Desejo meu pai, parte 2

Ele me bateu... desde que me lembro, nenhum dos meus pais foi além de levantar a voz quando eu fazia algo errado. Acho que nunca tinha feito algo que merecesse um tapa. Até agora. "Cê tá pensando o quê, sua puta?" Ele me segurou pelos ombros e falou seco: "Que porra passa na sua cabeça?" gritou depois e me deu um tapa que me jogou no sofá. "Vagabunda, puta, doida, doente, slut" e mais uma porrada de adjetivos foram o que me definiram pelos minutos seguintes, enquanto eu continuava encolhida no sofá, escondendo o rosto, e ele berrava sem parar. Acontece que eu tive um momento de irracionalidade quando saí do banheiro e vi ele vendo TV. Decidi... Não, nem decidi, só fiz isso... tirei a camiseta largona que uso pra dormir e fui sentar no colo dele. No começo, ele só riu, até me deu uns tapinhas carinhosos na bunda e falou: "Vai dormir, tô vendo um filme." Talvez eu devesse ter parado ali, rido e fingido que tudo não passou de uma brincadeira, mas eu tava tão tesuda que só fui em frente. Me aproximei pra beijar ele, e ele se inclinou pra trás, já mais irritado. Me inclinei mais e beijei os lábios fechados dele. Ele virou o rosto... "Para", ele disse, e eu aproveitei que ele abriu a boca pra forçar minha língua pra dentro enquanto esfregava minha buceta nas coxas dele. E aí ele explodiu... E eu acabei no sofá, escondendo meu choro entre as mãos e os gritos dele. Só uns minutos depois, ouvi baterem na porta e os passos irritados do meu pai indo atender, e depois se desculpando pelo escândalo pra velha do lado que veio reclamar do barulho. Daí a pouco ele voltou, mais calmo, sentou na minha frente, segurando a cabeça em silêncio. "Puta que pariu", ele disse bem baixinho, respirando fundo. Depois, silêncio... Por pelo menos meia hora, ninguém se mexeu. Nessa altura, eu já tava começando a sentir frio e comecei a tremer. Meu pai percebeu e se levantou... "Levanta agora", ele disse e puxou meu braço pra me sentar. Sentou do meu lado e me abraçou. "Me perdoa", ele disse, e eu comecei a chorar de novo, porque a culpa era minha. Ele esperou até eu me acalmar um pouco e me perguntou por que eu tinha feito aquilo. Contei tudo o que acontece comigo, o que sinto e como me desesperava por não conseguir falar. Pedi perdão, chorei, e nós choramos juntos. Ficamos conversando sobre tudo e qualquer coisa, rimos, e em alguns momentos só ficamos abraçados, até percebermos que já era muito tarde... Fui vestir um pijama e depois dormimos abraçados, igual quando eu era pequena e dormia entre meus pais quando chovia. E é isso, por enquanto. Continuamos do mesmo jeito que antes, só que agora ele sabe o que sinto e me abraça toda vez que chega. Ele disse que tá tudo bem, que gosta que eu o ame tanto, mas que sou muito burra por pensar que ele faria alguma coisa, e que eu deveria comprar um consolo ou algo assim. PS: mostrei a ele minha postagem anterior e ele me deu um tapão na cabeça. "Que burra você é", disse rindo, e foi trabalhar.

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