Eu: - Ah... você sabia que o papai tava falando com o Ricardo, o pai do Ezequiel, por causa de um problema que ele teve com o outro filho e o papai ia ajudar ele?
Mamãe: - Não, não sabia de nada...
Eu: - Viu ontem à noite que ele recebeu aquela ligação? Pra mim ele tava falando com ele e não sei o que querem fazer com o cara que fez alguma coisa pro irmão do Eze
Mamãe: - Eu via que ele tava agindo mais estranho que o normal, seu pai... e... ai, meu deus
Eu: - Cê acha que o Barti tem alguma coisa a ver?
Mamãe: - Tomara que não. Mas melhor dizer que não sei... porque segundo ele, uma vez me disse que todos os negócios eram reais e nunca ficou com grana dos outros
Eu: - E eu também tava desconfiada porque justo o Barti tava por aqui perto e justo o papai falou assim e eu tô preocupada... embora o papai seja incapaz de bater ou matar uma mosca, mas... pode ser que tenham outras pessoas que sim
Mamãe: - Vou ligar pra ele agora e aí a gente descobre onde ele tá!
Minha mãe ligou e o celular do papai dava desligado ou fora da área de cobertura, ela insistiu mais algumas vezes e deixou um recado: "Oi, amor, como cê tá? Queria saber se você vem jantar ou a que horas vai chegar? Te amo"
E minha mãe continuou arrumando as roupas e outras coisas que tinha que guardar
CONTINUA...
Enquanto minha mãe se abria na cozinha, deixando os sentimentos vazarem, meu pai nos ouviu
E a gente se vira com as xícaras pra levar pra mesa e lá estava meu pai, escutando a gente:
Pai: — Que lindo ouvir isso, meu amor... Bom dia!
Mãe: — Bom dia, amor!! — se aproximou e deu uns beijinhos curtos na minha frente
Eu: — Bom dia, pai
Pai: — Minha pichuruca... o que cê tá fazendo acordada? Vai pra escola?
Eu: — Não, não vou mais pra escola. É que vou na casa do nonno, pra tia me ajudar com a apresentação que tenho que fazer hoje, é a prova final de inglês no instituto
Pai: — Verygood, my love
Eu: — Ai, pai... não sabia que cê gostava de inglês!
Pai: — Só sei o básico, sou meio ruim na pronúncia — eu ri junto com a mãe — Vamos tomar café, meus amores? Tô sentindo falta do meu outro amorzinho... ela não vai pra escola?
Mãe: — Como não vai! Ela tem que continuar indo! A preceptora dela ainda não falou nada sobre isso nem mandou nada dizendo que tá tudo aprovado
Pai: — Então vou acordar ela
Eu sentei pra tomar café, pai foi buscar a Guille enquanto minha mãe sentou do meu lado e ficou acariciando minha mão
Terminamos todo mundo de tomar café, fui me trocar enquanto minha irmã já tava quase pronta pra ir pra escola. Pai se ofereceu pra me levar na casa do nonno depois de deixar a Guille no colégio
Cumprimentei a Natali, Ingrid, Emma e a Rosario que estavam cedo pra conseguir passar nas matérias antes da nossa viagem. Me despedi delas e seguimos caminho pra casa do vô
Quando chegamos, meu pai desce junto comigo
Ele, como tem a chave, abriu a porta e cumprimentou em voz alta
Pai: — Oi, pai, oi, irmã... cheguei com mais alguém aqui... — minha tia vinha andando com meu avô segurando o braço dela e ele, ao me ver, solta ela de repente e vem num passo apressado
Nonno: — Oi, Fran... minha menina
Eu: — Oi, nonno — abracei ele forte e ele ficou acariciando minha cabeça e me beijando no rosto — Como cê tá?
Nonno: — Muito, muito feliz de te ver, minha filha... te parabenizo... te parabenizo! Obrigada... - Ao não me soltar e ver minha tia parada - Nonno, deixa eu cumprimentar a tia? Nonno: - Não, não não... que ela espere... você veio me ver só a mim! - Eu ri e acenei pra minha tia, e ela me mandou um beijo Dolores: - Oi Fran... Oi Martin... pai... não vai cumprimentar seu filho? Nonno: - Pra quê? Se eu vejo ele toda hora... me deixem em paz com minha netinha... olha aqui, mija... preparei o mate do jeito que a gente gosta - fomos caminhando os dois no ritmo dele até a mesa da cozinha dele Eu: - Bom, vamos que eu te levo Nonno: - Eu consigo andar sozinho, mija, só que sua tia e seu pai me enchem o saco, não me deixam um minuto sozinho. Nem me deixam arrumar uma namorada! Eu: - Nossa, nonno... que chatos! - Rimos os quatro Meu pai foi com minha tia conversar num canto, enquanto eu sentava do lado do vô pra tomar mate. As mãos enrugadas dele, mas fortes, seguravam o mate e a chaleira de metal. Ele colocou umas cascas de laranja e açúcar Nonno: - Cuidado que pode estar bem quente... Eu: - Eu gosto assim! Amo seus mates! - Enquanto dava o último gole, sorrindo pra ele Nonno: - Minha mulher, sua avó Lourdes, adorava meus mates, mija... às vezes sinto tanta falta dela... - ele tomava mate Eu: - Imagino que deve sentir muita falta dela, nonno. Ela era muito companheira pra você? Nonno: - Ela tinha as dela, seus costumes, mas eu amava ela. Mas muitas vezes queria ter uma mulher pra ser companheira, pelo menos pros anos que me restam de vida! Eu: - Ai, nonno... não fala isso. Você vai viver mais cem anos! Olha, quero continuar vindo e tomando seus matecitos sempre! - ele me passava outro mate Nonno: - Olho pra você e vejo umas coisas da sua avó, e juro que me lembra ela. Essas expressões, esse olhar meigo, embora eu saiba que você puxou muito à sua mãe, mas tem muitas coisas lindas também da minha mulher... Eu: - Calma, nonno... não fica triste. De agora em diante, posso vir todo dia te ver e tomar seus mates com você - devolvi o mate pra ele — Já sabe que dia vão te dar seu boletim, seu diploma?
Eu: — Ainda não sei, mas assim que souber, te conto. Também tenho uma coisa pra te contar, nonno... mas é segredo entre nós dois.
Nonno: — Claro, mija... me conta — enquanto ele tomava mate.
Eu: — Arranjei um namorado! — e sorri. — Conheci ele quando acompanhei o papai no Uruguai, e ele é um homem maravilhoso, quase igual ao papai: atencioso, doce, bom, carinhoso, engraçado e muito família.
Nonno: — Ah, é?? Mas vamos falar baixo senão essas fofoqueiras daqui vão ouvir. Parabéns, mija! — e me passou mais um mate.
Eu: — Aqui tenho uma foto com ele. Ele se chama Ezequiel. Olha... — mostrei as fotos no celular e ele colocou os óculos. — Aqui a gente tava num monumento chamado Mãos ou Dedos de Punta del Este. Aqui ele tirou foto minha posando, aqui descendo as escadas, e aqui... — vi a foto do selfie que fizemos — aqui ele tá comigo.
Nonno: — Não seria melhor revelar essas fotos, mija?
Eu: — Como?? Não entendi...
Nonno: — Ter elas em papel, igual eu tenho várias da minha mulher, dos meus filhos e de vocês duas! Olha... aqui estão você e a Guille — ele mostrou uma foto nossa quando éramos pequenas com meus pais. — Olha essa outra, essa é minha favorita, é do dia que sua mãe tirou foto de mim, sua avó e seus outros dois avós no dia que vieram pra cá... a gente tava com uma tristeza danada naquele dia porque vocês nos faziam muito felizes — a última foto era eu e minha irmã com os quatro avós.
Eu: — Adorei... posso tirar foto com meu celular pra guardar comigo?
Nonno: — Pode, pode, Fran... tira aí.
Tirei fotos e sorri, feliz por ter uma lembrança linda com meus quatro avós juntos.
Meu pai e minha tia voltaram pra cozinha, onde a gente tava com o avô tomando mate.
Tomei mais uns mates e depois fui falar com minha tia pra ela me ajudar com a apresentação de inglês, e a gente ficou um tempão praticando e conversando pra ela ficar mais à vontade.
Meu pai começou a preparar a comida porque o nonno tava com Dieta rigorosa por causa da idade e da saúde dele. A gente sentou pra comer e eu fiquei do lado do meu avô, do outro lado tava meu pai. Minha tia tirou uma foto nossa sem a gente perceber enquanto a gente comia.
Pai: - Pô... mas tu é malvada mesmo... tirou foto da gente??
Dolores: - Cê tá muito bem com um olho aberto e a boca cheia de comida, Martincito!
O nonno e eu demos risada.
Pai: - Sempre a mesma coisa, menina... já vai ver!! No dia que tua sobrina se formar, vou escolher as fotos que tu sair assim pra postar e compartilhar na rede social!
Dolores: - Nããão, não seja mau, Martin!
Martin: - Então tira uma foto boa da gente. Até que o Fran tá do lado de cada um de nós!
Aí larguei os talheres e abracei meu pai e o nonno. Sorrimos os três pra minha tia, que tirou várias fotos. Terminamos de comer, enquanto eu ajudava minha tia a levar tudo que a gente tinha usado e meu pai levava o nonno pra fora pra tomar um ar.
Meu nonno, com mais de oitenta anos, já era um homem que se mexia bem devagar e sentia falta da avó, aquela ausência de ter uma companheira, mesmo com meu pai e minha tia sempre do lado dele. Quando acabou, continuei revisando o discurso inteiro com minha tia pra ficar mais preparada pra aula de inglês, e às 15:30 saí da casa deles pra ir pro instituto.
Fui andando com minha mochila debaixo do sol quente de fim de novembro, imaginando estar na piscina da minha casa ou na casa do Ezequiel. Quando ele veio na minha cabeça, peguei o celular e mandei uma mensagem:
"Oi, amor, como cê tá? Me desculpa ter sumido, mas tive um dia bem corrido, fiquei com meu nonno: meu avô e minha tia, fazia tempo que não via eles. Não usei o celular o dia inteiro, além disso tô indo fazer minha última prova de inglês pra ficar livre e poder marcar algo contigo. Te amo muito."
Continuei andando umas duas quadras quando sinto que chega uma mensagem:
"Oi, minha gostosa. Que bom te ler!! Que coincidência! Hoje eu não fui pra faculdade e Passei o dia todo com a minha nonna também, a mesma que fez aquela geleia que você tanto gostou. Ficamos a manhã inteira juntos e preparamos um monte de coisas. Ela me mima e faz comidinhas caseiras pra eu levar pra casa, ela diz que é tipo meu pagamento, porque eu sempre ajudo ela e dou dinheiro pro que ela precisa. É uma troca! Assim que sair da sua aula, me liga e a gente faz uma videochamada. Tô com saudade e quero ver como você tá gostosa! Te amo, minha rainha!" Cheguei no instituto, fiquei com várias colegas de lá praticando. Lá pelas 18 saí de lá super feliz, já tinha passado na última prova e, por consequência, no curso inteiro também. Mandei uma mensagem pros meus pais: "Oi, pai e mãe, só pra contar que passei nessa última prova e tô super feliz porque já fechei o curso também. Amo vocês. Tô indo pra casa." Continuei andando e sinto um carro me seguindo, que para perto de mim. Me deu um arrepio, pensei que podia ser o Blas. Mas era só uma pessoa descendo pra ir num negócio perto dali. Escuto outra mensagem chegando e paro pra ler: "Oi, linda Fran, como cê tá? Como tão sua mãe e sua irmãzinha? Tô em Mendoza por umas reuniões e, principalmente, pra te falar que preciso ir pra San Luis resolver uns trâmites e, sinceramente, adoraria ver vocês. Mando um beijão." "Oi, Barti. Tudo bem, acabei de sair do instituto de inglês e já passei no curso. Olha, sobre a gente se ver, acho que não rola porque meus pais tão bem entre si agora e, se eles te vissem, ia acabar destruindo a relação deles. Eu não teria problema em te ver, mas não conta com a minha mãe nem com a minha irmã. Um beijo." Continuei andando, parei e comprei um doce numa banca, segui caminho pra casa e escuto o celular tocar. Atendi. Eu: — Alô? Eze: — Oi, minha namorada linda! Eu: — Oi, amor... Eze: — Como cê tá? Como foi? Eu: — Tô bem. Passei, então tô mais que feliz! Tô indo andando pra casa. Eze: — Não é que... Perigoso você estar sozinha? Eu: - Não, não... aqui é tranquilo. A única coisa que me preocupa é com ele que eu tava, que é a única coisa perigosa pra mim... mas fica tranquilo, love. Enquanto eu ando e falo com você, me sinto muito acompanhada. Eze: - Tá bom, e como você se prepara pra fazer 18? Eu: - Ahhh, muito bem, ainda não organizei nada de tema ou horário, porque na maioria das vezes meus pais fazem tudo por mim, eu só tenho que convidar o pessoal e eles fazem tudo: comida, decoração, às vezes colocam balões e até me fazem um chapéu ou gorro festivo! É muito engraçado. Porque o papai também tem um que diz "o pai cool" e sai pra fotos com esse gorro. Eze: - Que lindo, meu love... e com certeza se você quiser, eu vou estar aí contigo pra comemorar mais um ano da sua vida. Eu: - Claro que sim!! Eu adoraria que você estivesse comigo! Já tô a umas duas quadras de casa, atravessando uma praça perto e já dá pra ver um pôr do sol lindo. Eze: - Tem um banco perto aí? Eu: - Sim, sim, por quê? Eze: - Senta e fecha os olhos enquanto eu te digo isso - eu obedeci: sentei no banco e fechei meus olhos - imagina que a gente tá sentado nesse banco juntos, enquanto eu te abraço e acaricio suavemente seu ombro e te dou uns beijinhos suaves no cabelo e a gente olha esse pôr do sol lindo juntos. Eu: - Uauuuu, verdade, eu gosto de ter essas sensações que me fazem sentir você aqui do meu lado! Eze: - Já tô ansioso pra fazer isso, meu love! Tô com saudade, minha gostosa! Eu: - E eu também tô com saudade e te amo muito! Eze: - E eu também, mas muito, muito... mais tarde, posso te fazer uma videochamada? Eu: - Siiim, adoraria. Eze: - Que tal umas 22h? Eu: - Sim, siiiim... Eze: - Nesse horário então eu te ligo e já tô ansioso pra te ver, meu love. Eu: - Te mando muitos, muitos beijinhos. Já tô na esquina da minha casa. Eze: - Que bom. Te amo muito e a gente se fala mais tarde! Eu: - Fechou, love. Te amo! Eze: - Adoro ouvir você dizer isso. E eu te amo muito também, meu love! Desliguei e entrei em casa, só o Guille estava lá, sentado. no comedor fazendo a lição
Eu: - Oi, neném
Guille: - Oi, Fran... estranhei você não me chamar pelo apelido
Eu: - Você tá bem? O que aconteceu?
Guille: - Ah, não sei o que houve com a mamãe. Cheguei do handebol e ela estava aqui, mas se ofereceu pra fazer meu lanche, aí atendeu uma ligação e saiu sem falar nada. Ainda não voltou e também não sei se o papai tá com ela ou o quê...
Eu: - Que estranho!! Nossa, não me diga que...??? - já imaginei que minha mãe tivesse ido ver o Barti, o ex dela
Guille: - O quê?? O que você lembrou??
Eu: - Nada, nada... fica tranquila. Vou tentar falar com uma amiga da sua mãe. Se precisar de ajuda, assim que terminar de falar com ela, te ajudo
Guille: - Ok, obrigada, Fran...
Na hora me tranquei no meu quarto e mandei pro Barto: "Oi, Barti, como cê tá?"
Fui guardar a roupa que minha mãe tinha deixado dobrada em cima da minha cama e arrumei as pastas de inglês na minha mesa de estudo, quando vejo que tão me ligando
Eu: - Alô?
Barti: - Oi, gostosa
Eu: - Oi, Barti... como cê tá?
Barti: - Bem, muito bem, e você?
Eu: - Tô bem também... queria saber se minha mãe tá com você ou se combinou de te encontrar, porque você falou que viria pra São Luís e...
Barti: - Uauuuuu, sinceramente, você me surpreende como ainda é inteligente e rápida! Sim, sim, combinamos de nos encontrar e ela já tá voltando pra casa...
Eu: - Mas Barti... eu te falei pra não meter ela em encrenca!
Barti: - Olha, gostosa... sua mãe que quis me ver e, sinceramente, foi incrível vê-la
Eu: - Ai, meu Deus...
Barti: - Mas não pensa que a gente fez algo tipo transar, embora eu adoraria fazer de tudo com ela, porque eu ainda amo sua mãe, mas ela só veio me ver pra me contar a decisão dela: que não quer mais que eu fale com você, que ela é feliz no casamento dela e com a vida que leva com seu pai. Então, linda Fran... foi lindo rever ela graças a você, e vou guardar comigo minhas melhores lembranças e os momentos que compartilhei com vocês. Se cuida
Eu: - Tá bom, Barti... se cuida. Te mando um abraço um beijo grande... Desliguei a ligação e fui pra sala de jantar.
Guille: - E aí?? Sabe da mamãe?
Eu: - Sim, sim... ela tinha ido na casa da Délia. Já tá vindo.
Guille: - Mas por que ela saiu sem falar nada?
Eu: - Porque a amiga deve ter precisado dela com urgência. Fica tranquila. Já vem... Entendeu o que tem que fazer nessa tarefa?
Guille: - Sim, sim... só tava preocupada com a mamãe porque ela não costuma sair ou sumir de casa assim.
Eu: - Já acabou. Já tá vindo, o amigo me disse que ela já tá vindo.
Guille: - Como assim "amigo"? Você não disse que ela foi com a Délia?
Eu: - Falei que a amiga me disse que ela tá vindo... olha... chegou aí... viu, neném? Não tinha motivo pra se preocupar!
Mamãe chegou no carro dela e, quando desceu, dava pra ver uma amargura enorme no rosto dela. Eu percebi porque vi pelo vitrão da frente enquanto ela se aproximava da porta. Ela abriu a porta e a expressão já tava um pouco melhor do que eu tinha visto pela janela.
Mamãe: - Oi, minhas meninas... - deu um beijo em cada uma.
Eu: - Oi, mãe.
Guille: - Oi, mamãe... Cadê você foi?
Mamãe: - Tive que ir até a casa de uma amiga resolver um negócio...
Eu: - Na casa da Délia, né? - pisquei o olho.
Mamãe: - Hmmmm... sim, sim... é que ela teve um incidente na casa dela e me chamou, mas já tô aqui, Guille... me desculpa por ter saído assim...
Guille: - Pensei que tinha acontecido alguma coisa com o papai!
Mamãe: - Não, não... fica tranquila, tá tudo bem! O papai tá trabalhando ou na casa do pai dele, ou seja, com o avô de vocês.
Eu: - Com certeza.
Ela foi pro quarto e eu fui atrás.
Eu: - Mãe...
Mamãe: - O que foi, Fran?
Eu: - Você foi ver o Barti?
Mamãe: - Fui... como você sabia?
Eu: - É que faz um tempo ele me disse que ia estar por Mendoza e Chile, e eu imaginei que ele viria pra San Luis...
Mamãe: - Ah, pelo amor de Deus, filha... eu já falei com ele e disse que não quero mais saber de nada com ele, e que ele não chegue perto de mim, nem de você, nem da Guille. Que já nos deixe viver em paz!
Eu: - Só isso que aconteceu?
Mamãe: - Sim, sim... só isso que aconteceu.
Eu: - Mas... por que eu te vejo tão amargurada? E triste? Você ainda gosta do Barti?
Mãe: – É que ao rever, ficar sentados no carro dele e conversar, ele falando de tudo que fez pra nos encontrar, me emocionou um pouco.
Eu: – E aí, o que aconteceu? Vocês se beijaram?
Minha mãe se levantou e virou de costas.
– Mãe??
Mãe: – Ele tentou me beijar e eu recusei! Sempre recusei. Porque quero acabar com isso tudo. Eu amo seu pai e não amo nenhum outro homem, mas precisava dizer isso a ele!
Nisso entra a Guillermina.
Guille: – Fran... Fran... não é você aqui? – ela me mostrou a foto que receberam, era a mesma que minhas amigas tinham me mandado, mas agora as revistas circulavam como dinheiro vivo por toda a cidade. Fiquei gelada porque ia estar na boca do povo.
Eu: – Ai, não acredito...
Guille: – Por que tiraram fotos suas?
Mãe: – Olha... então a Fran tá na capa de uma revista uruguaia – ela mostrou a foto da revista no celular pra minha mãe – Fran... é você?
Eu: – Eu não percebi que era um fotógrafo profissional... senão tinha coberto o rosto.
Mãe: – Não, não falo por isso... mas vejo as fotos e você tem um olhar e um sorriso totalmente diferentes, relaxados, e dá pra ver que você tá curtindo.
Eu: – É que eu não entendo por que você esconde da gente nosso verdadeiro sobrenome e não quer que a gente apareça em outro tipo de foto.
Mãe: – É que eu quero cuidar e proteger vocês de outras pessoas, vocês são filhas de um homem que faz muitos negócios e tem muita grana, e eu não queria que ninguém fizesse mal a vocês. Mas você, Fran... daqui a pouco tudo isso vai mudar, porque você vai ser maior de idade e vai escolher se quer ser conhecida ou continuar na sua.
Eu: – É que eu tava apavorada com essas fotos por sua causa... porque sei que você cuida da gente, mas também, se essa foto chegar na mão do Blas, eu tenho medo por mim e pelo Ezequiel! O pai dele é quase como o meu, bah, o nosso... é muito respeitado e também um homem de muitos negócios, mas no Uruguai.
Guille: – Então esse é seu namorado, Fran? – enquanto ampliava a foto e olhava. detalhes de me ver junto com um homem
Eu: - Sim, sim, ele é
Ezequiel: - Ele é um amor de pessoa!!
Guille: - Ah...
- ela foi pra sala de jantar, enquanto mexia no celular e eu fiquei ali com a mamãe
Eu: - Mãe...
Mamãe: - O que foi, Fran?
Eu: - Você não tá brava por causa das fotos?
Mamãe: - Não, não Fran... só me surpreendeu, nada mais
Eu: - Ah... você sabia que o papai tava falando com o Ricardo, o pai do Ezequiel, por causa de um problema que ele teve com o outro filho e o papai ia ajudar ele?
Mamãe: - Não, não sabia de nada...
Eu: - Viu ontem à noite que ele recebeu aquela ligação? Pra mim ele tava falando com ele e não sei o que querem fazer com o cara que fez alguma coisa pro irmão do Eze
Mamãe: - Eu via que ele tava agindo mais estranho que o normal, seu pai... e... ai, meu deus
Eu: - Cê acha que o Barti tem alguma coisa a ver?
Mamãe: - Tomara que não. Mas melhor dizer que não sei... porque segundo ele, uma vez me disse que todos os negócios eram reais e nunca ficou com grana dos outros
Eu: - E eu também tava desconfiada porque justo o Barti tava por aqui perto e justo o papai falou assim e eu tô preocupada... embora o papai seja incapaz de bater ou matar uma mosca, mas... pode ser que tenham outras pessoas que sim
Mamãe: - Vou ligar pra ele agora e aí a gente descobre onde ele tá!
Minha mãe ligou e o celular do papai dava desligado ou fora da área de cobertura, ela insistiu mais algumas vezes e deixou um recado: "Oi, amor, como cê tá? Queria saber se você vem jantar ou a que horas vai chegar? Te amo"
E minha mãe continuou arrumando as roupas e outras coisas que tinha que guardar
CONTINUA...
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