Tava com minha mãe e minha irmã, prestes a mostrar o desenho que o Guille tinha feito do Bart e da mamãe.
Eu: — As batatas apaixonadas e com uma cara de susto! — Caía na gargalhada.
Guille: — Fran, que maldade que você tem...
Minha mãe tava remexendo a caixa dela de lembranças até que achou, apertou contra o peito, escondendo enquanto falava.
Mãe: — Aqui está... quero que você olhe e me diga se lembra desse desenho. — Minha mãe virou o desenho e a Guillermina ficou olhando.
Guille: — Não, mãe... não lembro... e quem ou quem eu desenhei?
Mãe: — Isso já não importa... você não lembrar é o mais importante e pra mim é o mais aliviador...
Ao ver que minha mãe não ia mais falar do Barti e minha irmã não lembrava dele, não falei mais nada.
Na hora, minha mãe guardou tudo na caixa e levou pro quarto dela, e eu fiquei a sós com a Guille.
Eu: — Guille.
Guille: — O quê? O que você quer?
Eu: — Você não lembra nada, nadinha dessa pessoa?
Guille: — Não, não lembro... Por quê? Quem era esse cara?
Eu: — Olha, mana... não fala isso pra ninguém, foi um namorado da mãe, um ex.
Guille: — Mas se a mãe falou que o único homem na vida dela é o pai!
Eu: — E claro... isso é agora... mas quando a gente era bem pequena, ela ficou com o Barti. Eles tiveram um rolo e até se encontravam escondido. — Guille arregalou os olhos e tapou a boca.
Guille: — Sério mesmo?? — Eu assenti com a cabeça. — E o pai? O pai tava fazendo o quê?
Nisso, a gente ouve o carro do pai chegando e viramos ao mesmo tempo.
Eu: — Por favor... nem uma palavra pro pai sobre isso!
Guille: — Uuuufff... ok.
Nisso, a gente vê o pai entrando com várias pastas e as duas se levantaram pra ajudar ele com a porta e pra não deixar cair nada. Ele, ao nos ver ali, ficou parado.
Pai: — Mas o que é que eu vejo: dois anjinhos que vão me ajudar com tudo que eu tô carregando??
Eu: — Oi, pai... deixa eu levar um pouco pra você.
Guille: — Eu seguro a porta pra você, pra não fechar, caso precise voltar no carro pegar mais coisas.
Pai: — São umas gracinhas de pessoinhas, minhas princesinhas lindas. Obrigado às duas... Levei as pastas para a mesa da sala e voltei para pegar o resto.
Guille: - Faltou mais alguma coisa pra buscar no teu carro, pai?
Pai: - Não, não, coração... isso é o último. Valeu... - levei todas aquelas últimas pastas que estavam comigo pra mesa onde deixei as outras e sentei no sofá grande, e fez sinal pra nós duas.
Pai: - Venham, venham... sentem comigo.
Eu, sem dizer uma palavra, fui e sentei do lado dele.
Guille: - O que é tudo isso, pai?
Pai: - São um monte de convênios, contratos e umas pastas com coisas e com algo que quero que vocês vejam. Vem, Guille... chega aqui - Guille sentou do meu lado, eu achava que ela ia sentar do outro lado do pai, e ele se mexeu mais pro lado, deixando mais espaço pra gente - olhem... ali naquela pasta pequena marrom tem algo que quero que vocês duas vejam e me digam o que acham.
Eu e Guille nos olhamos surpresas, e eu abri a pasta meio confusa, sem entender o que seria.
Tinha folheteria variada, tipo quando você vai a algum lugar pra reservar.
Eu: - O que é isso tudo, pai?
Pai: - Bom, minhas meninas... depois da sua viagem pro Brasil, que não tô muito convencido, a gente vai viajar de férias pro México, os quatro!
Guille olhou com os olhos arregalados pra pasta, tirando ela das minhas mãos.
Guille: - Uauuuuu... pra onde, pai? Pra onde a gente vai?
Pai: - Pra Cancún, Playa del Carmen e Tulúm... e a sua mãe?
Eu: - Hããã... tava aqui, deve estar no quarto de vocês...
Pai: - Ei, amor... - levantou a voz - vem cá, gostosa?
Minha mãe vinha chegando de roupão, com o cabelo solto, jogado pro lado, e caminhava devagar com umas sandálias de salto alto. Meu pai, ao vê-la, ficou besta olhando pra ela, parecia aquele desenho animado do lobo babando, uivando e batendo na mesa ao ver a mulher sexy de vermelho, só que a mamãe estava coberta com aquele roupão.
Mãe: - Oi, amor - eles se beijaram.
Pai: - Oi, minha rainha mais linda... vem cá... olha... trouxe o que um dia te prometi...
Meu pai pegou a mão dela. Cara, ela se aproximou, fez sinal pra ele sentar no colo dela e minha mãe ficou recusando até que ele se levantou, pegou ela pela cintura e sentou ela em cima.
Pai: – Essa viagem é algo que sua mãe queria fazer em família há muito tempo e, sinceramente, agora tá tudo dando certo com a empresa, vocês já tão terminando as aulas e assim que as festas acabarem, lá pelos primeiros dias de janeiro, queria levar vocês pro México.
Guille: – Ai, papai... que lindo... vai me comprar um vestido de praia bonito igual o que comprou pra Fran?
Pai: – Não, não fui eu que comprei, foi o Ezequiel.
Mãe: – Quem é Ezequiel?
Eu: – Te contei que conheci alguém no Uruguai, filho de um dos empresários investidores do papai, e ele me levou pra conhecer vários lugares e, bom... ele me deu isso!
Mãe: – Você sabia desse garoto?
Pai: – Sim, sim, claro. Ezequiel é filho do Ricardo, foi um rapaz excelente... sabe o que ele fez?
Mãe: – Não, não sei o que ele fez!
Pai: – Pediu a mão da Fran em casamento no último dia que a gente tava no Uruguai.
Mãe: – Fez a mesma coisa que...?
Pai: – Fez a mesma coisa que eu! Parecia uma cópia minha: super atencioso, amoroso, muito boa pessoa e homem de verdade. E conta pra sua mãe e pra Guille sobre a casa.
Mãe: – Que casa?
Eu: – Ezequiel comprou uma casa de campo e me pediu pra morar com ele assim que eu terminasse o colégio.
Pai: – Além disso, também convidei ele pra vir quando quiser pra conhecer vocês, e ele, muito educado, nos convidou pra ir também.
Mãe: – Já tão pensando em se juntar? Em casar?
Eu: – Nãão... casar ainda não. Mas eu gosto dele, ele me fez sentir muito bem, mãe... além disso, foi muito cavalheiro o tempo todo, em tudo, tudo, tudo!
Mãe: – Como assim "em tudo"?
Eu: – Mãe... você sabe... não posso falar. A menor tá aqui! – fiz sinal com os olhos pra Guillermina.
Guille: – Se quiserem, eu vou embora...
Pai: – Não, não, fica, minha linda... então: gostaram da minha ideia? Vamos pro México por uns 15 dias?
Eu: – Sim, siiiim, papai. Claro.
Mãe: – Eu tô super feliz... depois de tanto tempo... Guille:- Eu também, pai, porque não lembro de ter ido lá!
Mãe:- É que nunca fomos... fomos pra outros lugares que vocês escolheram e também aqui dentro do nosso país. Lembram da viagem dos 15 anos da Guille, que fomos pra Disney?
Guille:- Siiim... lembro. A gente se divertiu pra caramba.
Fran:- E pros meus 15, pra onde a gente tinha ido?
Pai:- Você me pediu uma viagem pra Paris, por causa da moda e do museu do Louvre, mas eu te surpreendi e a gente fez vários países... Lembra?
Eu:- Siiim, pai... lembro. Ficamos quase 20 dias fora. Me diverti demais! Você é o melhor...
Pai:- Porque vocês merecem, meus amores, minhas princesas... - ele nos abraçou e puxou a gente pra perto dele, dando um beijo na testa de cada uma - e agora é a vez da mãe de vocês! Fazia tempo que ela queria essa viagem e acho que é o momento ideal, antes que minha filha mais velha vá embora, pra passar tempo em família, nós quatro juntos. Vocês não sabem o quanto eu amo vocês. Fazia tempo que não tinha vocês três assim... vocês sempre escapam de mim! - Nós três rimos - Vou preparar algo gostoso pra hoje à noite, querem que eu faça um bolo de carne?
Eu:- Ah, sim... que delícia... faz com batata assada, pai!
Pai:- Tá bom...
Eu fui pro meu quarto ver meu celular que tinha esquecido e vi que tinha várias mensagens do Ezequiel: "Oi, minha gostosa linda... como você tá? Comigo foi super bem nas aulas... já falta menos pra terminar e já tenho quase todas as matérias aprovadas, então falta um ano e me formo. O que você tá fazendo? Vou jantar com meu pai e amanhã meu irmão vem porque não sei o que aconteceu e ele vem pedir ajuda pro meu pai. Te amo muito, minha linda. Sinto muito sua falta, pode crer!" "Oi, coração, tudo bem, graças a Deus já terminei com o negócio da escola, então amanhã não preciso ir e é só esperar a preceptora dar a data de entrega dos diplomas e pronto. Mas tá tudo certo. Nossa, que merda a do seu irmão, me mantém informada! Te amo e também sinto sua falta. Mando muitos beijinhos. Comecei a mandar mensagens pras minhas amigas e a bater papo animado com elas. Lá pras 21h, papai nos chamou pra jantar. Quando a gente ia sentar, o celular dele tocou. Ele serviu a comida enquanto falava com alguém num tom de voz diferente do que a gente tava acostumada a ouvir, tanto no trabalho quanto com a gente.
— Sim, sim, beleza... já entendi. Fica tranquilo. Deixa eu ver aqui. Beleza... sim, sim... bom, por favor me avisem qualquer coisa. Dessa vez ele não vai levar de graça. Valeu... beleza... abraço na família.
Mamãe:
— O que foi?
Papai:
— Nada... nada, comam tranquilas... tá tudo bem, ok?
Recebi um áudio do meu avô, do celular da minha tia Dolores:
"Oi, minha Fran. Como você tá? Seu pai me contou que você já passou em tudo, é verdade? Sabe quando é a entrega das suas notas? Queria ir te ver, junto com suas tias. Te amo muito, seu nonno."
Terminei de comer rápido, deixando um pouco.
Eu:
— Obrigada, papai, tava muito gostoso, mas... enchi.
Papai:
— Não gostou?
Eu:
— Claro que gostei... mas quero atender uma ligação. Obrigada, papai. Bom apetite...
Fui correndo pro meu quarto e na hora liguei pra minha tia.
Eu:
— Oi, tia Loli?
Tia:
— Oi, Fran, minha linda... parabéns!!
Eu:
— Oi, tia... obrigada...
Tia:
— Que incrível!!! Já passou em tudo, amor?
Eu:
— Sim, sim, tia... graças a Deus já foi. E também queria contar pra você e pro nonno que vou estar na bandeira nacional do meu colégio.
Tia:
— Uauuu... sério??
Eu:
— Sim, sim, tia... você passa pro nonno?
Tia:
— Claro, meu amor... depois me diz que dia é a cerimônia que a gente quer estar lá com você, hein... quero muitas fotos com você, minha sobrinha mais velha, minha afilhada!
Eu:
— Claro que sim, tia...
Tia:
— Pronto, vou passar pro seu avô, ele já ia dormir... — escuta-se do outro lado: "vem cá, pai, é sua netinha Fran, ela tem algo pra te contar" — aqui está. Beijos, linda.
Nonno:
— Oi, oi...
Eu:
— Oi, nonno.
Nonno:
— Oi, Fran, minha menina... como você tá?
Eu:
— Bem, muito bem, nonno, e você? Já ia dormir?
Nonno:
— E sim... já tô indo. Tava muito cansado e ia dormir. Eu: — Vai ser rapidinho o que tenho que te contar: nonno, passei em todas as matérias e como tenho uma das médias mais altas da escola, vou estar na bandeira nacional. Nonno: — Ai, mija... ai... que notícia linda você me dá, querida... ai — dava pra ouvir ele chorando de emoção — tô muito orgulhoso de você, Fran... muito feliz por você, mija. Eu: — Valeu, nonno... amanhã como não preciso mais ir pra escola, vou aí na sua casa de manhã. Nonno: — Bom, mija... vou te esperar com uns matezinhos, quer? Eu: — Siiim, siiim, siiim, quero seus matezinhos!! Além disso, faz tempo que não te visito por causa das obrigações da escola, vou ficar pra almoçar com você, sabe? Nonno: — Uai, sim, mija... me faria mais que feliz!! Eu: — Fechou, nonno. Descansa. Te amo. Nonno: — E eu você... beijos na sua irmãzinha. Eu: — Fechado, nonnito, eu dou da sua parte. Desliguei toda emocionada. Meu nonno (pai do meu pai) mora a umas quadras da nossa casa, ele vivia sozinho até começar a envelhecer e, como não conseguia mais andar direito, minha tia Dolores mora com ele junto com uma enfermeira e um acompanhante porque ele tinha muitas limitações. Muitas vezes eu e minha irmã vamos juntas vê-lo todo dia, mas nessas últimas semanas não tínhamos ido por causa das provas e das aulas de inglês e dos nossos esportes, não dava pra passar lá, mas a gente conversava com ele ou ficava sabendo pelo pai que ele ia até três vezes por dia vê-lo e levar o que precisasse. Fui tomar banho pra dormir mais relaxada. Quando terminei, tava indo pra cozinha pegar um pouco de água quando ouvi alguém falando baixo na sala, me aproximei e era de novo meu pai com o celular, só confirmando ou negando e às vezes dizia pro outro com quem falava: Pai: — Bom, sim... sim... tá bem... não, não... cê acha que se... sim, tá bem... não, não, não... faz o que você disse no começo e pronto. Mas se você já sabe onde ele vai estar, eu vou estar lá e vou pegar ele. Dessa vez não vai escapar. Sim, sim, fica tranquilo. Que É por causa do que ele fez com seu filho e do que afetou minha família... vai, sim... a gente se fala amanhã... Vai, vai... tchau, tchau, Ricardo. A gente se fala amanhã... Ele desligou e eu voltei na ponta dos pés pra cozinha, enchi um copo d'água. Papai: - Oi, anjinho. Eu: - Oi, papai... Papai: - Aproveitou pra tomar banho? Eu: - Sim, sim, amanhã vou ver o nonno, na casa do vô, faz tempo que não visito ele. Papai: - Ah, que bom, filha... e vai contar pra ele que vai pra bandeira? Eu: - Já contei hoje, mais cedo, pra ele e pra tia Loli. Papai: - Ah, tá bom, nesse dia a gente vai estar todo mundo junto pra te acompanhar, meu amor... que orgulho que você é pra toda a família, meu anjinho! Eu: - Obrigada... vou dormir... Papai: - Sim, sim... eu também... sua mãe e sua irmã já tão bem dormidas... descansa! - Ele chegou perto e me deu um beijo na testa. Eu: - Igualmente, papai... até amanhã! Fui pro meu quarto, me troquei, sequei o cabelo e deitei pra dormir. No dia seguinte, acordei quase às 6:30 porque meu relógio ainda não sabe que não preciso mais ir pra escola, e fiquei sentada na cama lendo várias mensagens das minhas amigas no grupo, que falavam de umas fotos de casal de uma revista famosa. Como não peguei o começo da conversa, cumprimentei e perguntei: Eu: - Oi, meninas, como vocês tão?? Ingrid: - Ah, apareceu... me dá seu autógrafo? Jazmin: - Magra, te falei que eu queria ser a primeira e ela mandou um monte, haha e emoticon de risada. Eu: - Não tô entendendo, meninas, do que vocês tão falando... - Natali, Jazmin e Ingrid me mandam imagens da revista mostrando um casalzinho de uma revista uruguaia famosa com um título "Simples Love de Verão". Nati: - Frambu, é você?? Largou o otário por esse gostoso?? Jazmin: - Tava escondendo muito bem seu namoro à moda de Maldonado ou uruguaia... Rosario: - Se ele tem um amigo solteiro, eu super topo. Cê é muito foda, Fran... Quase deixei o celular cair das mãos quando vi as fotos, era aquele fotógrafo que tava tirando fotos naquele dia que a gente viu aquele tumulto na praia quando ele tava junto com Ezequiel e eu pensava: "Será que essas minas tiraram essas fotos de onde??" Na hora mandei perguntando pra elas:
Eu: - De onde vocês tiraram essas fotos??
Jazmin: - Tá nessa revista famosa, tá no site dela e na boca do povo porque chegou aqui ontem e virou um boom por causa da novinha Rosário:
- Você virou famosa saindo com um "rebelde" lindo
Nati: - A gente ficou sabendo ontem à noite porque uma das nossas colegas, a mais fofoqueira, perguntou no grupo se alguém te conhecia e quando vi a foto, percebi que era você
Jazmín: - É aquela insuportável da Romina, a que se mete em tudo, ela postou a foto no grupo do colégio
Eu: - Que chata intrometida...
Rosário: - Fica tranquila que não tem nada de mais
Eu: - Siiim, tem coisa de mais... eu tô na capa e em várias páginas... quero morrer
Nati: - Nããão, mina, calma...
Eu: - Tô muito nervosa porque essa revista tá em todo lugar e pode ser vista pelo infeliz do Blas, meus pais, meus avós... e até o cara da foto que eu tava investigando
Rosário: - Quem?? Esse novo?
Eu: - Não, não... Lembram do amigo dos meus pais, o tiozão da foto?? Era um ex da minha mãe, o namorado dela!!!
Todas: - Sério???
Eu: - Siiim, confirmei, ela me contou e deu ou eu causei uma puta confusão por causa de uma troca de mensagens! Mandei um áudio contando tudo de novo, quando terminei ouvi que alguém já tinha levantado e ido pro banheiro ou pra cozinha. Resolvi levantar e deixar o celular na cama pra ir tomar café.
Minha mãe já tava acordada, tava preparando as xícaras pra servir o café quando cheguei
Eu: - Bom dia, mãe
Mãe: - Bom dia, Fran... - dei um beijo nela - dormiu bem?
Eu: - Sim, sim, vocês compraram o café pra bater ontem?
Mãe: - Ah não... esqueci. Hoje vou anotar pra comprar, precisa de mais alguma coisa?
Eu: - Acho que não... Mãe... hoje vou pra casa do vô... daqui a pouco vou com ele porque ele tá muito feliz com a notícia de que vou estar na bandeira e sente falta de nos ver
Mãe: - Ah tá bom... quer que eu te leve?
Eu: - Não, não, mãe... vou cedo, fico pra almoçar com ele e a tia, e depois vou direto pra minha aula de inglês. Assim aproveito e a tia Loli me ajuda com a minha apresentação.
Mãe: – Ahhh, tá bom... ela manja muito de inglês, né?
Eu: – Uhum, mãe... ela é quase igual ao pai, quando não entendo alguma coisa, eles dois explicam super bem... além disso, hoje é a última aula de inglês e a gente tem que fazer uma apresentação falando em inglês na frente da turma. Tô morrendo de ansiosa.
Mãe: – Tenta relaxar que vai dar tudo certo.
Eu: – É, é... provavelmente vai... mãe...
Mãe: – O que foi, Fran? Já tô quase terminando seu café com leite.
Eu: – É que eu quero que meus avós estejam lá na hora da entrega dos diplomas e da medalha, e também quero que eles me vejam entrar no portão ou acompanhar a bandeira na cerimônia.
Mãe: – Tá bom, amor... não tenho problema nenhum com eles estarem lá.
Eu: – Mas por que as tias não passam mais tanto tempo com a gente aqui em casa? Por que elas preferem só ver a gente, eu e a Guille, na casa do vô?
Mãe: – É que, assim como vocês descobriram o que aconteceu com a avó Lourdes, suas tias, irmãs do seu pai, já sabem há um tempão e estão muito putas comigo. Preferem nem me encontrar ou ficar longe de mim, mas com vocês não... seu nonno e suas tias são felizes e têm orgulho de vocês.
Eu: – Mas faz quanto tempo que aconteceu aquilo com a avó Lourdes? Por que elas ainda estão tão bravas com você?
Mãe: – Já te falei, amor... mas vou contar de novo. Sua avó, quando a gente se mudou pra cá, passou na casa antiga onde a gente morava e parou pra olhar. O Barti comprou ela, mas colocou outro nome. Quando o cara saiu, viu sua avó parada, olhando emocionada pra casa, eles conversaram, ela contou que ali moravam o filho dela e as netas, e o Barti ofereceu um copo d'água porque ela não tava bem.
Eu: – Ah, é? E aí?
Mãe: – E aí, quando ela foi sentar num sofá perto da mesinha de centro, viu uma caixa. Sua avó olhou e viu uma foto minha com o Barti, se beijando, com uma dedicatória que eu tinha escrito pra ele. — Eu, lá atrás, dizendo: "Porque você é minha vida, é meu love. E eu sempre vou te escolher, porque só vou amar você!"
Eu: — Ai, mãe... que poetisa!
Mãe: — É que eu tava muito apaixonada, mas depois terminei com ele e conheci seu pai pouco tempo depois, e me apaixonei, mas não do mesmo jeito que amei o Barti, o Gaston... mas agora, depois de tantos anos, percebi que o único love verdadeiro foi e sempre será seu pai. Porque ele me ama apesar de tudo que eu fiz e do mal que me comportei... sempre me arrependi, mas isso é difícil, não consigo consertar meu erro com seu nonno e suas tias. Me perdoa, filha.
E a gente se vira com as xícaras pra levar pra mesa, e meu pai tava parado ali, ouvindo a gente.
CONTINUA...
Eu: — As batatas apaixonadas e com uma cara de susto! — Caía na gargalhada.
Guille: — Fran, que maldade que você tem...
Minha mãe tava remexendo a caixa dela de lembranças até que achou, apertou contra o peito, escondendo enquanto falava.
Mãe: — Aqui está... quero que você olhe e me diga se lembra desse desenho. — Minha mãe virou o desenho e a Guillermina ficou olhando.
Guille: — Não, mãe... não lembro... e quem ou quem eu desenhei?
Mãe: — Isso já não importa... você não lembrar é o mais importante e pra mim é o mais aliviador...
Ao ver que minha mãe não ia mais falar do Barti e minha irmã não lembrava dele, não falei mais nada.
Na hora, minha mãe guardou tudo na caixa e levou pro quarto dela, e eu fiquei a sós com a Guille.
Eu: — Guille.
Guille: — O quê? O que você quer?
Eu: — Você não lembra nada, nadinha dessa pessoa?
Guille: — Não, não lembro... Por quê? Quem era esse cara?
Eu: — Olha, mana... não fala isso pra ninguém, foi um namorado da mãe, um ex.
Guille: — Mas se a mãe falou que o único homem na vida dela é o pai!
Eu: — E claro... isso é agora... mas quando a gente era bem pequena, ela ficou com o Barti. Eles tiveram um rolo e até se encontravam escondido. — Guille arregalou os olhos e tapou a boca.
Guille: — Sério mesmo?? — Eu assenti com a cabeça. — E o pai? O pai tava fazendo o quê?
Nisso, a gente ouve o carro do pai chegando e viramos ao mesmo tempo.
Eu: — Por favor... nem uma palavra pro pai sobre isso!
Guille: — Uuuufff... ok.
Nisso, a gente vê o pai entrando com várias pastas e as duas se levantaram pra ajudar ele com a porta e pra não deixar cair nada. Ele, ao nos ver ali, ficou parado.
Pai: — Mas o que é que eu vejo: dois anjinhos que vão me ajudar com tudo que eu tô carregando??
Eu: — Oi, pai... deixa eu levar um pouco pra você.
Guille: — Eu seguro a porta pra você, pra não fechar, caso precise voltar no carro pegar mais coisas.
Pai: — São umas gracinhas de pessoinhas, minhas princesinhas lindas. Obrigado às duas... Levei as pastas para a mesa da sala e voltei para pegar o resto.
Guille: - Faltou mais alguma coisa pra buscar no teu carro, pai?
Pai: - Não, não, coração... isso é o último. Valeu... - levei todas aquelas últimas pastas que estavam comigo pra mesa onde deixei as outras e sentei no sofá grande, e fez sinal pra nós duas.
Pai: - Venham, venham... sentem comigo.
Eu, sem dizer uma palavra, fui e sentei do lado dele.
Guille: - O que é tudo isso, pai?
Pai: - São um monte de convênios, contratos e umas pastas com coisas e com algo que quero que vocês vejam. Vem, Guille... chega aqui - Guille sentou do meu lado, eu achava que ela ia sentar do outro lado do pai, e ele se mexeu mais pro lado, deixando mais espaço pra gente - olhem... ali naquela pasta pequena marrom tem algo que quero que vocês duas vejam e me digam o que acham.
Eu e Guille nos olhamos surpresas, e eu abri a pasta meio confusa, sem entender o que seria.
Tinha folheteria variada, tipo quando você vai a algum lugar pra reservar.
Eu: - O que é isso tudo, pai?
Pai: - Bom, minhas meninas... depois da sua viagem pro Brasil, que não tô muito convencido, a gente vai viajar de férias pro México, os quatro!
Guille olhou com os olhos arregalados pra pasta, tirando ela das minhas mãos.
Guille: - Uauuuuu... pra onde, pai? Pra onde a gente vai?
Pai: - Pra Cancún, Playa del Carmen e Tulúm... e a sua mãe?
Eu: - Hããã... tava aqui, deve estar no quarto de vocês...
Pai: - Ei, amor... - levantou a voz - vem cá, gostosa?
Minha mãe vinha chegando de roupão, com o cabelo solto, jogado pro lado, e caminhava devagar com umas sandálias de salto alto. Meu pai, ao vê-la, ficou besta olhando pra ela, parecia aquele desenho animado do lobo babando, uivando e batendo na mesa ao ver a mulher sexy de vermelho, só que a mamãe estava coberta com aquele roupão.
Mãe: - Oi, amor - eles se beijaram.
Pai: - Oi, minha rainha mais linda... vem cá... olha... trouxe o que um dia te prometi...
Meu pai pegou a mão dela. Cara, ela se aproximou, fez sinal pra ele sentar no colo dela e minha mãe ficou recusando até que ele se levantou, pegou ela pela cintura e sentou ela em cima.
Pai: – Essa viagem é algo que sua mãe queria fazer em família há muito tempo e, sinceramente, agora tá tudo dando certo com a empresa, vocês já tão terminando as aulas e assim que as festas acabarem, lá pelos primeiros dias de janeiro, queria levar vocês pro México.
Guille: – Ai, papai... que lindo... vai me comprar um vestido de praia bonito igual o que comprou pra Fran?
Pai: – Não, não fui eu que comprei, foi o Ezequiel.
Mãe: – Quem é Ezequiel?
Eu: – Te contei que conheci alguém no Uruguai, filho de um dos empresários investidores do papai, e ele me levou pra conhecer vários lugares e, bom... ele me deu isso!
Mãe: – Você sabia desse garoto?
Pai: – Sim, sim, claro. Ezequiel é filho do Ricardo, foi um rapaz excelente... sabe o que ele fez?
Mãe: – Não, não sei o que ele fez!
Pai: – Pediu a mão da Fran em casamento no último dia que a gente tava no Uruguai.
Mãe: – Fez a mesma coisa que...?
Pai: – Fez a mesma coisa que eu! Parecia uma cópia minha: super atencioso, amoroso, muito boa pessoa e homem de verdade. E conta pra sua mãe e pra Guille sobre a casa.
Mãe: – Que casa?
Eu: – Ezequiel comprou uma casa de campo e me pediu pra morar com ele assim que eu terminasse o colégio.
Pai: – Além disso, também convidei ele pra vir quando quiser pra conhecer vocês, e ele, muito educado, nos convidou pra ir também.
Mãe: – Já tão pensando em se juntar? Em casar?
Eu: – Nãão... casar ainda não. Mas eu gosto dele, ele me fez sentir muito bem, mãe... além disso, foi muito cavalheiro o tempo todo, em tudo, tudo, tudo!
Mãe: – Como assim "em tudo"?
Eu: – Mãe... você sabe... não posso falar. A menor tá aqui! – fiz sinal com os olhos pra Guillermina.
Guille: – Se quiserem, eu vou embora...
Pai: – Não, não, fica, minha linda... então: gostaram da minha ideia? Vamos pro México por uns 15 dias?
Eu: – Sim, siiiim, papai. Claro.
Mãe: – Eu tô super feliz... depois de tanto tempo... Guille:- Eu também, pai, porque não lembro de ter ido lá!
Mãe:- É que nunca fomos... fomos pra outros lugares que vocês escolheram e também aqui dentro do nosso país. Lembram da viagem dos 15 anos da Guille, que fomos pra Disney?
Guille:- Siiim... lembro. A gente se divertiu pra caramba.
Fran:- E pros meus 15, pra onde a gente tinha ido?
Pai:- Você me pediu uma viagem pra Paris, por causa da moda e do museu do Louvre, mas eu te surpreendi e a gente fez vários países... Lembra?
Eu:- Siiim, pai... lembro. Ficamos quase 20 dias fora. Me diverti demais! Você é o melhor...
Pai:- Porque vocês merecem, meus amores, minhas princesas... - ele nos abraçou e puxou a gente pra perto dele, dando um beijo na testa de cada uma - e agora é a vez da mãe de vocês! Fazia tempo que ela queria essa viagem e acho que é o momento ideal, antes que minha filha mais velha vá embora, pra passar tempo em família, nós quatro juntos. Vocês não sabem o quanto eu amo vocês. Fazia tempo que não tinha vocês três assim... vocês sempre escapam de mim! - Nós três rimos - Vou preparar algo gostoso pra hoje à noite, querem que eu faça um bolo de carne?
Eu:- Ah, sim... que delícia... faz com batata assada, pai!
Pai:- Tá bom...
Eu fui pro meu quarto ver meu celular que tinha esquecido e vi que tinha várias mensagens do Ezequiel: "Oi, minha gostosa linda... como você tá? Comigo foi super bem nas aulas... já falta menos pra terminar e já tenho quase todas as matérias aprovadas, então falta um ano e me formo. O que você tá fazendo? Vou jantar com meu pai e amanhã meu irmão vem porque não sei o que aconteceu e ele vem pedir ajuda pro meu pai. Te amo muito, minha linda. Sinto muito sua falta, pode crer!" "Oi, coração, tudo bem, graças a Deus já terminei com o negócio da escola, então amanhã não preciso ir e é só esperar a preceptora dar a data de entrega dos diplomas e pronto. Mas tá tudo certo. Nossa, que merda a do seu irmão, me mantém informada! Te amo e também sinto sua falta. Mando muitos beijinhos. Comecei a mandar mensagens pras minhas amigas e a bater papo animado com elas. Lá pras 21h, papai nos chamou pra jantar. Quando a gente ia sentar, o celular dele tocou. Ele serviu a comida enquanto falava com alguém num tom de voz diferente do que a gente tava acostumada a ouvir, tanto no trabalho quanto com a gente.
— Sim, sim, beleza... já entendi. Fica tranquilo. Deixa eu ver aqui. Beleza... sim, sim... bom, por favor me avisem qualquer coisa. Dessa vez ele não vai levar de graça. Valeu... beleza... abraço na família.
Mamãe:
— O que foi?
Papai:
— Nada... nada, comam tranquilas... tá tudo bem, ok?
Recebi um áudio do meu avô, do celular da minha tia Dolores:
"Oi, minha Fran. Como você tá? Seu pai me contou que você já passou em tudo, é verdade? Sabe quando é a entrega das suas notas? Queria ir te ver, junto com suas tias. Te amo muito, seu nonno."
Terminei de comer rápido, deixando um pouco.
Eu:
— Obrigada, papai, tava muito gostoso, mas... enchi.
Papai:
— Não gostou?
Eu:
— Claro que gostei... mas quero atender uma ligação. Obrigada, papai. Bom apetite...
Fui correndo pro meu quarto e na hora liguei pra minha tia.
Eu:
— Oi, tia Loli?
Tia:
— Oi, Fran, minha linda... parabéns!!
Eu:
— Oi, tia... obrigada...
Tia:
— Que incrível!!! Já passou em tudo, amor?
Eu:
— Sim, sim, tia... graças a Deus já foi. E também queria contar pra você e pro nonno que vou estar na bandeira nacional do meu colégio.
Tia:
— Uauuu... sério??
Eu:
— Sim, sim, tia... você passa pro nonno?
Tia:
— Claro, meu amor... depois me diz que dia é a cerimônia que a gente quer estar lá com você, hein... quero muitas fotos com você, minha sobrinha mais velha, minha afilhada!
Eu:
— Claro que sim, tia...
Tia:
— Pronto, vou passar pro seu avô, ele já ia dormir... — escuta-se do outro lado: "vem cá, pai, é sua netinha Fran, ela tem algo pra te contar" — aqui está. Beijos, linda.
Nonno:
— Oi, oi...
Eu:
— Oi, nonno.
Nonno:
— Oi, Fran, minha menina... como você tá?
Eu:
— Bem, muito bem, nonno, e você? Já ia dormir?
Nonno:
— E sim... já tô indo. Tava muito cansado e ia dormir. Eu: — Vai ser rapidinho o que tenho que te contar: nonno, passei em todas as matérias e como tenho uma das médias mais altas da escola, vou estar na bandeira nacional. Nonno: — Ai, mija... ai... que notícia linda você me dá, querida... ai — dava pra ouvir ele chorando de emoção — tô muito orgulhoso de você, Fran... muito feliz por você, mija. Eu: — Valeu, nonno... amanhã como não preciso mais ir pra escola, vou aí na sua casa de manhã. Nonno: — Bom, mija... vou te esperar com uns matezinhos, quer? Eu: — Siiim, siiim, siiim, quero seus matezinhos!! Além disso, faz tempo que não te visito por causa das obrigações da escola, vou ficar pra almoçar com você, sabe? Nonno: — Uai, sim, mija... me faria mais que feliz!! Eu: — Fechou, nonno. Descansa. Te amo. Nonno: — E eu você... beijos na sua irmãzinha. Eu: — Fechado, nonnito, eu dou da sua parte. Desliguei toda emocionada. Meu nonno (pai do meu pai) mora a umas quadras da nossa casa, ele vivia sozinho até começar a envelhecer e, como não conseguia mais andar direito, minha tia Dolores mora com ele junto com uma enfermeira e um acompanhante porque ele tinha muitas limitações. Muitas vezes eu e minha irmã vamos juntas vê-lo todo dia, mas nessas últimas semanas não tínhamos ido por causa das provas e das aulas de inglês e dos nossos esportes, não dava pra passar lá, mas a gente conversava com ele ou ficava sabendo pelo pai que ele ia até três vezes por dia vê-lo e levar o que precisasse. Fui tomar banho pra dormir mais relaxada. Quando terminei, tava indo pra cozinha pegar um pouco de água quando ouvi alguém falando baixo na sala, me aproximei e era de novo meu pai com o celular, só confirmando ou negando e às vezes dizia pro outro com quem falava: Pai: — Bom, sim... sim... tá bem... não, não... cê acha que se... sim, tá bem... não, não, não... faz o que você disse no começo e pronto. Mas se você já sabe onde ele vai estar, eu vou estar lá e vou pegar ele. Dessa vez não vai escapar. Sim, sim, fica tranquilo. Que É por causa do que ele fez com seu filho e do que afetou minha família... vai, sim... a gente se fala amanhã... Vai, vai... tchau, tchau, Ricardo. A gente se fala amanhã... Ele desligou e eu voltei na ponta dos pés pra cozinha, enchi um copo d'água. Papai: - Oi, anjinho. Eu: - Oi, papai... Papai: - Aproveitou pra tomar banho? Eu: - Sim, sim, amanhã vou ver o nonno, na casa do vô, faz tempo que não visito ele. Papai: - Ah, que bom, filha... e vai contar pra ele que vai pra bandeira? Eu: - Já contei hoje, mais cedo, pra ele e pra tia Loli. Papai: - Ah, tá bom, nesse dia a gente vai estar todo mundo junto pra te acompanhar, meu amor... que orgulho que você é pra toda a família, meu anjinho! Eu: - Obrigada... vou dormir... Papai: - Sim, sim... eu também... sua mãe e sua irmã já tão bem dormidas... descansa! - Ele chegou perto e me deu um beijo na testa. Eu: - Igualmente, papai... até amanhã! Fui pro meu quarto, me troquei, sequei o cabelo e deitei pra dormir. No dia seguinte, acordei quase às 6:30 porque meu relógio ainda não sabe que não preciso mais ir pra escola, e fiquei sentada na cama lendo várias mensagens das minhas amigas no grupo, que falavam de umas fotos de casal de uma revista famosa. Como não peguei o começo da conversa, cumprimentei e perguntei: Eu: - Oi, meninas, como vocês tão?? Ingrid: - Ah, apareceu... me dá seu autógrafo? Jazmin: - Magra, te falei que eu queria ser a primeira e ela mandou um monte, haha e emoticon de risada. Eu: - Não tô entendendo, meninas, do que vocês tão falando... - Natali, Jazmin e Ingrid me mandam imagens da revista mostrando um casalzinho de uma revista uruguaia famosa com um título "Simples Love de Verão". Nati: - Frambu, é você?? Largou o otário por esse gostoso?? Jazmin: - Tava escondendo muito bem seu namoro à moda de Maldonado ou uruguaia... Rosario: - Se ele tem um amigo solteiro, eu super topo. Cê é muito foda, Fran... Quase deixei o celular cair das mãos quando vi as fotos, era aquele fotógrafo que tava tirando fotos naquele dia que a gente viu aquele tumulto na praia quando ele tava junto com Ezequiel e eu pensava: "Será que essas minas tiraram essas fotos de onde??" Na hora mandei perguntando pra elas:
Eu: - De onde vocês tiraram essas fotos??
Jazmin: - Tá nessa revista famosa, tá no site dela e na boca do povo porque chegou aqui ontem e virou um boom por causa da novinha Rosário:
- Você virou famosa saindo com um "rebelde" lindo
Nati: - A gente ficou sabendo ontem à noite porque uma das nossas colegas, a mais fofoqueira, perguntou no grupo se alguém te conhecia e quando vi a foto, percebi que era você
Jazmín: - É aquela insuportável da Romina, a que se mete em tudo, ela postou a foto no grupo do colégio
Eu: - Que chata intrometida...
Rosário: - Fica tranquila que não tem nada de mais
Eu: - Siiim, tem coisa de mais... eu tô na capa e em várias páginas... quero morrer
Nati: - Nããão, mina, calma...
Eu: - Tô muito nervosa porque essa revista tá em todo lugar e pode ser vista pelo infeliz do Blas, meus pais, meus avós... e até o cara da foto que eu tava investigando
Rosário: - Quem?? Esse novo?
Eu: - Não, não... Lembram do amigo dos meus pais, o tiozão da foto?? Era um ex da minha mãe, o namorado dela!!!
Todas: - Sério???
Eu: - Siiim, confirmei, ela me contou e deu ou eu causei uma puta confusão por causa de uma troca de mensagens! Mandei um áudio contando tudo de novo, quando terminei ouvi que alguém já tinha levantado e ido pro banheiro ou pra cozinha. Resolvi levantar e deixar o celular na cama pra ir tomar café.
Minha mãe já tava acordada, tava preparando as xícaras pra servir o café quando cheguei
Eu: - Bom dia, mãe
Mãe: - Bom dia, Fran... - dei um beijo nela - dormiu bem?
Eu: - Sim, sim, vocês compraram o café pra bater ontem?
Mãe: - Ah não... esqueci. Hoje vou anotar pra comprar, precisa de mais alguma coisa?
Eu: - Acho que não... Mãe... hoje vou pra casa do vô... daqui a pouco vou com ele porque ele tá muito feliz com a notícia de que vou estar na bandeira e sente falta de nos ver
Mãe: - Ah tá bom... quer que eu te leve?
Eu: - Não, não, mãe... vou cedo, fico pra almoçar com ele e a tia, e depois vou direto pra minha aula de inglês. Assim aproveito e a tia Loli me ajuda com a minha apresentação.
Mãe: – Ahhh, tá bom... ela manja muito de inglês, né?
Eu: – Uhum, mãe... ela é quase igual ao pai, quando não entendo alguma coisa, eles dois explicam super bem... além disso, hoje é a última aula de inglês e a gente tem que fazer uma apresentação falando em inglês na frente da turma. Tô morrendo de ansiosa.
Mãe: – Tenta relaxar que vai dar tudo certo.
Eu: – É, é... provavelmente vai... mãe...
Mãe: – O que foi, Fran? Já tô quase terminando seu café com leite.
Eu: – É que eu quero que meus avós estejam lá na hora da entrega dos diplomas e da medalha, e também quero que eles me vejam entrar no portão ou acompanhar a bandeira na cerimônia.
Mãe: – Tá bom, amor... não tenho problema nenhum com eles estarem lá.
Eu: – Mas por que as tias não passam mais tanto tempo com a gente aqui em casa? Por que elas preferem só ver a gente, eu e a Guille, na casa do vô?
Mãe: – É que, assim como vocês descobriram o que aconteceu com a avó Lourdes, suas tias, irmãs do seu pai, já sabem há um tempão e estão muito putas comigo. Preferem nem me encontrar ou ficar longe de mim, mas com vocês não... seu nonno e suas tias são felizes e têm orgulho de vocês.
Eu: – Mas faz quanto tempo que aconteceu aquilo com a avó Lourdes? Por que elas ainda estão tão bravas com você?
Mãe: – Já te falei, amor... mas vou contar de novo. Sua avó, quando a gente se mudou pra cá, passou na casa antiga onde a gente morava e parou pra olhar. O Barti comprou ela, mas colocou outro nome. Quando o cara saiu, viu sua avó parada, olhando emocionada pra casa, eles conversaram, ela contou que ali moravam o filho dela e as netas, e o Barti ofereceu um copo d'água porque ela não tava bem.
Eu: – Ah, é? E aí?
Mãe: – E aí, quando ela foi sentar num sofá perto da mesinha de centro, viu uma caixa. Sua avó olhou e viu uma foto minha com o Barti, se beijando, com uma dedicatória que eu tinha escrito pra ele. — Eu, lá atrás, dizendo: "Porque você é minha vida, é meu love. E eu sempre vou te escolher, porque só vou amar você!"
Eu: — Ai, mãe... que poetisa!
Mãe: — É que eu tava muito apaixonada, mas depois terminei com ele e conheci seu pai pouco tempo depois, e me apaixonei, mas não do mesmo jeito que amei o Barti, o Gaston... mas agora, depois de tantos anos, percebi que o único love verdadeiro foi e sempre será seu pai. Porque ele me ama apesar de tudo que eu fiz e do mal que me comportei... sempre me arrependi, mas isso é difícil, não consigo consertar meu erro com seu nonno e suas tias. Me perdoa, filha.
E a gente se vira com as xícaras pra levar pra mesa, e meu pai tava parado ali, ouvindo a gente.
CONTINUA...
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