Frambu e seu coquetel de vida IX

No capítulo anterior, contei a verdade pro Eze e meu pai vai descobrir de um jeito bem brusco.
Eze:
– Então faz isso antes que eu vá! Porque não quero que você sofra, meu amor... isso é uma mochila pesada demais pra você... hein? Bom... vamos comer que já tá pronto e depois te levo pro seu pai, tá bem??
– Eu assenti com a cabeça.

Entramos, ele me abraçando pela cintura, puxou a cadeira pra mim e serviu os dois pratos. Terminamos de comer, ajudei ele a limpar e arrumar. Juntei minhas coisas e saímos.

Chegar na cidade foi lindo, porque em cada semáforo que parava, ele se aproximava e a gente se beijava. Ele parou na porta do hotel e me acompanhou até meu quarto. Na porta, ficamos conversando.

Eze:
– Então, amanhã cê acha bom eu passar te buscar umas 8?
Eu:
– Sim... Tá bom!
Eze:
– Vai ser uma viagenzinha de uma hora ou menos. Antes do meio-dia a gente tá aqui de novo, porque o voo de vocês deve ser à tarde. Te amo, gostosa!
– Ele ia me beijar quando meu pai abriu a porta. Eu me afastei na hora.

Papai:
– Oi, boa noite, pessoal.
Eze:
– Oi, Seu Martin.
Papai:
– Oi, querido Ezequiel... – eles apertaram as mãos – Oi, coelhinho!
Eu:
– Oi, pai! – Dei um beijo na bochecha dele.

Eze:
– Desculpa, Martin, mas se o voo de vocês for depois das 15, eu queria levar sua filha pra conhecer minha... minha família, claro, se o senhor deixar.
Papai:
– Sim, sim, tudo bem... nosso voo sai às 15h!
Eze:
– Então, com sua permissão, vou buscar sua filha amanhã bem cedo.
Papai:
– Tá bom... obrigado, obrigado por trazê-la!
Eze:
– Até amanhã, descansem!
– Eu me aproximei e dei um beijo rápido na frente do meu pai.

Eze:
– Tchau, Fran.
Eu:
– Tchau, Eze...
– Ele virou as costas e foi embora.

Meu pai entrou primeiro, e eu entrei depois. Ele estava ajoelhado arrumando a mala, quando me aproximei e abracei ele por trás.

Eu:
– Obrigada, pai, por essa viagem!!
Papai:
– Você se divertiu muito, meu anjo??
Eu:
– Sim... obrigada, obrigada por deixar eu ir e ficar com o Ezequiel hoje. Papai:-De nada, love. É que como te falei, aquele rapaz fez o que eu fiz com seu avô: dissemos nossas intenções que tínhamos para e com a filha dele, o respeito que temos pelo pai da nossa namorada, no meu caso minha mulher, sua mãe, e terceiro, o bom, atencioso e amoroso que ele é com você, assim como eu fui com sua mãe... e me conta pra onde vocês foram hoje?
Eu:-Sim, sim, mas assim que terminar de arrumar, quero que a gente sente no sofá apreciando a paisagem
Papai:-Tá bom, love... já tô quase terminando
Eu:-Vou arrumar minha mala e amanhã antes de sair com o Ezequiel, vou tomar banho...
Papai:-Tá bom, love...

Fui pro meu quarto e vi meu celular enquanto arrumava a mala, tinha uma mensagem do Ezequiel:
"Já tô aqui de novo sozinho, no silêncio do campo, da casa e sem você, meu love. Mas a única coisa boa é que ficou seu perfume grudado na minha cama, vou me abraçar naquele travesseiro que você usou pra conseguir dormir. Tomara que eu consiga pegar no sono, mas acho que não, porque você não tá aqui. Te amo e mando muitos, muitos beijinhos por esse corpo lindo"

Eu sorri e ouvi meu pai bater na porta
Papai:-Fran... posso entrar??
Eu:-Sim, sim, papai... tô terminando e já vou sentar com você
Papai:-Ah, tá bom, tesouro

Meu pai arrumou o sofá do jeito que eu fiz na primeira noite, mas colocando ele na varanda. E ele sentou, e depois eu fui com meu moletom e meu short pra perto dele. Ele colocou o braço dele em cima do apoio pra eu sentar bem, e assim que me aninhei, ele me abraçou, coloquei minha cabeça no peito dele e ele com uma mão acariciava e beijava minha cabeça e a outra me abraçava forte
Eu:-Te amo, papai...
Papai:-Uma cena assim me faz lembrar quando você tinha 5 anos e eu tava sentado no pátio da nossa casa naquela cadeira de madeira... lembra?
Eu:-Sim, sim, pai, lembro, e eu cabia inteirinha entre seu corpo e seus braços grandes - rimos
Papai:-Você era tão pequenininha, tão carinhosa comigo... me surpreende que você ainda seja tanto quanto quando era criança e a verdade é que adoro isso...
Eu:-Papai...
Papai:- Sim, love, você vai me contar onde vocês estiveram com o Ezequiel?? Eu contei e, na hora que falei que a gente ficou junto como um casal, fiquei toda vermelha e baixei o olhar, ele não disse mais nada e ficou um silêncio curto, aí pedi: Eu: - Você pode me pegar no colo igual quando eu era criança?? Pai: - Claro, meu love!! Vou tentar! Porque seu corpo é bem maior, mas não vou deixar de realizar seu desejo, filhinha Ele se ajeitou, eu me levantei de novo e sentei entre as pernas dele, fui me acomodando devagar até minha cabeça encostar no ombro dele, meus braços enlaçaram o pescoço dele e tentei fechar os olhos Pai: - Mas meu love... a gente não ia aproveitar essa noite?? Eu: - É que... eu precisava disso, papai... preciso de você e sempre assim, você comigo!! Pai: - Claro, meu love... sempre vou estar e fazer o que você pedir, minha filhinha!! Mas... o que aconteceu? Vocês discutiram com o Eze?? Ele fez alguma coisa que você não queria?? Eu: - Não... não, foi o contrário. Ele é muito bom, igual você: paciente, amoroso, carinhoso, respeitoso e... um bom confidente Pai: - Ahhh... achei que ia ter que falar com o Ricardo, mas agora tô mais tranquilo... e então, sobre o que é, meu coelhinho? - Eu me deitei no peito do meu pai, agarrando a camisa dele, com um nó na garganta - Fran... sei que você quer me contar alguma coisa... por favor, fala pro papai o que quer que seja que tá acontecendo com você, meu anjo, minha menininha, minha bebê... o que você tem, meu coraçãozinho?? - Eu me agarrei e comecei a chorar - calma, minha princesa... shhhhh... aqui está o papai, o papai vai estar sempre com você... - ele me abraçou mais forte e me ajeitou melhor no colo dele, me balançando devagar igual fazia quando eu era criança, cantarolando uma musiquinha infantil Eu: - Papai...? Pai: - O que foi, meu love?? Tá se sentindo melhor?? Eu: - Sim... muito melhor, acho que precisava disso... Pai: - Mas... não tava acontecendo nada? Te via triste, ou o que você tava sentindo?? Eu: - É que eu percebo que logo vou fazer minha vida e dói muito saber que a gente não vai ficar junto como antes... Papai: - Ai, meu amor, minha princesinha... eu sempre, sempre vou estar com você, se me chamar, onde quer que esteja e precisar de mim, eu vou até você e, se for preciso, vou te segurar assim... - ele sorriu e eu dei um beijo na bochecha dele, demorando um pouco mais, fazendo barulho de chupão - Te amo, tanto, minha bebê linda... quem é a bebê mais linda do mundo? Eu: - Sou eu, papai... Papai: - Papai ama quem e ama muito? Eu: - Só a mim, papai Papai: - Nooossa... também tenho outras mulheres que me amam e eu as amo: a Guille e sua mãe... Eu: - Não!!! - imitando voz de criança - você é só meu, papai! - meu pai riu mais alto Papai: - Ai, meu Deus... - ele ria - me fez lembrar daquele dia que sua mãe estava com a Guille dando de mamar e você estava comigo, eu te segurava no colo assim, e quando sua mãe nos viu, ela quis ficar do meu lado e você disse: Sai, mão... Papai é só meu!! Ai, meu Deus... naquele dia você derreteu meu coração, minha princesa... igual agora... - ele riu de novo Eu: - Te amo muito, pai! Papai: - E eu amo você, minha princesinha... papai te ama muito, mas preciso que você levante, já está muito grande e estou cansando... Eu: - Não! - eu ri e levantei, dando outro beijo na bochecha dele. Ele se ajeitou de novo e eu sentei ao lado dele, apoiei a cabeça no ombro dele e finalmente olhamos a noite linda. Comecei a bocejar e ele beijava minha cabeça, e eu estava pegando no sono Papai: - Fran... Fran, meu amor... vamos, minha vida. Se eu tiver que te levar de volta pra sua cama, preciso me levantar pra poder te levantar, minha princesinha linda Eu mal me mexi, como se estivesse consciente, ele se levantou e me levantou também Me aninhei no peito dele e ele foi andando calmamente até minha cama, me deitou devagar, acariciou minha cabeça, me cobriu e sentou na cama Quando ele ia se levantar, eu falei: Eu: - Não, não vai embora... Papai: - Mas Fran, amor... preciso dormir... amanhã tenho que acordar muito cedo Eu: - Por favor, pai... fica mais um pouco... - De repente, começa a trovejar e se ouve o vento -Não... não me deixe sozinha... Papai:- Vamos, filha... calma... tô aqui, tô do seu lado- ele se ajoelhou no chão e acariciava minha cabeça Eu:- A gente pode dormir junto? Papai:- Não, não... não acho legal... Eu:- Pelo amor, pai... Papai:- Tá bom, mas tenta se acalmar e fechar os olhos... porque eu preciso dormir, meu amor... Ele se deitou sem se cobrir do meu lado, enquanto me abraçava e acariciava devagar. Eu tentava me agarrar no corpo dele, mas como ele estava por cima dos lençóis, era difícil. Mexi os lençóis devagar, estiquei minha perna contra a dele, cobrindo ele dessa vez, e me segurei no corpo dele. Papai:- Fran... não... não se descubra... vamos... Eu:- Papi... não me deixa sozinha Papai:- Vou deitar com você, mas pelo amor, preciso dormir! Ele levantou, arrumou os lençóis e se cobriu. Eu prendi ele com minha perna e me aninhei no peito dele. Ele respirava devagar enquanto me acariciava suavemente, me dava beijinhos leves e curtos na testa e na cabeça. Adormeci junto com meu pai. De madrugada, acordei com o barulho da chuva e da água batendo na janela por causa do vento que tinha, e sinto que entre o corpo do meu pai e o meu tinha um travesseiro, enquanto ele continuava dormindo, com uma mão segurando ele, a outra me abraçando. Tentei me levantar devagar pra ir ao banheiro e tive que passar com cuidado por cima dele. Como minhas pernas são compridas, não encostei nem rocei nele ao levantar e fui ao banheiro. Quando voltei, ouvi ele murmurando bem baixinho: Papai:- Ela é pequenininha... é minha neném... não, nãoooo... E de novo passei com cuidado pra voltar pro meu lugar e estiquei minha perna, mas com tanta má sorte que rocei o pau dele e ele se mexeu um pouco e continuava murmurando bem baixo. Me acomodei no braço dele e ele me apertou mais contra ele e cruzou a perna dele sobre meu corpo. Com o travesseiro, foi como um salva-vidas pra nós dois, nenhum de nós sentiria o outro. Me ajeitei de novo e meu pai sussurrava "Minha Fran... é... minha menina... não, não... Deixa ela... não, não leva ela... não tira ela de perto de mim..." E ele olhava nos meus olhos e se mexia muito, bem inquieto. Eu:
- Pai... pa... papai... o que você tem?? E ele se assustou.
Papai:
- O que foi, meu amor?? O que você tem??
Eu:
- Eu nada, papai, você estava falando dormindo.
Papai:
- Quem?? Eu??
Eu:
- Sim, papai... você... estava sonhando algo comigo porque murmurou meu nome... e tipo, não queria que me levassem.
Papai:
- É que... é que... esses dias que passamos juntos, me aproximaram tanto de você e parece que logo você vai embora, vai fazer sua vida e não sei como dizer, mas vai ser difícil te soltar, porque queria que nunca fosse embora do meu lado.
Eu:
- Ah, papai... nunca vou embora do seu lado!!! Vou passar muito tempo com você!!!
Papai:
- É que... sei que você está grande e precisa do seu lugar, seu espaço... e sei que se escolher ficar com esse garoto, o Ezequiel, sei que ele vai cuidar de você e te amar tanto quase como eu, embora meu amor é de um pai que quer o melhor pra você e... te amo, minha princesa... te amo muito.
Eu:
- E eu te amo, papai... você é o homem mais importante da minha vida... sempre te falo isso!
Papai:
- Eu sei, minha pequenininha... olha, já não cabe mais nos meus braços! Antes a mamãe te colocava em cima do meu peito e você dormia... agora, mesmo que eu quisesse, não consigo... você está grande, está mais gostosa e não posso impedir que cresça nem que fique pra sempre do meu lado...
Eu:
- Mas vou ficar, todo o tempo que estivermos juntos, antes de ir morar sozinha, vamos ficar juntos, sempre vou voltar pra casa por você e pela mamãe, também pela Guille... porque amo vocês... amo tanto.
Ele me beijava na testa e me acariciava devagar enquanto repetia:
Papai:
- Minha princesa... minha pequenininha... a linda filha do papai... minha filha mais parceira... minha menina mimada... minha bebê consentida...
Eu fui fechando os olhos, com um braço abraçando o pescoço dele e dormimos.
No outro dia, ouvi o alarme do celular do meu pai tocar.
Ele já estava sentado desligando, logo se levantou e foi pro banheiro. Eu fiquei na cama e olhei meu celular, tinha Mensagens da Natali, do Blas, do Eze e da minha mãe: "Frambuesita... você não sabe... esse cara não para de me encher o saco, perguntando por você e quer te esperar no aeroporto, não sei como seu pai reagiria, mas... ele quer te ver custe o que custar! Beijos, linda... qualquer coisa me avisa" Natali "Oi, meu amor... preciso te ver e a gente conversar... sei que você volta hoje, por favor... quero te esperar e que me diga que horas é seu voo e o número, porque vou te esperar no aeroporto o dia inteiro, pra te ver... não aguento mais... te quero, meu amor... te quero demais" Blas "Oi, minha linda, como você está? Choveu muito, igual meu coração que não para de pensar em você a noite toda... que tal se eu passar daqui uns 40 minutos pra te buscar? Te quero, linda do meu coração!" Ezequiel "Oi Fran, bom dia. Como vocês estão? Já preparando tudo pra volta? Que horas é o voo? Tenham uma boa volta, uma boa viagem. Amamos vocês!" Mãe E eu ia responder minha mãe quando vejo que chega uma nova mensagem do "Barti": "Oi Fran, linda... como você está? Como estão sua mãe e sua irmãzinha Guille?? E você, o que fazia? Tô voltando de uma viagem de negócios do Brasil. Me conta sobre você, sua irmã e sua mãe. Beijos. Barti" "Oi mãe. Sim, sim, tipo 15h a gente tem o voo de volta, agora vou com o pai pra uma reunião e tipo 13h ou 13h30 a gente vai estar no aeroporto pro voo de volta. Tô com muita saudade de vocês!" Mandei a mensagem pro último que tinha me escrito, pela foto que o "Barti" tinha, era muito parecida com a da minha mãe e escrevi "Oi Barti.. sim, sim, tudo bem, todas nós estamos bem. Fico feliz pela sua viagem e eu também tô numa viagem de negócios, mas com meu pai. Minha mãe e minha irmã estão em casa. Mando um beijão" e enviei pro segundo. Sentei na cama e me espreguicei. Ia responder o Eze, quando meu coração disparou de novo, louco "Ai, não posso ser mais bur...ra... Mandei a mensagem pra minha mãe! Ai, meu Deus... tomara que ela não tenha visto!!" E cancelei o envio, quando vejo que a mensagem já tinha sido lida. E logo minha mãe me chamou:
—Oi, Francesca! —Ela falou num tom irritado e bravo.
—Oi, mãe... desculpa, mas...
—Você pode me explicar que mensagem foi essa?? Tomara que esse Barti não seja o mesmo que eu tô pensando!!!
—Mas mãe... desculpa... me enganei!
—Você tava falando escondido com ele??
—Mãe... se acalma...
—Como você quer que eu me acalme!!! Pelo amor de... como você quer que eu me acalme??? Eu te pedi pra, por favor, não quero mais ele nas nossas vidas... eu não sei o que fazer com você... ainda tem um namorado e não me contou...
—Mas mãe...
—Pelo amor de Deus, Francesca... não acredito que você foi tão irresponsável!!! Achava que você era mais esperta, mais inteligente... o que você falou de mim pro Bartolomé??? O que você falou???

Eu tava chorando sem parar e meu pai entrou sem bater:
—Fran... Fran... meu amor... o que você tem??

Minha mãe continuava falando muito alto no telefone, dava pra ouvir a voz dela, porque o viva-voz apertou sem querer:
—Não acredito no que você fez, Francesca... não acredito que você voltou a falar com o Bartolomé, sabendo de todo o meu passado com ele... te contei da grana, abri meu coração, filha... pra quê? Me diz, pra quê??? Pelo amor de Deus....

Meu pai pegou o telefone e, chocado de ouvir tudo aquilo:
Pai: —Anabella
Mãe: —Oi, amor...
Pai: —Por que você tá falando assim com a Fran???
Mãe: —É que ela não me contou nada sobre o namorado que tem e...
Pai: —Isso é secundário, Anabella! O que foi tudo isso que você disse pra ela?? O que foi, você teve outro contato com esse tal de Bartolomé?? De novo??
Mãe: —Martin, Martin... amor, me escuta...
Pai: —Não, não... já chega... eu cansei. Tantos anos aguentei suas mentiras, guardando tudo pra mim, tentando consertar o que você quebrou, me apaixonando de novo por você e você voltando com essa porcaria... e ainda tem coragem de culpar nossa filha!!! Juro que não... isso eu não te perdoo!!!
Mãe: —Por favor, Martin, deixa eu explicar...
E meu pai desligou a ligação. enquanto eu chorava nos braços dele, Papai:
- Pelo amor de Deus, meu amor... não acredito na enrascada que sua mãe te meteu... por quê? por que você não me contou?
Eu:
- É que, papai...
Papai:
- Por favor, meu amor... me conta toda a verdade
Eu:
- O negócio é o seguinte: quando eu vejo uma foto dele, lembro de muitas coisas de quando era pequena. Barti, Bartolomeu ou seja lá como se chama, ficou com a mamãe quando a gente estava no jardim de infância e um dia ele foi nos buscar, um homem grandão que dizia se chamar Bruno. Ele nos buscou naquele dia no jardim e a mamãe estava toda mal, muito mal, como sem forças. Ele nos levou pra comer no shopping e depois pro parquinho, também andamos por aí, mamãe comprou roupa pra gente e lembro muito bem que paramos numa loja onde tinha umas roupas bem estranhas e ouvi o Barti falar baixinho pra mamãe que tava morrendo de vontade de ver ela com uma daquelas...
Papai:
- Ah, Fran... você lembra de tudo isso...
Eu:
- Siiim... depois ele nos acompanhou até em casa, ela abriu a porta e o Barti carregou a Guille, que tava dormindo, no colo até o quarto dela. Eu fui pro meu e ouvi quando eles conversavam, a mamãe pedindo pra ele ir embora mas ele insistia. Aí você chegou e eu saí correndo pra me deitar, fingi que tava dormindo com medo de levar bronca...
Papai:
- Ah, Fran... meu amor...
Eu:
- Depois, a Guille na casa da vó Amanda fez um desenho deles se beijando porque ela viu os dois na cozinha, foi o que ela nos contou
Papai:
- Pra quem?
Eu:
- Pra mim e pra vó Amanda!
Papai:
- Com quem sua mãe tava se beijando?
Eu:
- Com o Barti... eles tavam se beijando na cozinha da nossa casa
Papai:
- Ah, filha... não acredito... te falo a verdade, não consigo acreditar...
Ouve-se batidas na porta do nosso quarto, meu pai levanta pra abrir enquanto enxugava as lágrimas e vê o Ezequiel
Eze:
- Oi, seu Martin, bom dia
Papai:
- Oi, Ezequiel... entra...
Eze:
- Licença... não quero atrapalhar, só tava esperando sua filha e ela... - Ele me viu sentada na cama ainda de pijama e com os olhos marejados Fran... Fran... o que foi, gostosa?? Eu:-É que meu pai já sabe! Eze:-Que sorte..! Pai:-Você sabia, rapaz?? Eze:-Ontem ele me contou e eu insisti pro Fran contar a verdade pro senhor... não queria ver ela mal, não quero que ela carregue algo que não é culpa dela... Pai:-Tem razão!!! Ela foi muito forte pra guardar todos esses anos o segredo do relacionamento que minha mulher teve com o ex-namorado dela... e eu de novo fico sabendo depois de tanto tempo... assim que voltarmos, vou me divorciar da sua mãe, mas vou lutar por você, filha, e pela sua irmã... sua mãe não vai mais mudar!! Eu:-Mas pai, deixa eu explicar uma coisa sobre o Barti... Pai:-Por favor, amor... não fala o nome desse infeliz! Eu:-É que a mãe não viu esse cara agora, não... ele me mandou um pedido de amizade e, por opinião de uma amiga e minha curiosidade, aceitei... o senhor pode ver, pai... eu nunca falei nada de errado - enquanto mostrava desde o início a conversa que tive com "Barti" - Viu, pai?? Ele nunca disse nada, só perguntou por nós... Pai:-É que esse cara me destruiu!! Destruiu meu casamento e a vida que eu tinha com sua mãe... Eze:-Desculpa me intrometer, Martin, mas quem deixou ele se meter no casamento foi a sua mulher... não leve a mal, mas... Pai:-É verdade, rapaz... você tem toda razão!! Vou ver como fazer quando voltarmos, como vou resolver isso... me perdoa, meu anjo! Desculpa por insistir nisso, mas fico feliz em saber a verdade finalmente, mesmo que eu nunca fosse te envolver em nada Eu:-Desculpa, pai, por não ter te contado, mas achei que a mãe devia ser quem tivesse coragem de te dizer a verdade na cara Pai:-Fica tranquila... agora tenta aproveitar e ir com o Eze, que eu já tô atrasado pra reunião! Te ligo umas 13h, tá bom? Eze:-Vamos ficar por perto, não vamos na casa dos meus pais porque eles não podem hoje, mas tão felizes porque mostrei por fotos como você é, como é o amor da minha vida... desculpa, Martin... como é a Fran e... Pai:-Olha, rapaz... eu Foda-se, valeu por acompanhar minha filha e por ser assim com ela. Não precisa se desculpar, Eze.

Eze: — Se o senhor não se importa, Martín, já que o senhor tá aqui, quero pedir a mão da sua filha. Quero que saiba também que o amor que eu sinto por ela é sincero, verdadeiro, e vou esperar ela terminar os estudos. Vou visitar ela, se o senhor permitir, quando ela fizer 18 anos.

Pai: — Claro, Ezequiel!! Você é mais que bem-vindo na nossa casa!

Eze: — Não quero incomodar sua família, vou procurar um lugar pra ficar.

Pai: — Pelo amor de Deus, filho... não... não precisa! Já é da família. Filha — ele pegou na minha mão — Ezequiel — ele pegou na mão dele — eu abençoo vocês e espero que sejam um casal próspero e unido — ele juntou nossas mãos com as duas mãos dele.

Eu: — Obrigada, pai... te amo.

Pai: — E eu te amo, linda!! Termina de se arrumar e já podem ir. Eu vou pra minha reunião!

Eze: — Obrigado, Dom Martín. Vou fazer de tudo pela Fran, pela sua filha!

Pai: — Cuidem um do outro! — Ele apertou a mão do Ezequiel e depois deu um abraço. Chegou perto de mim, me deu um beijo na testa e saiu todo emocionado.

Terminei de me trocar, ia levar minha mala cheia pra tomar banho e ficar pronta na casa do Ezequiel. Saímos do hotel, andando de mãos dadas e já não escondíamos mais nosso amor de ninguém. Ele colocou minha mala no porta-malas do carro e na hora abriu a porta pra mim. Fomos pra casa dele no campo, eu ia encostada no ombro dele e ele de vez em quando acariciava minha mão ou meu rosto. Quando chegamos, ele desceu, abriu a porta pra mim, pegou minha mala, me segurou pela mão e entramos. Tava caindo uma garoa fininha que parecia encharcar. Ele levou a mala pro quarto principal e veio até mim.

Eze: — Você não sabe como eu tô feliz de ter pedido sua mão pro seu pai!!

Eu: — Obrigada... isso tudo é mágico!

Eze: — E vai ser sempre assim. Vou estar sempre aqui pra você, minha gostosa... — ele me deu um beijo suave na boca e sorriu — você tomou café?

Eu: — Não, não tomei.

Eze: — Que bom... porque eu também não, então a gente pode tomar café juntos! Porque Era minha ideia, te buscar cedo, tomar café da manhã juntos e te aproveitar o máximo possível...
Eu: — Gostei da sua ideia, já entendi... então vamos preparar.
Eze: — Não, não, não... se quiser, toma um banho e eu preparo algo especial pra você!!
Eu: — Mas posso demorar...
Eze: — Fica à vontade, meu amor... eu cuido de preparar um café da manhã bem gostoso pra nós dois.

Dei um beijo nele e fui pegar minha roupa e meus objetos pro banho.
Quando terminei de me lavar, senti cheiro de algo torrando e cheiro de café. Me troquei com algo leve, um short e uma regata cavada, e com a toalha na cabeça pra secar o cabelo.

Eu: — Nossa... o que você tá preparando??
Eze: — Minha mãe me ensinou a fazer esse pão especial e ontem à noite deixei ele pronto, agora tô assando, você vai amar.
Eu: — Meu Deus... que cheiro gostoso... com minha avó a gente fazia pão caseiro, mas nunca soltou esse cheiro... já tô morrendo de vontade de provar.
Eze: — É que é uma receita da minha nonna Elba, igual essa geleia ou marmelada de pêssego. Ela que faz!
Eu: — Nossa, Eze... que delícia... posso provar com uma colher?
Eze: — Claro, meu amor...

Enfiei uma colherada na boca e fechei os olhos ao saborear.
Eu: — Meu Deus... sua avó é uma gênia! Nossa... isso tá perfeito!!!
Eze: — Fico orgulhoso dos seus elogios pra minha nonna. Ela é uma mestre na cozinha! Tem 80 anos e sempre que vou visitá-la, ajudo ela em tudo: pegar as verduras da horta, os ovos do galinheiro, ordenhamos o leite das vacas e de uma cabra que ela tem.
Eu: — Ah, é??? Que legal...
Eze: — Na próxima vez que você vier, vou te levar pra conhecê-la!

Ele me serviu o café com leite e colocou o pão recém-saído do forno, deixando esfriar pra cortar e provar com a geleia.
Enquanto provava tudo que ele tinha feito, eu estava maravilhada: fazia tempo que não sentia um amor tão gostoso numa cozinha, como quando eu e minha irmã estávamos na casa dos meus avós.

Eu: — Sinceramente, amor... você me surpreendeu: tudo estava muito gostoso, delicioso...
Eze: — Você gostou?
Eu: — Sim... muito. Obrigado!
— Me aproximei e dei um beijo na boca dela. Quando soltei, vi que no canto superior do lábio dela tinha doce e ri. — Olha, fica quieto...
Eze:
— Quê? O que eu tenho??
Eu:
— Cê tem um pouco de doce... deixa eu tirar — me aproximei com o guardanapo e limpei. Quando terminei, olhei pra ele e ele sorriu.
Eze:
— Cê também tem doce que caiu em você!
Eu:
— Onde??
Eze:
— Aqui! — apontou entre meus peitos, mas com a faca de passar e passou doce — deixa que eu tiro!
Eu ri. Ele se aproximou e com o guardanapo fez que ia limpar, mas usou a boca pra me limpar — quanto doce que cê derramou — lambia devagar entre meus peitos.
Eu:
— Mmmmmmmmmmmm... love... mmmmmmmmmmm... tem tanto doce aí??
Eze:
— Sim.... demais caiu em você! — passava de novo entre meus peitos e no meu pescoço um pouco mais de geleia e se dedicava a limpar com a língua e a boca — vou ter que te levar pro quarto pra te limpar bem direitinho...
Eu:
— Cê acha??
Eze:
— Siiiiim... acho que também tem dentro da sua calcinha e vou ter que te limpar toda...
Ele me levou pela mão até o quarto e na outra mão levava o pote com a geleia.
CONTINUA...

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